São Paulo terá volta com ciclistas nus no sábado
No próximo sábado, dia 14, São Paulo presenciará um protesto diferente: dezenas de ciclistas estão se preparando para pedalar nus pelas vias da maior cidade do país.
É a versão paulista da World Naked Bike Ride (algo como Pedalada Mundial Sem-Roupa), que já acontece em várias cidades do mundo. A partida está marcada para as 14h, na praça do ciclista (mapa).

Por que pedalar nu?
Porque é como os ciclistas se sentem disputando espaço com os veículos motorizados. Enquanto os motoristas estão protegidos de todos os lados por freios ABS, Air Bags, Cintos, Barras de Proteção lateral, nós só contamos com a esperança de sermos vistos e respeitados.
(Trecho do convite para a World Naked Bike Ride)
No email-convite que recebi, os cicloativistas argumentam:
- Entre os que pilotam máquinas perigosas que pesam toneladas, existem também os que não conseguem enxergar a vida por detrás do pára-brisa. Mesmo com luzes, roupas coloridas, capacetes espalhafatosos, muitos insistem em ignorar o nosso direito de ir e vir.
Mas… e pelados? Será que nem assim seremos vistos? - perguntam
Interessado em saber mais sobre este inusitado protesto, entrevistei André Pasqualini, cicloativista, responsável pelo site www.ciclobr.com.br, participante da Bicicletada e do World Naked Bike Ride São Paulo.
Ele foi logo avisando: “sou apenas mais um. Esse evento será nos moldes da Bicicletada, vai quem quer, como quiser e o trajeto será definido na hora, de acordo com a maioria”.
Anotada a observação sobre a organização horizontal do evento – sem líderes ou coordenadores formais – vamos à perguntas:
Está claro que a nudez entra aí como uma forma mais radical de protesto, voltada para polemizar a questão do uso das bicicletas. Isso não pode causar também uma repercussão negativa, principalmente nos setores mais conservadores, e criar a imagem do "ciclista pervertido"?
Não sei e particularmente não tenho essa preocupação. Claro que vai rolar uma hipocrisia, tem pessoas que vão nos chamar de “ciclista pervertido” e dançar num churrasco com seus filhos a dança do créu.
Procuro ver isso como uma oportunidade de passar uma mensagem importante. Uma pessoa que não está acostumada com o nudismo, se ficar sem roupa não se sente desprotegida? É assim que o ciclista se sente, enquanto os motoristas estão “vestidos” e protegidos em seus carros, nossa única proteção é a esperança de sermos vistos e respeitados.
A população vai entender a metáfora da nudez, referindo-se a como os ciclistas sentem-se desprotegidos perto dos carros?
Quem quiser entender, com certeza irá entender. Agora tem pessoas que não querem entender, como tem pessoas que não querem saber se o ministro está roubando, se a calçada está esburacada, se o cara dentro do ônibus está andando espremido… Como tem pessoas que não estão nem aí para os problemas dos outros.
Além da nudez, estaremos passando diversas mensagens, cabe às pessoas avaliarem ou não. Estamos num país democrático onde todos têm o direito de se manifestar.
Acha que as autoridades poderão tentar barrar o protesto?
O protesto será pacífico e com conotação lúdica, nada de sexual. Não creio que irão impedir, se eles não impedem casais transando na TV em horário nobre, ou dançarinas fazendo caras e bocas em brincadeiras “inocentes” em programas dominicais, porque iriam impedir uma manifestação lúdica como essa?
Existe uma expectativa numérica de adesão ao evento? Quantos ciclistas devem pedalar dia 14?
Sinceramente, não sei. Nas Bicicletadas, temos em média uns 200 ciclistas. Elas ocorrem na sexta feira, às 18h. No Dia Sem Carro do ano passado, tínhamos quase 400 ciclistas e aconteceu num sábado.
Acho que teremos uns 50 ciclistas, pelo menos, da turma que geralmente participa da Bicicletada, mas como está tendo uma divulgação grande, é bem capaz que tenhamos umas 200 pessoas.
O Brasil não tem costume de usar a nudez em protestos. As pessoas realmente vão tirar a roupa? Tenho a impressão que as pessoas vão "ousar" muito pouco…
Uma pessoa só de sunga já acho válido. A nudez completa vai de cada um, ninguém é obrigado a fazer nada, no mundo inteiro o lema é “As bare as you dare” ou “Quão nu quanto você ousar”. Mais importante que a nudez é a mensagem que cada um irá passar.
Como você vai pedalar no dia 14?
