BA: Biblioteca comunitária tem serviço delivery
A Biblioteca Comunitária do Calabar, em Salvador, descobriu um ótimo estímulo para conquistar novos leitores: levar os livros na casa de quem ainda não freqüenta a biblioteca. “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”, lembra Rosana, uma das jovens gestoras do espaço.

Esse serviço delivery é muito simples: os jovens da biblioteca identificam moradores da comunidade que ainda não adquiriram o hábito da leitura, colocam numa sacola livros que possam interessar a eles (como muita gente se conhece, essa tarefa é facilitada) e partem para as visitas.

A receptividade da “biblioteca de porta em porta” ainda é variada. “Tem gente que convida o jovem para entrar e serve até cafezinho. Já outras pessoas não gostam que vá gente na casa delas não”, conta Rita Margarete, a coordenadora geral da biblioteca.
Mas aos poucos a resistência é quebrada e mais e mais pessoas começam a sua jornada pelo antes distante universo das palavras.

Com quase dois anos de existência, a Biblioteca Comunitária do Calabar já virou referência na comunidade. “Chegam a perguntar para a gente que ônibus pegar”, diz Rita Margarete.
São pouco mais de seis mil livros e 622 usuários cadastrados. “Mas o número de usuários é maior porque só cadastramos pessoas com mais de 14 anos. As crianças são todas dependentes”, diz Igor, outro jovem gestor. Em março, foram alugados cerca de 120 livros.

O espaço surgiu a partir de um levantamento de necessidades feito pelos jovens da comunidade com o auxílio da ONG Avante. Dentre os resultados, que incluíam acesso à leitura, um posto de saúde e outras demandas por serviços públicos, optou-se pela biblioteca, algo que a comunidade poderia gerir sozinha.
O engraçado é que, logo na sua construção, a biblioteca ajudou jovens… canadenses! Esses jovens haviam deixado os estudos no Canadá e vir ao Brasil fazer um intercâmbio cultural foi uma forma de estimular sua volta às salas de aula.
Sob a coordenação de um marceneiro, os canadenses arregaçaram as mangas e ajudaram a montar o espaço. Os boxes e prateleiras que hoje abrigam os livros são fruto mais que concreto desse intercâmbio.

Hoje, dois anos depois da visita dos canadenses, a biblioteca realiza diariamente atividades lúdicas de estímulo à leitura.
Três jovens poetisas
Estou no meio de minha visita à biblioteca quando entram três garotinhas. Uma delas avisa: “Rosana, a escola soltou mais cedo hoje. Faltou água”. No instante seguinte, Talita (10), Milena (12) e Tarcila (11) sentam à mesa e nos fazem companhia.

- A gente vai aqui todos os dias. A gente pega livros, faz carta para outros países… – conta Talita, a mais desinibida das três.
- Estou com três livros para entregar – fala, animada, Tarcila.
Pergunto o que elas mais gostam de ler. Milena fala que gosta de histórias em quadrinhos e Tarcila de literatura infanto-juvenil e fábulas. O negócio de Talita são poesias. Ao ouvirem a colega, imediatamente as outras duas dizem: “É, poesia!”.

- Nós somos poéticas. Escrevemos poesias – diz Talita.
Elas recitam um poeminha que fizeram para Bárbara, uma das jovens gestoras da biblioteca:
Uma neguinha de mega-hair
Quando passa pela rua
Batem palma e ficam em pé
Tarcila também já escreveu um poema sobre o Calabar:
O Calabar
Em Salvador existe um bairro que chama Calabar
Nele vive muita gente
Alegre a cantar
O Calabar é um exemplo de bairro
Mesmo tendo violência
Não veja como problema
Veja como experiência
O Calabar procura sempre ajudar
As pessoas que querem trabalhar
O Calabar é um ponto turístico
Onde todos possam olhar
E não somente apontar
O Calabar tem muita gente “trabalhadeira”
Seja de qualquer religião
Seja de qualquer bandeira
Além de escreverem e declamarem poesias bairro afora, as “poéticas” também já escreveram uma peça de teatro, chamada “A Lição”.
- Era sobre duas crianças que a mãe maltratava, queimava com cigarro e colocava para vender bala na rua. Um dia, elas viram um bocado de crianças brincando e esqueceram de vender a bala. Aí a mãe dela brigou com elas – diz Milena.

