Terra Magazine

14 de maio de 2008

Favela card: favelas lançam moeda paralela

iurirubim às 11:03

A CUFA-MT, seção matogrossense da Central Única de Favelas, começa a usar nas favelas de Cuiabá a moeda social Favela Card. Como as favelas são um ambiente em que circula pouco dinheiro, a idéia é possibilitar que as pessoas tenham acesso a serviços por meio da troca direta com outros serviços ou produtos.

Dessa forma, será possível que os moradores das favelas adquiram os bens ou serviços, mesmo sem ter dinheiro sobrando em caixa – basta apenas usar seu trabalho ou o excedente de sua produção.

Essa iniciativa tem forte influência do movimento de economia solidária. “A grande sacada é mostrar para as pessoas que podemos ser mais solidários, mais cooperativos, e quebrar aquela visão do consumismo desenfreado”, afirma o rapper Paulo Linha Dura, coordenador geral da CUFA-MT.

Um dos pais da idéia e responsável pelo “batismo” da moeda social, Linha Dura dá um exemplo das possibilidades de uso do Favela Card:

- Vou usar nós mesmos como exemplo: nós organizamos o Festival Consciência Hip Hop que já está na 4ª. edição. Uma puta estrutura e alguns grupos de rap já me intimaram a pagar cachê. Tipo, a gente não tem condições de pagar cachê, mas temos outros serviços que a gente pode oferecer para os grupos tipo, estamparia de camiseta (núcleo de serigrafia), assessoria de imprensa, oficinas sobre elaboração de projetos, oficinas de comunicação, criar blog, myspace, atualizar diariamente esses veiculos – diz.

E ele complementa:

- Cara, a gente tem um estúdio de gravação de ensaio. Aí eu te pergunto: quantos grupos que ainda não tem uma musica demo se quer? Quantos grupos que não tem um lugar da hora pra ensaiar? Tem grupo que não tem nem release, Nós da CUFA já temos uma estrutura e queremos trocar com outras pessoas e mais que isso queremos ensiná-las o que já aprendemos.

Inspirado no êxito de outra moeda social cuiabana, o Cubo Card, o Favela Card tem uma equivalência de 1 para 1 com o real e apenas começa a ser usado em Cuiabá. Tem cinco meses de existência e cerca de 4 mil créditos em circulação.

Mas Linha Dura revela que os planos são chegar até “fazer as trocas entre o cara da padaria, com a serigrafia que temos, com o cara do salão de cabelo…”

Nascido Paulo Fagner da Silva Ávila, Linha Dura é um rapper que valoriza a cultura popular e o encontro do rap com outros ritmos nacionais e estrangeiros. Engajado em causa sociais e militante do Movimento Hip-Hop desde 1996, foi convidado por MV Bill em 2004 para integrar a CUFA.


Linha Dura "batizou" o Favela Card

Abaixo, uma entrevista com o rapper cuiabano sobre o Favela Card:

Então vocês vão trazer para as favelas uma moeda social… Como nasceu a idéia?

A nossa moeda é o Favela Card. O pessoal do Espaço Cubo sugeriu e eu dei o nome e estou (na CUFA) levando a idéia adiante.

E porque não usam o próprio Cubo Card?

só não usamos a do cubo por que queremos construir a nossa só isso, com a nossa nomenclatura. E por outro lado é legal que tenha várias moedas.

Acha que no futuro pode rolar intercâmbio entre as moedas?

Então acho que isso pode acontecer sim.

Quais locais e empreendimentos já usam o Favela card?

Aqui o favela card é usando entre a CUFA e o poder publico, o espaço cubo, os profissionais da cultura (a galera das bandas, os MCs e por aí vai). Até a locadora de vídeo, a mais fodona da cidade, recebe em card também


"Podemos ser mais solidários, mais cooperativos"

O favela card tem o design como tem o cubocard?

Não temos ainda um designer.

Então a moeda são créditos mas sem uma interface visual?

Por enquanto. Até porque eu também tô pesquisando outros exemplos para que a gente possa mostrar pra sociedade que é possível. Tipo, a dificuldade de implantar a moeda complementar na comunidade é tremenda por que os caras ainda não confiam ou não entendem.

Então tô sendo forçado a saber um pouco do que o Karl Marx pensava e fazia. E transformar isso numa linguagem simples para o povo da favela entender.


Linha Dura encara Karl Marx

Como está sendo a experiência?

É… até pra mim também é um puta desafio. Tipo, nunca li nada sobre ele né, gurizão? Minha origem é a favela, é tudo simples. É o rala. E entender o que ele fala é foda. Tem que ler com dicionário do lado (risos). Agora tô na missão de começar a escrever texto pra galera visualizar.

E quais são os próximos passos para expandir o uso do Favela Card?

É primeiro fazer a galera entender mais o processo da economia solidária Favela card. Depois, assim que estivermos na base alvorada [favela a 10 minutos do centro de Cuiabá], eu vou pegar firma pra passar isso na comunidade. Essa é a meta quando formos pro alvorada. Eu estou montando um planejamento estratégico pra ir pra cima.

