Terra Magazine

29 de setembro de 2009

SP: “Dom Quixote” é encenado em duas línguas, por 15 grupos de teatro de 10 países latinos

Um Dom Quixote como nunca se viu antes. Nesta quinta-feira, dia 1º de outubro, às 20h, o Sesc Pompéia (São Paulo) recebe a montagem mais diferente já realizada a partir da obra clássica de Miguel de Cervantes.

Quinze grupos de teatro de 10 países da América Latina e Caribe apresentam o espetáculo em conjunto, mobilizando mais de 100 profissionais, entre técnicos e atores.

O texto que une essa verdadeira babel latina é a peça “El Quijote”, do colombiano Santiago García, de 80 anos - 43 deles à frente do Grupo Teatro La Candelaria.

A montagem no Brasil, que mantém a grafia original em espanhol, tem como diretor de cena César Badillo Perez, ator vinculado ao Teatro La Candelaria e que há exatamente uma década interpreta o papel-título de Quixote na montagem colombiana de Santiago García.

“Ele manja até o pensamento do Quixote. Sabe a hora que o Quixote peida”, brinca Adriano Mauriz, ator do Instituto Pombas Urbanas, que administra o Centro Cultural Arte em Construção.

Esse Quixote é ou não é um tanto gaúcho?

Esse Quixote é ou não é um tanto gaúcho?

A montagem pode ser vista gratuitamente no Centro Cultural Arte em Construção, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo (ensaio aberto no dia 30/9 e apresentação dia 3/10) e no Sesc Pompéia, nos dias 1º e 2 de outubro (sendo que no dia 2/10 a sessão é fechada para o II Congresso de Cultura Iberoamericana).

Desde o dia 15 de setembro, os grupos teatrais participam de uma residência artística no Centro Cultural Arte em Construção. Durante esse período, tentam dar uma unidade aos 12 quadros da montagem, que ensaiam em separado há quatro meses.

Os grupos que participam do espetáculo são: La Comedia de Campana (Argentina), Teatro Trono e Compa (Bolívia), Pombas Urbanas/SP e Entrou por uma Porta/RJ (Brasil), Coletivo Teatral Antu (Chile), Teatro Tespys Corporación Cultural (Colômbia), Teatro Andante e Teatro de Los Elementos (Cuba), Tiempos Nuevos Teatro (El Salvador), Caja Lúdica (Guatemala), Compañía Teatral Carlos Ancira (México) e Vichama Teatro (Peru).

- No primeiro dia fiquei com dor de cabeça com 100 pessoas falando em espanhol. Agora, quando eu ando no metrô, ouço português, mas acho que estão falando em espanhol. Tem hora que preciso ligar a tecla SAP. Mas a gente até um lema: “minha pátria é o teatro”. O teatro nos une. No palco a gente se entende completamente - conta Adriano Mauriz.

As imagens mostram toda a diversidade da proposta

As imagens mostram toda a diversidade da proposta

A interculturalidade explícita da proposta - algumas cenas são faladas em português e espanhol - resulta em reinterpretações completamente originais da obra de Cervantes.

Um grupo peruano, por exemplo, transforma o encontro do cavaleiro da triste figura com o mago Merlin no encontro com um xamã - “um senhor que usa folhinhas de coca e aguardente para fazer adivinhações”, explicao ator do Pombas Urbanas.

Já um coletivo da Guatemala introduz no texto a lenda de uma rainha maia no lugar de uma outra história contada a Quixote (”mas essa é a única mudança de texto; o resto respeita o original de Santiago García”, alerta Mauriz). Assim, a história do cavaleiro andante que enfrenta moinhos de vento acaba ganhando as cores vibrantes da América Latina.

- O Dom Quixote é um cara que acredita num sonho. Como nós - resume Adriano Mauriz.

Rede Latino-americana de Teatro em Comunidade

O sonho a que se refere Mauriz é, entre outras coisas, a criação da Rede Latino-americana de Teatro em Comunidade, elemento que motivou a reunião de tantos grupos teatrais na periferia da capital paulista capital paulista.

- Tem vários caras que vêm fazendo a mesma coisa na América Latina e estão se encontrando para fazer a rede. É muita tecnologia. Tem gente que trabalha onde havia minas de carvão; em favelas; tem um pessoal que acabou de sair de uma guerra e por aí vai. A gente se encontrou por se reconhecer um no outro - explica Adriano Mauriz.