Agora as meninas se dedicam a ensaiar uma peça escrita pelo grupo de teatro da jovem gestora Rosana, chamada “O Fim do Mundo”.
O amor das três pela biblioteca é tão grande que as respectivas mães já pediram ao pessoal de lá que mandem elas para casa às seis da tarde, com medo de que circulem sozinhas pelo bairro muito tarde.
Pergunto para elas o que a família acha de tamanha dedicação.
- A minha mãe diz: “continue freqüentando, minha filha, porque vai ser um futuro pra você” - conta, sorridente, Talita.
A Biblioteca Comunitária do Calabar apresentada por Milena, Tarcila e Talita.
Parabéns a todos pela iniciativa, pelo comprometimento e pelos resultados. O Brasil precisa de leitores e de bibliotecas atuantes.
Comentário por lídia — 21 de abril de 2008 @ 18:30
É salutar e até dá um novo ânimo ao trabalho que desenvolvemos com arte e literatura, saber que existem projetos vitorosos como a biblioteca do Calabar. Esse incentivo à leitura e ao conhecimento aflora a vontade de todos em colaborar com as comunidades ditas carentes, formando nos jovens o interesse e a oportunidade de ter contato com o conhecimento. Parabéns a todos os que se dedicam a esse majestoso trabalho!
Comentário por Saraiva Filho — 22 de abril de 2008 @ 8:25
Maior desafio do que montar uma biblioteca é dar vida e sentido à leitura. Bibliotecas não são depositos de livros e sim espaço de informação e cultura. Parabéns a equipe da Avante pelo belo projeto (em especial a minha amiga Rita Margareth) e, principalmente, aos jovens que tiveram a coragem de romper com os estereótipos de jovem de comunidade carente e hoje são verdadeiros soldados em prol da leitura como forma de transformação socio-cultural.
Comentário por Luciane Alcântara — 23 de abril de 2008 @ 17:19
Conheço um pouco do trabalho da Biblioteca Comunitária do Calabar, através dos relatos de Rita, sempre cheios de vida e de encantamento. Parabéns pelo trabalho e pela matéria. Gostei muito do Blog.
Cláudia Santa Rosa
Natal
Comentário por Cláudia Santa Rosa — 23 de abril de 2008 @ 18:37
A biblioteca Comunitária é o resultado do empenho e dedicação de uma equipe que com o apoio do Instituto C&A e, posteriormente, do programa A Tarde Educação, realizou o sonho de ter acesso e oferecer bom acervo aos moradores do Calabar e vizinhança. Todos unidos na tarefa de contribuir para o hábito da leitura.
Rita Margarete
Comentário por rita Margarete — 23 de abril de 2008 @ 22:08
Parabéns a todos envolvidos com esse projeto.É muito gratificante ver a dedicação que todos tiveram em colocar em prática o hábito de ler e conseguir envolver a comunidade de tal for, que agora até aqueles que não podem frequentar a biblioteca teram o prazer de ler em casa.Brilhante essa idéia!!!sou mto orgulhosa de um dia ter feito parte desse grupo, assim como os canadenses também devem está!!!!
Bjs saudaosos a todos e mto sucesso!!!!
Comentário por Halana Matos — 24 de abril de 2008 @ 0:57
Como diz a escritora Adriana Falcão “dificuldade é a parte que vem antes do sucesso”.
Parabéns ao pessoal da biblioteca por continuar enfrentando tantos desafios! Parabéns pelas pequenas conquistas e pelos sucessos! A humanidade agradece!
Sumaia
Comentário por Sumaia — 24 de abril de 2008 @ 8:06
Parabéns! pelo trabalho, iniciativa e principalmente comprometimento com as pessoas.
Abreijos
Comentário por Penhita — 24 de abril de 2008 @ 8:46
O trabalho que essa galera realiza de icentivo a leitura no bairro do Calabar é magnifico e deve ser bastante valorizado, continuem assim pessoal que vocês vam chegar ao seu objetivo!!!
Comentário por Igor e Rosana — 24 de abril de 2008 @ 8:53
vcs estão de parabés essa idéia foi ótima dessa forma conserteza muitas pessoas vão ter o asesso que ñ tinham antes.e sem falar que aqueles que tinham e por algum motivo deixaram de frequentar a biblioteca vão retomar as suas leituras…
Comentário por priscila silva — 24 de abril de 2008 @ 14:00
Sou meio suspeito para falar do encantamento que essa biblioteca passa, pois faço parte desde a sua construção e também, estou até hoje com esse desafio de coordenar este espaço maravilhoso. Mas venho agradecer em especial a Iuri que faz um trabalho maravilhoso e nos deus a honra de fazer parte do seu blog. Isso tenha certeza nos fortalece bastante, a estar caminhando firme e forte nesta arte que é incentivar a leitura e procurar atender da melhor forma a nossa comunidade. Agradeço também a todas as pessoas que fizeram os comentários, são esses reconhecimentos que nos alimentam mais e mais.
Comentário por rodrigo Pita — 24 de abril de 2008 @ 19:18
Sou meio suspeito para falar do encantamento que essa biblioteca passa, pois faço parte desde a sua construção e também, estou até hoje com esse desafio de coordenar este espaço maravilhoso. Mas venho agradecer em especial a Iuri que faz um trabalho maravilhoso e nos deus a honra de fazer parte do seu blog. Isso tenha certeza nos fortalece bastante, a estar caminhando firme e forte nesta arte que é incentivar a leitura e procurar atender da melhor forma a nossa comunidade. Agradeço também a todas as pessoas que fizeram os comentários, são esses reconhecimentos que nos alimentam mais e mais.
Comentário por rodrigo Pita — 24 de abril de 2008 @ 19:25
Sou meio suspeito para falar do encantamento que essa biblioteca passa, pois faço parte desde a sua construção e também, estou até hoje com esse desafio de coordenar este espaço maravilhoso. Mas venho agradecer em especial a Iuri que faz um trabalho maravilhoso e nos deus a honra de fazer parte do seu blog. Isso tenha certeza nos fortalece bastante, a estar caminhando firme e forte nesta arte que é incentivar a leitura e procurar atender da melhor forma a nossa comunidade. Agradeço também a todas as pessoas que fizeram os comentários, são esses reconhecimentos que nos alimentam mais e mais.
Comentário por rodrigo Pita — 24 de abril de 2008 @ 19:27
Primeiramente, parabéns!
Em seguida, uma pergunta: a biblioteca já tem computador e internet?
É mera curiosidade, mas, por favor, respondam.
Forte abraço,
Elvis Kempes
(Sábado, 24 ABR 2008 - 21:54).
Comentário por Elvis Kempes — 26 de abril de 2008 @ 21:54
A biblioteca já tem computador e a net é compartilhada nós não temos telefone fixo.
Comentário por Igor — 13 de maio de 2008 @ 12:01