Terra Magazine

3 de julho de 2009

Fachadas de casas fazem tributo à Independência da Bahia

Ontem, no dia 2 de Julho, foi celebrada a Independência da Bahia, quando as tropas do exército e da marinha brasileira conseguiram a libertação definitiva do Brasil do domínio português, em 1823.

A data é tradicionalmente comemorada com um cortejo na capital baiana, que sai do Largo da Lapinha e vai até a Praça da Sé.

Para estimular o espírito cívico da população local, a Fundação Gregório de Mattos (órgão municipal de cultura) costuma promover uma competição entre as fachadas das casas que ficam no trajeto.

As casas vencedoras, que serão conhecidas no dia 17 deste mês, ganham R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1mil para os primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Os moradores enfeitam suas casas para o desfile do Dois de Julho

Os moradores enfeitam suas casas para o desfile da Independência da Bahia, no Dois de Julho

O Blog das Ruas esteve no cortejo do 2 de Julho e fez a sua própria seleção. Manequins, modelos vivos, manifestações políticas, comércio e, claro, futebol são elementos presentes nas fachadas mais chamativas.

A concentração de máquinas fotográficas logo anuncia uma das mais fortes concorrentes. Decorada com folhas de palmeira, flores vermelhas e brancas e as bandeiras da Bahia e do Brasil, a casa tem à sua porta três adolescentes, vestidos de Joana Angélica, Castro Alves, Maria Quitéria. Nas janelas, duas crianças representam os caboclos (índios).

- A menina de Maria Quitéria e a indiazinha são minhas netas. Os outros três são vizinhos. Eles ficam aí das 10h até quando acaba o cortejo. Eu falo para descarem um pouco, mas não querem descer não. Também, todo mundo tira foto e brinca com eles… - conta a senhora Maria Santana,que decora a fachada da casa há 13 anos.

Dona Maria Santana nasceu num Dois de Julho

Dona Maria Santana nasceu num Dois de Julho e decora a fachada há 13 anos

Para Dona Maria Santana, a data é mais que especial: é o seu aniversário. Nascida em 2 de julho de 1940, ela se diz privilegiada e pede que a data continue a ser celebrada. “É muito importante o Dois de Julho. A Bahia precisa lembrar dos seus heróis”, afirma.

Quase em frente à casa de Dona Maria, outra fachada tem as três janelas ocupadas por modelos vivos. Desta vez, só mulheres, representando Joana Angélica, Maria Quitéria e a Iyalorixá Maria Felipa, personagem menos conhecida da luta pela independência na Bahia.

Felipa lutou na Ilha de Itaparica. Conta-se que ela liderava uma “guarnição” de 40 mulheres, que seduziam e depois surravam com cansanção os soldados portugueses. Felipa e suas lideradas teriam queimado 42 embarcações dos colonizadores.

Fachada homenageia Maria Felipa (E), hero�na pouco conhecida da Independência Baiana

Fachada homenageia Maria Felipa (E), heroína pouco conhecida da Independência Baiana

“Decoro minha fachada há três anos e sempre estou homenageando o povo negro”, diz Nilzete dos Santos, 32, que aproveitava o cortejo para fazer uns trocados vendendo bebidas num isopor à frente de casa.

- Em 2008, ganhei o terceiro prêmio homenageando os orixás. Este ano, espero ganhar de novo fazendo uma homenagem às mulheres negras - conta Nilzete.

Na Rua dos Perdões, uma enorme bandeira da Bahia tem à frente o desenho de um grande pote decorado com motivos africanos, que estampa os dizeres “Renascendo na Palma da Mão”.

Dona da casa, Maria da Anunciação, 91, espera viver "para muitas outras festas"

Dona da casa, Maria da Anunciação, 91, espera viver "para muitas outras festas"

Dentro da casa, a dona, Maria Anunciação dos Santos, de 91 anos, não consegue me explicar o que quer dizer a decoração. Entretanto, com a vozinha baixa, mas firme, afirma: “Adoro festas! Espero que Deus me dê ainda muitos anos de vida para decorar minha casa muitas vezes”.

Perto de dona Anunciação, cinco manequins e muito luxo enfeitam outra fachada. Desta vez, é um profissional que está por trás do projeto: o estilista e artista plástico Júlio César Habib, que há 13 anos mora no bairro e estréia no concurso de fachadas.

- Eu fico muito triste quando um adolescente pergunta “quem é aquela mulher vestida de homem?” e não sabe que é Maria Quitéria. A grande infelicidade da Bahia é terem tirado do ensino primário a história da Bahia, a verdadeira história do Brasil - diz Habib.

Fachada "chique" tem manequins e muito luxo

Fachada "chique" tem manequins e muito luxo

O estilista projeta uma sala de estar com portugueses, Maria Quitéria e a figura do caboclo. Segundo ele, o conceito que norteia a obra é paz e igualdade.

“Tendo vencido a luta, Maria Quitéria está em paz com o índio, seu companheiro de luta, e os portugueses que aqui ficaram porque amaram o Brasil. Os que não gostaram daqui, Maria Quitéria mandou embora”, conta.

