Terra Magazine

5 de novembro de 2009

“A propriedade intelectual talvez tenha sido um erro”, diz presidente da Federação Internacional pela Diversidade Cultural

Começou hoje, em Salvador, o Encontro Internacional da Diversidade Cultural. Durante o evento, que se estende até o dia 8/11, organizações culturais, estudiosos e gestores públicos de mais de 40 países debatem o futuro da diversidade cultural no mundo.

O ponto de partida de todos os participantes para a discussão é a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da UNESCO em outubro de 2005, como resposta a tentativa de algumas nações de tratar bens e serviços culturais no âmbito da Organização Mundial do Comércio, como se fossem um produto qualquer. Atualmente, a Convenção já foi ratificada por mais de 103 países.

Pouco após a solenidade de abertura do evento, o Blog das Ruas conversou com Rasmané Ouedraogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

Além de organizadora do evento, a FICDC é a única entidade civil em todo o mundo com assento na UNESCO, o que lhe dá direito a pronunciar-se em todas as reuniões da entidade, que é o braço da ONU voltado para a educação, a ciência e a cultura.

Cidadão de Burkina Faso, Ouedraogo defende a participação ativa dos países em desenvolvimento na luta pela promoção da diversidade cultural. “A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros”, afirma.

"os pa�ses em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Rasmané Ouedraogo: "os países em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Segundo o presidente da FICDC, os países adotaram uma lógica econômica que faz com que ajam contra a sua própria população. “A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados”, diz.

Rasmané Ouedraogo chega até a questionar a utilidade das legislações de respeito à propriedade intelectual:

- No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta - argumenta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

O senhor considera que a diversidade cultura hoje seja um valor compartilhado pela humanidade ou esse ainda é um esforço a ser feito?

A diversidade cultural é compartilhada pelo mundo. Mas o nosso grande esforço deve ser de preservar essa diversidade, porque essa riqueza está sendo ameaça atualmente.

Quais são os principais obstáculos à implantação, via políticas públicas nacionais, da convenção sobre a diversidade cultural?

Primeiro, é preciso que em cada país haja uma vontade política definida e assumida de promover a cultura.

Segundo, é preciso mobilizar a população em torno dessa convenção; explicá-la à população. Para que, em um certo ela mesma possa apreender e assumir a convenção pela diversidade cultural. Porque esta é a primeira convenção que vai ser implementada não pelos Estados nacionais, mas pelos agentes culturais na base.

Muitas vezes, trata-se da questão da diversidade considerando apenas as questões nacionais. O Brasil é um dos poucos países onde mais de dois terços da música consumida é produção nacional. Ainda assim, nós, brasileiros, reclamamos da falta de diversidade no consumo musical. O senhor considera que os países estão preparados para tratar do tema com este nível de complexidade?

Na realidade, o problema não é complexo. O problema é simples porque o povo vive sua própria cultura. O problema são os Estados haverem se inserido numa lógica econômica que faz com que acabem combatendo a sua própria população.

A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados. E depois, como por milagre, cada um volta a se refugiar nos seus valores culturais próprios.

Eu acho que o Brasil não deveria temer nada, mas de qualquer jeito é importante exigir que o Estado respeite as convenções que ele assinou.

Como proteger e promover expressões culturais do mundo em rede, que não tem fronteiras nacionais e questiona a forma tradicional de se conceber os direitos autorais?

Quando nos falamos de rede, imediatamente falamos de superestrutura. Ora, a cultura se vive desde a base. E na base não existem fronteiras. A realidade econômica leva a um tipo de institucionalização que provoca o problema.

Nossa federação tem esse embate com a questão da economia. No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta.

Em que medida o protagonismo político recente dos países em desenvolvimento pode contribuir para a promoção da diversidade cultural no mundo?

Os países em desenvolvimento hoje têm interesse a se engajar na luta pela promoção da diversidade cultural. Porque quando vemos o que acontece em nosso entorno, no mundo, percebemos que a riqueza cultural acaba sendo embolsada por um pequeno número de privilegiados.

