Terra Magazine

30 de janeiro de 2009

SP: Ciclistas fazem apelo à paz no trânsito

iurirubim às 14:56

Hoje à noite, quem andar pelas ruas de São Paulo é capaz de se deparar com uma faixa branca em movimento. Vestidos de branco, os ciclistas da Bicicletada Paulistana vão às ruas pedir paz.

A partida das bicicletas está marcada para as 20h, da Praça do Ciclista, onde os ativistas se reúnem desde as 18h. O trajeto, como de costume, é decidido na hora, pelos próprios participantes.

Em grande medida, o motivo que levou à manifestação foi o falecimento da ciclista Márcia Regina Prado, atropelada no dia 14 deste mês por um ônibus na Avenida Paulista.

Com o episódio muito vivo na memória de todos, os ciclistas resolveram protestar contra a “guerra do volante”.

Segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), de janeiro a outubro de 2008, houve 1.212 mortes ligadas ao trânsito da capital paulista. Dentre as vítimas, 569 eram pedestres e 55, ciclistas.

Em termos de Brasil, o número de vítimas do trânsito é comumente comparado aos de uma guerra civil.

Os cicloativistas resumem em apenas uma frase o seu desejo coletivo: “Um mundo onde as ruas são de todos e existe a possibilidade de convivermos pacificamente, em Paz”.

Não sei se intencionalmente ou não, mas o discurso dos ciclistas também faz uma clara referência ao slogan do Fórum Social Mundial, que ocorre neste momento em Belém (PA). Afirmam: “a Bicicletada Paulistana de Janeiro busca celebrar a PAZ, resgatar a alegria que é se locomover de bicicleta e mostrar que um outro mundo é possível”.

Blogs que citam este Post

29 de janeiro de 2009

CUFA cria Liga Internacional de Basquete de Rua

iurirubim às 12:23

Os principais representantes da CUFA – Central Única de Favelas estão reunidos por quatro dias (29/1 a 1/2) em Cuiabá para o planejamento estratégia anual da instituição, que atua em todo Brasil.

Dentre as principais propostas para 2009, está a organização da Liibra – Liga Internacional de Basquete de Rua, que já este ano teria, além do Brasil, etapas no Chile, Hungria e Alemanha.

Pela programação da CUFA, seus escritórios regionais realizam, até julho, etapas regionais e estaduais da Liibra em todo país.

O Basquete de Rua do Brasil – ou esporte-arte, como também é chamado – é uma variação entre o Streetball e o basquete formal.

Pode ser jogado em praticamente qualquer lugar onde caiba um cesto (em quadras improvisadas, ginásios; sob viadutos; ao ar livre ou na própria rua etc.).


O basquete de rua pode ser jogado em quase todo lugar

Embora existam regras, elas se curvam ante a majestade das manobras – a exibição da capacidade técnica do jogador –, principal objetivo do basquete de rua. Daí ser conhecido como esporte-arte.

A criação de uma liga internacional para o esporte pela CUFA é a consolidação de um conjunto de ações iniciadas em 2001, quando, durante o Hutúz Rap Festival, alguns jovens começaram a disputar um “racha de basquete” improvisado com uma lata de lixo. A brincadeira criou as bases para uma nova modalidade esportiva.

Desde então, a CUFA passou a apoiar torneios de basquete de rua, sempre associados a eventos de hip hop.

A idéia cresceu e levou a Central Única de Favelas a criar a LIBBRA - Liga Brasileira de Basquete de Rua, que se tornou referência única nesta modalidade cultural-esportiva em dimensão nacional.


A CUFA descobriu no basquete de rua uma
importante forma de mobilização

Já em sua primeira edição, em 2005, a grande final da LIBBRA foi realizada em um dos palcos mais expressivos da cultura carioca, o Sambódromo do Rio de Janeiro.

No final do ano passado, a CUFA promoveu uma prévia do que seria a Liga Internacional: em 27 de dezembro, realizou o Desafio Internacional Reis da Rua, com equipes do Brasil e do Chile.

(Fotos: Camila Fontana/ CUFA SP)

Blogs que citam este Post

27 de janeiro de 2009

BA: Já começaram os Festejos Populares de Irará

iurirubim às 15:46

Terra de Tom Zé e do goleiro Dida, a cidade de Irará (BA) realiza anualmente a celebração profana a Nsa. Senhora da Purificação dos Campos, Santa Padroeira do Município.