Elvis, Michael Jackson e ACM

Ao longo do trajeto, algumas surpresas. Várias residências aproveitam o burburinho para serem negociadas. Numa delas, uma grande faixa pendurada na varanda dizia: “A Casa-Museu Solar do Santo Antonio está à venda”.

A paixão nacional também é destaque na festa da Indepedência da Bahia

A paixão nacional também é destaque na festa da Indepedência da Bahia

As fachadas das casas servem também para estampar as preferências de seus donos no futebol e na política. Não raro, a bandeira oficial é substituída pela do Esporte Clube Bahia.

Numa das casas, entre as bandeiras do Bahia e do Brasil, flutua a camisa do Corinthians, campeão da Copa do Brasil na noite anterior.

Moradores manifestam o descontentamento com a pol�tica

Moradores manifestam o descontentamento com a política

Os moradores não deixam de manifestar suas paixões e sua insatisfação na política também.

Na Rua dos Perdões, o muro de uma casa ostenta, em letras garrafais, a frase: “Vote nulo: não sustente parasitas! Estamos P.uT.os c/vcs DEMônios”. Já em outra casa, no bairro de Santo Antonio, a única decoração é um pôster enorme do senador falecido Antonio Carlos Magalhães.

Todos os anos, Soraya Fahel decora a casa com a fam�lia Magalhães

Todos os anos, Soraya Fahel decora a casa com a família Magalhães

“Desde que me entendo por gente, sou ACM”, diz Soraya Fahel, dona da casa. “Todo ano eu decoro a minha fachada com ele, com o Filho [Luís Eduardo Magalhães] ou com o Neto [ACM Neto]“.

Durante a nossa conversa, Soraya faz um comentário cuja justificativa só posso atribuir à paixão desmedida pelo ex-senador baiano:

- Elvis não morreu. Michael Jackson e ACM também não.

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1 de julho de 2009

SP: Mostra pretende difundir a mímica no país

Foi aberta ontem, no Espaço Cultural Pyndorama, na capital paulista, a I Mostra de Mímica Contemporânea. São debates, espetáculos, oficinas e palestras dedicadas à “arte de sem palavras” - todos gratuitos - até o dia 16 de julho.

Com poucos grupos especializados em mímica no Brasil, os artistas Victor de Seixas e Rose Prado tomaram para si a tarefa de difundir a arte no país, mostrando ao público e aos colegas de profissão a diversidade de técnicas e possibilidades que o gênero detém.

- Quando você fala de mímica, fala muitas coisas. Mímica não é só aquele cara de cara branca. Nós queremos criar referencial para o gênero. Especialmente a partir Mímica Corporal Dramática, que praticamente não é conhecida aqui - explica Victor de Seixas.

Técnica originalmente desenvolvida pelo artista francês Etienne Decroux, a Mímica Corporal Dramática se diferencia do que chamam de “mímica tradicional”, de acordo com Seixas, por valorizar os movimentos corporais, enquanto a segunda “está condicionada manipulação de objetos invisíveis”.

- Não pretendemos descrever nada. A mímica convencional é quase um jogo de adivinhação. Mais importante que a ilusão, para nós, é aprender a expressar com o corpo ideias e emoções - esclarece Victor de Seixas.

A Mostra acontece ao mesmo tempo que o II Colóquio Pyndorama. Se, por um lado, os dois eventos são repletos de workshops e palestras para artistas e amadores, por outro, poucos espetáculos - apenas três - são apresentados ao público (veja a programação).

- Este ano, não conseguimos verbas para muitos espetáculos. Em 2010, vamos fazer uma mostra maior, inclusive com artistas gringos - explica o coordenador.

Embora também sejam abertas ao público em geral, as muitas oficinas e palestras têm o papel de desmistificar o gênero para os próprios profissionais da área. “As pessoas não conhecem e às vezes têm preconceito. Muita gente usa como suporte para outra coisa, mas a mímica como produto final é pouco reconhecida”, afirma Seixas.

- É uma coisa meio na contramão. A gente é quase marginal. É uma técnica que demanda muito treino, estudos a longo prazo. E as pessoas querem resultados rápidos. É que nem balé clássico: você não pode fazer um workshop de uma semana e sair dançando balé - diz.

(fotos: divulgação)

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30 de junho de 2009

PE: Festas Juninas movimentam mais de R$ 90 milhões

Tags:, , , , - iurirubim às 15:46

O Governo de Pernambuco acaba de divulgar uma avaliação dos impactos do São João e das comemorações correlatas no Estado.

Segundo os dados oficiais, catorze “pólos de animação” foram montados pelo governo estadual, com um investimento de R$ 8,4 milhões. Esses pólos atraíram 890 mil pessoas durante as festas juninas, sendo 350 mil de fora do Estado, e geraram uma movimentação financeira de R$ 90 milhões.

