Terra Magazine

29 de setembro de 2008

MG: Universo gay vira tema de debate acadêmico

iurirubim às 21:29

Temática geralmente evitada por boa parte da sociedade, o universo de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais é encarado de frente pela academia.

Entre hoje e sexta-feira (3/10), a Universidade Federal de Minas Gerais acolhe a I Semana Universitária da Diversidade Sexual, cuja idéia-força é “Rompendo o pacto do silêncio”.

A programação da Semana da Diversidade Sexual reproduz o espírito da pluralidade. São conferências, mesas-redondas, oficinas, lançamentos de livros, exibição de filmes e performances de teatro e música.

Na pauta, as experiências de quem escolheu assumir uma orientação sexual diferente daquela ainda hoje, em pleno século 21, considerada “padrão”.

Além de aproximar as pessoas desse universo, o evento também aborda fortemente o preconceito e a discriminação, bem como a organização de movimentos pelos direitos GLTB.

Organizada pelo Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds!) e pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania GLBT da UFMG (Nuh/UFMG),  A Semana da Diversidade Sexual tem entrada franca e as inscrições podem ser feitas no local. Acesse o site do Gudds! e veja a programação completa.

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26 de setembro de 2008

Mostra de contos yorubás homenageia orixás gêmeos

iurirubim às 16:06

Muitos conhecem o dia 27 de setembro como o dia de São Cosme e Damião. O que nem todo mundo sabe é que, no sincretismo afro-brasileiro, os santos representam os Ibejis, os orixás gêmeos amigos das crianças. Daí a tradição de celebrar a data com o oferecimento de caruru, uma das mais tradicionais comidas de santo.

É em homenagem aos Ibejis que a Biblioteca Abdias do Nascimento - Espaço BNB de Incentivo à Cultura e o Instituto Ylê Axé - Casa de Cultura e Arte Negra realizam neste sábado (27/9), a partir das 9h, uma Mostra de Contos Yorubás. A Mostra é gratuita e acontece na própria Biblioteca, localizada na Ladeira da Teresinha, n.1, 1o. andar, no bairro Escada (Av. Suburbana – Salvador).

Vice-coordenador da Biblioteca e professor do curso de Yorubá do estabelecimento, o músico Eduardo Pereira Odùdúwa, 26, é o anfitrião da Mostra e o contador das histórias. Segundo ele, serão contados entre cinco e sete contos, dependendo da dinâmica do público.

- Os contos yorubás chama-se Alo e são transmitidos oralmente. Assemelham-se aos contos de fada ocidentais. Tematizam personagens como animais e árvores e alguns têm a participação dos orixás. Mas, ao invés de apenas entreter ou divertir, trazem sempre uma lição de moral e são voltados para educar as crianças dentro da cultura e das tradições yorubás – explica Eduardo Odùdùwa.

Com esse objetivo de educar explicitado, vários provébios africanos aparecem nos contos.

Uma característica importante dos contos yorubás é a presença da música – elemento constituinte da formação e da cultura yorubá. A grande maioria dos contos da Biblioteca Abdias do Nascimento e também nos contos que fazem parte da Mostra tem sua narrativa traduzida para o português, mas as músicas são preservadas na língua original.

- A Mostra vai revelar qual o significado das músicas e porque elas não podem ser traduzidas – comenta Ísis Sacramento, a coordenadora da Biblioteca.

Eduardo afirma que vai trabaljar também com alguns contos yorubás redigidos por não-africanos, como o artista plástico Mestre Didi.

- Na verdade, esses são contos que foram reconstruídos aqui no Brasil, tomando uma identidade mais brasileira, ganhando algumas características novas e perdendo outras. Um aspecto que foi perdido nesses contos é a questão da música. No Brasil, eles só conservaram a parte falada – diz o professor de yorubá.

Para o anfitrião da Mostra, uma questão chave a ser trabalhada é a territorialidade, logo que existe uma forte tendência no mundo ocidental de enxergar a África como “uma coisa única”, sem perceber as diferentes culturas e legados de suas civilizações.

- A Nigéria, uma parte do golfo do Benin e pequena parte do Togo eram territórios Yorubás. O candomblé, que veio das nações Ketu e Jeje, utiliza língua yorubá. Daí é possível perceber como o que somos hoje é resultado da influência Yorubá.

A Mostra de Contos Yorubás faz parte do projeto NAENCRUZA, que realizará encontros com novos artistas que tenham a temática negra abordada em seus trabalhos. O evento acontecerá sempre no último sábado de cada mês.

- Estamos bastante ansiosos e felizes com a resposta que temos tido até agora. Professores, pesquisadores, religiosos e estudantes têm confirmado presença no evento – comenta Eduardo

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25 de setembro de 2008

No palco, Brasil e Argentina disputam improvisação

iurirubim às 12:32

A tradicional rivalidade do futebol entre Brasil e Argentina veio parar… nos palcos de Belo Horizonte. Com direito a juiz e bandeirinhas, os países competem pela melhor improvisação teatral.

Representantes dos dois países se enfrentam nesta quinta, a partir das 20h30, no Campeonato Match de Improvisação, no Teatro Alterosa (Av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta). O campeonato é parte do FIMPRO - Festival Internacional de Improvisação Teatral, organizado pela Liga Profissional de Improvisação – BH, que acontece de 19 a 28 de setembro na capital mineira.

