Terra Magazine

30 de abril de 2008

Quadrilha de velhinhos apresenta-se em festival

iurirubim às 17:23

Os 25 mil habitantes da pequena cidade de Igaci, a 150 km de Maceió, têm um programa diferente para fazer neste 1º. de maio. É o Festival de Música Popular Nordestina Cantores do Mulungu, realizado pela Associação Comunitária de Arte Cultural do Agreste/ Ponto de Cultura Umbu-Caju, no Sítio Cachoeira (Estrada das Caraibinhas), zona rural do município.

Esta é a primeira edição do festival, que começa às oito da manhã e só acaba na hora do sol se pôr. No programa, muito forró pé de serra, cordel, poesia matuta, coco de roda e de embolada, trovas, aboios e toadas. “Só é proibido aquele forró eletrizado”, conta José Leão Silva, organizador da festança.

- Essa posição é para reforçar o lado tradicional da nossa cultura. Por quê? Porque o Ponto de Cultura Umbu-Caju procura o sentido na produção local. Tradições querem dizer respeitar a nossa história, identidade. E Cultura é a identidade de um povo. Nós, que somos extremamente nordestinos, preservamos – diz o presidente da associação.

Para José Leão, a defesa das tradições nordestinas é uma questão de cidadania. “Nós temos uma política cultural de cidadania e nem sempre os poderes constituídos compreendem”, ressalta.

O próprio nome do festival refere-se à lida diária dos trabalhadores rurais. Durante o festival, será distribuído gratuitamente um cordel revelando quem são, afinal, os cantores do mulungu.

- Eu era muito pequeno e admirava os pássaros que faziam seus ninhos no mulungu, exatamente onde os agricultores chegavam de madrugada vindo de longe para trabalhar no roçado. Nesta árvore tinha ninho de vários pássaros, os trabalhadores ainda dormiam um sono até amanhecer o dia, e acordavam com o cantar dos pássaros, os cantores do mulungu.

Além do imaginário de criança, a expressão “cantores do mulungu” faz uma alusão à situação dos trabalhadores que, “ouvindo os pássaros, saiam cantando, mesmo com toda a tristeza”, lembra Leão.

Entre 300 a 500 pessoas são esperadas para dançar no chão de terra batida do pátio da associação comunitária. Já está confirmada a participação de vários sanfoneiros e violeiros, do Reizado das Caraibinhas e do Grupo Alegria de Viver, uma quadrilha matuta cujos membros têm idade superior a 60 anos.

- Mas, como assim, 60 anos? – pergunto.

- É isso mesmo. Eles são da sede (Igaci). Eram todos aposentados e viviam desprovidos de lazer e entretenimento quando resolveram fundar esta quadrilha. E olhe que já é a terceira vez que vão se apresentar num evento nosso… – responde Leão.

Tento, em vão, conseguir os telefones dos membros da quadrilha. “A dona Eunice e o senhor Eleno são meios que acanhados para entrevistas”, me conta Leão.

Infelizmente, a distância dos grandes centros cobra seu preço e o festival não terá recursos para cachês, nem locomoção para os participantes. Mas não é essa a escrita do povo nordestino? Enfrentar seca, sol e chuva para contar seus “causos” e ouvir e dançar, suas músicas?

Tomara que os “cantores do mulungu” ainda cantem em muitos festivais!

Contato: José Leão (mundial@eletronicamundial.com.br)

Fotos: Arquivo da Associação Comunitária de Arte Cultural do Agreste/ Ponto de Cultura Umbu-Caju (eventos realizados pela associação)

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Expedição dos parques nacionais em novo site

iurirubim às 9:22

Lembram do Eduardo Issa, o fotógrafo que montou uma expedição para registrar as imagens de todos os parques nacionais brasileiros (aqui e aqui)?

Pois ele acaba de lançar um site. Além de números da aventura, dá para ver fotos e vídeos e ler o diário de bordo do fotógrafo. O endereço é: http://expedicaoparquesnacionais.com.br

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28 de abril de 2008

Esgotos de São Paulo viram galeria de arte

iurirubim às 11:14

“Galeria” é uma palavra usada para os universos tão distintos da arte e dos esgotos. Normalmente, as coincidências ficam por aí. Mas o grafiteiro e artista plástico Zezão mudou essa história. Há treze anos em atividade, ele faz das intervenções em locais abandonados e nos subterrâneos da cidade a sua marca registrada.

