Terra Magazine

23 de dezembro de 2009

BA: Pelourinho tem “natal remix”

Tags:, , - iurirubim às 6:00

Filarmônicas e DJs. Terno de reis e música instrumental. Missas a afro-bossa nova. O Pelourinho, no centro histórico de Salvador, juntou tudo isso para oferecer a baianos e turistas um natal diferente, um natal remix.

Desde o último domingo (20/12) até o próximo sábado (26/12), as ruas, a Catedral Basílica e a Praça das Artes do Pelô são tomadas por essa diversificada gama de ritmos e manifestações culturais.

De agora até o final desse período, quem visitar o Pelourinho com certeza vai se encantar por um dos sete ternos de reis que, diariamente, abrem a noite para as Missas do Galo na Catedral Basílica ou os shows da Praça das Artes. Confira a programação completa.

Em alguns desses dias, a Filarmônica do maestro Fred Dantas também disputa a atenção do visitantes nas ruas.

Na Praça, a mistura de ritmos e estilos torna rapidamente compreensível o título “remix”. As pick-ups são presença segura no palco, com destaque para o sergipano DJ Dolores.

A batida eletrônica então se encontra com a música instrumental dos grupos Garagem e Janela Brasileira; com a guitarra baiana de Armandinho e o clarinete de Paulo Moura; com o violão da paulista Badi Assad; ou mesmo com o piano-vanguarda do pernambucano Vítor Araújo, que se apresentou ontem.

Pelo visto, no natal do Pelourinho vai ter de tudo menos “Jingobel”.

(fotos: Pelourinhando [1]; Adenor Gondim[2]; divulgação [3])

Blogs que citam este Post

20 de dezembro de 2009

MG: Concertos celebram 25 anos de restauração do órgão da Sé de Mariana

Tags:, , , - iurirubim às 8:53

Há 25 anos, voltava a soar na cidade histórica de Mariana (MG) o som do órgão da Catedral da Sé, construído em 1701, em Hamburgo (Alemanha), por Arp Schnitger, um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos.

O instrumento é um dos mais bem conservados exemplares dos órgãos da manufatura Schnitger que sobreviveram até hoje - e o único que se encontra fora da Europa. Está, inclusive, sob estudo, a fim de fazer parte do tombamento internacional de órgãos da manufatura Arp Schnitger pela Unesco.

Instalado na Sé de Mariana em 1753, veio ao Brasil como um presente do rei português Dom José I, à recém-criada diocese da cidade, que naquela época já mantinha um organista. Chegou desmontado, após duas viagens: uma de navio e outra, sobre o lombo de animais.

Durante muito tempo, tornou-se o centro de intensa atividade musical em Mariana, o que pode ser comprovado pelo acervo de partituras do Museu da Música, que abriga obras de compositores do período colonial.

Entretanto, a procedência nobre do instrumento permanecia desconhecida e o mesmo parou de funcionar na década de 30. Foi o início de um longo silêncio que duraria 50 anos.

Apenas no final da década de 70, o arcebispo D. Oscar de Oliveira, acompanhado do então presidente da Cemig, Francisco Afonso Noronha, convidou o organista alemão Karl Richter para fazer uma avaliação do instrumento. O alemão reconheceu a qualidade do órgão e levantou a possibilidade do instrumento ter saído da manufatura de Arp Schnitger.

Comprovada a autoria - e após um esforço por patrocínio de várias empresas e entidades - o órgão recebeu um trabalho de restauração, que começou em 1977 e durou até 1984, quando foi devolvido à cidade. Naquele ano, depois de meio século de vazio, a nave da Catedral da Sé voltou a ser ocupada pelas notas do tricentenário Arp Schnitger.

O órgão voltou a ser o centro da vida musical de Mariana, em plena atividade, seja acompanhando missas e celebrações litúrgicas, seja em concertos regulares (mais de dois mil) - a única exceção foi uma segunda fase do restauro, entre 1997 e 2002.

Neste mês de dezembro, os concertos - às sextas-feiras e domingos - foram dedicados aos 25 anos de restauração do instrumento.

Hoje, às 12h15, o público tem a última oportunidade de ver o órgão em funcionamento no ano. O Coral Tom Maior é um dos convidados para a celebração, que tem direito ao lançamento de um selo comemorativo pelos 25 anos de restauração do órgão Arp Schnitger da Sé de Mariana.

Formado por adolescentes e jovens de Mariana vindos do coral infantil Alegretto e regido por Adeuzi Batista Filho, o Coral Tom Maior foi selecionado para participar do X Encontro Internacional de Corais da Unesco, em Paris, em 2010.

