Terra Magazine

27 de fevereiro de 2009

SP: Praça do Ciclista faz 3o. aniversário, mas continua invisível

Tags:, , - iurirubim às 7:30

Nesta sexta-feira, a Bicicletada - movimento de ciclistas pela reocupação das ruas e uso dos transportes não motorizados - comemora o terceiro aniversário da Praça do Ciclista, em São Paulo.

Tradicional ponto de encontro de ciclistas, a Praça é uma parte do canteiro central da Avenida Paulista, delimitada nas laterais pela Rua da Consolação e pela Bela Cintra.

Em outubro de 2007, foi reconhecida oficialmente pelo poder público municipal, através da Lei no. 14.530. A iniciativa de formalizar o espaço foi da então vereadora Soninha Francine.

Entretanto, a Praça só é conhecida pelos próprios ciclistas e algumas pessoas próximas. Não há no local nada que a identifique, nem mesmo a costumeira plaquinha.

Não fosse a insistência dos cicloativistas em encontrarem-se ali e dar vida ao local, seria apenas mais um espaço vazio em meio ao trânsito paulistano.

Desde julho de 2008, quando a Praça passava por reformas, o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, havia prometido colocar a placa com o nome da Praça. Até hoje, nada foi feito.

Para o blog Apocalipse Motorizado, um dos vários sites mantidos pelos cicloativistas, “ainda que tenha sido batizada, crismada e tenha certidão lavrada em cartório, a Praça do Ciclista segue pagã, ignorada sutilmente pelos barões da paulistania acinzentada”.

Como de costume, os ciclistas encontram-se a partir das 18h na Praça-sem-placa e, às 20h, saem pelas ruas da capital paulistana. O roteiro do passeio-protesto é definido na hora, pelos participantes.

(foto: Blog Apocalipse Motorizado)

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26 de fevereiro de 2009

Festival Rec-Beat reúne Pernambuco e América Latina em SP

Há 14 anos, o Festival Rec-Beat leva ao limite o ideal de Carnaval Multicultural da cidade do Recife. Festival independente, leva todo ano à capital pernambucana, sempre no período do carnaval, as mais variadas novidades musicais do Brasil e de países da América Latina.

A primeira edição do Festival Recbeat foi num pequeno bar em Olinda, chamado Oficina Mecânica, que funcionava no Pina, com uma “filial” em Olinda, naquele ano. Bandas como Eddie, Paulo Francis Vai Pro Céu e Dreadful Boys estavam lá. A empreitada deu certo e chamou a atenção do público que passava a ir para a noite de Carnaval em Olinda para conferir essas bandas.

No ano passado, o Blog das Ruas entrevistou Pedro Bayeux, autor de dois vídeos sobre o Festival.

Em 2009, o festival inova novamente e realiza uma edição especial em São Paulo. O Rec-Beat.SP leva ao Sesc Pompéia bandas pernambucanas e latinas em três dias de apresentações, de hoje a sábado.

A cantora Catarina Dee Jah nao tem problemas em embarcar no tecno-brega

A cantora Catarina Dee Jah embarca sem problemas no tecno-brega

É uma pena que, em São Paulo, o festival não seja de graça, como sua versão recifense. Ainda assim, os preços cobrados (R$ 20,00, a inteira) são bastante possíveis.

São duas apresentações por noite, sempre com os artistas de Pernambuco fazendo o primeiro show e as atrações internacionais encerrando a noite. Da terra de Chico Science, sobem ao palco a dupla recifense Júlia Says cujo som se situa entre o rock e a música eletrônica; a cantora, DJ e artista plástica Catarina Dee Jah, que mistura dub, disco music, ritmos eletrônicos, gafieira e brega; e o já bastante conhecido DJ Dolores.

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

Os estrangeiros são: Desorden Público (Venezuela); Bomba Estéreo (Colômbia) e Original Hamster (Chile). Considerado por muitos o melhor show do festival em Pernambuco, o ska do Desorden Público levou o público a dançar freneticamente.

Os colombianos do Bomba Estéreo também possuem apresentações ao vivo bem energéticas, misturando música e imagem.

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

Já o chileno Vicente Sanfuentes (Original Hamster) compartilha de muitas das influências do DJ Dolores, artista com quem divide a última noite. Brincando com os estilos musicais, Hamster faz da imprevisibilidade a marca de suas apresentações ao vivo.