Zezão tem 36 anos e começou a grafitar em 1995. Apesar da relativa estabilidade de que desfruta hoje, sua jornada não foi nada fácil. “Não tenho vergonha de dizer não: já passei fome mesmo”, diz. Foi justamente o grafite que o ajudou a superar a fase mais difícil de sua vida.

- Estava deprimido e sentia uma necessidade enorme de pintar, me expressar. Como tinha muita repressão na rua, passei a ver os lugares abandonados como alternativa. Quando grafitei pela primeira vez no antigo moinho Matarazzo nem tinha favela lá, era só lugar de usuário de drogas. Pesado, negativo, mas me fazia bem porque eu podia pintar ali.

A descoberta dos subterrâneos veio apenas em 2000, como decorrência da busca pelo isolamento. “Pode parecer engraçado, mas aquele ambiente escuro, vazio me ajudava a fazer minhas meditações”. O artista revela como esses ambientes inóspitos o ajudaram:

- Embora tenha sido uma fase difícil, foi importante. Consegui encontrar minha paz naqueles lugares. E aí que comecei a encontrar uma arquitetura diferente e enxergar uma beleza naqueles locais, sempre considerados feios, negativos.

Hoje, Zezão vê seu trabalho intimamente ligado a questões sociais e políticas. Considera-se um artista-ativista. “Quero apontar uma doença da cidade, seus lugares abandonados e também deixar esses espaços mais bonitos para pessoas que nunca viram o que é um museu”.

Essa busca incessante o leva a situações extremas. “Vou lá, arrisco minha vida. Fico exposto a doenças, violência. Quero ser lembrado como uma pessoa que teve essa coragem e essa preocupação”.

Certa vez, Zezão teve o apoio para um projeto com o Itaú recusado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Alegaram que pelas condições de insalubridade e riscos à saúde, não poderiam assumir a responsabilidade por Zezão.

- Sabe o que eu fiz? Desliguei o telefone e corri para lá. Fiz tudo o que estava programado do mesmo jeito, sem autorização nenhuma.

“Grafite só é mesmo grafite quando for ilegal”

Zezão defende que a subversão é o espírito do grafite. São treze anos de muitos atritos com a polícia (“especialmente antes do ano 2000”), de tintas apreendidas, de tardes inteiras na delegacia.

- Eu, independente da regra do jogo, sou um grafiteiro e seguro toda bronca. Todo trabalho de grafite é ilegal. Mas isso nunca me amedrontou. O escrito do grafite é esse e ele não pode mudar.

Ainda assim, o artista reconhece o grafite está expandindo suas fronteiras. Lembra que a arte do spray era muito ligada à cultura hip hop, aos “maloqueiros”, à marcação do território pelas gangues.

"É com essas armas e com essas munições que eu escrevo
o meu nome no concreto da babylonia…." Zezão

- Tem artista que vai na casa da pessoa, pega autorização; outro está mais preocupado com pichação, marcar território. Eu faço os dois. Até porque tem umas obras, uns murais que levo seis, oito horas pintando e uso até 80 latas de spray… Aí não dá, né?

O que Zezão não admite mesmo é que descaracterizem a prática, deixando de lado os aspectos da subversão e a relação com a rua.

- Museu, galeria não é considerado grafite. Para virar grafite, eu teria que ir lá à noite, arrombar as portas e pintar onde quiser. O que faço nas galerias hoje é uma releitura do trabalho da rua para as artes plásticas - afirma.

“Na rua, sou mais eu mesmo”

Zezão, que antes do grafite foi motorista e motoboy, prefere a bicicleta para seu “rolê”, quando roda a cidade em busca de novos pontos para suas interferências. A bicicleta, aliás, é elemento recorrente nos registros fotográficos que faz de suas obras.

- Na bicicleta, eu sinto a rua me tocar. Gosto de escutar o barulho da cidade, sentir o cheiro. Quando vou fazer grafite tem que ser de bicicleta. Até para chegar nos lugares na boa, humildemente, sem ofender ninguém.