No programa, acompanhado pelo órgão da Sé o Tom Maior apresentará obras de Lobo de Mesquita, Bach, Beethoven e Saint-Saens.

(foto: Eduardo Trópia/ Arquidiocese de Mariana)

Blogs que citam este Post

17 de dezembro de 2009

SP: Grupo de teatro comunitário conta em livro 20 anos de história

Há 20 anos na estrada, o grupo de teatro comunitário Pombas Urbanas lança, neste sábado (19/12), um livro contando as aventuras e desventuras da trupe, cuja longevidade é caso raro no setor cultural brasileiro.

O evento acontece às 20h, no Centro Cultural Arte em Construção (Avenida dos Metalúrgicos, 2.100 - Cidade Tiradentes), espaço multiuso administrado pelo grupo. Esumbaú, Pombas Urbanas! 20 anos de uma Prática de Teatro e Vida, de Neomisia Silvestre, tem distribuição gratuita.

Quem chegar no local com uma hora de antecedência, também pode assistir a apresentação gratuita do espetáculo Histórias Para Serem Contadas, uma das montagens do grupo.

A pedido do Blog das Ruas, Juliana Flory Motta, atriz da trupe teatral, escreveu um texto contando momentos decisivos dessa história, que passeia ludicamente pela cartografia paulistana.

Comemorar 20 anos de grupo Pombas Urbanas

É um prazer, um rito, memória e emoção! Fizemos um projeto e com ele traçamos um plano de retornar a cinco pontos marcantes em nossa trajetória.

São Miguel Paulista, berço do grupo, bairro da zona Leste de São Paulo, culturalmente nordestino, ex-aldeia indígena. Lá, Lino Rojas, diretor fundador deste coletivo, encontrou jovens e adolescentes que seriam Pombas Urbanas na contemporânea Oficina Cultural Luiz Gonzaga, que neste 2009 também completa seus 20 anos de resistência e acesso a atividades culturais dos moradores da zona Leste.

O Pombas Urbanas tem uma história de identidade com São Paulo

O Pombas Urbanas tem uma história de identidade com a cidade de São Paulo

A Avenida São João, centro de São Paulo, na altura do Boulevard e Praça do Correio. Aliás, o prefeito de São Paulo simplesmente retirou o Boulevard São João, uma circunferência de concreto que formava uma pizza que durante décadas foi um espaço importantíssimo de trabalho e manifestação dos artistas de rua. Praticamente um crime cultural.

O calçadão ainda é passarela de ambulantes, trabalhadores, estudantes apressados, mendigos, meninos de rua, executivos, assim como nos anos 1996 a 1998, quando o grupo ali ensaiou e apresentou centenas de vezes o espetáculo Mingau de Concreto.

Tendal da Lapa, antigo matadouro dos Matarazzo, na zona Oeste da cidade, espaço invadido por artistas no início dos anos 1990, onde durante seis anos o Pombas ensaiou, ministrou oficinas, criou e montou o espetáculo Ventre de Lona.

O local resiste como espaço cultural público acessível e abrigo de dezenas de grupos para desenvolverem seus processos artísticos de treino e pesquisa.

Lino Rojas, diretor teatral peruano que fundou o grupo

Lino Rojas, dramaturgo peruano que fundou o grupo

Parque da Água Branca, reduto de natureza e cultura caipira paulistana. De 2001 a 2003, o grupo teve sede e morada na vizinhança da Barra Funda, onde criou o Instituto Pombas Urbanas, tornou-se personalidade jurídica sem fins lucrativos, concebeu e montou os espetáculos Bichos Pela Paz, A Parceria que dá certo, Largo da Matriz e Quadrúpedes Aquáticos.

Junto à emoção de celebrar os 20 anos, o grupo deparou-se com a redescoberta de que esses espaços pudessem manter-se vivos na rotina urbana, espaços de encontro, palcos de tragédias e comédias cotidianas.

A comemoração dos 20 anos nos trouxe resgate e alegria que foram compartilhados com dezenas de jovens da Cidade Tiradentes, bairro periférico do extremo Leste e maior conjunto habitacional da América Latina.

Neste bairro-cidade o grupo passou a desenvolver um intenso processo cultural comunitário, enraizou sua sede-galpão de 1.600 m² e fez-se nova morada de Pombas.

Ali nasceram e cresceram Filhos Da Dita, diversos coletivos de teatro, circo, música, dança e leitura de jovens, adolescentes, crianças e moradores da comunidade (32 mil frequentadores em 2009) que participam e apóiam cada passo da estruturação que faz jus ao nome Centro Cultural Arte em Construção.