Quando nós falamos de indústrias culturais, falamos da conjunção entre criatividade, inventividade, novas tecnologias e o mercado. A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Afirmamos, portanto, que há uma injustiça. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros. Logo, países em desenvolvimento têm interesse em proteger a diversidade, a fim de poder partilhar as vantagens.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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4 de novembro de 2009

BA: Movimento negro faz protesto pelo direito dos quilombolas

iurirubim às 14:14

Representantes do movimento negro começam novembro, o mês da consciência negra, fazendo um protesto contra diversas ações e planos do governo baiano que, segundo eles, prejudicam os direitos das comunidades quilombolas no Estado.

O ato acontece nesta quinta-feira, na Praça da Piedade (centro de Salvador), a partir das 15h (16h, no horário de Brasília).

Juntamente com o convite para a mobilização, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia (CDCN) divulgou um manifesto que explica as razões do protesto. O Blog das Ruas teve acesso ao documento e ao conjunto de demandas que as entidades do movimento negro baiano levam às autoridades do Estado.

Quem disse que os quilombolas têm que perecer sofridos e tristes?

Quem disse que os quilombolas têm que perecer sofridos e tristes?

A primeira questão, presente em quase todo o texto, é a necessidade de diálogo. Os manifestantes querem ser ouvidos em relação a iniciativas governamentais que têm relação direta com os direitos ou o modo de vida das comunidades. Aparentemente, essas entidades não têm sido consultadas.

Ainda com relação à demanda por diálogo, o documento denuncia a criminalização do movimento quilombola por setores do governo - o que, segundo o texto, é “racismo institucional”.

O manifesto faz um apelo pela estruturação do escritório do Incra na Bahia que “não tem sequer uma equipe completa para a principal ação do processo de regularização do território das comunidades quilombolas, que é o Relatório de Identificação e Delimitação, a etapa inicial do processo”.

Segundo o CDCN, existe apenas uma antropóloga no Incra/BA para 297 comunidades a espera da regulamentação de suas terras.

O manifesto tece, ainda, duras críticas a iniciativas das pastas de turismo e indústria do governo Jaques Wagner.

alvo da disputa entre quilombolas, governo e grupos privados internacionais

Ilha de Cajaíba: alvo da disputa entre quilombolas, governo e grupos privados internacionais

Na parte do turismo, questiona a privatização da Ilha de Cajaíba, no município de São Francisco do Conde, para a instalação de um empreendimento de “turismo internacional predatório”, o Ilha de Cajaíba Beach & Golf Resort.

A implantação de um pólo industrial naval na Reserva Extrativista do Iguape e a ampliação do Porto de Aratu e também são alvo de críticas do movimento negro. A primeira porque afetaria todo o modo de vida (extrativismo marinho) de uma região que abriga mais de 30 comunidades quilombolas e cerca de 20 mil pescadores e marisqueiros.

- Com a implantação deste projeto pretendem deslocar uma Comunidade Quilombola inteira, utilizando-se de praticas desrespeitosas, perseguindo lideranças, ameaçando a auto-sustentação das famílias, chantageando e perseguindo lideranças e entidades - escrevem as lideranças do movimento negro.

Já a ampliação do Porto de Aratu poderia aumentar a poluição no entorno - já considerável - e a incidência de contaminação por chumbo e cádmio, também detectada na área.

Existem, ainda, outras críticas e demandas menores que ampliam a cesta de reivindicações do movimento negro para esta manifestação. Este blog estará atento aos desdobramentos.

(fotos: Arquivo MDA; Aristeu Chagas/Agecom/BA; reprodução)

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3 de novembro de 2009

Jovens voluntários de todo Brasil se reúnem para “sonhar” uma nova Santa Catarina

Já se imaginou saindo de sua cidade, arcando com os custos de sua viagem para outro estado do país, apenas para ajudar as pessoas a tornarem esse estado um lugar melhor para se viver?