Os atores do Pombas Urbanas são representantes brasileiros na Rede

Os atores do Pombas Urbanas são representantes brasileiros na Rede

Jorge Bladón, diretor da Corporación Cultural Nuestra Gente, de Medellín (Colômbia), explica que o diferencial da nova rede a ter como foco um tipo de teatro com raízes num no território, que envolve a comunidade onde se localiza.

- Nesse encontro, estamos discutindo o conceito de comunidade. Porque, claro, para o conceito de teatro não há discussão. Temos que democratizar o acesso ao teatro e possibilitar que as pessoas sintam a arte como um direito cultural seu - comenta.

Bladón destaca a importância deste tipo de iniciativa para que as comunidades nos diversos países reconheçam o sentimento de pertença, o valor da memória e da identificação com suas raízes culturais.

- O grupo Catalinas Sur, da Argentina, faz o que chamam de “teatro de vecinos [vizinhos]” e realizam espetáculos com 60, 100 pessoas, com todo mundo que mora no bairro - completa Adriano Mauriz.

Segundo ambos os artistas, a Rede Latino-americana de Teatro em Comunidade vai permitir o intercâmbio de tecnologias desses grupos que compartilham esse mesmo ideal, de transformação social e envolvimento da população aliados à qualidade estética da linguagem cênica.

- Podemos multiplicar as boas experiências que algumas têm em outros países, como a política de pontos de cultura, que começa a ser discutida no Parlamento Mercosul e deverá ter incidência em toda América Latina - diz Jorge Bladón.

O colombiano lembra ainda que a rede será um espaço de formação e trocas interculturais para os atores e diretores e beneficiará também as comunidades, normalmente pouco observadas por seus respectivos governos.

- Vamos a uma padaria e nos perguntam o que estamos fazendo aqui. Ao mesmo tempo em, que nos embolamos com língua para responder, temos a capacidade de encontrar nos olhos deles as palavras corretas. Esse intercâmbio é um ato de amor - declara-se Bladón.

(fotos: Instituto Pombas Urbanas/ Divulgação)

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28 de setembro de 2009

BA: Mãe de Santo até hoje tenta reaver prejuízos de terreiro demolido por prefeitura

Ialorixá busca ressarcimento por danos causados com demolição. Caso completa um ano e sete meses sem mostras de ser resolvido. “Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morreu”, diz a mãe de santo.

Desde a demolição parcial do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, localizado no bairro do Imbuí (Salvador), em 27 de fevereiro de 2008, a rotina de Roselice Santos do Amor Divino, a Mãe Rosa, passou a incluir audiências e visitas constantes à Prefeitura de Salvador.

Na próxima quarta-feira (30/09), comparece a uma audiência no setor de meio ambiente do Ministério Público. São tantas que a própria mãe de santo tem dificuldades para determinar com clareza os seus objetivos.

- Olhe, meu filho, é tanta audiência que a gente nem sabe mais direito para que é. Acho que é para eu ter uma garantia que não vão tentar demolir o terreiro de novo - conta a ialorixá.

Na lista de audiências, Mãe Rosa também aguarda o julgamento do recurso da ação que move contra Kátia Carmelo, ex-superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município de Salvador, que ordenou à época a demolição do terreiro.

O judiciário deu ganho de causa a Carmelo em primeira instância. “O Juiz entendeu que ela estava certa”, comenta Mãe Rosa, com algum rancor na voz. Paradoxalmente, ainda no ano passado a ex-superintendente chegou a receber uma honraria da cidade de Salvador, a Comenda Maria Quitéria.

- Eu não desejo que ela vá presa. Quero que ela seja punida, me dando de volta tudo o que ela destruiu - comenta Mãe Rosa sobre a ação contra Kátia Carmelo.

A peregrinação pelas diversas instâncias judiciais não se compara, no entanto, com a dificuldade que a Ialorixá tem para negociar o ressarcimento dos prejuízos causados ao terreiro.

O Blog das Ruas já havia feito uma matéria sobre a situação do terreiro Oyá Onipó Neto em 16 de setembro do ano passado. Na época, a mãe de santo foi diagnosticada de depressão porque a prefeitura tinha apenas reparado as paredes do local, sem recuperar nada do patrimônio destruído, como estátuas e roupas dos orixás e vários outros instrumentos utilizados nos rituais. “Só mexeram na casca”, dizia a Ialorixá.

Desde então, as negociações nada avançaram e a municipalidade não aportou mais nada, apesar dos esforços da mãe de santo.

- De promessa, se vive o santo. O prefeito prometeu: “vou ajeitar”, ele disse. Dali pra cá, vi a cara do prefeito naquele dia [cinco de março de 2008, quando o povo de santo fez uma passeata até a prefeitura]. Depois, não vi mais - fala, indignada.

