Terra Magazine

25 de abril de 2008

Terra de João Ubaldo recebe contadores de história

iurirubim às 9:49

Olhos arregalados e imaginação à flor da pele. Foi assim que cerca de 100 crianças participaram ontem (24/4) do Festival de Contadores de Histórias, na Ilha de Itaparica (BA).

Esta é a terceira vez que a arte de narrar fábulas, contos e lendas toma de assalto a ilha onde nasceu o escritor João Ubaldo Ribeiro. A Biblioteca Juracy Magalhães Júnior foi o local escolhido para a palavra falada dar vida aos personagens que povoam o imaginário infanto-juvenil.

As crianças de cinco escolas da região assistiram, ouviram e se deslumbraram com as histórias: Bruxa, bruxa, venha a minha festa; Que bicho será que botou o ovo; A cachoeira encantada; A lebre e a tartaruga; O cavalo e o passarinho; A formiga Fifi.

As duas últimas são especiais: foram criadas pelas próprias contadoras Reinalice Pereira e Julia Lima de Souza, respectivamente.

A arte de contar histórias vem da tradição oral. Diversas fábulas atravessaram séculos e países distantes através de relatos e de pais e mães que contavam histórias aos seus filhos. Contudo, essa tradição vem sendo esquecida.

- Cresci ouvindo história de meus pais antes de dormir. Esta prática faz parte da minha educação infantil e através disto tomei como profissão transmitir o fascínio e dramaturgia dos contos e lendas para outras crianças – lembra a professora de educação infantil, Selma Carneiro, contadora de histórias há quinze anos.

A contadora Marli Santana conta que começou a narrar histórias para crianças há cinco anos, através das atividades que exercia na Biblioteca.

- O incentivo à literatura oral e a valorização do livro são os princípios fundamentais para os contadores de histórias. Essas narrativas incentivam a leitura – afirma.

Para além desse incentivo, a educadora também ressalta a troca de lugares que as contadoras assumem, ao exercerem o papel outrora das mães e pais. "Quando contamos histórias infantis, levamos ao coração das crianças um mundo cheio de amor e compreensão e criamos nelas sensações imaginativas e criativas".

Atentas, as crianças ouviam a tudo e respondiam às perguntas e provocações das contadoras.

- Gosto de ouvir histórias porque elas são alegres e seus personagens são divertidos - explica Drieli Santos Laranjeira, de seis anos, uma das mais atentas da platéia. Durante a contação de história, Drieli mostrou disposição e gosto pela atividade ao auxiliar Julia Lima na narração.

Educação através das palavras

Contadora de histórias há três anos, Rosângela Conceição destaca o papel educativo das narrativas e histórias tradicionais ao partilharem entre crianças e jovens valores fundamentais para as práticas sociais.

- Este papel é muito importante para reeducar as crianças no que diz respeito aos valores fundamentais da vida humana, tais como amizade, ética, afetividade, dentre outros – ressalta.

Selma Carneiro complementa: "O uso das narrativas, além de explorar a imaginação, permite transpor os limites do pensamento imaginário e possibilita o conhecimento e a criação".

Selma, que lançará, em breve, um livro autoral com histórias infantis com a temática da afrodescendência, resume o sentido do festival:

- Contar histórias é uma viagem ao mundo da imaginação.

O texto e as fotos acima são de autoria de Juliana Dias (juliana.csd@gmail.com), estudante de jornalismo e estagiária da Fundação Pedro Calmon.

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