Pois é exatamente isso que estava acontecendo até ontem, na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Cerca de 120 pessoas - entre jovens voluntários, pessoas de comunidades locais, dos setores público e privado e de ONGs - decidiram se reunir desde a última sexta-feira (30/10) para “sonhar” com uma Santa Catarina melhor. Veja a programação.

Gente de mais de oito estados do país compareceu ao evento, chamado de Festival Oasis. Literalmente, um festival de sonhadores.

E o que seria esse sonho? Algum plano complicado e realizável apenas no longo prazo, depois do investimento de bilhões de reais?

- Não queremos pensar em algo que não somos capazes de fazer com os nossos próprios recursos. Queremos pensar o que podemos fazer para construirmos um melhor mundo, e não apenas melhorar o que já está aí. E fazer isso com prazer, não como uma ação de sacrifício - conta o estudante carioca Caio Braz, um dos iniciadores e articuladores do movimento.

Desenhando o sonho?

Desenhando o sonho?

Tudo começou a partir da sistematização da metodologia de mobilização social Oasis, sistematizada pelo Instituto Elos. Caio foi uma das primeiras pessoas a receberem o treinamento nessa nova metodologia.

“Daí a gente resolveu colocar esse conhecimento na prática, num estado arrasado pelas enchentes, onde as relações humanas estavam destruídas”, conta Caio, que trancou por um ano o curso de engenharia mecânica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), uma das melhores faculdades do país, para dedicar-se à mobilização social.

Resultado: foi criada a Rede Oasis Santa Catarina, que conta com mais de três mil membros em todo país - e até mesmo no exterior - inscritas na plataforma ning.

Em julho, aproximadamente 500 pessoas estiveram em Blumenau para “colocar a mão na massa”. Ao lado de comunidades arrasadas pelas enchentes - e apenas usando os recursos existentes nessas comunidades, como madeira, cimento etc. - reformaram e revitalizaram espaços públicos (praças, brinquedos) que haviam sido destruídos. “Como é que a gente pode demandar alguma coisa de políticos e governantes se não somos capazes de fazer aquilo que demandamos?”, questiona Caio Braz.

E o interessante é que nada disso tem dinheiro envolvido no meio.

- Não pedimos dinheiro. Na verdade, não é nem uma troca: as pessoas e empresas oferecem o que tem de melhor porque compartilham os mesmos objetivos. A Vila Germânica abriga a Oktoberfest, mas não cobrou nada. Temos telefone celular cedido de graça, alimentação de graça. Até a casa que estamos ocupando foi cedida - conta Caio.

O estudante carioca revela ainda que o objetivo principal das ações da rede não é a recuperação em si de espaços degradados, mas a vitalidade que as comunidades ganham por tomarem as rédeas de seu destino.

- Fazemos com que eles vejam a beleza que eles mesmos têm mas muitas vezes não reconhecem. Quando elas acreditam que é possível realizar os seus desejos, passam a ver abundância no lugar de escassez - argumenta.

E a rede está crescendo. Luciano de Sálua, estudante paulista e colaborador da Revista Viração, não havia participado da ação anterior em Santa Catarina. Ainda assim, bancou sua ida ao Festival em Blumenau.

- Sou um filho novo do Oasis. Não participei da ação do meio do ano aqui em Santa Catarina, mas participei de vários desdobramentos, lá em São Paulo. Resolvi vir porque aceitei este convite para sonhar - conta.

(fotos: Eric Silva/ Revista Viração)

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1 de novembro de 2009

MG: Frango Caipira é estrela de festival gastronômico

Quem escolhe passar o feriadão de finados no tranquilo distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, (município do Serro, a três horas de Belo Horizonte), acaba tendo que fazer uma escolha: frango com pequi ou ao molho pardo? Ou galeto ao leite?

Desde a última sexta-feira e até o dia 2 de novembro, acontece em São Gonçalo do Rio das Pedras o 4º Festival de Frango Caipira.