Mãe Rosa conta que, inclusive, a Secretaria Municipal de Reparação, órgão com o qual negocia a reposição dos bens do terreiro, chegou a perder toda a sua documentação.

- Meus documentos sumiram na Secretaria de Reparação. Deram fim. Mas como tenho tudo no Ministério Público, fui até lá e peguei a lista novamente e levei para o novo secretário.

Apesar de ter conseguido uma audiência com o secretário municipal, não conseguiu convencê-lo a repor o patrimônio destruído.

- Ele disse que tem coisa que não poderia dar. Mas eu respondi: “Essa é a minha cultura. Se destruiu tem que recuperar desse jeito”. Não pedi nada, só o que já tinha aqui - afirma Mãe Rosa.

Do secretário Ailton dos Santos Ferreira, ouviu a promessa de uma audiência em breve com o prefeito João Henrique Carneiro. “Ele disse que entraria em contato comigo e nada. Toda vez que eu ligo, ele [o secretário] nunca está”, reclama.

Sem perspectiva de solução para o terreiro e com a questão encaminhando-se para o segundo aniversário, Mãe Rosa desaba:

- Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morre. Eu tenho que recomeçar tudo de novo.

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25 de setembro de 2009

PE: Olinda recebe festival de “frevo para damas”

Hoje e amanhã Olinda (PE) estará entregue ao frevo no 2º Festival de Orquestras de Pau e Corda para Blocos Líricos de Pernambuco. Mas não aquele frevo agitado, de sombrinhas na mão, que conhecemos. Nesses dois dias, a charmosa cidade histórica é envolvida na sonoridade de um frevo romântico, saudosista, feito para “boas moças”.  

Gratuito, o Festival acontece na Praça do Fortim (Carmo), a partir das 19h e reúne as melhores orquestras dos principais blocos líricos de frevo de Olinda, Paulista e Recife.

Os blocos líricos de frevo são compostos por cordas (daí o nome orquestras de pau e corda): bandolins, violões, cavaquinhos e violino. Há cerca de 40 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.

Marcos Barbosa, o maestro do Bloco Flor da Lira - organização responsável pelo Festival - explica que no início do século XX não era “bem visto” que as damas participassem das festas de carnaval.

Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo os blocos líricos, com canções com cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. Por isso, a música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, romântico, bem diferente do frenético frevo-de-rua conhecido em todo país.

Na Praça do Fortim, portanto, serão executadas canções clássicas de frevo lírico como “Madeira de lei que cupim não rói”, “Evocações”, “Sabe lá o que é isso”, “Flabelo das ilusões”, “Vem Dudu”. Confira a programação.

Durante os Festival, as orquestras tocam quatro de suas principais canções e são homenageadas com medalhas. Cada comenda tem o nome de um compositor, carnavalesco ou carnavalesca que contribuiu ou contribui para o engrandecimento do frevo. São eles: os compositores Benício Neves, Luiz Wanderley, Cândido Maximiano, Teodomiro Pereira, Romero Amorim, Joel Andrade, Getúlio Cavalcante e Fred Monteiro. Também dão nome às medalhas as carnavalescas Laura Nigro e Maria da Piedade.

Dos blocos que participam do Festival o mais antigo é o Banhistas do Pina, nascido em 3 de fevereiro de 1932, hoje com 77 anos. Já o mais jovem é o Menestréis do Paulista, fundado em 13 de dezembro de 2003, com seis anos.

(fotos: Ádria de Souza/Pref.Olinda [1,3]; reprodução [2])

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24 de setembro de 2009

MG: Objetos comuns viram personagens de teatro em festival

Imagine assistir a uma peça de teatro em que os personagens principais são com torneiras, regadores, peneiras ou tampinhas de refrigerante.

Absurdo? Nem tanto. E para provar que não, começa hoje e vai até o dia 27, na Serraria Souza Pinto (Belo Horizonte), o I Festival Internacional de Teatro de Objetos - FITO 2009.

Um tanto diferente e inusitado, o teatro de objetos é, ainda, um segmento quase inexistente no Brasil. Em países como França, Alemanha, Estados Unidos, Hungria, Espanha e Itália, entretanto, o teatro de objetos já é bastante difundido.

Nele, busca-se dar alma a objetos em princípio vazios de vida e expressão, tornando-os grandes personagens do espetáculo.

Segundo a curadora do Festival, a chilena Sandra Vargas, do grupo Sobrevento (São Paulo), nesse tipo de teatro, o ator é um narrador e não o artista principal da trama.