Em 2009, os Festejos Populares de Irará acontecem oficialmente nos dias 30 de janeiro a 1 de fevereiro.

Digo oficialmente porque desde o último sábado (dia 24/1) já são realizadas atividades relacionadas com a celebração.

As primeiras delas são as missas, que acontecem todas as noites da semana, na Igreja da Matriz. O encerramento do novenário é no dia 1 de Fevereiro, véspera do feriado dedicado à Padroeira.

Até quinta-feira, apresentações de grupos de cultura popular também ocupam as noites da cidade com Samba de Roda, Reisado e Bumba-meu-boi, grupos de música regional, forró e MPB.

Na sexta-feira, um dos momentos mais esperados: a tradicional e sincrética Lavagem da Igreja Matriz de Irará.

A Lavagem congrega elementos da religiosidade afro e das tradições católicas. Há mais de 100 anos, o grande cortejo de baianas, acompanhado de grupos de samba e capoeira, percorre as ruas da cidade, ao som de um grande grupo de charanga, carregando potes com água de cheiro, simbolicamente lavando a cidade para a passagem da procissão de Nsa. Senhora.

Desfiles de blocos, alvoradas, apresentações artísticas, cultura popular e a tradicional Festa do Cruzeiro, com Trio Elétrico, completam a programação – essa, sim, oficial – dos Festejos.

A grande atração desta edição é a cantora Margareth Menezes, que se apresenta na na Praça da Purificação dos Campos, na sexta, dia 30 de janeiro, às 22hs, após a Lavagem da Igreja Matriz da cidade.

Blogs que citam este Post

26 de janeiro de 2009

Deficientes mentais formam Orquestra de Atabaques

iurirubim às 11:00

A todo momento, nos quatro cantos do país, brasileiros nos dão exemplos de superação de suas dificuldades. Este é mais um deles.

Nesta quarta-feira, dia 28, estréia em Salvador o espetáculo “Orquestra de Atabaques”, da Opaxorô Cia de Dança e Percussão.

A montagem reúne música e dança e tem como proposta cênica ressaltar a presença da mitologia africana na cultura baiana, usando o atabaque como elemento-guia deste percurso.


Cia Opaxoro: a primeira companhia de dança profissional
formada por portadores de deficiência mental

O espetáculo já seria surpreendente não fosse por um pequeno-grande detalhe: mais da metade de seus 45 integrantes possui deficiência intelectual.

- Não sei ao certo quantos, acredito que cerca de 25 integrantes do espetáculo são portadores de deficiência - diz Antonio Marques, coordenador do Ponto de Cultura Arte Viva, do qual faz parte a Companhia.

A dúvida de Antonio Marques parece estranha, mas é totalmente compreensível, porque, nas palavras do próprio coordenador: “o maravilhoso de tudo é que, quando a companhia está no palco, você não percebe quem tem e quem não tem [deficiência mental]”.

Aceitei o desafio e fui ver uma apresentação em versão reduzida do espetáculo, na 6ª Bienal de Cultura da UNE, na quinta-feira passada (22/1).

Emocionado, constato que apenas um olhar muito atento é capaz de diferenciar os portadores de deficiência dos outros músicos e dançarinos.

E o mais importante: a diferença é identificada apenas no aspecto visual. Os passos de dança e o toque dos atabaques são executados em total sincronia.

- Todo mundo tem algum tipo de deficiência, ninguém é perfeito em tudo. Eu não danço, você dança? – Antonio Marques me pergunta.

- Não – respondo, ciente das minhas limitações. 

Única companhia profissional com portadores de deficiência mental

A Cia Opaxorô – formada por alunos e aprendizes da Apae Salvador – é o único grupo formado por pessoas com deficiência mental que possui registro profissional concedido pela Delegacia Regional do Trabalho.

Fruto do trabalho artístico desenvolvido na Apae da capital baiana ao longo de 40 anos, o grupo tem em seu currículo espetáculos que mesclam o uso da dança e da música, entre eles, Bahia Cantos e Encantos, Contando Histórias e Filhos da Bahia.


Quase não é possível identificar os
portadores de deficiência

A Opaxorô atua sob a ótica inclusiva, cuja formação integra jovens com deficiência mental e outros oriundos da comunidade atendidos pelo Projeto Arte Viva, que desenvolve oficinas de arte-educação.