E as Pombas Urbanas seguem em frente... para quem sabe mais 20 anos?

E as Pombas Urbanas seguem em frente... para, quem sabe, mais 20 anos?

O grupo viveu muita história, Lino se ocultou, o grupo levantou-se do baque, juntou mãos com gente do bairro, montou o espetáculo Histórias Para Serem Contadas. E também resolveu contar a sua própria história, “parindo” o livro: Esumbaú, Pombas Urbanas! 20 anos de uma prática de teatro e vida.

Ufa! Quanta coisa! São histórias, ações, voos pela cidade de 14 milhões de pessoas e por encontros, sempre guiados pela confiança no coletivo e pelo fazer, o agir, o interesse e o cultivo humano. Pelo teatro de rua se identificam, mas essas pombas bicam de tudo, sentem o sabor, digerem, soltam seu canto.

Juliana Flory Motta, atriz do Pombas Urbanas

Blogs que citam este Post

15 de dezembro de 2009

SE: Ciclistas pedalam contra a corrupção

Tags:, , , , - iurirubim às 13:59

Cerca de 250 ciclistas de Aracaju pedalam hoje por um pouco mais que diversão: eles vão às ruas da capital sergipana protestar contra a corrupção do país e pedir que a população aceite o desafio de fazer parte desta luta.

O 1º Passeio Ciclístico contra a Corrupção sai do Mirante da 13 de Julho, às 19h30, e vai até a Passarela do Carangueijo, na orla de Atalaia, passando pelos principais pontos da cidade.

- Queremos criar um buxixo, chamar a atenção das pessoas. Queremos que elas cheguem em casa e digam: “fiquei preso num engarrafamento porque havia ciclistas pedalando contra a corrupção”. No meio de tanto escândalo, as pessoas podem achar que não tem jeito, que vai ser sempre assim. Elas têm que saber que há instituições empenhadas em combater a corrupção e que elas também podem ajudar - diz José Leonardo Nascimento, coordenador de Núcleo de Prevenção à Corrupção da Controladoria-Geral da União em Sergipe (CGU/SE).

É a entidade que, juntamente com o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral do Estado de Sergipe, está organizando o passeio.

- Dia 9 de dezembro é o Dia Internacional de Combate à Corrupção. A gente sempre realizou eventos para marcara a data, mas eram eventos de auditório, meio monótonos, sabe? E tinham alcance limitado. Daí esse ano resolvemos fazer algo mais abrangente - diz o coordenador.

Inicialmente, a ideia era fazer uma caminhada. Mas alguns membros da CGU participam do movimento Aracaju Pedal Livre - que toma as ruas da cidade toda terça-feira, há mais de 2 anos - propuseram o passeio de bicicleta.

Os coordenadores do Pedal Livre prontamente engajaram-se na ideia e assim nasceu o 1º Passeio Ciclístico contra a Corrupção. “No meio de tanta discussão sobre os rumos do planeta, nada melhor que uma atividade física que seja também benéfica para o meio ambiente”, opina José Leonardo.

Na chegada do trajeto de cerca de 10km, estão armadas tendas e um palco, onde diversas apresentações, entre elas a da banda sergipana Maria Scombona. Lá, serão distribuídas cartilhas e outros materiais que mostram como a sociedade pode interferir no controle dos recursos públicos e participar da prevenção à corrupção.

- Mas o nosso objetivo também é chamar atenção para pequenos atos de corrupção, como um suborno, um propina, um avanço de sinal. A corrupção é uma decisão individual. É sempre um indivíduo que, num determinado momento, toma a decisão de ser corrupto - afirma Nascimento.

Para 2010, o projeto é mais ousado: um grande passeio ciclístico de cerca de 40km entre as cidades de Nossa Senhora da Glória e Canindé, na chamada Rota do Sertão de Sergipe. “Aí vamos fazer algo para chamar atenção de todo o Estado”, conclui José Leonardo.

(foto: Aracaju Pedal Livre)

Blogs que citam este Post

13 de dezembro de 2009

PE: Sítio histórico de Olinda vira galeria de arte

Hoje é o último dia do Olinda Arte em Toda Parte, um grande movimento de artesãos e artistas que abrem os seus ateliês à visitação pública, para que turistas e moradores da cidade conheçam o seu processo de criação e possam conversar com os autores das obras.

A ideia deu tão certo que este é o nono ano consecutivo que o Olinda Arte em Toda Parte acontece. O evento movimenta as ruas, praças e mercados públicos da cidade com exposições e venda de peças artesanais.

