Terra Magazine

31 de maio de 2008

MT: Encontro de hip hop tem batalha de break dance

iurirubim às 18:12

Amanhã, dia primeiro de junho, acontece em Rondonópolis (MT) a segunda edição do Hip Hop em Movimento.

Organizado pelo coletivo e banda de hip hop Demonstrô, o encontro vai ter batalhas de break dance e reunir rappers de Rondonópolis, Cuiabá e Primavera do Leste. O microfone também vai estar aberto novos talentos.
O movimento vai acontecer na praça Bom Jesus da Vila Operária, bairro periférico da cidade, a partir das 14h. A entrada é grátis e as inscrições para os microfones também.

Esta é a segunda edição do encontro mas seu objetivo é o mesmo: criar um espaço de visibilidade para as bandas locais, e também para o público da cidade.

Segundo a organização do evento, a movimentação de hip hop em Rondonópolis está concentrada apenas nos locais de ensaio dos grupos e de treinos dos B.boys, por isso a necessidade de realizar eventos, nos quais os artistas locais possam ter mais visibilidade.

O primeiro encontro aconteceu em dezembro de 2007 e trouxe à cidade Rei Rapper e Cezza, de Cuiabá, além dos grupos de rap Profeta do rap, Demonstrô e MC Mente Criativa da própria cidade. Nesta edição está confirmada a presença do grupo Gravidade 0, da capital matogrossense.
Leia a seguir a entrevista com dj Kbção, do coletivo Demonstrô, que fala sobre o evento:

Como vai ser o evento e quem são os grupos que vão participar?

Neste evento vamos focar mais o break dance. Vamos fazer uma batalha 1 x 1 e convidamos mais as crew aqui da cidade de Rondonópolis mesmo. E se manifestaram a vir também uma crew de Cuiabá (gravidade 0) e 4 b.boys de Primavera do Leste. Além da batalha de break. vamos deixar microfone aberto. Se alguém quiser mandar a rima terá total espaço.


dj kbção no comando das pickups

Quantos artistas participaram da primeira edição? E qual foi o público?
Na primeira edição participaram os grupos de rap Profeta do rap, Demonstrô e MC Mente Criativa de Rondonópolis, Rei rapper e Cezza de Cuiabá. Divulgamos Linha Dura e dj Taba, mas dias antes do evento aconteceu imprevisto com dj taba e eles não puderam vir.

O público que compareceu no evento sinceramente números exatos não sei, mas como salão é bem grande e cabe mais de 1000 pessoas e pela quantidade de alimento recebido, ficou em média de 500 pessoas.

Qual é o principal objetivo do encontro?

Objetivo maior é ampliar público. Creio eu que, com mais formação de público, os grupos e artistas do hip hop terão visibilidade maior e com certeza mais eventos acontecerão com freqüência.

O evento também tem como objetivo revelar novos talentos?

Sim. A vontade é que a cada evento surjam novos b.boys, b.girls e grupos de rap. Todo evento que a gente se organiza para realizar, a gente deixa espaço aberto pra que alguém possa se apresentar.

Porque vocês escolherem focar no break dance nesse segundo encontro?

Então decidimos focar break pois notamos vários b.boys espalhado pela cidade e muito poucos eventos (batalhas), a não ser onde eles treinam. E vamos dar uma movimentada na cena mas sem deixar de lado os outros elementos do hip hop.


dj kbção: "vamos dar uma movimentada na cena"

Quem é que integra o coletivo Demonstrô e há quanto tempo ele existe?

Estamos juntos desde 2006. Demontrô é composto por 4 integrantes são eles: Mano, hugo, verbo e dj kbção. Demonstrô é uma junção de 3 grupos: relato sonoro, terapia e verbo hediondo.

É mais fácil ou mais difícil montar um coletivo de hip hop em comparação a outros gêneros musicais (rock, por exemplo)?

Comparando ao outros gêneros eu não sei qual a dificuldade deles e se tem. No hip hop pra nós por exemplo todos têm que ter o mesmo pensamento. Tem que estar em sintonia um com outro, do vocalista ao dj, se não complica.

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30 de maio de 2008

MG: Artesã ensina comunidade a viver da cerâmica

iurirubim às 16:30

Conhecer a Dona Izabel é algo fenomenal, mas a sua história é digna de ser perpetuada e virar lenda assim como as histórias relatadas nos 24 cantos da Odisséia.

O barro foi a sua única forma de sobrevivência após o falecimento de seu marido, com dois filhos para sustentar (Amadeu e Maria Madalena) e mais dois adotivos.


Esta boneca encontra-se do Amadeu Mendes, filho de
Dona Izabel. Um presente para o filho

A sugestão dos vizinhos e amigos a Dona Izabel era para que ela desse os seus filhos para outra família de melhor condição cuidar deles. “Não, Deus me deu, Deus me dará um jeito pra eu cuidar de meus filhos, vou fazer o que eu sei fazer melhor, vou fazer minhas panelas de barro”, dizia Dona Izabel.

