Terra Magazine

30 de agosto de 2008

RJ: Orquestra de Sopros une morro e zona sul

iurirubim às 15:04

“Somos uma orquestra única. Só nós temos essa formação no Brasil”. Essas são as palavras de Tina Pereira, regente da Orquestra de Sopros da Pro Arte, que se apresenta gratuitamente neste domingo, no projeto Música nas Estrelas, às 12h, no Planetário da Gávea. Atenção: as senhas são distribuídas uma hora antes de cada apresentação.

O Orquestra de Sopros é composta por 30 músicos jovens (16 a 28 anos) oriundos de um projeto que formou a maioria desde criança. Democrático, o trabalho que põe lado a lado jovens de todas as classes sociais.

- Temos músicos da periferia do Rio, da favela, do morro, e músicos que chegam lá de chofer. Acredito mais num trabalho social misturado que segregado. Você não sabe quem é quem ou qual é a sua classe social porque é a música que nivela todo mundo – enfatiza a regente Tina Pereira.

A Orquestra homenageia anualmente um músico brasileiro, cujas composições viram arranjos inéditos tocados nas apresentações da Orquestra de Sopros.

Em 2008, a honraria é do músico Egberto Gismonti que, feliz com a homenagem, tem acompanhado a Orquestra de Sopros em toda a preparação do espetáculo, assistindo a ensaios e, inclusive, corrigindo arranjos.

- O Egberto Gismonti está super-envolvido. É a primeira vez que temos um músico escolhido tão próximo. Ele manda partitura, corrige arranjo e vai estar com certeza na estréia – conta a regente Tina Pereira.

Composta por flauta, clarinete, saxofone, trombone e trompete; violão, piano, cavaco, contrabaixo, bateria e percussão, a Orquestra tem uma formação dinâmica, que se adapta às habilidades de seus integrantes.

- Eu não tinha trompete no grupo. Daí apareceu um garoto que só tocava trompete. Então agora temos trompete! Depois apareceu mais outro e agora temos dois – explica a regente.

Essa formação especial exige muito talento para criar arranjos tão específicos. Mas o time de arranjadores da Orquestra também é especial: nomes como Carlos Malta, Zeca Assumpção, a tecladista de Chico Buarque, Bia Paes Leme, Ignez Perdigão e Caio Senna há anos colaboram com a Orquestra. “Os caras escrevem muito bem. A gente tem que se virar para tocar”, admite Tina Pereira.

Na apresentação de domingo, os exímios músicos da Orquestra irão tocar o repertório do CD que lançaram pelo selo Rádio MEC, em 1o de abril (!) deste ano. O CD contém faixas dedicadas aos vários compositores brasileiros homenageados pela Orquestra, como Tom Jobim, Baden Powell, Hermeto Pascoal, Dorival Caymmi e Moacir Santos.

A Orquestra assumiu o nome de orquestra há apenas um ano, mas é resultado de um projeto de educação musical de 20 anos, chamado Flautistas da Pro Arte, da Escola de Música Pro Arte, e coordenado pelas professoras da escola, Tina Pereira e Claúdia Dias.

Em 2003, tendo em vista a quantidade de integrantes do “Flautistas” e o grau de profissionalização de alguns de seus membros, o grupo foi dividido em dois e assim nasceu a Orquestra.

Música nas estrelas em fim de temporada

O espetáculo da Orquestra de Sopros faz parte da série Música nas Estrelas, na qual artistas se apresentam com projeção ao fundo de estrelas, planetas e constelações, na tela hemisférica da cúpula da Fundação Planetário.

Os exímios músicos da Orquestra serão as estrelas na 14° apresentação da série neste ano, que encerra a 8a edição do projeto.

Fotos: Acervo/ Orquestra de Sopros da Pro Arte

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29 de agosto de 2008

“Executivos” desfilam de bicicleta por São Paulo

iurirubim às 15:09

Os cicloativistas de São Paulo fazem hoje uma divertida crítica aos gestores de empresas pouco preocupados com o meio ambiente: é a Bicicletada dos Executivos.

- Centenas de pessoas em seus veículos não-motorizados irão comemorar o transporte dos "Executivos" que não poluem, não fazem barulho e não desperdiçam espaço nas ruas – é o que diz o convite para a manifestação.

Segundo os ciclistas, os “executivos” irão inaugurar o "Street Office" em plena Avenida Paulista. “Traje social é recomendado, mas não obrigatório”, avisam. Até porque hoje pode uma “casual friday”, não é mesmo?

Tradicional manifestação dos ciclistas brasileiros, a Bicicletada Paulistana (Critical Mass) acontece sempre na última sexta feira do mês há mais de 6 anos, e em mais de 400 cidades em todo mundo. No caso dos paulistanos, o ponto de encontro para o passeio é na Praça do Ciclista (Avenida Paulista), a partir das 18h.

Sempre abusando do humor, os ciclistas persistem na luta para “ocupar o espaço público de maneira inteligente”, num movimento que agrega cada vez mais pessoas.

- Aqui você sempre será bem vindo, não importa o valor do seu carro ou a grife da sua cueca. Coloque seu terno, vestido ou tailleur e venha a caráter – dizem os ciclistas, cheios de bom humor.

