Festival celebra tradições da Amazônia Atlântica
Toques e Cantorias de Marujada e Carimbó de São Benedito, no Pará. Cacuriá, Carimbó de Caixeira, Tambor-de-Crioula do Maranhão.
O variado leque de tradições populares do Pará encontra-se com as não menos diversas expressões da cultura popular maranhenses na segunda edição do Festival Maria Pretinha, realizado de hoje à noite até domingo, na cidade de Quatipuru, nordeste do Pará, a 250 km de Belém.
A partir das 20h, marujadas tradicionais e mirins e os convidados fazem o “ritual da chegança”, dando uma pequena amostra do que será o Festival, cujo tema é “Revelando e Celebrando a Diversidade na Amazônia Atlântica”.
No sábado, o evento tem cortejo, oficinas de “danças do Pará e do Maranhão”, de “batuques de São Benedito” e de “rabecas da Amazônia”. À tarde, uma mostra de curtas da Amazônia, seguida da “Festança” à noite, com a apresentação de grupos tradicionais do Pará e do Maranhão.
O último dia do Festival tem um encontro com os mestres populares da cultura e um ritual de despedida. Durante todo o festival, haverá uma feira de artesanato e produtos de projetos socioculturais da comunidade e parceiros.
Maria Pretinha
Pedi à arte-educadora, focalizadora de Danças Circulares, fundadora e gestora da ONG paraense Mana-Maní, Esperança Alves, que organiza o Festival, para que explicasse quem é e qual o significado de Maria Pretinha. A resposta veio no texto abaixo:
“Conta a tradição oral, de Quatipuru, Nordeste Paraense – Amazônia Brasileira, que “Maria Pretinha” foi a primeira Capitôa da Marujada de São Benedito - tradição cultural originária daquele município, na Ilha de “Titica”, no ano de 1838.
Naquela época, conta o Mestre Raimundo Borges, “a festa acontecia em um grande terreiro iluminado por imensas fogueiras; marujos e marujas cantavam e dançavam ao ritmo do tambor, réco-réco, pandeiro, xéqui-xéqui e viola, a Roda, o Retumbão, o Peru, a Mazuka, o Xote, e Carimbó até dizer chega…”
Maria Pretinha é uma figura emblemática-alegórica das diversas “Mães Pretas”, que ao revés de condições desafiantes da escravidão no Brasil, na Amazônia, nas Américas, expressaram sua resistência na força criativa de suas raízes culturais, liderando a organização de manifestações como a Marujada de São Benedito no Pará, o Samba-de-Roda na Bahia, o Samba carioca no Rio de Janeiro, o Jongo no Sudeste, o Tambor-de-Crioula e Tambor de Mina no Maranhão e no Pará…
Agora, como ontem, muitas “Marias Pretinhas” teimam em resistir, aos muitos desafios da contemporaneidade com Arte, Criatividade, Vitalidade, Alegria, Prazer, Ludicidade, Espiritualidade.
Expressam através de suas Danças em Roda, Batuques, Fitas Coloridas, Culinárias, Vestes Rituais, Religiosidade, dentre outros elementos, outras formas de ver, de saber e estar no mundo.
Hoje,“Maria Pretinha” é uma iniciativa de caráter cultural e arte-educativa, recentemente nomeada “Irmandade Maria Pretinha”, nascida em Out/2005, em Quatipuru, como resultado da oficina "Remexendo a Memória Cultural Brasileira", focalizada pela Arte-Educadora "Esperança Alves", com jovens, educadores e mestres da Marujada, à convite da Fundação Curro Velho.
Inspirada na atitude criativa e visionária desta figura emblemática da maior tradição cultural do município - A Marujada de São Benedito, a Irmandade reúne outras “Marias Pretinhas”, Mestres, Arte-Educadores, Agentes, Grupos Culturais de Quatipuru; e parceiros de municípios do nordeste paraense - em especial aqueles integrados à Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”. Uma grande aliança em prol da Diversidade Bio-Cultural na Amazônia Atlântica.
O Festival Maria Pretinha constitui-se em um espaço-tempo de fortalecimento e ampliação das ações desta Aliança (Irmandade Maria Pretinha), incluindo novo/as expressões culturais amazônida-brasileiras, protagonistas e parceiros, em prol da Diversidade, Criatividade e Sustentabilidade na Amazônia".