Dona Izabel conta que a época de chuva era quando ela se dedicava em fazer potes para água, muito comum no interior.

- Eu dava graças a Deus quando chegava a época das águas, por que eu vendia muitos potes. Eu podia fazer muitos que eu tinha certeza que venderia. As pessoas iam pegar água no rio e escorregava, por que estava molhado, e o pote caia e quebrava. Aí eles vinham me procurar, eu não desejava mal a ninguém não para o potes quebrar, mas as pessoas deixavam cair e era só eu que fazia – lembra, rindo.


Dona Izabel Mendes Cunha

Todo sábado, ela acordava pela manhã e caminhava 11 km de Santana do Araçuaí até a BR 116 em busca de alguma carona ou um pau-de-arara. Assim, ela venderia as suas peças em Padre Paraíso , Ponto dos Volantes ou Itaobim.

O dinheiro da venda de suas peças (naquela época eram somente feitas panelas, potes, filtros e outros utensílios domésticos) era revertido em comida para os filhos, que muitas vezes ficavam em casa sem ter o que comer a espera de sua guerreira mãe.

Conta Dona Izabel que as suas famosas bonecas começaram a aparecer em sua mente quando ainda era criança: a sua mãe também fazia utensílios de barro e ela ficava a sua volta pegando um pedaço e outro de barro e com eles modelavam as suas bonecas.

Esses eram os seus únicos brinquedos. Ela, que sempre sonhava em ter uma boneca de verdade, tinha somente bonecas de barro.

Certa vez, resolveu fazer uma boneca para vender junto as suas peças de utensílios domésticos, mas por ser uma boneca e ser mais “trabalhosa” que uma panela, o valor não poderia ser igual, houve resistência das pessoas em comprar a boneca.

A descoberta de Dona Izabel foi nos anos 70, em um dia em que ela foi convidada a participar de uma festa em Araçuaí. Lá, conheceu pessoas que admiraram seu trabalho.


Dona Izabel ganhou uma estátua na praça da cidade

Um senhor comprou todas as suas peças e quis saber onde morava aquela talentosa senhora. Passaram-se alguns dias e um carro chegou a Santana do Araçuaí. O motorista estava à procura de Dona Izabel.

Naqueles dias, Amadeu, seu filho, ainda menino, gostava de “pegar” passarinhos e logo os moradores disseram: “Izabel, corre lá pro mercado por que tem um homem lá procurando você e parece que é da policia. Deve ser os passarinhos que Amadeu andou pegando”.

Mais que depressa, Dona Izabel correu para ver do que se tratava. Chegando lá, ela encontra com o senhor que havia comprado todas as suas peças em Araçuaí com mais outro homem, esse ultimo era da extinta CODEVALE.

A CODEVALE passou a revender as peças de Dona Izabel em sua loja em BH, e pegava as suas obras em sua casa em Santana do Araçuaí. Desde então a Dona Izabel nunca mais precisou andar para vender as suas obras.

Daí pro sucesso foi um pulo. Com isso, os moradores de Santana viram que Dona Izabel realmente tinha razão: o barro tem valor. A Mahatma Izabel Mendes Cunha, que sem nenhum interesse futuro, ensinou aos moradores de Santana a trabalhar com a cerâmica e viver dela.

Mas o reconhecimento veio com o tempo. Dona Izabel ensinou, com amor e prazer, a sua arte a todos aqueles que vinham até ela a fim de aprender e nunca cobrou nada em troca disso. Hoje, em Santana do Araçuaí, 40 famílias vivem da cerâmica.


Placa de reconhecimento

Em 2004, Dona Izabel ganhou o primeiro lugar do prêmio UNESCO de artesanato, concorrendo em toda a América Latina e o Caribe. Em sua homenagem, os moradores de Santana do Araçuaí fizeram uma estátua no centro da praça municipal.

A mãe de todas as bonecas de cerâmica do vale não se importa que outras pessoas falem que foram elas as criadoras das bonecas. O importante, segundo Dona Izabel, é que a arte seja feita e que eles possam trabalhar a sustentar as suas famílias.


Estátua com que D. Izabel venceu prêmio da UNESCO

Hoje, Donas Izabel têm bonecas de verdade e se diverte com as suas netas brincando de casinha e outras coisas que ela não teve oportunidade quando criança.

Ediel Rangel, autor do texto e das fotos acima, visitou, junto com Ciro Rafael, os vales do Mucuri e Jequitinhonha em Minas Gerais. O resultado da pesquisa foi o site Arte no Vale, que conta a história de Dona Izabel e diversos artistas da região. Ediel Rangel também produziu outro site, sobre sua cidade natal, Itaipé.