Mineiríssima, a iguaria é vendida em todos os restaurantes da cidade nessa período. São mais de vinte receitas, desde as mais tradicionais - como frango ensopado e ao vinho - até o frango “afro-mineiro” (gengibre e amendoim) e frango com quibabá, uma planta comestível que “existe no quintal de toda casa da cidade”, conta a idealizadora do evento, Cleide Greco.

Veterinária e dona de uma das pousadas do distrito, Cleide explica que a carne do frango caipira tem uma textura mais consistente por ser criada solta.

Além disso, não tem hormônios, pois o crescimento dos animais obedece o ritmo da natureza e eles não se alimentam de ração, apenas milho e folhas de horta.

Desde que Cleide e os outros donos de pousadas, restaurante de bares locais resolveram realizar pela primeira vez o Festival, em 2006, o turismo no vilarejo - que também possui atrações naturais, como cachoeiras e picos - só tem aumentado.

Chega a acontecer, como no ano passado, dos donos dos estabelecimentos terem que recorrer à criação doméstica de vizinhos por conta da procura.

Para resolver a questão da “superpopulação” de turistas, muito além das capacidades das poucas pousadas, muitos moradores praticam o turismo solidário, ou seja, recebem turistas em suas casas.

Ganham os visitantes, que encontram hospedagem barata, e os habitantes do vilarejo, que garantem uma renda extra para a família.

E você, conhece uma receita bacana de frango caipira? Comente.

(fotos: reprodução)

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29 de outubro de 2009

Inscreva sua banda de rock para tocar no carnaval em Salvador

iurirubim às 8:14

Até o dia 30/10, bandas de rock de todo o país podem inscrever-se para tocar no carnaval em Salvador.

Opa, mas calma aí quem espera tocar em cima do trio, na Barra ou no Campo Grande, para uma multidão de centenas de milhares de pessoas.

As inscrições são para o Palco do Rock, um festival alternativo, que surgiu da insatisfação de parte da população baiana com os gêneros musicais dominantes na maior festa de rua do mundo.

Até pela “incopatibilidade de gênios”, a folia das guitarras e dos headbangers acontece longe dos espaços tradicionais. Há 15 anos, o Palco do Rock é montado no coqueiral da Praia de Piatã, onde todas as noites, de sábado a terça-feira de carnaval, a tribo do rock se reúne.

Aberto ao público, o Palco recebe anualmente 36 bandas. Cerca de 32 mil pessoas assistem aos shows durante os quatro dias do evento.

- O Palco do Rock é o maior evento de rock independente da Bahia e o primeiro de rock durante o carnaval do país - dizem os membros da Associação Cultural Clube do Rock da Bahia (ACCRBA), responsável pelo festival.

Para definir quem sobe ao palco, a ACCRBA recebe todo ano material das bandas (daí o prazo no início deste post) e faz a seleção. Em 2009, todas as bandas receberam, inclusive, cachê pelas apresentações, algo que não ocorria desde 1996.

O Terra Magazine esteve no Palco do Rock em 2009, que recebeu, inclusive, bandas conhecidas, como Plebe Rude (DF) e Inocentes (SP) e uma estrangeira, a Underschool Element (Suiça).

A edição passada também inaugurou o “Espaço Interativo”, um ambiente para exposição de diversos tipos de manifestações culturais ligados ao mundo do rock - “ou não”, como dizem os organizadores. Ocupam o Espaço Interativo tatuadores e piecers, Djs, grupos de dança e teatro e mesmo grupos religiosos, como os Hare Krishna.

Então, roqueiro, quer saber como é tocar durante o carnaval, em Salvador?

(foto: divulgação)

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28 de outubro de 2009

Brasil começa a estruturar ligas de futebol… americano

Tags:, - iurirubim às 7:00

Já se imaginou torcendo para o Rio de Janeiro Sharks? Ou para o Amazon Black Hawks? Os nomes estrangeiros não são mera coincidência. Cada vez mais cresce no Brasil a paixão pelo futebol americano - é isso mesmo, aquele da bola oval.