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28 de agosto de 2008

Mulheres aderem a exercício do desafio à metrópole

iurirubim às 9:08

Destaque brasileiro nas olimpíadas, as mulheres são cada vez mais reconhecidas no esporte e na superação dos limites do próprio corpo. A um mundo de distância de Pequim, nas cidades brasileiras, o sexo feminino resolveu encarar um novo desafio: a prática do parkour.

Os praticantes do Parkour, também chamado de Le Parkour, consideram-no uma “disciplina”, na qual usam o corpo para passar por obstáculos de uma forma rápida e fluente. Não é considerado esporte porque não há competição. Conhecidos como traceurs (ou traceuses, no feminino), os praticantes fazem das cidades seus campos de treinamento e exercício dessa disciplina.

O parkour surgiu na década de 80. Seu criador, David Belle, usou inspirações do pai, um combatente na Guerra do Vietnã, para adaptar as técnicas e batizá-las como "Le Parkour" (O Percurso). O movimento cresceu e hoje tem vários grupos e até uma associação brasileira.

Estudante de Têxtil e Moda, na Universidade de São Paulo, Priscila Caccuri tem 20 anos e pratica parkour há pouco mais de dois. Assista a vídeo de Priscila e conheça os movimentos do parkour.

Antes do parkour havia praticado basquete por quatro anos e dança contemporânea por oito - treina nos fins de semana, com sessões de aproximadamente quatro horas. “Mas os treinos são meio como andar de skate: uma hora você está andando e outra não”, diz.

Teve o primeiro contato com praticantes através de uma comunidade no Orkut e, no fim de semana seguinte, já começou a treinar. “Era eu e mais 20 meninos”, diz.

- Fazer Parkour já é estranho, agora imagine voltar para casa com um hematoma na perna, arranhão no braço e um sorriso enorme: SUBI NO MURO! Mamãe ligava: “Filha, tem mais meninas com você?” e eu respondia: “Claro, mãe! Tem mais umas 3 aqui!”. Essa resposta demorou dois anos para se tornar verdadeira – conta Priscila.

Agora, revela a traceuse, as garotas estão começando a se soltar e uma proporção cada vez maior de mulheres está aderindo ao parkour. Ela já não é a única mulher nos treinos. “As meninas estão evoluindo muito, em quantidade e qualidade dos movimentos”, afirma.

- Já treinei com meninas bem novinhas, de 12, 13 anos. São pequenas e mais desinibidas. Eu, que comecei aos 18, costumo falar da minha experiência! Digo: “Olha, quando cheguei era só eu. Aproveita que está cheio de mulher!” – diz, rindo, Priscila.

Para ela, a maior facilidade os homens para essa prática vai muito além da compleição física mais favorável:

- Uma perspectiva mais interessante é analisar o repertório motor do ser humano que é determinado culturalmente, o histórico de experiências do seu próprio corpo. Na infância, os meninos são mais estimulados a subir em árvores, jogar bola na rua, andam sozinhos mais cedo e é esse contato com a cidade e com o concreto que mais diferencia: a experiência e a familiaridade com o espaço – argumenta.

Para ela, enquanto os garotos são estimulados a fazer atividades para gastar suas energias, como o futebol, as mulheres seriam incentivadas a aprender a conter essa energia através, por exemplo, do balé. Priscila revela que teve que superar a idéia da fragilidade feminina para poder soltar seus movimentos.

- Eu me perdoava demais. Ficava frustrada com coisas que não conseguia fazer. Daí pensava: “tudo bem, sou a mais fraca” e começava a construir essa fragilidade na minha cabeça. Até que eu comecei a perceber que não podia ficar usando isso como desculpa. E comecei a entender melhor esse espaço entre o feminino e o masculino. Hoje me inspiro nas habilidades que são diferentes no masculino.

- Mas e quando você consegue fazer algo e eles não?

- Aí é uma contradição. Tiveram alguns momentos que eu consegui fazer um movimento que um menino não conseguiu. Você sente que venceu, rola o pensamento “Eu venci, eu posso!”. Mas aí eu retomo e digo “Vamos lá, vamos conseguir”. Parkour é todo feito de cooperação, solidariedade. Essa comparação não necessariamente competitiva. Somos diferentes, mas ainda bem que somos! Aliás, todo mundo é diferente um do outro, né? – argumenta.

"Você tem que vencer não aos outros, mas a si mesmo"
Priscila Caccuri, praticante de parkour
 

Animada pela maior participação das mulheres, Priscila uniu os estudos em moda e a paixão pelo parkour e criou um casaco para representar praticantes femininas, com inspiração na personagem Beatrix do filme Kill Bill.

Priscila enfatiza que a receptividade dos garotos do parkour em relação às mulheres é muito grande. “É um ambiente bem de amigo, de colega de treino, com muito respeito, exercício de cooperação e uma atenção especial para as meninas. Os meninos se orgulham muito das nossas conquistas”, diz.

A traceuse usa como exemplo seu próprio medo de altura: “morro de medo de altura (acho que é por isso que faço parkour), mas eles sabem que é uma superação minha e me dão força”. O universo do parkour, entretanto, continua muito masculino.