Essa é uma pequena amostra do Rec-Beat, festival que acrescentou mais diversão, irreverência e originalidade ao carnaval do Recife. E que todo ano dá um jeito de surpreender novamente o público que participa da folia pernambucana.

(Fotos: divulgacao/ Festival Rec-Beat)

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25 de fevereiro de 2009

CE: Carnaval em Fortaleza começa logo depois do reveillon

iurirubim às 8:00

Enquanto todo o Brasil acaba de comemorar o carnaval, a capital cearense está na folia desde o dia três de janeiro, pouco depois da virada do ano.

Durante quase dois meses, os finais de semana de Fortaleza são animados por blocos de sambas, marchinhas e frevos, que fazem o pré-carnaval mais longo do país.

Em 2009, um recorde: 80 blocos desfilaram pelas ruas de Fortaleza, alegrando cerca de 300 mil foliões por fim de semana, segundo estimativas da prefeitura.

Os foliões fazem a festa desde 3 de janeiro em Fortaleza

Os foliões fazem a festa desde 3 de janeiro em Fortaleza

A folia é feita por blocos como o Ké Vim Venha, Mió K.I. e Concentra Mas Não Sai – que, como próprio nome diz, reúne os foliões mas não deixa a Praça do Ferreira – até o dia 14 de fevereiro, quando termina o pré-carnaval. Neste ano, as prévias foram encerradas pelo cantor Lenine, na Praia de Iracema.

Carnaval homenageia Humberto Teixeira

“Baião de Todos: uma homenagem a Humberto Teixeira” foi o tema do carnaval de Fortaleza (no período oficial) deste ano, entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

o compositor cearense Humberto Teixeira (1915-1979) foi parceiro do pernambucano Luiz Gonzaga em canções referenciais como “Asa Branca”, “Qui nem Jiló”, “Assum Preto”, “No meu Pé de Serra“ e “Baião” - o primeiro dos muitos sucessos da dupla que conquistou o Brasil e outros países na década de 50.

O carnaval oficial faz homenagem ao compositor Humberto Teixeira

O carnaval oficial faz homenagem ao compositor Humberto Teixeira

Durante o período oficial, a capital cearense teve três circuitos oficiais, sendo que o principal, na Av. Domingos Olímpio, foi batizado de Pólo Humberto Teixeira, onde ocorreu o desfile oficial das agremiações carnavalescas.

(fotos: Divulgação/ Prefeitura de Fortaleza)

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24 de fevereiro de 2009

Foliões se fantasiam com lama em Natal

Tags:, , , , - iurirubim às 8:00

Consegue imaginar um cortejo de milhares de pessoas enlameadas da cabeça aos pés, entoando marchinhas de carnaval? Tente, porque é assim que desfila o Bloco Os Cão, de Natal.

Nada de máscaras, plumas ou abadás. O item essencial da fantasia do Bloco Os Cão é lama. Seguindo uma tradição que já dura algumas décadas, milhares de foliões tomam banho de lama para depois desfilarem nas ruas da capital potiguar.

A folia acontece em Redinha, a última praia urbana de Natal. Logo cedo, na manhã da terça de carnaval, os foliões se reúnem na praia da Redinha, para “vestirem” as fantasias.

- Às 8h, nos reunimos na praia e vamos até o mangue. Aí dependemos da maré, mas geralmente a gente dá sorte e dá para tomar o banho de lama bem cedo. Não tem organização não. Quem estiver lá participa – diz Joatan Lopes dos Santos, que participa do bloco desde os três anos de idade.

"Os Cão" desfilam na terça de carnaval, pela manhã

"Os Cão" desfilam na terça de carnaval, pela manhã

Quando todos estão “fantasiados”, o bloco sai pelo bairro, passando pela Avenida Central e indo até a praia. O desfile do termina em Redinha Nova, uma praia perto de Genipabu.

Acompanhados de uma banda de instrumentos de sopro e eventualmente de trios elétricos –, cantam marchinhas de carnaval. Um carnavalesco local chegou a gravar uma coletânea com todas as músicas cantadas pelo Bloco. “As Melhores do Carnaval de Redinha”.

Durante o desfile, é comum ver foliões enlameados dirigindo seus carros, como se estivesse tudo normal com seu vestuário…

Milhares de pessoas saem no Bloco Os Cão todo ano

Milhares de pessoas saem no Bloco Os Cão todo ano

Joatan dos Santos é filho de Zé Lambreta, a quem é atribuída a ideia pra lá de original de criar o bloco fantasiado de lama. Militar e pescador, Zé Lambreta, ou Cesário Lopes dos Santos, teria sido o primeiro e se melar de lama e desfilar.