Evento movimenta todo o s�tio histórico da cidade

Evento movimenta todo o sítio histórico da cidade

São pinturas, gravuras, esculturas, cerâmica, jóias, roupas, talhas, bijuterias, roupas artesanais etc. Vinte e sete bares, cafeterias e restaurantes promovem exposições enquanto agitam o ambiente com música e os chefs preparam menus especiais para este período.

Na programação deste ano, 429 artistas, 74 ateliês e 36 espaços tornam ainda mais atrativas as ladeiras da cidade, que recebem cerca de 40 mil visitantes. Entre os artistas participantes, 150 irão fazer parte do tradicional catálogo do evento, que na primeira edição, em 2001, contava com apenas 60 nomes.

Exposição celebra os 45 anos do Movimento do Ribeira

Exposição celebra os 45 anos do Movimento do Ribeira

Em 2009, o evento traz como tema os 45 anos do Movimento da Ribeira, que aconteceu no período de 1964 a 1972 e ficou marcado como uma importante fase das artes no Brasil.

O movimento reuniu artistas como Guita Charifker, Luciano Pinheiro, José Barbosa, Ypiranga Filho, Montez Magno, José Tavares, José Cláudio, Adão Pinheiro, Roberto Amorim, Wilton de Souza e Dulce de Araújo e marcou o renascimento artístico do Nordeste.

Para lembrar o período, foi montada no Mercado da Ribeira a exposição principal do evento, Olinda 45 anos do Movimento da Ribeira.

Hoje ainda é possível curtir a Serenata de Olinda, que caminhar pelas ruas do Sítio Histórico, a partir das 19h (a concentração será na Praça de São Pedro).

Turistas e visitantes aproveitam o evento para fazer suas compras de natal

Turistas e visitantes aproveitam o evento para fazer suas compras de natal

Dá também para assistir ao I Virtuosi Olinda, festival agregado que tem dá apresenta conjuntos de música de câmara nacional e internacional. Acontece hoje e amanhã, na Igreja da Sé.

Para encerrar a festa, o bloco carnavalesco Ceroula arrasta os foliões pelas ladeiras do sítio histórico.

(fotos: divulgação/Prefeitura de Olinda; Arte/imagem: Multidesign)

Blogs que citam este Post

11 de dezembro de 2009

João Pessoa recebe encontro inédito de Grupos de Coco do NE

Desde ontem, a capital da Paraíba é também a capital nordestina do Coco, dança de roda muito presente nas festas populares do litoral nordestino.

O I Encontro de Cocos do Nordeste reúne mestres cantadores, tocadores e dançadores de diversos municípios da Paraíba e Pernambuco, além de grupos convidados do Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas.

Durante as manhãs e tardes até este sábado, os participantes do encontro podem ouvir mestres populares contando suas experiências e comparando os diversos tipos de coco: coco-de-roda, coco-de-embolada, coco-de-praia, coco-do-sertão, coco-de-umbigada, e ainda outros como coco-de-ganzá e coco de zambê, que são os instrumentos que acompanham as rodas junto com o surdo, pandeiro e triângulo.

Além das palestras, debates, exposição de fotos e exibição de vídeos do evento concentram-se no Hotel Ouro Branco (Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 431, Tambaú).

A noite é hora de soltar o corpo e dançar ao som do coco. A partir das 20h (horário local), grupos da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Ceará e do Rio Grande do Norte se apresentam no Busto de Tamandaré e na Praça Antenor Navarro, para a diversão de turistas e paraibanos.

Na programação, estão previstos grupos que não usam qualquer instrumento, fazendo a percussão com os pés, ou que acrescentam ao som dos pés apenas um ganzá.

Dentre eles está o coco de Queimadas (PB), criado por um pernambucano que migrou para aquela cidade, com uma coreografia única, o ‘margui’, semelhante ao mergulhão do cavalo-marinho pernambucano. Destaque também para o coco de Zambê, de Tibau do Sul (RN).

As apresentações permitem conhecer parte da riqueza e diversidade dessa brincadeira. Muitos desses grupos nunca se apresentaram em João Pessoa

O Encontro é uma iniciativa do Coletivo de Cultura e Educação Meio do Mundo e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), através do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI), que coroa uma pesquisa de inventário dos cocos como Patrimônio Imaterial Brasileiro.

A pesquisa vem sendo realizada na Paraíba e em Pernambuco. Nesse trabalho está sendo inventariada a diversidade de modos de brincar coco em zonas urbanas e rurais dos referidos Estados.

