BA: Soundsystem mobiliza mutirão de artistas na periferia de Salvador
Junte alguns DJs, MCs e muitas caixas de som. Acrescente uma multidão dançando em volta e você terá um genuíno soundsystem.
Os soundsystems (sistemas de som) são muito populares na Jamaica, uma verdadeira paixão nacional da pátria do reggae. Surgida nos anos 50, a cultura dos soundsystems é
uma das mais sólidas tradições jamaicanas, por onde passa boa parte da cultura popular daquele país.
Se depender do pessoal do ministereopublico - Sistema Perambulante de Som também serão populares em breve na Bahia.
Formado em 2004, o ministereopublico vem, ao longo dos anos, ocupando ruas, praças, bairros e casas noturnas da capital baiana, com o intuito de popularizar e fortalecer a cultura de soundsystem no Estado.
Único soundsystem de Salvador especializado em reggae, dub, ragga, dancehall e jungle, o Ministereopublico também começa a fazer uma pequena revolução nas periferias de Salvador.
É o Multirão Mete Mão, evento itinerante que percorre os bairros da periferia soteropolitana, mobilizando artistas locais, grafiteiros, estudantes, músicos, líderes comunitários, professores, e, é claro, os “anfitriões-moradores”.
Realizado em conjunto com o grupo de graffiti 071 Crew, o Multirão Mete Mão é inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas de Recife e do Rio de Janeiro.
O diálogo com o público flui principalmente fez através do graffiti e da ambientação sonora baseada na música jamaicana, cultura que têm forte influência no som produzido na Bahia.
No Mutirão, entretanto, tem de tudo. Malabares, grupos de percussão, b-boys, palhaço, pintura, teatro infantil. O limite do Multirão é a criatividade da comunidade onde estiver ancorado.
O evento, que acaba de ocorrer em comunidade de Nova Brasilia (Estrada Velha do aeroporto), é mensal. O bairro é selecionado de acordo com a carência de oportunidades de lazer e entretenimento. E o que é mais bacana: geralmente é uma solicitação da própria comunidade.
O Blog das Ruas fez uma entrevista com Murilo F, produtor do Ministereopublico, na qual ele conta um pouco da história do Multirão. Veja o que ele tem a dizer:
Quando e como surgiu a ideia de promover multirões para a juventude das periferias? Qual é o objetivo principal da atividade?
MutirãoMeteMão acontece em Salvador no ano 2007, inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas do Rio de janeiro e Recife. O projeto tem como um dos objetivos centrais a utilização da música e do grafitti para estimular o potencial criativo dos participantes, abrindo um novo canal de comunicação.
A proposta também é promover o intercâmbio entre artistas e comunidades carentes de atividades culturais, dialogando com o público através do graffitti e de um sistema de som nos moldes jamaicanos.
Realizado 14 vezes entre 2007 e 2008 - no Bairro da Paz, Saramandaia, Massaranduba, Itinga, Garcia, Boca do Rio, Federação, Bate Facho, Vasco da Gama, Pituaçu, Castelo Branco e São Lázaro e nas cidades de Feira de Santana e Cachoeira - BA. Nesse ano o Mutirao ja aconteceu em Nova Brasilia e Estrada Velha do Aeroporto.
E por que Mutirão Mete Mão?
Junto a esta belíssima iniciativa da parceria entre ministereopublico, 071Crew e a comunidade agregamos ao projeto uma diversidade de profissionais liberais e não liberais em prol de um objetivo: promover a realização do evento em que todos possam colaborar em algum aspecto interessante a comunidade sem receber dinheiro, por isso ‘mutirão mete mão’.
Existe alguma estrutura ou programação fixa para o desenrolar do evento?
O projeto MutirãoMeteMão, é um evento itinerante mensal que busca percorrer nos bairros e praças de Salvador que necessitem de atividade cultural.
Como vocês decidem quais bairros serão visitados? Existe alguma regularidade para as visitas?
O que leva essa atividade a um determinado bairro é basicamente a carência de lazer e entretenimento e geralmente é uma solicitação da própria comunidade. Não existe um calendário fixo.
E qual é a reação das à chegada de vocês? Há algum tipo de preparação para receber o evento?
Eles já são previamente informados durante a semana que antecede a data de realização do que acontecerá em sua comunidade. Mas o primeiro contato que é o inicio do projeto: chegada ao local, montagem dos equipamentos faz com que surja a curiosidade das pessoas , no segundo contato quando começamos a tocar e o grafitti já está pintado existe o despertar e o terceiro contato a satisfação.
Sempre conversamos com a comunidade junto com os grafiteiros explicando e informando sobre o que realizamos, antes de começarmos a ação.
Como o passar do tempo, o que foi sendo modificado nos mutirões?
Estamos mais organizados, conseguimos alcançar uma maturidade que facilita a desenvoltura e realização do projeto. A quantidade de pessoas que gostariam de trabalhar na realização aumentou. A satisfação das comunidades sempre é positiva.
E, principalmente, que não poderemos parar este projeto tão cedo, pois ainda há muitos bairros a serem visitados e pretendemos disseminar nossa linguagem musical e artística.
Vocês afirmam que a diversidade é uma característica do evento. Ele é aberto a outros gêneros artísticos fora do universo do hip hop e da música eletrônica?
Dentro de suas varias edições nós já tivemos a presença de malabares de luzes e fogo, teatro infantil, oficina de criação de brinquedos infantis, grupo de percussão, grupo de dança, b-boys, workshop sobre técnicas de dj e grafitti, recital de poesias, performance corporal… Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada.
Nessa linha, como líderes comunitários, estudantes, professores, formadores de opinião contribuem para o mutirão?
Eles entram como facilitadores, despertando o interesse dos moradores trazendo-os mais próximos da atividade, para que participem da ação e não permaneçam apenas como espectadores. Funcionam também como nossos maiores veículos de comunicação, pois, além da internet é no “boca a boca” que conseguimos mobilizar a todos, nada melhor do que realizar um evento com vontade, organizado e divulgá-lo.
Que tipo de impacto vocês acreditam ter nas comunidades?
O projeto visa popularizar a cultura urbana, difundindo a linguagem artística através do trabalho da equipe. Dessa forma, as comunidades passam a ter contato com expressões artísticas e por um reflorescimento intelectual levando os jovens a uma reflexão crítica sobre a sua identidade e riqueza cultural, contribuindo para marcar traços na identidade local, ainda que em menor grau e muito mais no imaginário popular, como expressão de uma cultura.
Quando esse impacto é mais concreto?
O fator que mais nos deixa feliz é que quando acabamos e temos que desmontar o equipamento. Vemos ali o quanto conseguimos trazer de satisfação tanto pra gente como pra comunidade. Nunca foi diferente.




A matéria conseguiu expressar nosso sonho: MUTIRAOMETEMAO.
Parabéns
SORTE SEMPRE!!!!!!!!
Murilo F
Comentário por Murilo F — 4 de agosto de 2009 @ 7:40
+cultura, arte, esporte e lazer… pra todos
Comentário por Andre Debeauvais — 4 de agosto de 2009 @ 9:42
cultura das soundsystems crescendo pelo Brasil,,,
legal a matéria!
Big up!
Comentário por Jimmy — 4 de agosto de 2009 @ 12:34
beleza pura!
Comentário por goli — 4 de agosto de 2009 @ 13:46
beleza
Comentário por goli — 4 de agosto de 2009 @ 13:51