Além de Brasil e Argentina, participam também da disputa México e Chile, que se enfrentam na sexta. A rivalidade é tanta que, mesmo com as chaves definidas por sorteio, lá estamos nós enfrentando os “hermanos”.

Os perdedores de ambas as partidas encontram-se novamente no sábado para a disputa do terceiro lugar e a grande final acontece no domingo, sempre nos mesmos local e horário.


Exemplo de um match de improvisação, com os
atores da seleção brasileira

O “match de improvisação” foi criado no Canadá, nos anos 70. Ponto alto do FIMPRO, os campeonatos já são uma tradição nos festivais de improvisação teatral.

- A competição é apenas uma brincadeira que serve para dar um pouco de adrenalina à coisa, principalmente no caso Brasil e Argentina, mas o principal objetivo é se aprender com o outro, divertindo-se e mostrando ao público boas histórias – diz Mariana Muniz, atriz, curadora e coordenadora geral do FIMPRO.

Nas campeonato, o Brasil é representado pela Liga Profissional de Improvisação – BH e a Argentina, pela Liga Profesional de Improvisación. Os grupos Complot/Escena e Colectivo Mamut representam México e Chile, respectivamente.

Cada “partida” tem dois tempos de 40 minutos, nos quais as duas equipes, formadas por cinco atores-improvisadores cada, têm que fazer improvisações inspiradas em títulos fornecidos pelo púbico. O público vota nas melhores cenas e ganha a equipe que obtiver mais pontos.

Existem dois tipos de cena, a comparada e a mista, que duram entre 30 segundos e seis minutos. No primeiro caso, os competidores criam cenas separadas, a partir da mesma provocação. No segundo, criam uma cena em conjunto. Neste caso, o público vota diretamente nos atores.

As regras do match de improvisação são internacionais e, tal qual o futebol, as disputas têm um juiz e dois bandeirinhas para zelar pelo seu cumprimento. Eles, inclusive, marcam faltas, que podem ocasionar a perda de pontos ou a expulsão de um jogador da disputa.

Não escutar o público, nomear o personagem do adversário ou colocar um número ilegal de personagens numa cena são algumas dessas faltas. Todas as partidas serão acompanhadas de músicas ao vivo, também – claro! – improvisada.

Improvisação: a arte do desapego

Considera-se que a improvisação começou a receber atenção no Brasil há cerca de 10 anos e surgiu no mundo por volta dos anos 70, com destaque para o Canadá e a Inglaterra.

Hoje é possível conhecer apresentações muito sofisticadas, como a Improtube, um espetáculo argentino em que a platéia sugere temas e os atores improvisam a partir de vídeos do You Tube, relacionados aos temas sugeridos.

Ainda pouco popular no país, a improvisação teatral é um ramo das artes cênicas sintonizado com o teatro contemporâneo.

- A improvisação valoriza demais a relação do ator com o público. O espetáculo que você faz hoje à noite não vai existir nunca mais, e só existe por conta do público ali presente. É um exercício do desapego, tanto para vaidades quanto fracassos. Por mais espetacular que seja uma apresentação, ela já acabou. O mesmo acontece com um dia ruim – conta Fred Bottrel, ator da Liga Profissional de Improvisação de BH.

Ativa há apenas dois anos, a Liga de Improvisação têm esforçado-se para popularizar esse aspecto do teatro na cidade, culminando no Festival Internacional. O Festival levou à capital mineira grupos brasileiros e estrangeiros, montando uma mostra bastante diversa da improvisação latino-americana.

Neste amplo menu, lirismo, velocidade, mistério e humor negro são aspectos desse caleidoscópio do imprevisto.

- Quem nunca viu improvisação, pode ter certeza de que a visão sobre o teatro vai mudar muito depois deste festival, porque a interação entre público e atores é única e o que se leva pra casa é a sensação de ter visto algo diferente, surpreendente e criado com você, aqui e agora – afirma a curadora do Festival.

Foto: Acervo pessoal do ator Fred Bottrel

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24 de setembro de 2008

TV leva cortador de cana a fazer violino popular

iurirubim às 13:03

Hoje conhecido como Mestre Nelson da Rabeca, seu Nelson dos Santos é talvez um caso único em toda a história da música brasileira.

Morador da pequena Marechal Deodoro, município da região metropolitana de Maceió, seu Nelson trabalhava na lavoura de cana-de açúcar, no corte da cana. Era uma vida dura: “eu não tinha o que comer”, revela.

Um dia, aos 54 anos, viu um músico tocando violino na televisão. Nunca tinha segurado um violino na vida, mas achou tudo tão bonito que resolveu, ele mesmo, fazer um instrumento daquele.

- Eu fui pra mata, cortei uma madeira e botei pra secar. Deu para fazer umas cinco rabecas [versão nordestina do violino] – explica Mestre Nelson.

A rabeca é um instrumento folclórico parecido com o violino, muito popular no Nordeste brasileiro. Tem um timbre mais baixo que o do violino e suas quatro cordas de tripa geram um som fanhoso e sentido como tristonho.