Somente levando em consideração a contratação direta, isto é, postos de trabalho gerados diretamente pelo investimento do Governo de Pernambuco, foram criados 11.239 empregos, sendo a absoluta maioria artistas, logo que 11.165 deles subiram nos palcos pernambucanos.

O documento não precisa a quantidade de empregos indiretos gerados pela intensificação do turismo e da economia da festa nos municípios pernambucanos neste período.

Um outro dado interessante, levando em conta a quantidade de artistas contratados, é a criação de circuitos regionais. Os municípios que sediam os pólos de animação recebem uma grade artística composta de cantores e músicos de sua região, promovendo o desenvolvimento local e movimentando apenas a economia da cultura.

No interior de Pernambuco, a rede hoteleira teve ocupação média de 95,04%. Algumas cidades - Carpina, Pesqueira e Caruaru - esgotaram os leitos disponíveis para hospedagem. A permanência média foi de 3,3 dias em cada cidade e o gasto individual, R$ 86,54.

Além disso, todo o quadro de festejos juninos de Pernambuco pode ser acompanhado por um site específico para o período, o São João de Pernambuco, com programações culturais e informações turísticas dos polos de animação.

A plataforma também ofereceu informações sobre tradições juninas, simpatias, receitas de comidas típicas, rádio online e possibilitou aos internautas puderam publicarem fotos e vídeos para as galerias do site.

Os dados apresentados neste levantamento, ainda que pudessem ter maiores amplitude e complexidade, reiteram algo que os gestores públicos brasileiros insistem em não dedicar a devida atenção: a força da economia das festas, especialmente aquelas com forte base na cultura popular.

Mesmo sem entrar na discussão dos modelos e formatos dos festejos populares, a exemplo de Pernambuco serve de parâmetro para que os outros Estados brasileiros, principalmente os da região nordeste, pensem a organização de suas respectivas festas populares.

(foto: Priscilla Buhr)

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28 de junho de 2009

SP: Ciclistas protestam contra “cemitério de árvores” na Marginal Tietê

No momento que publico este post, um grande grupo de ciclistas, mobilizado pelo Coletivo Pedal Verde, deve ter chegado à Ponte das Bandeiras. Lá, encontra-se com outros ativistas ambientais para vistoriar o “cemitério de árvores” - como passou a ser chamado o local onde, na última segunda-feira, foram cortadas árvores de mais de 50 anos para a reforma da Marginal Tietê (imagem abaixo).

>> Veja o trajeto cumprido pelos ciclistas

No convite do encontro, as árvores ainda existem

No convite do encontro, as árvores ainda existem

Segundo alegam os manifestantes, que fazem uma espécie de piquenique no local, para ampliar a Marginal Tietê, a prefeitura da capital paulista está eliminando “diversas árvores com mais de 50 anos de vida, que cumprem papel ecológico importantíssimo no equilíbrio climático e da poluição da marginal”.

A própria Secretaria de Verde e Meio Ambiente de São Paulo (SVMA) admite o “corte de 559 árvores no entorno da via em um universo de 4.589 árvores existentes no local” - ou seja, mais de 10% do total de árvores.

árvores com mais de 50 anos mortas

As provas do "ecocídio": árvores com mais de 50 anos mortas

Ainda de acordo com a SVMA, 419 das árvores a serem eliminadas são exóticas, “como fícus elásticas, eucaliptos, chorões etc.”.

Essas informações estão num texto de esclarecimento da Secretaria, no qual o órgão municipal afirma que o corte justifica-se por tratar-se de uma obra emergencial (a reforma da Marginal Tietê). Afirma também que, posteriormente, serão platandas 4900 árvores na Marginal, 83 mil em seu entorno e 63 mil no Parque Ecológico do Tietê, que também será criado (veja íntegra do texto).

Entretanto, os ativistas garantem que - embora seja chocante, de sua perspectiva - o corte das árvores não é o único problema da obra de reforma da Marginal.

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

Argumentam que a impermeabilização dos canteiros centrais, responsáveis pelo escoamento das águas, agravará o problema já crônico das enchentes naquela via.

- Esse projeto assina o decreto de morte para que um dia possamos a voltar a viver juntos e de forma saudável junto do Rio Tietê, indo completamente na contramão de projetos realizados em diversas cidades pioneiras do mundo - um retrocesso de mais de 40 anos no pensamento humano!!! - afirma o Coletivo Pedal Verde.

O Blog das Ruas passará a monitorar os desdobramentos dessa questão.

(fotos: Luciano Ogura)

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26 de junho de 2009

RJ: Festival de Inverno de Petrópolis tem “concerto de diplomatas”

Começa hoje o 9º Festival de Inverno de Petrópolis. Quem estiver na cidade mais famosa da Serra dos Órgãos vai poder até o dia 12 de julho, poderá aproveita o clima fazer uma imersão no universo da música erudita, além de curtir apresentações de chorinho, jazz, MPB, músicas francesas, dança, filmes e palestras audiovisuais.