No sábado passado, o Cuiabá Arsenal, fundado em 2006, venceu o Tubarões do Cerrado - time de Brasília, criado em 2004 - por 30 x 0.

A vitória rendeu ao time do Mato Grosso vagas nas semifinais do torneio Touchdown, a primeira competição de times em âmbito nacional de futebol americano no Brasil.

Em abril deste ano, outra estréia: no I Torneio Brasileiro de Seleções Estaduais, ocorrido em São Paulo, foram utilizados pela primeira vez todos os equipamentos de proteção do esporte (capacetes e ombreiras, exatamente os mesmos usados na terra do Tio Sam).

A história do futebol americano no Brasil é quase toda assim: construída a partir de times, ligas e campeonatos criados neste século. Em geral, com menos de cinco anos de vida.

A própria seleção brasileira de futebol americano (sim, ela existe!) foi convocada pela primeira vez em 2007, com atletas do Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, por conta de um jogo amistoso com a seleção uruguaia. O placar? 21 a 14. Para os uruguaios.

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

Os times mais longevos em atividade no Brasil são o Botafogo Matutes (RJ, 1994) e o Botafogo Reptiles (RJ, 1999). O primeiro time foi o Rio Guardians, fundado por Robert Lee Seagal e amigos nas areias das praias cariocas em 1986. A agremiação, entretanto, encerrou suas atividades em 2001 e seus jogadores ingressaram em outros times.

Como você deve ter adivinhado no parágrafo acima, algumas equipes, como o Reptiles, o Mamutes e o America Red Lions têm acordos com os times de futebol “brasileiro”.

Número cada vez maior de torneios, unificação de regras no país, qualificação da arbitragem: tudo isso está acontecendo sem muita badalação, mas demonstra o aumento do interesse pelo futebol americano no Brasil. Outra prova desse interesse é a existência de mídias especializadas, como o Blog Sideline.

Em atividade desde 2002, existe também uma associação nacional, a AFAB, além de diversas ligas e federações estaduais (SP, SC, PR, AM, PB etc.). Como vê caro leitor, o brasileiro gosta tanto de futebol que quer aprender a jogar também com as mãos.

(fotos: Rodrigo Pons/ Felipe Rugboy, via Blog Sideline)

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26 de outubro de 2009

Festival indígena vira atração turística no Acre

Começou no último domingo (25/10) o Festival Yawá, um momento de celebração da cultura indígena, de resgate de brincadeiras tradições do povo Yawanawá.

O Festival é o símbolo da independência e da identidade dos Yawanawá. Vítimas de um “massacre cultural” provocado pela intervenção de peruanos, brasileiros e missionários norte-americanos, especialmente nas décadas de 70 e 80, o povo Yawanawá esqueceu sua língua nativa (lembrada apenas pelos mais velhos) e parou de realizar rituais sagrados, como usar rapé e beber o Uni (ayahuasca).

Toda a Aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, para durante o período da festa, que vai até a próxima sexta-feira (30/10). São suspensas todas as atividades cotidianas e todos dedicam-se apenas à imersão de uma semana nos costumes e brincadeiras da tribo, que poderiam desaparecer junto com os seus últimos anciões.

Hoje, graças a um trabalho de recuperação desses referenciais culturais, o povo Yawanawá voltou a sentir orgulho de sua ancestralidade. Mais que isso: aprendeu estabelecer um diálogo saudável com o mundo do homem branco sem que isso signifique abrir mão de seus valores indígenas.

Além dos rituais espirituais do uso do rapé e do Uni, que acontecem com frequência durante a festividade, centenas de índios celebram a terra e a cultura Yawanawá com cantos, pintura corporal e danças - como a pisada no pé, que gera muitos inícios de namoro - e provas de resistência, vistas como oportunidade para os jovens da aldeia exibirem-se às mulheres.

Vale mencionar a prova da espinha de peixe (foto no topo), realizada por indígenas que estejam com “desejo de vingança”. Em duplas, cada oponente dá duas investidas, à toda força, com talo de bananeira nas costas do outro - podem participar da prova, inclusive, mulheres e crianças.