- Teve um dia que não fui treinar porque tinha um casamento e precisei ir para o salão, pintar as unhas… No dia seguinte, fui treinar com unhas pintadas e eles ficaram muito surpresos! Teve uma vez que fui para o treino de pochete de oncinha e me estranharam também. Os assuntos femininos dificilmente são abordados nesse espaço. Coisa tipo “ah, pintei o meu cabelo ontem” não rola - explica.

Priscila conta que até um colega de parkour uma vez achou que ela estivesse no Ibirapuera apenas passeando, ao invés de treinando, porque estava de óculos escuros e cabelos soltos. “Ele falou na boa, mas até respondi: ‘pôxa, faço parkour, mas eu sou mulher’. É como se fosse impossível essa combinação de ser vaidosa e traceuse ao mesmo tempo”, protesta.


Praticantes femininas no 3º Encontro Paulista Parkour

Pergunto à Priscila sobre como ela é vista por gente de fora, como amigas, paqueras e família.

- As vezes que falei com minhas amigas sobre o que eu faço, elas responderam: “Priscila, você não tem perfil para isso!”. E eu perguntei: “Porque não?”. Com os homens, é muito engraçado. Eles ficam admirados, impressionados. Dizem: “Nossa, você faz aquele esporte de pular muro?” – conta, rindo.

- Mas os garotos não acham estranho, esquisito ou pouco feminino?

- Penso sobre isso. Vou fazer uma comparação para ver se você entende. Os super-heróis masculinos são viris, representados pela força. E as heroínas…

- Como gostosonas?

- Isso, com uma imagem erotizada. Então acho que ou enxergam menina forte como algo exótico ou como uma menina moleca, mais ingênua, despojada, com um estilo mais esportivo. Mas não temos uma imagem masculinizada, como vejo algumas pessoas dizerem das jogadoras de futebol. Se bem que eu já saí com um cara que falou: “Poxa, sua mão é mais grossa que a minha!” – ri, novamente.

- E o parkour muda muito o corpo?

- Muda completamente! Mas demora um tempo. Até porque é um treino que você administra. Sempre gostei de exercício de resistência (corrida, bicicleta), mas nessa convivência aprendi a fazer flexão, puxar peso, fazer mais abdominal. Meus ombros ficaram mais largos, os braços mais fortes, as pernas engrossaram e, claro, as mãos ficaram calejadas! – ri.


Priscila (E): As mulheres exibem sua força.

- Hematomas, arranhões e calos constantes… a família não reclama, não?

- Já tive que usar calças para esconder hematomas nas pernas (risos)! Mas meus pais nunca me impediram de treinar. Tem pai que às vezes acha que é coisa de maloqueiro, mas com o parkour aparecendo na mídia, está aos poucos melhorando. A mãe de um amigo meu tinha impedido ele de treinar, mas quando viu que ele começou a dar aulas de parkour no colégio, mudou de idéia - diz.

Fotos e montagens: Arquivo Priscila Caccuri

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27 de agosto de 2008

Festival reúne cultura popular e música eletrônica

iurirubim às 11:35

O discurso de boa parte das pessoas que lidam com cultura popular enfatiza a necessidade de preservá-la dos riscos da “descaracterização”. Pois o Festival Raiz & Remix vai na direção oposta: a fim de evitar o isolamento da cultura popular do resto da sociedade, promove a sua reunião com a música eletrônica, uma das linguagens mais radicalmente contemporâneas.

- O evento trata basicamente de cultura popular. Este é o foco principal. Mas a cultura popular não fica isolada do resto das linguagens artísticas. Queremos mostrá-la junto com outras linguagens que dialogam com ela, que bebem nessa fonte – afirma Chico Egídio, da Associação Raízes, um dos organizadores do festival.

“A festa da cultura popular e suas releituras” é o slogan do Festival que, sempre com entrada gratuita, está na terceira edição. Não por acaso, todo ano é realizado no último fim de semana de agosto, o mês do folclore.

Já vieram ao Raiz & Remix artistas como Lia de Itamaracá e o Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

A edição de 2008 do Raiz & Remix acontece nos dias 29 e 30 de agosto, no Parque Josefa Coelho, em Petrolina (PE). Leva aos palcos Riachão, o “malandro do samba baiano” de 86 anos, e o grupo Samba de Veio, que é da Ilha do Massangano, próxima a Petrolina.

"Essa é a idéia, acabar com os preconceitos" 
Chico Egídio, organizador do Festival Raiz & Remix

O organizador do Festival insiste na importância de não menosprezar a capacidade dos artistas populares: “não podemos tratá-los como coitadinhos. São artistas e merecem reconhecimento artístico e econômico”.

- Sabe que às vezes até os próprios grupos, de samba, por exemplo, ficam preocupados, achando que palco e luzes é demais para eles, que estão muito stars, brilhando demais. A gente tenta ir minimizando esses preconceitos – afirma Chico Egídio.

