Terra Magazine

31 de maio de 2009

GO: Após 23 dias, Festa do Divino chega ao fim em Pirenópolis

Este domingo, o Imperador vai desfilar sobre as ruas de Pirenópolis, acompanhado de virgens e levando seu cortejo para uma missa solene na igreja matriz da cidade. Após a missa, cantada em latim, será escolhido um novo Imperador, que governará a cidade apenas na próxima Festa do Divino, no ano seguinte.

A Festa do Divino Espírito Santo é a celebração popular mais importante de Pirenópolis. Tanto que está em processo de tombamento e poderá obter status de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, reconhecido pelo IPHAN. Tradicional, acontece na cidade desde a segunda metade do século XVIII, embora tenha sido documentada pela primeira vez apenas em 1819.

Grande expressão da fé católica, a Festa do Divino tem origem difusa na Europa. Ao atravessar o atlântico, ganhou a participação de índios e negros e também cedeu à mistura, incorporando folguedos profanos e originais de outras datas religiosas, a exemplo do Congo, dos Mascarados, das Cavalhadas e das Pastorinhas.

A Festa é realizada em Pirenópolis desde meados do Século XVIII

A Festa é realizada em Pirenópolis desde meados do Século XVIII

Em Pirenópolis, a Festa do Divino dura 23 dias. Começou no dia oito de maio, com a saída da Folia do Divino Espírito Santo denominada popularmente “Folia do Padre”, percorrendo a zona rural do município.

No dia 24 de maio, a Folia do Espírito Santo desfila na cidade em busca da casa do Imperador. No mesmo dia, é levantado o mastro, com direito a fogueiras e queima de fogos.

Daí em diante, todos os dias começam com Alvoradas, a Novena do Espírito Santo (então no terceiro dia) continua até o sábado e a semana é ocupada com muitas outras atividades.

Toda essa preparação leva ao domingo, último dia da Festa - pela tradição, o Domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa).

S�mbolo da Festa do Divino na cidade

Símbolo da Festa do Divino na cidade

Figura central da Festa, o Imperador é escolhido por sorteio, no domingo do ano anterior. Qualquer um pode se candidatar para o nobre cargo, sob o qual repousa a responsabilidade de organizar a Festa. “Se rico, promove a festa com suas posses; se pobre a promove com a ajuda do povo”, diz a tradição pirinopolina.

Os habitantes da cidade também podem se oferecer para a posição quantas vezes quiserem. Na relação dos Imperadores da Festa, que em 2009 chega ao número 191, várias pessoas já foram sorteadas por duas ou três vezes.

O Imperador tinha bastante prestígio na época dos primeiros registros oficiais da Festa do Divino, no início do Séc. XIX. Tão grande que, naqueles tempos, possuía inquestionável autoridade, a ponto de libertar da cadeia presos políticos, o que realmente era feito.

As cavalhadas foram introduzidas na Festa por um dos Imperadores

As cavalhadas foram introduzidas na Festa por um dos Imperadores e duram três dias

Foi justamente um Imperador, o Padre Manuel Amâncio da Luz, quem introduziu as Cavalhadas, simulação da luta entre mouros e cristãos, que começa no Domingo do Divino e dura três dias.

Além disso, o mesmo Pe. Amâncio mandou confeccionar uma coroa de pura prata, a Coroa do Divino, oferecendo-a à Igreja Matriz, e distribuiu à população pãezinhos e alfenins, docinhos feitos de açúcar puro chamados de Verônicas, ato que também foi incorporado à tradição da Festa.

Quem estiver por perto de Pirenópolis e nunca teve a oportunidade de conhecer um Imperador, essa é sua chance. Hoje ou daqui a um ano.

(fotos: Portal de Turismo de Pirenópolis)

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29 de maio de 2009

PE: Jovens surdos produzem vídeos

Seis vídeos produzidos por jovens foram lançados ontem, no município de Nazaré da Mata, em Pernambuco. Nada de extraordinário, não fosse o fato desses jovens terem deficiência auditiva.

Na tela, contam histórias que variam entre a comédia e o drama, sobre casamento, amor entre surdos e, é claro, o preconceito. Faladas em libras, todas as histórias são também legendadas para que os ouvintes possam entendê-las.

Agora o plano é exibir os vídeos em todos os canais possíveis, em especial a TV aberta. Para tanto, já existem negociações em andamento com a TV Cultura e a TV Solidária (retransmissora da TV Brasil).

