Terra Magazine

29 de fevereiro de 2008

Governadores do NE conhecem Orquestra Sanfônica

iurirubim às 12:26

A Orquestra Sanfônica de Aracaju se apresenta hoje no VI Fórum de Governadores do Nordeste. Criada em junho de 2007, a orquestra é formada por 25 sanfonas cujos foles entoam tanto canções do tradicional forró nordestino, como Feira de Mangaio, Tico-Tico no Fubá e Asa Branca, quanto marchinhas, tango e bossa nova. Ao lado dos sanfoneiros, três percussionistas e um baixista completam a ORSA.

O maestro da orquestra, Emanuel Jorge Santos, conta que seu primeiro desafio foi fazer com que todos os sanfoneiros conseguissem tocar juntos.

"Eram muitas agendas, muitas carreiras… cada músico com o seu repertório. Foi um verdadeiro trabalho de educação fazer com que soassem como grupo", lembra. Hoje, todos os integrantes da orquestra têm que freqüentar aulas semanais de músicas, além de dois ensaios também semanais.

A orquestra é constituída por quatro tipos de sanfoneiros: os mais velhos, de carreira consolidada; os jovens (boa parte vinda da Escola de Artes Valdice Teles, da prefeitura); os que tocam em bandas de forró e os que tocam por hobby. "Mas todos eles têm qualidade para estarem ali", garantiu o maestro.

Criada e mantida pela Prefeitura de Aracaju, a Orquestra Sanfônica atende a diferentes expectativas: para o poder municipal, ela estimula o gosto pela sanfona como diversão e meio de vida, além de promover os ritmos tradicionais de Sergipe.

- Veja você, quando falam da Bahia, lembram da axé-music, quando falam de Pernambuco, do frevo. Porque não podem lembrar de Sergipe quando falam de forró?, argumenta Emanuel.

Para os sanfoneiros, a ORSA é uma grande vitrine. "É muito bom, a gente é fica mais conhecido, é visto por muita gente", me disse Robertinho dos Oito Baixos, um dos músicos mais festejados orquestra.
Ao mesmo tempo, a ORSA é uma fonte de renda fixa para músicos cujo cotidiano é incerto. Filho de dois dos maiores músicos de forró do Brasil, Gerson Filho e Clemilda, e ele próprio dono de carreira consolidada, Robertinho dos Oito Baixos divide suas atividades musicais com o emprego de motorista do Estado de Sergipe.

Como ele, muitos outros integrantes da orquestra são também sindicalistas, militares, médicos, dentre outros. "Não são todos os sanfoneiros que têm um emprego fixo assim como eu. É muito importante ter um cachê fixo o ano todo".

A orquestra se apresenta 6 a 7 vezes por mês, o que já a tornou bastante conhecida pelo público sergipano. Em 2007, a ORSA fez cinco concertos fora do estado. Esteve em Olinda, na Feira Nacional de Poesia Popular, e tocou por quatro ocasiões no Rio de Janeiro.

Marcou presença na Feira de São Cristóvão, o momento mais emocionante da curta vida da orquestra, na opinião de Robertinho: "o povo foi à loucura, me abraçando, tirando foto". Ainda no Rio, a ORSA se apresentou na Feira das Américas, quando dividiu o palco com a bateria da Escola de Samba Beija-Flor.

A orquestra tem agendada para 2008 uma visita à Fortaleza (junho) e a comemoração do aniversário de Aracaju (17 de março), quando toca lado a lado com Dominguinhos e Yamandu Costa.

A Orquestra Sanfônica de Aracaju também pôde ser vista pela TV: a apresentação que os músicos fizeram no dia 18 de dezembro, na Colina de Santo Antônio, um dos pontos turísticos em Aracaju (18/1/2007) foi transmitida pela Aperipê TV (TV pública de Sergipe) e pela TV Brasil.

Com integrantes com mais de trinta anos de atividade musical e jovens de até 16 anos, a Orquestra Sanfônica promove uma interessante renovação musical em Sergipe, baseada no reconhecimento de uma atividade tradicional e no desejo que a visibilidade provoca.

Para reforçar esse ciclo, a partir de 2008 os integrantes da orquestra vão dar aulas na Escola de Artes Valdice Teles (da prefeitura), de onde já saíram alguns músicos da própria orquestra.

Assista a uma das canções tocadas pela Orquestra Sanfônica de Aracaju

Quantas Orquestras Sanfônicas tem o Brasil?

Se a Orquestra Sanfônica de Aracaju já é uma novidade, imagine descobrir que o Brasil tem várias orquestras sanfônicas! Consegui identificar algumas delas: a de São Paulo – a mais antiga do país -, a “Ronaldo Cunha Lima” (do Governo da Paraíba), a de Campina Grande (também PB), a do Cariri (CE), a dos Oito Baixos de Santa Cruz do Capibaribe e a de Gravatá (PE) e a de Santa Marta (povoado do município Corrente, no Piauí). Quem souber de mais alguma, por favor escreva para o blog contando!

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2 Comentários »

  1. A orquestra Sanfonica da maestrina Profa. Renata Sbrighi, de SP capital, existe já há alguns anos (creio que mais de dez) e ja se apresentou em varios países.

    tel contato: 3834 1512

    Comentário por Fernando Mattedi — 29 de fevereiro de 2008 @ 16:10

  2. Já tive oportunidade de ouvir a Orquestra Sanfônica de Campina Grande e fiquei encantado com a sonoridade dos acordeons reunidos. O Brasil artístico é imenso e riquíssimo,as orquestras sanfônicas, a Banda de Pífano de Caruaru,Cordel do Fogo Encantado,Matingueiros,grupo musical e de dança,que em ritmo de frevo apresenta manifestações folclóricas das regiões de Juazeiro-BA e Petrolina-PE comprovam que livres da maquiagem da mídia muitos grupos artísticos são muito mais interessantes.

    Comentário por Luiz Augusto — 2 de março de 2008 @ 14:14

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