Terra Magazine

29 de fevereiro de 2008

Mostra fotográfica de capoeira homenageia feminino

iurirubim às 18:50

Estão abertas as inscrições para a a Mostra Fotográfica Feira de Capoeira.

O tema da mostra é "Capoeira Substantitvo Feminino - Catarina saia de lá venha ver Idalina!".

A inscrição é gratuita. Para participar, é necessário enviar fotografias de eventos e/ou trabalhos de capoeira com registro da presença feminina à coordenação do evento, preencher a ficha de inscrição e autorizar o uso de imagem.

Atenção: o período de inscrição é bastante curto e vai até o dia quatro de março de 2008. A exposição começa em março e vai até novembro.

Mais informações pelo telefone (75) 3616-6870 ou pelo email feiradecapoeira@hotmail.com.

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Inscrições abertas para o Revelando os Brasis

iurirubim às 17:40

Estão abertas até o dia 28 de março as inscrições para o Concurso de Histórias do Revelando os Brasis Ano III. Para participar, é preciso ter mais de 18 anos e ser morador de município com até 20 mil habitantes.

As 40 histórias selecionadas serão transformadas em vídeos com duração de 15 minutos pelos seus autores. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.revelandoosbrasis.com.br e também nas agências dos Correios e do Banco do Nordeste.

O Revelando os Brasis tem como objetivo viabilizar a produção de vídeos digitais nas pequenas cidades brasileiras.

De acordo com levantamento divulgado em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 5.568 municípios; desses, 4.006 têm até 20 mil habitantes.

Podem ser inscritas histórias reais (baseadas em fatos históricos, personagens e tradições populares) ou de ficção.

Os autores selecionados participarão de oficinas preparatórias de roteiro, direção, produção, fotografia, som, edição, direção de arte, mobilização cultural e direitos autorais, no Rio de Janeiro, com todas as despesas pagas pelo projeto.

Na etapa seguinte, contarão com o apoio da estrutura de produção oferecida pelo Revelando os Brasis para realizar os vídeos.

Nas duas primeiras edições do projeto, entre 2004 e 2006, foram produzidas 80 obras, entre ficções e documentários.

Depois de finalizados, os vídeos são apresentados em suas comunidades através do Circuito Nacional de Exibição, que leva uma tela de cinema para os municípios. Também são exibidos no Canal Futura.

A partir de 2008, os vídeos do projeto serão lançados em DVD com distribuição gratuita entre organizações sociais e culturais, bibliotecas, universidades e cineclubes de todo o Brasil.

Mais informações no Instituto Marlin Azul pelo telefone (27) 3327-2751 ou através do e-mail revelandoosbrasis@gmail.com.

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Governadores do NE conhecem Orquestra Sanfônica

iurirubim às 12:26

A Orquestra Sanfônica de Aracaju se apresenta hoje no VI Fórum de Governadores do Nordeste. Criada em junho de 2007, a orquestra é formada por 25 sanfonas cujos foles entoam tanto canções do tradicional forró nordestino, como Feira de Mangaio, Tico-Tico no Fubá e Asa Branca, quanto marchinhas, tango e bossa nova. Ao lado dos sanfoneiros, três percussionistas e um baixista completam a ORSA.

O maestro da orquestra, Emanuel Jorge Santos, conta que seu primeiro desafio foi fazer com que todos os sanfoneiros conseguissem tocar juntos.

"Eram muitas agendas, muitas carreiras… cada músico com o seu repertório. Foi um verdadeiro trabalho de educação fazer com que soassem como grupo", lembra. Hoje, todos os integrantes da orquestra têm que freqüentar aulas semanais de músicas, além de dois ensaios também semanais.

A orquestra é constituída por quatro tipos de sanfoneiros: os mais velhos, de carreira consolidada; os jovens (boa parte vinda da Escola de Artes Valdice Teles, da prefeitura); os que tocam em bandas de forró e os que tocam por hobby. "Mas todos eles têm qualidade para estarem ali", garantiu o maestro.

Criada e mantida pela Prefeitura de Aracaju, a Orquestra Sanfônica atende a diferentes expectativas: para o poder municipal, ela estimula o gosto pela sanfona como diversão e meio de vida, além de promover os ritmos tradicionais de Sergipe.

