Terra Magazine

31 de outubro de 2008

SP: Convenção leva 500 malabaristas a campinas

iurirubim às 16:17

O Brasil dos malabares. Pelo décimo ano seguido, artistas do equilíbrio de todo país encontram-se num evento dedicado inteiramente a eles.

É a Convenção Brasileira de Malabares e Circo, que chega a sua décima edição entre 30 de outubro e 2 de novembro, na Faculdade de Educação Física da Unicamp. “Trata-se do maior evento artístico do sgemento circense no Brasil”, conta o professor Marco Borltoleto, coordenador geral do evento.

Participam da convenção desde malabaristas amadores até artistas profissionais. “Infelizmente, o espaço tem uma lotação e não podemos abrir as atividades para o restante da população, que com certeza iria adorar”, diz Bortoleto.


Convenção comemora décimo aniversário

Só para se ter uma idéia da grandiosidade do encontro, estão representados 16 dos 276 estados brasileiros. Além disso, atraiu participantes outros nove países: Bélgica, Dinamarca, França, Espanha, Peru, Venezuela, Argentina, Uruguai e Colômbia.

- Estávamos aguardando 400 convencionistas, mas até o momento já chegaram mais de 500 – disse o coordenador, na tarde do primeiro dia do evento.

A Convenção começou nesta quinta-feira (30/10) à tarde, quando houve shows e oficinas para crianças da rede pública de ensino. À noite, ocorreu um espetáculo de fogo no teatro arena da universidade.

Ele próprio malabarista desde 1998, o professor Bortoleto explica que “são oferecidos 38 cursos, desde malabares simples até monociclos, tecido, corda lisa, mastro chinês, cama elástica”.


Praticantes no ginásio da Unicamp

Também estão previstas 30 provas competitivas de malabares e o lançamento de oito livros na área, além de mais dois espetáculos do fogo, nas noites de hoje e sábado. Confira a programação completa.

Neste sábado, das 9h às 12h, os malabares tomam a Rua 13 de Maio (centro de Campinas) num cortejo público.

Entre os convidados ilustres da Convenção, estão Sebastian Gerer e Marco Paoletti, listados entre os 20 melhores malabaristas da atualidade; Marcos Casuo, o palhaço Cupim, ex-integrante do espetáculo Alegria do Cirque du Soleil; Donald Lehn, diretor da Escola de Circo de Madrid; e Delisier Silva, professora da Escola Nacional de Circo (RJ) e uma das maiores autoridades no ensino das técnicas circenses no Brasil.

Leia um trecho da entrevista que fiz com Marco Bortoleto, sobre a Convenção Brasileira de Malabares e Circo:

De todas essas atividades da Convenção, qual a mais importante de todas?

É justamente a coisa mais simples: é o pessoal estar junto fazendo malabares, conhecer um ao outro, compartilhar técnicas. Na Convenção, estão reunidos desde amadores até estrelas da área. Todos têm a possibilidade conhecerem novas formas, trocar, aprenderem.


Convenção reúne malabaristas
amadores e profissionais

E o que significa para o universo dos malabares no Brasil a Convenção completar 10 anos?

Essa é a única convenção nacional de malabaristas do país.Completar dez anos significa um salto qualitativo muito importante. A primeira era muito simples, tinha uma estrutura pequena. Agora conseguimos oferecer mais conforto e reunir mais gente, inclusive muitos malabaristas com bastante nível e experiência.

Quais as principais conseqüências para o malabarismo no Brasil?

A Convenção forma gente, estimula pessoas que nunca fizeram malabarismo a começarem, faz com que a sociedade veja novas possibilidades para essa arte. Gera conhecimento, o conhecimento melhoria na performance de cada um e, conseqüentemente, produto melhor, o que leva a melhor qualidade de vida para os artistas.

Também discutimos com criar e gerir associações, como possibilitarmos um suporte mútuo e como gerar renda para os artistas.

Tem uma idéia do perfil dos malabaristas no Brasil?

Na convenção do ano passado, fizemos um estudo que está em estágio final com cerca de 25% dos malabaristas. Descobrimos que é uma classe muito heterogênea. Temos jovens que fazem por lazer; praticantes mais velhos; pessoas que pretendem ser artistas profissionais etc. 

Descobrimos também uma coisa interessante: a maioria já procurou um curso, uma escola, o que indica uma visão que o aperfeiçoamento da arte vem através de muito trabalho e estudo.

Você saberia dizer quando chegou o primeiro malabares no Brasil?

Dizem os estudos que no final do século XVIII, lá pelos anos 1780, 1800. Ao que tudo indica, veio junto com o circo, através de famílias européias, que migraram para várias regiões do Brasil.

Fotos: Palco de Rua (1 - foto abertura IX Convenção Brasileira de Malabares e Circo), Acervo X Convençãod e Malabares e Circo/ FEF, UNICAMP (2, 3, 4).

