
A artesã Dagmar Oliveira e a panela da super-moqueca
Para ficar pronto no horário, o prato terá que começar a ser preparado ainda na véspera. Brincadeiras, música e sorteios de brindes animarão a manhã das crianças até o esperado momento.
Parte da quarta edição do Festival Gastronômico da Costa do Descobrimento, este verdadeiro banquete será registrado para entrar no livro dos recordes.
- Como não havia qualquer registro anterior de uma moqueca com essas dimensões, vamos filmar tudo e enviar os registros para o Guiness em busca da certificação. No ano que vem, quando pretendemos fazer uma ainda maior, com 100 kg só de peixe, é possível que eles venham aqui e nós passemos a integrar o livro – diz Sérgio Augusto de Morais, proprietário da Congrega Bahia, empresa que organiza o evento.
Dona Dagmar e seus potes gigantes
Com uma boca de quase um metro e meio de diâmetro e 50 centímetros de altura, a panela da maior moqueca do mundo foi encomendada à artesã Dagmar Muniz Ferreira, especialista em produtos de barro com dimensões superlativas.
Há mais de 30 anos à frente da Cerâmica 14 Irmãos, Dona Dagmar costuma fazer potes que alcançam 2 metros e meio e esculturas que giram em torno dos dois metros.

Os potes gigantes de D. Dagmar
- Aqui na minha propriedade, vc acha de tudo: tijolo para construção, telha, piso. Tijolo para churrasqueira. Aqui na minha cerâmica, eu vendo de tudo. Toda peça de barro, estátua, bicho – conta a artesã.
Cada vez que vai fazer uma peça nova, lá vai Dona Dagmar para cima dos bancos que usa como escada.

Na entrada da cerâmica, os famosos potes
As encomendas, como a panela da moqueca, acompanham os moldes “king-size” da cerâmica. Há algum tempo, pediram para D. Dagmar fazer uma torre de pizza.
- Eu disse para ele “olha, eu posso até fazer torta, mas a torre foi feita certa, o terreno é que cedeu um pouco”. Acabei fazendo torta mesmo... É difícil entortar, mas quando pedem a gente tem que fazer, né? O vaso mais diferente que tenho é um vaso torto. Eu tenho um aqui que é todo torto feito um coqueiro – conta Dona Dagmar.
- E de onde veio o interesse por fazer peças desse tamanho?
- O primeiro vaso grande que fiz, de 2 metros e meio, foi um grande desafio. Jânio Natal [ex-prefeito de Belmonte] fez na praça o maior gaiamun do mundo. Aí resolvi fazer o maior pote. E gostei!

O contestado guaiamun de Belmonte: inspiração
As peças produzidas na cerâmica são tão grandes que é preciso que o filho dela e mais sete homens carreguem os objetos numa rede para o forno – Dona Dagmar trabalha com o modelo antigo de forno na cerâmica, de grade com tijolos.
Antiga também é a forma de fazer as peças, sem o uso do torno. “Tudo aqui é feito na mão mesmo”, diz. Conta que ela e as três filhas que a acompanham na cerâmica aprenderam tudo que sabem sozinhas, “metendo a mão na argila”.

D. Dagmar vende "miniatura" a cliente
- Aprendi sozinha e Deus. Deus dá o dom à pessoa – afirma.
Em frente à sua cerâmica, um dos vasos gigantes conta a história de Dona Dagmar, mulher corajosa que teve 19 filhos, dos quais 14 “vingaram”. Daí o nome “Cerâmica 14 Irmãos”.
Nascida em Una e hoje com 68 anos, Dagmar teve o primeiro filho com 13. Para escapar da discriminação social da época, conseguiu “com uns políticos” que alterassem a sua identidade, fazendo com que virasse, num estalar de dedos, “de maior”. Assim, Dona Dagmar viveu 68 anos, mas para o mundo, tem 73.
- Mas lá no meu pote eu coloco a minha idade certinha – diz.

O pote conta a história de D. Dagmar
O “vaso” de D. Dagmar é um pote enorme - 2,45m de altura e 3,40m de circunferência - que fica na frente da Cerâmica 14 Irmãos, em que está escrita toda a história da artesã. Como tudo que ela produz, uma grande história!
Fotos: Blog das Ruas (2 a 6); Divulgação/ Festival Gastronômico da Costa do Descobrimento (1).
criado por Iuri Rubim