Insisto em perguntar se ele já havia tido algum contato com o instrumento, fosse um violino ou uma rabeca.

- Nunca, meu filho. Isso é uma benção que deus me deu. E não é me gabando não, mas as minhas rabecas têm mais som porque são feitas de um jeito diferente. São de madeira maciça.

De fato, as rabecas de seu Nelson suas feitas de madeiras duras e pesadas, fazendo com que os instrumentos fiquem bastante resistentes. A jaqueira é a favorita de seu Nelson, porque "além de ser bonita e dar bom som, não acaba nunca".

A partir daquele dia, seu Nelson começou a complementar a sua renda com a venda de rabecas. “Já vendi mais de quatro mil rabecas”, conta.

- Vendo as rabecas aqui em casa mesmo, mas também mando por sedex. Não gosto muito de mandar porque às vezes quebra. Quanto é? Cobro 400, 300 e 250 reais, depende do tamanho – explica.

Entretanto, a verdadeira mudança na sua vida ocorreu quando ele ousou ir além da fabricação do instrumento. De forma tão surpreendente quanto a construção das rabecas. Sem nunca ter tomado uma aula sequer, seu Nelson começou a “tirar” as músicas com sua rabeca.

Essa associação entre fabricação e execução dos instrumentos é bastante comum e pode ser considerada uma marca da cultura popular, em que os expoentes, além de mestres na sua arte, são também mestres artesãos. Os mestres João do Pife (pífano) e Zé Lopes (mamulengo) são exemplos bastante ilustrativos.

Perguntado sobre a proeza, Mestre Nelson “repete” o discurso:

- Essa é uma riqueza que deus me deu. De repente, toquei asa branca. Aprendi sozinho, sem ninguém ensinar. O meu jeito de tocar é diferente de todo rabequeiro que toca no mundo porque nunca fui para uma escola – diz.

Hoje com 80 anos e a audição já falhando, seu Nelson passou a exibir seus incríveis dotes na Praia do Francês, ponto de grande fluxo turístico de Alagoas.

Continuava a trabalhar no corte de cana, mas, nos fins de semana, ia apresentar-se para os turistas na praia.

- Eu passava quatro dias cortando cana e dois tocando na praia. Ganhava mais em um final de semana na Praia do Francês que em um mês na lavoura de cana – lembra.

Posteriormente e até mesmo pela idade avançada, mestre Nelson iria largar o corte da cana para dedicar-se totalmente à música, trocando também a praia pelos palcos. Montou uma banda familiar, com zabumbeiros, uma filha que também toca rabeca e a mulher, Dona Benedita, assumindo os vocais.

- Minha mulher Benedita não cantava nada. Aprendeu que nem eu, sozinha, quando a gente começou tocar junto – diz o mestre.

A primeira turnê do grupo, cujo o ano seu Nelson já não se recorda, foi bastante extensa: “ficamos dois meses e 26 dias viajando pelo Brasil. Cheguei perto até do Paraguai”, conta.

O mestre popular também passou a compor suas próprias músicas. “Deixei a musica dos outros para fazer as minhas”, afirma. Seu Nelson compõe baião, xote, marchas e forró, todos ritmos fundamentais da identidade nordestina.

Em 2008, lançou o terceiro CD: “O Segredo das Árvores”. “E tenho músico para outro CD inteirinho. Tenho 80 anos e não paro nem de compor nem de fazer rabecas”, diz, animado.

- Hoje tudo o que tenho, eu devo à música. Tenho a minha casinha aqui em Marechal Deodoro e um carrinho velho e faço amigos feito você pelo Brasil inteiro! Na semana passada, toquei em São Paulo e em Belo Horizonte [no Festival Vozes de Mestres].

Toda a doçura desse mestre popular transparece quando, pouco satisfeito com a distância gerada pela chamada telefônica, ele me pede para aguardar ele pegar a rabeca.

E toca duas músicas, enquanto ouço, emocionado, do outro lado da linha. 

Pergunto então a seu Nelson o que pretende fazer daqui para frente.

- Vou continuar tocando e fazendo as minhas rabecas. Me sobra disposição! Ainda mais agora, que soube que o governo tá mandando 500 reais para mim, todo mês. Ainda não vi não, mas disseram que vou receber! - ri.

Foto: arquivo pessoal do mestre Nelson da Rabeca.

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22 de setembro de 2008

Amazônia recebe festival de música independente

iurirubim às 15:01

Começou o Festival Varadouro, um dos maiores festivais independentes do país. De 20 a 27 de setembro, Rio Branco (AC), recebe mais de 20 bandas de Peru e Bolívia e 10 estados brasileiros.

Originalmente voltado ao rock, o Festival chega à sua quarta edição reunindo diferentes estilos e propostas, que vão do instrumental ao hip-hop, do heavy-metal ao cordel. Muito mais que um gênero, é o trabalho autoral o fator de proximidade das bandas que se apresentam no palco montado no estacionamento do Estádio Arena da Floresta.

Bandas como a peruana Bareto, cuja mistura instrumental de ska, jazz, reggae, chica (um ritmo tipicamente peruano), funk e cumbia arranca elogios da imprensa de seu país. Ou como a amazonense Cabocrioulo, que faz outras misturas, tendo no cardápio samba, pop, samba-rock, reggae, maracatu e rock’n roll. Ou mesmo a veterana Pata de Elefante, que vem lá do distante Rio Grande do Sul.


