Terra Magazine

30 de julho de 2009

CE: Cortejo lembra revolução republicana de 1824

Hoje, pelo quarto ano, o Cortejo dos Confederados toma as ruas de Fortaleza. Constituído por grupos de teatro, samba, reisado, capoeira, quadrilha e índios, o desfile é uma encenação festiva da marcha dos condenados, quando os líderes do governo revolucionário e republicano - instaurado no Ceará em 1824 - caminharam para o pelotão de fuzilamento. O cortejo também comemora o Dia Estadual do Patrimônio Cultural, 30 de julho.

Cento e oitenta e cinco anos depois, os condenados são considerados heróis cearenses, que lutaram não apenas pela causa republicana, mas pela Independência do Brasil.

A Confederação do Equador, nome a que foi dado o movimento, é considerada atualmente um dos momentos mais destacados da História do Ceará. Teve, ainda, a participação de mais três Estados: Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Entre outros propósitos, o novo governo defendia a abolição da escravatura.

O Cortejo dos Confederados segue o mesmo trajeto percorrido pelos condenados. Às 15h, na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção (10ª Região Militar), uma solenidade militar, antecede a saída do Cortejo, que chega às 18h, no Passeio Público. Lá, a encenação da execução dos heróis da Confederação do Equador encerra as atividades do dia.

Participam do Cortejo os grupos Quadrilha Zé Testinha, Maracatu Az de Ouro, Gajaral, Formosura de Teatro, Reisado Nossa Senhora das Dores, Viver Capoeira, índios Pitaguary, Cia Cordapés, Raízes Nordestinas, Escola de Samba Mocidade Independente da Bela Vista, Boi do Mestre Zé Pio, Caravana Cultural, Linda Canalha, além dos atores que formam a ala dos condenados e o público do Centro da cidade.

Artistas cearenses usam alegria e colorido para reinterpretar a marcha dos condenados

Alegria e colorido para reinterpretar a marcha dos condenados

Ao longo do trajeto, algumas paradas (autos) dão vida a outros momentos fundamentais da Confederação do Equador:

16h - Praça dos Leões: Apresentação de Reisado e Capoeira. Cena relacionada com a libertação dos escravos no Ceará, em frente à Igreja do Rosário. Manifestações dos confederados, em frente ao Museu do Ceará e ao Palácio da Luz;

16h30 - Praça do Ferreira: Manifestação dos confederados. Ritual do Torém, feito por Grupos Indígenas, apresentação de Grupos Culturais e encenação com os atores;

17h - Sobrado Dr. José Lourenço - Encenação do Manifesto dos Confederados;

18h - Passeio Público: Encenação dos fuzilamentos de Padre Mororó, Ibiapina, Carapinima, Azevedo Bolão e Pessoa Anta, com grupo de atores e grandes bonecos.

Confederação do Equador

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

O Cortejo dos Confederados também celebra o Dia Estadual do Patrimônio Cultural

O Cortejo dos Confederados também celebra o Dia Estadual do Patrimônio Cultural

Em protesto ao monarquismo autoritário de Dom Pedro I, em 1814, o movimento se formou nos estados Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Apesar das tentativas de negociação do Império, os revoltosos buscaram criar uma constituição de caráter republicano e liberal, além de abolir a escravidão e organizar forças contra as tropas imperiais. No Ceará, sob a chefia de Tristão Araripe instaurou-se um Governo Patriótico e Republicano.

Vencida a revolução pelo governo monarquista, os principais líderes cearenses - Padre Mororó, Carapinima, Azevedo Bolão, Padre Ibiapina e Pessoa Anta - foram executados pelas forças monarquistas, em fuzilamentos precedidos por cortejos que saíam da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, encerrando no então Campo da Pólvora, hoje Passeio Público.

Tristão Araripe e os demais mártires da Confederação do Equador no Ceará ficaram conhecidos como os mais precoces e destemidos heróis patrióticos e republicanos do Estado.

(fotos: Secretaria de Cultura do Ceará)

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RS: Festival de Inverno é cancelado devido à gripe suína

Pela primeira vez em 24 anos, o Festival Internacional de Inverno da Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixa de acontecer.

