Terra Magazine

31 de março de 2009

Protesto brasileiro chama atenção nas ruas de Viena

Um protesto contra a ameaça de desapropriação de moradores da Vila Brandão, ocupação encravada há 69 anos na área mais nobre de Salvador, foi parar em Viena (Áustria).

No último sábado (28/3), durante uma manifestação da sociedade civil, realizada por mais de 230 ONGs contra a especulação internacional, lá estava ela, uma faixa branca que dizia: “Viva Vila Brandão! No to expropriations in Salvador/ Brazil”. (”Viva Vila Brandão! Não à desapropriação em Salvador/ Brasil”).

Vista da entrada da Vila Brandão

Vista da entrada da Vila Brandão

Repetidamente, ao longo dos anos, a comunidade da Vila Brandão tem convivido com ameaças. Além de várias tentativas de remoção por parte do poder público, já foi alvo de ações criminosas como incêndios provocados, cuja origem muitos moradores atribuem a grandes grupos imobiliários.

Segundo os membros da comunidade, que apesar de pagarem IPTU praticamente não recebem serviços básicos como coleta de lixo, a Vila Brandão, além de bem localizada (no final da ladeira da barra, em frente à Baía de Todos os Santos), seria “um dos bairros com o menor índice de criminalidade de Salvador”.

Isso é que é localização privilegiada

Isso é que é localização privilegiada

O decreto de desapropriação do terreno onde está a Vila Brandão foi publicado no Diário Oficial do Município no dia 20 deste mês e faz parte dos planos do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) para reformulação da orla da capital baiana.

Desde então, os moradores da ocupação - constituída, pelos próprios cálculos, por 200 casas e 350 famílias - têm mobilizado parte da população soteropolitana e de outros locais no país e no exterior para pressionar o governo municipal contra a medida.

Dentre as ações, um abaixo-assinado contra a desapropriação circula na internet, atualmente com 431 assinaturas.

Em meio a arranha-céus, a Vila Brandão fica na região mais valorizada da cidade

Em meio a arranha-céus, a Vila Brandão fica na região mais valorizada da cidade

Chama a atenção a articulação internacional da mobilização, que pode ser explicada pela grande quantidade de estrangeiros habitando a Vila Brandão. Com texto bilíngue (inglês e português), o abaixo-assinado tem várias assinaturas de fora do país.

No domingo, a comunidade da Vila Brandão realizou um ato público em que reuniu pessoas favoráveis a sua permanência no local. Os visitantes passaram todo o dia lá, com direito a “visita guiada” em que ouviam a história do local, refeições, banho de mar, rodas de samba e capoeira e até mesmo uma pelada no campinho do bairro.

(imagens: Blog Casa Matria [1] e Blog Vila Brandão [2, 3, 4])

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28 de março de 2009

SP: Festival circense resgata “arte do chapéu”

Anualmente, o Festival de Circo e Espetáculos de Rua comemora o Dia do Circo (27 de março), no Beco do Projeto Cidade Escola Aprendiz, na Vila Madalena.

Em 2009, na quinta edição do Festival, os festejos começam hoje às 14h e vão até a segunda-feira. No programa, malabares, acrobacias, monociclo, trapézio, tecido, pirofagia, perna de pau e samba de roda. Isso sem falar no palco aberto, quando qualquer pessoa da platéia pode apresentar seus números.

O gran finale fica por conta das competições circenses e malabrísticas que duram todo o dia 31. Confira a programação.

Sem picadeiro, mas com muita alegria e apuro técnico, o Festival oferece atrações de qualidade por um preço estabelecido pelo público. De tempos em tempos, o chapéu transita entre os participantes.

- O chapéu é uma forma democrática que substitui a cobrança de ingressos e permite acesso a cultura aos que eventualmente não tem condições de pagar. O trabalho de valorização da cultura do chapéu consiste em fazer com que as pessoas percebam que esse tipo de pagamento não é necessariamente uma maneira de mendicância, ao contrário, configura-se em uma forma de troca comparável, por exemplo, aos “bilhetes de entrada” nos teatros, mas não obrigatória - dizem os organizadores.

Centenas de pessoas comparecem ao festival, que tem um clima leva e descontraído. O trânsito frequente entre o palco e a plateia dificulta um pouco discernir quem são os artistas e quem é o público. Afinal, a alegria estampada no rosto é comum a todos.