- Veja você, quando falam da Bahia, lembram da axé-music, quando falam de Pernambuco, do frevo. Porque não podem lembrar de Sergipe quando falam de forró?, argumenta Emanuel.

Para os sanfoneiros, a ORSA é uma grande vitrine. "É muito bom, a gente é fica mais conhecido, é visto por muita gente", me disse Robertinho dos Oito Baixos, um dos músicos mais festejados orquestra.
Ao mesmo tempo, a ORSA é uma fonte de renda fixa para músicos cujo cotidiano é incerto. Filho de dois dos maiores músicos de forró do Brasil, Gerson Filho e Clemilda, e ele próprio dono de carreira consolidada, Robertinho dos Oito Baixos divide suas atividades musicais com o emprego de motorista do Estado de Sergipe.

Como ele, muitos outros integrantes da orquestra são também sindicalistas, militares, médicos, dentre outros. "Não são todos os sanfoneiros que têm um emprego fixo assim como eu. É muito importante ter um cachê fixo o ano todo".

A orquestra se apresenta 6 a 7 vezes por mês, o que já a tornou bastante conhecida pelo público sergipano. Em 2007, a ORSA fez cinco concertos fora do estado. Esteve em Olinda, na Feira Nacional de Poesia Popular, e tocou por quatro ocasiões no Rio de Janeiro.

Marcou presença na Feira de São Cristóvão, o momento mais emocionante da curta vida da orquestra, na opinião de Robertinho: "o povo foi à loucura, me abraçando, tirando foto". Ainda no Rio, a ORSA se apresentou na Feira das Américas, quando dividiu o palco com a bateria da Escola de Samba Beija-Flor.

A orquestra tem agendada para 2008 uma visita à Fortaleza (junho) e a comemoração do aniversário de Aracaju (17 de março), quando toca lado a lado com Dominguinhos e Yamandu Costa.

A Orquestra Sanfônica de Aracaju também pôde ser vista pela TV: a apresentação que os músicos fizeram no dia 18 de dezembro, na Colina de Santo Antônio, um dos pontos turísticos em Aracaju (18/1/2007) foi transmitida pela Aperipê TV (TV pública de Sergipe) e pela TV Brasil.

Com integrantes com mais de trinta anos de atividade musical e jovens de até 16 anos, a Orquestra Sanfônica promove uma interessante renovação musical em Sergipe, baseada no reconhecimento de uma atividade tradicional e no desejo que a visibilidade provoca.

Para reforçar esse ciclo, a partir de 2008 os integrantes da orquestra vão dar aulas na Escola de Artes Valdice Teles (da prefeitura), de onde já saíram alguns músicos da própria orquestra.

Assista a uma das canções tocadas pela Orquestra Sanfônica de Aracaju

Quantas Orquestras Sanfônicas tem o Brasil?

Se a Orquestra Sanfônica de Aracaju já é uma novidade, imagine descobrir que o Brasil tem várias orquestras sanfônicas! Consegui identificar algumas delas: a de São Paulo – a mais antiga do país -, a “Ronaldo Cunha Lima” (do Governo da Paraíba), a de Campina Grande (também PB), a do Cariri (CE), a dos Oito Baixos de Santa Cruz do Capibaribe e a de Gravatá (PE) e a de Santa Marta (povoado do município Corrente, no Piauí). Quem souber de mais alguma, por favor escreva para o blog contando!

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28 de fevereiro de 2008

Feira de Economia e de Culturas Solidárias

iurirubim às 21:40

Já estão sendo cadastrados os interessados em participar da feira alternativa da ARCA – Associação Ribeirãopirense de Cidadãos Artistas.

A feira será realizada pela primeira vez em 2 de março, domingo, das 13 às 18 horas, no estacionamento próximo ao Espaço ARCA (Av. Humberto de Campos, 576 - Vila Ema) em Ribeirão Pires, São Paulo.

A proposta é que ela se torne uma atividade permanente – realizada sempre no primeiro domingo de cada mês - de práticas de comércio solidário, relacionamento e intercâmbios culturais.

A base ideológica do evento é reforçar o conceito dos prossumissores (produtores que consomem) e proporcionar outro atrativo para a cidade.