Consolidado como uma tradição do Estado, o Festival era realizado anualmente no Vale Vêneto desde 1986, reunindo professores e alunos de música erudita de várias partes do mundo.

Apenas nesta edição, que ocorreria entre 26 de julho a 2 de agosto, estava prevista a vinda de docentes da Argentina, Estados Unidos, Venezuela, Costa Rica, Itália e Alemanha. Na verdade, alguns chegaram a vir.

- Recebemos notícia somente dia 21. Foi como que a gente tivesse recebido uma bomba na cabeça. Já estava tudo certinho, perfeitamente encaminhado. Tanto que não conseguimos mais desmarcar a vinda de cinco dos professores - explica Antonina Sousa, funcionária do Departamento de Música da Universidade e membro da comissão organizadora do Festival.

Segundo Antonina, a ordem para o cancelamento do Festival veio da reitoria da Universidade, para evitar aglomerações de pessoas e o risco de disseminação do vírus H1N1.

Embora justificada pela forte ocorrência da Gripe A na região, é inegável que a suspensão do Festival foi muito decepcionante. Ainda mais tendo ocorrido a apenas cinco dias da abertura.

Como a realização do evento tem certa complexidade, incluindo convênios internacionais, a mobilização para interromper todos os processos em curso demandou grande esforço. Inclusive a desarticulação da Semana Cultural Italiana, que tradicionalmente ocorre em paralelo ao Festival.

“A gente não pode ir contra a decisão do chefe, né? Além do mais, o nosso reitor é da área de saúde, ele sabe o que está fazendo”, argumenta a funcionária.

Se, por um lado, Antonina Sousa reconhece os motivos da administração da Universidade para cancelar o Festival; por outro, critica a cobertura da gripe suína pelos meios de comunicação:

- Particularmente, acho que houve um alarde muito grande por conta da imprensa. As pessoas com qualquer gripezinha vão para os postos de saúde achando estão com a gripe e acabam se contaminando. Ano passado, morreu muito mais gente de gripe normal que esse e ninguém fala disso. Eu mesma fiquei mal e agora estou aqui. Se fosse neste ano, também iria achar que estou com a gripe suína - diz.

(foto: UFSM)

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28 de julho de 2009

PM de Alagoas invade terreiros de candomblé

Em seis ocasiões apenas neste ano, terreiros de candomblé de Maceió foram invadidos por policiais militares, que interromperam os cultos religiosos e ameaçaram confiscar instrumentos, caso as batidas sagradas não fossem interrompidas.

- Isso aconteceu em seis terreiros diferentes, nos bairros de Vergel, Ponta Grossa, Benedito Bentes, aqui em Maceió. Já chegaram a algemar um pai de santo, mas isso foi no ano passado - conta Paulo Silva, presidente da Federação de Zeladores de Culto Afro.

Povo de santo e OAB tiveram reunião com o comando da pol�cia militar

Representantes do povo de santo e da OAB tiveram reunião com o comando da polícia militar de Alagoas

A fim de denunciar os casos de intolerância religiosa e violência policial, vários representantes de entidades ligadas aos cultos afrobrasileiros reuniram-se na sexta-feira passada (24/7) com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas, Gilberto Irineu de Medeiros.

- Esses episódios são uma afronta ao Estado de Direito. Vão totalmente contra a constituição. São um desrespeito e um cerceamento à liberdade de culto e de crenças. É resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento jurídico, humano e técnico da polícia estadual - brada o advogado.

Por sugestão de Medeiros, foram reunir-se também com o comandante da polícia militar no Estado de Alagoas. No encontro, além de cobrar uma investigação acerca do ocorrido, ficou acertado que as religiões de matriz africanas passariam a integrar a formação dos policiais.

- O comandante acolheu nossas sugestões de incluir o sincretismo religioso e as religiões de matriz africana na formação de praças e de oficiais. Também vai reorientá-los em relação ao tratamento de terreiros. Quanto às denúncias, ele disse para aguardar informações dos comandantes da capital e do interior sobre ações policiais em terreiros - explica o presidente da comissão de direitos humanos da OAB.