Ao final, a dupla exibe orgulhosa as marcas das chibatadas e dão as mãos, sinalizando que as pendências entre eles estão resolvidas.

O Festival Yawá é uma síntese das tradições e costumes dos Yawanawá

Para os indígenas, o Festival é também uma oportunidade de agradecer aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e pelos momentos de alegria vividos durante esse período.

Etnoturismo

O Festival Yawá começou a ser realizado em 2002, como parte da reconstrução cultural dos Yawanawá.

Desde o anos passado, porém, a festividade foi aberta a turistas, o que representou uma grande abertura para a tribo e um novo marco de diálogo com a cultura do homem branco.

Essa abertura é, na verdade, um entendimento entre os Yawanawá, empresas privadas e autoridades governamentais. Afinal, como diz o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques: “Não se pode chegar à aldeia de qualquer jeito. É necessário estabelecer limites de visistantes, retonor financeiro para os índios, regras de visitação”.

Além de assistir às atividades do Festival, os turistas também alimentam-se de pratos tradicionais da cultura Yawa, cujos ingredientes predominantes são carnes de caça e peixes e iguarias à base de batata, milho, banana e mamão.

O Festival acontece na Aldeia Nova Esperança, dentro da Terra Indígena do Rio Gregório, a primeira a ser demarcada no Acre, em 1984, e um dos maiores territórios indígenas em solo acreano. No ano passado, a terra foi revista e ampliada, ocupando um perímetro de 239 quilômetros.

A Aldeia fica entre os municípios de Cruzeiro do Tarauacá. Para se chegar é preciso pegar um voo de Rio Branco até um dos dois municípios e transporte terrestre pela BR 364, até a ponte do Rio Gregório. Na ponte, pequenos barcos fazem o trajeto até a aldeia, que pode durar até 8h por conta das condições de navegabilidade.

Algumas empresas, como a Manain-Amazônia, oferecem pacotes para a festa, já bastante requisitados, especialmente por turistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também é possível fazer contato direto com administradores do povo Yawanawá, como o filho do cacique, Macilvo Yawanawá, pelo telefone (68) 9206.4261.

(fotos: Sérgio Vale/ Secom/Acre)

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24 de outubro de 2009

SP: Noivos vão de bicicleta para o altar

Priscila Teixeira e William Cruz vão se casar hoje. O sonho romântico deste casal, porém, é diferente da maioria dos outros: neste casamento, noivos, padrinhos, amigos e parentes vão ao cartório de bicicleta!

“Eu uso a bicicleta para praticamente tudo. Sou um ativista da causa, tenho um blog sobre o assunto; enfim, a bicicleta faz parte do meu dia-a-dia”, diz William.

Mas o noivo faz questão de dar os créditos a quem é de direito: “A ideia foi da Priscila. Teve uma hora que ela me perguntou: ‘Porque a gente não vai de bicicleta pra lá?’. Eu, claro, adorei”.

Decidida a questão, começaram a convidar os amigos e a família para a empreitada (veja texto do convite no blog do William).

- A gente não achou que fosse tanta gente! O pessoal gostou da ideia, estão divulgando, parece que vão mesmo! E olhe que não convidamos só gente da cena ciclioativista. Tem parentes, colegas de trabalho… pessoas que nunca andam de bicicleta pela cidade - conta William, ainda surpreso com a recepção da ousadia do casal.

E o casal vai pedalar trajado a rigor para o casário: ele, de terno, paletó, gravata e gel no cabelo; ela, de sandália de salto e vestido de noiva (”o vestido é um pouco mais curto, mas é vestido de oiva sim”, argumenta o futuro marido). Não só eles, mas também muitos dos amigos e parentes pedalam com trajes elegantes. “É o cyclechic”, brinca.

Para marcar definitivamente a importância das bicicletas na união, os pombinhos combinaram de encontrar os convidados na Praça do Ciclista, ponto de partida da tradicional Bicicletada paulistana.