A banda Los Porongas, na apresentação da edição
de 2007 do Festival. Presença certa este ano também.

“Varadouro” significa “caminho aberto no interior da mata”. É nesse espírito de abrir caminhos e descobrir novas possibilidades que artistas independentes têm usado o Festival para se projetar, sem ter que depender do concorrido circuito Rio-São Paulo.

Em 2008, o Varadouro, premiado pelo edital de festivais da Petrobras, envereda de vez pela opção de abrir caminhos e radicaliza a diversificação de olhares. Durante uma semana, pipocam na capital do Acre apresentações de música e teatro, performances, oficinas e seminários e outras atividades.

Onde antes a temática exclusiva era a música, agora viraram assunto a integração da América Latina, os problemas sócio-culturais e ambientais da região, a criação de redes de intercâmbio e cooperação e a sustentabilidade das iniciativas culturais independentes.


I Almanaque de Produção: capacitação dos
produtores culturais

A primeira atividade realizada pelo Festival foi o Almanaque de Produção, uma oficina de capacitação em produção cultural. Gestão de projetos, captação de recursos e a organização de eventos foram os principais temas enfocados pelos produtores e gestores culturais convidados.

Estão programadas ainda as oficinas de gravação de estúdio (21 a 22/9) e gravação de estúdio – som ao vivo (23 a 25), jornalismo cultural (22 a 25), moda independente (24 a 26), grafite (24 a 27).

Ponto Alto do Festival, as bandas de música independente apresentam-se nas noites de sexta e sábado (26 e 27/9), com 11 shows por sessão. No sábado, o palco será aberto por uma apresentação especial da nação indígena Ashaninkas, os descendentes brasileiros da civilização inca.


A presença da banda peruana sinaliza para
a integração com a América Latina

O Festival ainda tem sua duração um pouco alongada, para abrir espaço nos dias 27 e 28, ao I Campeonato Aberto de StreetBall (basquete de rua), disputado por times de quatro integrantes nas quadras da Cidade do Esporte, no Arena da Floresta. Os skatistas de Rio Branco também aproveitam essa brecha para o esporte e realizam, no Skate Park do Canal da Maternidade, o II Campeonato Varadouro de Skate no domingo (28).

Fotos: Val Fernandes e Talita Oliveira; Bareto/divulgação. 

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20 de setembro de 2008

SP: Bicicleta é o transporte mais rápido

iurirubim às 12:23

Na hora do rush, a bicicleta é o transporte mais rápido de São Paulo. Foi isso o que comprovou o desafio intermodal, ocorrido na última quinta-feira (18/9), na capital paulista.

Realizado anualmente, o desafio intermodal é uma medição dos tempos de deslocamento de diferentes meios de transporte em horário de pico, sempre respeitando as leis de trânsito.

Veja abaixo o resultado completo:

36′ - bikes vias tranquilas (homem)
42′ - bikes homem e mulher vias rápidas
49′ - bike mulher vias tranquilas
59′ - bike + ônibus
1h04′ - moto
1h41′ - trem e metrô
1h51′ - ônibus
1h51′ - carro
2h13 - pedestre
2h21 - bike e metrô
2h40 - ônibus e metrô

Além dos tempos, foram também medidos os níveis de poluentes que o usuário de cada meio de transporte está inalando, bem como os custos e as emissões de CO2 de todos eles. Essas informações serão divulgadas em breve na webpage do desafio.

 

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19 de setembro de 2008

MG: Música vira remédio contra depressão

iurirubim às 12:08

Elas têm entre 46 e 89 anos. Juntas, dão ao ditado “quem canta os seus males espanta” sua interpretação mais literal. O grupo de mulheres Meninas de Sinhá descobriu, através da música e das brincadeiras de roda, os caminhos para uma vida mais saudável e alegre.

As Meninas de Sinhá são embaixadoras da alegria na melhor idade. A volta à infância foi o caminho escolhido para recuperar a auto-estima e melhorar a qualidade de vida.

Cantando cirandas e brincando de roda, elas fazem apresentações e oficinas em vários locais do Brasil, ensinando que a maturidade está longe de significar tristeza ou inatividade.

- Quando viajamos, não vamos só fazer shows, mas trabalhos com mulheres, ensinamos a formar grupos e cuidar delas – revela Dona Valdete da Silva Cordeiro, 70, idealizadora e até hoje coordenadora das Meninas de Sinhá.

O grupo lançou em 2007 seu primeiro CD, intitulado “Tá caindo fulô”. Coleciona importantes prêmios, como o Cultura Viva, o Rival Petrobras de Música e o Prêmio TIM de Música 2008. Recentemente, apresentou-se no Festival Internacional de Culturas Populares Vozes de Mestres, realizado na capital mineira.

Assista ao vídeo que apresenta as "Meninas" e é parte de seu CD.

Mulheres que aprenderam e ensinam o prazer pela vida

Formado há mais de 20 anos do bairro Alto Vera Cruz, periferia de Belo Horizonte, o objetivo inicial do grupo era combater a depressão que as mulheres do bairro sofriam e reduzir a sua dependência de remédios.