A programação da feira será composta por apresentações e atividades culturais/artísticas, concursos, campanhas, além de tendas com diversos artigos exclusivos, mural de sugestões, espaço para trocas (objetos e saberes), espaço lúdico, rádio ao vivo, etc.

As inscrições são gratuitas e quem quiser participar deve nos solicitar, por e-mail ou via postal, a ficha de inscrição e o regimento interno.

Mais informações: no site da ARCA, tel: (11) 4825 2748.

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Apenas um centro cultural para 250 mil pessoas

iurirubim às 14:34

O Instituto Pombas Urbanas, formado por oito jovens, assumiu o desafio de montar um centro cultural em Cidade Tiradentes, um dos bairros mais populosos de São Paulo.

Cidade Tiradentes faz jus ao nome. Oficialmente, habitam no bairro 248 mil pessoas. Outras estimativas chegam a 350 mil. O bairro fica a 1h30 do centro de São Paulo. Para chegar lá saindo do centro são no mínimo duas viagens: a primeira, de trem urbano e a segunda, de ônibus.

A taxa de desemprego, em 2006, era de 17,80% e, entre jovens de 16 a 29 anos, aumentava para 21,48%. Outros indicadores são igualmente desanimadores. Segundo o Observatório Cidadão, não há outros equipamentos culturais no bairro.

Foi lá que um grupo de jovens atores montou o Centro Cultural Arte em Construção. "Chama ‘Arte em Construção’ porque tudo aqui é assim: está por fazer, está sendo feito aos poucos, coletivamente", me contou Adriano Mauriz, um dos responsáveis pela empreitada.

O centro cultural fica na Avenida dos Metalúrgicos, 2100. Mas ninguém precisa do número para chegar lá: funciona num imenso galpão, cedido em comodato pela Companhia de Habitação de São Paulo.

Já do lado de fora, dá para sentir o clima do local. As paredes externas funcionam como grandes murais para obras dos grafiteiros do bairro. "Cada desenho representa um dos nossos espetáculos. Eles quiseram nos fazer uma homenagem", diz Juliana Motta, outra das atrizes-gestoras.

No centro cultural, a população tem acesso a um cine-teatro, uma biblioteca, um infocentro e espaços para a diversão infantil. "No início, pensávamos só no público jovem. Mas desde a abertura, as crianças ‘ocuparam’ o centro. Elas nos fizeram ampliar o foco", confessa Adriano.

Houve apenas um episódio de assalto quando roubaram os computadores do infocentro no ano passado. Após divulgarem o ocorrido no bairro, uma parte dos equipamentos foi "encontrada". Ouviram que o centro "teria proteção", pois é a única alternativa cultural de Cidade Tiradentes.

Normalmente, circulam pelo centro cultural mais de 200 pessoas por dia. Cerca de 35 mulheres frequentam os cursos de artesanato e danças regionais, enquanto 70 jovens participam dos cursos de teatro, de música e de informática. Os jovens formaram até outra companhia de teatro: Os Filhos da Dita.

"Quando alguém deixa de alugar livros, nós ligamos para ele", conta Néia, a bolsista que coordena a biblioteca. Esse sistema de "telemarketing" mantém a biblioteca do centro com 757 usuários ativos (que alugaram livros nos últimos quatro meses). Cerca de 300 livros locados por semana.

A equipe desenvolve seis projetos voltados para crianças e adolescentes: Canto das Letras, Somos do Circo, Formação Teatral, Convivência e Brincadeiras, Tecno_Pombas e Biblioteca Comunitária. Participam desses projetos 1299 pessoas.

Além de desenvolver atividades próprias, o centro cultural é um emaranhado de parcerias com outras organizações, várias instâncias governamentais e o setor privado.

Desde 2004, quando foi aberto ao público, 12.840 pessoas passaram por lá. Foram 40 espetáculos de Teatro, 64 exibições de filmes, dois shows musicais e uma apresentação de dança contemporânea.

Este ano o centro fará um grande encontro de teatro comunitário, quando irão para Cidade Tiradentes companhias de todo Brasil. De março a dezembro, o centro cultural e em mais quatro praças do bairro receberão espetáculos nos fins de semana.