Coco é uma dança de roda ou de fileiras mistas, de conjunto, de pares, que vão ao centro e desenvolvem movimentos ritmados, tendo como destaque o passo da umbigada que, ao ser realizado, anuncia a entrada de outros solistas no círculo.

A percussão tem destacada presença na música da dança e é normalmente acompanhada por palmas e sapateados, hoje realizados com tamancos para imitar o barulho dos cocos quebrando.

Blogs que citam este Post

9 de dezembro de 2009

Conheça histórias íntimas de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião

Seu Reginaldo Silva, 59, trabalhou produzindo os shows do Mestre Lua durante 12 anos, entre 1977 e 1989, quando Luiz Gonzaga faleceu. Mora em Juazeiro do Norte e hoje dirige a Fundação Vovô Januário, criada para ajudar as crianças pobres de Exu.

O colega do Mestre Lua foi um dos palestrantes do debate Causos Contados por Amigos de Luiz Gonzaga, que aconteceu ontem, na cidade de Exu.

Reginaldo me conta que quando vai falar sobre Luiz Gonzaga nunca prepara uma fala. Apenas lembra dos episódios que viveu com o cantor e de todo aquilo que aprendeu sobre sua obra.

Pedi para que ele me contasse alguns causos sobre a figura humana de Luiz Gonzaga, o lado pouco conhecido do grande sanfoneiro.

Levamos quase uma hora conversando, entre muitos risadas e surpresas. Seguem abaixo alguns dos vários episódios contados por Reginaldo (os títulos, este blogueiro tomou a liberdade de inventar):

A garçonete

Certa vez, a gente tinha ido a Brasília fazer um show. Você sabe que Seu Luiz comia demais, né? Mas também não escolhia comida. O que viesse, ele comia. Tanto que às vezes nos shows batia uma diarréia que ele tinha que ir no banheiro dali mesmo…

Aí era dez e meia e eu liguei para ele para a gente almoçar. “E porque ainda não veio?”, ele me disse no telefone. Consegui um carro emprestado com um amigo da rádio nacional e levei ele para um restaurante em Taguatinga.

Ele olhou para o lugar e disse, com aquela voz dele: “Aí, rapaz, parece que aqui não tem comida não”. Mas logo depois emendou. “Mas se não tiver comida a gente come aquela garçonete ali…”.

Fomos bebendo uma cachacinha e só começamos a comer depois de meio dia. E eu comecei a ver que Seu Luiz beber tava pedindo coisa demais, só para a garçonete vir na mesa. Lourdes, era o nome dela. Até que era bonita, morenona, Seu Luiz tinha bom gosto.

Aí eu tive que dizer: “ô, Seu Luiz, assim é o senhor que vai pagar a conta, fica pedindo um monte de coisa que a gente não vai comer…”.

Só fomos terminar de almoçar umas 17h e, quando a gente tava levando ele de volta para o hotel, ele viu uma placa assim grande, e, como era cego de um olho, perguntou o que estava escrito.

- Casa do governador - respondemos.

- Eita, agora que lembrei que ontem ele foi me receber no aeroporto e tinha me convidado para almoçar lá… - ele disse.

Comer com as mãos

Teve uma vez que eu tava na casa dele e ele chegou dizendo: “vamo almoçar, vamo almoçar”. Aí eu fui no banheiro e ele perguntou: “ué, rapaz, vai fazer o quê no banheiro?”.

Respondi que ia lavar as mãos. Aí ele me disse novamente: “E por acaso você vai é comer com as mãos, é?”.

A Ponte

Ele ia viajando num veraneio com Dominguinhos. Era Dominguinhos quem dirigia. Aí chegaram de noite perto de um rio grande que a chuva tinha levado a ponte.

Quando chegaram nesse lugar, tinha um cidadão que morava na ribeirinha balançando um lampião no sentido de dizer “não, não entre”.

Mas Seu Luiz, que era muito teimoso, mandou Dominguinhos seguir em frente. “Deixe de ser teimoso, não está vendo que o homem está dizendo que é por aqui?”, dizia ele. E foram rio adentro.

Só viram que não tinha ponte quando o carro já estava cheio d’água e tiveram que sair do carro nadando.

Passaram resto da noite na beira do rio, e de manhã foram ver que não tinha ponte. Seu Luiz foi atrás do homem e perguntou porque ele estava mandando eles irem. “Pois eu tava era dizendo que não entrasse no rio, que não tinha ponte”, respondeu o homem.