O lado “moderno” do Festival está representado pelo paulista Alfredo Belo, o DJ Tudo, cujo trabalho passa pelo remix de músicas de raiz e que vai lançar no Festival o CD “A Garrafada”. Na mesma linha do DJ Tudo, “mas ainda mais conceitual”, diz o organizador do evento, Chico Corrêa e Eletronic Band, da Paraíba, também se apresenta no Festival.

- Tentamos trazer artistas contemporâneos mais independentes, que tenham alguma ligação com a cultura popular – explica Chico Egídio.

O Raiz & Remix também valoriza as atrações locais. Além do grupo Samba de Veio, a região de Petrolina está representada por Matingueiros, Andranjus e Apocalipse Reggae.

O primeiro é um grupo parafolclórico à la Mestre Ambrósio, cujo som cheio de referências populares flerta com o pop. Os outros dois tocam, respectivamente, rock pesado e reggae, sem conexão direta com a cultura popular.

“Entretanto, estimulado pelo Festival, o próprio Andranjus já fez uma releitura do Samba de Véio, tocando a música no ritmo bem mais pesado”, conta Chico Egídio. Ele explica que também faz parte esse estímulo ao diálogo também faz do evento.

Antes do festival, alguns artistas desses grupos farão pocket shows em shopping centers, para despertar a curiosidade do público. “Estraníssimo, né? Tem lugar mais estranho para esse tipo de manifestação?”, comenta, rindo, Chico Egídio.

Outras expressões

O Raiz & Remix abre espaço para outras artes além da música. Na Feira Multicultural, que ocorre em paralelo ao evento, o público ver novamente o popular dialogar com o contemporâneo: tendas de tatuagens e body piercing ficam lado a lado com diversos tipos de artesanato. Alguns artesãos, inclusive, estarão esculpindo ao vivo obras em madeira. CDs, camisas feitas artesanalmente e diversos outros atrativos também compõe a Feira.

Tanto a Feira Multicultural quanto outro espaço, a Tenda de Música Eletrônica, terão apresentações nos intervalos dos shows do palco principal.

Oficinas

Na seqüência do evento, a Associação Raízes fará oficinas de audiovisual com cerca de 60 pessoas, relacionadas ‘as manifestações populares da região. “A idéia é que a própria comunidade desenvolva habilidade para registrar seus folguedos”, explica Chico Egídio.

A expectativa é que sejam realizadas três oficinas, com duração de dois meses cada (8h semanais), sempre aos finais de semana. Em 2007, 120 pessoas participaram de quatro oficinas: dança, música, audiovisual e DJ.

Foto: Acervo Festival Raiz & Remix

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25 de agosto de 2008

Tambor-de-Crioula exalta São Benedito em Alcântara

iurirubim às 17:05

É época de Festejo de São Benedito na cidade-museu de Alcântara (MA). Entre os dias 24 e 27 de agosto, o mais negro dos santos recebe homenagens dos grupos de Tambor-de-Crioula – manifestação da cultura popular maranhense de origem negra e reconhecida pelo Ministério da Cultura como patrimônio imaterial brasileiro.

A celebração para São Benedito já dura muitas gerações. Todo mês de agosto, mestres de Tambor-de-Crioula de todos os recantos de Alcântara se reúnem na sede do município, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída em para que os negros demonstrassem sua fé, já que não poderiam fazê-lo na igreja dos brancos.

Posto de pé à custa do suor negro, graças aos esforços da Irmandade de Nossa Senhora dos Pretos, o templo começou a ser construído em 1780 e foi benzido em 29 de maio de 1803, quando recebeu as imagens de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, oriundas da igreja da Matriz.

Tornou-se, portanto, tradição festejar São Benedito anualmente em frente ao local, quando um mastro é colocado no adro da igreja e, de seu ponto mais alto, pendem cordões com bandeirinhas coloridas, enfeitando o local tomado pelo Tambor-de-Crioula.

Tocado e dançado como forma de preservar a identidade cultural dos antepassados que, mesmo diante de sofrimentos da senzala não perdiam a fé em seu santo protetor, o Tambor-de-Crioula dita, diariamente, o ritmo do festejo de São Benedito.

O ritual relembra as noites de lua cheia, quando os negros escravos entoavam, nas senzalas, cânticos de devoção ao seu santo protetor, sob o rufar dos tambores-onça.

Até pouco tempo atrás, o batuque seguia sem parar durante os quatro dias da festa. Nos últimos festejos, a madrugada interrompe o toque dos tambores, que recomeça no dia seguinte.

“Meu São Benedito 
Vosso Manto Cheira (bis) 
Cheira a Cravo e Rosa 
A Flor de Laranjeira…”

O ritual da Festa de São Benedito também inclui ladainhas e uma procissão, que percorre praticamente a cidade inteira, com paradas estratégicas em frente a várias igrejas da cidade. Ao longo dos cortejos, das marchas dos tambores e das ladainhas, e até nos momentos mais calmos, o estrépito dos foguetes é permanente.

Tambor de Crioula

Um dos rituais mais populares da cultura afro maranhense, o Tambor-de-Crioula é uma celebração baseada na música e dança que mistura fé e diversão.

Os coreiros e coreiras reúnem-se em um círculo, com homens tocando e cantando as toadas enquanto as mulheres dançam.

