BA: 14 povos indígenas reúnem-se pela 1ª vez
Hoje começa oficialmente o Encontro das Culturas dos 14 Povos Indígenas da Bahia (E14), que acontece até o dia 19, em uma aldeia do povo Tuxá, no município de Rodelas, a 550 km de Salvador. É a primeira vez que um encontro reúne todos os 14 povos indígenas do Estado.
Caciques de todas as tribos participam da abertura do evento na manhã desta sexta-feira, juntamente com o secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles; o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai); Márcio Meira, Angélica Gutierrez, do Conselho Nacional dos Povos Indígenas/Altiplanos da Bolívia, e o Cacique Djacir, da Liderança Raposa Serra do Sol.

Angélica Gutierrez (segunda da direita para esquerda),
veio ao Brasil participar do Encontro
- Trazer estes dois convidados, que pertencem ao contexto da luta dos povos indígenas, é importante porque nos traz dados de outras realidades, além de ser uma forma de intercâmbio dos povos indígenas da Bahia com os indígenas latino-americanos - explica Hirton Fernandes, coordenador do E14 e do Núcleo de Culturas Populares e Identitárias da Secretaria de Cultura do Estado.
Embora toda a logística do encontro seja organizada pelos governos federal, estadual, e municipal, os gestores públicos fazem questão de limitar a interferência do poder público. “O papel do Estado neste encontro é o de promover a aproximação entre os povos indígenas, de maneira que eles possam interagir entre si, intercambiar idéias e culturas, trocar segredos, vivificar tradições”, frisa Hirton.
A realização do evento anima Dinamam Tuxá, representante jovem da comunidade Tuxá de Rodelas:
- O Encontro vai contribuir para a interação entre os povos da Bahia, que são diversos e não são unidos. Vamos discutir como se articular com a FUNAI e incentivar mais encontros em outras regiões, como a dos Pataxós, Tupinambás, etc – afirma.
Aproximadamente 300 indígenas já estão no local. Além dos caciques, cada aldeia do Estado enviou, com apoio da FUNAI, uma comissão composta por uma mulher, um jovem, o mais velho ou um pajé, e um gestor.
Um dos principais objetivos do E14 é que os representantes dos povos nativos ajudem as três esferas de governo a elaborar um plano para a promoção da cultura indígena na Bahia.
Como subsídios para a discussão, o grupo já dispõe de reivindicações feitas pelo indígenas num encontro em março de 2007 e também demandas apresentadas na II Conferência Estadual de Cultura, em outubro do mesmo ano.
- Queremos traçar um plano de ação para realizar essas demandas, a ser executado conjuntamente pelo Estado e pelas tribos – reforça Hirton Fernandes.
Durante a abertura do evento, será lançado o Prêmio Iniciativas Culturais dos Povos Indígenas da Bahia e ocorrerá a mesa redonda “Cultura, identidade e diversidade indígena na Bahia”, com mediação de Rosilene Tuxá, da Secretaria Estadual de Educação, e a participação de Jerry Matalawê (Coordenador de Políticas para os Povos Indígenas/SCJDH), Nádia Acauã (Membro Conselho Estadual de Cultura), Maria das Neves (Membro da Reserva Pataxó da Jaqueira), Wilton Tuxá (Membro da Apoinme), Cacique Lázaro e Pajé Armando.
Além do debate sobre políticas para as culturas indígenas, estão programados rituais, apresentações artísticas e mesas com indígenas e especialistas.
Ainda ontem (quinta-feira), ocorreu o ritual de abertura do evento; a apresentação das crianças TUXÁ, teatro, mensagens que evocam as lendas da aldeia e a dança do Toré.
O grupo executivo que organiza o evento é formado pelas secretarias estaduais de Cultura; do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza; Justiça, Cidadania e Direitos Humanos; Trabalho, Emprego, Renda e Esporte; Saúde; e Educação.
Também participam deste grupo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério da Cultura, Universidade Católica de Salvador, Universidade Federal da Bahia, Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI), Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), Prefeitura Municipal de Rodelas, e lideranças indígenas de diversos povos.
A organização prevê que sejam realizados novos encontros futuramente, tendo como anfitriões outros povos indígenas. O Encontro das Culturas dos 14 Povos Indígenas vai deixar para os Tuxás de Rodelas algumas melhorias na aldeia e mais duas ocas.
a iniciativa é brilhante, os povos indígenas têm que se unir a busca de seus ideais.
Temos na Universidade Federal de São carlos: http://www.ufscar.br, vestibular específico para indigenas e reservamos a eles uma vaga por curso.
Temos atualmente 16 indigenas matriculados nos cursos de graduação, o que para nós é muito gratificante.
Comentário por regina Melchiades — 17 de outubro de 2008 @ 9:45
A sensação que tive é de alegria, ao ver que avança a organização dos índios bahianos, apenas queria deixar registrado aqui a minha satisfação!
Comentário por Luís Chico — 17 de outubro de 2008 @ 10:19
EXCELENTE!!!
Sou natural de Glória - BA, foi de grande valia uma tomada de decisão dessa, estamos lutando por uma inclusão justa, o momento é oportuno, sou meio negro, dizem que mameluco, mais minhas origens são índiginas, a família de meus avós eram do Brejo do Burgo, vejo no meu município o sofrimento estampado principalmente nos rostos dos menos desfavorecidos; a USP formou esta semana uma turma em Pedagogia só de índios, que beleza, a UFS lança cotas para índios, vejo nisso um grande avanço, resta-nos melhores acessos à nossa região, e a UFBA lançar uma extensão ou um campus quem sabe seria um grande passo para darmos início ao resgate da cidadania de um povo tão esquecido. Conseguir libertar-me através da educação. Educação esta, que foi adquirida com uma incessante perseverança, superando riscos, a maior parte dos estudos foi em escolas particulares, custo altísssimo, mas valeu ter superado tudo isso.
Parabéns aos organizadores.
Manoel Gaudencio Barbosa
Licenciado em Biologia pela FFPP e Bel. em Direito pelo CESMAC - AL
Comentário por MANOEL GAUDENCIO BARBOSA — 17 de outubro de 2008 @ 10:55
Se for para unir os brasileiros indios e brancos ótimo. Agora que não venham as malditas ONGs disfarçadas de ambientalistas fomentar a autonomia das reservas indígenas da região norte usando tal encontro para isso exclusivamente. O índio é brasileiro e portanto sujeito as mesmas leis brasileiras com os mesmos direitos devendo ser tratado como tal.É preciso começar a se investigar o papel e a atuação de determinadas ONGs que atuam no Brasil e provado que o interesse é nefasto de usar o indio para provocar conflitos e assim tentar facilitar a internacionalização de terrras na região norte do País expulsá-las urgentemente.Bom encontro.
Comentário por ronaldo — 17 de outubro de 2008 @ 10:58
Muito boa a reportagem. Fico contente com esta articulação dos indigenas baianos. E imagino que tanto o Povo Tuxá (de meu colega Uilton Tuxá, da APOINME) quanto as outras etnias presentes (e que muitas - como os Povos Tuxá, Pankararé, Pataxó, bolivianos, etc. - tem representantes aqui em São Paulo) devem estar muito contentes e animadas com tudo isso. Força e energia a todos. Fiquem bem.
Marcos Júlio Aguiar - Projeto Indios na Cidade - Opção Brasil
Comentário por Marcos Júlio Aguiar — 19 de outubro de 2008 @ 18:48