BA: Caminhada para orixá das doenças reforça sincretismo em Salvador
Há 11 anos, a Caminhada Azoany reúne o povo de santo no dia da festa católica de São Roque. Todo ano, os adeptos da religião africana percorrem os seis quilômetros que separam o Pelourinho, no centro de Salvador, e a Igreja de São Lázaro, no bairro da Federação.Além do sincretismo com São Roque, Azoany é uma das denominações jeje para o Orixá Obaluaê, divindade do candomblé ligada às doenças e à cura.
- Vestidos de Branco, sejam elas de roupas de baianas, camisas confeccionadas para a Caminhada ou roupas escolhidas a dedo para o evento, com balaios de pipocas na cabeça, ramos e buquês de flores (para colocarem na Igreja), embalados ao som dos atabaques e agogôs (afoxé), percorrem o Pelourinho em direção ao Campo Grande adentrando as ruas que levam ao Bairro da Federação até a Igreja de São Lázaro, onde todos os participantes entendem como comprida naquele ano a sua reverencia as entidades religiosas - conta Albino Apolinário, 45, organizador da caminhada e Ogã de Nanã.
Embora a Caminhada Azoany seja uma atividade específica do povo de santo, todos reconhecem a importância do sincretismo para a atividade. “É um Encontro muito bonito, quando a procissão católica está saindo e o candomblé está chegando. Tudo na mesma igreja (São Lázaro)”, diz Apolinário.
- O sincretismo nasce quando os escravos eram obrigados a cultuar os santos Igreja Católica. Eles cuidavam do altar do santo e, embaixo, faziam assentamento para Ogum e outros orixás. A Lavagem do Bomfim nasce do pessoal do candomblé que ia para a Igreja fazer oferendas a Oxalá. O sincretismo teve como resultado a tolerância entre as duas religiões - acrescenta o organizador da caminhada.
Este ano, a Caminhada Azoany foi precedida por debates sobre a religiosidade afro-brasileira, realizados nos dias 13 e 14, na Casa do Benin.
No domingo (16), Dia de São Roque, a jornada começa com uma missa em favor da caminhada na Igreja do Carmo (Pelourinho), sede provisória da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em reforma, a Igreja do Rosário dos Pretos não pode acolher a cerimônia como de costume.
Em seguida, os integrantes preparam a caminhada com oferendas e uma concentração na Praça do Reggae, também no Pelourinho. Às 13 horas, embalado pelo afoxé Korin Efan, o cortejo sai em direção à Igreja de São Lázaro.
“Participam da caminhada pessoas de todas as idades. Desde o meu filho de três anos até o seu Martins, de 77 anos, que foi o criador da atividae”, diz Apolinário.
Primeiro a fazer o percurso, há 44 anos, seu Martins, morador antigo do pelourinho, pagava uma obrigação religiosa. Desde então, não houve um ano em que deixasse de cumprir o ritual.
O evento mudou de nome quando passou a ser organizada pela Associação Comunitária Alzira do Conforto, em 1998. Ganhou o nome atual por conta de uma conversa entre os organizadores e a Yalorixá Mãe, que apresentou-lhes as diversas denominações para o Orixá das Doenças.
- Este ato passou a ser realizado de maneira contínua e no último ano teve a participação de duas mil pessoas de todas as classes e epidermes - afirma, espirituoso, Albino Apolinário.
(fotos: Associação Comunitária Alzira do Conforto/ Divulgação)




Fico muito triste em ler uma noticia desta,em pleno século 21 em
uma cidade como a nossa que graças a Deus estar se erguendo da
derrota,ver mulheres e homens pelas ruas profetizando e chamando
o mal para toda cidade.Onde estar escrito que satanas tem bençâos
para alguem?Nós temos é que fazer caminhada em pró de receber
vitórias e bençâos da parte de DEUS, nâo sair por ai invocando o
diabo e profetizando para nós e familia a maldiçâo.Ao meu ver estes
homens deveriam estar trabalhando e providenciando o sustento
da familia,e estas mulheres fazendo algo de bom para si mesmas e
familia,DEUS ESTAR AS PORTAS DEVEMOS NOS PREPERAR PARA
SUA VOLTA QUE ESTAR PERTO.
Comentário por edivaldosantosilva — 17 de agosto de 2009 @ 10:18
Sr. Edivaldo,
Eu fico igualmente triste quando leio em pleno século XXI um comentário impregnado de idéias preconceituosas como as suas. O Brasil, e sobretudo a Bahia, tem um grande número de negros e mulatos e fico feliz de saber que a religiosidade oriunda de seus antepassados africanos, embora tenham sofrido inúmeras perseguições provenientes de concepções eurocêntricas, ainda consiga se fazer presente de modo vigoroso como nessa procissão pra Obaluaê.
Confesso que quando eu era criança, assim como você, acreditava que práticas como as da umbanda, as do kardecismo e as do candomblé eram coisas do diabo, mas logo que cheguei à adolescência tive uma mudança de visão diante do mundo. Indico a você que leia mais (não me refiro somente à bíblia), talvez você consiga ter uma compreensão mais abrangente das coisas.
Respeite e não julgue a diferença, aliás você como um cristão, que se diz conhecedor da bíblia, deveria saber que não se deve julgar.
Comentário por Rafael — 18 de agosto de 2009 @ 18:57
Edivaldo, a gente tem que perdoar vc. por vc se prestar a portador da voz da intolerância, da ignorância e da ganância. Sim, é a ganância que volta o verbo as outras religiões, temendo perder o dízimo que constrói impérios, os quais vc. nem vislimbra sequer.
Um dia, vc. certamente, ao procurar o condomblé será acolhido. Por hora, fique sendo boi de piranha dos eternos ‘perfeitos-honestos’ bispos da sua congregação. Axé Edi!
Comentário por Sônia — 18 de agosto de 2009 @ 20:37
Edivaldo, realmente lamentável que o senhor em pleno seculo XXI tenha um discurso tão intolerante e não saiba o significado de liberdade religiosa. Em nome de Deus pessoas como o senhor matam, constroem guerras, morrem…O Deus no qual o senhor acredita e professa difere do DEUS justo e tolerante no qual outras pessoas acreditam. A sua “verdade” é uma verdade equivocada, preconceituosa…quem sabe um dia o senhor evolua…
Comentário por Claudia — 23 de agosto de 2009 @ 23:02