Embaladas pelo ritmo acelerado dos tambores, as coreiras interagem através da punga, ou umbigada: batem de frente com a barriga em quem está no centro da roda, saúdam uma companheira e a convidam para dançar.

A percussão embalada pelos coreiros é composta por três tambores, sempre tocados com a mão. O maior deles, chamado de roncador ou rufador, anuncia a punga; o médio (meião, socador ou chamador) marca o ritmo e o menor (perengue, merengue ou crivador) faz um som repicado. A matraca também é usada para cadenciar as coreiras.

Grandes saias rodadas e estampadas, torsos na cabeça, pulseras e colares, além da blusa branca de renda, compõem o alegre vestuário feminino. A maioria dos grupos que mantém viva a cultura do tambor de crioula está ligada às associações de bumba-meu-boi, outra tradição fundamental do estado.

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23 de agosto de 2008

Bahia ganha circuito de Samba de Roda

iurirubim às 13:10

Patrimônio cultural da humanidade, o Samba de Roda baiano irá, a partir deste domingo, circular pelo interior do Estado, dando visibilidade a esta importante manifestação cultural brasileira.

Começando por Irará, no dia 24 de agosto, o Circuito do Samba vai passar até 30 de novembro por outros sete municípios: Saubara, Santo Amaro, Terra Nova, Vera Cruz, Maracangalha/ São Sebastião do Passe, Conceição do Almeida e Antônio Cardoso.

Iniciativa conjunta da Fundação Cultural do Estado da Bahia e da Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia, este giro do Samba de Roda reúne 55 grupos de 29 cidades do Estado.

- Reconhecemos a necessidade de democratizar e interiorizar as ações, além de fomentar, identificar e divulgar os grupos de Samba de Roda do Estado – comenta Gilberto Monte, diretor de Música da Fundação Cultural.

Através da circulação dos grupos, espera-se que o Samba de Roda fique mais próximo do cotidiano das pessoas, reforçando esse traço de sua identidade negra, baiana, brasileira.

Além das apresentações, quando a população pode chegar mais perto desta expressão cultural única, o Circuito do Samba foi concebido para incentivar o intercâmbio entre grupos de Samba de Roda, através da troca de idéias e da interação entre músicos, sambadores e sambadeiras baianos.

Utilizando como base o Circuito do Samba, também está nos planos realizar um mapeamento cartográfico e a conseqüente criação de um banco de dados sobre os grupos de Samba de Roda na Bahia.

Pretende-se, ainda, criar uma rede de grupos de Samba de Roda visando à sua respectiva profissionalização.

Patrimônio da humanidade

Na segunda metade do século 19, o samba surgiu como uma forma de preservação da cultura de origem africana trazida para o Brasil, no período colonial. Evoluiu do semba, manifestação angolana.

De acordo com pesquisas históricas, entre outras variações, o Samba de Roda veio a se tornar, no decorrer do século XX, um grande símbolo do folclore brasileiro.

O Samba de Roda baiano é uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva das mais importantes do cenário brasileiro. Presente em todo o estado da Bahia, é mais forte na região do Recôncavo.

Em outubro de 2004, o Samba de Roda do Recôncavo baiano foi inscrito no Livro das Formas de Expressão do Patrimônio Imaterial do Brasil, e em 2005 foi incluído, pela Unesco, na Terceira Declaração das Obras Primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

Veja abaixo a programação dos encontros do Circuito do Samba:

24 de Agosto - 1º Encontro em Irará
31 de agosto - 2º Encontro em Saubara
14 de Setembro - 3º Encontro em Santo Amaro
28 de Setembro - 4º Encontro em Terra Nova
12 de Outubro - 5º Encontro em Vera Cruz
26 de Outubro - 6º Encontro em Maracangalha / São Sebastião do Passé
9 de Novembro - 7º Encontro em Conceição da Almeida
30 de Novembro - 8º Encontro em Antônio Cardoso

Fotos: Luiz Santos/ IPHAN; Norma Sueli/ Casa do Samba

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22 de agosto de 2008

Centro Nacional de Folclore completa 50 anos

iurirubim às 16:30

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNPCP) comemora hoje (22/8) 50 anos de existência. A data coincide com o Dia Nacional do Folclore, instituído sete anos mais tarde da criação do CNPCP, em 1965.

O CNPCP resolveu contornar a meia-idade e celebrar o qüinquagésimo aniversário de “cara nova”, pelo menos na Internet: o Centro lança hoje um novo portal www.cnfcp.gov.br.

A nova versão do portal, segundo o CNPCP, irá ampliar o acesso à informação qualificada, colaborando com a difusão de registros e estudos sobre manifestações da cultura popular brasileira.

A programação do 50º Aniversário do Centro Nacional de Folclore inclui também o lançamento do vídeo documentário em DVD “Em busca da tradição nacional (1947-1964)”.

O vídeo inaugura a série “Caminhos da Cultura Popular no Brasil”. Uma forma de destacar o esforço de intelectuais brasileiros para o estudo e a preservação das expressões populares.