O roteiro da Bicicletada do Casório - como a batizou, divertidamente, o noivo - é o seguinte: a partir das nove da manhã, os noivos já estão na Praça do Ciclista. Às 9h30, eles e os convidados saem em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde.

Depois do enlace todos seguem para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (previsão de chegada: 12h30), onde o casal corta o bolo e continua a celebração. “Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento”, desafia William.

Pergunto ao noivo se ele não tem receio de transformar o casamento numa manifestação política. Ele dá a entender que a principal motivação é íntima, tem a ver com a vida do casal, mas não deixa de falar com todas as letras:

- É uma manifestação no sentido de que mostrar que dá para fazer outras coisas de bicicleta além de dar uma volta no parque ou na ciclofaixa. Dá até para casar. Não precisa chegar no casamento de carro - diz.

Namorados de adolescência

“Nossa historia é bem longa, tem mais de 20 anos”, confidencia William. Ele conta que os noivos tiveram um namoro adolescente que durou três meses, quando tinha 14 anos e ela, 12 (hoje ele tem 36 e ela, 34). “Foi o nosso primeiro namoro um pouco mais sério”, afirma.

Depois de um tempo, o casal perdeu o contato, ambos casaram com outras pessoas e, depois, separaram-se. Na época em que estava se separando, William foi encontrado por Priscila no Orkut. Daí começaram a sair juntos e o romance engatou. “Na verdade, nunca havíamos esquecido um do outro”, garante, sem hesitar, o futuro marido.

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23 de outubro de 2009

SP: Trupe realiza mostra de arte dentro de um ônibus

Já imaginou pegar a condução, igualzinho a todo dia, e descobrir que está no meio de uma peça de teatro? Ou de um espetáculo de dança?

É isso que vai acontecer com os passageiros do ônibus no trajeto Terminal Sacomã - Terminal Mercado do Expresso Tiradentes, na capital paulista, entre os dias 25 e 28 de outubro. Seguindo o trajeto normal da linha, um ônibus oferece à “platéia de passagem” intervenções de teatro, dança, música e artes visuais, sempre das 10 às 13h.

Idealizada pela Trupe Sinhá Zózima, a mostra Arte Expressa deve ser vista por 6300 moradores da capital paulista. Segundo a própria Trupe, essa é a “primeira mostra de artes dentro do transporte público no município de São Paulo”. Confira a programação.

- O Público está ali para se locomover. Não sabe que naquele dia ele vai se deparar com esse tipo de arte. E não é um ônibus adaptado. A única diferença são as placas no teto de feitas pelos artistas plásticos. Daí um grupo entra e se apresenta, com passageiro, cobrador, motorista. Como um dia qualquer - explica o ator Anderson Maurício, um dos membros da Sinhá Zózima.

Para realizar a mostra, a Trupe conseguiu que uma empresa de transportes disponibilizasse um veículo a mais para a linha. “Também não obrigamos os passageiros a entrar; se quiserem, podem pegar o ônibus normal”, comenta Anderson.

- O nosso desafio é experimentar o espaço e levar a arte para outros lugares. Há Espaço ocioso e é o nosso trabalho mostrar que a arte pode se manifestar em todo lugar - completa o membro da Trupe.

O encerramento da mostra Arte Expressa fica por conta de uma exposição fotográfica no Terminal Mercado, entre 14 e 21 de novembro. As fotos registram os espetáculos e dividem os melhores momentos da mostra, além, claro de despertas a curiosidade de quem não teve a oportunidade de embarcar com o grupo.

A ousadia da iniciativa é consequência de uma pesquisa que a Trupe Sinhá Zózima vem desenvolvendo desde abril de 2007, quando os membros do grupo entraram pela primeira vez num ônibus, em Ubatuba, apresentando cenas, canções e intervenções artísticas.