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29 de outubro de 2008

PE: Feira reúne escritores da África portuguesa

iurirubim às 13:58

A praia de Porto de Galinhas, antigo porto de escravos, é palco da reunião de escritores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, entre seis e nove de novembro.

A ocasião que mobiliza esses escritores é a Fliporto – a Feira Literária Internacional de Porto de Galinhas, que chega em 2008 a sua quarta edição.

Cento e vinte anos após a abolição da escravatura, a Fliporto celebra o significado da diáspora africana no Brasil e na América Latina. Afinal, os navios negreiros trouxeram, à força, milhões de africanos para este lado do atlântico.

O evento também discute outros temas atuais, como o novo acordo ortográfico dos países de língua portuguesa.

A Fliporto acontece de forma descentralizada, com programações literária, social, infantil e gastronômica. Este ano, a festa amplia o leque de opções para os participantes ao incluir um circuito turístico-cultural e um circuito de artes visuais, com exposições de artes plásticas e de fotografia. Quem estiver à distância, poderá acompanhar as discussões através de uma TV e Rádio ao vivo através da Internet.

Entre os escritores presentes, estão: José Eduardo Agualusa (Angola), Marcelino Santos (Moçambique), Quincy Troupe (EUA) , Rei Berroa (República Dominicana) e Thiago de Mello (Brasil), Manuel Teles Neto-Malé Madeçu (São Tomé e Príncipe)

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27 de outubro de 2008

BA: festival alia ecologia, arte e misticismo

iurirubim às 11:07

Rituais, fogueira xamânica e tenda de cura aliadas à música e ao ritmo intenso dos DJs. O Festival Ressonar propõe 54 horas ininterruptas de integração entre misticismo, artes e meio ambiente em Lençóis, no coração da Chapada Diamantina. Aberto a quem quiser participar, o Festival sem fins lucrativos começa pontualmente às 18h do dia seis de novembro.

O lado místico do Festival se manifesta logo na abertura, quando haverá um ritual do fogo, no qual vários tambores irão tocar no “ritmo do coração”, o Nayanbin. “É um pedido de licença para as energias, para que possamos realizar o Festival”, diz Uirá Meneses, um dos coordenadores.

Também farão parte do ritual a leitura de um manifesto (leia o “resumo poético” do manifesto no final deste post) e a limpeza de aura dos participantes com Sálvia.

O evento prevê ainda a realização de um ritual de fechamento, agradecimento por ter acontecido tudo bem. “Esse deve ser mais festivo, mais para uma celebração”, diz Uirá Meneses.

Convicções ambientais e filosofias de vida dos organizadores proíbem a venda de carne e álcool no Festival. Se, por um lado, enumeram os prejuízos que a criação de gado traz à natureza, por outro, reconhecem que muitos deles já não se alimentam dela.

- A maior parte dos desmatamentos vem por causa da produção de carne. Para ter gado, transformam as florestas em pasto. Grande parte das pessoas envolvidas na organização não comem carne. Deixamos isso bem explícito no site do Festival justamente para provocar questionamentos – comenta Uirá Meneses.

Segundo o coordenador do evento, a educação ambiental é uma das principais características do Ressonar. Os organizadores têm como objetivo produzir o mínimo de resíduos não-perecíveis.

Para tanto, resolveram evitar a comercialização de alimentos e bebidas que gerem lixo, vender alimentos que podem ser consumidos em guardanapos e estimular que os participantes levem copos e pratos próprios.

- Todo o Festival é pensado em função do meio ambiente. Além de evitar produzir lixo, vamos ter oficinas de produção de alimentos naturais e vamos ensinar as pessoas a construírem um forno de sol, que usa apenas a energia solar para cozinhar os alimentos – destaca Uirá Meneses.

A organização ainda recomenda uma passadinha no II Festival Gastronômico da Chapada Diamantina, que acontece entre 1º e 11 de novembro, para aqueles que desejarem uma alimentação mais tradicional.

Sobre bebidas alcoólicas, o coordenador argumenta que álcool e drogas afastam as crianças e que o evento a criado para “Contemplar todo o espectro de pessoas”. “Queremos afastar o máximo de bêbados possível. Não é uma rave, não é festival para aquele carinha que toma ácido e vai lá.”, enfatiza.

Buddha Hall e Cine Caverna

Segundo a organização, o Festival Ressonar está preparado para acomodar até dois mil participantes. Diversos artistas e grupos já estão confirmados para as atividades do evento, que acontecem em cinco espaços distintos: o Largo; a Mangueira; o Casulo; o Buddha Hall e o Cine Caverna.

Considerado o coração do Ressonar, é no Largo que acontecem os rituais, oficinas e performances, bem como são vendidos alimentos. Pela manhã, o espaço está reservado para oficinas, palestras e atividades infantis.