Sem dinheiro na conta do Rei do Baião

Não gosto de contar essa para ninguém porque foi um momento difícil. Todo mundo acha que tudo foi reinado e coroa, mas também teve suas tristezas. Um dia, íamos viajar e, saindo da cidade, ele mandou passar no banco, para pegar um dinheiro.

Ele tinha uma mania de se identificar. Ia chegando e dizia “Êi”, como quem tá tocando boi, para todo mundo saber que ele tava chegando.

No balcão, pediu: “Veja aí como e que está a conta do Rei do Baião”. O rapaz voltou e disse: “Seu Luiz, não tem nada não. Sua conta está vazia”. Um outro foi e disse que estava chegando uma ordem de pagamento de Arapiraca, em Alagoas, só que não era para ele, era pra mim.

Naquele momento ele se decepcionou. Era o ano de 1983. Os anos 80 foram muito agradáveis para ele, teve muitos discos vendidos. E mesmo assim não tinha dinheiro na conta.

Isso porque passamos em torno de oito meses fazendo shows em troca de alimentos, para ele trazer para o povo pobre de Exu. Aí ele não se preocupou com o outro lado, tinha despesas muito altas. Aí começou a vender as fazendas e no final da vida só tinha terreno que virou o Parque Asa Branca, onde ele morava.

Então no banco eu disse que ele podia usar aqueles 300 mil cruzeiros. Ele respondeu: “Também, tu come às minhas custas. Come e dorme e não paga nada”. Aí aceitou o dinheiro para gente viajar.

Os patos

Fomos fazer um show em Jardim (CE), em 1984, 1985, por aí. Era um show filantrópico, uma parceira com a igreja do padre Adauto, vigário da cidade. O dinheiro ia ser dividido metade para a gente e metade para as crianças do orfanato.

Ele tinha ido com uma caminhoneta e apareceu carregado de rapadura, que ia levar para os meninos de Exu.

Na hora de se apresentar, ele chegou por trás de mim, cochichou do meu ouvido: “Tem pouca gente, né? Não receba nada do padre não”.

E fez o show, artista de grande valor como era ele. Os artistas da mídia nem fazem shows desses tipo. Nem vão nas cidades pequenas, com o sentido de ajudar um orfanato.

No dia seguinte, o padre achava que ele ainda estava na cidade e chamou para tomar café da manhã, mas Seu Luiz já tinha ido embora.

- Não, ele não foi embora. A carrada de rapadura ainda está aqui. Mais tarde vem buscar.

- A rapadura é sua, padre, para o senhor dar para os seus meninos. Também disse para fazer o mesmo com o dinheiro.

- Não é possível! Mas e você?

- Não, obrigado. Eu não como dinheiro não.

- E os músicos?

- Se ele não aceitou, os músicos também não vão aceitar não… Então, para eu não sair daqui sem nada, me dê esse casal de patos.

Aí deixei os patos na fazenda de Seu Luiz, para se criarem. Quando eu lembrei dos patos e fui lá pegar, ele já tinha comido os bichos.

- Mas Seu Luiz, eram os meus patos…

- Mas o açude é meu. - dizia ele.

- Mas não tava acertado que a gente ia criar os patos na meia [dividindo pela metade]?

- Meia eu não vi não. Só comi os patos - ele me disse.

Blogs que citam este Post

8 de dezembro de 2009

PE: Amigos de Gonzagão contam histórias íntimas do mestre sanfoneiro

Tags:, , - iurirubim às 13:29

Homenageado pelos sertanejos, reverenciado por sanfoneiros em todos os cantos do país, o cantor Luiz Gonzaga, ao longo de sua vida, extrapolou os limites da música e construiu para si a imagem de representante da cultura nordestina.

Mais tarde, após sua morte, essa identidade se aprofundou e o Mestre Lua, como também é conhecido, tornou-se motivo de idolatria, sendo considerado a referência máxima do homem nordestino.

Por outro lado, Gonzagão era extremamente acessível e, por onde passava, fazia amigos, descobria talentos, iniciava aprendizes.

Essa vida íntima, esse lado mais humano do cantor - distante do “mito Gonzagão” - é descortinada hoje à noite, na cidade natal de Luiz Gonzaga, Exu (PE), no Sertão do Araripe.

O debate Causos Contados por Amigos de Luiz Gonzaga reúne na mesma mesa Joquinha Gonzaga, sanfoneiro primo de Gonzagão; Reginaldo Silva, presidente da Associação Vovô Januário, compositor e parceiro do rei do baião; Dijesus, sanfoneiro do município de Exu muito próximo ao músico; e Dunga, filho do grande amigo de Gonzagão, Zé de Bahia.