Não há limite de idade para os integrantes. Eles são selecionados aos 16 anos, após passarem pelas oficinas do Arte Viva, e permanecem no grupo enquanto a relação for saudável. Hoje, existem dançarinos de 40 anos na Companhia.

Todas as apresentações da Companhia – 12, em 2008 – são remuneradas.

Orquestra de atabaques

O espetáculo Orquestra de Atabaques tem apresentações marcadas para os dias 28 a 31 de janeiro, no Teatro dos Correios, sempre a partir das 19h. A entrada é franca, mas para ter acesso o público deve trocar o ingresso por uma lata de leite em pó. Os donativos arrecadados serão doados para o Programa Fome Zero do Governo Federal.

Os 45 integrantes do elenco de músicos e dançarinos se dividem nos 12 atos do espetáculo de uma hora de duração. No palco, a Cia faz um Xirê (evocação) que vai de Exu a Oxalá, com músicas populares, reverenciando as divindades africanas.

As canções são acompanhadas por instrumentos de corda, a exemplo do violoncelo, que, em harmonia com a percussão dos atabaques, conferem ritmo à apresentação.

O espetáculo une o sagrado e o profano em torno do atabaque “um instrumento percussivo rico em sonoridade e elemento sagrado dos rituais litúrgicos do candomblé”, afirma o diretor musical da montagem, Ubiratan Assis.

Para compor o repertório, foram pesquisadas canções relacionadas ao culto dos orixás. Ao todo foram selecionadas 20 músicas populares, que contam as lendárias histórias de Exu, Ossaim, Oxumaré, Logun Edé e Nana, tendo como principal acompanhamento instrumental o atabaque.

As cerimônias litúrgicas do candomblé são acompanhadas por três tipos de atabaques: Rum, Rumpi e Lê. Este conjunto sonoro é essencial para a evocação dos orixás. Os toques repicados pelos atabaques identificam a nação das casas de candomblé e dão o compasso para as danças das divindades africanas.

Uma variação dos tambores encontrados nas escavações em sítios arqueológicos do continente africano, os atabaques começaram a ser confeccionados seis mil anos antes de Cristo.

(fotos: arquivo Opaxorô [1] e Iuri Rubim [2])

Blogs que citam este Post

22 de janeiro de 2009

DJs fazem “mapa musical” de São Paulo

iurirubim às 6:57

Os DJs Ramilson Maia e Fernando Ferds uniram música e cartografia para fazer um disco em homenagem a São Paulo, lançado oficialmente no aniversário da cidade, dia 25 de janeiro.

IN SAO PAULO passeia pelos bairros e locais da cidade, traduzindo em batidas e loops o sentimento que cada um desses lugares desperta nos artistas.

Para eles, a Praça de Pinheiros, popularmente conhecida como Praça do Por do Sol (Por do Sol é o título da faixa), é um local único na cidade, pois transmite a sensação de se estar numa praia. Daí o uso de uma linha melódica em busca de tranqüilidade e, ao mesmo tempo, de um clima sensual.


Ramilson Maia e Fernando Ferds: "estrangeiros"
adotados pela capital paulista

a Liberdade é representada em música homônima por certa constância nos beats e – claro – por uma influência oriental pairando sobre a melodia.

A música em homenagem ao bairro mais boêmio da capital paulista, Vila Madah, tem um trompete com surdina, tocado pelo músico Arthur Fernandes. O instrumento se combina com a batida de 126 BPMsm, que lembra percussões de samba e ritmos baianos. Tudo para expressar o requinte acompanhado da descontração do bairro paulistano.

O Mercado Central de São Paulo é representado por percussões abrasileiradas das escolas de samba com metais, o beat de House e uma melodia com timbre dos anos 80 – na tentativa de reproduzir os aromas de frutas, especiarias e até os sotaques presentes no Mercado.


Ramilson Maia veio de Vitória da Conquista (BA) para
São Paulo aos 16 anos.

O álbum – que traz ainda músicas com referência ao Trianon, à Av. Paulista e à Zona Leste, dentre outras – pode ser encarado como uma espécie de agradecimento pela acolhida na capital paulista. Ambos os DJs são de outros estados: Ramilson vem da Bahia e Fernando, do Paraná.

O lançamento de IN SAO PAULO será digital, feito exclusivamente pela Coolnex, canal de conteúdo e distribuição de músicas no portal Limão.