Logo no primeiro dia de Festival, o Museu Imperial acolhe um espetáculo bastante singular: o Concerto dos Diplomatas (dia 27, 17h, Museu Imperial).

É isso aí: o cônsul e o conselheiro cultural de Portugal, respectivamente Antonio Almeida Lima (voz) e Adriano Jordão (piano), junto com o núncio apostólico da Santa Sé, Dom Lorenzo Baldisseri (piano), mostram que a música também pode trabalhar pelo entendimento dos países!

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

Foco principal do evento, a música erudita responde por oitenta por cento de sua programação com concertos, recitais, apresentações de corais e outras atrações que integram esse universo.

Naturalmente, muitos compositores consagrados são homenageados pelo Festival, com destaque para os 250 anos da morte de Handel; 200 anos da morte de Haydn; e os 200 anos de nascimento de Mendelssohn.

Mozart, Ravel, Brahms, Schubert, Schumann, Tchaikovsky e Rachmaninoff são outros compositores que têm espaço garantido na programação do evento.

Alguns espetáculos acontecem dentro do Palácio de Cristal

O Palácio de Cristal sedia parte da programação

O evento dá destaque especial ao pianista franco-polonês Frédéric Chopin, com um recital de Arthur Moreira Lima, que abre as comemorações do Ano de Chopin.

Entretanto, a nona edição do Festival de Inverno de Petrópolis propõe também uma jornada pelas notas de compositores menos conhecidos que trabalharam para Luís XIV, o Rei Sol.

O concerto “Música para o Rei Sol” (dia 4, 18h) é um dos “Concertos à Luz de Velas”, marca registrada do Festival de Inverno, que tentam, nesta edição, resgatar a influência francesa de séculos passados. Os Concertos à Luz de Velas acontecem às sextas e sábados, no Museu Imperial.

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

Parte do Ano da França no Brasil (França.Br), o Festival de Inverno de Petrópolis não apenas promove a música erudita francesa, como também abre espaço à manifestações artísticas mais recentes, desde a eterna Edith Piaf (interpretada por Letícia Carvalho - dia 7, 19h, Hotel Solar do Império) até a companhia de dança Georges Momboye (dia 29, 20h, Theatro Dom Pedro), cujos bailarinos são uma síntese do mundo francófono.

Impossível deixar de mencionar que o Festival de Inverno passeia pelos mais importantes cartões postais da cidade, como a Catedral de São Pedro de Alcântara, o Museu Imperial e o Palácio de Cristal, o presente do Conde D’Eu à sua esposa, Princesa Isabel, e primeira construção pré-fabricada do país.

No Museu Imperial são realizados concertos à luz de velas

No Museu Imperial, concertos à luz de velas relembram influência francesa nos séculos passados

- Petrópolis é uma representante viva da Corte Imperial e por isso tem um charme europeu inigualável e uma opção de locais para as apresentações que por si só se transformam em espetáculo - resume Myrian Dauelsberg, presidente da empresa que organiza o festival.

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25 de junho de 2009

Irmandade da Boa Morte vira Patrimônio Imaterial da Bahia

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira (BA), vai se tornar “Patrimônio Imaterial da Bahia”. O anúncio oficial, feito pelo governador Jaques Wagner, estava marcado para hoje, lá mesmo em Cachoeira, às 11h.

Há certa polêmica entre os autores sobre o início da Irmandade da Boa Morte e de seus rituais. Alguns afirmam que ela surgiu nos primeiros anos do Século XIX. Outros sugerem que seu nascimento se deu ainda no Século XVIII.

Mas existe consenso quanto à Irmandade ter surgido pela iniciativa de negras livres, no bairro da Barroquinha, na capital baiana. De lá, a organização teria migrado (ou desdobrado-se) para Cachoeira quando, em 1820, fui fundada a Irmandade da Boa Morte naquela cidade.

O governador Jaques Wagner, na sede da Irmandade da Boa Morte

O governador Jaques Wagner, na sede da Irmandade da Boa Morte

A Irmandade é exclusivamente feminina e só aceita mulheres negras por volta dos 40 anos. Atualmente, reúne 22 irmãs. Realiza anualmente, sempre no mês de agosto, a Festa da Boa Morte, uma tradição secular de agradecimento religioso (tanto o candomblé quanto o catolicismo) pela libertação de escravos. Todos os anos, a Festa da Boa Morte leva milhares de pessoas a Cachoeira.

Veja matéria sobre a Festa da Boa Morte de 2008.

O anúncio da Irmandade da Boa Morte como Patrimônio Imaterial da Bahia é um dos atos que marcam a transferência anual da sede do Governo do Estado para a cidade.

(fotos: Iuri Rubim/Blog das Ruas e Manu Dias/AGECOM)

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Para celebrar a independência da Bahia, governo muda de sede

Cachoeira, cidade onde começou o movimento pela independência da Bahia, é a nova “capital” do Estado durante o dia de hoje.

Quer falar com o Governador Jaques Wagner? Então vá a Cachoeira.