Pergunto a ele como se relaciona com as pessoas dos locais onde grafita.

- Eu não posso jamais deixar de tratar o ser humano que está lá de igual para igual. Chego, peço licença para pintar ali na casa dele (porque esses lugares são a casa deles, né?), começo um diálogo, sempre com muito respeito.

Algumas vezes, os moradores de rua retrucam: “Mas eu não tenho dinheiro…”.

- Você precisa ver a gratidão que ficam. Daí você começa a conhecer as histórias dos caras. Histórias dramáticas. Naqueles 20 minutos que você está pintando, conversa com eles, cria uma relação afetiva. O maior reconhecimento pra mim é o deles. Ali não sou famoso, mas quando passo um deles diz para o outro: “esse é o Zezão, que pintou lá o muro”. Sempre paro, abraço todo mundo. Tenho esse público underground!

A rua é onde Zezão se sente mais confortável. Compara os dois ambientes que transita com uma entrevista de emprego e um chope com os amigos.

- Hoje tenho que me reunir com um monte de gente que precisa saber que não está conversando com um maluco. Converso com curadores, patrocinadores. É como ir a uma entrevista de emprego, sabe? Assumo que sou maloqueiro mesmo. Quando vou pintar na rua, eu sou mais eu mesmo.

Nas catacumbas de Paris

Embora já tenha feito trabalhos para grandes galerias e clientes e exposto fora do país, Zezão não perde a oportunidade de subverter os ambientes, onde quer que esteja, e deixar sua marca, de preferência nos subterrâneos.

Recentemente, esteve em Paris, cidade em que passou por uma das experiências mais marcantes de sua vida: conhecer as catacumbas da capital francesa.

- Tive que invadir um túnel do metrô. Pular dentro da linha. Passar por detrás da câmera. Andar na linha de metrô e entrar em buraco. Entrei de noite e saí às 7 da manhã. Das nove 9 horas que fiquei lá, tive muito medo nas primeiras três! Imagine como deve ser um francês chegar no Brasil e despontar numa favela…


Antes de Paris, os subterrâneos de Brighton (Inglaterra)

Zezão conta que conheceu uma cultura underground - os cataphiles, que exploram constantemente os 300 km de catacumbas e usam velas para enxergar abaixo da cidade-luz.

- Aprendi que os cataphiles usam vela. Lanterna é polícia. Eu poderia ser pego pela polícia, ir preso, ser deportado… ou me perder lá dentro também. Sabia disso tudo, mas essa é a minha arte, minha válvula de escape.

Fotos: Zezão [à exceção de João Wainer ( foto 2), Felipe Lopez (foto 4)]

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27 de abril de 2008

Violeiros disputam espaço em feira com CDs piratas

iurirubim às 10:33

Muita gente e muito barulho. É sábado, dia de feira-livre em Irará, no interior da Bahia. Na manhã ensolarada de 19 de abril, o grande comércio a céu aberto, da mais que centenária feira, não é muito diferente de outros sábados.


Os violeiros Bráulio Pinto e Antônio Queiroz

Barracas, ambulantes, anunciantes. Vende-se e propagandeia-se de tudo.

A feira, posicionada em duas praças e cinco ruas, estendendo-se até o centro de abastecimento, tem grande diversidade. Encontram-se frutas, verduras, roupas, ferramentas e utensílios domésticos, entre outros. Nas barracas e no chão.


Aglomeração para ver as violas na feira

Há também muitos carros de som. As “vitrolas sobre rodas” anunciam bingos, festas e os reclames do comércio local.

Forte marca identitária da economia e da cultura de Irará, a feira-livre há algum tempo é mais economia do que cultura. Melhor dizendo - antes do inicio de qualquer debate antropológico - ainda é forte cultura, só que com menos arte.

(A arte e o comércio, também não seriam cultura? Sim… calma, deixem o debate para depois).

Polêmicas à parte, o que se pretende dizer, é que a participação de artistas, com apresentações ao vivo, na feira-livre de Irará têm sido diminuída, pior, acho que zerada mesmo.

Nos últimos anos, uma das atividades do Colóquio de Literatura Popular tenta mudar um pouco esse quadro.

