Carnaval de máscaras de Maragojipe (BA) vira patrimônio imaterial
“O carnaval de Veneza nem chega perto do carnaval daqui. Nem se compara”, diz um morador da cidade de Maragojipe, localizada à 133 km de Salvador, na região do Recôncavo baiano.
Maragogipe é sede de uma das mais tradicionais festas carnavalescas da Bahia, onde, há mais de 100 anos, máscaras e fantasias misturam-se com costumes e cantos afrodescendentes - uma fusão carnaval europeu do século XIX com a herança africana brasileira.
Nesta segunda-feira, o governador da Bahia vai ao município para assinar o decreto que reconhece oficialmente o carnaval de Maragojipe como patrimônio imaterial da Bahia.
Apesar do calor intenso que faz na cidade, grande parte de seus habitantes esquece de tudo e se fantasia para brincar carnaval - expressão mais que correta para o que acontece em Maragojipe.
Crianças, idosos, mulheres, homens. Não dá para saber quem está dentro da fantasia. Todos pulam e brincam com visitantes com a mesma animação durante os três dias da folia. A única certeza que conseguimos ter é que, atrás daquelas caretas de pano ou látex, há uma pessoa sorrindo.
Prova desse animação é o desfile do Bloco das Almas, às 0h de sábado, que abre oficialmente o Carnaval de Maragojipe. Pessoas cobertas por lençóis, dos pés à cabeça, percorrem as ruas, algumas com velas nas mãos, uivando em tom agudo e atraindo a curiosidade dos moradores.
Enquanto alguns dos habitantes da cidade chegam à porta de suas casas para presenciar o cortejo, as crianças ficam amedrontadas e os adultos se divertem com a performance das “almas”. O “pessoal do além” aparece em diversos locais da cidade e se concentram na Praça Conselheiro Antônio Rebouças.
Estive na cidade para o Grito de Carnaval - uma espécie de prévia da folia ocorrida há uma semana, no dia 15 deste mês.
Lá, conheci Emily, um garoto de nove anos que pula carnaval em Maragojipe desde os cinco. Pergunto ele porque é legal usar máscaras no carnaval:
- Porque a gente brinca, se diverte… é o carnaval, ué! - responde.
Também chamadas de “caretas”, todos os tipos máscaras desfilam pelas ruas de Maragojipe: desde as tradicionais, com orelhas e nariz pontudos, até as de monstros, de heróis como batman ou do conhecido filme de terror “Pânico”.
Há também em opte por fantasias completas, às vezes até com a face à mostra: vi uma menininha vestida de noiva, um vaqueiro que falava ao telefone (!) em cima de seu jegue… ah, e a fantasia que nunca falha: vários marmanjos vestidos e maquiados como “piriguetes”.
Patrimônio Imaterial
Durante dois anos, uma equipe multidisciplinar de formada por historiadores, sociólogos, antropólogos e museólogos, realizou coleta de materiais para o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão do governo da Bahia responsável pelo registro dos bens imateriais do Estado.
A equipe do IPAC coletou, ainda, dezenas de documentos em papel, oriundos do início do século XX até os dias de hoje, e 500 fotos antigas e contemporâneas.
Uma parceria com a TV pública a Bahia, TVE, possibilitou a gravação de um documentário de 23 minutos sobre o carnaval de Maragojipe, com imagens do carnaval de 2008 e entrevistas a personalidades locais.
- Temos registros oficiais que comprovam que o carnaval já ocorria na última década do século XIX. E alguns relatos orais que indicam que pode ser muito mais antigo - afirma Mateus Torres,
subgerente de Documentação e Memória do IPAC, que roterizou e dirigiu o documentário.
>> Veja aqui trailer do documentário “Carnaval de Maragojipe”
Exposição de 100 anos do carnaval
Desde o sábado de carnaval, Maragojipe tem mais uma atração: a mostra “Você me conhece? - arte, beleza e resistência no carnaval” com fotografias que traçam a história dessa festa na cidade desde 1910 até os dias atuais.
Sob curadoria da museóloga Rosa Vieira de Mello, a exposição comemora o título de Patrimônio Imaterial da Bahia. é composta de 10 painéis, com mais de 20 fotos que mostram blocos e mascarados, ao longo dos anos.