- O bloco começou há mais de 75 anos. Meu pai e seus amigos pescadores estavam sem dinheiro, no último dia de carnaval. Estavam pensando como iam fazer para sair na folia. Até que ele deu uma saidinha e voltou todo melado. Os amigos gostaram da idéia e foram se melar também – conta Joatan.

Ao verem aquelas figuras totalmente cobertas pela lama, muitos habitantes de Redinha, começaram a gritar: “É os Cão, é os Cão!”.

- Você sabe que cão aí não quer dizer cachorro. Cão para o pessoal daqui também significa o diabo… - Conta Joatan.

De fato, em muitas regiões do nordeste, esta é uma das alcunhas do “Tinhoso”.

"Cão" significa "diabo" em muitos lugares do Nordeste

"Cão" significa "diabo" em muitos lugares do Nordeste

– Também, com toda aquela lama preta, a pessoa fica bem camuflada, a cabeça grudada igual um capacete… é o imaginário, né? - completa o filho de Zé Lambreta.

Desde muito pequeno, Joatan desfila n’Os Cão.

- Eu tinha três anos. Ia para o desfile dentro de uma rede de dormir, carregado por meu pai e os amigos dele – lembra.

Hoje com 35 anos, Joatan viu o bloco crescer e virar uma das maiores referências do carnaval de Natal. “Hoje o bloco deve ter umas 10 mil pessoas. Vem gente de tudo que é canto para conhecer”.

(foto: AG Sued/ Blog Grande Ponto [topo] e Jean Lopes [demais])

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23 de fevereiro de 2009

Carnaval de máscaras de Maragojipe (BA) vira patrimônio imaterial

“O carnaval de Veneza nem chega perto do carnaval daqui. Nem se compara”, diz um morador da cidade de Maragojipe, localizada à 133 km de Salvador, na região do Recôncavo baiano.

Maragogipe é sede de uma das mais tradicionais festas carnavalescas da Bahia, onde, há mais de 100 anos, máscaras e fantasias misturam-se com costumes e cantos afrodescendentes - uma fusão carnaval europeu do século XIX com a herança africana brasileira.

Nesta segunda-feira, o governador da Bahia vai ao município para assinar o decreto que reconhece oficialmente o carnaval de Maragojipe como patrimônio imaterial da Bahia.

Os "caretas" de Maragojipe adoram uma foto

Os "caretas" de Maragojipe adoram uma foto

Apesar do calor intenso que faz na cidade, grande parte de seus habitantes esquece de tudo e se fantasia para brincar carnaval - expressão mais que correta para o que acontece em Maragojipe.

Crianças, idosos, mulheres, homens. Não dá para saber quem está dentro da fantasia. Todos pulam e brincam com visitantes com a mesma animação durante os três dias da folia. A única certeza que conseguimos ter é que, atrás daquelas caretas de pano ou látex, há uma pessoa sorrindo.

Prova desse animação é o desfile do Bloco das Almas, às 0h de sábado, que abre oficialmente o Carnaval de Maragojipe. Pessoas cobertas por lençóis, dos pés à cabeça, percorrem as ruas, algumas com velas nas mãos, uivando em tom agudo e atraindo a curiosidade dos moradores.

Enquanto alguns dos habitantes da cidade chegam à porta de suas casas para presenciar o cortejo, as crianças ficam amedrontadas e os adultos se divertem com a performance das “almas”. O “pessoal do além” aparece em diversos locais da cidade e se concentram na Praça Conselheiro Antônio Rebouças.

Estive na cidade para o Grito de Carnaval - uma espécie de prévia da folia ocorrida há uma semana, no dia 15 deste mês.

máscaras desde cedo

Emily e seus amigos: máscaras desde cedo

Lá, conheci Emily, um garoto de nove anos que pula carnaval em Maragojipe desde os cinco. Pergunto ele porque é legal usar máscaras no carnaval:

- Porque a gente brinca, se diverte… é o carnaval, ué! - responde.

Também chamadas de “caretas”, todos os tipos máscaras desfilam pelas ruas de Maragojipe: desde as tradicionais, com orelhas e nariz pontudos, até as de monstros, de heróis como batman ou do conhecido filme de terror “Pânico”.