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29 de maio de 2008

Salvador ganha estátua de Zumbi dos Palmares

iurirubim às 16:27

O Grêmio Comunitário e Carnavalesco A Mulherada inaugura nesta terça-feira, 30 de maio, às 10h, na Praça da Sé, em Salvador, uma estátua em homenagem a Zumbi dos Palmares, um dos maiores símbolos da resistência de lutas contra o escravismo no Brasil.

De acordo com Mônica Kalile, do grupo A Mulherada, todo o evento será registrado para a produção de um DVD educativo que será distribuído gratuitamente nas escolas, organizações sociais e bibliotecas do Brasil.

O projeto da estátua, de autoria do grupo, possui 2,20 metros de altura em bronze.

Nela, Zumbi segura uma lança em uma das mãos e na outra segura uma adaga de 60 cm, que representa o poder de grandes líderes africanos e demonstra ainda austeridade, vigilância, sagacidade daquele que é considerado um verdadeiro guardião do povo negro brasileiro.

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PE: Mestre Popular leva arte do pífano à feira

iurirubim às 11:31

Músico, artesão, comerciante e mestre popular. João do Pife é uma daquelas pessoas que a gente custa a acreditar que exista mesmo, tamanha a simplicidade e o gosto com que fala de si e da sua profissão. João do Pife é daquelas pessoas que transforma rapidamente qualquer entrevista em uma conversa entre amigos, com direito a muitas gargalhadas de lado a lado.

Patrimônio da música popular, João do Pife tem carreira internacional (já se apresentou em mais de 20 países) e ainda hoje fabrica os pífanos e zabumbas que vende na famosa Feira de Caruaru, cidade do agreste pernambucano.

- O mais importante da feira de caruaru é quando recebo visitas de fora. É muito bom. As visitas vêem eu tocando na feira e me procuram, compram os instrumentos e meu CD. Quando recebo as visitas na feira, isso tem rendimento pra história de João do Pife, que sou eu – diz, sem conter o riso.

Pife e pífano são a mesma coisa. Instrumento parecido com uma flauta, feito de bambu, taquara, metal ou PVC, tem sete orifícios (um para soprar e seis para dedilhar). É um dos instrumentos mais tradicionais da cultura nordestina e existem diferentes argumentos que atribuem sua origem tanto à cultura indígena quanto à européia. Veja aqui e aqui duas versões diferentes para a história do pífano.

"Eu faço pife, toco pife, vendo pife
Como o dinheiro do pife
Depois de velho fico pifado" 
João do Pife (“Estou Pifando”)

Batizado João Alfredo Marques dos Santos, João do Pife deu continuidade à tradição familiar iniciada pelo pai, o Mestre Alfredo Marques dos Santos.


João tocando o instrumento que virou seu sobrenome

Foi com Mestre Alfredo que João, aos 14 anos, aprendeu a “pifar” e fabricar seus próprios instrumentos. Após a morte do pai, João e seu irmão Severino orgulhosamente levaram adiante a Banda Dois Irmãos, criada pelo pai ainda em 1928. Curiosamente, a banda foi criada no dia 20 de junho, mesmo dia em que, 15 anos mais tarde, nasceria João.

A banda toca na feira, nas festas religiosas (novenas) e em shows pelo Brasil e pelo mundo.

“João do Pife & Banda Dois Irmãos” é como se chamam. Hoje, a banda é composta por João e seus quatro filhos: Paulo João dos Santos (caixa), Alexandre João dos Santos (pratos), Leandro João dos Santos (tarol) e Cícero João dos Santos (zabumba).

A saúde do irmão Severino, tradicionalmente no segundo pife, não permite mais que ele acompanhe a banda. O segundo pife foi então passado ao músico e companheiro de longa data Marcos Antônio.

João se lembra de uma turnê recente, que fez este ano, acompanhado do também pernambucano mestre de mamulengo Zé Lopes. Tocou em Brasília, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas. Na última apresentação, em Caruaru, voltou a ter a companhia do “compadre Severino”.

- Severino é vivo, mas não está agüentando mais viajar. Quando chegamos, tocou com a gente em Caruaru. Foi a maior alegria que eu passei! A gente encerrava em Caruaru e, quando chegamos lá, ele veio tocar com a banda – lembra, emocionado.


Lanche descontraído com o forrozeiro Azulão

Embora hoje seja bastante reconhecido e motive muitas pessoas a visitarem a Feira de Caruaru, João do Pife já passou por muitas dificuldades na vida.

- Tive um aperto de 10 anos em Caruaru. Não tinha uma casa, pagava aluguel. Quando recebia visita na feira, eu vendia instrumentos e as coisas melhoravam. Na semana que não recebia, ficava difícil. Só veio melhorar quando comecei a viajar pra fora, lá pelos anos de 1980 - diz.

João do Pife me conta que, certe feita, viajou a Salvador para um trabalho de 30 dias. Após esse período, “o empresário desapareceu” e ele ficou literalmente no meio da rua, sem receber e sem dinheiro nenhum. Só conseguiu voltar a Caruaru graças ao contato que tinha com alguns colégios, em que acertou trabalhar e assim levantar algum dinheiro.