Blogs que citam este Post

21 de janeiro de 2009

CE: Sobremesa em Fortaleza é cinema

iurirubim às 17:06

O Cine Sobremesa, sediado no sobrado Dr. José Lourenço, é um cineclube formado por alunos e ex-alunos do curso Pontos de Corte, um projeto da Vila das Artes que visa à formação de agentes culturais e exibidores independentes.

Como o público-alvo do cineclube são os trabalhadores do centro de Fortaleza, o projeto exibe gratuitamente, no horário do almoço, filmes de média e curta-metragem, priorizando a produção cearense.

A programação de janeiro, que começa hoje, é dedicada ao universo dos quadrinhos e animações independentes.

Quer conhecer? Entre em contato pelos telefones (85) 3101.8826 / 3101.8827 e 8707.9763 (Virgínia Pinho)

Blogs que citam este Post

19 de janeiro de 2009

Religiosos se mobilizam contra a intolerância

iurirubim às 20:25

Nesta quarta-feira, grupos de fiéis de várias crenças realizam atos em vários locais do país contra a intolerância religiosa. Pelo menos quatro capitais – Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo – já têm programação definida.

O dia 21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa porque há nove anos, nessa mesma data, faleceu Mãe Gilda (ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na capital baiana), vítima de um infarto fulminante após sofrer uma série de atos violentos praticados por fanáticos de igrejas evangélicas do bairro de Itapuã.

Em dezembro de 2007, o presidente Lula oficializou a data, incluindo o combate à Intolerância Religiosa no calendário cívico nacional.

O terreiro – que existe até hoje, na Lagoa do Abaeté, em Salvador – é o ponto de chegada da caminhada realizada por católicos, evangélicos, judeus, espíritas, umbandistas, budistas e os filhos de santo de Mãe Gilda.

Lá, acontece o lançamento da Cartilha Ecológica, além de atos religiosos e apresentações culturais, dentre elas o Bloco Afro Malê de Balê e As Ganhadeiras de Itapuã. O início da caminhada está marcado para esta quarta-feira, às 9h, na Sereia de Itapuã.

no Rio de Janeiro, às 10h, no Cine Odeon (Praça da Cinelândia), outra cartilha é lançada: a Cartilha da Liberdade vai orientar as polícias no devido enquadramento de crimes de intolerância religiosa.

O evento, que reúne religiosos, autoridades, artistas e intelectuais, está previsto para durar o dia inteiro, culminando com o lançamento do DVD da I Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, às 18h. A entrada é franca e a cartilha e o DVD serão distribuídos gratuitamente.

Em Porto Alegre, Lideranças religiosas da umbanda e do candomblé reúnem-se às 16h, Largo Glênio Peres para a I Marcha Estadual Contra a Intolerância Religiosa e Pela Vida.

A caminhada deve começar às 18h, com saída do Mercado Público, após homenagem ao Bara do Mercado. Segue pela Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde acontece um ato público.

Haverá também uma atividade no Gasômetro, em que religiosos de matriz africana entregarão um presente às divindades das águas.

Neste dia, os religiosos da capital gaúcha entregam uma Ação de Inconstitucionalidade na Assembléia Legislativa contra uma lei que impede as casas de matriz africana de realizarem seus cultos.

Finalmente, em São Paulo, os filhos de santo do babalorixá Flávio de Yansã fazem um protesto silencioso – que dura todo o dia 21 – contra fechamento do barracão pela Prefeitura, em agosto de 2008. A casa foi lacrada pela com alegação de que está situada em zona residencial.

Eles alegam que nenhuma outra instituição religiosa do bairro foi alvo deste tipo de atuação e que a casa funciona há 25 anos no mesmo local, com a documentação e legalização toda em dia.

O processo de inconstitucionalidade e a denúncia de intolerância religiosa por parte do município tramitam no TJ-SP e na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Blogs que citam este Post

17 de janeiro de 2009

SC: Cidade mais alemã do país tem 10 dias de festa

iurirubim às 13:01

Localizada no Vale do Itajaí, a 175 Km de Florianópolis, a pequena Pomerode, com apenas 25 mil habitantes, ostenta título de “cidade mais alemã do Brasil”.

Quando estive lá, tempos atrás, me sentia permanentemente em destaque: um moreno em meio a uma multidão de homens, mulheres e crianças loiras, de olhos azuis.

A impressionante “Alemanha brasileira” vai além dos traços genéticos de sua população. Lá se encontra o maior acervo do país de construções em enxaimel (aquelas edificações sustentadas por grandes hastes de madeira). O quadro fica completo quando se conhece a gastronomia e os hábitos típicos da região.