A partir de fotografias, gravações sonoras e filmes reunidos desde 1940 no acervo da Biblioteca Amadeu Amaral/ CNFCP, o vídeo narra a história da instituição e um pouco da memória dos estudos de folclore e cultura popular no Brasil.

Estão previstas ainda apresentações do grupo de capoeira “Angola Ypiranga de Pastinha”; do bumba-meu-boi “Brilho de Lucas” e do repentista Miguel Bezerra.

O lançamento do vídeo e do site será realizado no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro, às 18 horas, e as apresentações, no espaço em frente à Galeria Mestre Vitalino. O CNFCP fica na Rua do Catete, 179 (Rio de Janeiro).

O Centro Nacional do Folclore é a única instituição pública federal que desenvolve e executa programas e projetos de estudo, pesquisa, documentação, difusão e fomento de expressões dos saberes e fazeres do povo brasileiro. Suas atividades produziram um acervo museológico de 13 mil objetos, 130 mil documentos bibliográficos e cerca de 70 mil documentos audiovisuais.

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21 de agosto de 2008

Teatro reduz violência doméstica em Salvador

iurirubim às 1:11

Já se imaginou no palco, interpretando um personagem ao lado de sua mãe? Essa inusitada convivência de jovens com seus pais tem provocado a redução de violência doméstica em vários lares de Salvador.

Parte da mostra de artes cênicas A Cidade Cria Cenários de Cidadania, a peça Diálogos põe em cena pais e filhos, tias, sobrinhos e as várias formas de parentesco que pudermos imaginar, até mesmo sem laços sanguíneos.

A mostra é promovida anualmente pelo Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA) e acontece de 18 de agosto a 3 de setembro, sempre de segunda a quinta, às 18h30, no Teatro SESC/ SENAC, no Pelourinho. Diálogos é apresentada nos dias 28 de agosto e 1 de setembro. Saiba mais.

A peça nasceu de uma demanda das próprias famílias dos jovens que participavam do CRIA. Por volta de 1999, algumas mães se manifestaram. Queriam ficar “espertas” que nem os filhos. Os pais presentes não ficaram atrás: “êpa, também quero participar”, diziam.

Dessas demandas surgiu o projeto “Diálogo na família: uma arte”, realizado no ano 2000, que envolvia a produção de um vídeo, a peça e um diário (no qual os jovens escreveriam cartas para dizer o que não tinham coragem de falar diretamente aos familiares). Desde então, a peça “Diálogos” é encenada anualmente pelos jovens e suas famílias, no grupo teatral Pais e Filhos.

A experiência partilhada por essas famílias nos ensaios e no palco dá a todos a oportunidade de se relacionarem sob uma nova perspectiva.

- Aqui todos são colegas de teatro. Um tem que aprender a lidar com o outro, ouvir sua voz como um colega de grupo. Não permito que nenhuma mãe fique reclamando com o filho. Os filhos, por sua vez, têm a oportunidade de ver as mães em outro lugar e com outro papel. Podem ver a mãe se arriscando, dançando, pagando mico – conta Carla Lopes, diretora do espetáculo.

A jovem mãe Uiara Gonçalves, 25, explica que também deixou as surras de lado: “Fiquei mais paciente. Parei de bater. Aprendi a sentar, conversar, não já ir reclamando. A peça é um exemplo para mim em muitas coisas”.


O garoto Yuri (centro) passou a conversar mais com a mãe

Filho de Uiara, Yuri José Santos, de apenas 10 anos, concorda: “Antes, a gente não conversava”. Em um breve momento da peça, ele “faz o papel” de filho de Uiara. “No começo foi assim difícil, não podia fazer algumas coisas. Mas depois ela virou parceira de grupo, igual a todo mundo”, confessa o pequeno Yuri.

A diretora Carla Lopes explica que, ainda que a questão da violência doméstica não esteja diretamente explícita no currículo de formação dos atores, é tema freqüente. “Acaba aparecendo, de forma muito natural”, diz.

Segundo ela, os filhos trazem mágoa sobre o assunto e muitas mães acham engraçado. “É aquela história de ‘fui educada assim, pé de galinha não mata pinto’. O conflito já surge aí”.

- No processo de preparação para o espetáculo, há todo um trabalho para que as pessoas se vejam, se reconheçam. A princípio a gente começa a dar risada, depois chora, e depois conversa sobre a violência e a falta de diálogo dentro das famílias. Discutimos se a criança é um ser a ser tutelado ou um ser de direitos – conta a diretora.

Essa aproximação promovida pela peça e a criação de uma nova cumplicidade no universo do teatro tem transformado a vida dessas “trupes familiares”, em cujos lares há muito mais “Diálogos” e menos agressividade.

Quando a violência dá lugar às palavras

A violência esteve muito presente na vida de Maria de Lourdes, 59. A depender da ocasião e da desobediência, seus filhos Ciro, 23, e Fernanda, 17, apanhavam de cinto ou mesmo com uma tábua.


A família de atores agora resolve tudo na conversa

- Eu achava que filho era só para obedecer. Que pé de galinha não mata pinto. Dava surra mesmo. Queria que me entendessem como minha mãe fazia. Eu dizia para eles: ‘eu bato hoje para a polícia não querer bater amanhã’ – revela Maria de Lourdes, carinhosamente chamada de Lurdinha.