- Aí foi o maior aperreio que passei na minha vida. Foi um grande vexame. Nessa época, eu não tinha experiência e confiava e todo mundo. A experiência nesse trabalho é a coisa mais importante do mundo. Naquilo que a gente é preciso ter uma boa experiência senão podem se aproveitar de você – enfatiza.

Como o próprio João afirma, a virada em sua vida aconteceu quando começou a explorar as terras distantes e ser reconhecido internacionalmente. Lembra com clareza de sua primeira viagem, para Portugal.

- O momento mais alegre na estrada da música foi a primeira viagem que fiz. Chegou aqui chegou um empresário e me chamou para tocar em Portugal. Eu nunca tinha saído de Caruaru nem viajado para lugar nenhum. Era um sonho que eu tinha ver a banda não só tocar em Caruaru, não ficar só em Caruaru como outras bandas. Quando saiu nos jornais contando da viagem, foi a maior alegria! – relembra, entusiasmado.

Daí em diante, tomou gosto por viajar e “tem sempre uma viagem aqui, outra acolá, todo ano tem uma viagemzinha… já viajei para mais de vinte países!”. E completa: “hoje, já matei a vontade de viajar. Viajar não é mais novidade para João do Pife”.

- E qual dessas viagens foi a mais especial? - pergunto.

- Dos lugares todos que eu tenho viajado, a viagem melhor que eu fiz foi para os Estados Unidos. Fiquei 10 semanas dando aula numa universidade lá. Aí quando voltei pude comprar minha casa. Então essa foi a melhor viagem, né? – gargalha.

João conta que o pessoal de lá “aprendeu mesmo” e que deixou até uma bandinha formada, a “Banda de Pífanos Americana”.

Primeiro CD: injustiça corrigida 

O homem que contribuiu para que as bandinhas de pife se tornassem um dos ícones da cultura nordestina só conseguiu gravar seu primeiro CD no final de 2005, sob o selo da Página 21.


João do Pife no Estúdio, gravando seu primeiro CD

- O álbum corrige um daqueles erros históricos aos quais, infelizmente, acabamos nos acostumando: só depois de mais de 40 anos de carreira, João do Pife consegue gravar seu primeiro disco com o grupo que seu pai criou em 1928 e que ele leva adiante, agora com seus filhos – disse, à época, Marcos Toledo, do Jornal do Commercio.

No CD, que vende na Feira de Caruaru e em seus shows, João do Pife agregou às tradicionais noventas, ritmos como forró, choro e baião. Um momento especial do disco é a “Valsa de meu Pai”, uma homenagem ao Mestre Alfredo tocada por ele e o irmão Severino. João inova também ao convidar o Maggo MC para colocar misturar o moderno e a tradição em “Estou Pifando”.

Confira aqui uma amostra do CD com “Peleja de Cantador”. Veja também um pequeno vídeo sobre o primeiro álbum de João do Pife.

A casa comprada e o CD gravado são grandes conquistas, mas em nenhum momento desmotivam João do Pife.

- Continuo o mesmo de sempre, na a minha luta de pífano e zabumba. Vendo e toco na feira e a banda de pífanos faz um trabalho para agradar ao povo. As coisas mudam um pouquinho, sempre pra cima, para melhor. De 10 anos pra cá, a publicidade foi aumentando mais um pouquinho e aí tudo melhora, né? – comenta, sorridente.

Pergunto ao mestre João qual vai ser a comemoração do dia 20 de junho deste ano, data em que ele completa 65 anos e sua banda, 80. Diz que a programação vai ser lá mesmo, em Caruaru.

- O mês que nasci é São João, é mês de festa por todo nordeste, ahahahaha. Tem festa pra todo lado no aniversario, ahahaha – diz, o sempre sorridente e animado João do Pife.

Fotos e vídeo: Acervo da Página 21.

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SP: Bicicletada de maio acontece dia 30

iurirubim às 8:07

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27 de maio de 2008

BA: Jovens exigem ações culturais de políticos

iurirubim às 17:53

Cerca de 70 crianças e jovens estiveram reunidos neste domingo (25/5), na pequena cidade de Boa Vista do Tupim, interior baiano.

Vindos da própria Boa Vista, do município vizinho Ipirá e de povoados próximos, esses garotos e garotas tinham um objetivo comum: construir uma agenda de reivindicações da juventude, na área de cultura, para as eleições municipais deste ano.


Jovens usam arte para demandar políticas culturais

Quase todos integrantes de grupos artísticos, esses jovens conhecem de perto a dura realidade da cultura brasileira, ainda mais acentuada nas cidades de menor porte (Boa Vista do Tupim tem 17 mil habitantes e Ipirá, 60 mil).