O debate acontece na Escola Municipal Bárbara de Alencar, a partir das 18h, e faz parte do Festival Viva Gonzagão, última etapa do Festival Pernambuco Nação Cultural em 2009.

O Viva Gonzagão começou ontem e termina apenas no dia 13. Na programação, além de muito forró, há um encontro de filarmônicas e o Desafio Nordestino de Poetas Cantadores (ambos amanhã). Também durante o festival acontece a 100ª Aula-Espetáculo do dramaturgo Ariano Suassuana.

Blogs que citam este Post

6 de dezembro de 2009

RO: Associação de Cornos se reúne para torcer pelo Fluminense

Tags:, , , - iurirubim às 6:30

Um grande churrasco e muita expectativa. Após um campeonato inteiro acompanhando a saga do Fluminense, a Ascron, Associação de Cornos de Rondônia, vai se reunir pela última vez no ano para torcer pelo tricolor carioca.

- Não quer dizer que todo torcedor do Fluminense seja corno, mas aqui temos um espaço aberto para quem quer torcer pelo time, mesmo que seja apenas simpatizante ou um corno enrustido - diz o presidente da associação, Pedro Soares.

Soares não sabe explicar exatamente porque há essa identificação da associação com o clube carioca. “Temos muitos tricolores aqui”, afirma.

Entretanto, o presidente garante que a Ascron é democrática e abre o espaço também para torcedores de outros times. “Tem muita gente aqui que gosta de Botafogo, Flamengo, Vasco…”, conta.

Durante a preparação para o jogo, inclusive, Pedro Soares pretende entrar ao vivo no programa de rádio da Associação, a Hora do Boi, na Rádio Transamazônica, das 12h às 15h (horário local).

Tricolor fanático, refuta a hipótese do time carioca ser rebaixado. “Seria horrível, seria um golpe muito duro, como uma traição”, diz.

A experiência com a traição deixou Pedro Soares prevenido. Caso o pior aconteça, já sabe o que fazer:

- Vamos ter que aceitar a derrota. Não podemos baixar a cabeça. Se for para a segunda divisão, vamos fazer como este ano e acompanhar todos os jogos até o retorno do time. É que nem quando a gente é traído: a vida continua - assegura Pedro Soares.

De qualquer sorte, o presidente da Ascron garante que vai acontecer uma passeata depois do jogo.

- Ganhando ou perdendo, independente do resultado da partida, vamos para a rua comemorar. A festa começa na sede da associação e termina nas ruas. Vai ser melhor ainda se ganhar. Para quem tava no fundo do buraco, é como se fosse um título - afirma.

Atualmente com 7288 associados, a Ascron presta serviços psicológico, para o caso de algum associado entrar em depressão, e legal, caso um dos membros queira se separar do cônjuge e não tenha recursos para pagar um advogado.

Mas Soares garante que existem diferentes tipos de associados:

- O pessoal acha que dentro da associação só tem zé povinho. Mas não é verdade. Nós somos é discretos. Tem associado que é político grandão, pessoas da classe mais alta da sociedade. Tem empresário, por exemplo, que prefere aceitar a traição e pegar chifre, mas não quer perder o patrimônio.

Para se associar, basta entrar em contato pelo email ascron@ig.com.br e informar o nome completo e RG; fornecer uma foto 3×4 e pagar a anuidade - “apenas quinze reais, ninguém explora os cornos não”, diz o presidente. São aceitos sócios de todos os estados brasileiros.

Em Porto Velho, os membros da Ascron ainda ganham 10% de desconto em corridas de táxi, farmácias e outros locais.

Segundo Pedro Soares, o aumento expressivo do número de associados (havia menos de dois mil em 2006) tem a ver com a cobertura da imprensa para a Ascron e do aumento de interesse pelas pessoas traídas.

- Esse negócio de corno está avançando cada vez mais. Aparece em todo lugar: na novela, no jornal… Se bem que hoje em dia para ser corno o tem que estar homem despreparado, achando que é o dono da situação. Aí é que pega o chifre - conclui.

Tipos de corno

Pedro Soares avisa que vai lançar no programa de rádio uma enquete, para descobrir com a ajuda dos ouvintes como é o corno torcedor. Nesse meio tempo, ele “apresenta” outros tipos de corno:

Corno Dente de leite - O filho de aquele que já freqüenta a associação e já vai se preparando para o que pode acontecer com ele.

Corno Mecânico - Aquele que acha que um dia conserta a mulher.

