Conselho de Cultura da Bahia considera “assustadora” demolição da Fonte Nova para a Copa
O Conselho Estadual de Cultura da Bahia divulgou na quarta-feira passada - último dia do prazo estipulado pelo governo baiano para consultas sobre o projeto de Salvador de sediar a copa do mundo de 2014 - um documento manifestando preocupação com a forma como vêm sido conduzidos os preparativos para a realização da Copa do Mundo em Salvador.
O documento, aprovado por unanimidade entre os conselheiros, considera “assustadora” a demolição do estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova - citado no documento como “marco da história esportiva e do modernismo arquitetônico na Bahia e no Brasil”.
O mesmo adjetivo é usado quando o documento refere-se à recusa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Bahia (IPAC) em instaurar processo de tombamento do monumento, solicitado em conjunto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade federal da Bahia, pelo departamento baiano do Instituto dos Arquitetos do Brasil e pela ONG Docomomo, em abril de 2008. Ao pedido, foi agregado um abaixo-assinado de mais de uma centena de esportistas e intelectuais baianos.
Segundo o texto divulgado no dia 09, a decisão sobre o tombamento ou não é, por atribuição legal, do próprio Conselho de Cultura e não caberia ao IPAC decidir se instaura ou não o processo.
Segundo o Conselho de Cultura da Bahia, há relatórios técnicos de empresas e da Universidade Federal da Bahia, que atestam a viabilidade da recuperação da estrutura do estádio atual, bem como sua adaptação às exigências da FIFA, ao custo de 20% do valor proposto para a demolição e construção de um novo estádio.
O Conselho de Cultura da Bahia também questiona a retirada do parque esportivo atualmente existente no estádio (piscinas, o ginásio “Balbininho”, pistas de atletismo) em troca de uma “arena de luxo mono-esportiva”. Como contrapartida, o Governo do Estado está propondo a construção de piscinas próximas ao estádio de pituaçu, onde a nesta semana jogou a seleção brasileira.
Ainda no documento, o Conselho de Cultura reclama a ausência de referências ao patrimônio cultural material e imaterial de Salvador no projeto do Governo do Estado, bem como da estratégia urbana e urbanística que irá guiar os investimentos públicos e privados na preparação da cidade para a copa do mundo.
“Entender a Copa do Mundo no Brasil para além de 2014 significa colocar nossa cidade e nossas culturas no cenário das nações, concebendo-a como possibilidade efetiva de transformação das condições de vida coletiva na cidade, garantindo espaço público vivo, inclusivo e cidadão”, conclui o documento.
(foto: reprodução)

Assino embaixo do documento do Conselho.
Cabe à sociedade defender as suas conquistas históricas, simbólicas, materiais e imateriais. A idéia de implosão da Fonte Nova produz um ar assustador.
O governo deveria debater com a sociedade e ouvir as soluções acumuladas pela história do urbanismo baiano.
Comentário por Josias Pires — 11 de setembro de 2009 @ 23:11
Acho uma tremenda bobagem.
O projeto original do Estádio Otávio Manabeira foi totalmente desfigurado quando da ampliação que incorporou o anel superior.
Hoje o conceito moderno é de arena multi-uso. Salvador deveria se mirar em Londres que implodiu o seu centenário estádio Wembley, palco de uma final de Copa do Mundo, e construiu uma moderna Arena.
A Bahia e Salvador , vai acabar virando um museu de obras abandonadas, vide Aeroclube, Colégio Maristas, novo hotel Hilton e agora a Fonte Nova.
A turma do contra que ganhar mais uma no grito.
Osvado Campos
Comentário por Osvaldo — 12 de setembro de 2009 @ 7:07
No mundo inteiro se demole estádios para construção de novas praças esportivas mais modernas, mais seguras e mais confortáveis. Por que aqui a gente tem que ficar com um elefante branco desse tamanho, ocupando uma área enorme da cidade?
Do jeito que vai vamos precisar de uma segunda cidade pra viver, por que nessa ninguém pode demolir nada. Na Bahia se você ficar parado por duas horas numa esquina já é considerado patrimônio histórico-cultural da humanidade.
Comentário por Sérgio Brito — 12 de setembro de 2009 @ 10:22
Nâo só a fonte nova deve ser tombada… A estação da lapa, Iguatemi e outros simbolos da nova velha Bahia também… Creio que esse tombamento já ocorreu em hospitais bahianos, pois há anos não sofrem modernização, e assim como o “pelô” tambem não têm obras de manutenção. Pelo amor de Deus minha Bahia - Acorda!!! Olha para frente, cobre dos nossos governantes debates de questões importantes que vão se reverter em melhoria para população, até porque o futebol de nossos times é digno de campos de várzea.
Comentário por alf — 12 de setembro de 2009 @ 22:37
Já andaram falando por aqui em por o Maracanã abaixo e erguer outro estádio. A ideia não me parece simpática (a mesma lógica pode ser aplicada à Fonte Nova), ainda mais porque existe toda uma afetividade da população com os lugares. Torço para que se resolva a questão do estádio Octávio Mangabeira da melhor forma. Mantendo-o de pé, inclusive.
Comentário por Vicente Magno — 14 de setembro de 2009 @ 15:36