Dona Valdete: idealizadora das Meninas de Sinhá

À época líder comunitária, Dona Valdete morava perto do centro de saúde do bairro e assistia o entra e sai de mulheres durante quase o dia inteiro. Em comum, tinham a tristeza e o uso constante de remédios.

- Eu comecei o grupo por me preocupar com mulheres que saiam do centro de saúde com sacolas de anti-depressivos, completamente dopadas. Sentia nelas tristeza, solidão e a falta de algo diferente para fazer, que não o serviço de casa – diz Dona Valdete.

Após algum tempo “matutando”, D. Valdete convidou as senhoras que freqüentavam o centro de saúde para formar um grupo onde poderiam, regularmente, conversar e diminuir a solidão que transparecia naquelas mulheres.

A primeira reação delas foi negar o convite. “Eu vou sentar para bater papo? Tenho o que fazer em casa!”, diziam. Ainda assim, cerca de cinco mulheres toparam.

Mesmo depois de muitos encontros, D. Valdete não conseguia enxergar melhora na situação das mulheres. “Passamos a fazer trabalhos manuais, mas elas continuavam tomando aquele monte de remédios”, lembra. A falta de progressos levou a coordenadora do grupo a se sentir perdida.

- Eu não sabia o que fazer. Pensava: “E agora? Não sou psicóloga nem pedagoga. O que faço para tirar essas mulheres dessa situação?” - confessa a coordenadora das Meninas de Sinhá.


As aulas de expressão corporal foram a chave
para o grupo se consolidar

Entretanto, o cenário mudou quando, numa festa na escola do bairro, uma funcionária da prefeitura ministrou uma oficina de expressão corporal para idosos e gestantes. D. Valdete ainda lembra do que sentiu naquele momento: “Fui participar para ver como é. A oficina mexeu com o corpo e a mente!”.

A resposta positiva dela e de suas companheiras fez com que D. Valdete pedisse ajuda à oficineira. Elas queriam mais.

Autorizada pela prefeitura a fazer esse trabalho, a funcionária ficou três meses com o grupo que, naqueles dias, chamava-se “Lar Feliz”. D. Valdete percebeu que o grupo estava dando certo quando soube que as suas companheiras estavam reduzindo o uso dos remédios contra depressão.


D Valdete: "as cantigas de roda 
levam a gente de volta à infância"

Algumas delas aprenderam as técnicas e o grupo começou a crescer, com muitas senhoras interessadas pela novidade. Reuniam-se três vezes por semana, nas segundas, quartas e sextas.

A sexta-feira era um dia mais light, dedicado a brincadeiras. Um dia, começaram a fazer brincadeiras de infância. Algumas lembravam da infância. Outras, criadas na roça, nunca tinham brincado na vida.

As brincadeiras de roda passaram a ser freqüentes e entraram no cotidiano do grupo. Perceberam, então, que o nome já não expressava o que era o grupo e resolveram mudar. “Eu dei a elas e dever de casa de pesquisar nomes e uma delas encontrou um grupo muito antigo, chamado ‘Meninos de Sinhá’. Mudamos para Meninas e ficamos com esse”, rememora D. Valdete.

Intensificaram o interesse e as pesquisa sobre brincadeiras e cantigas de roda, fazendo pesquisas com senhoras mais idosas, que nem mesmo levantavam da cama. Assim, aumentavam gradualmente seu repertório.


A vaidade substituiu a depressão

Já tinham a idéia de apresentar-se em creches, hospitais e escolas quando ganharam o apoio de um rapaz da secretaria municipal de cultura, Roquinho, que assumiu o compromisso de ajudá-las a estruturar o grupo.

Em oito de dezembro de 1998, foram convidadas para uma apresentação na inauguração do centro cultural do bairro. Um misto de pânico e excitação tomou conta do grupo: “O que nós vamos fazer? Temos que ter uma roupa para chamar atenção!”, diziam.

Sem problema: Roquinho, da secretaria de cultura, conseguiu para elas o tecido e um figurinista, que desenhou os modelos dos vestidos. Versadas na arte da costura, duas delas aprontaram o figurino e fizeram uma bela apresentação. Aquela data tornou-se o dia oficial de criação das Meninas de Sinhá.

Mas não é estranho que essas mulheres, que havia alguns anos sofriam de depressão, quisessem agora chamar atenção e apresentar-se por aí?

A líder do grupo revela o quanto foi profunda a mudança ocorrida na vida dessas mulheres:

- Elas não saíam de casa. Agora participam de tudo que acontece na comunidade. Começaram a cortar cabelo, se arrumar, usar batom, fazer unha, a ter vaidade, sabe? Também ficaram mais independentes, começaram a viajar, coisas que muitas nunca tinham feito – diz.

Mas nem tudo mundo estava feliz. “Tivemos problema com alguns maridos. Teve marido que falou: ’se eu fosse um trator, passava por cima daquela mulher’”, lembra D. Valdete. “Preferiam as mulheres doentes dentro de casa que bonitas para eles”, completa.


O trabalho gerou muitos frutos, para elas
e para as pessoas ao redor.

As Meninas de Sinhá tinham antídotos bem-humorados contra o ambiente machista. Quando questionadas sobre quem iria fazer a comida quando viajavam, respondiam: “Não levei as latas de mantimentos nem o fogão comigo”. E, assim, foram “reeducando” seus companheiros.