Não dá para saber idade ou sexo dos mascarados

Não dá para saber idade ou sexo dos mascarados

Há também em opte por fantasias completas, às vezes até com a face à mostra: vi uma menininha vestida de noiva, um vaqueiro que falava ao telefone (!) em cima de seu jegue… ah, e a fantasia que nunca falha: vários marmanjos vestidos e maquiados como “piriguetes”.

Patrimônio Imaterial

Durante dois anos, uma equipe multidisciplinar de formada por historiadores, sociólogos, antropólogos e museólogos, realizou coleta de materiais para o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão do governo da Bahia responsável pelo registro dos bens imateriais do Estado.

A equipe do IPAC coletou, ainda, dezenas de documentos em papel, oriundos do início do século XX até os dias de hoje, e 500 fotos antigas e contemporâneas.

Foi feito um documentário sobre o carnaval mascarado

Foi feito um documentário sobre o carnaval mascarado

Uma parceria com a TV pública a Bahia, TVE, possibilitou a gravação de um documentário de 23 minutos sobre o carnaval de Maragojipe, com imagens do carnaval de 2008 e entrevistas a personalidades locais.

- Temos registros oficiais que comprovam que o carnaval já ocorria na última década do século XIX. E alguns relatos orais que indicam que pode ser muito mais antigo - afirma Mateus Torres,
subgerente de Documentação e Memória do IPAC, que roterizou e dirigiu o documentário.

>> Veja aqui trailer do documentário “Carnaval de Maragojipe”

Exposição de 100 anos do carnaval

Desde o sábado de carnaval, Maragojipe tem mais uma atração: a mostra “Você me conhece? - arte, beleza e resistência no carnaval” com fotografias que traçam a história dessa festa na cidade desde 1910 até os dias atuais.

Sob curadoria da museóloga Rosa Vieira de Mello, a exposição comemora o título de Patrimônio Imaterial da Bahia. é composta de 10 painéis, com mais de 20 fotos que mostram blocos e mascarados, ao longo dos anos.

Uma exposição conta a história do carnaval

Uma exposição conta a história do carnaval

Entre os destaques do evento, realizado na sede da Filarmônica 2 de Julho, o cordão ‘Filhos do Sol’ da década de 1930, o ‘Bloco dos Chineses’ de 1939, além de textos explicativos do poeta e escritor maragojipano Ronaldo Sousa.

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22 de fevereiro de 2009

PE: Primeiro bloco de capoeira do mundo sai hoje em Olinda

Reivindicando o título de “primeiro bloco de capoeira do mundo”, o Bloco do Berimbau desfila hoje (22/2) pelas ladeira de Olinda.

O cortejo, formado por 150 berimbaus e 500 capoeiristas - sendo pelo menos 50 mestres - se concentra logo cedo em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário.

Às nove da manhã, começa a tremular o estandarte anunciando: Salve o Bloco do Berimbau! e o cortejo segue até o Mercado Eufrásio Barbosa, num percurso que dura cerca de quatro horas, com direito a muitas rodas de capoeira no caminho.

O Bloco dos Berimbaus leva a capoeira às ladeiras de Olinda

O Bloco leva a capoeira às ladeiras de Olinda

O número de berimbaus ainda pode aumentar bastante, pois o Bloco tem uma política de distribuir gratuitamente as camisas (que custam R$ 5,00) a quem for com o próprio berimbau para o desfile.

Fundador e coordenador da Agremiação, Mestre Ulisses, do Grupo Lua de São Jorge, guarda “muitas camisas para distribuir na hora porque vem gente de outros estados e até de fora do país para participar “.

Tem ainda os muitos admiradores, que se juntam ao cortejo depois que ele sai.

A cada parada, forma-se uma nova roda de capoeira

A cada parada, forma-se uma nova roda de capoeira

Durante o desfile, Mestre Ulisses vai à frente do cortejo, junto ao carro de som, puxando o ritmo do mar de berimbaus. Além deles, os únicos instrumentos permitidos são pandeiros, um timbau e duas alfaias. “Para mexer mais com a pulsação do coração”, afirma o mestre.

- E como o senhor é pode garantir que este é o primeiro bloco de capoeira do mundo?

- Ora, não existem blocos fora de Olinda… além disso, fiz uma pesquisa quando fui fundar o Bloco do Berimbau, em 2002, e me dei conta que não existia nenhum outro - afirma o mestre.