As possibilidades são tão extensas quanto inteligentes. Tudo depende da imaginação dos artistas e da sua capacidade em “convencer” o público da “vitalidade” dos objetos em cena, sejam eles um sapato ou pedaços de ferro retorcidos.

os primeiros registros do teatro de objetos como gênero distinto dos demais são do início dos anos de 1970, quando três companhias francesas se reuniram para a criação do espetáculo Pequenos Suicídios.

Todas as companhias que participam do FITO 2009 atuam especificamente com esta modalidade e não apenas com inserções de objetos.

Está é a primeira vez que o Brasil recebe um festival exclusivamente de teatro de objetos. Até agora, quando algum espetáculo desse segmento aparecia, ou estava dentro de uma programação de teatro tradicional ou de teatro de bonecos.

Gratuito, o Festival leva a Belo Horizonte 12 espetáculos e nove companhias: Trecos e Cacarecos, Truks e Teatro de La Plaza (Brasil); Fernan Cardama (Argentina), La Chana Teatro (Espanha), La Voce Delle Cose (Itália) e La Balestra (França). Confira a programação.

Os espetáculos começam a ser apresentados a partir das 16h. Na chegada, o público será recebido por uma banda de música, seguida de desfile de diversos objetos gigantes, como mouse de computador, par de tênis, isqueiro, camiseta, entre outros.

(fotos: FITO 2009/ divulgação)

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22 de setembro de 2009

Estacionamentos viram “vagas vivas” no Dia Mundial Sem Carro

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro. O dia 22 de setembro é reconhecido internacionalmente como a data em que pessoas de todo o planeta se esforçam para deixar seus veículos em casa e deslocar-se apenas usando transportes públicos ou não-motorizados.

Mais que produzir uma redução significativa nas emissões de carbono, a data tem um objetivo didático: provar que é possível utilizar bem menos os automóveis, reduzindo os engarrafamentos, a poluição e as emissões de carbono e - por quê não? - o nosso stress do dia-a-dia.

Criado nos últimos anos do século passado em várias cidades européias, o Dia Mundial Sem Carro cruzou fronteiras e oceanos, tornando-se um evento realizado em dezenas (centenas, talvez?) de cidades de todos os cinco continentes.

No Brasil, várias organizações, como a Nossa São Paulo, Fundação SOS Mata Atlântica, Bicicletada (acontece uma edição especial para a data), Moutain Bike BH, apenas para citar algumas, têm atividades agendadas.

Como não poderia deixar de ser, o Greenpeace também preparou uma ação especial para o Dia Mundial Sem Carro. Em oito capitais brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Recife - vagas de estacionamento na rua são ocupadas por pessoas e transformadas em “vagas vivas”.

Barracas de camping, distribuição de sementes e mudas e até almofadas para leitura ocupam as oito vagas Rua da França (bairro do Comércio), em Salvador. Essas são algumas das vagas mais disputas da capital baiana no horário comercial.

- Essa manifestação não está lá para provocar atitude violenta, agressiva, mas queremos mostrar que as pessoas têm condição de transitar a pé, andar de bicicleta, de ônibus. Tem muita gente na região que poderia não usar o carro - argumenta Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, que foi à capital baiana organizar a manifestação.

Os cerca de dez voluntários da ONG no local vão apresentar o Dia Mundial Sem Carro a motoristas e pedestres e tentar engajá-los no movimento. O mesmo formato se repete nas outras capitais.

O que você vai fazer no dia mundial sem carro?

O Blog das Ruas aproveitou para perguntar a diversas pessoas o que elas vão fazer no Dia Mundial Sem Carro. Caso interesse, este blogueiro vai resolver seus aferes a pé, de busão (como é chamado o ônibus aqui em Salvador) e de carona.

Liliane Reis, apresentadora do programa Atitude.com (TV Brasil):
“Yes, babe! nós e espero boa parte do mundo! vou de bike, mas tb de metro pra driblar o engarrafamento do rio q é punk!”

Mariana Neri, webdesigner:
“Eu vou andar de ônibus, como todo dia :B”

Cecília Sardemberg, pesquisadora e professora universitária:
“Eu não tenho carro há muito tempo. Sai muito mais barato andar de taxi…”

Sérgio Britto, músico e fotógrafo:
“Hehehehe, dia mundial sem carro? Isso é todo dia pra mim. Vejamos, nesse dia eu vou pegar ônibus, depois não diga que eu não sou engajado”

Sílvio César Tudela, jornalista:
“Eu nunca tive carro e vou a pé- ou de bike - para o meu trabalho… O que seria uma tragédia para os dias atuais, pode ser uma solução em tempos de aquecimento global…”

Tiago Bugarin, programador:
“Morador de Itapoã e trabalhador do Pelourinho, tenho apenas um ônibus até a Praça da Sé, um até o Campo Grande e um até a Lapa. Ir de bicicleta não é uma possibilidade agora tanto pelo despreparo físico quanto pelas dificuldade de acomodar o veículo no trabalho como também pela insegurança para os ciclistas em alguns trechos do trajeto.