- Eles discutiram de foram democrática os problemas da juventude e buscaram possíveis soluções. Estão descobrindo seu papel ante a sociedade enquanto agentes de promoção de mudança e propositores de políticas públicas – diz Weldon Bitencourt, diretor de cultura de Boa Vista do Tupim e principal organizador do evento.


Weldon Bitencourt: provocando a juventude ao debate

A abertura do encontro sintetizou o que seria aquela intensa jornada. De um lado, o atraso de duas horas provocado pelas dificuldades de transporte enfrentadas para a participação numa reunião sobre cultura.

Resultado: mais de 30 jovens de uma das cidades previstas (Macajuba) não puderam ir por falta de transporte e outros 15 também ficaram em Ipirá, porque o números de vagas oferecidas era menor que o requisitado.

- Tivemos que escolher quem vinha e quem ficava. Foi horrível – diz Norma, a titular do Departamento de Cultura de Ipirá e chefe da “delegação” do município.

Por outro lado, os trabalhos foram iniciados com uma belíssima apresentação do grupo de teatro do Projeto Arte Cidadã, da diretoria de cultura de Boa Vista do Tupim.

Rodeados pelos outros participantes do encontro, os jovens atores incorporaram divertidas e emocionantes caricaturas da vida real, chamando atenção para os assuntos que seriam discutidos.  


Uma divertida apresentação em meio a crianças e jovens

Na pauta, as demandas giravam principalmente em torno da formação em cultura, de acesso a bens culturais nos locais onde vivem e de oportunidades para a manutenção de grupos e produção de espetáculos.

Outros temas, nem sempre considerados “culturais”, também foram discutidos. O acesso a transporte para “sair do isolamento” das cidades foi reivindicado, bem como o acesso à internet de banda larga (hoje, em Boa Vista do Tupim, o acesso só é possível através de uma escola da cidade e de um infocentro público).

Intercâmbio

Um outro aspecto interessante do encontro foi a oportunidade que essa rapaziada teve de se encontrar e dialogar sobre seus respectivos universos.


Mímica e muitos risos na oficina de Clown

- Eles puderam ver que passam pelas mesmas dificuldades em diferentes locais. Puderam ver também que podem fazer muito mais juntos, unidos. Estão pensando até em formar uma rede – reforça Bitencourt.


"Escravos de Jó": tradição na oficina de brinquedo

Mas o encontro também possibilitou que todos eles encarassem de frente suas próprias diferenças e preconceitos. Ray Santana vive num assentamento na zona rural de Ipirá e deu um testemunho sobre a discriminação que os assentados sofrem:

- O pessoal da sede olha para o pessoal da zona rural de um jeito diferente. Para os assentados, é pior ainda. Acham que lá só tem violência, quando a realidade é bem diferente. É muito difícil qualquer política pública chegar lá – diz.

Assentados, moradores da sede e da zona rural, habitantes de diferentes municípios. Esses rótulos foram perdendo a nitidez à medida em que os jovens interagiam, bradavam suas urgências ou trocavam telefones.


Oficina de crianda faz a alegria da criançada

O intercâmbio entre esses jovens foi intensificado no período da tarde, em que todos participaram de oficinas de arte. Nelas, teatro, reciclagem em papel, comunicação comunitária, brinquedos, cirandas, teatro e a comédia mudas dos clowns estiveram em evidência.

Um parêntese: em meio ao vai-e-vem da programação conheço o Seu Amâncio, um simpático e conhecido rezador de Boa Vista do Tupim.


No vai-e-vem, encontramos seu Amâncio, rezador da cidade

"A minha espingarda é para meter medo em quem acha que tem coragem" - Seu Amâncio, rezador

À noite, todos reuniram-se novamente na Escola Estadual Abraham Lincoln (!) para assistir aos resultados das oficinas.


Também rolou oficina de papelamento

Após, muita conversa, polêmica e aprendizado, os jovens resolveram que as propostas levantadas durante o encontro serão transcritas e revisadas por todos.

Prontas, viram uma Agenda da Juventude para a Cultura, que será apresentada tanto pela juventude de Ipirá quanto pela de Boa Vista do Tupim aos futuros candidatos a prefeito. Quem sabe, a rapaziada não consegue arrancar deles alguns bons compromissos?

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26 de maio de 2008

CE: cangaceiros ganham retrospectiva fotográfica

iurirubim às 21:55

Começa amanhã (dia 29/5), no Memorial da Cultura do Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, a exposição "Cangaceiros".

É a primeira grande retrospectiva das fotografias dos cangaceiros durante quase toda a epopéia de Lampião e seu bando (1922-1938).

Realizadas a partir dos documentos originais, as ampliações contemporâneas reunidas permitem acompanhar a evolução desta forma original de banditismo que faz parte da ‘mitologia’ do nordeste brasileiro.

O horário para visitação é de terça a quinta-feira, das 9h às 19h, e de sexta-feira a domingo, das 14h às 21h. Outras informações: (85) 3488.8611.