O objetivo de fundar o Bloco do Berimbau foi chamar atenção para a capoeira durante o carnaval. “A capoeira deu origem ao frevo, mas foi reconhecida patrimônio imaterial bem depois dele”, conta o fundador do bloco.

Este é o sétimo desfile do grupo, que homenageia os 50 anos do Mestre Juarez, outro fundador da agremiação.

- Eu não homenageio gente morta não, só viva - conta Mestre Ulisses. - Se eu fosse morto e resolvessem me fazer uma homenagem, eu ficaria muito chateado.

Este ano, o Bloco leva berimbaus de 3m de altura às ruas

Este ano, o Bloco leva berimbaus de 3m de altura às ruas

Em seu quarto ano (2006) o Bloco levou para as ruas quatro berimbaus de cinco metros de altura. Virou tradição. Em 2009, os berimbaus são um pouco menores e alcançam “apenas” três metros de altura.

- Mas este ano o bambu é mais fino, dar para tocar estes berimbaus - comenta Mestre Ulisses.

Outra novidade para o desfile é um de um capoeirista negro, carregando um berimbau.

(fotos: Acervo Bloco do Berimbau)

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21 de fevereiro de 2009

BA: 117 blocos de matriz africana desfilam no carnaval

Considerado maior festa popular do mundo, o carnaval de Salvador reserva inúmeras surpresas aos foliões.

Neste universo de atrações que pipocam a todo instante, um dos maiores destaques é o Carnaval Ouro Negro, iniciativa para ampliar a visibilidade dos blocos afro, de índio, samba, percussão e reggae no carnaval da capital baiana.

Em 2009, 117 blocos de matriz africana estão na avenida com o apoio do Programa, recebendo valores que variam de R$ 15 a 100 mil cada. Para garantir o desfile dos blocos nos circuitos da folia, o investimento total da Secretaria de Cultura da Bahia foi de R$ 4,2 milhões.

A participação dos blocos “Ouro Negro” na vida cultural da cidade vai muito além de sua apresentação no carnaval. Além de representarem a resistência de valores culturais afrobaianos, desenvolvem, simultaneamente, um trabalho social e de inovação estética nas comunidades em que atuam. Produzem inovações que vira e mexe contagiam todo o carnaval.

Além disso, uma pesquisa da própria Secretaria de Cultura mostra outro aspecto da importância dos blocos de matriz africana: são responsáveis pela absoluta maioria (79,6%) dos postos de trabalho gerados por todas agremiações.

Não é à toa que um desses blocos, o Ilê Ayiê, fundado em 1974, seja considerado um dos marcos da disseminação de uma estética negra pelo Brasil. Até hoje, o Ilê promove, às vésperas do carnaval, a Noite da Beleza Negra, em que é escolhida a Deusa de Ébano de cada ano.

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

Assim como o Ilê, quase todos os blocos do Carnaval Ouro Negro representam conquistas para a diversidade cultural da Bahia - ou pelo menos têm belas histórias para contar.

Levando milhares de pessoas às ruas da capital baiana, o Afoxé mais famoso do Brasil, os Filhos de Gandhy, foi fundado antes mesmo de existir o trio elétrico, em 1949, um ano após a morte do líder pacifista que inspirou estivadores a cantarem e dançarem pela paz.

Os Sacerdotes, outro afoxé de Salvador, é dedicado ao candomblé, reunindo no circuito do carnaval mais de 800 sacerdotes de terreiros da cidade.

Mais uma agremiação reverencia outro líder negro: fundado em 1997, o bloco Malcolm X surgiu com o objetivo de denunciar os problemas vividos pela comunidade negra da periferia da cidade.

A referência às lutas sociais também é marca do Malê de Balê, que homenageia a Revolta dos Malês, um levante de negros muçulmanos ocorrido em 1835, em Salvador. O bloco é considerado o maior balé afro do mundo por realizar apresentações com 2 mil dançarinos atuando conjuntamente.

Também dado a superlativos é o bloco Os Negões. Originalmente chamado de Os Negões de 1,80m, foi batizado assim porque todos os seus fundadores possuíam pelo menos essa estatura. Somente em 1995, treze anos após a fundação do bloco, passou a permitir a participação de mulheres e homens mais baixos.

Se Os Negões ganhava na altura, o bloco de samba Alerta Geral foi campeão em velocidade: fundado em 1993, a agremiação foi criada faltando apenas 18 dias do carnaval pelo sambista Nelson Rufino e seu parceiro Guilherme Simões. Na quinta-feira de carnaval, o bloco fazia sua estréia na avenida.

