Festival Mundial de Artes Negras é lançado no Brasil
Festival acontece em dezembro, no Senegal. Por ser o país convidado de honra, Brasil realiza lançamento oficial esta noite, no Teatro Castro Alves (Salvador).
Hoje, no Dia da África, a cidade mais negra do Brasil lança a terceira edição do Festival Mundial das Artes negras - Fesman, que será realizado em Dakar (Senegal), de 1º a 14 de dezembro de 2009.
No palco do teatro baiano, apresentações de Gilberto Gil, Margareth Menezes, Ilê Ayiê, Filhos de Gandhy, Balé Folclórico da Bahia, Les Frères Guissé , Balé do Senegal, dentre outros, dão uma pequenina mostra da grandiosa festa marcada para o final do ano.
A presença dos presidentes de ambos os países, Brasil e Senegal, na solenidade de lançamento dá uma ideia da importância do Festival, que já tem confirmadas delegações de 53 países. Até o fim do ano, a organização do evento pretende que este número suba para 80.
A realização do Festival retoma uma história que começou há 42 anos, quando foi realizada a sua primeira edição, também em Dakar, em 1966. Dez anos depois, ocorreu em Lagos (Nigéria) a segunda - e até o momento, última - edição do Festival.
Com o tema “A Renascença Africana”, o III Fesman é revestido da importância de, nas palavras do presidente senegalês Abdoulaye Wade, “ser uma vitrine de Excelência da fecunda criatividade do mundo negro e, também, um campo de fortalecimento moral e de mobilização de todas as propostas para o desenvolvimento da África”.
O Festival é tão levado à sério que o presidente Wade nomeou um ministro de Estado especificamente para cuidar da realização do evento.
Neste domingo (ontem), tive a oportunidade de participar de uma entrevista ao ministro Mame Birame Diouf, que estava acompanhado de Alioune Badara Beye, coordenador geral do evento, e Bernard Lama, goleiro reserva da seleção francesa da copa de 1998 e “embaixador da boa vontade” do Festival.
Fazendo as vezes de anfitrião do país convidado de honra do Festival, Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares, acompanhava o trio. A Fundação Palmares é responsável por organizar toda a delegação brasileira que participará do Fesman.
- Esse é um momento para reposicionar a África; dar ao mundo negro a sua posição. O mundo negro deve falar dos negros e o Fesman é uma boa oportunidade para isso - diz o Ministro.
Uma das repórteres pergunta que artistas negros brasileiros o povo do Senegal conhece. Rapidamente, o Ministro devolve a pergunta: “E que artistas senegaleses vocês conhecem? É isso que queremos do Fesman, a circulação do povo negro”.
Ainda segundo o ministro, foi preciso esperar que o Senegal elegesse um intelectual, o presidente Wade, para que fosse retomado o projeto do Fesman. Agora, desejam que o evento seja realizado regularmente nos países do continente africano e da diáspora negra. E sugere, gentil, que a próxima edição seja realizada no Brasil.
No meio da conversa, pergunto ao ex-goleiro Bernard Lama se o racismo no futebol, bastante evidente na Europa e convenientemente pouco explícito no Brasil, levou ao engajamento dele e de outros companheiros.
- O racismo é um problema que está no cotidiano do mundo inteiro. O futebol apenas tem mais imprensa, mais visibilidade. É um problema da educação e da falta de comunicação dos povos. Mas jogadores de futebol podem fazer muita coisa a respeito - diz Lama.
Cartas marcadas
O Fesman é definido pelo seu coordenador geral, responsável pela parte artística, como o “Festival dos Festivais”, pela sua grandiosidade e pela variedade das modalidades artísticas.
O evento terá mostras competitivas de teatro, literatura (poesia, romance, novela, ensaio, conto), dança tradicional e contemporânea, música tradicional e moderna, moda, artesanato, arte visual (pintura, escultura e design) e cinema (curta-metragem, longa-metragem, documentário, filme de animação). Os artistas vencedores de cada categoria levam de volta para casa 15 mil euros.
Como país convidado, o Brasil poderá levar quantos artistas quiser na delegação organizada pela Fundação Palmares. Zulu Araújo afirma que haverá duas modalidades de escolha dos representantes nacionais: convites a artistas, personalidades e lideranças negras do país já reconhecidas e um edital para seleção de artistas negros emergentes.
- Quero deixar claro aqui. Uma parte dos artistas somos nós que vamos convidar. São cartas marcadas mesmo. Não vou submeter Zezé Motta, Milton Gonçalves, Gilberto Gil ou o Ilê Aiyê a uma seleção. A vida deles já foi essa seleção - afirma Araújo.
Além das mostras competitivas, o Festival terá grande espetáculos - dentre eles um show do ex-ministro brasileiro Gilberto Gil -, e um colóquio, no qual intelectuais dão a sua versão para o tema “A Renascença Africana”.
Dentre as discussões, está não apenas o mundo artístico, mas o universo das finanças e da geração de renda, bem como outras reflexões científicas e sociais.
- O III Fesman será um passo importante para a integração do povo negro na governança mundial - aposta o ministro Mame Birame Diouf.
(fotos: Lucia Correia Lima)


Soube que uma das modalidades de arte que abrirá edital será arquitetura e design. Como faço para poder me inscrever e ter a oportunidade de, quiçá, ser selecionado.
Comentário por Marcos — 25 de maio de 2009 @ 11:59