BA: Dia da Baiana de Acarajé tem missa e samba de roda
Há 19 anos, Salvador celebra a baiana de acarajé no dia 25 de novembro. O Dia da Baiana rende homenagens àquelas que fizeram de seu trabalho diário uma embaixada da cultura baiana.
Ali, sentadas no seu tabuleiro, elas sintetizam a Bahia, em todos os cincos sentidos. Espalhadas por todas as esquinas de Salvador, perfumam a cidade com o aroma do dendê. Inconfundíveis com sua saia larga, suas anáguas, torço, bata, sandálias, adereços e contas dos Orixás, com sua fala mansa e ritmada e o riso solto, oferecem aos clientes as delícias de seu tabuleiro para o encanto do paladar.
As baianas são herdeiras do nobre ofício de preparar o alimento sagrado dos orixás - tarefa antes só permitida às filhas de Iansã ou Xangô, para quem o ato de montar um tabuleiro e ir vender na rua era um desígnio divino.
E assim, sem alarde, passaram a oferecer ao povo o alimento dos deuses.
O antigo akará veio para o Brasil através dos escravos africanos iorubás. Antes comido apenas com pimenta, o bolinho feito com feijão fradinho, cebola, sal e frito no azeite de dendê fervente ganhou no tabuleiro da baiana deliciosos recheios, como salada, vatapá, camarões e caruru. Aprenda a fazer o acarajé.
É sabido que a venda do mais “arretado” dos quitutes serviu, inclusive, para que muitas escravas negras comprassem cartas de alforria.
Em 2007, a jornalista baiana Agnes Mariano fez uma reportagem exemplar sobre a atividade das baianas de acarajé, no qual dizia:
- Ser baiana é uma escolha difícil. Significa assumir o compromisso de ser incansável e ter coragem o tempo todo, assim como Iansã, a dona dos acarajés. É também tornar-se capaz de dar colorido e perfume às nossas comidas, tornando o nosso cotidiano bem mais saboroso - diz.
O ofício das baianas de acarajé foi reconhecido como patrimônio cultural de Salvador e, desde 2004, como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
As comemorações do Dia da Baiana começaram na última sexta-feira (Dia da Consciência Negra) e têm seu ponto alto nesta quarta-feira, o Dia da Baiana.
Exemplo perfeito do sincretismo religioso, a data começa a ser celebrada pela manhã, com uma missa em Ação de Graças na Igreja Nossa Senhora do Carmo. Após a missa, um cortejo vai da Igreja até o Memorial das Baianas, na Cruz Caída (Praça da Sé), onde um almoço, apresentações culturais e sorteio de brindes entretêm as guardiões do patrimônio cultural baiano. A programação é encerrada às 20h, com samba de roda de Cachoeira, cidade do recôncavo baiano.
Em breve, o Dia da Baiana deve tornar uma data nacional. Um projeto de lei, de autoria do deputado Mário Negromonte (PP-BA), já aprovado pela Câmara dos Deputados, aguarda apreciação do Senado. Quem sabe, dentro de poucos meses ou anos, todo o Brasil não rende as devidas homenagens a essas belas senhoras?
(fotos: Site Bahia! É Muito Mais [1]; Blog Pelo Pelô [2])