Ir de carro não é uma possibilidade pelo custo elevado do combustível e pelo estresse que é dirigir nessa cidade, principalmente para quem tem que passar pelo Centro, Rio Vermelho, Pituba, Paralela e/ou Iguatemi.

Portanto, pra mim, o Dia Mundial Sem Carro será só mais um dia frustrante de tráfego pela cidade, com poucos ônibus que me atendam, caros e desconfortáveis. (e os motoristas dos mini-ônibus? insanos!)”

Depoimentos de fora do país

Também recebi depoimentos de outras duas brasileiras, que vivem em Buenos Aires e Montreal, respectivamente:

Clarice Val (Buenos Aires):
“Muito legal esse tema, vou lhe dizer que tenho o privilégio de viver em uma cidade na qual carro é totalmente dispensável, pois o transporte público funciona, isso é incrível.

Em Buenos Aires você pode se dar o luxo de não ter carro se viver na capital, pois há metrô conectando a cidade toda, trens urbanos que realmente funcionam, além do bom e velho busu (sem cobrador, aqui), que serve bastante bem à população, melhor inclusive que em muitas capitais da Europa. segundo quem já viajou e observou.

Você acredita que um ônibus de madrugada demora 20 minutos pra passar, se muito? Eu disse de madrugada, depois da meia-noite. E durante o dia é comum ver pessoas engravatadas usando transporte coletivo, coisa bastante pouco comum no Brasil.

Enfim, mais que um dia mundial, a dispensa do uso do carro depende, e muito, do serviço de transporte coletivo nas grandes metrópoles, e das cidades estarem preparadas para o uso de bicicletas, coisa que a maioria não está. Nossa lógica continua sendo pretrolífera, e é preciso escassez do óleo preto para que isso mude, pelo visto! Mas é bom mudar antes, pois senão dentro de pouco teremos que viver em barcos, hehe”.

Camila Novais (Montreal):
“A prefeitura aqui de Montreal, no Canadá, também adere à data. Algumas ruas da cidade (posso garantir pelo menos uma relativamente importante no centro da cidade) vão ficar bloqueadas. Tô bem por fora dessa data (se é algo com a participação das prefeituras ou um movimento individual de cada cidadão), mas achei bem legal a cidade aderir”

E você, o que você vai fazer no Dia Mundial Sem Carro?

(imagens:crédito: imagem Blógol [1]; Até onde deu para ir de bicicleta [2]; Blog Ecologia Urbana [3])

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21 de setembro de 2009

Conte uma história que mudou o mundo!

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O Museu da Pessoa lança hoje (21/9) uma campanha muito bacana: Histórias que Mudam o Mundo.

A ideia, simples e contundente, é filmar, em um minuto, histórias de mudanças - grandes ou pequenas - que fazem do mundo um lugar melhor. E que muitas vezes estão à nossa volta, mas nós, ocupados demais com o cotidiano, não percebemos.

O mineiro Tião Rocha, do CPCD, é uma das pessoas cuja história mudou o mundo

O mineiro Tião Rocha, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), mudou o mundo

“Para participar, você só precisa de uma câmera na mão e de uma boa história”, diz a organização. Além de enviar vídeos, os internautas podem votar em suas histórias favoritas pelo portal do Museu da Pessoa.

- Nosso objetivo é mobilizar pessoas de todo o Brasil a registrarem, em vídeos de um minuto, os mais variados tipos de mudanças que podem acontecer nas vidas das pessoas e a partir das quais podemos transformar nosso olhar sobre o mundo. Vale qualquer mudança, das mais cotidianas às mais extraordinárias atitudes transformadoras - diz o texto que apresenta a campanha.

Em maio do anão passado, o Blog das Ruas fez uma matéria sobre o Museu da Pessoa e o seu trabalho de registro de histórias de vida.

Que tal agora ser você a contar uma história que mudou o mundo?

(foto: Museu da Pessoa)

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20 de setembro de 2009

50 mil caminham contra intolerância religiosa no RJ

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Mais de 50 mil pessoas são esperadas hoje na II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa Eu Tenho Fé! No Rio de Janeiro. O cortejo sai às 10h, do Posto 6, em Copacabana, rumo ao Leme.