O nome da cidade vem de Pomerânia, a região alemã – anexada pela Polônia após a Segunda Guerra – de onde partiram imigrantes para o Brasil. Segundo algumas fontes (ainda não consegui uma confirmação definitiva), a variação do alemão usado naquela região, o dialeto Pomerano, é falado hoje apena no Brasil.


Cortejo com danças típicas alemãs

É justamente para dar a conhecer essa herança cultural que a população de Pomerode realiza a Festa Pomerana, que leva à cidade cerca de 60 mil pessoas por ano. A 26ª edição da Festa começou ontem e vai até o dia 25 deste mês.

A Festa dura 10 dias e sempre acontece em janeiro, por conta do aniversário da cidade, dia 21/1. Em 2009, a Festa é especial logo que Pomerode celebra 50 anos de fundação.

Mesmo com toda a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina no final do ano passado, os habitantes mantiveram firme seu propósito de realizar a Festa.

A programação do evento tem um leque bem diversificado de atrações culturais, incluindo a apresentação de danças folclóricas, conjuntos musicais típicos e bandas vindas diretamente da Alemanha.

Desfiles

Durante todos os dias da Festa, um cortejo de carros rústicos decorados com flores e elementos tradicionais atravessa a cidade. Neles, desfilam a rainha e as princesas da Festa, além de outros habitantes vestidos em trajes típicos.

Quem puxa o desfile é o Festbitter, mensageiro real vestido com roupa de época e cartola, cuja função é convidar moradores e visitantes a participarem dos festejos do dia.


O Festbitter anuncia a chegada da animação

A figura é inspirada no personagem da tradição alemã, que visitava as aldeias, anunciando nascimentos casamentos, festas e oportunidades de negócios.

Outro cortejo encanta a população nos dias de Festa: é a passagem do Fackelzug, o Desfile de Tochas. O Fackelzug mantém viva uma tradição dos tempos de colonização, pois surgiu quando não havia energia elétrica e as festas eram iluminadas por tochas e lamparinas.

Chopp no metro

Não dá para falar em herança alemã e deixar de lado o bom e velho chopp. E na Festa Pomerana ele é contado por metro! É prática diária a competição do chopp em metro, na qual os participantes têm que beber 600ml diretamente da tulipa de um metro, sem babar ou derramar a bebida. Vence quem beber tudo no menor tempo.


Chopp na Festa Pomerana é medido por metro

Esta não é a única competição típica em que podem se inscrever os participantes da Festa. Há disputa de melhor lenhador; serrador de lenha; estilingue; várias competições de tiro; uma variante do boliche e até mesmo um jogo em que dois concorrentes ficam a bordo de uma canoa e tentam, com bastões, derrubar um ao outro no rio.

Concurso de culinária

De hoje até o próximo sábado, qualquer participante pode realizar a difícil tarefa de eleger os pratos e bebidas mais apetitosos da Festa. São oito categorias dentre bolos, geléias, tortas, pães e bebidas.

As “finais” da competição ocorrem no último domingo do evento. As receitas campeãs são compiladas em um livro e seus criadores recebem prêmios em dinheiro.

Culto em dialeto alemão

Amanhã, o primeiro domingo dos festejos, às 11h, o Palco Cultural da Festa Pomerana sedia a realização de um culto religioso no dialeto alemão trazido pelos imigrantes e falado até hoje entre os pomerodenses.

A celebração de um culto religioso durante o evento reflete a intensa religiosidade dos imigrantes pomeranos e de seus descendentes, além de prestigiar a população que ainda cultiva a prática do dialeto em seu cotidiano.

Já pensou em dançar com uma rainha?

Na noite da quarta-feira, acontece o Baile das Majestades, quando vão à pista de dança as rainhas e princesas adultas dos 16 Clubes de Caça e Tiro de Pomerode.


Que tal dançar com uma rainha?

As belas jovens, cujos traços lembram a ascendência alemã da população, se apresentam ao público em trajes típicos impecáveis. E o mais importante: a honra da dança é oferecida a qualquer súdito, seja ele habitante da cidade ou visitante.

(Fotos: Secretaria de Cultura e Turismo de Pomerode/ Festa Pomerana)

Blogs que citam este Post

15 de janeiro de 2009

SP: Ciclistas homenageiam colega morta por ônibus

iurirubim às 13:20

Ciclistas que integram a Bicicletada fazem hoje, a partir das 18h, uma homenagem à também ciclista Márcia Regina Prado, atropelada ontem (14/1) por um ônibus na Avenida Paulista, pouco antes do meio-dia.