À tarde, para música, teatro, circo, e no anoitecer o ritual do fogo. “A estrela da noite do largo é a fogueira e seus encantos…”, dizem os organizadores.

A Mangueira é o palco do festival, local onde ocorrem os concertos, a leitura do manifesto e as boas-vindas aos participantes.

Já o Casulo, um pequeno espaço acústico, é considerado uma experiência musical e espiritual. Lugar de poesia, mantras, leituras e histórias à luz de velas, o local contrasta com o Buddha Hall, onde techno, trace e vários outros tipos de música eletrônica botam o pessoal para dançar.

Estão confirmados para o Buddha Hall: Chico Tripa Sound Resistence (vários), DJ Max (Techno, Trance), DJ Don Maths (vários, Hip Hop), Eduardo Só (Dub) e Uiraum (Minimal).

Ainda no local, acontecem as oficinas de Maracatu do baque virado (Valada) e Gravação em Estúdio (Eduardo Só).

Finalmente, o Cine Caverna, no lajedo do Rio Serrano, exibe obras filmadas na Chapada Diamantina, como Diamante Bruto (Orlando Senna) e Vermelho Rubro (Sofia Federico). As sessões ocorrem nas noites de sexta (07/11) e sábado (08/11), a partir da zero hora, e terminam com o nascer do dia.

O Ressonar nasceu de uma rede de artistas, místicos e ambientalistas, auto-denominada Movimento Caverna (a expressão “caverna”, na Chapada Diamantina é usada no lugar dos tradicionais “legal” e “bacana”).

Mais de mais de 50 membros fazem parte do movimento, que pretende incentivar a produção e consumo da arte ligada à natureza a e experiências holísticas.

Manifesto – resumo poético

"Seja calorosamente bem vindo a conviver uns dias em um canto da Chapada cheio de utopias. Deixe suas preocupações de fora e ligue suas antenas para o inesperado. O Ressonar 2008 oferece muitas possibilidades de diversão e reflexão, em ambientes criados tanto para festa como para o relaxamento.

O Ressonar 2008 é um festival ao ar livre, com propostas socioambientais e que possibilitará espaços para que diversas expressões artísticas da chapada e do mundo possam ter um intercâmbio cultural e novas oportunidades.

Nossa proposta é fazer um evento limpo, vivo, onde a natureza possa ressonar num sonho onde homens celebram a vida. Um festival onde você e a natureza são as atrações principais."

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25 de outubro de 2008

CE: “fotofeira” reúne amadores e profissionais

iurirubim às 10:48

“Venha participar, traga qualquer coisa relacionada a fotografia e venda, troque e compre à vontade”. É assim os amantes da “oitava arte” são convidados para a Fotofeira, a Feira de Fotografia do Ceará.
 
O evento, que acontece acontece hoje (25/10), no Mercado dos Pinhões de Fortaleza (Praça Visconde de Pelotas), é uma oportunidade  para troca de idéias entre fotógrafos profissionais, amadores e por todos aqueles que de alguma forma apreciam esta arte. Qualquer pessoa pode participar levando algo relacionado a fotografia para vender, trocar e comprar.

- A fotografia não chega a ser um gênero de primeira necessidade, como outros produtos das feiras tradicionais. Mas é através dela que o ser humano pode dar vazão à sua necessidade de se expressar e conhecer a própria sociedade em que vive. Sebastião Salgado dizia que quando você comparece a uma exposição nunca mais sai o mesmo. Fotografar é compreender o mundo! - diz Zaneir Gonçalves, uma das diretoras do IFOTO, ONG que organiza a Feira com o apoio da Prefeitura de Fortaleza.

Para “dar um clima” ao evento, as grades do Mercado dos Pinhões foram decoradas com grandes fotografias, que fizeram parte da exposição de outro evento também realizado pelo IFOTO, o “Devercidade 2007 – uma cidade em cada olhar”


Fotofeira em setembro: o evento é mensal

Esta é a segunda edição da Fotofeira, que tornou-se uma Feira mensal, ocorrendo sempre no último sábado de cada mês. “Na primeira Fotofeira não houve muita divulgação e vieram muitos fotógrafos. Agora queremos ampliar bastante esse público”, diz Zaneir.

- Em outras cidades, como Rio, São Paulo, Salvador, as feiras de fotografias são eventos quase que corriqueiros. Queremos ajudar fotógrafos amadores e profissionais e incentivar a produção e venda de tiragens fotográficas autorais e bens ligados à fotografia, criando ainda uma nova opção de lazer cultural na cidade – enfatiza a diretora do IFOTO.

Mercado dos Pinhões

O Mercado dos Pinhões atual é, na verdade, apenas a metade do antigo Mercado do Ferro, que veio da França e foi inaugurado a 18 de Abril de 1897, sendo desmontado 31 anos depois.