O evento, realizado pela terceira vez em quatro anos, é uma iniciativa da Casa da Cultura de Irará, com o patrocínio do Banco do Nordeste, com o objetivo de incentivar a leitura no município. E uma de suas etapas consiste em apresentar o cordel e o repente na feira-livre.

A programação de 2008 é aberta na quinta-feira, dia 17. No sábado, dia de feira, as atividades começam com a apresentação da dupla de repentistas Antônio Queiroz e Bráulio Pinto.


Bráulio Pinto - nome e sobrenome

Isso mesmo. Não é ironia, nem apelido. Nome e sobrenome. Antônio Queiroz, acompanhado de seu mais novo pareia: “Bráulio Pinto”. A dupla mal inicia seus acordes e já tem gente perguntando se eles vão vender CD.

É claro que vão. Em cima de uma mesa de bar, ao lado do toldo onde estão se apresentado, no meio da praça, junto a uma porção de livretos de cordel, estão à venda vários CDs de Repentistas e Violeiros. A gosto do freguês.

Alguns populares se aproximam. Muitos pegam, olham. Poucos levam. Ao lado, mais ou menos uma dezena de barracas comercializam CDs e DVDs piratas de montão. Lá, acha-se com facilidade o “créu” e os “aviões” (mandando chupar “que é de uva”), entre outros. Grupos que as rádios comerciais e até (sic) comunitárias da região, não se cansam de tocar.


CDs piratas concorrem com o cordel

Demonstrando certa indiferença à apresentação dos violeiros, os ambulantes dos CDs e DVDs piratas, exército de mão de obra empurrada para informalidade, seguem no trabalho. Caixa de som estrondando, para exibir o seu produto a qualquer possível comprador.

Um dos organizadores do Colóquio vai até lá e pede que seja respeitada a apresentação dos repentistas. “Baixe o som, na moral!” – solicita. Mas parece ser em vão. O fiscal da prefeitura vem em seu socorro.

A cena sugere um capítulo da endiabrada peleja entre o Santo Guerreiro da Cultura Popular Nordestina contra o Dragão da Maldade da Cultura de Massa.

Uma trégua. Os ambulantes acabam abaixando um pouco o som. Afinal, eles estão ali todo sábado. Os violeiros, só quando tem Colóquio.

Na hora em que o som de Queiroz e Pinto torna-se o mais alto da praça, muitas pessoas já estão acompanhando os versos feitos de improviso por eles. Elogiam a feira e a cidade. Falam da vida no sertão, da labuta do trabalhador rural e da sua “lista de compras” na feira-livre. Agradecem a oportunidade de estarem tocando naquele ambiente.


Viola também faz samba!

Depois, entram no samba. Na base do pandeiro e da viola, eles começam a cantar várias cantigas e vai aparecendo gente para sambar. Um senhor, morador da comunidade do Largo São José, é o mais animado. Alguns outros também vão entrando na roda de samba.

Assim foi até o meio dia. Quando os violeiros terminaram a apresentação, ainda teve leitura de cordéis com Jotacê Freitas. Depois, o Colóquio de Literatura Popular seguiu com a sua programação.

Teve Oficina de Literatura de Cordel à tarde e, à noite, lançamentos de livros e cordéis, recital de poesias Vinhos & Versos, jantar com comidas típicas e música ao vivo. No domingo, dia 20, aconteceram atividades para crianças e para os idosos da Casa Jesus Maria José, samba-de-roda e bandas da chamada música de raiz, no coreto da cidade.


Uma vez por ano, o Colóquio de Literatura Popular agita Irará

Além de toda a qualidade de seu programa nos quatro dias de duração, O Colóquio de Literatura Popular, este ano, em edição comemorativa aos 25 anos da Casa da Cultura de Irará, foi, mais uma vez, para junto do povo. Fazendo o cordel e o repente, aparecer assim, de repente, na feira-livre.

Fotos: Katiene Suzart

Roberto Martins, iraraense, é produtor cultural formado pela Universidade Federal da Bahia. Ele é o idealizador e coordenador do Colóquio de Literatura Popular, criado quando esteve à frente da Casa da Cultura de Irará.

