Deficientes mentais formam Orquestra de Atabaques
A todo momento, nos quatro cantos do país, brasileiros nos dão exemplos de superação de suas dificuldades. Este é mais um deles.
Nesta quarta-feira, dia 28, estréia em Salvador o espetáculo “Orquestra de Atabaques”, da Opaxorô Cia de Dança e Percussão.
A montagem reúne música e dança e tem como proposta cênica ressaltar a presença da mitologia africana na cultura baiana, usando o atabaque como elemento-guia deste percurso.

Cia Opaxoro: a primeira companhia de dança profissional
formada por portadores de deficiência mental
O espetáculo já seria surpreendente não fosse por um pequeno-grande detalhe: mais da metade de seus 45 integrantes possui deficiência intelectual.
- Não sei ao certo quantos, acredito que cerca de 25 integrantes do espetáculo são portadores de deficiência - diz Antonio Marques, coordenador do Ponto de Cultura Arte Viva, do qual faz parte a Companhia.
A dúvida de Antonio Marques parece estranha, mas é totalmente compreensível, porque, nas palavras do próprio coordenador: “o maravilhoso de tudo é que, quando a companhia está no palco, você não percebe quem tem e quem não tem [deficiência mental]”.
Aceitei o desafio e fui ver uma apresentação em versão reduzida do espetáculo, na 6ª Bienal de Cultura da UNE, na quinta-feira passada (22/1).
Emocionado, constato que apenas um olhar muito atento é capaz de diferenciar os portadores de deficiência dos outros músicos e dançarinos.
E o mais importante: a diferença é identificada apenas no aspecto visual. Os passos de dança e o toque dos atabaques são executados em total sincronia.
- Todo mundo tem algum tipo de deficiência, ninguém é perfeito em tudo. Eu não danço, você dança? – Antonio Marques me pergunta.
- Não – respondo, ciente das minhas limitações.
Única companhia profissional com portadores de deficiência mental
A Cia Opaxorô – formada por alunos e aprendizes da Apae Salvador – é o único grupo formado por pessoas com deficiência mental que possui registro profissional concedido pela Delegacia Regional do Trabalho.
Fruto do trabalho artístico desenvolvido na Apae da capital baiana ao longo de 40 anos, o grupo tem em seu currículo espetáculos que mesclam o uso da dança e da música, entre eles, Bahia Cantos e Encantos, Contando Histórias e Filhos da Bahia.

Quase não é possível identificar os
portadores de deficiência
A Opaxorô atua sob a ótica inclusiva, cuja formação integra jovens com deficiência mental e outros oriundos da comunidade atendidos pelo Projeto Arte Viva, que desenvolve oficinas de arte-educação.
Não há limite de idade para os integrantes. Eles são selecionados aos 16 anos, após passarem pelas oficinas do Arte Viva, e permanecem no grupo enquanto a relação for saudável. Hoje, existem dançarinos de 40 anos na Companhia.
Todas as apresentações da Companhia – 12, em 2008 – são remuneradas.
Orquestra de atabaques
O espetáculo Orquestra de Atabaques tem apresentações marcadas para os dias 28 a 31 de janeiro, no Teatro dos Correios, sempre a partir das 19h. A entrada é franca, mas para ter acesso o público deve trocar o ingresso por uma lata de leite em pó. Os donativos arrecadados serão doados para o Programa Fome Zero do Governo Federal.
Os 45 integrantes do elenco de músicos e dançarinos se dividem nos 12 atos do espetáculo de uma hora de duração. No palco, a Cia faz um Xirê (evocação) que vai de Exu a Oxalá, com músicas populares, reverenciando as divindades africanas.