Fabricado para abrigar o mercado de carnes, é hoje um dos espaços culturais de Fortaleza. Restaurado e conservado, o patrimônio arquitetônico e sentimental para a cidade tornou-se um centro dinamizador das artes.

Fotos: Acervo IFOTO

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23 de outubro de 2008

Benzedeira: “Quem duvida da cura quebra a cara”

iurirubim às 8:42

Quebranto? Mau-olhado? Espinhela caída? É só benzer que passa! Se estiver em Minas Gerais, mais especificamente em Belo Horizonte, você pode procurar minha avó, D. Ereni Rodrigues. A convite do Iuri, entrevistei minha avó de 83 anos, que há muito é benzedeira.


D. Ereni e sua neta Daniela: a família toda foi benzida

A vó Ereni me diz que aqui em Minas é muito comum essa cultura das benzedeiras, principalmente no interior, onde posto de saúde é mais difícil.

Ela explica que normalmente são pessoas mais velhas e bem católicas que, movidas pela fé, cultivam o hábito de benzer as pessoas de graça e pela graça do outro se sentir bem. Segundo ela, um dom que Deus deu.

Acredito que o fato de ser mais velha inspire confiança e sabedoria. Dificilmente alguém se benzeria com uma jovem de 20 anos (eu, Daniela, pelo menos não).

Durante o dia, há sempre alguém querendo uma reza ou uma benzeção na casa da Vó, o que ela faz com muito prazer. Moradora do bairro Sagrada Família há mais de 70 anos, é difícil encontrar alguém que não tenha se benzido com ela quando criança.

Benzer exige um ritual. Primeiro a pessoa que benze tem que estar bem de saúde, explica a Vó. "Se ela não consegue cuidar dela mesma, não pode cuidar de ninguém”. Depois, tem o trato das ervas, que têm que ser apanhadas frescas, seja manjericão, arruda, guiné ou galho de plantinhas do jardim. O terço, sempre à mão. Outra coisa importante é nunca deixar a benzeção depois que o sol se por, a fim de aproveitar a sua energia.

Mas hoje, em Belo Horizonte, essa prática já não é tão comum mais como quando eu era criança. Talvez porque as pessoas estão cada vez mais sem tempo até mesmo de ir ao médico, quanto mais buscar uma benzedeira.

De hábitos simples, é fácil de encontrar a vó em casa. E, como todo bom mineiro, tem sempre um “cafezim” antes da benção ou da prosa. É essa prosa boa que compartilho com vocês agora.

Quando e como a senhora aprendeu a usar ervas e benzer pessoas?

Minha mãe já benzia desde que eu era bem pequena, mas eu só tomei gosto pela coisa com a minha irmã há uns 30 anos atrás. Minhã irmã Taninha benzia tudo! Eu só benzo mau-olhado, quebranto e espinhela caída.

Faço muito também é simpatia para curar bronquite na semana santa, mas essa não posso contar o segredo, porque se quem já tomou souber as ervas, não cura [eu, Dany, fui vítima desse remédio, por isso ela não pode contar!].O remédio é natural e é distribuído na semana santa e quem toma com fé cura, não tem gosto de nada, é um chazinho aguado e sem açúcar.

A senhora tem uma idéia de quantas pessoas já atendeu?

Ah, minha filha, é muita gente, não sei não. Só de remédio para bronquite foram muitos.

Quais são as reclamações mais freqüentes?

Mais é criança que a mãe traz por causa de quebranto, vento virado. As pessoas mais velhas também vêm por causa de espinhela caída ou gente que torceu o pé pra coser [costurar espiritualmente o pé torcido, por meio de um paninho e rezas]. Quando chega gente com dor de cabeça, corpo doendo, é um mau olhado, aí é só benzer. A pessoa tendo fé, tudo passa.

E as mais diferentes e esquisitas?

Uma senhora uma vez me pediu para benzê-la, dizendo que estava com cobreiro ela pediu pra benzer para cobreiro, mas ela não estava com cobreiro, era algo diferente muito feio e purulento. Benzi, mas "mandei ela" direto para o médico.

Conseguiu curar esses pedidos mais esquisitos também?

Uma vez veio um moço aqui com uma ferida mal cheirosa, me pediu para coser o pé dele, fui fazendo isso durante três dias, não é que no terceiro dia o pé já estava melhor?

Qual foi a cura mais complicada?

Nossa, uma vez uma criança tava com diarréia e vômito. Pedi para benzer, mas a mãe não acreditava e já tinha dado "tudo quanto é " remédio. Aí, vendo o sofrimento da mãe, eu pedi de novo para benzer, mas como a mãe não acreditava, não adiantava. A menina foi só piorando e mãe cedeu.

Benzi durante 3 dias. No primeiro dia, a febre, que era alta, foi baixando; no segundo, a diarréia parou; e no terceiro tudo foi melhorando. Com três dias, a menina ficou boa de vez! A mãe, desse dia em diante, passou a acreditar e benzer sempre a filha.