Antes deles, a primeira filha, hoje com 28 e criada pela irmã de Lurdinha. “Aquela criança foi uma benção que veio de uma tragédia”. Pouco afeita a meias palavras, D. Maria de Lourdes revela: a tragédia foi uma violência sexual, sofrida há quase trinta anos.


D. Lurdinha mostra, brincando, a tábua que usava para
"dar bolo" nos filhos

Lurdinha explica que tentava educar os filhos seguindo o modelo severo de sua mãe, que “falava com a gente só com o olho”. Criados na base da linha dura, “nenhum dos quatro filhos e deu para errado”. “A gente era muito pobre mesmo. Passava até fome. Mas nunca pegava nada dos outros”, lembra Maria de Lourdes.

- Agora eu estou achando que eu era errada. Eu tô aprendendo muito a lidar com os meus filhos, tô me reeducando como mãe – conta, transbordando de orgulho.

Até chegar a essa conclusão, o caminho foi longo. E passou pela entrada, há três anos, da filha mais nova no Centro de Referência Integral de Adolescentes, o CRIA.

Passando por formações e atividades específicas sobre os direitos da criança e do adolescente, Fernanda começou a questionar a violência como forma de educação.

- No começo, quando minha mãe vinha para cima de mim, eu gritava: vou te denunciar no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]! Eu tenho meus direitos! – fala, achando um pouco de graça.

E D. Lurdinha respondia:

- Enquanto você estiver no meu teto, eu é que mando.


Fernanda e Ciro: orgulhosos da "virada" da mãe

Aos poucos, Maria de Lourdes passou a freqüentar as formações e atividades da ONG voltadas para as famílias dos jovens. “A última vez que ela me bateu” – contabiliza Fernanda – “foi no meu segundo ano no CRIA. De lá pra cá, nunca mais”.

De repente, atriz

Lurdinha e o filho Ciro passaram a ser atores e colegas de teatro no começo de 2008.

Segundo Lurdinha, ela foi parar no grupo Pais e Filhos por acaso. Ao levar Ciro para fazer a sua segunda seleção para o CRIA (não havia passado na primeira vez), ela foi informada que os dois haviam sido selecionados.

- Como assim nós dois? Eu não posso! Não tenho tempo. – contestou, surpresa.

A participação no grupo de teatro, às noites de quinta e aos sábados, não veio sem sacrifícios. Lurdinha teve que negociar com a diretora da escola em que cursa o segundo grau a liberação das faltas nas quintas e estudar as lições por conta própria. A presença no CRIA aos sábados também significou uma redução no orçamento mensal, logo que não pôde mais fazer faxina (Lurdinha é diarista) nesse dia.

A mãe de Ciro explica o que a motiva para enfrentar feliz todas essas dificuldades:

- Estava vendo muito pouco os meus filhos. Eu sempre fui pai e mãe para Ciro e Nanda. Como nunca tive a minha mãe presente nas coisas da escola, faço de tudo para ficar perto deles. Até fazer capoeira e jogar bola. Ciro sempre queria que eu fosse jogar com ele. Uma vez levei uma bolada. Fiquei oito dias com a boca inchada. Parecia que eu tinha apanhado – conta Lurdinha.


No ensaio (esquerda para direita): D. Lurdinha, Uiara, Ciro

Sempre bastante ativa, Lurdinha adaptou-se rapidamente à nova empreitada: “Fico muito à vontade. A peça é o meu dia-a-dia. Quase tudo que acontece lá, acontece aqui comigo”.

A convivência diária de Lurdinha com o universo dos filhos mudou muita coisa em casa. “Agora estou aprendendo a valorizar mais esse tempo que passamos juntos. Conseguimos ter mais diálogo”, conta Fernanda.

E sobre o desempenho de D. Lurdinha como atriz?

- No começo, a gente ficava com vergonha. Minha mãe fala muito! Mas agora o assunto aqui em casa são as nossas cenas – abre o jogo Fernanda.

Mais experiente na vida de atriz, Fernanda muitas vezes “dirige” o irmão e a mãe quando ensaiam os textos em casa.

Ciro, que divide o palco com D. Lurdinha, é ainda mais enfático:

- Minha mãe dançando é muito engraçado! Eu ficava com vergonha de ver minha mãe errando e sem querer que reclamem com ela. Agora, ela é a minha mãe, mas também é minha colega. Estou muito orgulhoso dela – diz.

O jovem ator faz malabarismos para “tomar conta” da mãe: “Em cena, tem um momento que fico cantando e olhando para Fernanda na platéia, para saber se minha mãe está fazendo tudo direito”.

Efeito Cascata

A redução da violência doméstica trazida pela peça “Diálogos” não se limita às famílias envolvidas diretamente no espetáculo.

- Agora eu dou conselhos para amigos e vizinhos. Para que eles também aprendam a educar melhor seus filhos. Eu tive essa oportunidade, né? Agora tenho que passar isso para os outros também – diz D. Lurdinha.