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26 de abril de 2008

Inscrições abertas para o CineCufa

iurirubim às 23:42

O CineCufa, festival dedicado a obras audiovisuais produzidas por periferias de todo o mundo, está com inscrições abertas até 31 de maio.

O festival procura mostrar um novo ponto de vista à sociedade, no qual o foco de atuação dos envolvidos não se limita a apenas estarem à frente das câmeras, mas também por atrás delas.

Acontece de 9 a 21 de setembro, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Ficha de inscrição e outras informações: www.cinecufa.com.br

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25 de abril de 2008

Terra de João Ubaldo recebe contadores de história

iurirubim às 9:49

Olhos arregalados e imaginação à flor da pele. Foi assim que cerca de 100 crianças participaram ontem (24/4) do Festival de Contadores de Histórias, na Ilha de Itaparica (BA).

Esta é a terceira vez que a arte de narrar fábulas, contos e lendas toma de assalto a ilha onde nasceu o escritor João Ubaldo Ribeiro. A Biblioteca Juracy Magalhães Júnior foi o local escolhido para a palavra falada dar vida aos personagens que povoam o imaginário infanto-juvenil.

As crianças de cinco escolas da região assistiram, ouviram e se deslumbraram com as histórias: Bruxa, bruxa, venha a minha festa; Que bicho será que botou o ovo; A cachoeira encantada; A lebre e a tartaruga; O cavalo e o passarinho; A formiga Fifi.

As duas últimas são especiais: foram criadas pelas próprias contadoras Reinalice Pereira e Julia Lima de Souza, respectivamente.

A arte de contar histórias vem da tradição oral. Diversas fábulas atravessaram séculos e países distantes através de relatos e de pais e mães que contavam histórias aos seus filhos. Contudo, essa tradição vem sendo esquecida.

- Cresci ouvindo história de meus pais antes de dormir. Esta prática faz parte da minha educação infantil e através disto tomei como profissão transmitir o fascínio e dramaturgia dos contos e lendas para outras crianças – lembra a professora de educação infantil, Selma Carneiro, contadora de histórias há quinze anos.

A contadora Marli Santana conta que começou a narrar histórias para crianças há cinco anos, através das atividades que exercia na Biblioteca.

- O incentivo à literatura oral e a valorização do livro são os princípios fundamentais para os contadores de histórias. Essas narrativas incentivam a leitura – afirma.

Para além desse incentivo, a educadora também ressalta a troca de lugares que as contadoras assumem, ao exercerem o papel outrora das mães e pais. "Quando contamos histórias infantis, levamos ao coração das crianças um mundo cheio de amor e compreensão e criamos nelas sensações imaginativas e criativas".

Atentas, as crianças ouviam a tudo e respondiam às perguntas e provocações das contadoras.

- Gosto de ouvir histórias porque elas são alegres e seus personagens são divertidos - explica Drieli Santos Laranjeira, de seis anos, uma das mais atentas da platéia. Durante a contação de história, Drieli mostrou disposição e gosto pela atividade ao auxiliar Julia Lima na narração.

Educação através das palavras

Contadora de histórias há três anos, Rosângela Conceição destaca o papel educativo das narrativas e histórias tradicionais ao partilharem entre crianças e jovens valores fundamentais para as práticas sociais.

- Este papel é muito importante para reeducar as crianças no que diz respeito aos valores fundamentais da vida humana, tais como amizade, ética, afetividade, dentre outros – ressalta.

Selma Carneiro complementa: "O uso das narrativas, além de explorar a imaginação, permite transpor os limites do pensamento imaginário e possibilita o conhecimento e a criação".

Selma, que lançará, em breve, um livro autoral com histórias infantis com a temática da afrodescendência, resume o sentido do festival:

- Contar histórias é uma viagem ao mundo da imaginação.

O texto e as fotos acima são de autoria de Juliana Dias (juliana.csd@gmail.com), estudante de jornalismo e estagiária da Fundação Pedro Calmon.

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24 de abril de 2008

Biblioteca comunitária promove “Rua de Leitura”

iurirubim às 15:28

Lembram da Biblioteca Comunitária do Calabar? Neste sábado, em seu segundo aniversário, a biblioteca realiza a 1ª Rua de Leitura. Ruas, becos, vielas e a praça do bairro serão espaços de leitura para os moradores.