Uma outra vez, veio um rapaz aqui com "espinha na garganta". Tava apavorado, coitado. Eu benzi e mandei ele direto para o médico, mas no meio do caminho ele tossiu e a espinha saiu. Voltou aqui chorando de agradecimento pela benzeção que resolveu o problema dele.

Quantas ervas a senhora usa? Quais as principais e onde elas são recolhidas?

A gente benze com terço e erva. Arruda, alecrim, guiné, manjericão ou a erva que tiver. Até flor de jardim, mas eu gosto mais de terço. São sempre 3 galinhos ou 3 folhas de planta comprida. Pode usar arruda, guiné ou manjericão.


D. Ereni: fé é fundamental

Qual é a relação dessa atividade com a religião da senhora?

É uma benção divina benzer, o padre disse que quando você faz uma coisa que é de Deus, é uma benção.

Já aconteceu de alguém duvidar da capacidade de cura da senhora?

Ah, sempre tem, minha filha, mas sempre a pessoa “quebra a cara”, porque a fé move montanhas.

A procura das pessoas continua a mesma?

Hoje a procura é bem menor, né? A crença está muito devastada. E a falta de quem benze dificulta as coisas.

Como a gente pode saber quando procurar uma benzedeira e quando ir para o médico?

É assim: você deve ir ao médico sempre. Toma remédio e procura uma pessoa pra benzer. Ou uma coisa ou outra tem que melhorar.

Os dois cuidam das mesmas coisas?

Não. As benzedeiras cuidam do espírito, auxiliam no tratamento de dentro para fora.

A senhora está repassando esse conhecimento para alguém?

Hoje há dois netos que aprenderam, mas ainda não praticam, por falta de tempo mesmo. É preciso dedicar e ter tempo para atender as pessoas que buscam ajuda.

Daniela Miranda mora em Belo Horizonte, é publicitária de coração e faz parte de uma família de 10 netos e 4 bisnetos, se suas contas estiverem corretas. Isso sem contar os netos emprestados que a avó Ereni arruma com a benzeção.

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22 de outubro de 2008

MT: Alta Floresta realiza 25º Festival da Canção

iurirubim às 7:59

Desde 1981, o município de Alta Floresta realiza o seu 25º Festival da Canção, um dos mais antigos do Estado do Mato Grosso. Cantores e compositores de várias partes do país viajam ao pequeno município a 830 km de Cuiabá, em plena Amazônia Legal, para disputar a premiação.

Entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, cerca de cinco mil pessoas acompanham o Festival da Canção de Alta Floresta (FESCAF). Na sexta e no sábado, os concorrentes apresentam canções ao público, nas categorias MPB e música sertaneja.

Um júri composto por cinco pessoas de avalia e premia os candidatos. Cinco candidatos têm suas canções reconhecidas, sendo que os três primeiros recebem prêmios em dinheiro. O prêmio máximo, entregue aos autores das duas melhores canções (MPB e sertanejo) é de R$ 2600,00.

Também são distribuídos troféus para os melhores: letra; intérprete sertanejo; intérprete MPB; melodia e arranjo.

Uma outra categoria, a de intérprete, recebe ainda premiações menores em dinheiro: 600, 400 e 300 reais para o primeiro, segundo e terceiros lugares, respectivamente.

As inscrições encerraram-se ontem (dia 21), às 17h, e o número de inscritos mantém-se na média do Festival, entre 25 e 30 artistas. A prefeitura de Alta Floresta colabora com alimentação e hospedagem para os participantes.

“Na prática, porém, são inscritas praticamente o dobro de canções, logo que os artistas em geral concorrem em ambas categorias”, revela Anderson Flores, membro do Coordenação de Cultura de Alta Floresta e um dos organizadores do Festival.

Embora a maioria dos inscritos seja de Mato Grosso, músicos de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul também já se inscreveram.

Segundo a coordenação de cultura da cidade, o FESCAF “mantém a linha artística numa clara resistência à influência da indústria cultural”.

Para o órgão, as duas modalidades privilegiadas pelo Festival, música sertaneja e MPB, “têm sido descaracterizadas, sobretudo na última década pela indústria da cultura de massa”.

- Dessa forma, o Festival diverge para a criação artística e mantém vivo o espaço para os criadores mostrarem as suas obras, as criações que trazem em seu seio os grandes sentimentos do ser humano – afirma documento oficial da pasta de cultura.

De acordo com Anderson Flores, as canções que concorrem ao Festival têm um perfil que sustenta essa linha:

- As canções falam sobre o universo humano, reflete sobre o nosso modo de vida, sobre o capitalismo, a concorrência, a desigualdade, a vida no campo - diz.