Com quatro minutos cada, os vídeos são resultado de oficinas de audiovisual para surdos realizadas em 2008. Duas delas no próprio município de Nazaré da Mata e outra em Surubim, no agreste pernambucano.

Aproximadamente 60 jovens participaram das oficinas, nas quais as responsabilidades pela produção dos vídeos eram divididas segundo suas aptidões.

- Eles decidiam e executavam tudo. Nós prestávamos apenas uma espécie de assessoria. Só a operação do software de edição ficou por nossa conta. Ainda assim, também esse processo era dirigido por eles. Tinham autonomia total - explica Rafael Coelho, coordenador do projeto.

A montagem das oficinas, entretanto, foi uma aventura bastante complexa e repleta de obstáculos.

- O surdo tem uma dificuldade incrível de ler e escrever! Não sei como o ministério da educação nunca se deu conta disso - comenta Coelho.

Para superar essa dificuldade, os roteiros criados pelos jovens foram concebidos principalmente a partir de desenhos, e não da palavra escrita.

Os organizadores das oficinas também tiveram que enfrentar o fato de não existirem, em libras (linguagem dos surdos) sinais correspondentes à linguagem audiovisual especializada.

- Termos como flashback, sequência, cena, efeito especial simplesmente não existiam em libras. Tivemos que fazer uma adaptação e criar novos sinais - afirma o coordenador das oficinas.

Segundo Coelho, todo esse trabalho está à disposição de outras organizações que pretendam trabalhar audiovisual com pessoas dotadas de deficiência auditiva.

As oficinas ocorreram em locais onde já existia uma ação voltada para surdos. Enquanto a Escola Estadual Severino Farias, em Surubim, tem uma turma especial para eles, em Nazaré da Mata, onde acabam de ser lançados os filmes, está sediado o Cefras - Centro de Referência em Formação da Criança e Adolescentes Surdos.

Realizadas pela produtora Página 21, as oficinas forma apoiadas pelo Banco do Nordeste e pela Votorantim.

(fotos: divulgação/ Página 21)

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27 de maio de 2009

BA: Por Chavez, Biblioteca Pública realiza “Maio Bolivariano”

Aproveitando a visita do presidente Venezuelano Hugo Chavez à Bahia, nesta terça-feira (26), a Biblioteca Pública do Estado, em Salvador, organiza uma série de atividades culturais gratuitas para reforçar os laços entre Bahia e Venezuela. O projeto, realizado entre 24 e 31 deste mês, foi intitulado Maio Bolivariano.

- Wagner, aqui está o meu coração. Amamos cada vez mais a Bahia e pátria brasileira - disse o presidente Venezuelano ontem para o governador da Bahia.

A retribuição ao cortejo de Chavez vem na forma de uma semana de mostras de livros e artesanato; exposição de fotógrafos brasileiros e venezuelanos; mostra de cinema venezuelano, com alguns filmes seguidos de debates sobre o país vizinho.

Idealizador do Maio Bolivariano, o historiador e atual presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, revelou que o revolucionário Simón Bolívar também inspirou a luta pela independência da Bahia, em 1823.

- Com este Projeto Maio Bolivariano estamos retornando nossa conexão histórica com a Venezuela, grande berços dos ideais libertadores da América Latina. A luta pela independência da Bahia, em 1823, foi muito influenciada pelo pensamento e trajetória de luta do líder Símon Bolívar, que pregava a união de todos os povos latino-americanos e a independência total desses países, frente ao colonialismo - diz.

Chávez com Ricardo Castro, coordenador de projeto orquestral inspirado em expeirência venezuelana

Chávez com Ricardo Castro, coordenador de projeto orquestral inspirado em expeirência venezuelana

A programação de debates começa hoje, com a projeção, na Sala Walter da Silveira, de “A revolução não será televisionada” (18h), que trata da tentativa de golde de Estado em 2003. Em seguida o adido cultural da Venezuela, Wilfredo Porteles, os deputados estadual e federal Javier Alfaya e Emiliano José e outros intelectuais baianos discutem o filme.

O adido também estará presente no dia 29, quando será exibido “Tocar y Luchar”, documentário sobre o Sistema Nacional das Orquestras da Venezuela, que posicionou o país como um das referências atuais em música erudita. Acompanham o adido no debate o pianista e regente da Orquestra Sinfônica da Bahia, Ricardo Castro, e a diretora da Fundação Cultural do Estado, Gisele Nussbaumer.

Líder revolucionário nascido em Caracas, atual capital da Venezuela, Símon Bolívar (1783-1830), contribuiu decididamente para a libertação de cinco países sul-americanos do domínio espanhol: Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador. Sua trajetória inspirou outros grandes ativistas das Américas, como Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Salvador Allende.