Ainda não sei, tem uns artistas que estão interessados em fazer pinturas nos nossos corpos, eu tenho umas idéias na cabeça, mas se eu analisar o que eu tinha em mente desde o ano passado, como começamos a conversar sobre o evento desse ano e o que estou pensando agora, mudei tanto de idéia que pode ser que mude até o dia.
Há alguma atividade planejada para "quebrar o gelo" entre os ciclistas peladões e o resto da cidade?
O pessoal que irá fazer as pinturas mais complexas vai ficar desde cedo, na casa de alguém ou num ateliê (não decidimos o local ainda) se pintando, e todos pedalarão juntos para a Praça do Ciclista.
Conforme os demais ciclistas forem chegando, nós iremos ajudá-los nas pinturas dos corpos, escrevendo mensagens, nas faixas, etc. Acho que as coisas vão acontecer naturalmente.
NOTA ZERO PAR O TRADUTOR DO NOME DO EVENTO !
O CORRETO SERIA : PEDALADA MUNDIAL SEM ROUPA
Comentário por CARMEN — 12 de junho de 2008 @ 15:26
Excelente idéia, agora sim os ciclistas terão atenção; e ficarão na lembrança, para serem respeitados.
Pena eu morar no rj e não poder me deslocar à são paulo para cooperar com a idéia/evento.
Parabéns, é isso aí.
Comentário por silvio carandina — 12 de junho de 2008 @ 15:34
Totalmente válido, se houvesse respeito e espaço para os ciclistas nessa cidade, com certeza muitos mais adeririam ao uso da bicicleta e os benefícíos seriam para todos. Menos trânsito, poluição, respeito ao seu direito de ir e vir, além do aumento da saúde e qualidade de vida.
Comentário por helena maria pizani — 12 de junho de 2008 @ 15:38
Rídiculo,esse tipo de protesto,deveriam ser mais original.Ou seja copiar de fora o que é bom.Não esse tipo de coisa que apenas servirá para denegrir mais ainda nossa sociedade.Que a cada dia está mais pervertida.
Comentário por Patricia — 12 de junho de 2008 @ 15:58
LEGAL.
QUERO VER SE VAI TER ALGUMA GOSTOZINHA PELADA PRA ANIMAR O EVENTO.
PARABÉNS PELA INICIATIVA
Comentário por ZÉLIO — 12 de junho de 2008 @ 16:03
aqui de Belo Horizonte, mando nossa energia positiva. Particularmente não tenho coragem (acho que nem idade), mas admiro o protesto. Quanto ao entrevistado… velho, Nota 10! Concordo totalmente com as comparações do que ocorre com a sociedade. Vai dar “Ibope” e isso é bom para a causa. Basta respeitar-nos, o pedestre na faixa ou na calçada, o ciclista e o motociclista no mesmo espaço que os automóveis. fica tudo bem mais fácil assim.
Comentário por Ricardo Girão — 12 de junho de 2008 @ 16:05
HAVERÁ CICLISTAS NUAS TAMBÉM????
Comentário por Manoel Almeida — 12 de junho de 2008 @ 16:05
OBA, OBA, OBA - Faz tempo que eu não vejo homem pelado.
Comentário por luiz carlos munhoz — 12 de junho de 2008 @ 16:05
Excelente iniciativa, como ciclista e cidadã brasileira, sinto-me literalmente “defendida” nesse evento. Parabéns!!!
Comentário por Socorro Ximenes — 12 de junho de 2008 @ 16:07
Todo tipo de manifestação em pró do uso de bicicletas no meio urbanos é bem vinda. A cidade e nossa mãe Terra agradecem!
Valeu! Força!!!
Comentário por Rogério — 12 de junho de 2008 @ 16:14
ADOREI ESSE TIPO DE PROTESTO E TENHO CERTEZA QUE VAI REVOLUCIONAR, É ISO MESMO, NÃO SOMOS IDIOTAS DE FICAR PARADOS ESPERANDO A COISA ACONTECER, SE NADA ACONTECE. PARABENS AOS CABEÇAS.
Comentário por fatima — 12 de junho de 2008 @ 16:24
Pessoal,
aceitando a dica da carmen (primeiro comentário), vou alterar a tradução. Muito obrigado, Carmen.
abs
Iuri
Comentário por Iuri Rubim — 12 de junho de 2008 @ 16:46
Eu estava la, peladão, pedalando.
Se mais pessoas usassem bicicleta invés do carro teríamos alguma chance de melhorar as condições do trânsito e do ar.
Comentário por pelado — 18 de junho de 2008 @ 10:10