Corno Cuscuz - Que sabe de tudo, mas abafa o caso,

Corno Azulejo - Baixinho, quadrado e liso,

Corno Brahma - Aquele que pensa que é o número 1,

Corno Cebola - Quando vê a mulher com outro, chora.

Corno Frio - O que leva chifre e não esquenta.

Corno justiceiro - Aquele que se vinga dando o rabo.

Corno Jibóia - Aquele que dorme entre as pernas da mulher.

Corno político - O que promete: “Eu vou matar o cara! “; mas nunca cumpre.

Corno religioso - Aquele que acha que a mulher dá para fazer caridade.

Corno terremoto - Quando vê a mulher com outro começa a tremer.

Corno banana - Aquele que a mulher vai embora e deixa uma penca de filhos.

(foto: Eliardo/ Jornal Eletrônico Rondônia ao Vivo)

Blogs que citam este Post

5 de dezembro de 2009

MT: Começa o maior festival de hip hop do Centro-Oeste

Hoje é o primeiro dia do Festival Consciência Hip Hop, em Cuiabá, o maior festival do gênero da Região Centro-Oeste.

Por natureza, o hip hop já é uma fusão de modalidades artísticas. Reúne música, dança e artes plásticas, nos já conhecidos rap, break e graffitti.

A proposta do Consciência Hip Hop, organizado pela Central Única de Favelas de Cuiabá (CUFA/MT) é ampliar ainda mais esse leque, tanto incorporando outras atividades relacionadas ao universo de rua do hip hop quanto abrindo espaço para uma reflexão sobre a cultura negra de periferia.

A banda Ataque Beliz é uma das atrações do Festival

A banda Ataque Beliz é uma das atrações do Festival

Em sua 5ª edição, o Consiciência Hip Hop tem dois dias de intensas atividades. Dezesseis atrações de cinco estados brasileiros e do Distrito Federal sobem no palco do Festival hoje e amanhã. Confira a programação.

Além de nomes de expressão do rap nacional, como Ataque Beliz (DF), Linha Dura (MT), Arcanjo (SP), Caracará na Viagem (RN), e Erick Flow Man (GO), o Festival inovou e abriu o palco para uma companhia de dança de rua, a Free Mind, vencedora de vários campeonatos nacionais.

A dança de rua, claro, também está representada nas Batalhas de Break, onde B.boys e B.girls suam a camisa durante esses dois dias para demonstrar sua habilidade. Já os Rachas de MCs acontecem às noites, nos intervalos dos shows.

além da Batalha de Break, apresentação no palco principal

Dança de rua em destaque: além da Batalha de Break, apresentação no palco principal

Para completar os elementos tradicionais do hip hop, o evento oferece oficinas gratuitas de graffitti com o grafiteiro Gaspar, de Rondônia, que faz intervenções no espaço do Festival.

Também acontecem oficinas gratuitas de DJ e pixaim. Quem se dá bem com esta última é a comunidade, que ganha tranças e penteados afro de graça durante o dia. À noite, enquanto rolam os shows, as trançadeiras do Projeto Circuito Pixaim também fazem tranças a preços populares.

O Festival Consciência Hip Hop também pretende discutir a cadeia produtiva do Hip Hop, a circulação, distribuição e consumo de artistas e agentes culturais envolvidos com as linguagens que fazem parte desse universo.

Esta é a quinta edição do Festival Consciência Hip Hop

Esta é a quinta edição do Festival Consciência Hip Hop

Daí a realização do Seminário Consciência Hip Hop e a Reunião da Frente Brasileira Hip Hop, que acontecem durante o Festival e contam com a presença, entre outros, de Alex Antunes, jornalista, produtor e escritor especializado em música, atualmente na Revista Rolling Stones.

Centro Esportivo Cultural CUFA

O Festival Consciência Hip Hop também marca o lançamento do Centro Esportivo Cultural CUFA, complexo esportivo- cultural destinado à população do bairro São João Del Rey e outros cinco bairros do entorno: Santa Laura, Osmar Cabral, Tijucal, Liberdade e Novo Milênio, todos historicamente esquecidos pelos serviços públicos.

Com salas multi-uso, quadra esportiva, vestiário e um amplo espaço para o acolhimento de projetos sociais, esportivos e culturais, o Centro é resultado de uma parceria entre a CUFA, os Ministérios de Esporte e Justiça e Prefeitura Municipal de Cuiabá.

Parte importante de quase todas as atividades da CUFA, o basquete de rua inaugura as instalações do Centro Esportivo Cultural CUFA. Os basqueteiros de rua fazem jogos amistosos, que são disputados nas manhãs do final de semana.

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol