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26.07.08

Artistas fazem encontro de malabares em Salvador

A leveza dos malabares em suspensão no ar, a beleza da manipulação do fogo. O encontro Malabares na Praça promete uma tarde de sábado diferente para os moradores de Salvador, no bairro do Rio Vermelho, hoje (26), a partir das 16h. Em sua quinta edição, o encontro reúne várias expressões de arte circense, arte urbana e música.

Tudo começou com a vontade de malabaristas de se encontrarem. Eram meados de 2007 e o encontro começou pequeno, uma reunião entre amigos. A partir final do ano passado, ganhou força, passou a incluir outras formas de expressão e virou referência para os artistas de rua da cidade.

- No último encontro que fizemos, em março deste ano, passamos uma lista para saber quantas pessoas estavam presentes e recolhemos 850 assinaturas. E tenho certeza que teve muita gente que não assinou! - diz Laili Flórez, integrante do grupo Malabares Mágicos.

Segundo Laili, que integra o Malabares Mágicos há três anos, é possível encontrar facilmente mais de cem pessoas, entre profissionais e amadores, praticando malabares durante o encontro. “Durante esse tempo, vi o movimento de malabares crescer em Salvador”, afirma.

Composto por sete pessoas, o Malabares Mágicos faz oficinas e apresentações de arte circense. Sentindo o clima favorável aos malabares, o grupo abriu o espaço do encontro para outros artistas que têm identidade com as performances na rua, como grafiteiros, DJs e artistas plásticos.

Os encontros de malabares também dão espaço e promovem os artistas de rua, que muitas vezes não conseguem difundir a sua arte de uma forma consistente - Grupo Malabares Mágicos

- O Encontro virou um encontro de artistas de rua. Hoje tem malabares, palhaços, pintura em tela e em criança (?!), graffiti... mas agora temos também a apresentação de DJs e VJs, do coletivo MiniStereo Público e da banda Canto de Amapô. É o quinto evento que fazemos nesse formato – explica Laili.

Praticamente sem apoios para o encontro, o grupo não desanima e pretende tornar o Malabares na Praça regular, acontecendo sempre no final da cada mês. Mais um malabarismo para quem já está acostumado a viver em suspenso.

Fotos: Acervo Malabares Mágicos.

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24.07.08

Baianos servem maior moqueca do mundo

São 160 kg de comida, 65 quilos apenas de peixe. Ao meio-dia deste domingo (27), 500 alunos da rede pública do município de Belmonte, no sul da Bahia, vão se deliciar comendo a maior moqueca do mundo.

É tanta comida que a moqueca será servida no estádio municipal da cidade. A panela de barro, feita especialmente para a ocasião, precisa ser carregada, vazia, por nada menos que seis homens.


A artesã Dagmar Oliveira e a panela da super-moqueca

Para ficar pronto no horário, o prato terá que começar a ser preparado ainda na véspera. Brincadeiras, música e sorteios de brindes animarão a manhã das crianças até o esperado momento.

Parte da quarta edição do Festival Gastronômico da Costa do Descobrimento, este verdadeiro banquete será registrado para entrar no livro dos recordes.

- Como não havia qualquer registro anterior de uma moqueca com essas dimensões, vamos filmar tudo e enviar os registros para o Guiness em busca da certificação. No ano que vem, quando pretendemos fazer uma ainda maior, com 100 kg só de peixe, é possível que eles venham aqui e nós passemos a integrar o livro – diz Sérgio Augusto de Morais, proprietário da Congrega Bahia, empresa que organiza o evento.

Dona Dagmar e seus potes gigantes

Com uma boca de quase um metro e meio de diâmetro e 50 centímetros de altura, a panela da maior moqueca do mundo foi encomendada à artesã Dagmar Muniz Ferreira, especialista em produtos de barro com dimensões superlativas.

Há mais de 30 anos à frente da Cerâmica 14 Irmãos, Dona Dagmar costuma fazer potes que alcançam 2 metros e meio e esculturas que giram em torno dos dois metros.


Os potes gigantes de D. Dagmar

- Aqui na minha propriedade, vc acha de tudo: tijolo para construção, telha, piso. Tijolo para churrasqueira. Aqui na minha cerâmica, eu vendo de tudo. Toda peça de barro, estátua, bicho – conta a artesã.

Cada vez que vai fazer uma peça nova, lá vai Dona Dagmar para cima dos bancos que usa como escada.


Na entrada da cerâmica, os famosos potes

As encomendas, como a panela da moqueca, acompanham os moldes “king-size” da cerâmica. Há algum tempo, pediram para D. Dagmar fazer uma torre de pizza.

- Eu disse para ele “olha, eu posso até fazer torta, mas a torre foi feita certa, o terreno é que cedeu um pouco”. Acabei fazendo torta mesmo... É difícil entortar, mas quando pedem a gente tem que fazer, né? O vaso mais diferente que tenho é um vaso torto. Eu tenho um aqui que é todo torto feito um coqueiro – conta Dona Dagmar.

- E de onde veio o interesse por fazer peças desse tamanho?

- O primeiro vaso grande que fiz, de 2 metros e meio, foi um grande desafio. Jânio Natal [ex-prefeito de Belmonte] fez na praça o maior gaiamun do mundo. Aí resolvi fazer o maior pote. E gostei!


O contestado guaiamun de Belmonte: inspiração

As peças produzidas na cerâmica são tão grandes que é preciso que o filho dela e mais sete homens carreguem os objetos numa rede para o forno – Dona Dagmar trabalha com o modelo antigo de forno na cerâmica, de grade com tijolos.

Antiga também é a forma de fazer as peças, sem o uso do torno. “Tudo aqui é feito na mão mesmo”, diz. Conta que ela e as três filhas que a acompanham na cerâmica aprenderam tudo que sabem sozinhas, “metendo a mão na argila”.


D. Dagmar vende "miniatura" a cliente

- Aprendi sozinha e Deus. Deus dá o dom à pessoa – afirma.

Em frente à sua cerâmica, um dos vasos gigantes conta a história de Dona Dagmar, mulher corajosa que teve 19 filhos, dos quais 14 “vingaram”. Daí o nome “Cerâmica 14 Irmãos”.

Nascida em Una e hoje com 68 anos, Dagmar teve o primeiro filho com 13. Para escapar da discriminação social da época, conseguiu “com uns políticos” que alterassem a sua identidade, fazendo com que virasse, num estalar de dedos, “de maior”. Assim, Dona Dagmar viveu 68 anos, mas para o mundo, tem 73.

- Mas lá no meu pote eu coloco a minha idade certinha – diz.


O pote conta a história de D. Dagmar

O “vaso” de D. Dagmar é um pote enorme - 2,45m de altura e 3,40m de circunferência - que fica na frente da Cerâmica 14 Irmãos, em que está escrita toda a história da artesã. Como tudo que ela produz, uma grande história!

Fotos: Blog das Ruas (2 a 6); Divulgação/ Festival Gastronômico da Costa do Descobrimento (1).

 

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23.07.08

Ciclistas levam bolo e docinhos para a Av.Paulista

Nesta sexta-feira (25), a bicicletada comemora o seu sexto aniversário. Manifestação pacífica contra o uso dos motores e a poluição urbana, a bicicletada acontece uma vez por mês, sempre na última sexta-feira.

Como de hábito, os manifestantes vão se reunir na Praça do Ciclista, às 18h. Diferente mesmo será a comemoração, com direito a som, chapéu de festa, bolo, docinhos, língua de sogra e o que mais rolar numa festa de aniversário.

Todos os participantes estão sendo incentivados a levar algo para a rua, a fim de marcar a data e fazer uma festa colaborativa. “O clima é de aniversário”, diz o texto do convite.

Arte: luna rosa

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22.07.08

Contando Guimarães, jovens revolucionam cidade

O quanto de ficção cabe na realidade? Contadas por um grupo de crianças e jovens, as histórias de Guimarães Rosa saíram dos livros e passeiam livremente pelas ruas de Cordisburgo, a cidade natal do escritor.

A Cordisburgo que, para o próprio Guimarães, “era pequenina terra sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais”, agora é uma zona de fronteira entre a imaginação e a realidade, onde os personagens, aventuras e amores roseanos podem ser encontrados a cada esquina.

Tudo começou com Miguilim.

Sensível e delicado, Miguilim era personagem central de “Campo Geral”, uma das duas novelas do livro “Manuelzão e Miguilim” (1956). No final da novela, o menino de oito anos ganha um par de óculos e consegue enxergar a beleza que o cerca.

Pois não é que Miguilim, danado, foi o primeiro a sair das páginas e resolver compartilhar com os cidadãos de Cordisburgo a beleza das obras do próprio Guimarães Rosa?

Criado em 1995, o Grupo de Contadores de Estórias Miguilim despertou Cordisburgo para a obra de seu filho mais ilustre. Até então, havia uma certa apatia, uma “distância regulamentar” entre a cidade e os escritos de Guimarães. Distância que caiu por terra quando um bando de meninos e meninas começaram a contar as histórias maravilhosas do escritor mineiro.


Os Miguilins: da ficção para a realidade

- Guimarães Rosa em Cordisburgo é antes e depois dos Miguilins. Depois que começaram a narrar textos, foram encantando as pessoas – conta José Osvaldo dos Santos, o Brasinha, morador da cidade e estudioso de Guimarães.

Brasinha ressalta que a narração revela uma identidade da musicalidade da obra de Guimarães com a fala do mineiro, que ajuda a obra a ser “acolhida” pela população.

- O resultado é um impacto sócio-cultural muito grande. Cordisburgo tinha um certo receio de lidar com Guimarães Rosa. Agora, ele virou uma referência para a cidade. Tem disciplina sobre ele na escola. Tem grupos musicais, de teatro. Colocam os nomes das obras no comércio. Temos aqui um Posto Veredas. Bar Sertão Veredas. Um Bairro chama Burity, outro Sagarana... – opina Fábio Barbosa, um dos primeiros Miguilins, hoje um dos coordenadores do grupo e funcionário do Museu.

A “invenção” do grupo foi iniciativa de uma prima de Guimarães, a Dra. Calina. Ao retornar, já aposentada, para Cordisburgo a médica queria “fazer alguma coisa” pelas crianças da cidade e, ao mesmo tempo, revitalizar o Museu Casa Guimarães Rosa (a casa onde o escritor morou até os nove anos), entregue ao abandono.

A Dra. Calina fundou a Associação dos Amigos da Casa Guimarães Rosa (AAMCGR). Mas o verdadeiro estalo veio ao assistir a uma performance de sua sobrinha, Dora Guimarães, que era contadora de histórias.

Imediatamente, convidou Dora para ensinar as técnicas de narração aos meninos de Cordisburgo que, como guias-mirins, contariam as histórias de Guimarães Rosa no museu.


Dra. Calina: prima de Guimarães Rosa
e idealizadora dos Miguilins

A primeira turma de Miguilins tinha 14 garotos, entre 13 e 18 anos, que começaram a ser apresentados ao universo de Guimarães Rosa e às técnicas de narração de histórias, memorização, e expressão. Recebiam, também, aulas de etiqueta e comportamento para que atendessem bem os visitantes do museu.

Ao final de cada tour, reuniam os visitantes no jardim da Casa e contavam algumas histórias.

A novidade “contaminou” rapidamente a cidade. “Você imagina esse grupo de jovens que narram as histórias. São 60 famílias que começam de repente a saber quem é o Guimarães Rosa”, argumenta Brasinha.

Também os visitantes passam a desembarcar cada vez mais em Cordisburgo para conhecer “os meninos que contam Guimarães”.

Em pouco tempo, a fama dos Miguilins se espalhou a eles começaram a fazer apresentações fora da cidade. Já foram para Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre... As viagens do grupo criaram até dificuldades no início. “Tinha uns ciúmes porque as viagens dos Miguilins contavam com a colaboração dos professores, que até remarcavam provas”, lembra Fábio.

