Terra Magazine

31 de março de 2008

Gaúcho ensina dança do Kuduro em Salvador

iurirubim às 11:47

Ex-jogador de futebol, o gaúcho Álvaro di Amaro é talvez o primeiro artista a trabalhar de forma consistente o kuduro no Brasil. Desde 2003, DJ Panafricano esforça-se em difundir o gênero musical.

Álvaro foi zagueiro, jogou no Brasil de Pelotas e veio para a Bahia há cerca de 11 anos por causa do futebol. Daquela época, restam o porte atlético e o inseparável par de chuteiras, que sempre leva para a pista de dança.


Álvaro, o DJ Panafricano comanda sua pickup

Hoje, o DJ – que também comanda pickups em diversos outros ritmos africanos – é responsável pela única academia de Kuduro da Bahia e colabora com o programa Rádio África, na Educadora FM, rádio pública do governo estadual.

- Com muita modéstia, nós somos os pioneiros em tentar explicar o canto, a dança, a coreografia e fazer com que as pessoas descubram o kuduro que está dentro de você. Do garoto de cinco anos à senhora que está passando aqui, de setenta e poucos - diz.

Kuduro é um ritmo sensual e empolgante surgido há mais de dez anos na periferia de Luanda, capital de Angola. “Kuduro é o beat mais acelerado de raiz africana”, comenta o DJ Panafricano. À batida acelerada, juntam-se passos de break, remelexos, trancos com os ombros e jogo acelerado de pernas. De preferência, tudo na rua.

- Kuduro é chamou, dançou. Não tem essa coisa de parar para ensinar isso não. É fácil, né? Pegou ali na hora, fez. A rapaziada toda faz – conta Black, que dança Kuduro há cinco meses.


Black dança Kuduro na rua

Joelene dança Kuduro há pouco mais de um mês. Foi levada para a academia pela mãe (!). “Vim e gostei. É uma coisa diferente, ninguém conhece!”, conta.

Para quem ainda tem dúvidas, é consenso que o nome significa mesmo “bunda dura”, referência ao posicionamento do quadril durante a dança. Ku viria do Kimbundo (MataKu=nádegas, assento plural de ritaku), principal língua falada em Luanda.

Álvaro interpreta a expressão de maneira muito particular:

- Tem que ter a bunda dura, o quadril duro porque Kuduro é pra frente: é ‘vamos lá, pessoal, alegria! Vamos passar fome, mas no outro dia a gente trabalha e come novamente’ – diz. Veja aqui outra explicação sobre o nome e a batida do Kuduro.

O lado brincalhão do Kuduro é uma de suas características mais envolventes. A própria dança pede para não ser levada a sério. “Kuduro é uma forma de reverenciar a brincadeira. De você brincar, sorrir, perder a vergonha de tudo”, diz o DJ Makanaki, kudurista há um ano.

“Cada um dança do seu jeito, mas esse ‘esculhambadinho’ é do Küdüro”, DJ Panafricano.

- Kuduro é de casa pra rua. Tudo o que você faz em casa e tem vergonha de fazer na rua, você faz no Kuduro. Se tu larga uma bufa e faz isso aqui [caretas], já é uma dança - completa.


O jeito brincalhão de Nanda e DJ Makanaki

Kuduro na lotação

Devastada pela guerra, Angola não tem uma infra-estrutura eficiente de telecomunicações. A forma que músicos e produtores encontraram para difundir o Kuduro foi distribuir fitas para os candogueiros, lotações para até 12 pessoas típicas daquele país.

Assim, o leva e traz de pessoas espalhou o gosto pelo Kuduro por toda Angola. Foi também numa dessas corridas que o ritmo vazou para os outros continentes é agora é sucesso em baladas do mundo inteiro.

Academia do Küdüro Baiano

A única academia de Kuduro da Bahia funciona num galpão cedido pelos donos do Espaço do Gelo Imperador, Carlos Jr, e Dona Cláudia, no bairro de Mares, no subúrbio de Salvador. Está aberta todo sábado, às 15 horas, e tem entrada gratuita.