Entre os destaques do evento, realizado na sede da Filarmônica 2 de Julho, o cordão ‘Filhos do Sol’ da década de 1930, o ‘Bloco dos Chineses’ de 1939, além de textos explicativos do poeta e escritor maragojipano Ronaldo Sousa.






Tive a portunidade de assistir ao documentário produzido pela TVE BA e posso atestar o quanto é relevante e valioso esse trabalho de resgate de memória desenvolvido pelo Estado da Bahia. Tenho conhecimento de que carnavais como o de Maragojipe são tradição em diversos outros pequenos municípios da Bahia, mas que sofrem para se manter vivos por razões que todos nós já conhecemos. Com o reconhecimento de patrimônio imaterial, o carnaval de Maragojipe seguramente abrirá as portas para a imortalização dos carnavais das bandas de fanfarras, das alegorias, das caretas, dos pierrots e colombinas existentes na cultura de festas em nosso Estado.
Comentário por edinho macedo — 23 de fevereiro de 2009 @ 9:39
jÁ NÃO ERA SEM TEMPO EM RECONHEÇER AS FESTAS DE mARAGOGIPE, PRINCIPALMENTE O CARNAVAL QUE AINDA TEM SIDO UMA FESTA INOCÊNTE PARA OS PADRÕES DA ÉPOCA EM QUE VIVEMOS.
MARAGOGIPE SENM DÚVIDAS TEM O MELHOR CARNACAL E S. jOÃO DO RECONCAVO BAIANO. cOMO ALGUEM DIZ vENEZA PERDE PARA AS INÚMERAS FANTASIAS E MASCARADOS DESSA CIDADE.
PARABÉNS MARAGOGIPE, EU TE AMO.
Comentário por JANILDA ANGÉLICA DE Barros Lima — 23 de fevereiro de 2009 @ 16:17
É maravilhoso saber que ainda existe pessoas, principalmente baianos do interior, que lutam para manter sua tradicões culturais e seus acervos.
Que infelismente estão sendo esquecidos pelas autoridades.
Parabens MARAGOJIPE.
Comentário por Luiz César S Souza — 23 de fevereiro de 2009 @ 17:38
É muito lindo o carnaval desta cidade! Me apaixonei e agora não consigo ficar longe. Este é o segundo ano que participo e ficou cada vez mais encantada com a cultura deste povo.
Comentário por Milena — 25 de fevereiro de 2009 @ 9:41
Realmente o Carnaval de Maragogipe é um dos mais belo já visto pela história da Bahia, nós Maragojipanos a cada dia ficamos mais orgulhosos do novo povo e da nossa Cultura, mas não podemos esquecer o quanto a Prefeitura da Cidade soma perante ao sucesso do Carnaval. Maragojipe tem crescido muito com o Líder Ataliba, que Jesus ilumine sempre você meu Prefeito e que possa fazer a nossa cidade crescer cada dia mais.
Não passei Carnaval em Maragojipe esse ano, mas tive o prazer de passar 05 dias no ano passado e foi o melhor Carnaval que já passei em toda a minha vida. Obrigada minha cidade, por nos proporcionar momentos como esse. Que Jesus abençõe a todos os Maragojipanos!
Dell Lima!
Comentário por Dell Lima — 26 de fevereiro de 2009 @ 17:08
Sou maragojipano e gosto muito do carnaval de Maragojipe, tenho 14 anos e desde os meus 2 anos minha mãe me fantasiava de careta. Hoje não perco nem se quer 1 ano do carnaval de Maragojipe-Ba. Eu estava em São Paulo passando as minhas férias escolar, quando chegou perto do carnaval fiquei louco prá voltar para Maragojipe, meu pai comprou minha passagem e eu pude curtir o carnaval da minha terra. Estopu muito feliz pelo carnaval de Maragojipe-BA ser reconhecido como bem imaterial da Bahia.
Comentário por Rodrigo — 26 de fevereiro de 2009 @ 17:56
Uiiiii Careta ! Você me conhece ?
Estas palavras apartir de agora estara imortalizada pois o nosso Carnaval foi tombado como Patrimonio Imaterial do Estado da Bahia, garantindo assim que as futuras gerações possam continuar saindo mascarados de palhaço, pierros, colombinas. macacos , cacchoros, politicos, fadas , anjos, diabos, mandu , moita , defunto, bim ladem, sadam, etc … e continuar brincando em Maragojipe o carnaval dos CARETAS.