Após a apresentação no centro cultural, as Meninas de Sinhá começaram a viajar, conhecer outras mulheres sofrendo o mesmo que elas haviam sofrido e servir de exemplo. Mais: tornaram-se referência para a cultura popular em Minas e no Brasil.

Apresentam-se em festivais, escolas, creches, hospitais, asilos, abrigos… Já estiveram no Vale do Jequitinhonha, em São Paulo, no Rio de Janeiro, Salvador. Dia 24 de setembro, retornam à capital paulista.

Têm página no MySpace, produtora e recebem cachê pelas apresentações (mas às vezes abrem mão dele se quiserem muito conhecer o lugar…).

- E se você me perguntar como chegamos a gravar um CD e ganhar esses prêmios [o TIM foi o mais recente de muitos], não sei o que dizer. Tudo é tão maravilhoso e aconteceu muito rápido que nem percebemos o que estava acontecendo!Tudo que a gente faz com amor cresce! - confessa D. Valdete.

Netinhas e netinhos de Sinhá

O sucesso das Meninas de Sinhá foi tanto que o grupo já está gerando outros frutos. De tanto acompanharem as avós em apresentações nos parques municipais e locais parecidos, as netas quiseram participar da brincadeira. Resultado: foi criado o grupo Netinhas de Sinhá, com 26 meninas, de 7 a 11 anos.

E os meninos? Os netinhos também se mobilizaram. Conseguiram os instrumentos com uma deputada e criaram um grupo de percussão, com cerca de 30 integrantes, chamado Alto Batuque. O projeto foi aceito por um órgão público e hoje o grupo apresenta-se e faz oficinas de percussão.

Atualmente, o centro de saúde que era frequentado pelas Meninas de Sinhá oferece o mesmo trabalho de expressão corporal (feito até hoje pelas Meninas nas suas oficinas). Virou política pública.

- Eles vão falar que é projeto deles, mas sei que sementinha fui eu que plantei. Eles achavam que velho tem só que tomar remédio, fazer crochê, rezar terço. Agora viram que não é nada disso. Tem muita coisa pela frente, muita coisa ái para a gente, pelo amor de Deus! – conclui, satisfeita.

Fotos: Patrícia Lacerda (2); Rodrigo Dai (1; 4) e Pedro David (3, 5 e 7).

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18 de setembro de 2008

Desafio revela transporte mais rápido de São Paulo

iurirubim às 13:08

Carro, moto, bicicleta ou ônibus? Qual transporte é mais rápido na capital brasileira dos engarrafamentos?

É isso que o desafio intermodal vai comprovar hoje à noite. Às 18h, treze pessoas partem, simultaneamente, da Praça General Gentil Falcão (alt. do número 1000 da Luiz Carlos Berrini - Brooklin, Zona Sul) e vão até o Prédio da Prefeitura (Viaduto do Chá), na região central da cidade.

Veja aqui um possível trajeto para o percurso.

A idéia de sair às 18h é justamente fazer a medição no horário de pico, quando a cidade está mais afetada pelo trânsito.

Cada um dos participantes vai fazer esse percurso de usando um dos meios de transporte abaixo:

1. Carro Particular
2. Moto
3. Bicicleta (homem) por vias movimentadas
4. Bicicleta (mulher) por vias movimentadas
5. Bicicleta (homem) por vias tranqüilas
6. Bicicleta (mulher) por vias tranqüilas
7. Bicicleta dobrável integrando com o Metrô
8. Bicicleta dobrável integrando com o Ônibus
9. Eco-Taxi - Ciclista levando alguém.
10. Pedestre de Ônibus
11. Pedestre de Trem e Metrô
12. Pedestre Ônibus e Metrô
13. Pedestre a pé.

O desafio intermodal não é uma corrida. Todos os participantes se comprometem a se deslocar como fariam no dia-a-dia e a respeitar todas as leis de trânsito, sem exceção, para que a medida do tempo corresponda o máximo possível ao percurso cotidiano de qualquer cidadão utilizando aquele meio de transporte.

Portanto, motorista, motociclista e ciclista devem dar preferência ao pedestre nas travessias; motos não podem costurar no trânsito e ciclistas estão proibidos de andar em calçadas e na contramão (a não ser que estejam desmontados como manda a lei).

Esta é a terceira edição do desafio em São Paulo. Em 2006 e 2007, os mais rápidos foram motocicleta (44 minutos) e bicicleta por vias rápidas (37m), respectivamente. O desafio também já aconteceu em outras cidades brasileiras, como Curitiba e Rio de Janeiro.

Este ano, as categorias exibem algumas novidades, como o transporte a pé, o Eco-Taxi (um ciclista levando alguém) e versões de ambos os sexos para as bicicletas, já que houve diferenças nos tempos feitos por homens e mulheres. Em 2006, guiadas por mulheres, as bikes fizeram os tempos de 48 (ruas tranquilas) e 52 minutos (vias rápidas). No ano seguinte, com rapazes ao guidom esses tempos foram de 43 e 37 minutos.