Esta é a segunda edição do evento, que tenta alertar para a escalada da intolerância religiosa no Rio de Janeiro. Atualmente, um pastor e um fiel de uma igreja evangélica encontram-se presos por ataques a terreiros de religiões de matriz africana.

Organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, a Caminhada conta com o apoio de diversas entidades e a presença de membros dos mais diferentes credos.

Entre outros, já confirmaram presença Sérgio Niskier, presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro; Athaylon Belo (Frei Tatá), da Pastoral do Negrosato; Abdullahi Sanin Aleiso, líder da Irmandade dos Crioulos Africanos Muçulmanos Malês;

Dos Estados Unidos e especialmente para o evento, vem ao Rio o pastor Jeremiah Wright (aquele que casou Obama e batizou suas filhas). Da Nigéria, vem o Arabá de Ilê Ifé - o mais alto sacerdote da tradição yorubá.

São esperadas delegações estrangeiras, vindas de Nigéria, Angola, Congo, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de caravanas originadas de 23 estados do Brasil, o que significa cerca de 150 ônibus vindos de fora do Rio de Janeiro.

A expectativa de público para a Caminhada oscila bastante: os números variam entre 50 e 100 mil participantes. Certo mesmo é que será bem maior do que a primeira, em 2008, cujo público estimado variou entre 10 e 30 mil manifestantes.

A Caminhada conta ainda com a participação dos grupos de música afro Olodum e Ilê Ayiê, que vão de Salvador para o Rio com recursos próprios. Um CD gravado com canções religiosas confirma a diversidade do evento: nele religiosos cantam o hit evangélico “Faz um milagre em mim” traduzido para o yorubá.

Em declaração ao site sidneyrezende.com, o Neguinho da Beija-Flor - presença confirmadíssima na Caminhada - sintetiza o espírito da manifestação: “Peço a quem puder ir, de qualquer raça ou credo, que vá. Não podemos deixar que o Rio se transforme no Oriente Médio”.

(foto: Walter Mesquita/ Viva Favela)

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19 de setembro de 2009

“Não sei se existe evento como a Virada Esportiva no Planeta”, diz Secretário de Esportes de SP

Começou a Virada Esportiva. Das 10h de hoje às 20h deste domingo (20/09), ginásios, ruas, parques e praças da cidade de São Paulo vão estar tomados por esportistas regulares, de final de semana e até mesmo baladeiros.

A expectativa da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que organiza o evento, é de que 2,5 milhões de pessoas participem da Virada 2009, que terá duas mil atividades em mais de mil locais. Confira a programação.

O Blog das Ruas entrevistou o secretário de esportes Walter Feldman, idealizador da Virada Esportiva, que desde 2007 acontece na capital paulista.

Praticamente assíduo de esportes, o secretário publica em seu blog pessoal o roteiro que irá seguir  durante a Virada Esportiva, que classifica como um evento espórtivo único no mundo.

- É um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes - afirma.

Na esteira da Virada Esportiva, encontra-se a intenção de “transformar São Paulo na capital brasileira do esporte”.

Segundo Feldman, a capital paulista faz do esporte hoje uma política pública prioritária. “É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor”, destaca.

O Secretáriod e Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O Secretário de Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O secretário relata a mudança de perfil da secretaria, cujas atividades, na sua opinião, se reduziam a “eventos e apoio ao futebol profissional”.

- Agora a Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade - argumenta Walter Feldman.

O secretário também não se esquiva em falar da dívida que a capital paulista tem com a construção de ciclovias e facilitação do transporte através de meios não-motorizados.

- São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

Secretário Feldman, para começar, quais esportes o senhor pratica?

Gosto muito de corrida de rua. Também faço ginástica, musculação, alongamento; atividades aeróbicas. Jogo futebol, ando de bicicleta. Agora mesmo no final de semana passado, dei duas pedaladas.

Mas estou procurando um esporte que seja mais competitivo. Talvez faça squash. Eu tenho um jeito brincalhão, o lado menino muito forte, de onde tem esporte eu quero participar.

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

Foi o senhor que idealizou a iniciativa da Virada Esportiva, em 2007. Qual é o principal ganho que ela pode trazer?

Existem dois objetivos estratégicos por trás da Virada: tornar a capital paulista uma cidade saudável e transformar São Paulo na capital brasileira do esporte.

A Virada Esportiva é um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes.