Juntamente com o Dia do Circo, é comemorado o aniversário do Circo do Beco, evento mensal que acontece desde 2003, no Beco do Projeto Cidade Escola Aprendiz. Fruto dedicação de artistas para valorizar a Arte de Rua e a Arte na Rua, o Circo no Beco tornou a Praça do Aprendiz um lugar de referência para a arte circense em São Paulo.

(imagens: divulgação/Circo no Beco [1]; Henrique Mochida [2])

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27 de março de 2009

24 de maio recebe “maior Jam Session de Rua” de São Paulo

Acontece hoje na esquina da Rua 24 de Maio com a Dom José de Barros o Baile Soul Brasil. Propagandeado pelos organizadores como a maior Jam Session de Rua de São Paulo, o Baile é gratuito e tem no palco três DJs que se revezam, tocando música negra do período que vai do início dos anos 70 ao início dos anos 90.

Cerca de 500 pessoas são esperadas para a festa, que passará a ser um evento regular, ocorrendo sempre na última sexta-feira de cada mês. “Já temos o Baile garantido até julho”, assegura Eduardo José Barbosa, 38, coordenador do Movimento Hip Hop Revolucionário (MH2R), uma das entidades responsáveis pela festa.

DJ King Nino Brown é uma das atrações do Baile

DJ King Nino Brown é uma das atrações do Baile

Segundo Eduardo Barbosa, a esquina entre 24 de Maio com a Dom José de Barros é um marco para a cultura negra em SP. “No final da década de 60 e início de 70, pouco depois da segunda grande diáspora do povo negro em SP, era lá que os negros marcavam para se encontrar e trocar informações sobre o que estava rolando”, diz.

Ainda de acordo com o coordenador, lá foi um dos primeiros pontos encontros de militantes do hip hop na cidade e onde também surgiram os primeiros movimento étnicos da capital paulista.

Não por acaso, a festa tem como objetivo provocar nas pessoas o desejo de discutirem e repensarem o centro da cidade como espaço de convivência, onde é possível combinar comércio e moradia.

- Hoje o centro de São Paulo é um grande centro de serviços. E a política de revitalização do centro tem pressionado as pessoas que moram aqui para sair e se mudar para as periferias. Uma vez que trazem formato de “centro de serviços”, automaticamente tentam “higienizar” essa parte da cidade - afirma Eduardo Barbosa.

Muita gente esteve no primeiro Baile, em dezembro de 2008

Muita gente esteve no primeiro Baile, em dezembro de 2008

Ele mesmo morador do centro de São Paulo (”meu filho nasceu aqui”), o coordenador do MH2R espera que a reunião de várias gerações de moradores, promovida pelo Baile, mobilize essas pessoas a lutarem por um modelo diferente para o local.

- O Baile traz discussão de ressignificar o espaço. Priorizar a pessoa, deixar esse espaço com a cara das pessoas, e não com a cara do consumo. O consumo está afastando as pessoas. As intervenções culturais têm que buscar essa possibilidade. Mas cultura como manutenção de valores, possibilidade de encontros, não a cultura como produto, entretenimento puro - argumenta Eduardo Barbosa.

O risco é que ocorra com o local a mesma coisa que já aconteceu com muitos outras regiões centrais de aglomerados urbanos: a expulsão da população local intensifica o abandono do centro da cidade, degradando-o ainda mais.

O DJ Fino1 também estará no comando das pick-ups

O DJ Fino1 também estará no comando das pick-ups

- Se isso aqui virar só um centro comercial, vai ser uma terra de zumbis. De dia, tudo acontecendo; à noite, fica aquele vazio. O que minimiza ações de violência e sujeira é a comunidade. A própria comunidade policia a população e evita os problemas. Como é o comércio, como as relações pessoais são inexistentes, vira terra de ninguém - alerta Barbosa.

Negros e leprosos

Este é o segundo Baile Soul Brasil. O primeiro ocorreu no dia cinco de dezembro de 2008. Mais de 300 pessoas estiveram presentes. Entre B-boys e vários outros representantes do hip hop, haviam desde crianças de 8 anos até pessoas na maior idade.

A data também não havia sido escolhida à toa: “foi nesse dia que, se não me engano, em 1958, foi instituída um lei aqui em São Paulo que negros e leprosos não poderiam ter acesso à escola pública”, lembra Eduardo Barbosa.

(fotos: divulgação)

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26 de março de 2009

Durante 48h, artistas lembram horrores da Ditadura

Vários coletivos de artistas espalhados pelo Brasil preparam-se para, nos dias 31 de março e 1º de abril, realizarem o conjunto de eventos e performances “48h Ditadura Nunca Mais”.