O FESCAF também é visto simultaneamente como uma oportunidade de dar visibilidade ao município e acesso à produção cultural de outras localidades do país:

- O Festival é tão importante para o município por proporcionar aos moradores o espaço de acesso a essa produção, já que os espaços públicos estão cada vez mais ocupados pelos produtos da indústria cultural – afirmam os gestores públicos.

Um festival realizado em conjunto com a sociedade

O Festival da Canção de Alta Floresta foi criado por artistas e simpatizantes da música, numa época (inícios dos anos 80) em que havia grande rotatividade de pessoas, indo e vindo das mais diferentes regiões do país motivados pela forte atividade garimpeira.

A partir de 1988 a Associação Alta-florestense de Cantores e Compositores, em conjunto com a então Secretaria de Cultura e Esportes tornou o FESCAF um evento oficial do Município (Lei Municipal 215/89) e sua organização ficou a cargo de uma Comissão Organizadora Mista, composta pelo poder público, artistas, produtores culturais e empresários.

Também desde 1988 o festival foi aberto para a concorrência nacional, concentrando o foco em composições inéditas de MPB e música sertaneja, cuja temática necessariamente deve remeter ao campo.

O FESCAF passou então a figurar como um dos principais festivais de música de Mato Grosso, recebendo vários cantores e compositores de diferentes estados brasileiros, com destaque para Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal.

Fotos: Prefeitura Municipal de Alta Floresta

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18 de outubro de 2008

Arrastão literário distribui milhares de poesias

iurirubim às 10:08

Cordelistas, vários professores, bibliotecários, crianças, uma vereadora e membros das bibliotecas comunitárias do Cabula, Calabar, Paulo Freire e Castro Alves tomaram as ruas de Salvador num Arrastão Literário.

Com a presença de aproximadamente 50 pessoas, o cortejo, saiu da Biblioteca Pública dos Barris, a mais antiga da América do Sul, e foi até a Praça da Piedade.

O Arrastão foi puxado pelo ex-pedreiro Evando dos Santos, hoje conhecido como Homem Livro, vestido com uma roupa contendo diversas capas de livros e muitos trechos de poesias e um chapéu em formato de livro. Ele mesmo produziu a roupa.

Durante a caminhada, foram distribuídos 2.000 folhetos contendo trechos de poesias e 1.000 folhetos de cordel.


As meninas da Biblioteca Comunitária do Calabar
recitam na Praça da Piedade

Já na praça, as crianças da Biblioteca Comunitária do Calabar fizeram um recital, seguido pelo cordelista Antonio Barreto e pelo Homem Livro, que também recitou algumas poesias.

O Arrastão encerrou o VII Encontro do Programa Nacional de Incentivo à Leitura/ Comitê Salvador, que aconteceu na Biblioteca Pública dos Barris, entre os dias 15 e 17 deste mês.

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17 de outubro de 2008

BA: 14 povos indígenas reúnem-se pela 1ª vez

iurirubim às 8:20

Hoje começa oficialmente o Encontro das Culturas dos 14 Povos Indígenas da Bahia (E14), que acontece até o dia 19, em uma aldeia do povo Tuxá, no município de Rodelas, a 550 km de Salvador. É a primeira vez que um encontro reúne todos os 14 povos indígenas do Estado.

Caciques de todas as tribos participam da abertura do evento na manhã desta sexta-feira, juntamente com o secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles; o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai); Márcio Meira, Angélica Gutierrez, do Conselho Nacional dos Povos Indígenas/Altiplanos da Bolívia, e o Cacique Djacir, da Liderança Raposa Serra do Sol.


Angélica Gutierrez (segunda da direita para esquerda),
veio ao Brasil participar do Encontro

- Trazer estes dois convidados, que pertencem ao contexto da luta dos povos indígenas, é importante porque nos traz dados de outras realidades, além de ser uma forma de intercâmbio dos povos indígenas da Bahia com os indígenas latino-americanos - explica Hirton Fernandes, coordenador do E14 e do Núcleo de Culturas Populares e Identitárias da Secretaria de Cultura do Estado.

Embora toda a logística do encontro seja organizada pelos governos federal, estadual, e municipal, os gestores públicos fazem questão de limitar a interferência do poder público. “O papel do Estado neste encontro é o de promover a aproximação entre os povos indígenas, de maneira que eles possam interagir entre si, intercambiar idéias e culturas, trocar segredos, vivificar tradições”, frisa Hirton.

A realização do evento anima Dinamam Tuxá, representante jovem da comunidade Tuxá de Rodelas:

- O Encontro vai contribuir para a interação entre os povos da Bahia, que são diversos e não são unidos. Vamos discutir como se articular com a FUNAI e incentivar mais encontros em outras regiões, como a dos Pataxós, Tupinambás, etc – afirma.