"Violência é resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento da PM"

"Violência é resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento da PM"

Gilberto Irineu de Medeiros explica que, caso as entidades ligadas ao candomblé tivessem formalizado a denúncia na OAB, a Ordem já haveria acionado o Ministério Público e a corregedoria da polícia militar.

Entretanto, como foi um queixa informal, ambas as partes optaram por um contato com o comandante geral da PM.

- Mas se isso se repetir, a OAB entrará fortemente em ação. Não tenha dúvida que agirei de imediato - garante.

(fotos: Jornal Gazeta de Alagoas [1]; OAB/AL [2])

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27 de julho de 2009

Governo contra-ataca na batalha judicial pelas terras quilombolas

Tags:, , - iurirubim às 12:14

Desde que o Brasil começou com a demarcação e titulação dos territórios quilombolas, em 1995, a destinação dessas terras para comunidades remanescentes de escravos vem sendo contestada, tanto nos meios de comunicação, quanto nos tribunais.

Com o julgamento previsto para um futuro breve, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o Decreto 4887/2003 foi impetrada em 2004 pelo antigo Partido da Frente Liberal, atual Democratas.

O Decreto - considerado um avanço pelos setores ligados às lutas dos quilombolas - é o atual instrumento jurídico que orienta as ações executivas de identificação, reconhecimento, demarcação e titulação de terras ocupadas por remanescentes de quilombos desde praticamente o início do governo Lula.

O Blog das Ruas fez em abril uma matéria sobre a Adin do DEM e a luta dos quilombolas pela manutenção do Decreto.

>> Veja também:
Quilombolas têm quase um milhão de hectares no Brasil

O movimento mais recente nesse jogo do xadrez legal foi a petição junto ao Supremo Tribunal Federal proposta pela Procuradoria Geral Federal - atendendo a solicitação do Incra -, requerendo que seja declarada improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Decreto 4.887/2003.

A defesa do decreto vem sendo discutida por membros da Procuradoria Jurídica do Incra desde abril. De lá pra cá, coube à Procuradoria Federal finalizar o texto da petição e apresentá-lo ao STF no último dia 17.

O objetivo é fornecer elementos para a defesa do decreto quando for julgada a sua constitucionalidade. Um dos pontos levantados sobre o decreto é sua atuação como instrumento que organiza as ações de governo para garantir a regularização das áreas quilombolas no País.

Além disso, segundo a Procuradoria do Incra, ele está em plena sintonia com os pressupostos no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que diz: “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.

- A manutenção do decreto é importante para materializar o dispositivo constitucional, criando mecanismos que efetivamente cumpram a finalidade de destinar áreas exclusivas aos quilombolas - argumenta a procuradora chefe da PFE/Incra, Gilda Diniz, explicou a importância social do instrumento jurídico.

O temor do Incra é que a anulação do decreto comprometa todo o trabalho de pesquisa, reconhecimento e demarcação de terras em favor de comunidades quilombolas feito desde 2003.

Ao longo dos últimos anos, como resultado do Decreto, o Incra estabeleceu convênios com universidades de oito estados brasileiros, além de parcerias técnicas com os Institutos de Terras do Maranhão, Pará, Piauí e São Paulo, a fim de identificar e elaborar estudos sobre as centenas de comunidades remanescentes de quilombos no Brasil.

Desde o ano da publicação do decreto, portanto, já foram abertos 831 processos no Incra para titulação. São 83 comunidades devidamente catalogadas e que estão com relatórios de estudo e identificação prontos. Outras 42 comunidades já têm a publicação da Portaria de Reconhecimento. Somando-se os dois casos, trata-se de praticamente 14 mil famílias quilombolas com possibilidade de ter o seu direito à terra atendido.

(foto: MDA)

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25 de julho de 2009

Coisas do Brasil: vaqueiros precisam mentir para se aposentar

Tags:, , , - iurirubim às 12:43

Há pouco tempo, o Blog das Ruas publicou uma matéria revelando que o repentista pode ter a sua profissão reconhecida.

Agora outra classe profissional, também pertencente ao Brasil profundo, reclama o mesmo tratamento: o vaqueiro.