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24 de maio de 2008

Freira monta escola de música no sertão da Paraíba

iurirubim às 11:34

No auge de seus 60 anos - “muito bem vividos!” – a freira Iracy Barboza de Almeida foi a grande responsável por uma revolução musical na pequena Catolé do Rocha, cidade do sertão paraibano já na divisa com o Rio Grande do Norte.

Operada na cabeça cinco vezes por causa de um tumor, é fácil identificar a irmã Iracy, quase careca por conta das sessões de quimioterapia nos idos de 1975. Entretanto, o reconhecimento que a cidade tem pela freira não vem da sua silhueta, mas de sua dedicação ao ensino da música.

Irmã Iracy coordena hoje a Casa do Béradêro, escola de música e artes que construiu, em associação com o cantor e filho de Catolé do Rocha, Chico César. Deixo a própria freira contar como ela começou essa empreitada:

- Eu sou professora de música. Então, em 1995, comecei a dar aulas de flauta doce para um grupo de adolescentes aqui da cidade. Lá pelo ano 2000, eles começaram a me “aperrear” com a idéia de tocar outros instrumentos. Olhavam para as flautas e diziam: “a gente só vai ter isso para tocar?” – lembra irmã Iracy.

Com admirável humildade, a freira reconhece que “não estava sendo suficiente, né?”. Desde aquele momento, começou a buscar alternativas para diversificar o aprendizado dos “seus meninos”.

Embora nascida na região, irmã Iracy faz parte de uma congregação de freiras franciscanas da Baviera, na Alemanha. A freira não demorou a descobrir a herança germânica em sua congregação: encontrou três violinos. Infelizmente, todos quebrados. Foi então que um novo horizonte se abriu para o ensino musical em Catolé do Rocha.

Pediu para outra irmã freira para levar os instrumentos para o conserto. Como não tinham dinheiro, um dos violinos ficou como pagamento.

“Me arrependo disso até hoje”, reclama irmã Iracy. “Eu poderia ter até pedido esmola, mas deveria ter pago aquele conserto de uma outra forma”.

Com os dois instrumentos prontos para o uso, pediu a um amigo de Campina Grande que desse aulas de violino para as crianças. Ele inverteu a proposta: “manda os meninos para cá”. A família do amigo recebeu dois adolescentes durante um mês. Quando voltaram, não conseguiam esconder o contentamento.

Novamente, Dona Iracy recorreu às amizades que tinha feito ao longo da vida. Convidou a filha de uma amiga, que estudava violino e aguardava seis meses para começar a universidade, para dar aulas do instrumento em Catolé do Rocha. Com outro amigo, conseguiu mais um violino.

Foi então que a perseverança dos estudantes da flauta doce foi recompensada: as oito crianças “mais comprometidas” do grupo passaram a estudar violino.

- Veja só: era uma aula de violino para oito alunos com apenas três violinos! No final do período, tinha uma apresentação. Mas a gente tinha não podia fazer a paresentação com os oito de um vez porque faltavam os instrumentos! – rememora a freira.

Novamente, as amizades. Desta vez quem ajudou foi um frei capuccino, também franciscano, que vive em Fortaleza. “Ele tinha um trabalho 10 anos mais antigo que meu e me arranjou cinco violinos (produzidos na oficina dele) e um monitor”, conta. O jovem ia à Catolé do Rocha a cada 15 dias e dava aula nos fins de semana.

Desde 1999, irmã Iracy conversava com um ilustre ex-aluno dela e também filho da cidade, o cantor Chico César, que dizia: “eu queria fazer alguma coisa pelas crianças de Catolé”.

Imediatamente, a freira retrucava: “não precisa fazer nada novo. Eu jogo tudo o que já faço na instituição que você criar”. Foi assim que, dois anos mais tarde, surgiu o Instituto Cultural Casa do Béradêro.

- Sempre digo que esse menino já nasceu grande: nasceu com seis anos de trabalho. – enfatiza irmã Iracy.

Também em 2001, ela enviou um projeto para “uma instituição da Europa, que tinha sede em São Paulo”. Já que ia pedir, D. Iracy “caprichou”: solicitou 30 violinos, sete cellos e muitos outros instrumentos. O resultado não poderia ser melhor:

- Morri de chorar quando vi a sala cheia de instrumentos! – lembra, emocionada.

Junto com os instrumentos, Catolé ganhou a vinda de um professor de violino e um de flauta transversal, que foram morar lá.

A nova instituição e a chegada dos instrumentos deram apoio moral para que irmã Iracy e seus pupilos pleiteassem uma sede. “Até então, trabalhávamos no colégio onde moro com as irmãs”, diz. Desde 1939, o Colégio Normal Francisca Mendes forma professoras para toda aquela região do sertão paraibano.

A falta de espaço é tão periclitante que a sala dos violinos funcionava no porão, embaixo do palco do auditório do colégio.