- Todas as apresentações são sempre marcantes. Mas a que mais me emocionou foi quando eu tinha 11 anos e apresentei na Academia Brasileira de Letras. Foi a primeira vez que viajei sem meus pais – conta Luana Ferreira, 20, formada na terceira turma e Miguilim desde os 10 anos.

Na época, havia uma restrição de idade e só podiam participar crianças a partir de 13 anos. “Mas eu queria muito”, diz a jovem contadora de histórias. “Fiz de tudo até que minha mãe convenceu Calina. Por um tempo, fui mascotinha dos Miguilins”.

- Tudo que aprendi, aprendi no grupo. O grupo me abriu os olhos para a vida. Sem essa experiência, a melhor que já tive, não seria o que sou hoje. Como Miguilim, aprendi a ter responsabilidade, amadureci. Conheci pessoas, grupos, lugares. Sou suspeita demais para falar. Desde pequena, aprendi a gostar de Guimarães – revela, emocionada, Luana.

Desde 2000, a coordenadora geral dos Miguilins é a própria Dora Guimarães. Vítima do Alzheimer e com idade avançada, Dra. Calina passou para a sobrinha a responsabilidade pelo grupo.

- É muito bonito ver o despertar da cidade em função da obra de Guimarães. Sinto até um orgulho. É uma opção que se faz na vida que pode mudar um punhado de coisas – conta Dora

Hoje existem 35 Miguilins formados e 17 em formação. Cada curso começa com 20 adolescentes e dura de 12 a 18 meses. Somente é formada uma nova turma quando a anterior se encerra.

- o Grupo Miguilim serve como espelho para as crianças mais novas. A Dora e a Elisa [responsáveis pela formação] são muito rigorosas com crianças e têm um ótimo retorno das famílias. O objetivo da Dra. Calina nunca foi preparar contadores de história profissionais, mas melhorar a vida das crianças. Até o apartamento dela em BH ela deixa para os meninos após 2º. grau morarem enquanto fazem cursinho ou faculdade – conta Fábio.

“A maioria deles entra para universidade federal”, afirma Dora, ressaltando a importância da formação para o futuro das crianças. E completa: “vejo como crescem, como desenvolvem auto-estima, como aprendem falar para auditório lotado”.

O estatuto dos Contadores de Estórias permite que os jovens permaneçam no grupo até completarem 3º grau. Atualmente, existem cerca de 45 ex-Miguilins. Muitos deles, depois de formados, voltam a Cordisburgo para devolver à cidade o apoio que receberam. “A gente sente essa necessidade de doar alguma coisa de volta para o grupo”, conta Fábio.

Fotos: Ronaldo Alves

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21.07.08

Mostra Visões Periféricas inscreve até dia 26

As inscrições para a Mostra Audiovisual Visões Periféricas encerram-se neste sábado (26). Marcada para o período de 3 a 7 de setembro, no Centro Cultural da Caixa (RJ), a Mostra Visões Periféricas reúne o que há de mais inovador na produção nacional de vídeos vinculados a escolas e oficinas de audiovisual, das diversas periferias do país.

Na edição de 2007, a Mostra recebeu 180 inscrições e exibiu 70 filmes. Percorreu ainda diversas cidades em circuito cineclubista, atingindo um público de 3500 pessoas.

Neste ano, o evento faz um panorama dos dois últimos anos da produção audiovisual periférica. Acolhe, também, o Fórum de Experiências Populares em Audiovisual (FEPA), um encontro para discutir especificamente temas pertinentes ao universo dessas experiências.

Além disso, filmes convidados, de qualquer época, completam a programação da Mostra.

Inscrições

As inscrições para a Visões Periféricas se encerram no próximo dia 26 de julho. Para se inscrever, basta preencher a ficha de inscrição no site da Mostra e enviar um DVD (postagem até a data limite).

A produção deve ter, no máximo, 30 minutos e estar vinculada a organizações e coletivos que desenvolvam trabalho de formação em audiovisual voltado para jovens de comunidades populares. Também podem ser feita a inscrição de trabalhos de ex-alunos dessas oficinas.

São aceitos apenas filmes produzidos a partir de 2006 e que não fizeram parte da seleção para a Mostra Visões Periféricas 2007.

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