Terra Magazine

28 de fevereiro de 2008

Apenas um centro cultural para 250 mil pessoas

iurirubim às 14:34

O Instituto Pombas Urbanas, formado por oito jovens, assumiu o desafio de montar um centro cultural em Cidade Tiradentes, um dos bairros mais populosos de São Paulo.

Cidade Tiradentes faz jus ao nome. Oficialmente, habitam no bairro 248 mil pessoas. Outras estimativas chegam a 350 mil. O bairro fica a 1h30 do centro de São Paulo. Para chegar lá saindo do centro são no mínimo duas viagens: a primeira, de trem urbano e a segunda, de ônibus.

A taxa de desemprego, em 2006, era de 17,80% e, entre jovens de 16 a 29 anos, aumentava para 21,48%. Outros indicadores são igualmente desanimadores. Segundo o Observatório Cidadão, não há outros equipamentos culturais no bairro.

Foi lá que um grupo de jovens atores montou o Centro Cultural Arte em Construção. "Chama ‘Arte em Construção’ porque tudo aqui é assim: está por fazer, está sendo feito aos poucos, coletivamente", me contou Adriano Mauriz, um dos responsáveis pela empreitada.

O centro cultural fica na Avenida dos Metalúrgicos, 2100. Mas ninguém precisa do número para chegar lá: funciona num imenso galpão, cedido em comodato pela Companhia de Habitação de São Paulo.

Já do lado de fora, dá para sentir o clima do local. As paredes externas funcionam como grandes murais para obras dos grafiteiros do bairro. "Cada desenho representa um dos nossos espetáculos. Eles quiseram nos fazer uma homenagem", diz Juliana Motta, outra das atrizes-gestoras.

No centro cultural, a população tem acesso a um cine-teatro, uma biblioteca, um infocentro e espaços para a diversão infantil. "No início, pensávamos só no público jovem. Mas desde a abertura, as crianças ‘ocuparam’ o centro. Elas nos fizeram ampliar o foco", confessa Adriano.

Houve apenas um episódio de assalto quando roubaram os computadores do infocentro no ano passado. Após divulgarem o ocorrido no bairro, uma parte dos equipamentos foi "encontrada". Ouviram que o centro "teria proteção", pois é a única alternativa cultural de Cidade Tiradentes.

Normalmente, circulam pelo centro cultural mais de 200 pessoas por dia. Cerca de 35 mulheres frequentam os cursos de artesanato e danças regionais, enquanto 70 jovens participam dos cursos de teatro, de música e de informática. Os jovens formaram até outra companhia de teatro: Os Filhos da Dita.

"Quando alguém deixa de alugar livros, nós ligamos para ele", conta Néia, a bolsista que coordena a biblioteca. Esse sistema de "telemarketing" mantém a biblioteca do centro com 757 usuários ativos (que alugaram livros nos últimos quatro meses). Cerca de 300 livros locados por semana.

A equipe desenvolve seis projetos voltados para crianças e adolescentes: Canto das Letras, Somos do Circo, Formação Teatral, Convivência e Brincadeiras, Tecno_Pombas e Biblioteca Comunitária. Participam desses projetos 1299 pessoas.

Além de desenvolver atividades próprias, o centro cultural é um emaranhado de parcerias com outras organizações, várias instâncias governamentais e o setor privado.

Desde 2004, quando foi aberto ao público, 12.840 pessoas passaram por lá. Foram 40 espetáculos de Teatro, 64 exibições de filmes, dois shows musicais e uma apresentação de dança contemporânea.

Este ano o centro fará um grande encontro de teatro comunitário, quando irão para Cidade Tiradentes companhias de todo Brasil. De março a dezembro, o centro cultural e em mais quatro praças do bairro receberão espetáculos nos fins de semana.

Os responsáveis por toda essa aventura são os integrantes do Instituto Pombas Urbanas, formado há 18 anos pelo mentor do grupo, o dramaturgo peruano Lino Rojas.

Quando assumiu um galpão, o Pombas Urbanas estava apenas à procura de uma sede. "Mas logo no começo percebemos que isso aqui teria que ser um centro cultural", lembra Adriano. A comunidade até ajudou a montar o espaço: fez, de lata, a iluminação cênica do cine-teatro.

Em 2005, a tragédia: o Instituto perde seu mentor, Lino Rojas, morto num sequestro. Além do abalo emocional, o grupo teve suas responsabilidade ampliadas. "Você deixa de ser um jovem ator e vira uma referência para as outras pessoas. É tanta responsabilidade que até envelhecemos", diz Adriano.

"Mas tudo isso aqui é da comunidade. O centro não é meu nem do Pombas. A comunidade vai ter que assumir isso aqui. Nós somos atores e preferimos contribuir com a nossa arte", conclui.

*Fontes: Observatório Cidadão - Nossa São Paulo; Sub-Prefeitura Cidade Tiradentes; IBGE.

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1 Comentario »

  1. Boa Tarde! tenho um espaço fisico e muita vontade e estou tentando montar um espaço cultural e gostaria da sua ajuda com informações dicas…. gostaria de contar com pessoas que já tem experiência vi o seu projeto e achei muito interessante. por favor conto com a colaboração meu telefone é 2243 5441 cel 8262 2450

    Comentário por Tiana — 22 de julho de 2009 @ 14:46

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