Existem várias atividades agendadas para Belém, Fortaleza e Belo Horizonte, quase todas usando a internet para potencializar seu impacto. É justamente através da rede mundial que os artistas esperam agregar diversas manifestações com a mesma finalidade em todo país.

- Qualquer manifestação que elucide, execre, denuncie as atrozes práticas desse nefasto período é bem-vinda nas 48h DITADURA NUNCA MAIS, um espaço aberto que tem apenas a data fechada nos primeiros dias do famigerado golpe militar de 64. Golpe este que implantou a DITADURA que a Folha de São Paulo afirma não ter existido de 1964 a 1985 no Brasil - afirma o manifesto (link do blog).

Entre as atividades agendadas, o projeto Cinema de Rua exibe no dia 31, às 19h, em Belém (esquina da Gal. Grujão com a Bailique), o filme “Pra Frente Brasil”. O filme é antecedido por um mini-documentário com entrevistas de pessoas que sofreram tortura durante o regime militar.

Ainda no Pará e também a partir do dia 31/3, a associação FOTOATIVA realiza um foto-varal em Belém, em que expõe fotografias e documentos do público.

“Estamos indignados com a publicação de textos saudosistas e que amenizam a violência dos [governos] militares, e resolvemos provocar a reação, afinal os artistas também foram peça-chave para a reação. contestação da ditadura”
Arthur Leandro, Etétuba

Em Fortaleza, durante os dois dias, o Coletivo Curto-Circuito faz performances em espaços públicos de grande circulação. As Ações Performativas - chamadas pelo grupo de “Situ-Ações Micropolíticas no Cotidiano partindo de Intervenções-Obras-Experiências pontuais e efêmeras” - serão filmadas e os vídeos, postados no Blog do Coletivo.

Já Eliane Veloso, pernambucana residente em Belo Horizonte, faz um vídeo sobre um desaparecido político de Minas Gerais, o José Carlos de Mata Machado - Veloso morou nas imediações de onde a polícia afirma ele teria sido morto, numa troca de tiros: a avenida Caxangá, em Recife. A artista vai entrevistar pessoas que têm o mesmo nome dele (José Carlos) e postar o material resultante no youtube.

A ação de maior impacto, entretanto, deve ser o Criados-Mudos. Um coletivo de mesmo nome publicou em seu blog cartazes com fotografias de pessoas que nasceram durante a ditadura e, por isso, seriam criados-mudos, pois cresceram sem poder se expressar. O Blog das Ruas reproduz algumas das imagens ao longo desta matéria.

A ideia do coletivo é que internautas de todo país imprimam os cartazes e colem pelas ruas, praças e demais espaços urbanos Brasil afora.

- O trabalho é coletivo, e até posso dizer que é anônimo, pois recebo fotos de gente que eu não conheço e vindas de várias cidades - diz Arthur Leandro, idealizador do coletivo Criados-Mudos e um dos artistas por trás de toda essa mobilização.

Professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará e também conhecido como Etétuba, Arthur Leandro publicou um depoimento pessoal sobre o que significou para ele crescer com medo de se expressar. Vejam abaixo trechos desse depoimento:

“Lembro de um fato na escola, devia ter uns 11 anos, foi tipo em 78… era na época que o governo fazia palestras nas escolas publicas do Pará sobre a construção da hidroelétrica de Tucurui.

Eu estudava no Núcleo Pedagógico Integrado que é a escola da UFPA, universidade onde minha mãe era professora de filosofia [departamento monitorado como foco de resistência]. E quando vieram palestrar no NPI eu me arvorei a fazer 1 única pergunta…. Nas imagens que mostravam de Tucurui apareciam vários pescadores e outros ribeirinhos, e eu perguntei o que iria acontecer com essas pessoas. O palestrante - depois soube que era oficial das forças armadas - me levou pra frente da plateia de 300 estudantes e me apresentou como ‘representante do pensamento que quer o atraso nacional’, e passou uns 10 minutos - pra mim uma eternidade onde eu tentava o controle emocional pra não chorar - falando como gente como eu impedia o progresso… Depois que voltei pro meu lugar, perguntou a platéia se preferiam manter 20 pescadores em suas palafitas num fim de mundo ou o progresso da eletricidade que ia beneficiar milhares de pessoas… A aclamação pela eletricidade é óbvia, e eu passei um tempo sendo chamado de atraso nacional por lá.

