BA: Festival “apresenta” o teatro a centenas de pessoas no subúrbio
“Olha eu vou fazer um chute ‘quase certo’: 80% dessas pessoas estão vindo ao teatro pela primeira vez”. A declaração acima é do ator e produtor Jorge Ravinny, responsável pela coordenação geral do I Festival de Teatro do Subúrbio.
Acontecimento cultural inédito no Subúrbio Ferroviário de Salvador, o Festival de Teatro começou no dia 11 e vai até o próximo domingo (20/9).
Com mais de 750 mil habitantes, o Subúrbio Ferroviário é uma das regiões mais populosas da capital baiana. È também uma das mais pobres e menos assistidas por equipamentos e políticas culturais.
“Esse teatro que estamos usando para o Festival, o Centro Cultural de Plataforma, ficou fechado por 19 anos! Toda uma geração daqui do bairro que hoje tem 19, 20 anos nunca viu teatro”, explica Jorge Ravinny.
Para participar da programação cultural onde ela geralmente ocorre, na zona central da cidade, os habitantes do Subúrbio têm que gastar um dinheiro extra - que muitas vezes não existe - com locomoção. Além disso, têm que enfrentar a violência urbana na volta para casa, o que frequentemente desestimula essa opção de lazer.
Pronto. Está desenhado o quadro que devemos ter em mente ao encarar a declaração do coordenador geral na abertura deste post. Será possível sequer dimensionar o impacto que conhecer uma arte como o teatro pode ter na vida de tantas pessoas?
Felizmente, o Festival é um sucesso. “Na abertura tivemos gente do lado de fora, ontem tivemos gente do lado de fora, as pessoas querem participar, querem assistir. Basta que as coisas aconteçam”, argumenta Ravinny.
São 10 dias, 12 espetáculos, 12 grupos (quatro convidados e os outros do próprio Subúrbio) e mais 300 artistas envolvidos, além de 40 horas de oficinas artísticas na programação.
O esgotamento das sessões iniciais e o burburinho que o evento está causando já autorizam a organização a confirmar a expectativa de mobilizar quatro mil pessoas para assistir as montagens, espetáculos de rua, palestras e oficinas.
- É o que a gente quer: que o festival seja um marco na história da produção cultural local. Queremos que haja um “antes” e um “depois” do Festival de Teatro do Subúrbio - diz, sem muita modéstia, o coordenador do evento.
Teatro Negro
O I Festival de Teatro do Subúrbio também chama atenção pelo tema escolhido para perpassar todas as suas atividades: o teatro negro.
Menciono, durante a entrevista com Jorge Ravinny, que este poderia ser um tema polêmico. “Não é não. Por quê falar de negro é um tema polêmico?”, questiona o artista.
Para ele, “teatro negro” é o teatro que tematiza as questões do povo negro e pode, sim, ser feito também por pessoas brancas. “Desde que não fale mal do negro, porque aí vai ser um teatro racista. O negro construiu o Brasil. Trabalhou e trabalha muito por esse país”, afirma.
O Festival de Teatro, portanto, além de apresentar a arte teatral à população suburbana, faz um convite para que ela discuta a sua própria negritude, constantemente negada ou esquecida.
- Quer provocar na uma reação população que muitas vezes não se auto-identifica como negra. O evento quer falar das pessoas que moram no subúrbio e 90% delas são negros. A gente quer falar dessa população, Senão não adianta nada, não tem sentido. Sou negro, tenho mãe negra, pai negro e participo de um grupo de teatro negro. Então considero minha obrigação valorizar a cultura negra e cuidar da minha população - afirma, taxativo, Jorge Ravinny.
(fotos: divulgação [1]; Márcio Lima [2]; Camila Souza [3]; Alberto Lima [4])




Sem dúvidas nós do suburbio nos sentimos valorizados quando um evento desse porte acontece e esta ao nosso alcançe, concerteza vou pretigiar e levar meu filho, pois não quero que ele conheça o que é O TEATRO aod 30 como eu.
Comentário por Osana — 15 de setembro de 2009 @ 10:45
Sou moradora do subúrbio de Salvador, no bairro de Pirajá e conheço o trabalho fantástico dos organizadores desse festival. É mágico levar cultura e arte para pessoas que muitas vezes têm acesso pela primeira vez a espetáculos. É mágico ver o brilho nos olhos! É o que nos move e motiva a continuar essa luta, revertendo um processo histórico de discriminação das comunidades suburbanas, formadas por negros, em sua maioria. Rai Trindade - jornalista.
Comentário por Rai Trindade — 15 de setembro de 2009 @ 11:00
Nota 10!
Comentário por maria lucia — 15 de setembro de 2009 @ 11:02
PARABENS PELA INICIATIVA DE VOCES… SE EU PUDESSE ESTARIA AI PARA PRESTIGIA-LOS PESSOALMENTE… O BRASIL PRECISA DE PESSOAS ASSIM COMO VOCES PARA LEVAR ALEGRIA E AO MESMO TEMPO REALIDADE A NOSSA SOCIEDADE BRASILEIRA. PARABENS MAIS UMA VEZ PELA CRIATIVIDADE DE TODOS .
Comentário por WAGNER FERREIRA DA COSTA — 15 de setembro de 2009 @ 11:19
Que legal isso aí. Pena que aqui em São Paulo não tem. Viva a Bahia!!!!
Comentário por Rui — 15 de setembro de 2009 @ 11:49