Parabéns a todos que contribuiram para este projeto.
Edilson Barbosa de Souza / Relações Públicas da Fundação Vovó do Mangue
Comentário por Edilson Barbosa de Souza — 26 de fevereiro de 2009 @ 23:34
Artigo
Maragojipe, o carnaval da imaterialidade
Carnaval de Maragojipe 2009. Aqui todo mundo é careta!
Domingo de fevereiro, duas horas da tarde. O sol parece uma bola de fogo, dardejando seus raios neste verão de Maragojipe. A rua é chamada do Fogo, nome que vem a calhar, pois, agora, com este calor inclemente, mais parece uma filial do inferno. Raios solares caem sobre o paralelepípedo da rua e sobem em fulgurações radiosas e em imagens trêmulas, somente vistas nos grandes desertos. Eis que, justamente agora, aponta vindo do Beco do Dendê, um grupo de caretas que, após nos ver, faz a instigante pergunta: -você me conhece, careta? Assim é o Carnaval de Maragojipe: puro, rico, tradicional, alegre e festivo. Aqui nas terras dessa Patriótica Cidade, turista ou ocasional visitante não irá encontrar o paraíso tão decantando em publicações apropriadas no campo das ilusões quiméricas.Maragojipe é um grande salão de festa a céu aberto, um grande terreiro, um imenso adro, um quilombo, tudo isso junto e misturado, mostrando-nos a força da resistência de um bravo povo ante as forças reacionárias da tirania e da opressão.Maragojipe é em suma, o local onde se irmanam o sacro e o profano, onde se misturam o pobre e o rico, e em todo o lugar misturam-se as raças todas. Maragojipe preserva a gênese do seu carnaval, conservando seus antigos blocos de índios ou as batucadas de antigamente. São dezenas de blocos de caretas ou de mascarados, muitos deles pobres e que se travestem em ‘bois’ ou incrivelmente ricos como mandarins do oriente, ou então como “doges” de uma Veneza situada no Angolá. Estamos livres da exploração comercial de pseudos- carnavalescos, aqueles que comercializam a alegria, realizando dezenas de carnavais fora de época, sucessivas micaretas que afastam o próprio povo do seu santo direito de brincar. Eles, espertalhões da alegria, armam trinta ou quarenta camarotes de luxo, ficando uma passarela central onde desfilam blocos caríssimos, protegidos por cordas e por um séqüito de seguranças, cuja principal finalidade é afastar o povo, transformando-o em “pipoca”. O nosso carnaval é único, diferente de tudo o que se vê por aí. Ele é feito por um povo que teima em ser feliz: piratas do Porto Grande, palhaços das Palmeiras, pierrôs do Caijá, colombinas do Areal, sultões e marajás do Angolá, venezianos da Enseada, todo mundo junto e misturado, num congraçamento fraterno de mascarados.Venha conhecer e se encantar com o Carnaval de Maragojipe, seguramente uma festa pacífica e ordeira, onde todos se abraçam e se irmanam, e onde também todos são caretas, com máscaras ricas ou de cara limpa. Carnaval de Maragojipe – Patrimônio Imaterial da Bahia.
Ronaldo Souza / PROFESSOR / HISTORIADOR
Comentário por Edilson Barbosa de Souza — 26 de fevereiro de 2009 @ 23:38
Careta, a fantasia que se torna realidade nos dias do reinado de Momo!
Fui, sou e sempre serei careta.
A magia nos envolve e nos tira por três dias do mundo real. Esquecemos as tristezas, a crise econômica e nos envolvemos numa realidade hoje imaterial.
Você, que nunca foi, vá! Torne-se careta e entenda o que tento expressar mas me faltam palavras
Cristiane Medina(Careta desde pequena)
Comentário por Cristiane Medina — 2 de março de 2009 @ 23:16
o carnaval de madre de deus tbm é um sucesso com os mascarodos vlu
Comentário por lecivaldo da gloria — 28 de março de 2009 @ 15:11
quero saber as atracao que va tocar no sao joao de 2009
Comentário por islane — 8 de maio de 2009 @ 16:22