Já tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 1530/2007, de autoria do congressista baiano Edson Duarte (PV), que regulamenta a profissão de vaqueiro, com o devido registro que lhes permitirá o acesso aos benefícios sociais a que têm direito. O projeto está, desde 2007, na Comissão de Constituição e Justiça à espera aprovação.

Os vaqueiros foram responsáveis pela expansão territorial do pa�s

Os vaqueiros foram responsáveis pela expansão territorial do país

É realmente muito estranho que um dos primeiros profissionais deste país - figura-símbolo do Nordeste e do Brasil - não tenha direito a uma aposentadoria.

“Para um vaqueiro se aposentar ele precisa mentir”, afirma Washington Queiroz, conselheiro de cultura do Estado da Bahia.

Segundo Queiroz, existe uma diferença entre as atividades desenvolvidas por vaqueiros e trabalhadores rurais - que têm garantido por lei o direito à aposentadoria.

Enquanto este último lida com a agricultura e está ligado ao cultivo da terra, o primeiro é responsável pelo manejo do gado, portanto da pecuária. Sem a regulamentação, a atividade de vaqueiro é deslegitimada.

Será que, após alguns séculos, os vaqueiros finalmente terão a profissão reconhecida?

Será que, após alguns séculos, os vaqueiros finalmente terão a profissão reconhecida?

- Não é justo que o vaqueiro, responsável pela expansão territorial do país e pela criação da pecuária, não tenha sua profissão reconhecida, com o devido registro que lhe permitirá o acesso a direitos, como qualquer outra profissão - argumenta o conselheiro.

No dia 15 de julho deste ano, o Conselho de Cultura da Bahia aprovou uma moção pela reconhecimento e registro da profissão de vaqueiro, uma “correção desta injustiça histórica para com os vaqueiros”, diz o documento.

“(…) Foi o vaqueiro que desbravou e abriu os sertões da Bahia, do Nordeste e de outras regiões do Brasil, ampliando a geografia da então colônia (…) também foi determinante para a criação do fenômeno sócio-econômico da pecuária, pontuando com locais de pouso, currais, primeiros arruados, aquilo que viria a ser as cidades do sertão do Nordeste e, mais tarde, o território do Estado da Bahia (…) esses elementos fizeram do vaqueiro - profissional de uma singular especificidade -, o responsável pela criação de todo um acervo social e cultural que abrange desde uma riquíssima e singular tradição oral, vasta tecnologia material e saberes diversos”.
Moção do Conselho Estadual de Cultura da Bahia

(fotos: Arquivo Fundação Padre João Câncio- Missa do Vaqueiro [1]; Iuri Rubim [2]; Blog Iconacional [3])

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24 de julho de 2009

Bahia realiza “seletiva” para a final do Festival do Rap Popular Brasileiro

Acontece nas noites de hoje e amanhã, na Praça Teresa Batista, no Pelourinho (Salvador), a etapa baiana do II Festival do Rap Popular Brasileiro. Reunindo 12 bandas locais de rap, o evento gratuito seleciona - da mesma forma que todos os outros estados brasileiros - representantes para a final nacional do II RPB Festival, no dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.

Organizado pela Central Única de favelas, a CUFA, o RPB Festival procura estimular o mercado musical nacional do rap, valorizando a arte que nasceu nas periferias e apresentando novos grupos e cantores de rap.

“Muita gente começa nesses espaços e desponta com o talento aprisionado, e que muitas vezes não teria outra oportunidade de ser apresentado”, argumenta Gog, o “poeta do Rap”, vencedor do Prêmio Hutúz 2008 na categoria “Melhor Videoclipe”.

Para selecionar o representante do Estado na final, a etapa baiana tem como jurados Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), DJ Bandido, Vivian (coordenadora da Didá), Jô Guimarães (arte-educadora da escola Mãe Hilda e Ilê Ayê) e Mona Brito (representante do ‘Movimento Social’).

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

- Pô, mano, diz aí você, se coloque no meu lugar: como seria representar o hip hop do meu Estado no Festival nacional? Não sei nem o que dizer… - comenta Pablo, um dos MCs do Quatro Preto, na estrada desde 2002.