Aproximadamente 300 indígenas já estão no local. Além dos caciques, cada aldeia do Estado enviou, com apoio da FUNAI, uma comissão composta por uma mulher, um jovem, o mais velho ou um pajé, e um gestor.

Um dos principais objetivos do E14 é que os representantes dos povos nativos ajudem as três esferas de governo a elaborar um plano para a promoção da cultura indígena na Bahia.

Como subsídios para a discussão, o grupo já dispõe de reivindicações feitas pelo indígenas num encontro em março de 2007 e também demandas apresentadas na II Conferência Estadual de Cultura, em outubro do mesmo ano.

- Queremos traçar um plano de ação para realizar essas demandas, a ser executado conjuntamente pelo Estado e pelas tribos – reforça Hirton Fernandes.

Durante a abertura do evento, será lançado o Prêmio Iniciativas Culturais dos Povos Indígenas da Bahia e ocorrerá a mesa redonda “Cultura, identidade e diversidade indígena na Bahia”, com mediação de Rosilene Tuxá, da Secretaria Estadual de Educação, e a participação de Jerry Matalawê (Coordenador de Políticas para os Povos Indígenas/SCJDH), Nádia Acauã (Membro Conselho Estadual de Cultura), Maria das Neves (Membro da Reserva Pataxó da Jaqueira), Wilton Tuxá (Membro da Apoinme), Cacique Lázaro e Pajé Armando.

Além do debate sobre políticas para as culturas indígenas, estão programados rituais, apresentações artísticas e mesas com indígenas e especialistas.

Ainda ontem (quinta-feira), ocorreu o ritual de abertura do evento; a apresentação das crianças TUXÁ, teatro, mensagens que evocam as lendas da aldeia e a dança do Toré.

O grupo executivo que organiza o evento é formado pelas secretarias estaduais de Cultura; do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza; Justiça, Cidadania e Direitos Humanos; Trabalho, Emprego, Renda e Esporte; Saúde; e Educação.

Também participam deste grupo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério da Cultura, Universidade Católica de Salvador, Universidade Federal da Bahia, Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI), Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), Prefeitura Municipal de Rodelas, e lideranças indígenas de diversos povos.

A organização prevê que sejam realizados novos encontros futuramente, tendo como anfitriões outros povos indígenas. O Encontro das Culturas dos 14 Povos Indígenas vai deixar para os Tuxás de Rodelas algumas melhorias na aldeia e mais duas ocas.

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15 de outubro de 2008

“Orixás são como anjos da guarda”, diz curandeiro

iurirubim às 17:29

O senhor Edson Ribeiro, ou Dr. Raízes, como é conhecido, atende na Rua dos Artistas, número 5, bairro Garcia, em Salvador. “Nunca tive um caso negativo, de alguém vir aqui e eu não conseguir curar”, garante.

Seu ponto comercial, a Casa das Raízes, é uma overdose de informação. Plantas e folhas secas tomam conta da fachada da casa.

O teto da parte interna é repleto de objetos pendurados, na maioria sementes e raízes, mas também produtos industrializados, costumeiros da vida cotidiana.

Dois freezers de bebidas ficam na parte lateral da entrada e a extensa superfície do grande balcão à direita é base para potes repletos de balas e garrafões com cachaça. À esquerda da entrada ainda há um espaço onde travessas e pratos de barro para caruru (comida baiana que costuma ser oferecida aos orixás).

Diz que gostaria (e planeja) de separar as coisas, migrando as bebidas para um outro ponto próximo. “Recebi permissão para vender bebidas, mas eu não gosto de misturar. Acabei com 80% do bar, vendo bebidas mais como depósito”, diz.

A Casa das Raízes funciona todos os dias, das 8h30 até quase meia-noite. Muito simpático, usando várias contas de orixás, Dr. Raízes toma conta de tudo sozinho. Ele, que já chegou a receber até 400 reais por uma cura, agora faz tudo de graça, cobrando apenas o preço das ervas.

- Sou uma pessoa de bem. Podendo ajudar, ajudo. Sou muito ligado à natureza, às plantas, à vida. Meu objetivo é atender melhor as pessoas. Sempre digo nas minhas orações que quero atender as pessoas – diz, sem falsa modéstia.

Já teve um cachorro chamado deterfon, que era pequenino, mas muito brabo. A única coisa que acalma o bichano eram músicas de dor de cotovelo. “Quando eu botava para tocar aquelas músicas de corno, ele ficava quietinho e até chorava!”, conta.

Seu Edson acredita que seu ofício é presente divino: “A cura é um dom que Deus dá. Uma pessoa uma vez me disse: ‘quem cura é você, é sua força espiritual’. Sabe que concordo com ele?”.

Dr. Raízes lembra a primeira vez que curou alguém. Muito antes de ter essa alcunha, quando ainda era um garoto, viu uma vizinha reclamar de dores. “Eu, na minha inocência, fui no jardim, colhi umas folhas e recomendei que ela usasse. Ela acreditou e sarou”, conta.

