Poesia vai para os Muros de Porto Velho
Coletivo de artistas plásticos de Porto Velho transforma poesia em intervenção urbana. O projeto/ obra arte é aberto a pessoas de todo o mundo, que podem enviar poesias pela internet. O oletivo imprime os poemas em grande formato e os espalham pelos muros da capital de Rondônia.
“Convidamos você para participar desse projeto enviando um texto poético, para, juntos, ocuparmos os vazios cinzentos da cidade e encher o mundo com poesia”. É assim que o Coletivo Madeirista convida as pessoas a colaborarem com seu Condomínio Poético, um projeto aberto de intervenção urbana/ site-specific.
Segundo a descrição do coletivo, o Condomínio Poético “utiliza poemas em grande formato, apropriando-se da linguagem publicitária e propondo uma poesia não só para ler, mas também para olhar”. A intenção é que a poesia dialogue com a linguagem publicitária e ganhe as ruas.

Já foram feitas duas intervenções o Condomínio Poético: a primeira no campus da Universidade Federal de Rondônia (foto acima) e a segunda no centro de Porto Velho.
As inscrições para o projeto se encerram no dia 29 de fevereiro. Qualquer um pode participar com quantos textos quiser, desde sejam originais e tenham até 10 linhas. Uma comissão vai selecionar os trabalhos, utilizando como critérios: inteligência, ironia e humor.
Para participar, o autor deve preencher uma ficha de inscrição e enviá-la para o email condominiopoetico@gmail.com.
Os autores selecionados ainda poderão ter seus trabalhos publicados em antologia impressa que o coletivo irá publicar até julho, com o apoio de Funarte. A antologia será um livro-cartaz, “é um desdobramento radical da nossa ação”, afirma Joéser Alvarez, “condômino” e membro do coletivo.
Coletivo Madeirista
Ativo desde 1998, e originado em Porto Velho (RO), é formado por Diogo Nascimento, Rinaldo Santos, Deivis Nascimento, Ariana Boaventura, Flávio Butika, Jeisse Costa, Gaspar Knnypel e Joesér Alvarez, único fundador do coletivo.
Embora todos os membros do grupo vivam em Rondônia, garantem a mobilidade e o alcance de suas intervenções. “Onde o coletivo for, haverá um assentamento poético”, diz Joesér Alvarez.
A primeira frase de seu manifesto reafirma o desprezo às fronteiras: “Não basta os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua: todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes (que também são imprestáveis) entre os limites: sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado, no além do programa”.
Em 2007, o coletivo recebeu da UNESCO o prêmio internacional Digital Art Awards 2007, com o projeto Inventário das Sombras.

Híbrido de performance, intervenção urbana, pintura e vídeo-arte, o inventário das sombras propôs que cada artista pintasse sua própria sombra e enviasse para o Coletivo Madeirista. Foram recebidas imagens e vídeos das intervenções urbanas em vários lugares do Brasil e do mundo.
“O projeto é, em si, um testemunho digital da intervenção pública urbana, enfaticamente propondo a participação social no cenário artístico através da transformação da audiência e de diferentes elementos sócio-culturais em dinâmica urbana”, diz a UNESCO.
Ainda neste ano, o coletivo foi convidado para um projeto de residências artísticas em São Paulo, na Casa das Caldeiras (SP), e para participar de um festival jovem Espaço Cultural Sérgio Porto (RJ).