Os responsáveis por toda essa aventura são os integrantes do Instituto Pombas Urbanas, formado há 18 anos pelo mentor do grupo, o dramaturgo peruano Lino Rojas.

Quando assumiu um galpão, o Pombas Urbanas estava apenas à procura de uma sede. "Mas logo no começo percebemos que isso aqui teria que ser um centro cultural", lembra Adriano. A comunidade até ajudou a montar o espaço: fez, de lata, a iluminação cênica do cine-teatro.

Em 2005, a tragédia: o Instituto perde seu mentor, Lino Rojas, morto num sequestro. Além do abalo emocional, o grupo teve suas responsabilidade ampliadas. "Você deixa de ser um jovem ator e vira uma referência para as outras pessoas. É tanta responsabilidade que até envelhecemos", diz Adriano.

"Mas tudo isso aqui é da comunidade. O centro não é meu nem do Pombas. A comunidade vai ter que assumir isso aqui. Nós somos atores e preferimos contribuir com a nossa arte", conclui.

*Fontes: Observatório Cidadão - Nossa São Paulo; Sub-Prefeitura Cidade Tiradentes; IBGE.

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Festival de Teatro de Bonecos abre inscrições

iurirubim às 9:25


Estão abertas as inscrições para a IX Edição do Festival Internacional de Teatro de Bonecos. As propostas
de espetáculos serão aceitas até o dia 08 de Março 2008.

A inscrição é gratuita e aberta a produtores, grupos, companhias permanentes ou elencos.

O Festival acontecerá de 31 de Maio a 08 de Junho, em Belo Horizonte (MG), com espetáculos de palco e rua, para público infantil e adulto.

Informações sobre inscrições no site: http://www.festivaldebonecos.com.br

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27 de fevereiro de 2008

Prêmio Culturas Indígenas inscreve até dia 27

iurirubim às 23:57

Vão até o dia 29 de fevereiro as incrições para o Prêmio Culturas Indígenas 2007. Serão premiadas, com R$ 24 mil, 100 iniciativas de comunidades indígenas que realizem ações e trabalhos de fortalecimento cultural. Podem ser inscritas iniciativas de caráter comunitário e que trabalhem na valorização da cultura indígena, em áreas como música, línguas, história, religião, entre outras. Edital e outras informações: www.premioculturasindigenas.org.

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Poesia vai para os Muros de Porto Velho

iurirubim às 18:29

Coletivo de artistas plásticos de Porto Velho transforma poesia em intervenção urbana. O projeto/ obra arte é aberto a pessoas de todo o mundo, que podem enviar poesias pela internet. O oletivo imprime os poemas em grande formato e os espalham pelos muros da capital de Rondônia.

“Convidamos você para participar desse projeto enviando um texto poético, para, juntos, ocuparmos os vazios cinzentos da cidade e encher o mundo com poesia”. É assim que o Coletivo Madeirista convida as pessoas a colaborarem com seu Condomínio Poético, um projeto aberto de intervenção urbana/ site-specific.

Segundo a descrição do coletivo, o Condomínio Poético “utiliza poemas em grande formato, apropriando-se da linguagem publicitária e propondo uma poesia não só para ler, mas também para olhar”. A intenção é que a poesia dialogue com a linguagem publicitária e ganhe as ruas.

Já foram feitas duas intervenções o Condomínio Poético: a primeira no campus da Universidade Federal de Rondônia (foto acima) e a segunda no centro de Porto Velho.

As inscrições para o projeto se encerram no dia 29 de fevereiro. Qualquer um pode participar com quantos textos quiser, desde sejam originais e tenham até 10 linhas. Uma comissão vai selecionar os trabalhos, utilizando como critérios: inteligência, ironia e humor.

Para participar, o autor deve preencher uma ficha de inscrição e enviá-la para o email condominiopoetico@gmail.com.

Os autores selecionados ainda poderão ter seus trabalhos publicados em antologia impressa que o coletivo irá publicar até julho, com o apoio de Funarte. A antologia será um livro-cartaz, “é um desdobramento radical da nossa ação”, afirma Joéser Alvarez, “condômino” e membro do coletivo.