Para a etapa baiana, foram inscritas 30 bandas e pré-selecionadas 12. Única rapper do sexo feminino entre as bandas que se apresentam hoje e amanhã, Mahara não acredita que haja discriminação no meio e prega a união em torno da cultura negra.

- É a mesma coisa, tá todo mundo na rua, tem que saber dividir, ter respeito. Depende da cabeça de cada um e da postura da mulher. Ainda não é a mesma quantidade dos homens, mas já tem muita mulher. Ta todo mundo na mesma vibração que é a da negritude do país. Tem discriminação é contra o nosso ritmo, mas agora que a gente está começando a ter voz, a ter vez - argumenta Mahara.

Mahara vê discriminação contra o rap

Mahara vê discriminação contra o rap no Brasil

Traço comum a Mahara, Quatro Preto e a várias bandas que se apresentam na etapa baiana, a incorporação de outros ritmos ao rap parece uma tendência no Estado. “A gente mistura mesmo: entra samba, jazz, maracatu, instrumentos de corda, percussão, baixo”, conta o MC Pablo.

Entretanto, essa tendência parece mas é mal vista pelos grupos do sul, mais alinhados ao hip hop “tradicional”, que ainda dominam o cenário brasileiro.

A estrutura do RPB Festival, que seleciona representantes de cada estado brasileiro para uma grande final, pode ser então um momento de afirmação política de identidades regionais.

- É a nossa chance de mudar um pouco a cara do rap nacional, sempre concentrado nos grupos do Sul. Eles são os que mais se parecem com os americanos e não entendem quando a gente, da Bahia, do Nordeste, mistura os ritmos, afirma a negritude do nosso jeito - diz Janda Mawusi, produtora do Festival.

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22 de julho de 2009

SP: Ação civil pública pode interromper obras da Nova Marginal Tietê

Após a polêmica derrubada de árvores centenárias, as obras da Freeway da Marginal Tietê voltam aos holofotes.

Desta vez, um pedido de liminar, impetrado pelo Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo com o apoio de mais cinco entidades, no dia 16 de julho de 2009, pode provocar a interrupção imediata da obra. Hoje, inclusive, expira o prazo para que o governo da capital paulista responda aos questionamentos da ação.

Entre os vários pontos abordados, está o questionamento sobre a competência para a elaboração do EIA (Estudo de Impacto Ambiental).

O estudo atual foi produzido pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo, num período de tempo considerado bastante célere (seis meses) e com a realização de apenas uma audiência pública.

O governo municipal alega que, como é uma obra de impacto apenas no município de São Paulo, caberia a prefeitura conceder o parecer.

Entretanto, a Dersa S/A, empresa de economia mista responsável pela obra, já fez uma consulta acerca desta questão à Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e de Proteção de Recursos Naturais do Estado.

A resposta, publicada no Diário Oficial do Estado, recomenda a realização de um Estudo de Impacto Ambiental em âmbito estadual, como mostra o comunicado abaixo:

Processo SMA 13551/2007 - Município: São Paulo
Interessado: DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A

Empreendimento: Consulta referente à necessidade de licenciamento ambiental para o programa de revitalização e requalificação da marginal Tietê, que através do Ofício CPRN/DAIA n° 0297/2007 de 26/03/2007 e Parecer Técnico CPRN/DAIA n° 062/2007 de 26/03/2007, conclui que o licenciamento do Projeto “Nova Marginal do Tietê” deverá ser realizado no âmbito estadual, através da apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental, devidamente procedido da apresentação de um Plano de Trabalho ao DAIA - Departamento de Impacto Ambiental.

Para acompanhar o processo pela internet, acesse o site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e digite 053.09.025071-3 no campo “número do processo”.

As informações e fotos desta matéria foram fornecidas pelo site CicloBR, parceiro do Blog das Ruas que acompanha de perto tanto a construção da Freeway da Marginal Tietê quanto outras questões relacionadas ao presente e futuro dos deslocamentos urbanos.

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21 de julho de 2009

PE: Lampião recebe homenagem 71 anos depois de seu assassinato

No intervalo de apenas nove dias, os dois maiores ícones da cultura nordestina são homenageados.