O problema é que nós fomos culturalmente treinados a gostar apenas de futebol. E o pior: sabemos hoje que o futebol é muito mais assistido do que praticado.

Mas não é meio estranho propor uma “virada” para os esportes, cuja realização depende também de noites bem dormidas?

Nós não estamos propondo isso todas as noites. A Virada é um choque de atividades esportivas para, a partir daí, a pessoa programar atividades regulares duas ou três vezes na semana.

Também existe outro dado. São Paulo é uma cidade 24h. Temos iluminado muitos campos e percebemos que existe um espaço de tempo do trabalhador que pode ser aproveitado para atividades que não sejam chegar em casa e ver TV. Eles fazem um uso extraordinário desses equipamentos.

Agora a Virada também tem algumas atividades que não são exatamente saudáveis, como os “esportes boêmios”…

De fato, elas são muito pouco saudáveis, assim, praticadas no bar. Mas você tem também tem que entrar na característica da cidade. Não pode ser cara chato, pregando a atividade esportiva. Tem que ser meio: “olha, se você não quer, terá uma opção de atividade coletiva também”. E tem o aspecto de emoção, convivência, da relação que é você ir para a rua com seu vizinho, com um companheiro. Quando se vive para fora a vida comunitária acontece.

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Existem alguns estudos que comprovam que jogos de cartas, por exemplo, contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Por causa da convivência. São os chamados “esportes mentais”. Veja o truco hoje. É uma febre no mundo universitário.

Mudando um pouco de direção, me parece que as políticas para o esporte são sempre episódicas e pouco ousadas. Quais são as políticas ousadas de São Paulo para os Esportes?

São Paulo faz do esporte hoje uma política pública prioritária. É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor. Fizemos reformas de 320 equipamentos esportivos na cidade. Criamos o programa social clube-escola. Estamos realizando os Jogos da Cidade, o maior campeonato amador do Brasil. Só para você ver, o site que acompanha o evento já teve 21 milhões de acesso.

Na verdade, a Secretaria de Esportes deixou de apenas promover eventos e apoiar o futebol profissional. Embora seja um evento, a Virada está conectada com toda uma política esportiva.

São Paulo hoje faz do esporte uma política pública prioritária. A Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade.

Também vamos implantar uma rede de esportes olímpicos para que existam triagens e parte desse universo caminhe para o esporte alto rendimento.

Ainda assim, o senhor não acha que, mesmo levando em conta a recente implantação da ciclofaixa de lazer, a cidade de São Paulo ainda deve muito para quem deseja usar bicicleta e outros meios de deslocamento não-poluentes, como patins?

São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Mas isso está mudando. O Serra já autorizou a implantação de ciclovias na marginal pinheiros. A prefeitura também está construindo mais ciclovias. Lançamos recentemente a ciclofaixa, que une os Parques os Parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo Ibirapuera e o Parque do Povo. Política maior. Daqui a um ano, já teremos 100 km de ciclofaixas.

Além disso, a nossa ideia é que domingo é o dia das pessoas. No domingo, elas vão para rua, se apropriam dos espaços públicos e usam o fim de semana para se renovar para enfrentar o tempo do trabalho.

(fotos: Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo [1;3;4]; Dibjr [2])

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18 de setembro de 2009

MG: Festival de Jazz faz tributo a Billie Holiday nos 50 anos de sua morte

Tags:, , , , - iurirubim às 12:36

Começa esta noite a oitava edição do Festival Tudo É Jazz de Ouro Preto (MG). Quem estiver lá até o dia 20 de setembro, tem a chance de ver estrelas do jazz internacional tocando com, ao fundo, a primeira cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO (em 1980).

Todos os shows do Festival são gratuitos e acontecem ao ar livre, no tradicional Largo do Rosário. Serão 11 apresentações em três dias, com a participação de cerca de 70 músicos. Na programação, nomes como Madeleine Peyroux, revelações como a cantora e guitarrista Kate Schutt, e veteranos, a exemplo do guitarrista Bucky Pizzarelli.

O Brasil também está representado no festival pela cantora Mart’Nália, que se junta a Peyroux e a Lady Day All-Star Band - composta por 6 músicos de peso do cenário jazzístico internacional - no Tributo a Billie Holiday, realizado no dia 19 de setembro, com direção musical de Oded Lev-Ari.

O evento também integra as atividades do Ano da França no Brasil, comemorado no último dia de festival com a apresentação de um quarteto de ex-alunos da Escola de Marciac e da Paris Jazz Big Band, a maior da França.

