No palco, Brasil e Argentina disputam improvisação
A tradicional rivalidade do futebol entre Brasil e Argentina veio parar… nos palcos de Belo Horizonte. Com direito a juiz e bandeirinhas, os países competem pela melhor improvisação teatral.
Representantes dos dois países se enfrentam nesta quinta, a partir das 20h30, no Campeonato Match de Improvisação, no Teatro Alterosa (Av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta). O campeonato é parte do FIMPRO - Festival Internacional de Improvisação Teatral, organizado pela Liga Profissional de Improvisação – BH, que acontece de 19 a 28 de setembro na capital mineira.
Além de Brasil e Argentina, participam também da disputa México e Chile, que se enfrentam na sexta. A rivalidade é tanta que, mesmo com as chaves definidas por sorteio, lá estamos nós enfrentando os “hermanos”.
Os perdedores de ambas as partidas encontram-se novamente no sábado para a disputa do terceiro lugar e a grande final acontece no domingo, sempre nos mesmos local e horário.

Exemplo de um match de improvisação, com os
atores da seleção brasileira
O “match de improvisação” foi criado no Canadá, nos anos 70. Ponto alto do FIMPRO, os campeonatos já são uma tradição nos festivais de improvisação teatral.
- A competição é apenas uma brincadeira que serve para dar um pouco de adrenalina à coisa, principalmente no caso Brasil e Argentina, mas o principal objetivo é se aprender com o outro, divertindo-se e mostrando ao público boas histórias – diz Mariana Muniz, atriz, curadora e coordenadora geral do FIMPRO.
Nas campeonato, o Brasil é representado pela Liga Profissional de Improvisação – BH e a Argentina, pela Liga Profesional de Improvisación. Os grupos Complot/Escena e Colectivo Mamut representam México e Chile, respectivamente.
Cada “partida” tem dois tempos de 40 minutos, nos quais as duas equipes, formadas por cinco atores-improvisadores cada, têm que fazer improvisações inspiradas em títulos fornecidos pelo púbico. O público vota nas melhores cenas e ganha a equipe que obtiver mais pontos.
Existem dois tipos de cena, a comparada e a mista, que duram entre 30 segundos e seis minutos. No primeiro caso, os competidores criam cenas separadas, a partir da mesma provocação. No segundo, criam uma cena em conjunto. Neste caso, o público vota diretamente nos atores.
As regras do match de improvisação são internacionais e, tal qual o futebol, as disputas têm um juiz e dois bandeirinhas para zelar pelo seu cumprimento. Eles, inclusive, marcam faltas, que podem ocasionar a perda de pontos ou a expulsão de um jogador da disputa.
Não escutar o público, nomear o personagem do adversário ou colocar um número ilegal de personagens numa cena são algumas dessas faltas. Todas as partidas serão acompanhadas de músicas ao vivo, também – claro! – improvisada.
Improvisação: a arte do desapego
Considera-se que a improvisação começou a receber atenção no Brasil há cerca de 10 anos e surgiu no mundo por volta dos anos 70, com destaque para o Canadá e a Inglaterra.
Hoje é possível conhecer apresentações muito sofisticadas, como a Improtube, um espetáculo argentino em que a platéia sugere temas e os atores improvisam a partir de vídeos do You Tube, relacionados aos temas sugeridos.
Ainda pouco popular no país, a improvisação teatral é um ramo das artes cênicas sintonizado com o teatro contemporâneo.
- A improvisação valoriza demais a relação do ator com o público. O espetáculo que você faz hoje à noite não vai existir nunca mais, e só existe por conta do público ali presente. É um exercício do desapego, tanto para vaidades quanto fracassos. Por mais espetacular que seja uma apresentação, ela já acabou. O mesmo acontece com um dia ruim – conta Fred Bottrel, ator da Liga Profissional de Improvisação de BH.
Ativa há apenas dois anos, a Liga de Improvisação têm esforçado-se para popularizar esse aspecto do teatro na cidade, culminando no Festival Internacional. O Festival levou à capital mineira grupos brasileiros e estrangeiros, montando uma mostra bastante diversa da improvisação latino-americana.
Neste amplo menu, lirismo, velocidade, mistério e humor negro são aspectos desse caleidoscópio do imprevisto.
- Quem nunca viu improvisação, pode ter certeza de que a visão sobre o teatro vai mudar muito depois deste festival, porque a interação entre público e atores é única e o que se leva pra casa é a sensação de ter visto algo diferente, surpreendente e criado com você, aqui e agora – afirma a curadora do Festival.
Foto: Acervo pessoal do ator Fred Bottrel
Muito legal, gostaria de conferir!
Comentário por Marcela — 25 de setembro de 2008 @ 15:21
E o Joganddo no Quintal?????
Como uma reportagem sobre impovisação não fala no Jogando no quintal??????
http://www.jogandonoquintal.com.br/
Comentário por Vitor — 1 de outubro de 2008 @ 11:15