Foi justamente nesse momento que receberam, em comodato por 30 anos, um edifício abandonado, onde iria funcionar um hospital. A doação foi feita por um médico, filho de um ministro do Superior Tribunal de Justiça, amigo de Chico César e co-fundador da Casa do Béradêro.

A essa altura, irmã Iracy já estava “craque” em projetos e escreveu para instituições na Alemanha, solicitando dinheiro para a reforma. Recebeu quase que a totalidade do que precisava. O resto foi conseguido junto à população da cidade.

- O povo de Catolé do Rocha é muito generoso. Dá conforme o tamanho do coração. Às vezes, nem pode e dá mesmo assim – confessa Dona Iracy.

Em agosto de 2005, começaram a restaurar o prédio. A freira cozinhava para os trabalhadores e comia junto com eles. “A gente nunca trabalhou assim não! Nunca um patrão cozinhou ou comeu com a gente”, diziam.

Tiveram quase que desconstruir tudo para reconstruir e a obra ainda não terminou. Mas, em 2006, “tudo que era sala estava rebocada e com uma mão de cal”, lembra a freira.

- A matrícula já foi feita lá. Os monitores mesmo ajudaram a lavar as salas e todo mundo entrou contente. Quando a gente entrou no prédio parecia o povo de Israel entrando na Terra Prometida! – lembra, maravilhada.

Irmã Iracy teve que lembrar a seus monitores que ela mesmo deu muita aula sentada no chão. ‘Agora vocês é que vão dar aula sentados no chão’, disse. Partiu, então, para uma nova saga: conseguir cadeiras para o instituto.

Mas a cidade já conhecia a determinação de irmã Iracy e os frutos desse trabalho. Rapidamente, recebeu mais cadeiras do que precisava.

A Casa do Béradêro é a única referência de aulas de música com partitura em Catolé do Rocha. Hoje, além dos vários instrumentos sinfônicos, acontecem também aulas de capoeira, dança, artes plásticas, desenho e reciclagem de papel. A cada matrícula, cerca de 150 adolescentes se inscrevem nos cursos.

- Ainda temos muitas desistências e a quantidade de alunos varia muito. Como tantas outras cidades do nordeste, depois que um menino termina o segundo grau, tem que ir s’embora para a capital à procura de trabalho – lamenta.

A irmã mantém contato regular com seus ex-alunos, a maioria fora de catolé do Rocha. Pelo menos cinco deles (“para mim são sete, mas não me recordo quem são os outros dois”) já estão na faculdade. Ela lembra com carinho especial de Alisson, garoto de 15 anos que vive em João Pessoa e já toca oboé profissionalmente. “Esse vai longe!”, diz.

Lembra também do que um de seus ex-alunos disse para a mãe: “mãe, eu quero fazer o mesmo curso que irmã Iracy fez, e depois voltar para ajudar ela”.

Quem também volta todo ano é Chico César, “que visita a família e faz questão de conversar e incentivar os meninos do Béradêro”, diz a freira.

Segunda-feira, dia 26 de maio, é o aniversário de emancipação de Catolé do Rocha. As festividades já começaram desde ontem. A irmã Iracy, com sua energia inesgotável, já preparou uma mostra de arte e cultura para o instituto.

Infelizmente, não consegui uma foto da irmã Iracy. “Olha, eu sou muito exigente com o som, até quando eu tinha uma máquina, nunca conseguia usar, diz”.

Fotos: Arquivo Casa do Béradêro

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22 de maio de 2008

Rock combina com sertão?

iurirubim às 14:19

Começa amanhã a sexta edição do Rock Sertão, um festival de rock em pleno sertão nordestino. Nos dias 23, 24 e 25 de maio, a cidade de Nossa Senhora da Glória (SE), a 126 km de Aracaju, recebe 12 bandas sergipanas e o cantor Zeca Baleiro, estrela dessa edição do festival.

Quem acreditou nessa mistura, idealizou e correu atrás da realização do Rock Sertão foi a banda sergipana FATOR RH, cujo som agrega punk rock, manguebeat e blues com a cultura local. Gratuito, o evento se consolidou ne cena sergipana.

E foi assim que descobriu-se, em pleno sertão, um oceano de roqueiros.

Mais informações: contato@rocksertao.com.br

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PE: Grupos de Xaxado celebram 70 anos sem Lampião

iurirubim às 10:15

Foi nos momentos de calmaria entre um embate e outro que o bando de cangaceiros de Lampião criou o xaxado, uma das mais adoradas danças nordestinas. Agora, setenta anos depois da morte do maior dos cangaceiros, um encontro de grupos de xaxado lhe presta homenagem.

O VI Encontro Nordestino de Xaxado acontece na cidade natal de Virgolino Ferreira da Silva, Serra Talhada (PE), nos dias 6, 7 e 8 de junho. São mais de cinco mil pessoas por dia, mais de 7% da população de Serra Talhada (76 mil habitantes, segundo o IBGE) que superam a capacidade de atendimento dos hotéis e restaurantes da cidade.