A Praça do Ciclista – tradicional ponto de partida da Bicicletada e localizada na própria Av. Paulista – é o lugar escolhido para o ato.

Relatos e textos de protesto a respeito da morte da ciclista já povoam a blogosfera. Veja alguns deles.

Ainda ontem, os cicloativistas protestaram contra o atropelamento, fechando duas vias da Avenida, acendendo velas e jogando flores no local onde a colega foi encontrada.

O evento de hoje, entretanto, terá uma natureza diferente. Os ciclistas fazem questão de enfatizar que o encontro não é um protesto, e sim uma manifestação de carinho pela colega com a presença dos familiares de Márcia Regina.

- Será uma homenagem e não um protesto. Será a oportunidade de darmos nossa força para a família e dizer que faremos de tudo para que sua passagem pela terra não tenha sido em vão – avisam.

Já na sexta, dia 16, está marcada uma Bicicletada extra, em memória da Márcia Prado. Como sempre, a concentração da Bicicletada começa a partir das 18h, também na Praça do Ciclista.

- Para nossa tristeza, infelizmente uma Ghost Bike [bicicleta fantasma – símbolo dos ciclistas mortos nas ruas] vai aparecer na Paulista, para lembrar a todos os motoristas, que a via é de todos – diz André Pasqualini, do site CicloBR.

(Foto: Acervo Bicicletada)

Blogs que citam este Post

13 de janeiro de 2009

“Com o apoio do governo, pago o plano de saúde”

iurirubim às 16:09

Quando foi imaginada, uma das prioridades da Lei do Patrimônio Vivo, em vigor em Pernambuco desde 2002, era garantir uma renda para que garantir a sobrevivência dos mestres populares e, consequentemente, a sua produção.

No caso de Camarão, mestre sanfoneiro de Recife, esse objetivo foi levado ao pé da letra:

- O incentivo do governo ajuda muito É com ele que pago meu plano de saúde – diz o Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Uma das primeiras personalidades do estado a receber o título, Reginaldo Alves Ferreira tornou-se Mestre Camarão por conta de suas bochechas avermelhadas.

Durante um show para uma rádio local, o cantor Jacinto Silva brincou com as bochechas do cantor e, inadvertidamente, criou a alcunha que acompanharia Reginaldo pelo resto de sua vida.

Nascido em 1940, Mestre Camarão começou a tocar sanfona de oito baixos com sete anos. Acompanhava seu pai, o também sanfoneiro Antonio Neto, nas festas em que ele tocava.

Mais tarde, aperfeiçoou seu talento, tendo contato com muitos músicos reconhecidos, como Sivuca, Hermeto Pascoal e principalmente, Luiz Gonzaga, com quem gravou “Garoto do Grotão”. Foi Mestre Luz, aliás, quem produziu os dois primeiros álbuns da banda de Camarão, considerado o primeiro conjunto de forró do Brasil.

Mestre Camarão foi um dos pioneiros a introduzir no ritmo regional arranjos de sax, trompete e trombone.

Há cerca de quatro anos, passou um mês hospitalizado e perdeu os rins. Por conta disso, faz hemodiálise três vezes por semana, o que o impede de viajar.

Hoje, dedica-se principalmente a repassar o que sabe na Escola Acordeom de Ouro, criada por ele mesmo, onde ensina pessoas de 5 a 70 anos. A Escola fica no bairro de Areias, onde Camarão reside.

- Não tenho nem idéia do número de alunos que já tive. Tenho ex-alunos meus tocando por todo o país. Você mora em Salvador, não é? Sabe o cantor Ademário Coelho? Tem um aluno meu tocando com ele, o Marquinhos - afirma.

Transmitir seu conhecimento é um dos requisitos de possuir o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco – e de todas as outras leis voltadas à valorização dos mestres populares. Segundo Camarão, o título teve um impacto significativo em sua vida. “Mudou muita coisa. Você passa a ter um nome mais destacado, abrem-se os caminhos”, revela.

O Mestre, entretanto, avisa: esse reconhecimento não é para qualquer um.

- Se sou Patrimônio Vivo, é porque tenho uma bagagem de coisas feitas. Tem que ter realizações, tem que ter o que ensinar – pondera.

Foto: Acervo Fundarpe

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol