Terra Magazine

27 de maio de 2008

BA: Jovens exigem ações culturais de políticos

iurirubim às 17:53

Cerca de 70 crianças e jovens estiveram reunidos neste domingo (25/5), na pequena cidade de Boa Vista do Tupim, interior baiano.

Vindos da própria Boa Vista, do município vizinho Ipirá e de povoados próximos, esses garotos e garotas tinham um objetivo comum: construir uma agenda de reivindicações da juventude, na área de cultura, para as eleições municipais deste ano.


Jovens usam arte para demandar políticas culturais

Quase todos integrantes de grupos artísticos, esses jovens conhecem de perto a dura realidade da cultura brasileira, ainda mais acentuada nas cidades de menor porte (Boa Vista do Tupim tem 17 mil habitantes e Ipirá, 60 mil).

- Eles discutiram de foram democrática os problemas da juventude e buscaram possíveis soluções. Estão descobrindo seu papel ante a sociedade enquanto agentes de promoção de mudança e propositores de políticas públicas – diz Weldon Bitencourt, diretor de cultura de Boa Vista do Tupim e principal organizador do evento.


Weldon Bitencourt: provocando a juventude ao debate

A abertura do encontro sintetizou o que seria aquela intensa jornada. De um lado, o atraso de duas horas provocado pelas dificuldades de transporte enfrentadas para a participação numa reunião sobre cultura.

Resultado: mais de 30 jovens de uma das cidades previstas (Macajuba) não puderam ir por falta de transporte e outros 15 também ficaram em Ipirá, porque o números de vagas oferecidas era menor que o requisitado.

- Tivemos que escolher quem vinha e quem ficava. Foi horrível – diz Norma, a titular do Departamento de Cultura de Ipirá e chefe da “delegação” do município.

Por outro lado, os trabalhos foram iniciados com uma belíssima apresentação do grupo de teatro do Projeto Arte Cidadã, da diretoria de cultura de Boa Vista do Tupim.

Rodeados pelos outros participantes do encontro, os jovens atores incorporaram divertidas e emocionantes caricaturas da vida real, chamando atenção para os assuntos que seriam discutidos.  


Uma divertida apresentação em meio a crianças e jovens

Na pauta, as demandas giravam principalmente em torno da formação em cultura, de acesso a bens culturais nos locais onde vivem e de oportunidades para a manutenção de grupos e produção de espetáculos.

Outros temas, nem sempre considerados “culturais”, também foram discutidos. O acesso a transporte para “sair do isolamento” das cidades foi reivindicado, bem como o acesso à internet de banda larga (hoje, em Boa Vista do Tupim, o acesso só é possível através de uma escola da cidade e de um infocentro público).

Intercâmbio

Um outro aspecto interessante do encontro foi a oportunidade que essa rapaziada teve de se encontrar e dialogar sobre seus respectivos universos.


Mímica e muitos risos na oficina de Clown

- Eles puderam ver que passam pelas mesmas dificuldades em diferentes locais. Puderam ver também que podem fazer muito mais juntos, unidos. Estão pensando até em formar uma rede – reforça Bitencourt.


"Escravos de Jó": tradição na oficina de brinquedo

Mas o encontro também possibilitou que todos eles encarassem de frente suas próprias diferenças e preconceitos. Ray Santana vive num assentamento na zona rural de Ipirá e deu um testemunho sobre a discriminação que os assentados sofrem:

- O pessoal da sede olha para o pessoal da zona rural de um jeito diferente. Para os assentados, é pior ainda. Acham que lá só tem violência, quando a realidade é bem diferente. É muito difícil qualquer política pública chegar lá – diz.

Assentados, moradores da sede e da zona rural, habitantes de diferentes municípios. Esses rótulos foram perdendo a nitidez à medida em que os jovens interagiam, bradavam suas urgências ou trocavam telefones.


Oficina de crianda faz a alegria da criançada

O intercâmbio entre esses jovens foi intensificado no período da tarde, em que todos participaram de oficinas de arte. Nelas, teatro, reciclagem em papel, comunicação comunitária, brinquedos, cirandas, teatro e a comédia mudas dos clowns estiveram em evidência.

Um parêntese: em meio ao vai-e-vem da programação conheço o Seu Amâncio, um simpático e conhecido rezador de Boa Vista do Tupim.


No vai-e-vem, encontramos seu Amâncio, rezador da cidade

"A minha espingarda é para meter medo em quem acha que tem coragem" - Seu Amâncio, rezador

À noite, todos reuniram-se novamente na Escola Estadual Abraham Lincoln (!) para assistir aos resultados das oficinas.


Também rolou oficina de papelamento

Após, muita conversa, polêmica e aprendizado, os jovens resolveram que as propostas levantadas durante o encontro serão transcritas e revisadas por todos.

Prontas, viram uma Agenda da Juventude para a Cultura, que será apresentada tanto pela juventude de Ipirá quanto pela de Boa Vista do Tupim aos futuros candidatos a prefeito. Quem sabe, a rapaziada não consegue arrancar deles alguns bons compromissos?

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2 Comentários »

  1. A rapaziada está no caminho correto, não tem que ficar implorando nada de nenhum político, mas sim cobrar seja lá de qual partido for, porque hoje em dia, exceto o movimento libertário, todos os demais movimentos e partidos politicos (e porque não os próprios políticos?) brasileiros são iguais e só lutam para ‘dividirem o bolo” entre si, enquanto que a sociedade que os mantém fica de fora ‘chpando o dedo”. Toda força ao jovens, e que tomem coidado para também não se viciarem e não se misturarem com queles que pertencem a “mastozoologia”. à ‘mastozoologia’.

    Comentário por Gerado Prado — 3 de junho de 2008 @ 6:40

  2. por eu axo tudo isso um maximo

    Comentário por dialison silva — 1 de junho de 2009 @ 9:02

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