Pelo segundo ano consecutivo, a sede do Governo da Bahia é transferida para a cidade de Cachoeira, localizada no Recôncavo Baiano a 111 km de Salvador. A transferência é determinação da Lei 10.695, de 2007, e é uma homenagem à lutas dos baianos pela independência.

Além de assinar atos e despachos da administração estadual - neste dia, geralmente relacionados com a região -, o governador e seu secretariado participam das comemorações pela independência da Bahia.

Também serão divulgados o envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que cria a medalha, condecoração ou ordem 2 de Julho e da mensagem que torna o Hino ao 2 de Julho hino oficial da Bahia.

A nova sede do governo baiano foi a primeira cidade do Estado a aprovar a independência da colônia do jugo português.

Em 25 de junho de 1822, ainda que sob ameaça de uma escuna militar portuguesa, Antônio de Cerqueira Lima, José Garcia Pacheco de Aragão, Antônio de Castro Lima, Joaquim Pedreira do Couto Ferraz, Rodrigo Antônio Falcão Brandão, José Fiúza de Almeida e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, reunidos na Câmara Municipal de Cachoeira, anunciam o resultado da consulta feita ao povo, que concordou com a proclamação de dom Pedro de Alcântara “regente constitucional e defensor perpétuo do Brasil”.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, na cerimônia de transferência do governo em 2008

O governador da Bahia, Jaques Wagner, na cerimônia de transferência do governo em 2008

O “Sim” da população de Cachoeira disparou a luta pela independência da Bahia - então completamente dominada pelos portugueses - que só terminou pouco mais de um ano depois, no dia 2 de julho de 1823, com a rendição do comandante português Madeira de Melo e suas tropas.

Pouco conhecida no resto do Brasil, a independência da Bahia foi o embate mais sangrento do processo de independência do Brasil (sim, a independência do Brasil não foi tão tranquila como ensinam na escola…). Entenda a independência da Bahia.

Mártires, heróis e mitos

Foram várias batalhas e confrontos que, além da independência, geraram mártires, heróis e mitos.

Ainda em 18 de fevereiro de 1821, o Brasil ganhou sua primeira mártir, a abadessa Joana Angélica, assassinada ao tentar impedir que soldados portugueses invadissem o Convento da Lapa.

- Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta Casa passando por sobre o meu cadáver - teria dito Joana Angélica parada de braços abertos à porta do convento, pouco antes de sua morte.

A transferência do governo é um reconhecimento tardio da importância de Cachoeira para a Bahia

A transferência do governo é um reconhecimento tardio da importância de Cachoeira para a Bahia

O herói mais conhecido da Independência da Bahia não foi herói, e, sim, heroína. Disfarçada de “Soldado Medeiros” e sem autorização do pai, Maria Quitéria alistou-se nas forças pró-independência. Segundo é contado, Quitéria usaria um saiote escocês sobre a sua farda.

Travou várias batalhas, ganhando, inclusive, honras por bravura em combate. Não por acaso, Maria Quitéria é considerada a Joana D’Arc brasileira.

E, como muitos heróis brasileiros, ela morreu no anonimato, quase cega, em Salvador. O reconhecimento só veio mais tarde, quando foram criadas comendas, em Salvador e Feira de Santana, com o seu nome.

Por Decreto da Presidência da República, de 28 de junho de 1996, Maria Quitéria foi reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A sua imagem encontra-se em todos os quartéis, estabelecimentos e repartições militares da Arma, por determinação ministerial.

Os �ndios também participaram das batalhas pela independência da Bahia

Os índios também participaram das batalhas pela independência da Bahia

Não menos fantástica é a história do Corneteiro Lopes. É atribuída ao folclore da independência da Bahia a existência de um corneteiro português lutando pelas trincheiras baianas.

O que é contado e recontado a cada celebração de Dois de Julho é que, na decisiva Batalha de Pirajá, Corneteiro Lopes haveria recebido a ordem de tocar a “retirada” e inverteu o toque para “avançar cavalaria, a degolar”, apavorando os portugueses em franca vantagem e enchendo de inaudito ânimo as tropas brasileiras que venceram a batalha.

(fotos: Alberto Coutinho e Ivan Erick/ AGECOM)

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24 de junho de 2009

Conheça simpatias juninas para as mais diversas ocasiões

No Dia de São João, o Blog das Ruas pesquisou e selecionou uma série de simpatias juninas, uma tradição da cultura popular brasileira que ainda hoje encontra muitos adeptos pelos país. Quem nunca ficou tentado a apelar para uma simpatiazinha? Afinal, “mal não faz”, não é o que dizem?

Simpatia, segundo o dicionário, significa: “Ritual posto em prática, ou objeto supersticiosamente usado, para prevenir ou curar uma enfermidade ou mal-estar”. Como veremos na lista abaixo, a saúde não é exatamente o foco das simpatias, e, sim, os mistérios do coração.

Nesse quesito, embora os santos festejos em junho sejam três - Santo Antônio, São João e São Pedro -, o primeiro deles é o mais procurado. Não por acaso, também responde à alcunha de “santo casamenteiro”. Considerando, entretanto, a data de hoje, dei preferências às simpatias relacionadas
mais diretamente a São João.