“Uns acham que aqui é centro, outros acham que é subúrbio. Não importa, é Kuduro”, DJ Panafricano

Na academia, um palco e um laptop ligado a potentes caixas de som. Uma bancada com capas de LPs de cantores e grupos africanos no corredor que leva ao palco e, na entrada, o pequeno espaço usado para a venda do gelo.

- Esse projeto entrou no final do ano passado aqui. No começo, eu não sabia de nada, achei até estranho. Mas eu fui me envolvendo e hoje eu me considero uma kudurista! Essa é uma academia para as meninas que querem queimar calorias. Eu era gordinha, já estou bem light. Queima mesmo! – diz Dona Cláudia.

Depois de me mostrar as várias possibilidades do Kuduro – no palco, na pista e na rua – Álvaro me conta o seu sonho: ter um trio elétrico tocando Kuduro no carnaval.

- Podemos mudar o carnaval de Salvador se deixarem a gente mostrar isso. Não abrem as portas para uma coisa que é legitimamente africana numa cidade que se diz campeã da cultura, mas é analfabeta para ensinar o que tem de mais moderno na África.

O vídeo não está muito bom, mas veja o pessoal dançando Kuduro.

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21 Comentários »

  1. É brincadeira como esses baianos são bons para inventar porcarias.

    Comentário por elton — 31 de março de 2008 @ 16:18

  2. vao trabalhar!!!

    Comentário por Alessandro — 31 de março de 2008 @ 16:21

  3. alvaro gaucho,um pai,um irmçao e um grande amigo,caminhando para a vitória, eu nunca conheçir um cara como esse u verdadeiro homem de fé, ele pode caminhar com fé por que sabe que vai chegar lá eque Deus elumine ele em seus caminhos uma brande abraço de seu companheiro dal, até mais…

    Comentário por dacio — 31 de março de 2008 @ 16:21

  4. Baiano. Não preciso dizer mais nada!

    Comentário por Gil — 31 de março de 2008 @ 16:22

  5. Só no Brasil dão importancia pra isso!

    Vai trabalhar fdp!

    Comentário por Rodolfo — 31 de março de 2008 @ 16:24

  6. Gaúchos adoram ficar de kuduro, né?

    Comentário por Marquess — 31 de março de 2008 @ 16:26

  7. O bairro dos Mares fica na Cidade Baixa e não no subúrbio de Salvador. É próximo do Bonfim e do Largo de Roma. Fica entre a Calçada e o Largo de Roma.
    O Kuduro já conheci através de amigos de Guiné Bissau, é uma dança sensual, muito bonita!

    Comentário por Claudete Sampaio — 31 de março de 2008 @ 16:27

  8. Que LIXXXXXOOOOOO!!!!!

    Infelizmente qualquer porcaria chega aqui !!
    O paizinho de mer…..

    Comentário por Vania — 31 de março de 2008 @ 16:28

  9. Pacaba ao inves de usa o tempo para aquiri novos conhecimentos e cultura esses baianos usam o tempo pra descobri novas futilidades, VAI A MERDA NORDESTE!

    Comentário por Eumesmo — 31 de março de 2008 @ 16:32

  10. DEIXA ESSA BAIANADA AI DANÇADO ESSA COISA AI PELO MENOS NAO ESTAO AQUI EM SAO PAULA CONTRUINDO FAVELA E VIVENDO NAS COSTAS DO GOVERNO……

    Comentário por robson — 31 de março de 2008 @ 16:35

  11. Eu já ia dizendo: “ERA SÓ O QUE FALTAVA”, mas acho que não falta é mais nada. O que nos falta é cultura, porque isso pra mim não é, nunca foi, nem nunca será cultura. A apelação é grande e olha que não sou do tipo moralista, não sou mesmo. Porém isso é DEMAIS!

    Comentário por Luciana — 31 de março de 2008 @ 16:36

  12. quanto mais eu rezo, percebo que tenho de rezar ainda mais… pra ver se essas assombrações param de apareceber… É PÁCÁBÁ!