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

Fundado pelos moradores do bairro Beiru, o único bairro de Salvador com o nome de um africano (o nigeriano Preto Beiru), o bloco Mundo Negro foi a estratégia encontrada pela população local para garantir que não mudassem o nome do bairro.

Também em benefício do bairro, o Cortejo Afro faz fantasias para as crianças de Pirajá a partir de sobras de pano na terça de carnaval. Os pequenos, então, saem pelas ruas do bairro, um mini bloco infantil com banda própria.

O mundo infantil também é representado pelo bloco Mamulengo da Bahia, o único bloco do Estado composto apenas de bonecões. São 100 bonecos que desfilam do Campo Grande à Praça da Sé, acompanhados de uma banda de choro. Os bonecões representam personalidades internacionais, como Chaplin, Mandela e Gandhi; e nacionais, como Caetano e Jorge Amado.

O Carnaval Ouro Negro tem muitas outras peculiaridades, antes ofuscadas pelos grandes blocos de trio. A força dessas manifestações é a diversidade do carnaval e o motor de sua renovação. Nada como vê-las a pleno vapor.

(fotos: Agecom [1]/ Robson Mendes/ Agecom [2]; Manu Dias/ Agecom [3])

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20 de fevereiro de 2009

BA: Em bloco de carnaval, “Jegue de Cueca” casa com “Jega de Calçola”

O carnaval de Salvador começou ontem, com direito a Rei Momo (o cantor Gerônimo), entrega de chaves da cidade e todos os ritos de acolhida da folia.

O que ninguém poderia esperar é que, na manhã seguinte, um jegue de cueca estivesse entre os foliões do carnaval baiano. E pior ainda: atrás da noiva, a jega de calçola.

Realizado na Península de Itapagipe - um pouco distante dos circuitos mais badalados do carnaval - o Encontro do Jegue de Cueca com a Jega de Calçola retoma uma tradição interrompida há mais de trinta anos.

Nesta sexta-feira, às 10h, dois cortejos começam a desfilar pelas ruas da Península: um saindo em frente ao Bahia OutLet Center (no bairro do Uruguai) e o outro, da Associação Tenda de Olorum (em Massaranduba).

- Usamos o velho e bom celular para garantir a saída simultânea dos cortejos - diz Wanderley, um dos organizadores do bloco.

Os cortejos do jegue e da jega percorrem ruas do Massaranduba e Uruguai, respectivamente, animados por um conjunto de músicos e com o acompanhamento de dois animais (de verdade!) enfeitados.

Encontram-se no Largo do Papagaio, onde é realizado, com muita pompa e circunstância, o seu festivo e carnavalesco casamento. Lá, forma-se um grande bloco.

Ambos os animais vão vestidos à caráter: além das peças íntimas, usam elementos decorativos, dignos da ocasião. Além deles, muitos foliões vestem não apenas cuecões e calçolões, mas também as orelhas características dos equinos.

Após as merecidas reverências ao casal, o cortejo segue até a Beira Mar para um refrescante banho de mar a fantasia, como uma releitura da manifestação de outrora que era realizada na madrugada.

Em sua versão contemporânea, o Encontro ocorreu apenas uma vez, no carnaval de 2008. Participaram dele cerca de 800 pessoas, mesmo número esperado para a 2a. edição do evento.

Considerado uma “Mudança” (bloco que traz críticas sociais e políticas), a presença do jegue e da jega referia-se antigamente às condições precárias dos bairros quando o animal transportava para os moradores desde gêneros alimentícios até mesmo água, logo que não havia abastecimento d’água na região.

- Agora o jegue é quase um animal em extinção por aqui. Quase não existe mais como meio para transportar as coisas. Fazemos uma releitura, mantendo o aspecto satírico da atividade - diz Gilcinéa Barbosa, arquiteta e membro do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), que integra o Colegiado Local de Cultura, organizador da atividade.

Antes, os cortejos saíam na madrugada de sábado para domingo. Gilcinéa também explica a mudança de data e horário:

- Antigamente era uma iniciativa de boêmios, que abria o carnaval. Agora o tempo é outro. O carnaval começa mais cedo e por conta da violência, fazemos o bloco pela manhã. Assim crianças e outras pessoas também podem participar, e não apenas os boêmios - argumenta.

