Mostra de contos yorubás homenageia orixás gêmeos
Muitos conhecem o dia 27 de setembro como o dia de São Cosme e Damião. O que nem todo mundo sabe é que, no sincretismo afro-brasileiro, os santos representam os Ibejis, os orixás gêmeos amigos das crianças. Daí a tradição de celebrar a data com o oferecimento de caruru, uma das mais tradicionais comidas de santo.
É em homenagem aos Ibejis que a Biblioteca Abdias do Nascimento - Espaço BNB de Incentivo à Cultura e o Instituto Ylê Axé - Casa de Cultura e Arte Negra realizam neste sábado (27/9), a partir das 9h, uma Mostra de Contos Yorubás. A Mostra é gratuita e acontece na própria Biblioteca, localizada na Ladeira da Teresinha, n.1, 1o. andar, no bairro Escada (Av. Suburbana – Salvador).
Vice-coordenador da Biblioteca e professor do curso de Yorubá do estabelecimento, o músico Eduardo Pereira Odùdúwa, 26, é o anfitrião da Mostra e o contador das histórias. Segundo ele, serão contados entre cinco e sete contos, dependendo da dinâmica do público.
- Os contos yorubás chama-se Alo e são transmitidos oralmente. Assemelham-se aos contos de fada ocidentais. Tematizam personagens como animais e árvores e alguns têm a participação dos orixás. Mas, ao invés de apenas entreter ou divertir, trazem sempre uma lição de moral e são voltados para educar as crianças dentro da cultura e das tradições yorubás – explica Eduardo Odùdùwa.
Com esse objetivo de educar explicitado, vários provébios africanos aparecem nos contos.
Uma característica importante dos contos yorubás é a presença da música – elemento constituinte da formação e da cultura yorubá. A grande maioria dos contos da Biblioteca Abdias do Nascimento e também nos contos que fazem parte da Mostra tem sua narrativa traduzida para o português, mas as músicas são preservadas na língua original.
- A Mostra vai revelar qual o significado das músicas e porque elas não podem ser traduzidas – comenta Ísis Sacramento, a coordenadora da Biblioteca.
Eduardo afirma que vai trabaljar também com alguns contos yorubás redigidos por não-africanos, como o artista plástico Mestre Didi.
- Na verdade, esses são contos que foram reconstruídos aqui no Brasil, tomando uma identidade mais brasileira, ganhando algumas características novas e perdendo outras. Um aspecto que foi perdido nesses contos é a questão da música. No Brasil, eles só conservaram a parte falada – diz o professor de yorubá.
Para o anfitrião da Mostra, uma questão chave a ser trabalhada é a territorialidade, logo que existe uma forte tendência no mundo ocidental de enxergar a África como “uma coisa única”, sem perceber as diferentes culturas e legados de suas civilizações.
- A Nigéria, uma parte do golfo do Benin e pequena parte do Togo eram territórios Yorubás. O candomblé, que veio das nações Ketu e Jeje, utiliza língua yorubá. Daí é possível perceber como o que somos hoje é resultado da influência Yorubá.
A Mostra de Contos Yorubás faz parte do projeto NAENCRUZA, que realizará encontros com novos artistas que tenham a temática negra abordada em seus trabalhos. O evento acontecerá sempre no último sábado de cada mês.
- Estamos bastante ansiosos e felizes com a resposta que temos tido até agora. Professores, pesquisadores, religiosos e estudantes têm confirmado presença no evento – comenta Eduardo
Parabéns ao Sr. Eduardo, gostaria muito de participar + infelizmente estou em SP e não tenho como ir até a Bahia de Todos os Santos, que é meu objetivo principal (FAÇO PARTE DO ASÉ MURITIBA)!
Continuem com está ótima idéia, quanto + houver divulgação da nossa querida Religião + adéptos teremos
AXÉ
Comentário por Gilson — 26 de setembro de 2008 @ 19:04
Parabéns ao Sr. Eduardo, gostaria muito de participar + infelizmente estou em SP e não tenho como ir até a Bahia de Todos os Santos, que é meu objetivo principal (FAÇO PARTE DO ASÉ MURITIBA)!
Continuem com está ótima idéia, quanto + houver divulgação da nossa querida Religião + adéptos teremos
AXÉ
Comentário por Gilson — 26 de setembro de 2008 @ 19:04
Muito importante, essa mostra literária deveria também percorrer nossa unidades federativas, para difundir e não deixar perecer valores de nossa ancestrailidade tão valiosos. parabens.
Comentário por claudius — 26 de setembro de 2008 @ 21:03