    Comentário por Eduardo — 31 de março de 2008 @ 16:36

  13. Mais putaria para este país já desmoralizado!! Putaria pura!!

    Comentário por Fulêro — 31 de março de 2008 @ 16:40

  14. ESSA BAIANADA…SEM COMENTARIOS….AINDA BEM QUE É EM SALVADOR NÉ !! PELO MENOS ELES NAO ESTAO AQUI EM SAO PAULO FAZENDO FEVELA E VIVENDO NAS COSTAS DO GOVERNO (BOLSA ISSO, BOLSA AQUILO),EU FUI PARA O NORDESTE E ESSE POVO DETESTA NOS AQUI DO SUDESTE,ELES SE ACHAM…..QUE VA TOMA NO KUDURO…..ATE

    Comentário por ROBSONPOVINHU@HOTMAIL.COM — 31 de março de 2008 @ 16:44

  15. QUE RIDÍCULO!!!

    Comentário por edu-brasilia — 31 de março de 2008 @ 16:49

  16. Antes de mais nada, a maioria que escreveu um comentário sobre esta matéria deveria aprender a escrever, pois querem falar mal da cultura baiana e não sabem nem escrever…!!! O povo brasileiro necessita de novas culturas justamente para esquecer os políticos, cartolas e governistas LADRÕES que moram no “centro” deste pais, inclusive em São Paulo…

    Comentário por Fábio — 31 de março de 2008 @ 17:07

  17. Queridos amigos kuduristas..é isso ai..gostei de vê…Voces vao consegui….! sucesso, amor, luz, e dindin..estou com vcs e não abro, a populaçao brasileira tem que saber o que é kuduro..e respeitar ..a cultura angola. final de contas somos todos irmão..de uma matriz africana…um bjão da sua fã..joi

    Comentário por jodai — 31 de março de 2008 @ 17:29

  18. Parabéns pela matéria Iuri!

    o dj Alvaro é sem dúvida uma grande figura e o kuduro ainda vai ser reconhecido como um dos estilos mais revolucionários da música contemporânea.

    mas é lamentável a ignorância e o preconceito de alguns sulistas… pobres paulistas… tantos engarrafamentos, tanto trabalho, tanta poluição, tudo tão cinzento e tão pouco tempo p/ se sentirem como seres humanos, pelo menos eles podem vir aqui na Bahia no verão, curtir um pouco nossas praias e ver como se vive com alegria.

    abçs
    Andre Stangl

    Comentário por andre stangl — 31 de março de 2008 @ 17:48

  19. Viva o kuduro, Luanda, Angola! Viva a África, que não se cansa de nos ensinar como se faz para fazer brotar arte, cultura, alegria e prazer de viver sob qualquer condição, inclusive as mais adversas.

    Viva Alvaro Dj Panafricano por seu espírito de cidadania, seu pioneirsimo, sua sensibilidade! Atleta, artista, mobilizador cultural, radialista, um humanista baiano. Pois, como dizia Jorge Amado: “Baiano quer dizer quem nasce na Bahia, quem teve este alto privilégio, mas significa também um estado de espírito, certa concepção de vida, quase uma filosofia, determinada forma de humanismo”.

    Caros Edu-brasilia, Fulêro, Eduardo, Luciana, Robson, Eumesmo, Vania, Marquess, Rodolfo, Gil, Alessandro e Elton, vocês demonstram claramente estar ainda em um precário estágio civilizatório, mas continuem tentando. Quem sabe, um dia, vocês avançam…

    Abç

    Comentário por Agnes Mariano — 31 de março de 2008 @ 18:52

  20. Eu sabia, desde muito tempo, sobre a existencia desta dança. Legal que podemos ver ao vivo como é dançada e dançar e nos divertir com ela.

    Comentário por Neuza Antunes — 1 de abril de 2008 @ 14:52

  21. estou aqui para conhecer,defender,dançar e mostrar a cultura negra sempre.o kuduro assim como a dança afro possui toda uma história que pode ser repassada de maneira lúdica,mais com uma intenção educacional e aberta a processos de mudanças e transformações .pode ser porcaria para aqueles que insistem em injetar cada vez mais a idéia de que “coisa de negro não presta”parabéns !tou na lutaaaaaaaaaa!

    Comentário por marilene miranda — 4 de abril de 2008 @ 4:13

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