Coletivo Madeirista

Ativo desde 1998, e originado em Porto Velho (RO), é formado por Diogo Nascimento, Rinaldo Santos, Deivis Nascimento, Ariana Boaventura, Flávio Butika, Jeisse Costa, Gaspar Knnypel e Joesér Alvarez, único fundador do coletivo.

Embora todos os membros do grupo vivam em Rondônia, garantem a mobilidade e o alcance de suas intervenções. “Onde o coletivo for, haverá um assentamento poético”, diz Joesér Alvarez.

A primeira frase de seu manifesto reafirma o desprezo às fronteiras: “Não basta os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua: todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes (que também são imprestáveis) entre os limites: sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado, no além do programa”.

Em 2007, o coletivo recebeu da UNESCO o prêmio internacional Digital Art Awards 2007, com o projeto Inventário das Sombras.

Híbrido de performance, intervenção urbana, pintura e vídeo-arte, o inventário das sombras propôs que cada artista pintasse sua própria sombra e enviasse para o Coletivo Madeirista. Foram recebidas imagens e vídeos das intervenções urbanas em vários lugares do Brasil e do mundo.

“O projeto é, em si, um testemunho digital da intervenção pública urbana, enfaticamente propondo a participação social no cenário artístico através da transformação da audiência e de diferentes elementos sócio-culturais em dinâmica urbana”, diz a UNESCO.

Ainda neste ano, o coletivo foi convidado para um projeto de residências artísticas em São Paulo, na Casa das Caldeiras (SP), e para participar de um festival jovem Espaço Cultural Sérgio Porto (RJ).

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Artista vende gravuras nas ruas e na internet

iurirubim às 12:24

Nilo é um xilogravurista que teve que aprender uma técnica de impressão anterior à prensa para conseguir ter autonomia em seu trabalho. Aprendeu a técnica com um chinês, mais um dos estrangeiros que tiveram influência decisiva no seu trabalho. Graças a eles, vende hoje suas gravuras nas ruas de Salvador e na internet.

Chegar ao Nilo não é fácil: é preciso entrar por um estreito corredor que serve como loja de pinturas na casa 27 da Rua das Portas do Carmo, no Pelourinho (Salvador), e subir oito longos lances de escada. Seguem-se suor e respiração ofegante para, enfim, chegar ao quarto andar. À espera, simpático e sorridente, encontramos Nilo dos Santos.

Como muitos brasileiros, Nilo fez de tudo um pouco. Foi garçom, pescador, ajudante de oficina, ceramista e pintor. Hoje, vive apenas da xilogravura e de uma aposentadoria como pescador profissional.

Durante todo o tempo em que estive com ele, Nilo não parava de comentar: "esse pincel, quem me deu foram umas americanas, esses outros, uma pernambucana…". É como se em cada etapa de seu processo criativo houvesse presentes de turistas ou estrangeiros com quem teve relação.

Com uma canadense, Lisa, criou uma relação especial: ela tomou um curso de xilogravura de dois meses com ele. Quando voltou, trouxe de presente o laptop que ele tanto admirava.

É com esse laptop que Nilo recebe seus emails e as newsletters das galerias cujos curadores compraram obras e promoveram exposições suas. Outros "intercâmbios". Uma das compradoras estrangeiras, incluiu Nilo numa seleção de artistas e montou uma página na internet para todos.

Por essas vias tortuosas, Nilo entrou no ramo do comércio eletrônico: recebe encomendas por email, responde com o valor e o número da conta e, após depositado o dinheiro, envia as gravuras pelo correio. Se as encomendas forem em inglês? Aí ele imprime a mensagem numa lanhouse (não tem impressora em casa) e a entrega a uma amiga nigeriana, que traduz para ele o pedido.

Mas daqui a pouco isso não vai ser mais necessário: antes de me despedir, Nilo liga o DVD e põe para tocar o CD enviado por sua amiga Lisa - um curso de inglês, feito por ela mesma, personalizado um xilogravurista do Centro Histórico de Salvador.

Aos 52 anos, Nilo usa a impressão por um cilindro para produzir as gravuras que vende no Centro Histórico e em outros bairros turísticos de Salvador. O processo é bastante complexo: primeiro ele tem que fazer o desenho e repassá-lo, usando um bisturi, a uma folha de compensado. Segundo Nilo, leva dois meses, em média, trabalhando quatro horas por dia, para entalhar a madeira.