Fotos: Arquivo pessoal Paulo Linha Dura

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10 Comentários »

  1. puta merda, bem coisa de negrada mesmo, nao tem oq faze, vao chora pro lula seus filhos da puta

    Comentário por felipe — 14 de maio de 2008 @ 12:44

  2. ele diz que rala… com essa linguagem? duvido, é maais um poder pararelo de formando no brasil… esse é o pais que o lula quer que vota…

    Comentário por clmo — 14 de maio de 2008 @ 12:55

  3. Muito radical o comentário do Felipe. Na verdade essas coisas acontecem pela ociosidade da comunidade, seus lideres, etc. etc. ai incluidos todos os ramos do governo também.A maioria não trabalha, ou quase a totalidade,pois têm algum tipo de esmola governamental, ou fazem parte de uma ou mais ONGs, que so servem para sumir com o dinheiro que os governos dão sem exigir prestação de contas.Todas manifestações dessas pessoas são em horário de trabalho, infernizando a vida de quem precisa se deslocar. Êles, nem ligam, parecem que têm imunidade.
    O Luis Fernando Verissimo é que tem uma constituição que deveria valer, com apenas um capitulo “quem não trabalha não come”.Ai, meus amigos voces veriam a magreza do Lulla e seus 40 assessores.

    Comentário por elias — 14 de maio de 2008 @ 12:59

  4. Nasci e vivo em Cuiabá, e não conheço nenhuma favela por aqui. O que há são “grilos”, invasões, periferia com pessoas carentes e pobres, mas mesmo nesses locais existe urbanização. Querer globalizar o termo é padecer da falta de inteligência.

    Comentário por Reinaldo Freire — 14 de maio de 2008 @ 13:08

  5. so os bem nascidos, preconceituosos, tem esste tipo de comentario, comos os abaixo. Sera que pobre nao tem direito de tentar sua insercao na economia, usando criatividade.

    Comentário por eduardo — 14 de maio de 2008 @ 14:44

  6. Eles podem aprender cm o Palma Card, experiência semelhante de sucesso no Ceará há mais de 3 anos.
    http://metaong.info/node.php?id=694

    Comentário por Ivan Dmitri — 14 de maio de 2008 @ 15:36

  7. putz, que comentários interessantes, heim rapaziada. como será que se pronuncia auchwitzs em português? tem gente que critica por criticar.ter consciência de que nosso país nao está uma maravilha é uma coisa, agora colocar a culpa de tudo nesse paí no lula e seu governo, é ser reacionário. com certeza. FHC e sua equipe( que estavam no poder desde que este país foi descoberto(invadido)) devem ter mesmo trabalhado pra caramba. chega de bairrismo. vamos criticar o que tem pra ser criticado e aplaudir iniciativas que buscam melhorar a vida de todos, principalmente de quem mais precisa.

    Comentário por snooker — 14 de maio de 2008 @ 16:09

  8. A idéia é bem interessante. O grande problema são os meios de troca, sem eles nada pode ser feito. O interessante seria, antes de inserir esses serviços, trabalhar as opções que a comunidade tem a oferecer como “moeda” de troca para mais tarde o Governo não ter de subsidiar (tipo os Bolsas da vida) a “base monetária”. Agora, cá entre nós, a linguagem do rapaz aí, bem como o comentário tripudiando sobre o ato de ler é de dar pena e lamentar. PAÍS, DESENVOLVIMENTO, 1º MUNDO, CIDADANIA, ETC., AINDA SE FAZ COM EDUCAÇÃO, SEM ELA, GENTE, FICA DIFÍCIL.

    Comentário por Adalberto Cavalcante Jr. — 14 de maio de 2008 @ 16:48

  9. FICO SURPRESA COMO O SER HUMANO PODE MELHORAR MAIS E MAIS E COM TAO POUCO.E NAO ESTOU FALANDO D QUEM USA A NOVA MOEDA.FICO COM VERGONHA D NAO FAZER NAD
    A,TENHO BOAS IDEIAS E NAO SEI POR EM PRATICA.PARABENS.PARABENS,PARABENS PELA INICIATIVA

    Comentário por LUCIANI MONTANHERI — 15 de maio de 2008 @ 8:50

  10. Tô contigo Felipe. Isto é mais uma armação de alguns que querem se dar bem. Nas favelas o poder já é paralelo e agora com a criação de moeda paralela fica completo. Esta tal de “CUFA” é a maior armação, pois quem manda nas favelas é a “CUTRA” (Central Única dos Traficantes) que por sinal é muito organizada, e ai daquele que pisar na bola. o pais já tem o “LULA CARD” (Cheque Cidadão, Vale Gas, Bolsa Família, etc … e deu tão certo que o “LULINHA” até ja comprou um “sitio” por 27 milhões de reais, e o povinho que é analfabeto politico, que vota em troca de camiseta e boné, está aí passando fome e inventando tramóias para sobreviver. Estes movimentos “sociais deveriam ensinar como votar, para não acontecer coisas assim. VÃO ESTUDAR PARA PRODUZIR e não explorar a ignorância dos outros. Rebolar e cantar musiquinhas “chulas” só faz sucesso em país de terceiro mundo onde o povo bate palmas para político ladrão, Bando de analfabetos que não tem cultura e nem a própia lingua sabem falar, merecem o que ? E a mídia ainda da espaço para este tipo de coisa, vão se catar, querem o que ? que o estado de salário todo mês para alguem que nada produz ? Acorda bando de parasitas sociais.

    Comentário por Laerson M de Castro — 19 de maio de 2008 @ 12:25

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