A retomada do Encontro faz parte de uma série de atividades (como festas juninas, quadrilhas, reza de Santo Antônio etc.) que o Colegiado de Cultura da Península de Itapagipe está resgatando para incentivar o convívio na cidade baixa através da cultura.

Roteiro dos cortejos:

Uruguai (Jega de Calçola)
Saída em frente ao Bahia OutLet Center, segue pela Rua do Uruguai, Rua Araújo Bulcão, Travessa da Esperança, Rua Marechal Teixeira Lote, Rua Nilton França, Rua do Uruguai, Praça do Uruguai, Rua Bela Vista, Rua Resende Costa, Rua Demóstenes Paranhos, Rua Lopes Trovão, Largo da Massaranduba, Rua Carlos Lopes, Avenida Caminho de Areia, Largo do Papagaio.

Massaranduba (Jegue de Cueca)
Saída da Associação Tenda de Olorum, segue pela Rua Lopes Trovão, Rua Juracy Magalhães, Largo Juracy Magalhães, Rua Genésio Sales,Praça da Redenção, Rua Santos Titara, Travessa maestro Wanderlei, Rua Coronel Filinto Sampaio, Rua Rafael Uchoa, Rua Capitão Vicêncio Constantino Figueiredo, Rua Rubens Amorim, Rua Jorge Leal Gonçalves, Travessa Vila união, Avenida Porto dos Mastros, Largo do Papagaio.

(foto: Rejane Carneiro/ Agência A Tarde)

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18 de fevereiro de 2009

BA: Carnaval tem disk-denúncia para racismo

Tags:, , , , - iurirubim às 19:05

A partir desta quinta-feira (19/2), começa a funcionar na capital baiana o disk-denúncia 156 para relatar atos de racismo ou violência contra a mulher.

Este é o quarto ano consecutivo em que o serviço é disponibilizado pela prefeitura aos foliões, juntamente com o Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra a Mulher.

Iniciativa da Secretaria Municipal de Reparação (SEMUR), o Observatório surgiu em 2006. No carnaval do ano anterior, na capital baiana, foi identificado que, das quase quatro mil vítimas de violência por causas externas (agressões físicas, armas brancas e de fogo), mais de 70% eram negras.

Apenas em 2007, o Observatório registrou 422 ocorrências de racismo ou violência sexista.

As denúncias cadastradas no Observatório são encaminhadas para gestores dos órgãos parceiros como Polícia, Ministério Público, Defensoria Pública, dentre muitos outros, visando acelerar a resposta às agressões.

As denúncias podem ser feitas pelo Disque 156 ou em um dos postos do Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra a Mulher, cuja sede fica no prédio da Secretaria Municipal de Reparação, Ladeira de São Bento, nº 74.

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17 de fevereiro de 2009

Rock, samba e música eletrônica nos trios de Salvador

Por Luciano Matos

Histórico. Sim, muita gente pode torcer o nariz, mas o Carnaval 2009 deve entrar pra história no quesito diversidade musical. Não dá para dizer que é de repente, já que há algum tempo a folia momesca vem recebendo novidades.

Evidente também que o Axé-Pagode continuam reinando e isso nem é mal. Ruim era não ter possibilidades.

Se nomes como FatBoy Slim foram destaque em carnavais passados, em 2009, uma grande quantidade de atrações que costumam passar longe dos circuitos do Carnaval vão ganhar às ruas. Tem para todos os gostos.

A banda Retrofoguetes comanda um dos trios

A banda Retrofoguetes comanda um dos trios

E sem querer elogiar, mas fazendo justiça, a Secretaria de Cultura do Estado tem um dedo nisso. Alguns trios independentes ganharam garantia de bons horários e, melhor, de atrações de relevância. Resta garantirem trios elétricos de qualidade. Mas antes que falem algo vamos aos fatos e as atrações que irão desfilar.

Entre os convidados, destaque para o trio Rock Novas Tendências, que levará para a rua o “Retrofolia, O Baile de Carnaval dos Retrofoguetes”.

Significa nada menos que o Retrofoguetes, com seu repertório surf music/rockabilly mesclado com uma seleção especial de Carnaval de marchinhas clássicas, músicas instrumentais e sucessos do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar.

A banda recebe como convidados os cariocas do Autoramas (RJ), a cantora Érika Martins (ex-Penélope), entre outros. Para quem não conhece o Retrofolia, a festa vem sendo sucesso nas prévias carnavalescas e foi destaque no Carnaval do Rio Vermelho do ano passado. 