Setecentos dólares na coxa

Tida como a maior cantora de jazz de todos os tempos, Billie Holiday morreu no dia 17 de julho de 1959. Apesar da fama, sucumbiu ao álcool e às drogas.

Morreu pobre, de overdose, num hospital público, com 700 dólares - todo dinheiro que tinha - colados com esparadrapo na coxa.

O apelido “Lady Day” foi-lhe dado pelo saxofonista Lester Young, com quem tocou por muito tempo.

(foto: William P. Gottlieb/Ira and Leonore S. Gershwin Fund Collection, Music Division, Library of Congress)

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AL: Família transforma casa em biblioteca infantil

Imagine uma casa em que todos os cômodos, menos os quartos, são tomados por livros e brinquedos. Uma casa com duas cozinhas, a primeira delas ocupada por uma biblioteca; a outra, por uma brinquedoteca. A sala de jantar e a garagem são usadas como salas de estudos. A sala de visitas, como pinacoteca.

Essa casa existe e fica na periferia de Arapiraca, em Alagoas. “Hoje, para os seus dez moradores, a casa “tradicional” se resume só os quartos, por enquanto”, diz Maria das Neves da Silva, servidora pública municipal e mãe de Clarinha Gonçalves (acima, na foto principal), a maior responsável pela “redecoração” dos ambientes.

Foi por causa da paixão de Clarinha pelos livros que a família começou, até meio sem saber o que estava fazendo, o projeto de transformar a casa numa biblioteca infantil.

- Com cinco meses, ela já dedicava uma atenção especial aos livros. Pouco antes de completar quatro anos, pegava os livros e “lia” pausadamente, como se já fosse alfabetizada. Isso fez com que o pai, a avó e outros membros da família começassem a dar livros de presente - relembra Maria das Neves.

Clarinha adora a casa "diferente". Seus coleguinhas também!

Clarinha adora a casa "diferente". Seus coleguinhas também!

Os livros continuaram chegando e o quarto de Clarinha ficou pequeno. Os presentes foram parar na antiga cozinha da casa e foi assim que nasceu a “Tequinha”, como a família de Clara carinhosamente chama a bibliotequinha da menina.

- É como se eu tivesse duas filhas gêmeas, a Clara e a “Tequinha”. Aqui na cidade não se tem muito lazer. A diversão são os bares e clubes. Não quero isso para minha filha - afirma Maria das Neves.

Daí em diante, a “filha mais nova” da senhora Neves só fez crescer e ocupar mais espaços na casa. Ao ponto da cozinha nova nunca ser inaugurada e virar a brinquedoteca. Atualmente, a família usa a cozinha da tia de Clara, na casa vizinha.

As atividades da biblioteca tomam todos os espaços da casa. Até o jardim.

As atividades da biblioteca tomam todos os espaços da casa. Até o jardim.

Inaugurada há dois anos, a biblioteca serviu também para facilitar a interação de Clara com os amiguinhos.

- Os coleguinhas dela vinham aqui em casa para brincar e, quando chegavam, Clara estava lendo. ‘Volte depois’, eu dizia. Uma amiguinha dela dizia que ‘a Clara só quer brincar de escola’ (risos). O pior é que quando os coleguinhas voltavam ela ainda estava lendo! Então resolvemos pedir para eles entrarem e começarem a ler também - conta a mãe de Clara.

Hoje com 10 anos, a pequena Clara adora a “casa diferente” que tem. Lê cerca de 20 livros por mês. Gosta muito da Coleção do Querido Diário Otário (12 edições) e dos gibis da Turma da Mônica.

- A minha casa é muito legal, assim diferente. Gosto muito da biblioteca e da brinquedoteca. Meus amigos também. Eles não lêem tanto quanto eu, mas também gostam de ler e de vir aqui - conta Clarinha.

Antes de ser inaugurada, a nova cozinha da casa tornou-se uma brinquedoteca

Antes de ser inaugurada, a nova cozinha da casa tornou-se uma brinquedoteca

Atualmente, a casa de Clarinha é aberta à visitação pública, inclusive de escolas da cidade. As visitas de escolas duram em geral uma hora.

- Temos que dar acesso, democratizar o livro. A gente libera tudo: o corredor, o jardim. Queremos que a Tequinha seja um lugar sedutor e aconchegante para criança ler. A gente sabe que a criança quando é estimular desde cedo pode se tornar leitora. E, se deixar, elas ficam o dia todo lá! - afirma Maria das Neves.

Antes de terminar a conversa, Maria das Neves me faz uma última confidência: “Ainda quero fazer uma Cinemateca, será que cabe?”.

(fotos: Acervo Tequinha)

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