O ponto alto do evento é a apresentação, distribuída pelos três dias, de 20 grupos de xaxado de cinco estados nordestinos.

No segundo dia de encontro, historiadores e especialistas na vida de Virgolino Ferreira da Silva participam da mesa redonda Lampião: a Morte e o Mito, que irá debater tanto a controversa morte do cangaceiro quanto o mito que foi criado em torno de Lampião, ora assassino temido, ora herói do povo nordestino.

Além disso, estão programadas: mostra de filmes, feira de livros do cangaço, feira de artesanato e passeios eco-históricos seguindo os passos do rei do cangaço. A cada fim de noite, apresentam-se bandas de música tradicional nordestina.

Nada mal para homenagear o maior símbolo do homem nordestino nos 70 anos de sua morte.

- Lampião é talvez o maior responsável pela identidade do homem nordestino. O cangaço foi um movimento social que provocou grandes mudanças, em todos os aspectos, no Nordeste. Do artesanato e do chapéu de couro até o cinema e a literatura de cordel, tudo remete ao cangaço. O cangaço é o que melhor identifica o povo nordestino hoje – diz Karl Marx, coordenador de comunicação da Fundação Cultural Cabras de Lampião, que organiza o encontro.

Para a Fundação, os cangaceiros eram vítimas do descaso social da época tanto as heranças boas quanto as ruínas (assassinatos, brigas, guerras) merecem ser compreendidas e processadas. “Querendo ou não, é a nossa história e identidade.Absorvemos isso como reflexão do que deve ser feito”, argumenta Karl Marx.

Xaxado

Nunca se chegou a um acordo sobre a origem do nome dessa dança popular. Uns dizem que ela vem do barulho das sandálias dos cangaceiros contra a areia do sertão. Outros garantem “de pé junto” que vem de sachar o feijão (limpar a terra em volta do pé), movimento semelhante aos passos do xaxado.

Certo mesmo é que o xaxado é uma dança de guerra e entretenimento criada pelos cangaceiros de Lampião no inicio dos anos vinte do século passado, em Vila Bella, atual Serra Talhada, e arredores.

Ainda na época do cangaço tornou-se popular em todos os bandos de cangaceiros espalhados pelos sertões nordestinos. Era uma dança exclusivamente masculina - na época não havia mulheres no cangaço.

As armas substituíam as damas e os “cabras”, perfilados em fila indiana, respondiam aos versos cantados pelo chefe, que seguia na frente do grupo. Nas letras, insulto aos inimigos, lamentos pela morte de companheiros e o enaltecimento de suas aventuras e façanhas.

A novidade logo se espalhou pelos inúmeros bandos de cangaceiros do sertão nordestino e o xaxado foi ganhando trejeitos locais no Ceará, na Paraíba e em cada canto onde era dançado.

“O encontro traz à tona essas diferenças, mesmo que no fundo o xaxado seja um só”, diz. Para ele, o que marca a autenticidade do xaxado (um dos critérios para a participações dos grupos no encontro) é a batida, a forma de dançar e a formação da banda com sanfona, triângulo e zabumba.

Na primeira edição do encontro, em 2002, inscreveram-se apenas 20 grupos. Para esta, foram 60. “Aí tem a parte mais chata, que é a seleção dos grupos”, diz Marx.

- Tentamos sempre, mantendo a qualidade, trazer espetáculos inéditos e equilibrar a presença dos estados. Mas às vezes é difícil: nesta edição, por exemplo, mais de 50% dos grupos inscritos foi da Paraíba – explica.

Até hoje ele se lembra da surpresa no primeiro encontro, quando o público foi muito maior do que. “Ninguém esperava o sucesso que fez”. E completa: “a quantidade de pessoas que foi assistir aos espetáculos nos deixou emocionados!”.

Cinco anos depois, o Encontro Nordestino de Xaxado já é um evento consolidado, que faz parte da agenda cultural do sertão nordestino.

Por trás deste sucesso, a Fundação Cultural Cabras de Lampião e o grupo de xaxado homônimo. Criados para defender a cultura popular e, ao mesmo tempo, denunciar as crueldades sociais do sertão – “igual no tempo do capitão Virgolino” –, estão fazendo um belo trabalho na valorização dessa herança tipicamente nordestina.

Afinal, quem diria que um bando de “cabras”, prontos para matar e morrer debaixo desse sol inclemente do sertão, fosse capaz de criar uma dança que conquistou todo nordeste?

Quem quiser mais informações, pode ligar para a Fundação Cultural Cabras de Lampião (87.3831.2041) ou mandar um email (cabrasdelampiao@bol.com.br) lá.

Fotos: Grupo de Xaxado Cabras de Lampião (Arquivo)

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