Lobão é um dos roqueiros convidados neste carnaval

Lobão é um dos roqueiros convidados neste carnaval

Parte do Retrofoguetes também estará em outro trio na Avenida. O guitarrista Morotó Slim, para quem não lembra considerado pelo Troféu Dodô & Osmar como melhor instrumentista do Carnaval 2008, é um dos três músicos, além de Júlio Caldas e Jackson Dantas, no Trio da Guitarra Baiana, um dos selecionados do edital da Secult para trios independentes.

No repertório, o carnaval das antigas, com três guitarristas de geraões mais novas usando a velha guitarrinha baiana pra desfilar clássicos dos anos 60, 70 e 80.

 Mais dois trios instrumentais unem guitarras e percussão. Um traz o americano-baiano Arto Lindsay unindo a percussão do Ilê Ayê com as guitarras de nomes como Pedro Sá e Pedro Baby.

O outro leva ao circuito o percussionista Ramiro Musotto com sua orquestra Afrosudaka, formada por 17 percussionistas, berimbaus, duas guitarras baianas e efeitos eletrônicos, mesclando gêneros tradicionais como o Ijexá, a capoeira, o samba duro, o samba-reagge e o frevo com drum’n'bass, funk e ritmos caribenhos.

Ramiro Musotto recebe como convidados o sumido Nikima e o projeto Baiana System, que tem foco na guitarra baiana com bases eletrônicas.

Nesse clima contemporâneo mais um trio selecionado no edital que promete muito na avenida é o Trio Terreiro Circular. No comando, o baiano-carioca Lucas Santtana, acompanhado do projeto Terreiro Circular e do coletivo Ministereo Público (ritmos jamaicanos como dub, raggamuffin e dancehall), além do trabalho de VJs.

Uma outra edição do Trio Novas Tendências traz a Salvador dois ilustres convidados de fora do estado: o pernambucano Otto e a banda cearense Cidadão Instigado, além do roqueiro baiano Márcio Mello.

A banda cascadura garante o rock baiano nos trios

A banda cascadura garante o rock baiano nos trios

Tem também o Rock´n´Trio Salvador, com as bandas Cascadura e Radiola recebendo como convidados o velho Lobão, a cantora Ivana da banda Demoseille e o Dj Bandido.

Completam o line up de artistas contemporâneos o Trio Bahia Sound System, homenageando os Sound Systems, com o cantor de rap Daganja e os grupos Ministereo Público e O Quadro, de Ilhéus.

As cantoras Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam outro trio para a avenida, o Três na Folia.

Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam o Três na Folia

Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam o Três na Folia

Considerado o carro-chefe da programação, trio homenagem Novos Baianos 40 anos remonta o grupo em sua formação que foi às ruas do Carnaval de 1976, com Paulinho Boca de Cantor, Baby do Brasil e Pepeu Gomes.

Tocando rock, samba, chorinho e frevo, o grupo sairá nos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).

Tem ainda o Trio do Samba, comandado por Edil Pacheco, Nelson Rufino e Valmir Lima, com o samba mais tradicional e o trio Samba do Recôncavo, com Mariene de Castro, Roberto Mendes e Raimundo Sodré, com a participação de grupos populares de samba-de-roda.

 

Mariene de Castro canta no trio Samba do Recôncavo

Mariene de Castro canta no trio Samba do Recôncavo

O trio No Interior da Folia trará artistas do interior da Bahia misturando pop, black music e ritmos nordestinos da banda Macambira Verniz, com ritmos nordestinos dos Matingueiros e o samba do Recôncavo de Guda Monteiro, Ulisses Castro e Gege Nagô.

Para quem gosta de música eletrônica mais porrada tem uma enxurrada de DJs, como Armin Van Buuren, David Guetta, Carl Cox, Erick Morillo, Gui Boratto, Mario Fischetti, Mary Zander, entre outros.

Mas para quem procura algo mais consistente, bem mais, o Afrika Bambaataa, considerado fundador do Hip Hop e precursor da pick ups, é atração nos dias 22 e 23 (domingo e segunda-feira de Carnaval) num camarote na Barra e na Praça Tereza Batista no Pelourinho.

Luciano Matos é jornalista, DJ e produtor cultural. Escreve o blog El Cabong.

(fotos: Retrofoguetes/ divulgação [1]; Lobão/ divulgação [2]; Ricardo Ferro [3]; Três na Folia/ divulgação [4]; Edgar de Souza [5])

 

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