Antes da lista, um aviso: como as simpatias são fruto da cultura oral, elas só continuam a existir quando e se forem retransmitidas de boca em boca.

O mesmo ato que garante sua existência é um vetor de imprecisão e instabilidade, logo que a simpatia repassada tende a sofrer pequenas alterações em relação à ouvida.

Por isso, é provável que você encontre abaixo simpatias “parecidas”, até mesmo quase iguais às que já conhece. Se isso ocorrer, não se preocupe: elas apenas passaram por ouvidos e bocas diferentes.

Simpatias Juninas:

Para saber se irá casar (1)
Quando estiver soltando um balão, pensar em alguém que se deseja. Se ele subir, acontecerá o que se pensou; caso se incendeie, a pessoa ficará solteira.

Para saber se irá casar (2)
Na noite de São João, prenda uma fita qualquer no travesseiro e reze. Se a fita aparecer solta, o noivado é certo.

Para saber se irá casar (3)
Enfie uma aliança num fio de cabelo sobre um copo com água. Reze a Salve Rainha até o “Mostrai-nos”, contando quantas vezes a aliança bate no copo. O número de batidas significa o número de anos que faltam para o seu casamento

Para saber se irá casar (4)
Pegue um prato branco com água e coloque duas agulhas. Com muita fé, reze a Salve Rainha até o “Mostrai-nos”. Se elas amanhecerem juntas, é garantia de casamento. Em caso contrário, ficará encalhado ou encalhada.

Para ter um bom casamento
Embrulhe 16 folhas de laranjeiras com um pedaço de papel escrito com o seu nome e guarde debaixo do colchão por 16 dias seguidos. Depois, separe oito folhas e deposite aos pés de Santo Antônio, numa igreja. Das oito folhas restantes, faça uma espécie de chá, adicione mel e perfume de verbena, e tome um banho do pescoço pra baixo. Mas não jogue fora estas folhas. Elas devem ser colocadas nos pés de Santo Antônio no momento em que estiver sendo realizado um casamento.

Para saber se o marido será novo ou velho
Na noite de São João, passar um ramo de manjericão na fogueira e jogá-lo no telhado. Se na manhã seguinte ele estiver verde, a pessoa vai se casar com moço. Se estiver murcho, o noivo será velho.

Para casar depois dos 40
A mulher que quer casar depois dos 40 anos deve assistir a sete missas seguidas, uma a cada domingo, sempre às sete horas da manhã em uma igreja de Santo Antônio. Ofereça cada missa à Virgem Maria, mãe de Jesus, esposa de José. Após a última missa, acenda sete velas brancas aos pés de uma imagem de Santo Antônio e mentalize o desejo de se casar.

Para esposa amarrar marido
Comprar um moringa com tampa e colocar debaixo de uma goteira da casa, deixando encher com água da chuva. Quando quiser ter relação sexual com o marido, é só destampar a moringa. Quando ele sair de casa, tampe bem a moringa e guarde bem, dentro de casa.

Para deixar o marido bonzinho
Embrulhar um jabuti com uma camisa do marido, tendo o cuidado de deixar uma abertura para não sufocá-lo. Após sete dias ao meio-dia de uma sexta-feira, retirar a camisa do jabuti e jogá-la nas águas de um rio. O jabuti deve ser alimentado normalmente.

Para marido largar amante
Pegar 2 pedaços de carne e fazer um buraco pequeno em cada pedaço. escrever o nome da amante num pedaço e o nome do marido em outro pedaço de papel branco. Coloque os 2 papéis cada um em um pedaço de carne. Aquele que ficar com o nome dela jogar para um gato comer, e o que ficar com o nome dele, para um cachorro comer.

Para saber o futuro do casal
Pegue na fogueira de São João dois carvões de tamanhos diferentes. Coloque-os numa bacia com água. Se os dois boiarem, o casal terá vida longa. Se o maior afundar, será sinal de que o marido morrerá antes. Se ambos afundarem os dois morrerão na mesma época.

Para viúva arranjar bom casamento
Acenda uma vela branca no último dia do mês, durante três meses, sempre firmando o pensamento naquilo que deseja. A seguir, faça uma novena termine no dia do Santo.

Para descobrir com quem vai casar (1)
Passar descalço sobre as brasas da fogueira com uma faca nova na mão. A seguir, enfiar a faca numa bananeira. No outro dia, pela manhã, retirá-la e interpretar o desenho, ou melhor, as iniciais do nome da pessoa com quem vai se casar.

Para descobrir com quem vai casar (2)
Separe três pratos, um sem água, outro com água limpa, e outro com água suja. Aproxime-se com os olhos vendados e ponha a mão sobre um deles: o prato sem água não dá casamento, o de água suja indica que o casamento será com um viúvo ou viúva, e o de água limpa, com solteiro ou solteira.