Se, no final de semana passado, a cidade de São Paulo celebrou Luiz Gonzaga, o rei do baião, o próximo (dias 25 e 26 de julho), Serra Talhada (PE) rende honras a Lampião, o rei do cangaço.

Terra natal do comandante das caatingas, a cidade de Serra Talhada vive envolta pelos mistérios do cangaço e daquele que foi seu maior representante.

Misto de herói e vilão, Virgulino Ferreira da Silva até hoje desperta paixões e controvérsias. Certo mesmo é que, seguindo os passos de Lampião, o Nordeste se reconheceu e encontrou uma identidade.

Lampião desenhava e confeccionava roupas e chapéus inspirados em Napoleão Bonaparte. Hábil artesão, também usava botas e cartucheiras de fabricação própria.

Hoje, aquela forma de se vestir, as roupas e adereços, o fuzil e até mesmo a dança inventada por ele e seu bando (o xaxado) são referências incontestáveis ao Nordeste.

O Tributo a Virgulino - A Celebração do Cangaço lembra o aniversário de 71 anos do massacre que vitimou o rei do cangaço, sua mulher, Maria Bonita, e mais nove de seus homens, ocorrido em 28 de julho de 1938.

Para facilitar a participação, Serra Talhada e a Fundação Cabras de Lampião, que organiza a festa, anteciparam a festa, transferindo-a para o final de semana anterior (dias 25 e 26 de julho). Música, dança e comidas típicas, além de artesanato, cordéis e recitais são elementos certos na celebração.

Dentre as diversas versões a respeito de sua alcunha, uma delas sustenta que o cangaceiro Virgulino Ferreira modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido.

“Em um das primeiras lutas do bando, na escuridão da noite, Antônio (um dos irmãos Ferreira), espantado com o poder de fogo do rifle de Virgulino, que expelia balas sem parar e mais parecia uma tocha acesa, gritou o seguinte: Espia, Levino! O rifle de Virgulino virou um lampião! A partir desse dia, a alcunha do famoso cangaceiro passa a ser Lampião”, escreve Semira Adler Vainsencher, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco.

Talvez por isso, a programação do Tributo a Virgulino seja aberta por uma salva de tiros dos Bacamarteiros do Vale do Pajeú (sábado, 9h).

A atividade é seguida da apresentação da Banda de Pífanos Santo Antônio (Carnaíba, PE) e da abertura da Exposição de Matérias de Jornais Antigos Noticiando as Ações de Lampião.

Criação de Lampião e seu bando, o xaxado continua inspirando grupos como o "Cabras de Lampião"

Criação de Lampião e seu bando, o xaxado continua inspirando grupos como o "Cabras de Lampião"

Ainda pela manhã, uma mesa-redonda discute “Os Mistérios que Envolvem a Morte de Lampião” e “O Cangaço e a Cultura Popular”. À tarde, as atrações são: Grupo de Danças Populares Mangueirarte (Mirandiba, PE); Grupo Arte e Dança (Serra Talhada, PE); Grupo de Xaxado Bandoleiros do Sertão (Triunfo, PB) e Os Matingueiros (Petrolina, PE).

Já a programação de domingo começa com uma celebração religiosa para o cangaço, conduzida pelo Padre Jorge Adjan e pelo Pastor Júnior.

Logo depois, apresentam-se os violeiros repentistas Zé Pereira e Assis Mourato; o poeta Caio Meneses; os grupos de xaxado Maria Bonita e Cabras de Lampião e o de dança Manoel Messias, além do Coral Aboios de Serrita, todos de Serra Talhada.

Refazendo os passos do “governador do sertão”

Durante todo o Tributo a Virgulino, podem ser visitadas a casa de Dona Jacosa, onde nasceu Lampião; as pedras onde ocorreu o primeiro confronto armado entre os homens de José Saturnino (da família Nogueira) e os irmãos Ferreira; as ruínas da antiga casa grande da Fazenda Pedreira; e o Riacho de São Domingos.

