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30 de agosto de 2009

SP: Caminhada e sarau evidenciam drama de 2 mil desabrigados no Capão Redondo

Neste domingo, um grupo de artistas realiza um ato cultural em apoio às famílias da favela Parque do Engenho, no Capão Redondo, que perderam seus pertences e moradias por conta de uma ação de reintegração de posse.

Às 15h, uma caminhada com direito à poesias, músicas, faixas, alfaias, tambores e outros instrumentos sai da Estação de Metrô Capão Redondo, em direção ao Parque do Engenho.

Chegando ao destino, o grupo de artistas e simpatizantes da causa das famílias retiradas da ocupação realiza um sarau.

Junto com os instrumentos e o carinho, comidas e roupas são doadas aos desabrigadas. “Vamo fazê barulho!!!”, diz o convite do evento.

Entenda o caso

Na segunda-feira, dia 24/8, usando bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, a Polícia Militar de São Paulo cumpriu reintegração de posse de um terreno de 14km2 da Viação Campo Limpo, ocupado há dois anos. O terreno em questão estava ocioso havia mais de 20 anos.

Mesmo alertada da falta de alternativas das famílias, a Justiça negou garantir a inserção das famílias em programas habitacionais antes do despejo e expediu o mandato para cumprimento da reintegração de posse.

Terreno era ocupado por duas mil pessoas, sendo 300 crianças

Terreno em questão era ocupado por duas mil pessoas

Cerca de duas mil pessoas, das quais aproximadamente 300 são crianças, ocupavam 800 barracos no local. Desalojadas, estão hoje acampadas nas calçadas.

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo ainda tentou uma liminar para que a área fosse destinada à habitação de interesse social, argumentando que o terreno estava desocupado há mais de 20 anos, servia de depósito de lixo e era constantemente usado para estupros.

Argumentava ainda que a área reintegrada é uma Zona Especial de Interesse Social 2, o que de acordo com o Plano Diretor de São Paulo, significaria que é inutilizada e deveria servir para a construção de moradias populares. A liminar, entretanto, foi negada pela 6ª Vara de Fazenda Pública.

(fotos: jovens do IPJ - Instituto Pe. Josimo)

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29 de agosto de 2009

“Ninguém é orientado a ser gay”, diz cordelista

Poeta lança cordel sobre homossexualidade mas não concorda com o uso da expressão “orientação sexual”

Hoje, no Dia da Visibilidade Lésbica, os escritores Nando Poeta e Varneci Nascimento lançam o cordel Homossexualidade - História e Luta. Os autores autografam a obra às 20h, no Odara Bar (Largo do Arouche, 88, República), “um bar GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros], comandado por duas mulheres que casaram… são do ramo, né?”, diz Varneci.

- É um tema que os poetas não gostam de abordar, têm restrição, preconceito. Quero que as pessoas possam ler o cordel e se desarmar. Fizemos este trabalho para combater a homofobia, o preconceito, e dar visibilidade à luta social dos homossexuais, que não tem sido pouca - afirma o poeta.

A publicação do cordel de Varneci Nascimento e Nando Poeta expõe o próprio preconceito dentro da literatura de cordel.

- A literatura de cordel foi um pouco machista. Aliás, foi muito. Vemos cordéis eivados de preconceitos contra gays, negros, minorias. Mas também dá para encontrar outros cordéis de autores responsáveis - argumenta.

Nascimento conta que tentou divulgar “Homossexualidade - História e Luta” durante o lançamento de um outro cordelista. “Mas tive que tirar minha coisas e sair correndo” quando o outro escritor mostrou seu descontentamento de estar sendo associado à homossexualidade. “Não gostaria de ver propaganda de cordel com essa temática perto do seu”, diz Varneci.

"Ser gay deve ser bom, porque se não fosse não tinha tanta gente que era, né?"

Varneci: "Ser gay deve ser bom, porque se não fosse não tinha tanta gente que era, né?"

Num determinado momento da conversa, a pergunta inevitável:

- Você ou seu parceiro são homossexuais?

O autor se esquiva:

- Não somos não. Quando a gente fez o cordel, já sabia que teria uma dificuldade por conta de perguntas como essa que você acabou de fazer. Mas é uma questão de quem não está preocupado com essas coisas. Sei que terá consequências, mas o que vale é o que a gente é e pronto - afirma.

Pergunto então sobre a dificuldade de escrever sobre o tema sem ter sentido na pele o preconceito.

- Por isso que nós pedimos para três ou quatro amigos gays para lerem e dizerem para a gente o que não estava correto. Tem até uma coisa que temos uma visão diferente: a comunidade gay pede para usar a expressão “orientação sexual”, mas eu discordo disso. Entrou no texto a contragosto.

- Por quê?

- Porque ninguém é orientado para ser homossexual, nenhum pai ou mãe disse: “vai ser gay, meu filho, é bom”. Se bem que deve ser bom mesmo, porque se não fosse não tinha tanta gente que era, né? - provoca.

O polêmico cordel “Homossexualidade - História e Luta” é publicado pela editora Luzeiro e custa dois reais (”caro, né?”, diz Varneci). Conheça um trecho da obra:

Queremos nesse assunto
Mergulhar profundamente
Demonstrando uma estatística
Que muda diariamente:
A horrenda homofobia,
Crescendo mundialmente.

Por isso, nesse cordel
Vamos pôr em evidência:
Que quem curte o mesmo sexo,
Ou pra isso tem tendência,
Foi sempre desrespeitado
E vítima da violência.

Homossexualidade
Sempre tema especial
Outrora foi esquecido
Mas no momento atual,
É lembrado, pois faz parte
Da história universal.

Nas aldeias primitivas,
Toda a sexualidade.
Se vivia livremente
Dentro da comunidade
Com sexo oposto ou não
Naquela sociedade.

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28 de agosto de 2009

SP: De ternos e bigodes, ciclistas pedem “fora Sarney”

A tradicional Bicicletada Paulistana, manifestação-passeio que acontece toda última sexta-feira do mês, prepara um protesto bem humorado pela renúncia do presidente do Senado, José Sarney.

Hoje, após reunirem-se às 18h na Praça do Ciclista (canteiro central da Av. Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra) e definirem o trajeto da jornada, os cicloativistas saem pelas ruas de São Paulo com bigodes, ternos, narizes de palhaço e o que mais der na telha deles, bradando “fora Sarney”.

“Você aí parado, vem pedalar do nosso lado e gritar: De bicicleta pode, fora bigode!”, é mote que os ciclistas repetem esta noite.

Esta noite, os ciclistas vão adicionar um bigode ao vestuário e exigir "Fora Sarney"

Esta noite, os ciclistas vão adicionar um bigode ao vestuário e exigir "Fora Sarney"

Originalmente, agosto é o mês da “Bicicletada dos Executivos”, na qual todos saem às ruas vestindo ternos enquanto manobram suas bikes. Daí a ideia de incluir bigodes na indumentária e “adaptar” a manifestação.

Bicicletada

A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. A manifestação serve para divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

(fotos: Pedalante [1]; Luddista [2])

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Ao completar 10 anos, Jam Session é fenômeno na Bahia

Quem já foi ao Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, sabe que, além de obras de arte, o local - uma construção do séc. XVII, em plena Baía de Todos os Santos - reserva gratas surpresas aos visitantes. Uma delas são as jam sessions - sessões de improvisação de música instrumental - que acontecem às noites de sábado.

Este final de semana, a JAM no MAM comemora 10 anos de atividade com uma média de público superior a mil pessoas por noite! Nada mal para uma iniciativa de música instrumental na terra da axé-music, onde os músicos de outros gêneros vivem reclamando da falta de espaço ou de público.

Para celebrar os 10 anos, foi elaborada uma programação especial para as noites de quinta, sexta e sábado. Ontem, a banda de música instrumental jazzística Jurassik Quartet e a cantora Elza Soares - que entrou no clima do improviso e decidiu o repertório apenas momentos antes da apresentação - fizeram as honras da casa.

Mais de mil pessoas comparecem a cada sessão da JAm no MAM

Desde 2007, quando a JAM retornou, mais de mil pessoas comparecem a cada sessão

A atração da noite de hoje é uma apresentação especial do antigo Grupo Garagem, a mais importante banda de música instrumental formada na Bahia. Não é à toa que os músicos Ivan Bastos e Ivan Huol, integrantes à época do Garagem, foram os criadores da Jam Session em 1993. Após, o Garagem, o compositor e guitarrista Toninho Horta e a Orquestra Fantasma comandam o show com clássicos da música brasileira.

Para o último dia da celebração, no sábado, está reservada uma jam session especial, com a maioria dos músicos convidados para o projeto. Música baiana, baião, samba, frevo, salsa, blues, swing e, claro, jazz, são alguns dos ritmos esperados para a noite.

Todas as apresentações dividem espaço com a mostra “JAM em imagens”, na qual são exibidos vídeos e fotos produzidas pelo público nos últimos anos do evento. O ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Criada com o objetivo de ser um ponto de encontro da música instrumental, a JAM no MAM já levou ao Museu de Arte Moderna artistas de países tão diferentes como Canadá, EUA, Dinamarca, Colômbia, Itália, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Irlanda, Chile, Cuba, Argélia, Japão, Coréia e Espanha.

A história da JAM na área externa do Museu de Arte Moderna da Bahia tem duas fases distintas - daí a diferença entre os 10 anos comemorados agora e os 16, desde que foi criada.

Entre 1993 e 2001, quando era conhecida como JAZZ MAM, a JAM era gratuita e acontecia ta religiosamente todo sábado. Tinha uma média de público de aproximadamente 200 pessoas por sessão.

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

Convidada novamente para assumir as noites de sábado do Museu de Arte Moderna, em 2007, manteve a mesma assiduidade. Mudou o local das apresentações (agora no estacionamento do Museu, de frente para a Baía de Todos os Santos), e o ingresso, que passou a ser cobrado, a módicos R$ 4,00.

Quem acha que a cobrança afastou o público está redondamente enganado: a JAM passou a receber mais de mil pessoas por noite e tornou-se um fenômeno soteropolitano, provando, mais uma vez, que a Bahia não é terra de um ritmo só.

(fotos: Tiago Vaz)

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26 de agosto de 2009

Maior Festival de Teatro de SP acontece na periferia

Amanhã começa o IV Festival Nacional de Teatro do Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo. E é justamente nesse bairro fortemente dividido, onde favelas e conjuntos populares ficam lado a lado com condomínios de classe média e média alta, que acontece o maior festival de teatro do Estado de São Paulo.

“É o maior festival do Estado de São Paulo”, garante Luciano Santiago, coordenador responsável pelo Festcal, em entrevista ao site Catraca Livre.

Santiago ainda afirma que as companhias que fazem parte do festival têm uma proposta de pesquisa continuada e “estão preocupados em saber como a obra apresentada chegará para as pessoas, por isso, estudam movimentos sociais, culturais e teatrais”.

Idealizado pela Trupe Artimanha e realizado pela primeira vez em 2006, com a participação de 11 grupos, o Festival vem crescendo ano a ano. Na quarta edição, apresentam-se 39 grupos de 15 cidades e seis estados brasileiros, além do distrito federal.

Completamente gratuito, o Festcal dura 12 dias (27 de agosto a 7 de setembro). As apresentações ocorrem em seis espaços distintos: os CEUs (Centros Educacionais Unificados) Casablanca, Paraisópolis e Cantos do Amanhecer; o Centro Cultural Monte Azul; o Espaço Artemanha de Teatro e a Praça do Campo Limpo, onde acontece a mostra de teatro de rua (5, 6 e 7 de setembro).

Além das apresentações, a programação do Festcal também inclui oficinas e debates.

Em 2009, a novidade do Festival são os “Encontrões Noturnos”, um momento para conhecer trabalhos em processo de experimentação, performances e cenas curtas. Nove coletivos participam dos Encontrões, que são realizados no Espaço Artemanha de Teatro, sempre às 23h.

Nos dias de encerramento (6 e 7 de setembro), as noites terminam com a apresentação de poetas no Sarau Exepedición Dondes Miras e de dois grupos musicais da região: Velha Guarda do Helga e a Banda Preto Soul.

(foto: divulgação)

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25 de agosto de 2009

BA: Encontro inédito reúne contadores de histórias de cinco países

Quem não gosta de uma boa história? Começa hoje o I Encontro Internacional Caixa de Contadores de Histórias, que reúne, na Caixa Cultural Salvador, quatro narradores estrangeiros e quatro brasileiros, além do grupo Tapetes Contadores de Histórias, responsável pela coordenação do evento.

Inédito, o Encontro dura seis dias (até 30 de agosto) e oferece 20 espetáculos, quatro oficinas e duas rodas de histórias à população da capital baiana.

- Essa cidade já é uma narrativa. Cada ladeira, cada cabelo, cada comida tem uma história muito especial. Ficamos felizes em trocar com esse público que já conhecemos bastante, pois já estivemos quatro vezes em Salvador - conta Warliy Goulart, integrante do grupo Tapetes Mágicos e coordenador do evento.

O Encontro tem sessões gratuitas para estudantes (terça a sexta) e o restante da programação pode ser visto com a troca de 1kg de alimento não perecível. Entretanto, na medida em que os lugares são limitados, é necessário agendamento e distribuição de senhas para o público.

A contadora de história colombiana Carolina Rueda participa do Encontro

A contadora de história colombiana Carolina Rueda participa do Encontro

Mestres na arte de embalar a imaginação alheia, participam do Encontro Inno Sorsy (Gana), Cucha del Águila (Peru), Carolina Rueda (Colômbia) e Rubén López (Argentina); do Brasil: Regina Machado (São Paulo), Gislayne Avelar Matos (Belo Horizonte), Sérgio Belo (Florianópolis), Fabiano Moraes (Vitória) e Os Tapetes Contadores de Histórias (Rio de Janeiro).

Na programação, além dos espetáculos e das sessões de histórias, destaque para as rodas de histórias: saraus de contadores onde cada um contribui, um após o outro, com uma narrativa de seu repertório.

Também é objetivo do Encontro compartilhar pesquisas, metodologias e linguagens, o que os contadores convidados fazem nas quatro oficinas de formação para aperfeiçoamento de profissionais e multiplicadores.

A atividade de contar histórias está sendo mais valorizada atualmente

A atividade de contar histórias está sendo mais valorizada atualmente

Aproveitei o início do Encontro Internacional de Contadores de Histórias para fazer uma entrevista sobre o tema o narrador e coordenador do evento Warliy Goulart. Confira o nosso papo abaixo.

Tenho a impressão que está acontecendo, de algum tempo para cá, uma revalorização recente da atividade de contar de histórias. Essa impressão é correta?

Todo mundo valoriza as histórias. Contamos histórias para nossa família, namoradas, filhos, alunos. O encantamento é sempre muito vivo. Mas de um tempo para cá, algumas ciências como sociologia e antropologia têm valorizado muito a cultura, o patrimônio imaterial, as manifestações e seus responsáveis. E, com isso, as narrativas orais.

A contadora paulista Regina Machado ministra uma oficina durante o evento

A contadora paulista Regina Machado ministra uma oficina durante o evento

Mas existe uma diferença entre o contar histórias de antigamente - atividade espontânea e cotidiana - da contação de histórias feita por vocês.

A diferença fica na questão da profissionalização. O nosso grupo tem 11 anos. A profissionalização leva a um maior estudo de repertório, a uma melhor técnica. As pessoas que estão nesse encontro são grandes estudiosos de narrativas orais. Conhecem profundamente muitos causos, histórias e desenvolvem técnicas de contá-las. Essa é a diferença: o estudo e, claro, a prática.

Então todos os contadores presentes vivem exclusivamente desta atividade? De que forma conseguem gerar renda a partir de suas atividades?

Isso depende muito das instituições, que têm agido muito positivamente. Escolas, centros culturais, museus têm solicitado o trabalho de contadores de histórias. Empresas também. Isso faz com que gere trabalho e especialização.

Também as livrarias têm percebido que pode ser feita uma associação entre a contação de histórias e o incentivo à leitura.

Você acha que chegou a existir um preconceito em relação à contação de histórias, no sentido de imaginá-la prejudicial à leitura como já houve com as revistas em quadrinhos?

Nós temos uma cultura da supremacia da palavra escrita. Pensam que o livro é mais importante que o ser humano e isso é uma besteira! Os livros nasceram do ser humano e voltam para ele.

A palavra oral tem valor e perdeu bastante desse valor porque é com a palavra escrita que fazemos nossas regras e leis. Mas uma é tão importante quanto a outra. Com ela palavra oral, criamos laços e também as próprias histórias. Elas são independentes mas acho que nos cabe acentuar um diálogo fértil entre as duas.

O grupo Tapetes Contadores de Histórias, que coordena o encontro, já esteve quatro vezes em Salvador

O grupo Tapetes Contadores de Histórias já esteve quatro vezes em Salvador

E como é ter essa relação de proximidade com o outro, ao contar uma história, no mundo contemporâneo, ambientado e mediado pela tecnologia?

Eu acho que uma coisa não atrapalha a outra. Adoro internet, adoro ouvir histórias, elas me transportam para um lugar que internet não transporta. Mas também a internet me transporta para lugares que as histórias não levam.

Acho que o problema na verdade é essa cultura burguesa do espaço individual, do núcleo familiar, dos condomínios; é ela que fecha possibilidades dos encontros, da construção narrativa coletiva. Temos que estimular mais os encontros. Se a gente deixa isso, fica triste, morre, definha.

(fotos: Grupo Tapetes Contadores de Histórias [1, 5]; Marconio Hernandes [2]; Lorena Vieira [3]; Celso Pereira [4])

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22 de agosto de 2009

Gado Pé-Duro vira patrimônio cultural do Piauí

Presente em toda a história do Estado do Piauí, desde os primeiros dias de sua colonização até hoje, o gado Pé-Duro agora é patrimônio cultural do Piauí.

No dia 20 de julho deste ano, o governador do Piauí assinou o Decreto nº 13.765, que reconhece a relevância do gado Pé-Duro para a cultura do Estado. Como consequência, o Estado do Piauí passa a desenvolver políticas públicas de preservação e valorização do animal e do universo de atividades e saberes diretamente ligados a ele.

Esta é a primeira vez - pelo menos até onde este Blog conseguiu apurar - que uma espécie animal é registrada como patrimônio cultural.

- Embora esta seja uma medida estadual, já estamos conversando com o IPHAN [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, responsável pelo registro de patrimônio imaterial no país] para que ele crie novas categorias que abarquem situações como a do Pé-Duro. Já existem categorias para o registro de ofícios, modos de expressão, lugares, mas não tem uma que trabalhe isso. É uma nova fronteira - afirma Patrícia Mendes, coordenadora de Registro e Conservação do Estado do Piauí.

O Pé-Duro é o primeiro animal a ser reconhecido como patrimônio cultural

O Pé-Duro é o primeiro animal a ser reconhecido como patrimônio cultural

Essa “novidade” também pegou de surpresa o Conselho Estadual de Cultura, instância que delibera se algo será ou não reconhecido como patrimônio cultural do Piauí.

- Foi um impasse. O Conselho ficou dividido meio a meio. Mas também é uma coisa muito nova, não estava no cotidiano dos registros de patrimônio. Mas agora virou da dúvida para a certeza. Todo mundo está querendo - relata Mendes.

Fruto do cruzamento de várias raças no começo da colonização brasileira, o Pé-Duro é considerado uma das raças mais antigas do país. Foi a raça que melhor se adaptou ao ambiente hostil e tórrido da caatinga, onde via de regra, as pastagens de baixa qualidade, imperam a seca e o calor.

Dócil, acompanhou colonos e posseiros durante toda a formação do que posteriormente viria a ser o Estado do Piauí, inclusive durante o ciclo do gado, quando o Estado era o maior produtor nacional de carne.

Porém, como a maioria das raças bovinas brasileiras naturalizadas, passou a ser substituída por outras matrizes genéticas, que prometiam maior rentabilidade.

O Pé-Duro e o vaqueiro fazem parte do universo cultural ligado à caatinga

O Pé-Duro e o vaqueiro fazem parte do universo cultural ligado à caatinga

Hoje, o gado Pé-Duro sobrevive no Estado basicamente pelo esforço do núcleo de preservação da Fazenda Experimental Octávio Domingues, pertencente à Embrapa, na região de São João do Piauí, e da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro, que reúne 32 membros com um rebanho de mais de mil cabeças.

Em processo de extinção, o gado Pé-Duro deixa gradativamente de ser uma referência cultural no Piauí. “Nas obras de vários artistas aqui do Estado não tem o gado Pé-Duro, e sim o Boi Zebu. Mas era o gado Pé-Duro que acompanhava o tempo todo os nossos vaqueiros”, conta Patrícia Mendes.

O registro como patrimônio cultural do Estado vai fazer não apenas criar mecanismos de proteção para o animal, como também estimular pesquisa na área e gerar incentivos fiscais para os criadores.

- É a nossa identidade cultural. A nossa população tem que se ver um pouquinho, se apropriar daquilo que é seu. E isso ainda está faltando aqui. Afinal, cultura é isso: é tudo que a gente produz ao longo do tempo. De geração para geração. O vaqueiro, a vida do produtor, as casas de fazenda, toda a relação das pessoas com o animal [Pé-Duro]. Tudo isso faz parte da nossa cultura - ensina a coordenadora de Registro e Conservação do Piauí.

(fotos: Patrícia Mendes/ Coordenação de Registro e Conservação/ FUNDAC)

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Contra energia nuclear, pessoas simulam estar mortas no asfalto

Tags:, , , - iurirubim às 7:00

Nas cidades de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente às 10h deste sábado, o promove uma GreenpeaceFlashmob - mobilização relâmpago - na qual as pessoas vão deitar no asfalto e fingir estar mortas.

O objetivo da mobilização é protestar contra a parceria entre França e Brasil na área de energia nuclear.

O evento, que ganhou o apelido “flash mob die in”, por conta da morte coletiva simbólica, é reconhecido pela própria organização como “o primeiro flash mob do Greenpeace no Brasil”.

Pelo visto, parece ser uma nova forma de protesto a ser usada pela organização internacional para defender as causas ambientais.

Moda em todo o mundo, a flashmob se baseia na mobilização coletiva, aparentemente casual e espontânea. Nos tempos de “febre”, muitos cruzamentos, espaços públicos e até lojas de departamento eram invadidas por dezenas ou mesmo centenas de pessoas com atitudes coreografadas.

Quantas pessoas deitam no asfalto hoje? Você vai?

Pontos de encontro:
São Paulo - Lado de fora da estação do METRÔ BRIGADEIRO
Rio de Janeiro - Lado de fora da estação do metrô da Carioca (Av. Chile)
Salvador - Na frente do Colégio Sartre Coc da Graça

(foto: reprodução)

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21 de agosto de 2009

BA: Escritor de apenas 10 anos lança segundo livro

O pequeno Gabriel Francisco Maciel é um brasileiro diferente. Aos 10 anos, lê cinco livros por mês, mais do que a média de leitura dos outros brazucas em um ano (4,7 livros/ano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro). “Eu não resisto a um livro”, diz Gabriel.

Mas a surpresa não para por aí não. Hoje, às 14h, Gabriel lança o seu segundo livro (!) na biblioteca Juracy Magalhães Jr., no bairro do Rio Vermelho (Salvador).

Nada mais apropriado, na visão deste blog, que o título da obra: O Pequeno Grande Herói.

O livro conta a história de Pedro, Juca e Juliana, irmãos que moram numa casa habitada por fantasmas. Mostra a união entre os irmãos e a coragem que será necessária para viverem esta aventura. “Gosto de livros de ação”, conta o autor.

Gabriel tem um currículo invejável. Aos quatro anos, já dominava a arte da leitura e da escrita; aos seis, ganha um concurso de poesia da rede Municipal de ensino. Com oito, lança seu primeiro livro, Histórias do Folclore, na Biblioteca Monteiro Lobato. No mesmo ano recebe a medalha Nosso Talento da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.

Um prodígio educado com os melhores e mais caros professores disponíveis? Que nada! Gabriel mora em Mussurunga I, bairro popular de Salvador, e cursa a 6ª série no Colégio Estadual Pinto de Aguiar. Para editar seu último livro, a mãe, Dona Clara, teve que tomar um empréstimo no banco.

- Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção, afirma o autor.

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo no banco

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo

Pergunto a Gabriel se espera vender todas as 500 cópias disponíveis no lançamento (a R$ 10,00 cada), até para poderem pagar o empréstimo. Sereno, o jovem autor responde:

- Se não vender tudo, vamos para o Campo Grande (praça no centro de Salvador) ou para a praia vender o resto. Já fizemos isso o outro [Histórias do Folclore] - diz.

Como toda criança de 10 anos, Gabriel Francisco Maciel não dá respostas longas e nem encumprida o papo. É pá-puff. Leia abaixo a íntegra da entrevista com o surpreendente autor-mirim.

Gabriel, quando você decidiu escrever um livro?

Eu sempre gostei de ler. Aí um dia me deu vontade de escrever o meu próprio livro.

Quantas páginas ele tem? E o anterior?

Histórias do Folclore tem 42 e o esse (O Pequeno Grande Herói) tem 42.

E o que os seus colegas de escola acham disso?

Os garotos de lá não acreditam. Me mãe levou o convite outro dia, mas ninguém liga não.

E que tipo de livros você gosta de ler?

Harry Potter, livros de ação, Hugo, o Homem…

E qual livro você está lendo agora?

Estava lendo Harry Potter e a Ordem da Fênix, mas já acabei.

Você tem ideia de quantos livros você lê por mês? Uns dois?

Devo ler uns cinco por mês. Acho que é isso.

Uau! Você sabia que essa quantidade é bem superior, muito mesmo, à média dos brasileiros?

É, o povo não se interessa pela cultura.

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Como você faz com os livros? Compra, pega emprestado, vai a uma biblioteca…

Normalmente eu compro. Não gosto de pedir coisas emprestado. Mas já usei biblioteca sim. Eu não resisto a um livro.

E você qual é o primeiro livro que você consegue lembrar ter lido?

Hummm (consulta a mãe), é foi esse mesmo: Bazar do Folclore, de Ricardo Azevedo. Eu li quando tinha cinco anos. Tenho até hoje. É um livro muito bom.

Você escreve no papel ou no computador? Quanto tempo levou para escrever O Pequeno Grande Herói?

Escrevo direto no computador. Acho que levei um mês para fazer o livro. Mas demorou demais assim foi mesmo para editar.

E como você faz para editar esses livros? Alguém financia?

Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção. Aí ela teve que pegar um empréstimo no Banco.

São quantas cópias?

São quinhentas cópias.

Acha que vai vender todas no lançamento?

Se não vender, eu e minha mãe vamos para a Praça do Campe Grande ou para a praia vender. Já fizemos isso com o outro.

E você já está planejamento escrever outro?

Não, ainda não pensei em nenhum assunto.

(fotos: ASCOM/ Fundação Pedro Calmon)

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20 de agosto de 2009

Concurso premia contos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros

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Estão abertas as inscrições para o Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Literatura, iniciativa que vai escolher contos de temática LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) a serem publicados em uma antologia.

O Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Literatura existe desde 2004. Esta é uma edição especial, dedicada ao universo LGBT, simbolizado pela figura do escritor e ganhador do reality show Big Brother Brasil, Jean Wyllys.

Organizado pelo próprio Valdeck Almeida, o concurso tem inscrição gratuita, que deve ser feita até o dia 30 de novembro. Podem participar contistas com obras já publicadas ou não, desde que a obra enviada seja inédita (veja o regulamento).

Cada autor pode inscrever apenas um conto, que deve ser enviado para o e-mail valdeck2007@gmail.com.

Obviamente, serão desclassificados quaisquer contos que tenham algum tipo de discriminação, homofobia, racismo, preconceito ou menosprezo aos homossexuais.

Os doze melhores contos deverão ser editados em antologia organizada pelo escritor Valdeck Almeida de Jesus, sem ônus para os participantes. Cada autor publicado receberá um exemplar do livro pelos correios.

A edição poderá ser lançada nas bienais internacionais do livro da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, nos primeiros três anos seguintes à publicação.

Além de organizar Prêmios, o próprio Valdeck Almeida já participou de vários concursos e recebeu, em 2008, pela sua “obra literária sobre poesia homoerótica e pela contribuição que vem prestando ao Movimento Homossexual Brasileiro”, o Prêmio Luiz Mott de Cidadania, promovido pelo GLICH - Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual.

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