Pronta a matriz, é hora de espalhar tinta por toda sua superfície. Depois disso, deita delicadamente sobre ela a folha de papel, com o lado da textura virado para a tinta. Então ajeita o papel e a matriz no chão, ao lado da parede, e coloca um tapete por cima ("para não amassar").

Finalmente, pega o rolo e puxa uma cadeira para servir de apoio. Uma mão na parede e outra no encosto da cadeira, começa o malabarismo em cima do rolo. Confessa que o exercício é doloroso:

- Rapaz, fico com a sola do pé toda acabada.
- Quantas voltas?
- Quatro, né, para ficar bem impresso.

Nilo costumava usar a prensa do Museu de Arte Moderna, onde fez diversas oficinas e adotou a xilogravura como meio de vida, para imprimir suas obras. Também vendia suas obras para turistas no museu.

Conta que a proibição para usar a prensa do MAM partiu de um funcionário, que também havia começado a vender xilogravuras lá, e de uma postura racista quanto a um dos temas de seu trabalho, os orixás. "O museu MAM, antes de terem me botado para fora, disseram lá: ‘o negro é estrangeiro ali dentro’. Então praticamente isso é racismo, preconceito".

"Sem a prensa, fiquei sem rumo. Como eu ia produzir as gravuras para vender? Eu só tinha três gravuras e aqui em casa estava faltando gás".

Tentava vender suas últimas gravuras no Bairro do Santo Antônio, quando um chinês perguntou: "Mas tão poucas?". Nilo explicou a situação. Sensibilizado, o estrangeiro comprou para ele um cilindro de ferro de 84 quilos! Ensinou-lhe, então, a imprimir sem a prensa.

Além dos orixás, usa como temas o zodíaco e as civilizações inca e egípcia. Me mostra gravuras de Tutancâmon e Nefertiti. Mostra, orgulhoso, uma série de cópias de hieróglifos.

- Foi um amigo, do Museu do Cairo, quem me deu.

Explica que boa parte dos livros (em pilhas, na sala) servem para compreender melhor as temáticas que retrata. Também tira fotos do que gosta para usar como inspiração. "Mas nunca como cópia", deixa bem claro.

Diversas vezes durante a entrevista, olha para mim e pergunta, insistente: "esse material vai chegar as mãos do diretor do IPAC, né? ele tem que ver isso. tem que conhecer o trabalho que eu faço aqui". O IPAC - Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural e como um IPHAN baiano e gerencia boa parte dos imóveis tombados do Pelourinho.

O medo de perder sua casa e ficar longe do Centro Historico de Salvador é o que motiva as indagações constantes de Nilo. Não quer passar novamente pela situação que viveu há 11 anos, época do início das reformas do Pelourinho.

Após dez dias no mar pescando, foi expulso do quarto que sub-locava "para que parentes da pessoa que alugava recebessem a indenização" [pela desapropriação]. Partiu com pouco, voltou sem nada.

A principal preocupação de Nilo é ficar longe do local por onde circulam os principais compradores de suas obras: os turistas estrangeiros. "Aqui estou centralizado. Tenham mais possibilidades de encontrar pessoas que possam me ajudar".

Paga religiosamente para o IPAC o aluguel de seu pequeno estúdio, que tem apenas quatro ambientes: uma pequena ante-sala, uma sala/quarto, cozinha e banheiro.

Ainda assim, seu temor de ser expulso é enorme, ao ponto de recusar por duas ocasiões convites para expor fora do país, na Alemanha e nos Estados Unidos. "Vai que fazem uma conspiração? Eu sei que tem uma funcionária no IPAC doida para se mudar para cá".

Veja Nilo imprimindo uma gravura

Nilo conta como o chinês o ensinou a imprimir com o cilindro

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Africanidades no Brasil

iurirubim às 9:26

Vejam a edição especial da revista eletrônica Studium, com o tema Representação imagética das africanidades no Brasil. A diáspora africana do ponto de vista da produção de imagens. Imagens como pólos de resistência e manutenção das matrizes ancestrais.

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