As muitas histórias de Lampião

Médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista, guerrilheiro, artesão: Lampião era um homem de muitas facetas, cada uma com um número maior ainda de boatos e histórias. É verdadeiramente impossível descobrir ou contar todas os “causos” sobre o maior cangaceiro que já existiu.

Ainda assim, o Blog das Ruas selecionou algumas pérolas do texto da pesquisadora Semira Vainsencher. Divirta-se, internauta.

Parteiro

“Em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto de Folha, no estado de Sergipe. Lampião foi o seu próprio parteiro”.

Assinatura

“Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraído pelo Dr. Bragança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas da internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto:

Doutor, o senhor não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi o do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião”.

Veneno, fogo e nove vezes baleado

“Além das emboscadas planejadas para liquidá-lo, cabe ressaltar que Lampião conseguiu sobreviver ao veneno e ao fogo. Do primeiro, contou com a dosagem fraca que lhe deu, somente, um inconveniente desarranjo intestinal; do segundo, apesar de chamuscado, conseguiu escapar pulando. Mas foi ferido à bala diversas vezes.

(…)

Apesar de ter sido baleado nove vezes, Lampião sobreviveu a todos os ferimentos, sem contar com qualquer tipo de assistência médica formal. Naquela época, desconheciam-se os antibióticos e as sulfas. Para estancar o sangue e curar os ferimentos, por exemplo, usavam-se mofo, pó de café e, até, excrementos de gado. Eram usadas, ainda, ervas medicinais e rezas dos curandeiros, que nem sempre funcionavam como se esperava. Um ferimento em seu pé, neste sentido, condenou Virgulino a mancar para o resto da vida”.

Foi o próprio Lampião que fez o parto da filha Expedita, que teve com Maria Bonita

Foi o próprio Lampião que fez o parto da filha Expedita, que teve com Maria Bonita

Cauteloso

“Desconfiado, só ingeria algo depois que alguém tivesse provado o alimento. Por outro lado, só entregava o dinheiro após ter recebido a mercadoria. Entretanto, não conseguiu se livrar da traição dos falsos amigos”.

Cabeças decepadas e expostas

A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida.

Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus.

(..)

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Maceió e, depois, foram ao sul do Brasil.

Do sul do País, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

(…)

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

(fotos: Fundação Cabras de Lampião [1, 2]; reprodução [3])

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18 de julho de 2009

Candomblé vira patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, sancionou nesta sexta-feira a lei que declara o candomblé um patrimônio imaterial do Estado. Proposta pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), a lei foi bastante comemorada por pesquisadores e pelo povo de santo.Segundo o deputado, a lei deve reduzir a violência decorrente da intolerância religiosa, na medida em que, como patrimônio, passam a ser mais divulgados e respeitados.

Em declaração para O Globo, a museóloga e pesquisadora de Cultos Afro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Márcia Netto, afirma:

- Grande notícia! Acho que muda muita coisa para essas religiões que, até há pouco tempo, eram vistas como folclore ou seita. Vai ajudar a diminuir o preconceito, dar credibilidade e ajudar a desmistificar. O preconceito contra o candomblé vem desde a colonização.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa - que recentemente entregou foi às Nações Unidas denunciar a “ditadura religiosa” promovida pelos neopentecostais no Brasil - também comemorou e espera que a aprovação da lei estadual abra as portas para a aprovação de uma lei federal. A comissão fez um encaminhamento do pedido, durante a 2ª Conferência de Igualdade Racial, realizada em junho, em Brasília

Outro projeto com o mesmo teor, desta vez reconhecendo a umbanda como patrimônio imaterial estadual, também já foi aprovado pela Assembléia Estadual e aguarda sanção do governador.

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17 de julho de 2009

Mirando os nordestinos, São Paulo homenageia Luiz Gonzaga

A partir de hoje à noite e até o domingo, o Vale do Anhagabaú, no centro de São Paulo, vira um grande arraial nordestino, na Homenagem a Luiz Gonzaga.

São 35 atrações culturais se revezam sob os olhares do público durante esses três dias. Várias delas de peso, como Elba Ramalho, Alceu Valença, Dominguinhos, Antonio Nóbrega, Caju & Castanha e Cordel do Fogo Encantado.

