MG: Festejo do Tambor Mineiro reverencia religiosidade negra
Já virou tradição: todo ano, a Associação Cultural Tambor Mineiro fecha dois quarteirões da Rua Ituiutaba (bairro Prado, na região oeste de Belo Horizonte) para reunir Guardas de Congado e outras expressões da musicalidade afro-mineira.Hoje, a partir das 10h, o espetáculo se repete.
Em sua sétima edição, o Festejo do Tambor Mineiro une artistas e grupos de Minas Gerais a dez Guardas de Congado.
Entre as atrações da programação, Sérgio Pererê, Moçambique Velho Africano, Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário, Guarda Vilão Santa Efigênia, Guarda de Caboclo São Jorge e Mauricio Tizumba.
- Essa manifestação da negritude congadeira normalmente fica lá no seu terreiro, na sua região. Já aqui [no Festejo], aparecem negros e não-negros. É a melhor forma de fazer as pessoas se conhecerem, se respeitarem e acreditarem uns nos outros. Esse vínculo faz as pessoas passarem a conviver melhor - afirma o artista Maurício Tizumba, idealizador da festa.
De fato, ao longo de sua existência, o Festejo do Tambor Mineiro vem apresentando as Guardas de Congado e outras manifestações da cultura negra mineira - como Moçambiques e Caboclos - que tradicionalmente ocorrem na periferia de Belo Horizonte para o público da classe média da cidade.
- O que a gente faz lá é um dia. Na periferia, a festa não para. O congado tem novena, acontece em uma semana. Esse contato desperta a curiosidade das pessoas e algumas delas passam a acompanhar as manifestações também na periferia - explica Elias Gibran, coordenador de produção do evento.
A festa dura cerca de 10 horas, das 10h às 20h. Pela manhã, apresentam-se as manifestações de base religiosa, como os grupos de Congado; à tarde, os artistas, a parte “profana” do espetáculo. “O interessante é que, a cada ano, as guardas de congado ficam para ver os profanos e vice-versa”, diz Gibran.
A religiosidade é sempre presente no Festejo do Tambor Mineiro, que também é uma celebração aos santos negros, em especial a Nossa Senhora do Rosário. “A Santa aceitou os negros como eles são. Com muita fé, cantamos e dançamos para cultuar e reverenciar a divindade”, conta Pedrina Lourdes dos Santos, capitã da Guarda Nossa Senhora das Mercês de Oliveira.
Extremamente religioso, o criador do evento também enfatiza o aspecto espiritual do evento: “Eu sempre ando com o rosário no pescoço. É maior que as pedras do caminho, mais forte que uma flecha certeira”, diz.
O acesso ao Festejo do Tambor Mineiro é feito mediante 1kg de alimentos não-perecíveis, a ser doado para as Guardas de Congado. “O alimento é para ajudar as Guardas a realizarem as festas na periferia ao longo do ano”, explica Gibran.
(fotos: Leonardo Lara/ Festejo do Tambor Mineiro)