Os resultados do desafio intermodal estão contruibindo para o desenvolvimento do Plano Cicloviário da cidade de São Paulo, que deve estar pronto no fim do ano e prevê a implantação de 1000 km de ciclovias. A previsão orçamentária de 2009 deverá contar com recursos para implantar os 100 primeiros quilômetros deste plano.

Durante o desafio, uma equipe da Faculdade de Medicina da USP, chefiada pelo professor Paulo Saldiva, vai usar aparelhos de última geração para medir os níveis de poluentes que alguns dos participantes inalarão durante o trajeto.

Serão monitorados: um ciclista por vias tranqüilas e um ciclista por grandes avenidas, o motorista do carro, o passageiro do ônibus e o pedestre. Resultados preliminares serão divulgados logo após da chegada de todos que estiverem com os aparelhos.

Segundo a prefeitura, essas informações serão úteis para orientar o Programa de Inspeção Ambiental Veicular, iniciado este ano com os veículos a diesel (cerca de 350.000) e, em 2009, obrigatória para toda a frota registrada na cidade de São Paulo, cerca de 6 milhões de veículos.

Também serão divulgados os cálculos de emissões e custos por minuto e por km percorrido.

O desafio intermodal é realizado pela sociedade civil organizada de São Paulo, com apoio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, e faz parte das atividades relacionadas ao Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro.

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16 de setembro de 2008

BA:mãe de santo em depressão por terreiro demolido

iurirubim às 15:40

Santos agredidos, vidas interrompidas.

Sete meses depois de sua demolição parcial, o terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, localizado no bairro do Imbuí, em Salvador (BA), ainda não retomou suas atividades.

Responsável pela casa, Mãe Rosa enfrenta problemas de saúde e depressão. “Cultuo um orixá da cura, Omolu, há 20 anos e quebram a estátua dele. Como é que eu não vou sentir?”, afirma a Ialorixá.


Mãe Rosa: doenças e depressão após demolição
parcial de seu terreiro

Mãe Rosa conta que o poder público reergueu as paredes derrubadas, “mas só mexeram na casca”, referindo-se às estátuas e roupas dos orixás, e vários outros instrumentos utilizados nos rituais, destruídos durante a demolição.

- O terreiro está totalmente parado. Não dei comida aos orixás, não fiz a cumeeira, nada, nada. Uma consulta ou outra, é o máximo que estou conseguindo fazer. Para todo mundo, é como se eu já tivesse recebido tudo, mas só levantaram as paredes que tinham derrubado – diz, entristecida.

Está tudo quebrado, e eles não estão nem aí. Parece que não aconteceu nada – Mãe Rosa, Ialorixá do terreiro Oyá Onipó Neto  

- Estou sem dinheiro pra nada. Independente do candomblé, esta é uma casa de caridade. Todo dia almoçam e jantam aqui umas 10 a 15 pessoas - reclama.

Com muita tristeza, Mãe Rosa exibe os objetos quebrados. Porta por porta, corredor a corredor, aponta para pratos, estátuas e outros tantos artefatos danificados.


Por todo o terreiro, encontramos objetos e materiais
dos orixás danificados

Teve que mandar consertar a cadeira onde sentava nas cerimônias e ganhou como doação novas pinturas dos orixás no salão do terreiro.

Foi muito difícil para Mãe Rosa mostrar as roupas e objetos dedicados aos orixás, todos danificados. Literalmente segurando o choro, segura nas mãos um vestido vermelho. “Está vendo? Foi com esse vestido que eu fui feita”, diz. “Este aqui [exibe uma peça de cobre quebrada] é o Adê de Oiá da minha avó, que me deu e que eu ia passar um dia para minha filha”.

- Aqui tem uma vida. Tenho uma vida aqui. Não é brincadeira, eu não brinco de orixá - afirma.


A cadeira, Mãe Rosa conseguiu consertar. E o resto?

Mãe Rosa me diz que precisaria de cerca de 30 ou 40 mil reais para remontar todo o que perdeu. “Deveriam me ressarcir pelos materiais dos orixás quebrados. Não fizeram demolição, fizeram saqueamento. Saíram quebrando tudo, perdi tudo o que construí nesses vinte anos”.


As novas pinturas dos orixás foram uma doação

Até mesmo os “filhos” de Mãe Rosa, que estavam em recolhimento no terreiro para serem “feitos”, tiveram que interromper o processo, algo que nunca tinha ocorrido antes.

- Isso que foi aconteceu aqui não matou só a minha vida não, matou muitas vidas. Meus filhos estão todos espalhados. O Ogã da minha casa, que antes coordenava um grupo de capoeira, está em depressão, jogado por aí” – revela, com muita tristeza.


A tristeza de Mãe Rosa. Na foto, no álbum,
festas ocorridas no terreiro

Sem saber como se expressar, Mãe Rosa faz um gesto para indicar que seu Ogã tem recorrido à bebida para enfrentar a situação.

- Sonhei com meu caboclo essa noite. Ele estava cantando para mim. Cantava aquela música: “tava na mata cerrada/ e o meu gado esparramado…” - entoa, baixinho.

Com o terreiro parado, o cotidiano de Mãe Rosa divide-se entre ir ao médico e visitar diversos órgãos da prefeitura, na esperança que alguma autoridade se sensibilize com a questão.