Além dos shows musicais, estão programadas intervenções de cultura popular, circo, teatro e dança. Conheça a programação.

Símbolo máximo do nordeste, Luiz Gonzaga projetou uma imagem da região para o Brasil ao incorporar e narrar as belezas e tragédias desse povo.

Nasceu em 1912, em Exu (PE), mas é como se fosse filho de cada município do Nordeste. Veio a falecer em 1989, no Recife, vítima de uma parada cárdio-respiratória. Virou mito: vinte anos depois, parece que não há um só lugar no Nordeste que não tenha a presença do Rei do Baião.

Um dos herdeiros de Gonzagão, Dominguinhos participa da homenagem

Um dos herdeiros de Gonzagão, Dominguinhos participa da homenagem

O público que comparecer ao evento, gratuito, poderá matar a saudade (no caso de uns) ou conhecer (no caso de outros) manifestações culturais tipicamente nordestinas, como mamulengo, maracatu de baque virado, repente, embolada, pífanos, bumba-meu-boi e, claro, samba, forró, xote e baião.

Mas a mistura também está presente no evento. Mostra disso são os concertos da Orquestra Jazz Sinfônica (sexta), da Orquestra Popular do Recife e do violonista francês Nicolas Krassik (sábado), todos eles adaptados aos ritmos nordestinos. Tem ainda os DJs Tudo e Bruno Pedrosa e o músico Zé Brown, ex-integrante do Faces do Subúrbio, que mistura rap e repente.

Para ajudar a “criar o clima” nove barracas, cada uma representando um Estado do Nordeste, vendem artesanato e comidas típicas, como o Mingau de Carimã (Bahia), Chambaril (Paraíba), Maxixada (Piauí), Vatapá, Cocada, Quindim, Abará, Acarajé, Baião de Dois, dentre muitos outros.

- (Tem) muita gente aqui em São Paulo que veio do Nordeste. Uma quantidade imensa. Milhões de pessoas. Portanto, estamos fazendo uma homenagem aos nordestinos paulistas: aqueles que vieram, seus filhos, seus netos e àquele que é o fundador do baião e de tanta música boa que tem no nosso país - diz o governador do Estado José Serra.

A banda P�fanos de Caruaru com o presidente Lula, em 2006, quando recebeu a ordem do Mérito Cultural

A banda Pífanos de Caruaru com o presidente Lula, em 2006, quando recebeu a ordem do Mérito Cultural

Como boa parte da programação entra pelas madrugadas de sábado e domingo, o governador força um pouco a barra e afirma que esta é “uma espécie de virada cultural do nordeste aqui em São Paulo”.

O ponto alto do evento deve ser a apresentação da Família Gonzaga, na noite de sábado (21h). No show, os sucessos do Mestre Lua são cantados pela irmã Chiquinha Gonzaga, de 82 anos, e pelos sobrinhos Joquinha e Sérgio Gonzaga.

Na ocasião, o Governo do Estado entrega à família a medalha da Ordem do Ipiranga Póstuma, honraria mais elevada do Estado de São Paulo, reservada aos cidadãos que prestaram serviços notórios aos paulistas.

Ainda hoje, Gonzagão é a personalidade que melhor simboliza o Nordeste

Ainda hoje, Gonzagão é quem melhor simboliza o Nordeste brasileiro

O Blog das Ruas aproveita para indicar algumas atrações menos conhecidas, mas muito bacanas: a intervenção dos Irmãos Becker (sexta, 20h30), que realizam uma performance pirofágica em cima de pernas de pau; o humor e o improviso dos emboladores Peneira e Sonhador (sábado, 15h); e a banda Pífanos de Caruaru, sexteto conhecido como “Beatles de Caruaru” que toca cirandas, baiões e rojões (domingo, 13h).

A festa é bacana e a homenagem mais que merecida, afinal o concreto e as maravilhas de São Paulo carregam muito suor nordestino.

Mas nada convence este blogueiro de que tudo isso não seja também um pouco de “simpatia julina”, espreitando outubro de 2010.

(fotos: reprodução, Ricardo Stuckert/PR [3])

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