Programação:
14:00 – concentração na biblioteca
14:20 – instalação da Rua da Leitura na praça do JUC
15:30 – Cortejo performático poético pelas ruas, becos e vielas do bairro
16:30 – Grande roda de poesia, contação de história e vivência de teatro na praça do JUC
18:00 – distribuição de livreto com poesias do grupo de crianças da biblioteca

Participação especial da biblioteca comunitária do Cabula – grupo Viverarte e do Maccaca com Vozes Rútilas

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Bicicletada festeja o Dia do Trabalho

iurirubim às 12:02

A Bicicletada de Abril antecipa o Primeiro de Maio e festeja o Dia do Trabalho na hora do rush.

Uma homenagem a todos que vão ao trabalho ou ganham o pão sem usar motor.

A Bicicletada (Critical Mass) paulistana acontece sempre na última sexta feira do mês, desde 2002. Para participar, basta aparecer na Praça do Ciclista com um veículo não motorizado.

A concentração lúdico-trabalhadora está marcada para esta sexta (25/4), às 18h, na Praça do Ciclista: av. Paulista, alt. do 2440. Os pedais começam a se movimentar a partir das 20h. 

Não tem bicicleta? Peça uma emprestada.

Saiba mais sobre a bicicletada na matéria publicada pelo Blog das Ruas ou no próprio site do movimento: www.bicicletada.org.

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23 de abril de 2008

Revelação do chorinho grava CD aos 14 anos

iurirubim às 12:06

Como todo músico de choro, Robertinho Chinês ensaia, participa das rodas, faz apresentações. Recentemente, foi agraciado com o Premio “A Voz do Povo”, parte do Plano Fonográfico da Secretaria da Cultura do Maranhão, através do qual vai gravar seu primeiro CD.

Esta poderia ser a descrição da carreira ascendente de um jovem músico maranhense. O que ninguém espera é que o músico seja tão jovem: Robertinho Chinês tem apenas 14 anos.

- Ainda estou esperando um retorno da Secretaria de Cultura do Maranhão para saber a data exata do início das gravações, mas acredito que comecem agora no início de maio – diz Robertinho, com jeito e tranqüilidade de gente grande.

O disco, de música instrumental, vai mesclar composições próprias (!) com músicas tradicionais do choro maranhense. Robertinho me fala que a idéia do álbum surgiu quando soube do edital da Secretaria da Cultura. Pergunto como ele definiria esse disco de estréia.

- Vou fazer uma coisa bem moderna do choro. Não ficar só no choro tradicional. Pretendo usar formações diferentes, dar uma renovada – me diz.

A música para Robertinho Chinês é uma constante desde o berço. Seu pai, Chico Chinês, toca tamborim no grupo de samba Espinha de Bacalhau. Mas a paixão pelo choro e por seu instrumento – o cavaquinho – surgiu mesmo quando começou a fazer um curso de música.

- Tinha oito ou dez anos, não lembro direito. Primeiro, fiz aulas com o prof. Joãozinho. Depois fui para a Escola de Música do Estado do Maranhão – recorda Robertinho, forçando um pouco a memória.

Tem como referência o músico carioca Hamilton de Holanda, que começou a tocar bandolim aos seis anos de idade. Imagino que a tendência precoce não seja apenas uma mera coincidência… 

A revelação ludovicense (como são chamados os naturais de São Luís)  tocou profissionalmente pela primeira vez no Festival Maranhense de Música Carnavalesca, quando tinha apenas 12 anos. Dali em diante, passou a ser convidado cada vez mais para exibir sua habilidade com o cavaquinho.

- Muitas vezes, o músico de uma banda tem algum problema e me ligam perguntando se posso substituir ele. Faço trabalho com muitos músicos: Luís Jr, Da Fé, Arlinho do Pipiu…

- E quem contrata a banda não se surpreende com você, tocando lá no meio de todo mundo?

- Várias vezes. Na maioria das vezes quando toco, as pessoas se surpreendem. Não esperam esse bom gosto que poucas pessoas da minha idade têm – diz Robertinho, deixando modéstia de lado.

Pergunto se ele não se assusta por ser reconhecido tão jovem.