Para descobrir o nome de seu amor
No dia de São João, encha uma panela com água. Acrescente três cravos-da-índia e sete gotas do perfume que você sempre usa. Leve ao fogo e, quando a água ferver, jogue na panela um pedaço de linha branca de uns 20 centímetros. A letra que se formar com a linha será a inicial do nome do seu amor.

Para curar verrugas
Passar sobre elas o primeiro ramo que encontrar ao clarear o dia de São João.

Para saber se terá dinheiro
No dia 23 de junho, véspera de São João, pegue um ramo de louro e passe levemente pelo fogo. Depois, jogue-o sobre o telhado da sua casa. Se no dia seguinte ele ainda estiver verde, simboliza dinheiro para este e os próximos anos, mas se estiver retorcido, é um sinal de dificuldades.

Para saber se vai morrer
À meia-noite de São João, aquele que não enxergar sua imagem completa no rio morrerá logo. Quem enxergar seu corpo apenas pela metade morrerá no decorrer do ano.

(fotos: Priscilla Buhr)

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22 de junho de 2009

PA: Cidade inteira vive sobre palafitas, a 1,20m do chão

Conhecida como Veneza Marajoara, a cidade de Afuá, na Ilha de Marajó, é única no Brasil. Praticamente toda erguida sobre palafitas, fica a 1,20m do chão. Pontes de madeira ligam as casas e estabelecimentos comerciais.

- Essa é uma característica regional genuína. Só tem aqui. Todas as estruturas ficam sobre palafitas. Não teria outro jeito de fazer as casas, logo que numa determinada época a cidade fica temporariamente inundada - diz Andra Lúcia Ataíde, diretora do Departamento de Turismo de Afuá.

As palafitas impedem que a cidade submerja nas cheias

As palafitas impedem que a cidade submerja nas cheias

Em linha reta, são 254 km de Belém e 84 km de Macapá. O nome do município vem do Rio Afuá, afluente do Amazonas que corta a cidade. Anualmente, por volta do mês de março, acontece o fenômeno chamado lançante, quando as águas sobem e inundam o solo abaixo da cidade.

O aspecto “Veneza” ocorre a cada quatro anos. “Nesse período, o rio sobe muito e chega a cobrir até mesmo as pontes da cidade, deixando sem comunicação a não ser pela água”, explica Andra Ataíde.

Sem as pontes de madeira, os habitantes só podem se deslocar na cidade de barco

Sem as pontes de madeira, os habitantes só poderiam se deslocar na cidade de barco

Em Afuá não existem carros. Os motores são proibidos por lei municipal. Transporte “rápido” só mesmo as bicicletas, presentes na incrível proporção de praticamente uma para cada duas pessoas que habitam a sede municipal.

Mas a sensação na cidade mesmo são os bicitáxis, veículos produzidos sobre o corpo de duas bicicletas, com capacidade de transportar várias pessoas. “Eu queria passear com a minha família e não tinha como”, explica o afuaense Raimundo do Socorro Gonçalves, o Sarito, inventor do veículo.

o bicitáxi

Afuá tem um meio de transporte peculiar: o bicitáxi

Rapidamente copiado pelos outros habitantes, o novo veículo “made in Afuá” virou sucesso e objeto de desejo. Alguns “motoristas” chegam a investir mais de dois mil reais em modificações para a sua “máquina”. Veja matéria publicada na Revista Quatro Rodas sobre Afuá e seus bicitaxis.

As pontes coalhadas de bicicletas estão passando por um processo de transformação: saem as de madeira e chegam as de concreto.

A estilização dos "carros" chega a custar mais que R$ 2 mil

A estilização dos "carros" chega a custar R$ 2 mil

- A orla já está quase toda trocada. È mais apresentável e dura mais. Mas também tem suas desvantagens: a cidade fica mais quente e se descaracteriza um pouco - reflete a diretora de turismo.

Aliás, os habitantes da cidade não gostam de chamar de pontes as vias de lá. “São ruas. Quando você fala “ponte” parece aquela coisa estreita, de favela. As vias daqui são amplas, com dois a três metros de largura”, enfatiza Andra Ataíde.

Afuá, que só pode ser visitada de barco ou de avião, recebe cerca de 200 turistas estrangeiros por ano, principalmente franceses, italianos e alemães.

Onde trocou madeira por concreto, a cidade perde um pouco do charme

Onde trocou madeira por concreto, a cidade perde um pouco do charme

A cidade pretende intensificar o fluxo de visitantes, que atinge seu ápice em julho, no Festival do Camarão, quando as palafitas dão provas que são seguras e agüentam o peso de cerca de 30 mil visitantes.

Para tanto, prepara um inventário turístico, já em fase de conclusão. O documento lista todos os atrativos do município, sejam as ilhas que fazem parte do município, seja a sua qualidade única de pairar mais de metro acima do chão.

(fotos: Prefeitura de Afuá)

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21 de junho de 2009

Festival leva circo contemporâneo da França a Belo Horizonte

Começou, na última sexta-feira, o 5º Festival Mundial de Circo. Primeiro e maior do gênero no país, o evento, desde 2001, leva à capital mineira um panorama da produção circense brasileira e mundial.