- Eu tô na mão do poder público. Acabei de vir do médico, estou com um problema no estômago. Tá vendo aqui, a gengiva, olha como está [mostra a gengiva ferida]. Estou com problema emocional. Estou doente, com depressão – fala, com os olhos marejados.

Abatida, me mostra o atestado recebido do médico, que explica sua condição e revela que ela ainda não tem respondido ao tratamento.

Violência, Intolerância religiosa e especulação imobiliária

A via crucis da Ialorixá começou no dia 27 de fevereiro deste ano, quando a Sucom, órgão da prefeitura de Salvador, ordenou a demolição do terreiro, sob a alegação que este estaria em terreno público. “Vieram falar que o terreno era público. Mas como, se estou aqui há mais de 20 anos e pago conta de luz, de água, IPTU…?”, rebate Mãe Rosa, enfurecida.

Ela se queixa também do terreiro Oyá Onipó Neto constar no mapeamento de terreiros da cidade e ser reconhecido pela Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro. “De que tipo de diploma eles precisam?”, pergunta.

Mãe Rosa se lembra da violência no dia da demolição, que ocorreu sem nenhuma comunicação prévia:

- Pularam as janelas, invadiram os quartos sagrados e saíram quebrando tudo. Uma menina com barriga de seis meses foi empurrada com força. Um policial apontou um revólver para meus filhos e disse: “de menor também morre”. Aí entrei na frente de todo mundo e disse que se ele fosse matar alguém, tinha que me matar, porque eu que era responsável por tudo ali – conta.

A cada prato quebrado eu sentia o sabor do chicote que
açoitava meus ancestrais
– Mãe Rosa


Frente do terreiro Oyá Onipó Neto

- Para mim, isso foi intolerância religiosa junto com especulação imobiliária. Tá vendo ali (mostra um terreno preparado para construção, em frente ao terreiro)? Querem construir ali sem ter a gente por perto – diz a Ialorixá.

Não é à toa que a comunidade dela no Orkut se chama "Intolerância Religiosa…".

Para ela, todo poderia ter sido resolvido através de uma negociação. “Se queriam que eu saísse daqui, poderiam ter me chamado. Eu acertava com eles uma indenização e levava o terreiro para outro lugar. Não tinha problema”.


Mãe Rosa: "O baiano tem que se respeitar
porque temos uma herança!"

Entre tristeza e revolta, com os olhos sempre cheios d’água, Mãe Rosa me mostra álbuns onde estão registradas diversas festas ocorridas no terreiro. De repente, olha para mim séria e diz:

- Temos a obrigação moral de honrar com o nome da nossa Bahia. Porque a gente vem de uma cultura negra. O baiano tem que se respeitar porque temos uma herança! Esta é uma casa de Iansã. Dia 4 de dezembro vou bater tambor aqui do jeito que tiver – garante.

No dia 20 de outubro, Mãe Rosa vai comparecer à audiência em que será emitido o veredito sobre ação que o Ministério Público move contra Kátia Carmelo, à época superintendente da Sucom.


Mãe Rosa aguarda audiência final contra antiga
superintendente que ordenou a demolição

Sobre a ação, mostra-se esperançosa: “Pobre não cai, porque já está no chão. Quem cai é rico”.

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13 de setembro de 2008

Índios reinauguram aldeia incendiada em Niterói

iurirubim às 13:33

Quase dois meses após ter sido incendiada, a aldeia guarani Tekoá Itarypú, no bairro de Camboinhas, região oceanica de Niterói (RJ), será reinaugurada hoje.

Considerado criminoso pela perícia da polícia civil, que encontrou indícios de intencionalidade no ato, o incêndio de 18 de julho destruiu as cinco ocas, onde viviam cerca de 50 pessoas; a Casa de Rezas, local sagrado onde eram guardados os instrumentos musicais; e Escolinha, onde a tribo guardava documentos e pesquisas sobre o passado da etnia.

No momento do fogo, só havia mulheres e crianças pequenas no local e todas se salvaram. O único homem adulto Joaquim Karaí Benites, foi também o único a se ferir: sofreu cortes e queimaduras de segundo grau no tórax e nos braços. Entretando, o prejuízo material para a aldeia foi muito grande.

Portanto, essa celebração – aberta à população – significa para os indígenas uma volta por cima, a reafirmação de sua resistência. Hoje vai ser também o dia da abertura do Centro de Cultura Tupi-Guarani de Comboinhas.

A programação começa a partir das 15h, com o lançamento do próprio centro de cultura e a apresentação do coral guarani de crianças.

Durante a tarde, haverá oficinas de escultura em madeira, artesanato, pintura corporal e pintura em tecido; visitação à Oca familiar e demonstrações de construção de uma Oca e de arco e flecha. Em seguida, outro coral, de crianças e jovens, se apresenta.

Às 18h, a fogueira da aldeia é acesa e acontece o Mborai-ete-i (canto do pajé) e uma cerimônia na Casa de Reza. Depois, o Cacique Darci fala aos presentes, seguido de artistas e convidados.

Após as falas, a atriz Priscila Camargo conta histórias guaranis e a cantora Nedir Cândida canta Villa Lobos.

A cerimônia é encerrada com o Xondaro (dança dos guerreiros).

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