(…)

Mas uns 15 dias depois minha mãe chega possessa em casa perguntando o que eu tinha feito… Ela - que não sabia do fato - tinha sido convocada a comparecer na sala do reitor, onde estavam presentes o dito oficial palestrante e policiais federais que lhe pediam explicações da minha pergunta…

(…)

Pra mim a coisa toda foi entendida mais ou menos assim… ’se eu falar o que não se fala minha mãe será presa e demitida, eu posso até pensar, mas não posso falar’…. daí em diante fui ‘criado mudo’…”

(imagens: Blog Criados-Mudos)

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25 de março de 2009

CE: cidade faz eleição para escolher “Judas”

O município do Crato (CE), na região do Cariri, divulgou neste domingo o resultado de uma eleição diferente: a cidade votou para escolher quem seria eleito o próximo Judas a ser malhado no Sábado de Aleluia - neste ano, dia 11 de abril.

A votação ocorreu entre os dias 14 e 21 de março, em 20 “seções eleitorais”, com urnas espelhadas por escolas, mercearias, bares, restaurantes, bancas de artesanato - houve até mesmo uma urna itinerante.

Compareceram ao pleito 9860 eleitores, quase 9% da população total do município.

- É uma brincadeira cheia de irreverência, mas tem um quê de seriedade, serve como veículo para provocar discussões na sociedade. A eleição é um gancho muito importante para discutir tradição, mas também os problemas em evidência - argumenta o professor Cacá Araújo, idealizador e coordenador geral da eleição.

O boneco de Judas é estourado com bomba

O boneco de Judas é estourado com bomba

Apuradas as urnas, o vencedor, divulgado no último domingo, foi “Pedofilino Safadus”, um símbolo do crime que vem assustando muitos lares do país.

Essa eleição, o “Político Corrupto” não ganhou, mas ficou em segundo lugar e garantiu a suplência por uma margem muito apertada de votos (2764 a 2701).

O vencedor da eleição ganha um boneco, que será explodido com bomba (isso mesmo, explodido) pelas suas traições.

A Malhação do Judas - tradição muito popularizada no interior do Nordeste - é antecedida por um cortejo de anunciação com cerca de 100 brincantes, ao qual se juntam figuras populares dos reizados, como mateus, catirina, o boi, grupo de caretas, dentre outros.

O cortejo atravessa a cidade e para no sítio do Judas, um espaço montado na cidade onde a população brinca de “roubar” as frutas, cigarros, dinheiro e bebidas do personagem. “A façanha é sair do sítio e de preferência com o roubo”, explica Cacá Araújo, também diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes.

Não é fácil "roubar" o s�tio de Judas

Não é fácil "roubar" o sítio de Judas

A tarefa de roubar o Judas não é tão fácil assim, logo que o local é guardado por “caretas”, que chicoteiam (!) todos os possíveis assaltantes.

Quando aproximadamente sete mil pessoas estão reunidas em torno do sítio, tem início a leitura do Testamento do Judas, um cordel que faz provoca a população com brincadeiras e denúncias.

Lido o testamento, é chegado o momento do estouro do Judas.

Um bispo é eleito Judas

A tradição de eleger um Judas alcança em 2009 o seu nono aniversário. A festa nasceu em uma escola pública onde Cacá Araújo era diretor.

O resultado do primeiro pleito - que elegeu o mosquito da dengue - prova que a eleição é também educativa e política. Além do mosquito, venceram a eleição George W. Bush (2003), o Juiz Percy Barbosa, que assassinou friamente um vigia de supermercado em Sobral-CE (2005) e “Demutrônio - o monstro das multas”, numa alusão ao Departamento Municipal de Trânsito (2006).

A leieção de Dom Luiz Cápio para Judas gerou problemas com a igreja

A leieção de Dom Luiz Cappio para Judas gerou problemas com a igreja

Em 2008, a cidade elegeu como “Judas” o frei Dom Luiz Cappio, por causa de sua luta contra a transposição do Rio São Francisco.

- Isso deu o maior problema com a igreja daqui, que cismou com a gente dizendo que o ataque seria contra a instituição. Mas, não. O que queríamos era abrir uma discussão sobre a transposição do Rio - lembra o professor Araújo.

Para realizar a eleição, todo ano é reunido um colégio eleitoral de 60 a 100 pessoas. Cada membro do grupo recebe um formulário para indicar dois nomes de personalidades ou problemas sociais.

Os mais votados passam a integrar a cédula de votação, com cinco nomes, que é então submetida à população da cidade.

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23 de março de 2009

RJ: Pesquisa revela que 37% dos jovens votariam em MV Bill

Tags:, , , , , - iurirubim às 18:16

MV Bill, senador? Pesquisa encomendada pela CUFA - Central Única de Favelas revela que 37% dos jovens do Estado do Rio de Janeiro votariam no rapper, um dos fundadores da organização. Os jovens representam 14% do eleitorado do Rio de Janeiro (cerca de 1.587.000 eleitores até 24 anos).

A pesquisa foi motivada pelas recentes declarações de Caetano Veloso. Em 1º de Março deste ano, no show comemorativo pelo aniversário do Rio de Janeiro na Cidade de Deus, o cantor baiano “lançou” a candidatura de MV Bill ao senado e convocou a população a votar no rapper.

Realizada pelo IBPS – Instituto Brasileiro de Pesquisa Social entre os dias 6 e 10 de março, a pesquisa entrevistou, por telefone, 1.100 pessoas em todo o Estado do Rio de Janeiro. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O IBPS também revela que 58% dos entrevistados conhece MV Bill, sendo que os jovens de 16 a 24 anos o “conhecem muito”.

Trinta e seis por cento dos entrevistados tem uma imagem “ótima” ou “boa” do rapper, contra apenas 3% que tem imagem “ruim” ou “péssima”. Entre os jovens (16-24 anos), os percentuais positivos alcançam 50% e entre os que ganham até 2 salários mínimos, 40%.

Por enquanto, MV Bill nega candidatura

Por enquanto, MV Bill nega candidatura

Quase um terço dos entrevistados (27%) – o que seria equivalente a 2.124.000 eleitores – acha que ele deveria se candidatar a Deputado Federal e 7% que ele deve se candidatar a Senador.
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Caso ele se candidate a Deputado Federal, 23% dos entrevistados (cerca de 1.809.000 eleitores) declaram que votariam nele com probabilidade “muito grande” ou “grande”.

Caso ele opte pelo Senado, teria os votos de 19% (cerca de 1.494.000 eleitores). Entre os jovens, este percentual sobe para 37% de intenções de voto.

Quando a pergunta é qual partido pelo qual MV Bill deveria se candidatar, 10% dos entrevistados declara ser o PT. PV, PDT e PMDB aparecem em segundo lugar, com 3%.

A grande maioria dos entrevistados (74%) considera “importante” ou “muito importante” que exista no Congresso Nacional um representante das favelas.

Apesar de toda a mobilização, o rapper continua a afirmar que não será candidato a nada.

(fotos: divulgação/CUFA)

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21 de março de 2009

RS: Acampamento projeta mobilização do movimento negro

Pelo nono ano seguido, acontece em São Lourenço do Sul, o Acampamento Regional de Cultura Afro. Desde ontem, centenas de pessoas de diversas regiões do Rio Grande do Sul aportam na cidade, que fica a 200 km da capital gaúcha, no estuário da Lagoa dos Patos.

A localização do acampamento é particularmente importante porque a cidade de Rio Grande, bastante próxima de São Lourenço do Sul, era a primeira parada dos primeiros negros a chegarem no Estado.

Tradicional celebração e resistência da cultura afro no sul do Brasil, o acampamento dura três dias (20, 21 e 22 de março) e deve reunir neste ano cerca de mil pessoas, sendo 400 acampados e 600 visitantes.

- Esta é uma região de muitos quilombos e cuja população é repleta de afrodescentes, que comparecem em peso ao acampamento. O que mantém o nosso povo unido, fora a luta contra a discriminação racial, é a nossa cultura - afirma José Antonio da Silva, Secretário Geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) no Rio Grande do Sul.

Música, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira e culinária negra são alguns dos atrativos do evento. Há, inclusive, a escolha da musa do acampamento e do mais belo e criativo traje afro.

Em 2009, entretanto, o encontro passa a acolher também articulações para a agenda das lutas negras no Estado. “Estamos ampliando a participação de outros setores no acampamento e abrindo espaços para temas mais políticos”, revela José Antonio da Silva.

Não é por acaso que hoje (21 de março), o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, é considerado o principal dia na programação do IX Acampamento Regional de Cultura Afro.

Dentre as atividades destaque para I Seminário Estadual de Articulação da 3ª Marcha Estadual Zumbi dos Palmares. São tratados no seminário os seguintes temas: Saúde Integral e Defesa do SUS; Estatuto da Igualdade Racial; a articulação dos Clubes Negros; o lançamento da Cartilha Contra a Discriminação Racial no Mercado de Trabalho, além de diversos outros encontros do movimento.

Também merecem atenção o Seminário Estadual das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, que articula fóruns de religiosos de matriz africana de várias regiões do Estado, e o lançamento da Campanha Estadual Contra o Extermínio Programado da Juventude Negra.

- Esta é uma nova fase do acampamento. Se os encontros anteriormente eram puramente culturais, agora também estamos tratando de todas as demandas históricas do movimento negro - afirma Rubinei Silva Machado, do Movimento Clubista Negro Nacional.

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20 de março de 2009

BA: Aos 101 anos, D. Canô Velloso publica livro de memórias

Ela nunca pensou em ser mãe de artistas famosos, mas gerou e educou de dois dos principais nomes da música brasileira.

Mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, Dona Canô tem suas memórias registradas no livro: “Canô Velloso, lembranças do saber viver”, escrito pelo historiador Antonio Guerreiro de Freitas e por Arthur Assis Gonçalves da Silva, falecido antes do término da obra.

O livro contém 214 páginas, incluindo uma galeria de fotos da família, de amigos, de cidades do Recôncavo e de viagens acompanhando os filhos artistas. Será lançado hoje às 19h, no Palacete das Artes Rodin Bahia, em Salvador.

- Qualquer pessoa que conviva com ela, que se aproxime dela, vai perceber que é uma pessoa singular. E tem uma memória extremamente viva. Não só guarda o passado, mas interage com tudo o que a rodeia: a igreja, o celibato, casamento. Tudo aquilo que faz parte do cotidiano de qualquer pessoa faz parte do dela também - explica Antonio Guerreiro de Freitas, que também ensina na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.

A capa do livro

A capa do livro

As lembranças mais fortes de Dona Claudionor Velloso (seu nome de batismo) são do próprio casamento, de mais de 50 anos, e da convivência com os filhos, netos e bisnetos.

- No final do trabalho, perguntei a ela: “Do que a senhora chamaria mais atenção?”. “Meu casamento e minha família”, respondeu sem vacilar. Esse foram os tempos mais longos que ela viveu. Foi casada mais de 50 anos e a família está aí até hoje - conta o autor.

Segundo Guerreiro de Freitas, a matriarca acompanha de perto tudo o que está acontecendo com seus descendentes.

- Ela sabe de tudo sobre o que está acontecendo com todos os filhos. Se estão gravando, viajando, onde estão. Acho que Maria Bethânia ligou para ela todos os dias em que gravamos as entrevistas - lembra Guerreiro de Freitas.

D. Canô está sempre atenta a todos os membros da fam�lia

D. Canô está sempre atenta a todos os membros da família

O autor também destaca a importância de Dona Canô na vida de Santo Amaro da Purificação, a cidade onde nasceu e vive até hoje.

Muito respeitada e dona de um extenso círculo de amizades, D. Canô volta e meia está metida com algum tipo de mobilização pela cidade.

Já angariou fundos para reforma da principal igreja de Santo Amaro, mobilizou a população em apoio aos pescadores locais, organizou anualmente ternos de reis - dentre muitas outras ações -, transformando-se numa espécie de “embaixatriz” do município.

- Principalmente depois que ficou viúva, ela vive esse cotidiano com muito interesse. Muitos a procuram e ela está sempre disponível. Ela fala de Santo Amaro com mais autoridade que as autoridades constituídas - explica o autor.

Segundo Guerreiro, na infância e em parte da adolescência, D. Canô passava as férias na casa grande de um engenho. Lá, a matriarca dos Vellos teria tido desenvolvido grande sensibilidade para as artes.

- Ela recebia da dona da fazenda uma boa formação em música e teatro. Desde criança atuava em peças e sempre gostou de canto. Isso fez dela talvez alguém muito singular - afirma Antonio Guerreiro de Freitas.

Antonio Guerreiro gravou 40 horas de lembranças de D. Canô

Antonio Guerreiro gravou 40 horas de lembranças de D. Canô

O autor conta que, logo cedo, ela percebeu que Caetano seria um artista, mesmo o próprio achando à época que não daria para a música. “Era um aéreo, nunca gostou de estudar, mas desenhava muito”, teria dito Canô em uma das entrevistas.

- Ela nunca pensou na vida em ser mãe de artistas famosos, mas essa vivência em sua infância foi capaz de despertar nela uma sensibilidade para perceber o lugar da arte na vida dos filhos - revela Guerreiro.

Livro de memórias não é biografia

Antonio Guerreiro de Freitas faz questão de diferenciar o seu trabalho do de um biógrafo. E explica porque:

- Gilberto Gil assinou contrato com a Companhia das Letras para publicação de biografia e escolheu um jornalista para fazer isso. Esse jornalista fez primeiro um cadastro com 800 nomes de pessoas que podem falar a respeito de Gil. Depois juntou fotografias, documentos. Enfim, uma biografia tem sempre alguém de fora que vai estudar um terceiro.

De acordo com Guerreiro, um registro de memórias é bastante diferente. O autor faz um roteiro temático e o submete ao entrevistado. Então, em sessões sucessivas, pede ao entrevistado que fale sobre o roteiro. “Meu trabalho foi, principalmente, o de montar, organizar, estruturar esse roteiro”, diz.

D. Canô é considerada "embaixatriz" de Santo Amaro

D. Canô é considerada "embaixatriz" de Santo Amaro

No caso do livro de D.Canô, a narrativa se transformou em sete capítulos. No início de cada um, Guerreiro faz uma introdução contextualizando leitor.

- Intervi muito pouco, tentei respeitar ao máximo a fala dela. O resultado foi um livro com linguagem bastante coloquial. As pessoas que já leram o livro disseram que parece que estar ouvindo ela falando.

Só depois dos 100

A primeira proposta de realizar o livro foi feita à Dona Canô em 2006.

- Fiz uma proposta e ela respondeu: “Por agora não. Não sei se vou completar 100 anos”. Retomamos o assunto mais tarde, pedi autorização aos filhos e, em março de 2007, começamos as entrevistas - explica o autor.

Todas as sextas-feiras, Guerreiro entrevistava Dona Canô. Foram cinco meses de trabalho e cerca de 40 horas de gravação.

- Eu vinha há algum tempo trabalhando com memória de idosos. Havia feito trabalhos de memória oral com pessoas de, no máximo, 85 anos. Mas nunca tinha trabalhado com alguém de 100. Então, para mim, foi um grande desafio - conta.

(fotos: Francisco de Assis/ especial para o Terra [1, 3, 5]; divulgação [2,4])

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19 de março de 2009

RR: Índios usam internet para pressionar aprovação da Raposa Serra do Sol

Índios e entidades simpatizantes à aprovação da reserva Raposa Serra do Sol estão usando a internet para mobilizar a população e pressionar o Supremo Tribunal Federal por uma decisão favorável à demarcação da reserva.

O julgamento de demarcação da Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, recomeçou ontem (18/3), com o voto do ministro Marco Aurélio de Mello, que pediu a anulação de todo o processo. Foi seguido pelo ministro Celso de Mello, cujo voto foi favorável à manutenção da demarcação contínua da reserva.

Há pelo menos quatro dias, já circulam pela internet mensagens alertando para a retomada do julgamento e pedindo mobilização pela aprovação da reserva.

O email a que o Blog das Ruas teve acesso lista páginas de comunicação de sites, emails de contato e endereços físicos dos seguintes órgãos: Ministério da Justiça, Supremo Tribunal Federal, FUNAI (Chefia de Gabinete do Presidente, Coordenação Geral de Defesa dos Direitos Indígena, Coordenação Geral de Assuntos Fundiários), além do Caderno de OPINIÃO do Globo Online.

No texto da mensagem, um apelo para “chamarmos atenção das autoridades e da mídia sobre o assunto”. Ainda no corpo da mensagem, a frase que resume o espírito da convocação: “Essa é a hora de formarmos uma corrente e batermos os tambores”.

Artistas voluntários produzem vídeo pela demarcação

Em dezembro, a pedido do Ministério da Cultura, o roteirista Newton Cannito coordenou um grupo de artistas voluntários na produção de uma animação favorável à demarcação contínua da reserva, disponibilizada em forma de vídeo para celular. Assista.

Participaram do projeto Ana Vitória, Leandro Saraiva, da TV Brasil, e Spensy Pimentel. Arnaldo Galvão, da Associação Brasileira de Animadores, fez a direção de animação e o músico, Bem Charles, de Roraima, cuidou da trilha sonora.

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17 de março de 2009

Manifestantes promovem festival contra instalação de usina hidrelétrica

Em uma luta que já dura 20 anos, a população do Vale do Ribeira tem conseguido evitar a construção da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto no Rio Ribeira de Iguape pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), uma das empresas do Grupo Votorantim.

Segundo fontes locais, o rio seria o único do Estado de São Paulo ainda livre de barragens.

Localizado entre o sul do estado de São Paulo e norte do Paraná, o Vale do Ribeira contém mais de 2,1 milhões de hectares de florestas - 21% dos remanescentes de Mata Atlântica de todo o País, o que o torna a maior área contígua da Mata Atlântica do Brasil.

Pela sua riqueza biológica, em 1999, a Unesco conferiu à Reserva da Mata Atlântica do Sudeste, constituída por 17 municípios do Vale, o título de Patrimônio Histórico e Ambiental da Humanidade.

Para celebrar duas décadas de aniversário do movimento e reafirmar o compromisso com a defesa do rio, moradores da Bacia do Ribeira realizaram no último sábado um festival cultural.

A cultura também virou arma dos manifestantes contra a instalação da usina

A cultura também virou arma dos manifestantes contra a instalação da usina

Cerca de 500 pessoas comparecem ao I Festival Cultural do Vale do Ribeira. O evento começa às 9h, com uma concentração dos manifestantes numa praça no município de Ribeira (SP). Duas horas depois, os ativistas partem em caminhada rumo ao município de Adrianópolis (PR).

Formado em sua maioria moradores do Vale do Ribeira, o cortejo conta quilombolas, agricultores, pescadores e também muitos movimentos sociais, dentre eles: Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB), Instituo Socioambiental, Coletivo Educador do Lagamar, Coletivo Jovem Caiçara, Central dos estudantes de Santos, e MST.

Durante a caminhada, as apresentações culturais entremeam-se com falas sobre as consequencias negativas da construção da usina e distribuição de panfletos com algumas dessas informações.

Quando chegam à ponte que liga os municípios Ribeira e Adrianópolis é feita uma reverência ao Rio Ribeira. Em seguida, os manifestantes derrubam a placa que indica a “suposta” usina,

A Marcha contina até o ginásio de Esportes de Adrianópolis, onde apresentam-se grupos de música de Campinas, Cananéia, Eldorado e Iporanga. Também usam o espaço grupo de teatro e hip hop de Curitiba, a street dance de Cananéia, a capoeira de Registro e Cananéia.

O ponto alto do festival, encerrado no fim da tarde, é uma grande ciranda na qual participam muitos manifestantes.

Bastante isolado, o Vale do Ribeira tem em seu território diversas comunidades quilombolas, algumas indígenas e muitos pequenos agricultores.

- Todos eles aprenderam a produzir através de atividades de pequena escola, sem prejuízo à natureza. É isso, o nosso modo de vida, que a gente imagina que a barragem possa colocar em risco - afirma Mayra Jankowsky, 27, integrante do coletivo educador do Lagamar.

Segundo a educadora, os filhos dos manifestantes que começaram a luta contra a instalação da usina agora participam ativamente do movimento. “Os meninos e meninas cresceram indo a protestos com os pais. Agora, a segunda geração está assumindo a luta também”, comenta.

Filhos dos manifdestantes aprederam a defender a causa dos pais

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As muitas entidades que se colocam contra a construção da usina alegam que nunca foi feito um estudo de impacto ambiental que englobe toda a Bacia do Ribeira, o custo/benefício da obra para gerar energia a uma só empresa e os possíveis danos às comunidades que habitam o vale (veja uma simulação feita pelo Instituto Socioambiental).

- A usina vai ser construída para gerar energia barata para a CBA, mas a população local não vai ter nenhum benefício. As barragens não trouxeram desenvolvimento. Juquiá (SP), onde existe uma barragem, é o município da região onde o IDH menos cresceu. Recentemente, foi considerado proporcionalmente o mais violento do estado - afirma Mayra Jankowsky.

Os manifestantes alertam ainda que a barragem pode nunca encher, pois a região do Vale é cheia de cavernas não mapeadas.

Pelo rio sem barragens, Mayra cobra do presidente Lula uma promessa feita ainda em 2002, quando foi eleito presidente pela primeira vez.

- O Lula deu uma entrevista aqui, dizendo que as barragens não iam ser construídas aqui. Mas agora vemos o Plano do PAC, que é bem assustador, e ficamos com medo que ele mude de idéia - comenta a ativista.

(fotos: Mayra Jankowsky/ I Festival Cultural Vale do Ribeira)

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