- Não. A música é uma coisa que quero pra vida toda. É o que eu quero fazer. Como vou me assustar com o que eu gosto? – rebate.

No último sábado, dia 19/4, foi o músico convidado da 28ª. edição do projeto “Clube do Choro Recebe”, no restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).

O jovem músico ainda não tem agenda fixa de shows, mas apresenta-se de sete a dez vezes por mês. Pergunto se os shows noturnos não atrapalham a escola.

Meio sem graça, diz que “já aconteceu de eu chegar muito tarde de apresentações e não conseguir ir para a aula pela manhã”. “Mas isso é muito raro”, garante, argumentando que as apresentações de chorinho geralmente começam cedo.

- E o que mais você gosta de fazer, além de tocar?

E Robertinho me responde com a inocência reveladora:

- Estudar, né?

Fotos: Ivo Segura (1); arquivo pessoal Robertinho Chinês (2 e 3)

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22 de abril de 2008

Mestre da capoeira vira doutor pela UFBA

iurirubim às 0:10

Mestre João Pequeno recebe na próxima quarta-feira (23/4) o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia. Aos 90 anos e ainda em atividade, o maior capoeirista vivo do Brasil será finalmente reconhecido pelo seu estado natal.

- Faltava que a Bahia fizesse ao Mestre João Pequeno uma homenagem que honrasse tudo que ele já fez pela capoeira e por nossa cultura - diz Pedro Abib, professor da Faculdade de Educação da UFBA e proponente do título.

De fato, João Pequeno já recebeu muitas homenagens por todo Brasil. Recebeu a comenda Zumbi dos Palmares, em Alagoas; a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mesmo outro título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade de Uberlândia (MG).

A entrega do título acontece no Salão Nobre da Reitoria, às 17h30. Segundo Abib, quem mais sai ganhando com a concessão do título é a Universidade Federal da Bahia.


Mestres João Grande e João Pequeno

- A capoeira nunca precisou de doutores. Estou feliz porque a UFBA agora tem em seus quadros de doutores um capoeirista. E mais: um capoeirista analfabeto. É muito importante para a universidade essa abertura para outros saberes, em especial os saberes populares – argumenta o professor.

A Capoeira Angola e o legado do Mestre Pastinha

João Pequeno teve um papel fundamental na preservação e propagação da Capoeira Angola, estilo considerado mais próximo de como os escravos jogavam capoeira. “Após a morte de Mestre Pastinha, em 1981, ficou tudo muito desarticulado e a Capoeira Angola corria o risco de extinção”, diz Abib, que também é aluno de João Pequeno.

Foi então que, em 1982, João Pequeno, principal discípulo do Mestre Pastinha, fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia João Pequeno de Pastinha, no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, conhecido hoje como “Forte da Capoeira”.

A criação do centro esportivo daria continuidade aos ensinamentos de Mestre Pastinha e formaria novos mestres da Capoeira Angola, que dali a levariam para o mundo.

- Acho que é importante sempre lembrar o papel que [o pesquisador de capoeira] Fred Abreu teve nesse processo. Foi ele quem convenceu João Pequeno a voltar à capoeira – enfatiza Pedro Abib, que também é aluno de João Pequeno.

Mestre Pastinha, pouco antes de falecer, havia perdido a casarão onde funcionava sua academia (atual restaurante do SENAC, no Largo do Pelourinho) e acabou morrendo na miséria. Como seu principal treinel, João Pequeno ficou desempregado e, para sobreviver, abandonou a capoeira, retomando a atividade de feirante em São Joaquim (Salvador).

Nascido João Pereira do Santos, em Araci (interior da Bahia), no dia 27 de dezembro 1917, João Pequeno teve muitas profissões antes da capoeira. Foi chamador de boi em plantações de cana, condutor de bondes, servente de pedreiro, pedreiro, mestre de obras, feirante e carvoeiro – chegou mesmo a ser conhecido como João do carvão.

Tal qual Mestre Pastinha, João Pequeno gosta de enfatizar o aspecto artístico da capoeira, uma dança na qual não se deve machucar o par. Para o Mestre de 90 anos, o capoeirista deve ser uma pessoa educada, “uma boa arvore para dar bons frutos”.

Fotos: Arquivo pessoal de Pedro Abib

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