Neste ano, o Festival Mundial de Circo é dedicado ao Ano da França no Brasil (França.br). São seis grupos franceses e dez brasileiros, que ocupam juntos as ruas, praças e teatros de Belo Horizonte até 28 de junho.

Além dos espetáculos, gratuitos e pagos, os mineiros da capital têm acesso a campeonato de malabares, oficinas, debates, lançamento de livros e uma mostra de filmes - tudo isso girando em torno do universo circense.

Reconhecidamente um dos maiores centros da arte circense no mundo, o país de Napoleão é berço de muitos prodígios no ofício de abrilhantar o picadeiro - e alguns deles estão neste Festival.

Ainda é tempo de ver o espetáculo de abertura do Festival: “20º Première”, do Centre National des Arts du Cirque (CNAC), marcado para a noite de hoje.

Convidado especial da 5ª edição do Festival, o CNAC é uma das mais importantes escolas superiores de circo da Europa, localizada em Châlons-en-Champagne, interior da França. Em todo final de curso os alunos do CNAC montam um espetáculo profissional e realizam apresentações na França e em outros países.

Este ano, o espetáculo - dirigido por Georges Lavaudant e coreografado por Jean-Claude Gallotta - tenta ludribriar a gravidade, valorizando as acrobacias aéreas, seja no mastro chinês, nas básculas coreanas, sobre um arame, no mastro pendular ou no tecido.

A programação traz outro “francês voador”, o artista circense Julot, também integrante do grupo Les Cousins. Com quase 30 anos de experiência artística, Julot apresenta-se gratuitamente em parques, no topo de um mastro de nove metros de altura, brincando com a capacidade da platéia suportar a vertigem.

o mastro tem nove mestros!

Não se recomenda fazer isso em casa: o mastro tem nove metros de altura!

Também de graça, mesmo bem preso a terra, é o espetáculo “Passage Désemboîté”, da Cia Les Apostrophés. Nele, cinco engravatados brincam com objetos esquecidos nas ruas: um livro em um banco de praça, um chapéu que voa, restos de feira, baguetes de pão. Misturando humor, malabarismo, música e dança, os artistas se misturam aos passantes, à caça de pistas para o próximo improviso.

O improviso também aparece do lado brasileiro. O espetáculo “Jogando no Quintal”, montado pelo grupo homônimo, segue a estrutura de uma partida de futebol, com dois times, juiz e hino. Em disputa, a afeição da platéia, que sugere temas para que cada time improvise os seus números.

Além do já bastante conhecido Circo Zanni, também merece destaque, entre as companhias nacionais, o grupo La Mínima, que apresenta “A Noite dos Palhaços Mudos”. Espetáculo de clown escrito pelo cartunista Laerte, “A Noite” explora o humor sem palavras e a lógica do absurdo, abrindo espaço para truques de magia e números musicais.

A quinta edição do Festival Mundial de Circo traz uma novidade em relação às anteriores: a Mostra “Cenas de Circo”. A mostra é um novo formato, no qual são apresentadas duas cenas de 15 a 30 minutos, de diferentes companhias, numa mesma noite.

A interação entre os grupos circenses tem seu ápice no Espetáculo de Variedades, que reúne os melhores números circenses inscritos para participarem do evento, além de músicos e um diretor convidado. A iniciativa, que tem entrada gratuita, fomenta encontros e intercâmbios artísticos, estimulando novas produções na área de circo.

Música e circo ainda se encontram no Cabaré Circo, espetáculo inspirado no universo dos antigos cabarés que põe no mesmo “picadeiro” atrações circenses e musicais.

Este blogueiro gostaria de destacar ainda uma paixão pessoal: a mostra competitiva de malabares. Para a disputa, foram selecionados números de malabares de acordo com critérios como a excelência artística, figurinos, trilha sonora, criatividade, técnica e presença de palco. O resultado é apresentado em um espetáculo com entrega de prêmios para os três primeiros lugares.

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

Festival Mundial de Circo

Realizado em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009, o Festival Mundial de Circo e faz a cada dois anos uma síntese da produção circense nacional e internacional. Sediado em Belo Horizonte, investe também na realização de ações residuais para reforçar o processo de formação de novas platéias para o circo, incentivando o surgimento de novas gerações de artistas.

Ao longo dos anos, um público estimado de 200 mil pessoas presenciou as 201 apresentações de espetáculos, 72 apresentações de números na Mostra de Números Circenses, 14 workshops para profissionais, quatro oficinas para iniciantes, 12 debates com diversos representantes do circo nacional e internacional, sete lançamentos de livros sobre a arte circense, além de cinco festas que mesclam apresentações circenses e teatrais com shows musicais.

O Festival Mundial de Circo do Brasil acolheu em solo brasileiro artistas e grupos de países como: Argentina, Uruguai, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Quênia, Ghana, Rússia, França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Espanha e Cuba.

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