D. Lurdinha e Ciro aprenderam a se respeitar como colegas

- Se a gente aprende de um jeito, é daquele jeito que a gente passa para o outro. E sempre aprendi tudo na minha vida na base da violência. Hoje quero mostrar para outros jovens que não precisa ser assim – opina Ciro.

Fernanda e Ciro levam tanto as técnicas de teatro quanto o gosto pelo diálogo para a escola e a comunidade em que vivem.

- Tudo é uma questão de argumento. Aos poucos, eu e meus colegas estamos convencendo os professores que aluno também tem espaço de falar – explica a secundarista.

Ela e o irmão coordenam um grupo cultural comunitário, chamado Lua Nova, no bairro onde moram (São Lázaro). “Eu fui aluna do grupo e agora sou uma das coordenadoras”, conta, orgulhosa, Fernanda.

Atualmente, ela está adaptando para o grupo a peça “O sonho acabou, mas tem brigadeiro”, escrita por quatro ex-estudantes do Centro de Ensino Ave Branca em Taguatinga.

Fotos: Acervo CRIA (1, 2, 6); Iuri Rubim/ Blog das Ruas (3, 4, 5 e 7)

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Mostra de artes cênicas combina teatro e cidadania

iurirubim às 0:50

 

Já está acontecendo a mostra de artes cênicas A Cidade cria cenários de cidadania. Promovida anualmente pelo Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), a mostra está em cartaz de 18 de agosto a 3 de setembro, sempre de segunda a quinta, às 18h30, no Teatro SESC/ SENAC, no Pelourinho (Salvador). Diálogos é apresentada nos dias 28 de agosto e 1 de setembro.

São cincos espetáculos: Ver-A-Cidade com Tradições; Silêncios Sentidos; Quem Somos Nós?; Quanto Custa?; Diálogos; e Quem Descobriu o Amor?.

Na entrada da mostra, um simpático cartaz avisa que o preço da entrada fica ao gosto do freguês: “Contribua com a nossa arte. Meta a mão no bolso e faça a sua parte”.

Uma grande variedade de aspectos da vida cotidiana dos adolescentes e jovens de Salvador é abordada nas montagens da mostra. Temas como violências sexual e doméstica, diálogo na família, identidade afro-brasileira e nordestina, direitos da criança e do adolescente perpassam as apresentações.

Cada montagem é apresentada duas vezes em dias consecutivos (veja programação). Terminada a mostra, os espetáculos passam a ser apresentados em escolas, centros comunitários e eventos até o final do ano.

Quem não conseguir assistir os espetáculos nessas duas semanas, tem uma segunda chance a partir de 22 de setembro, quando as montagens serão apresentadas no Espaço Xisto Bahia, no bairro dos Barris, também na capital baiana.

Saiba mais na Webrádio Cultura Viva (Notícias da Rede 48)

Fotos: Ana Fernanda/ CRIA

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19 de agosto de 2008

RJ: Rabeca encontra viola caipira nas estrelas

iurirubim às 16:52

Pela primeira vez, a rabeca de Siba e a viola caipira de Roberto Corrêa vão se encontrar. Essa reunião entre as tradições caipira e nordestina acontece no dia 24 de agosto, às 12h, no Planetário da Gávea (Rio de Janeiro).

A apresentação, gratuita, faz parte da série Música nas Estrelas, na qual performances de música instrumental ganham a projeção ao fundo de estrelas, planetas e constelações, na tela hemisférica da cúpula da Fundação Planetário. Atenção: as senhas são distribuídas uma hora antes de cada apresentação.


Siba, fundador e ex-integrante do Mestre Ambrósio

Siba e Roberto Corrêa são músicos que buscam a recriação de suas tradições regionais e representam a renovação técnica e estética de seus instrumentos: a rabeca e as violas. O primeiro, de Pernambuco, vem se notabilizando por um trabalho de modernização da tradição musical de seu estado; o outro, do Distrito Federal, é considerado um dos melhores músicos do país atualmente.

Siba fundou e fez parte do grupo pernambucano Mestre Ambrósio por 12 anos. Atualmente, desenvolve trabalho em parceria com músicos tradicionais da zona da mata de Pernambuco, intitulado "Siba e a Fuloresta". Com este trabalho, já lançou dois discos e realizou apresentações em diversas cidades brasileiras e européias.

Também faz parte do grupo "América Contemporânea", formado por músicos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Chile e Brasil, com direção do pianista Benjamin Taubkin.


Corrêa publicou guia de ensino e estudo da viola caipira

Violeiro compositor e pesquisador, Roberto Corrêa tem mais de vinte anos de carreira, lançou 15 discos e apresentou a viola caipira e a viola de cocho nas diversas regiões brasileiras e em 29 países.

Como compositor Roberto Corrêa vem contribuindo para formação do repertório da viola. Sua música é erudita e contemporânea e ao mesmo tempo vinculada às tradições musicais do Brasil interiorano.

Corrêa desenvolveu técnicas próprias para a viola, sistematizou a técnica de violeiros tradicionais e publicou o mais completo método para ensino e estudo da viola caipira.

A proposta instigante da união desses dois universos musicais deve, inclusive, gerar em breve um disco da dupla.

Fotos: Divulgação (1), Adla Marques/ Divulgação (2)

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