Atualmente, o grupo teatral tem dois espetáculos que utilizam ônibus: “Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa no. 6″. Enquanto no primeiro a platéia realmente embarca numa viagem teatral com o ônibus em movimento, no segundo os atores apresentam-se com o veículo parado. “Isso gera uma angústia enorme do público, que fica na expectativa do ônibus andar”, conta Anderson Maurício.

Em cada montagem, o ônibus recebe um significado, e a interação com este espaço só é plena após a estréia, pois o público-passageiro é peça fundamental para ditar o ritmo e desenrolar da movimentação e interação entre o ônibus e as personagens do espetáculo. “O grau de improvisação é enorme”, diz Anderson Maurício.

Certa feita, quando a Trupe apresentava o “Cordel do Amor Sem Fim” em pleno engarrafamento de São Paulo, os atores perceberam que um grupo de crianças de rua acompanhava o espetáculo pelo lado de fora.

- Foi muito bonito. Ali a gente percebeu que espetáculo também acontecia fora do ônibus. Por mais que passe rápido, as pessoas nos pontos de ônibus notam a intervenção. No mínimo, pensam: “Pôxa, gostaria de pegar esse ônibus”. Acordamos um pouco e percebemos que o espetáculo atinge um público muito maior - argumenta Anderson Maurício.

E você, topa embarcar nesse ônibus?

(foto: Danilo Dantas/Divulgação)

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20 de outubro de 2009

PI: Na sexta edição, Festival de Oeiras tem Xangai e Zeca Baleiro

iurirubim às 14:26

Faz alguns anos que a cidade de Oeiras, a primeira capital do Piauí, localizada a 313 km de Teresina, abraçou a ideia de realizar um festival multicultural. Um evento que pusesse em diálogo as diversas linguagens artísticas e o patrimônio imaterial da cidade; que usasse o seu rico casario colonial como cenário para o encontro de artistas locais e nomes de expressão nacional.

Atualmente em sua sexta edição, o Festival de Cultura de Oeiras já devolve para o município os benefícios dessa aposta. “O Festival tem atraído turistas de várias regiões do país, gerado postos de trabalho e contribuído para o desenvolvimento de vários setores econômicos da região”, revela Delano Rocha, diretor superintendente do Sebrae no Piauí.

Igreja matriz da primeira capital do Piau�

Igreja matriz da primeira capital do Piauí

Em 2009, o Festival acontece dos dias 22 a 24 de outubro. Música, teatro, literatura, artesanato, cinema, patrimônio histórico e imaterial: é grande o cardápio de atrações na programação do evento.

Três palcos - o Pátio das Tradições e os Palcos José Expedito Rego e Possidônio Queiroz - são montados para receber shows, apresentações culturais e grupos folclóricos locais.

Nesses três dias, grandes nomes da música apresentam-se na cidade, a exemplo dos cantadores Zeca Baleiro, Elomar, Vital Farias e Xangai. A musicalidade piauiense é representada por artistas naturais do Estado, como Emerson Boy, Vavá Ribeiro, Frank Sabbá e Lázaro do Piauí. Já grupos de samba e de congo, reisados, capoeiristas, violeiros e rabequeiros fazem as honras da cultura popular da região.

Os Congos de Oeiras são reconhecidos pela sua beleza

Os Congos de Oeiras são reconhecidos pela sua beleza

Além das apresentações, o patrimônio cultural de Oeiras e seus arredores na feira de artesanato instalada na Praça da Bandeira. Nela, vinte e cinco estandes exibem desde cestaria, cerâmica e obras em madeira até bordados de ponto de cruz, hardanger e ponto cheio. Para aguçar todos os sentidos, outros quinze espaços oferecem ao público pratos da gastronomia da região.

Homenagem a José Expedito Rego

Neste ano, o Festival de Cultura de Oeiras rende homenagens ao médico e escritor José Expedito Rego, autor do hino da cidade e fundador do Instituto Histórico de Oeiras. Rego ocupou a cadeira no. 2 da Academia Piauiense de Letras.

(fotos: Nana Moraes [1]; reprodução [2, 3])

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