A capoeira, manifestação cultural que se legitimou como um dos principais símbolos da nossa cultura, está, neste momento, sendo oficialmente reconhecida como patrimônio cultural do Brasil.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em sua 57ª. Reunião, aprecia o pedido de registro da capoeira agora, no Palácio Rio Branco, em Salvador.
A proposta prevê o registro da Roda de Capoeira, caracterizada como elemento estruturador e fundamental dessa manifestação, no Livro das Formas de Expressão. Inclui, também, a inscrição do Ofício dos Mestres de Capoeira no Livro de Saberes.
A roda e os mestres são os elementos mais básicos da capoeira – sem eles, não há manifestação. São também os elementos mais complexos: a roda carrega o simbolismo, é onde a capoeira se realiza, expõe toda a diversidade da manifestação. Os mestres são aqueles que adotam a capoeira como uma filosofia de vida. Consagram a capoeira e a transmitem.
Luta, dança, esporte – essas são apenas algumas das faces desse nosso patrimônio cultural cuja história, ainda enevoada, remonta à escravidão dos negros africanos e suas religiões, à vida nos portos brasileiros do século XIX, à resistência à repressão.
O registro da capoeira como patrimônio cultural demandou uma extensa pesquisa documental e de campo. Foi realizado um mapeamento completo de todos os estudos, filmes e livros já produzidos sobre o tema. Foram dois anos de trabalho (2009 e 2007), envolvendo pesquisadores do Rio de Janeiro, de Salvador e do Recife.
Dentre as muitas descobertas dos pesquisadores, está o questionamento da origem da capoeira. Todo brasileiro “aprende na escola” que a capoeira surgiu nas senzalas – seriam lutas aprendidas com os ancestrais africanos e usadas como forma de defesa pelos escravos.
Bem, a tal pulga na orelha dos pesquisadores é que eles não encontraram nenhum registro que confirme essa história. Nada que ligasse as primeiras aparições da capoeira ao campo ou aos quilombos. Ao contrário, encontraram referências relacionando a manifestação às cidades portuárias.
Embora estejamos reconhecendo o valor da capoeira, ainda sabemos muito pouco sobre essa manifestação cultural que o Brasil já exportou para mais de 150 países
Além do reconhecimento, o registro é uma forma do Estado brasileiro preservar a singularidade e representatividade da capoeira. Juntamente com o registro, são feitas recomendações para adoção de políticas públicas que valorizem o ofício do mestre capoeirista e facilitem a difusão da capoeira mundo afora.
criado por Iuri Rubim