Quando começou a ter consciência de seu talento, não parou mais de combater as enfermidades alheias. Segundo ele, já curou cólica menstrual, depressão, vários tipos de dores (reumáticas, de coluna etc.), reduz pressão alta e até mesmo rugas!

- Fiz uma vez um creme para rugas no rosto que uma senhora vendeu no salão dela. E olha que fez sucesso! – afirma.

Para o curandeiro, grande parte das doenças se relaciona com o sistema circulatório.

- Todas as doenças vêm através da circulação do sangue. Pessoas com sangue bom não têm muitas doenças. Uso muito ervas para limpar o sangue e ativar a circulação e recomendo uma boa alimentação – diz.

Conta que um dos casos mais difíceis que enfrentou foi de uma diabética, que tinha uma ferida enorme na perna:

- Eu tinha até outro dia o endereço e telefone da mulher. Ela já tinha esse problema há muitos anos. Comecei a usar o cipó amarelo do amazonas, pedi para ela fazer uma dieta e usei também batata inglesa e outros antibióticos naturais. Com 30 dias ela estava curada – diz, orgulhoso.

O Dr. Raízes trabalha com mil plantas, das quais cerca de 300 estão disponíveis em sua loja.

Não dá garantia do serviço, mas tem muita confiança em seu trabalho. “A gente não dá aquela garantia, mas eu tenho feito e tenho curado”, sustenta.

Sempre tenta fornecer os dados de quem afirma ter curado e diz que seria interessante também fazer uma matéria entrevistando essas pessoas. Comprometeu-se, inclusive, a reunir algumas dessas pessoas.

Mas, de acordo com o Dr. Raízes, a experiência é o melhor remédio para a desconfiança.

- Uma vez fui curar um rapaz que tinha elefantíase há 10 anos e cortava a calça porque a perna não cabia nela. Disse que não acreditava que eu pudesse curar ele. Quando perguntou quanto era, eu disse que ele ia me pagar somente o que eu merecia. Em 15 dias, me chamou e me deu R$50,00. Com mais 15 dias, me deu outros R$50,00. Em dois meses, ele estava curado – conta, sorrindo.

Seu Edson se lembra de outro caso:

- Teve um outro rapaz, André, que morava no Flat Jardim de Alah, apto 125. Ele me perguntou quanto era e eu disse que ele me pagaria R$150,00 antes e R$ 150,00 quando ele estivesse bom. Em cinco dias, ele me ligou para eu ir pegar o cheque.

Recentemente, uma médica visitou a loja e o ouviu falando sobre como tratar sinusite. Ela bateu a mão no ombro de seu Edson e disse: “você está certo, colega”.

Nossa animada conversa é interrompida por um homem, que entra pedindo “aquele” remédio para pressão alta (essa é a única interrupção para a compra dos "remédios caseiros").

- Ah, noz moscada? – diz seu Edson.

Ele recebe o dinheiro, vai para trás do balcão e entrega um pacotinho ao rapaz. Depois, vira para mim e diz: “Estou para fazer um remédio para pressão alta com noz moscada, patchulli, girassol e umburana de cheiro. É bom, porque já fica pronto aqui para quando precisarem”.

Pergunto a ele como aprendeu a fazer uso das plantas e fazer os preparados.

- Aprendo as receitas nos sonhos e também por intuição. Recebi uma mensagem que deveria me aproximar mais das crianças. Nesse caruru, dei presentes e agora faço uma sopa toda segunda-feira.

- Quem envia essas mensagens?

- Devem ser os orixás. Esta vendo esse colar? Sonhei com um colar verde e branco. Verde é de Ogum Marinho e branco de Oxalá.

Dr. Raízes me conta que seus pais eram batistas e reclama da Igreja: “eles são muito contundentes, não dão liberdade para as pessoas analisarem as coisas”. Por sua experiência, diz que hoje não vê conflito em acreditar em Deus e nos orixás.

- Primeiramente Deus, e depois os Orixás. As pessoas têm uma idéia muito errada dos orixás. Acham que os orixás são o diabo, mas não é assim. Os orixás são como anjos da guarda para a gente. Vêm nos proteger.

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Rezadeiras, benzedeiras e curandeiros no Blog

iurirubim às 17:20

A partir de amanhã, o Blog das Ruas vai comecar uma série de reportagens sobre a arte popular da cura, uma prática em decadência no país.

Rezadeiras, benzedeiras e curandeiros de diferentes estados brasileiros vão contar aqui no Blog como fazem para curar as enfermidades de vizinhos e desconhecidos.

Essa série terá cinco matérias, que serão intercaladas com outros posts do Blog. Amanhã, não deixe de conhecer seu Edson Ribeiro, o Dr. Raízes, que atende em Salvador.

 

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