As canções são acompanhadas por instrumentos de corda, a exemplo do violoncelo, que, em harmonia com a percussão dos atabaques, conferem ritmo à apresentação.
O espetáculo une o sagrado e o profano em torno do atabaque “um instrumento percussivo rico em sonoridade e elemento sagrado dos rituais litúrgicos do candomblé”, afirma o diretor musical da montagem, Ubiratan Assis.
Para compor o repertório, foram pesquisadas canções relacionadas ao culto dos orixás. Ao todo foram selecionadas 20 músicas populares, que contam as lendárias histórias de Exu, Ossaim, Oxumaré, Logun Edé e Nana, tendo como principal acompanhamento instrumental o atabaque.
As cerimônias litúrgicas do candomblé são acompanhadas por três tipos de atabaques: Rum, Rumpi e Lê. Este conjunto sonoro é essencial para a evocação dos orixás. Os toques repicados pelos atabaques identificam a nação das casas de candomblé e dão o compasso para as danças das divindades africanas.
Uma variação dos tambores encontrados nas escavações em sítios arqueológicos do continente africano, os atabaques começaram a ser confeccionados seis mil anos antes de Cristo.
(fotos: arquivo Opaxorô [1] e Iuri Rubim [2])
Será que eles tocam isso tudo mesmo? Sei não…
Comentário por Marcelo D3 — 27 de janeiro de 2009 @ 15:38
Até aqui o preconceito aparece! O que tem demais dar um crédito aos deficientes intelectuais, Marcelo? Você é perfeito, por acaso? Parabéns, pessoal da Apae. O show deve ser muito bonito.
Comentário por Walter Noronha — 27 de janeiro de 2009 @ 15:45
Já tive a oportunidade de assistir a uma apresentação da Opaxorô e posso garantir que é de emocionar. O grupo é superprofissional e o melhor é que os músicos, dançarinos e atores não são tratados como coitadinhos. Conversei com eles e é impressionante o orgulho com que falam do trabalho. Aliás, eles já viajaram por vários países e muitos estados brasileiros graças ao Opaxorô. Parabéns à APAE Salvador por essa iniciativa e vida longa ao Opaxorô.
Comentário por Mônica Bichara — 2 de fevereiro de 2009 @ 22:22
Sou professor de musica do Centro de Artes da APAE Salvador e Direitor Musical do Espetaculo Orquestra de Atabaques,gostaria de agradecer a todos pelos comentarios acerca da Opaxorô e convidar em especial ao Macelo para participar de uma aula com os aprendizes da Opaxorô,,já ele nâo conhece o trabalho do grupo.
Comentário por Ubiratan Assis — 10 de fevereiro de 2009 @ 10:17
Tive a oportunidade de ver o espetaculo, e posso afirmar que é show do começo ao fim!, e queria dizer ao marcelo q axa q os meninos lá ñ tocam, que se ele quiser eu consigo um atabaque pra ver se ele faz a matade da medade que os meninos lá fazer…É show de musicalidade e show de superação!
Comentário por Danilo — 28 de fevereiro de 2009 @ 11:58
Este é o Brasil, cheio de Marcelos. Ainda bem que o meu Marcelo, não pensa assim. É deficiente mental, mas dá show na percursão, em projetos similares aqui no /rio de Janeiro. Gostaria de entrar em contato com voces para trocarmos esperiencias.
Amauri
Comentário por Amauri Ferreira Muniz — 12 de março de 2009 @ 10:36
Olá gente, bacana todos os comentários, até mesmo o do Marcelo, afinal vivemos em um país democrático não é verdade? Quero deixar o telefone do CEFAP, local onde a Opaxorô ensaia para todos aqueles que quiserem agendar uma visita ou até mesmo contratar o grupo. Abraços.
(71) 3313-6788
e-mail: opaxoro@apaesalvador.org.br
Comentário por Antonio Marques — 20 de março de 2009 @ 8:59
eu adorei saber que existe um cia de dança formada por portadoresde necessidades especiais.Tenho uma irmã deficiente mental que dança na escola municipal de dança aqui de belém.Eu fui selecionada para fazer parte da cia municipal de dança de belém e ela não,não sei se foi preconseito mas eu gostaria de ver minha irmã,que amo muito,na cia junto comigo.Espero que vocês continuem nessa luta.Quando eu tiver oportunidade ireiassistir seus espetáculos e apresentações.Obrigada e PARABÈNS!!!
Comentário por kellen — 30 de março de 2009 @ 14:14
Parabéns ao grupo pelo trabalho e ao blog pela divulgação!
Beijo grande!
Comentário por Fernanda Tolomei — 12 de abril de 2009 @ 21:12
Boa tarde!!!
Estou adimirado pela iniciativa e pelo trabalho de vcs, pois o preconceito mora no coração do brasileiro em todos os sentido que ele possa existir e é com trabalhos e projetos como este que começaremos uma nova era e mudaremos a maneira de penssar desse povo. Eu iniciarei o curso de dança o ano que vem mas estou concluindo relações internacionais este ano, com isso pretendo fazer minha pesquisa durante os 4 nao da faculdade de dança ensima dos deficientes intelectuais e mostrar quais os beneficios que a dança causa na vida dessa pessoas juntamente que em meio a tanto esforço a diferença se tora igualdade tanto assim que nem se percebe quais deles possuem a diferença e quais não. Gostaria se possivel de saber mais sobre o projeto e obter materias sobre o desenvolvimento desses alunos. Parabéns mesmo pelo trabalho!!!
Comentário por Monik Gomes — 22 de outubro de 2009 @ 16:30