Orquestras de jovens

Na abertura do Maio Bolivariano, no último domingo (24), a cônsul-geral da Venezuela no Brasil, Comoroto Godoy Calderón disse, empolgada:

- Somos uma só pátria de homens livres, unidos pela cultura e pela luta em nome da liberdade. Temos que romper este pequeno obstáculo da língua e intercambiar experiências positivas.

O melhor exemplo desse intercâmbio de experiências positivas talvez seja a implantação do Neojibá - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia.

Neojibá quer repetir na Bahia sucesso alcançado na Venezuela

Neojibá quer repetir na Bahia sucesso alcançado na Venezuela

Coordenado pelo pianista Ricardo Castro, o Neojibá é uma adaptação para a Bahia do Fesnojiv (Sistema Nacional das Orquestras e Coros Juvenis e Infantis) projeto que, em 33 anos, transformou o país de Chávez em uma potência da música erudita.

Hoje, existem 154 orquestras juvenis e 70 orquestras infantis distribuídas por todo o território venezuelano. Mais de 250 mil crianças, adolescentes e jovens são atendidos pelos 140 núcleos de formação musical presentes no país.

O convênio entre o Estado da Bahia e o Governo da Venezuela para cooperação entre os projetos orquestrais, que prevê viagens de intercâmbio para os jovens de ambos os países, foi oficializado na terça-feira, 26 de maio.

Pouco antes da assinatura, o presidente Hugo Chávez ficou visivelmente emocionado ao assistir a apresentação do Neojibá, que executou trechos dos hinos brasileiro e venezuelano, e da ópera Carmen, do compositor Bizet.

(Fotos: Manu Dias/AGECOM)

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25 de maio de 2009

Festival Mundial de Artes Negras é lançado no Brasil

Festival acontece em dezembro, no Senegal. Por ser o país convidado de honra, Brasil realiza lançamento oficial esta noite, no Teatro Castro Alves (Salvador).

Hoje, no Dia da África, a cidade mais negra do Brasil lança a terceira edição do Festival Mundial das Artes negras - Fesman, que será realizado em Dakar (Senegal), de 1º a 14 de dezembro de 2009.

No palco do teatro baiano, apresentações de Gilberto Gil, Margareth Menezes, Ilê Ayiê, Filhos de Gandhy, Balé Folclórico da Bahia, Les Frères Guissé , Balé do Senegal, dentre outros, dão uma pequenina mostra da grandiosa festa marcada para o final do ano.

A presença dos presidentes de ambos os países, Brasil e Senegal, na solenidade de lançamento dá uma ideia da importância do Festival, que já tem confirmadas delegações de 53 países. Até o fim do ano, a organização do evento pretende que este número suba para 80.

A realização do Festival retoma uma história que começou há 42 anos, quando foi realizada a sua primeira edição, também em Dakar, em 1966. Dez anos depois, ocorreu em Lagos (Nigéria) a segunda - e até o momento, última - edição do Festival.

O ministério de Birame Diouf foi criado especialmente para realizar o Festival

O ministério de Birame Diouf foi criado especialmente para realizar o Festival

Com o tema “A Renascença Africana”, o III Fesman é revestido da importância de, nas palavras do presidente senegalês Abdoulaye Wade, “ser uma vitrine de Excelência da fecunda criatividade do mundo negro e, também, um campo de fortalecimento moral e de mobilização de todas as propostas para o desenvolvimento da África”.

O Festival é tão levado à sério que o presidente Wade nomeou um ministro de Estado especificamente para cuidar da realização do evento.

Neste domingo (ontem), tive a oportunidade de participar de uma entrevista ao ministro Mame Birame Diouf, que estava acompanhado de Alioune Badara Beye, coordenador geral do evento, e Bernard Lama, goleiro reserva da seleção francesa da copa de 1998 e “embaixador da boa vontade” do Festival.

Fazendo as vezes de anfitrião do país convidado de honra do Festival, Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares, acompanhava o trio. A Fundação Palmares é responsável por organizar toda a delegação brasileira que participará do Fesman.

- Esse é um momento para reposicionar a África; dar ao mundo negro a sua posição. O mundo negro deve falar dos negros e o Fesman é uma boa oportunidade para isso - diz o Ministro.

Uma das repórteres pergunta que artistas negros brasileiros o povo do Senegal conhece. Rapidamente, o Ministro devolve a pergunta: “E que artistas senegaleses vocês conhecem? É isso que queremos do Fesman, a circulação do povo negro”.

Ainda segundo o ministro, foi preciso esperar que o Senegal elegesse um intelectual, o presidente Wade, para que fosse retomado o projeto do Fesman. Agora, desejam que o evento seja realizado regularmente nos países do continente africano e da diáspora negra. E sugere, gentil, que a próxima edição seja realizada no Brasil.

Os senegaleses sugerem que o Brasil receba próxima edição do Fesman

Os senegaleses sugerem que o Brasil receba próxima edição do Fesman

No meio da conversa, pergunto ao ex-goleiro Bernard Lama se o racismo no futebol, bastante evidente na Europa e convenientemente pouco explícito no Brasil, levou ao engajamento dele e de outros companheiros.

- O racismo é um problema que está no cotidiano do mundo inteiro. O futebol apenas tem mais imprensa, mais visibilidade. É um problema da educação e da falta de comunicação dos povos. Mas jogadores de futebol podem fazer muita coisa a respeito - diz Lama.

Cartas marcadas

O Fesman é definido pelo seu coordenador geral, responsável pela parte artística, como o “Festival dos Festivais”, pela sua grandiosidade e pela variedade das modalidades artísticas.

O evento terá mostras competitivas de teatro, literatura (poesia, romance, novela, ensaio, conto), dança tradicional e contemporânea, música tradicional e moderna, moda, artesanato, arte visual (pintura, escultura e design) e cinema (curta-metragem, longa-metragem, documentário, filme de animação). Os artistas vencedores de cada categoria levam de volta para casa 15 mil euros.

Como país convidado, o Brasil poderá levar quantos artistas quiser na delegação organizada pela Fundação Palmares. Zulu Araújo afirma que haverá duas modalidades de escolha dos representantes nacionais: convites a artistas, personalidades e lideranças negras do país já reconhecidas e um edital para seleção de artistas negros emergentes.

- Quero deixar claro aqui. Uma parte dos artistas somos nós que vamos convidar. São cartas marcadas mesmo. Não vou submeter Zezé Motta, Milton Gonçalves, Gilberto Gil ou o Ilê Aiyê a uma seleção. A vida deles já foi essa seleção - afirma Araújo.

Além das mostras competitivas, o Festival terá grande espetáculos - dentre eles um show do ex-ministro brasileiro Gilberto Gil -, e um colóquio, no qual intelectuais dão a sua versão para o tema “A Renascença Africana”.

Dentre as discussões, está não apenas o mundo artístico, mas o universo das finanças e da geração de renda, bem como outras reflexões científicas e sociais.

- O III Fesman será um passo importante para a integração do povo negro na governança mundial - aposta o ministro Mame Birame Diouf.

(fotos: Lucia Correia Lima)

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24 de maio de 2009

PE: Mestre João do Pife celebra com shows 50 anos de carreira

Ele fabrica seus próprios instrumentos e os vende na feira. Como músico, dissemina a arte de pifar pelo país. O mestre popular João do Pife, uma das maiores referências em pífanos no Brasil, completa 50 anos de carreira.

As bodas do artista popular serão comemoradas - claro - com muita música, em frente à oficina onde fabrica seus pífanos e instrumentos de percussão, no bairro do Salgado, em Caruaru (PE).

Palco armado, mestre João do Pife recebe vários amigos músicos em quatro sessões diferentes, todas com entrada franca. Ontem foi a primeira, seguida por hoje à noite (18h) e os dias 6 e 7 de junho, às 22h e 18h, respectivamente.

- Pra mim é uma felicidade muito grande receber outros artistas na minha casa para tocarmos juntos - diz o mestre João do Pife.

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Entre os convidados estão Cláudio Rabeca; Banda de Pífano Zé do Estado; Valdir Santos; João Limoeiro e a Ciranda Brasileira; Azulão; e Luiz Paixão da Rabeca.

O projeto Música no Salgado é um sonho antigo do mestre, que no ano passado, após turnê nacional, encerrou o circuito no bairro do Salgado, onde reside.

50 anos pifando

Não é comum ver um artista popular, virtuoso e de grande poder de improvisação, fazer 50 anos tocando seu pífano e vivendo da música.

No começo foi tudo muito difícil para aquele menino que acompanhava seu pai tocando nas novenas em Riacho das Almas, onde nasceu.

Com a morte de seu pai, João Alfredo Marques dos Santos, conhecido como João do Pife, tomou conta da Banda Dois Irmãos de Caruaru. Veja post no Blog das Ruas sobre a história de João do Pife.

Do interior de Pernambuco, levou a arte do pífano para o mundo. Apresentou-se nas principais cidades brasileiras, na Europa e nos Estados Unidos. Agora traz o mundo de volta para a oficina onde fabrica suas maravilhas.

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21 de maio de 2009

Há disputa política por trás de debate sobre orla de Salvador, diz diretor do Iphan

Carlos Amorim foi estagiário do IPHAN há 25 anos. Desde novembro do ano passado, retornou como diretor do Instituto para a Bahia.

Nas linhas abaixo, Amorim entra na polêmica do decreto do Prefeito João Henrique (PMDB), que declarou como utilidade pública para fins de desapropriação, uma faixa de 324 mil metros na orla interna da capital baiana, sem divulgar projeto oficial.

Leia também:
» O que você acha das desapropriações em Salvador? Opine aqui

» Peres: “Direção-geral do Iphan deveria ser ouvida”

Esse ato gerou desconfiança em políticos, historiadores, arquitetos, urbanistas e pesquisadores de planejamento urbano. Até mesmo o governador emitiu sua opinião, considerando o decreto “estranho”.

A falta do projeto para a intervenção - prometido para outubro - e a “participação voluntária” de arquitetos e empresários tem ampliado a desconfiança sobre o que virá após o decreto. “Quem vai financiar a novidade?”, pergunta o historiador Antonio Guerreiro de Freitas.

Diante de toda essa polêmica, o diretor regional emite uma opinião surpreendentemente otimista em relação à eventual intervenção, descartando completamente o surgimento de “uma nova Copacabana” na Cidade Baixa.

Questionado a respeito de atitudes recentes do governo municipal, como o projeto embargado de edificação de construções de alvenaria nas praias e medidas controversas, em especial o novo plano diretor urbano, o diretor do IPHAN argumenta que houve uma “mudança de conceito” na prefeitura de João Henrique.

Amorim revela que existe um contato próximo entre o IPHAN e a prefeitura de Salvador desde final do ano passado, com alto grau de entendimento entre as partes.

Revela também saber apenas informalmente das intenções da prefeitura para a área, ainda que o Secretário de Desenvolvimento Urbano da Cidade, Antonio Abreu, tenha dito a Terra Magazine que, na ausência de capacidade institucional, a prefeitura recorre ao órgão federal para refletir sobre o seu patrimônio histórico. “A estrutura é do IPHAN”, disse Abreu na entrevista.

Mesmo que tenha uma visão mais otimista da intervenção pública na grande faixa de orla interna da cidade, o diretor do IPHAN também alerta que o órgão está preparado e tem meios para evitar danos ao patrimônio histórico da cidade. “Nós vamos exercer plenamente as nossas atribuições. O IPHAN vai se manifestar caso exista algo com que não concordemos”, enfatiza.

Confira a íntegra da entrevista.

Qual a sua opinião sobre o decreto de utilidade pública, para fins de desapropriação, de uma área de 324 mil metros quadrados na orla da Cidade Baixa, em Salvador, assinado pelo prefeito João Henrique (PMDB)? O IPHAN foi comunicado ou consultado a respeito?

Isso é um ato unilateral. O prefeito não precisa comunicar a nenhuma outra autoridade que vai decretar a utilidade pública de imóveis. Além disso, o decreto só inclui bens privados. Não há nenhum bem tombado envolvido. Acho que na verdade existe uma disputa política por trás dessa discussão. É ato totalmente cabível, dentro das atribuições da prefeitura.

Então não houve mesmo nenhum tipo de comunicação prévia ao IPHAN?

Não houve nenhum aviso formal. O secretário, por cortesia, me informou sobre o decreto. Existe uma mesa multilateral de negociações, o ETELF (Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização), que reúne prefeitura (Secretaria de Desenvolvimento urbano), IPAC [instituto de estadual de patrimônio] e IPHAN. Nós nos encontramos regularmente e temos tomado frequentemente posições acordadas, coordenadamente.

Vocês trabalham em conjunto?

A imprensa não noticia ações importantes feitas pelo IPHAN em conjunto com a prefeitura e o Estado. Veja a Ladeira da Barra. Lá seria construído um prédio que tinha umas 80, 100 piscinas. Nesse caso, o prefeito foi convencido e tomou uma atitude impedindo também a construção. Nós realizamos ações diferentes, que confluíram.

Também houve o parecer vinculado que declarou as praias áreas não edificáveis. Como ocupar a faixa de areia se em Salvador ela não é nem tão extensa quanto no Rio, por exemplo? As pessoas vão às praias, e não às barracas de praia. Em Fortaleza, todas as barracas foram retiradas recentemente.

Mas você não acha que isso é inconsistente, logo que foi a própria prefeitura, na primeira gestão, que levou a cabo o projeto das barracas de praia de alvenaria, deixando esse caos nas praias da cidade? Isso sem falar no PDDU [Plano Diretor Urbano]…

Acho que houve uma mudança de conceito na prefeitura. Agora tem um bom jurista, Edvaldo Britto; um secretário de desenvolvimento urbano aberto ao diálogo… Acredito que (pelo menos desde que vim para o IPHAN, em novembro de 2008) certas coisas foram revistas.

Voltando à Cidade Baixa e à desapropriação, o IPHAN já teve acesso, mesmo que informalmente, a algum projeto da prefeitura para a área?

Nem sei se já existe um projeto para a área. Nunca vi. Como também nunca vi o projeto da nova Fonte Nova… [principal estádio de Salvador, que pertence ao governo do Estado e será reformado para a copa do mundo].

Mas algum algum conhecimento sobre os planos você tem, não?

Já conversamos sobre isso, mas apenas informalmente. O secretário me disse que a prefeitura pretende fazer uso público da área. Dar visibilidade e construir um acesso à praia, que - pelo que eles dizem - tem boas condições de balneabilidade.

Não examinei propriamente o decreto, mas o prefeito não deverá fazer nenhuma intervenção que prejudique a visão dos bens tombados na região (nessa área, há, por exemplo, um conjunto espetacular, que é o conjunto do Monte Serrat).

A área não poderá sofrer qualquer intervenção sem consultar o IPHAN. E nós vamos exercer plenamente as nossas atribuições. O IPHAN vai se manifestar caso exista algo com que não concordemos.

Então, o senhor descarta a construção de prédios elevados naquela área? Descarta uma nova Copacabana ali?

Eu descarto completamente uma nova Copacabana na Cidade Baixa. Até pela vizinhança dos bens tombados, isso seria impossível.

O que existe, o que vem acontecendo é um processo de substituição. Todo mundo sabe que a parte mais bonita de Salvador é o sua orla interna. Então, as quadras da praia devem ter a sua ocupação racionalizada.

Mas você não acha complicado fazer isso tudo sem um debate público?

Toda discussão que diz respeito à cidade deve ser legitimada em fóruns públicos. É preciso que haja espaço para o diálogo - audiências públicas ou outro formato.

Mas acho que os gestores devem ter preservada a sua capacidade de decidir. Eles são e vão ser, inclusive, responsabilizados judicialmente por essas decisões.

Ainda não existe essa legislação soviete no Brasil, que o gestor tem que fazer o que o povo decidir. Temos um das melhores democracias do mundo. E uma estrutura representativa bastante atuante. Nenhuma comunidade é dona de um pedaço da cidade. A cidade pertence a toda a sociedade. A cidade não é uma coleção de gavetinhas. Temos que nos acostumar com isso.

Mas e a relação identidade da população com o local em que vive?

Especificamente o caso da Península de Itapagipe é uma das regiões da cidade em que a população tem mais relação de pertencimento, mais identidade com o lugar em que vive, mais relação com a sua territorialidade. Isso demanda sensibilidade, de uma atenção especial.

Isso me lembra que a área em questão tem também um significado especial para a história e a cultura da cidade. Toda a comunicação com o seu entorno, que era feita por ali.

Sim, claro. Até hoje, Salvador não consegue dialogar com a sua região metropolitana. É uma das capitais que menos se comunicam com o seu entorno. Inclusive com a região metropolitana cultural: Itaparica, Santo Amaro, Cachoeira, todo o Recôncavo. Salvador está perdendo a relação com a cultura metropolitana, veja o caso dos saveiros.

Talvez essa [o debate sobre a reurbanização da Cidade Baixa] seja uma oportunidade para a classe média possa de novo dialogar com a cultura metropolitana, dialogar com as suas raízes.

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17 de maio de 2009

“Feira Arteira” reúne várias modalidades de artesanato em Salvador

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Ainda é tempo de dar uma chegadinha ali, coladinho na famosa Sorveteria da Ribeira, e curtir uma feira de artes e objetos diferentes do habitual. A Feira Arteira começou ontem e vai até às 18h de hoje, no Largo da Ribeira, em Salvador.

Artesanato, arte em papel reciclado, bolsas, rendas, bijuterias. Até mesmo tecidos nigerianos podem ser encontrados lá. Além disso, culinária, música, apresentações de dança e cordel ajudam a criar o clima da Feira.

A Feira Arteira reúne diversas modalidade de artesanato

A Feira Arteira reúne diversas modalidade de artesanato

A Feira Arteira foi criada no ano passado, com o objetivo de criar um espaço descontraído e repleto de atrações artísticas, que sirva de vitrine para diversas modalidades de artesãos. Via de regra, os criadores produzem suas peças, quase sempre exclusivas.

- Esse evento mescla toda a “arteirice” do povo baiano. Com influências daqui e acolá! dizem os organizadores da Feira.

A Feira traz novidades realmente diferentes, como tecidos nigerianos

A Feira traz novidades realmente diferentes, como tecidos nigerianos

Esta é a terceira edição da Feira Arteira, realizada sempre num bairro diferente da capital baiana. Além de promover o encontro de artistas e artesãos, a Feira recolhe doações de alimentos não perecíveis a duas instituições da cidade.

(imagens: Blog Feira Arteira)

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16 de maio de 2009

PR: Festival de circo “ocupa” ruas e cartões postais de Curitiba

A capital paranaense encontra-se “ocupada” pelo mundo do circo. Desde a quinta-feira (14) e até este domingo, o Festival Curitibano de Circo toma conta das ruas e de cartões postais da cidade, como a Ópera de Arame.

Em 2009, o Festival chega a sua terceira edição. “Pelo sucesso dos eventos anteriores, podemos afirmar com orgulho que está crescendo cada vez mais o intercâmbio entre artistas profissionais e amadores interessados em aprender as técnicas circenses”, conta uma das organizadoras, Camila Ceguinel, da Companhia TripCirco.

Outro coordenador do evento e mebro da TripCirco, Adrian Pagliano, enfatiza a importância da participação do público. “A participação da população é fundamental, sobretudo porque fortalece os vínculos com o circo e artes afins. O circo é uma das mais antigas manifestações artísticas na história das civilizações”, afirma.

Trupes de vários lugares do pa�s vêm à Curitiba no Festival

Trupes de vários lugares do país vêm à Curitiba no Festival

Seis espetáculos de rua tomam de assalto as Ruínas de São Francisco; o Memorial de Curitiba; as escadarias da UFPR; o Largo da Ordem e a Boca Maldita.

Enquanto isso, mais sete espetáculos se apresentam nos seguintes espaços culturais da cidade: Ópera de Arame; Teatro Londrina; Mini Auditório Teatro Guairá e Teatro da Reitoria.

Todos os espetáculos são apresentados diversas vezes. Dessa forma, quem perdeu o Festival nos dois primeiros dias ainda tem tempo de ver muita coisa (veja programação completa).

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Só não vai dar mais é para participar do Cortejo Circense, uma caminhada ocorrida hoje pela manhã, pelo centro de Curitiba, no trecho da rua XV de Novembro entre a Boca Maldita e as escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No cortejo, artistas com seus figurinos fazendo arte pela rua; malabaristas brincando com bolas e claves; e palhaços de bicicletas e pernas de pau. Tudo isso ao som de um grupo de percussão e dança, que acompanhou os brincantes durante o trajeto.

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

“O Festival é para trocar experiências. Uma reciclagem de idéias”, diz Adrian Pagliano. “Além da troca de informações e conhecimentos proporcionada pelo convívio durante o encontro, profissionais de capacidade reconhecida ministram oficinas envolvendo as diversas técnicas circenses”.

O Festival Curitibano de Circo oferece oficinas de malabares; aéreos; equilíbrio; acrobacias; clown, dentre outras. E muitas gargalhadas para o público em geral.

(fotos: divulgação [1, 2 e 4], reprodução [3])

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14 de maio de 2009

“É uma violência!”, diz historiador baiano sobre possível desapropriação

O prefeito de Salvador, João Henrique
O prefeito de Salvador, João Henrique

O historiador Antonio Guerreiro de Freitas considera “uma violência” a possível desapropriação de uma área de 324 mil metros quadrados na orla da Cidade Baixa, em Salvador.

No dia 19 de março, o prefeito da cidade, João Henrique Carneiro (PMDB) assinou um decreto tornando a área “de interesse público para fins de desapropriação”.

Pouco divulgado, o decreto vem agora sendo discutido por muitas personalidades baianas, inclusive o governador Jaques Wagner (PT), que o considerou “estranho”. Chama atenção o fato do decreto não ser acompanhado de um projeto para a área que, de acordo com a prefeitura, só deve sair em outubro.

- Isso é uma violência! É chocante! Como é que ele pode fazer isso, ignorando a história da cidade, as vivências dos bairros? Aquela região tem uma dinâmica própria, que precisa ser considerada - diz o historiador e membro do Conselho Estadual de Cultura.

Segundo Antonio Guerreiro, a região onde devem ocorrer as desapropriações “é uma área de extrema importância para a formação da cidade”. Uma intervenção descuidada poderia, portanto, gerar danos ao patrimônio histórico do município.

“Era por ali que as pessoas chegavam na cidade. Era lá que havia a rodoviária da cidade, o porto. Era por ali que Salvador se comunicava com o Recôncavo Baiano e com o mundo”, afirma Guerreiro.

O historiador ressalta a necessidade de se debater o projeto para a região com a sociedade.

- Não digo que você tem que debater tudo. Mas você não pode promover uma intervenção tão grande sem consultar a população. Não pode fazer isso sem um debate, sem um projeto. É só limpar aquela região? É só destruir? E quem vai financiar? Quem vai financiar a destruição? E quem vai financiar a novidade, quando ela vier? - reage, exaltado.

O presidente do Conselho de Cultura da Bahia concorda com Guerreiro. Professor e pesquisador em cultura, Albino Rubim considera o decreto “um negócio descabido”.

- É uma coisa no escuro. Uma atitude anti-democrática, desapropriar toda aquela região sem um plano, sem algo que as pessoas possam discutir, avaliar - afirma Rubim.

Segundo o professor, o Conselho de Cultura deve participar dessa discussão, já que a eventual desapropriação implica num impacto sobre a capital baiana.

- Cabe entrar (na discussão), porque interfere na concepção urbana de Salvador. O Conselho trabalha com uma concepção ampla de cultura - conclui o presidente do Conselho.

(Foto: Lúcio Távora/Ag. A Tarde - Futura Press)

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13 de maio de 2009

SP: Alunos de escola rural percorrem 300 km de bicicleta

A partir de amanhã, começa uma jornada de 11 dias de conhecimento e contato com a natureza, pelo interior e parte dos litorais de São Paulo e Paraná.

Vinte e três alunos da Escola Aitiara, localizada na zona rural de Botucatu, fazem uma cicloviagem, percorrendo cerca de 300 km em duas rodas, desde o município de São Miguel Arcanjo até Paranaguá. A expedição ganhou o nome de Projeto CicloAitiara.

Com idades variando entre 14 e 16 anos e situações sociais e financeiras bastante distintas, os alunos são acompanhados por quatro ciclistas, um deles André Pasqualini, do site Ciclobr, que vai fazer um diário de bordo da viagem, com relatos, fotos e vídeos.

- Vou embarcar num das mais importantes cicloviagens da minha vida. Espero que, aos que acompanharem essa aventura, ela sirva de inspiração e motivação para entrarem nesse maravilhoso mundo do cicloturismo - afirma Pasqualini.

A cicloviagem também será monitorada pelos próprios alunos, através de um site que eles mesmos desenvolveram.

Além dos ciclistas, acompanha a turma a professora que idealizou o projeto, Ana Ventura (com esse nome, não poderia ser diferente, né?). Nos primeiros dias do ano, a professora e a Escola começaram a buscar apoios - como o da Associação de Cicloturismo de São Paulo - para transformar a ideia em realidade.

poluição de São Paulo fica para trás durante 11 dias.

Pasqualini: poluição de São Paulo fica para trás durante 11 dias de contato com a natureza.

Em fevereiro teve início a preparação física dos estudantes para a viagem. Orientados pelos professores de educação física da escola, passaram a percorrer semanalmente 40km no “lombo” das bicicletas.

Com saída marcada para as 9h desta quinta-feira, na portaria do Parque Carlos Botelho, a 25 km da região urbana de São Miguel do Arcanjo. A partir daí, passam por Sete Barras; Registro; Iguape; Ilha Comprida; Cananéia e Ilha do Cardoso, em São Paulo; Ilhas de Superagui e das Peças e Paranaguá, no Paraná.

Ao longo do trajeto, os alunos terão aulas campais de história, biologia, meio ambiente e filosofia. Estão previstos acampamentos; visitas a reservas, museus, sambaquis e vilas de pescadores; discussões com biólogos e membros de ONGs; viagens de barcos. Ao final da aventura, a turma viaja de trem até Curitiba.

(fotos: Site Ciclobr)

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