Terra Magazine

23 de novembro de 2009

BA: Surdos fazem Sarau com tradução para ouvintes

Tags:, , , , - iurirubim às 14:36

O que você faria se acordasse um dia e não conseguisse se comunicar com a sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho? Imaginou a situação? Isso é só uma amostra das dificuldades que os surdos enfrentam diariamente, apenas para realizar as tarefas mais simples de seu cotidiano.

Nós, ouvintes, temos a tendência de simplesmente ignorar a presença dos surdos no nosso país. Closed caption? Aquela pessoa num quadro pequeninho, fazendo gestos enquanto algum político fala na TV? Esse estranhamento tolerante é o mais próximo que conseguimos chegar do universo silencioso dos nossos compatriotas, que nem mesmo são poucos.

Embora pouco menos de 170 mil brasileiros se declarem surdos, segundo o IBGE 5,7 milhões de pessoas apresentam algum grau de deficiência auditiva no país. É toda uma Dinamarca de surdos. Ainda assim, são rotineiramente ignorados pelas políticas públicas e pelo restante da sociedade.

Como de costume, os melhores exemplos de tolerância e inclusão vêem de quem sofre o preconceito.

Participei, no último domingo (22/11), do I Sarau Sinalizado, uma iniciativa do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (CECLIS) para divulgar a cultura surda que aconteceu no teatro da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador.

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Intérpretes a postos, há sempre uma tradução acontecendo. Seja ela do português falado para as libras (linguagem de sinais) ou o caminho inverso.

O mais interessante é que, ainda que exista uma ou outra apresentação falada, os intérpretes estão ali para garantir que os ouvintes entendam o que está sendo dito. Naquele local, naquele breve momento, a ordem das coisas se inverte e quem precisa de ajuda são as pessoas “normais”.

Este blogueiro, por exemplo, sentiu-se completamente perdido e despreparado quando ao tentar entrevistar alguns dos surdos presentes. Ali, quem precisava de tradução era eu.

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

No Sarau não está em questão a complexidade estética das apresentações, mas a possibilidade de pessoas com deficiência auditiva subirem ao palco e contarem histórias, declamarem poesias e, o melhor de tudo, ficarem à vontade, serem entendidas do jeito que se expressam.

O auditório lotado com mais de 200 pessoas, repleto de famílias constituídas de ouvintes e surdos, vê o surdo Cléber contar, em libras, a história dos três porquinhos e a Cia de teatro Riso Cá Cá mesclar atores surdos e ouvintes em sua apresentação. Vê também o hino nacional ser sinalizado, na abertura do Sarau.

O momento mais emocionante, entretanto, é a apresentação do Coral de Mães. Vestidas de vermelho e portando luvas brancas, cerca de 10 mulheres na faixa dos quarenta anos sobem ao palco. Dentro de alguns minutos, o som do auditório vai tocar duas músicas, que serão interpretadas em linguagem de sinais por elas.

- Resolvemos usar a música para aprender a nos comunicar com nossos filhos porque isso é muito importante para a gente. Temos que saber o que eles querem fazer, o que estão com vontade de comer, entender o que querem dizer - diz uma delas.

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

Presente na apresentação, Eunice Rosa dos Santos é mãe de Ana Carolina, 21, filha única dela e do marido. Surda desde que nasceu, Ana Carolina não tem muitas dificuldades em se entender com a mãe. Entretanto, Eunice é a única da família que consegue se comunicar com a filha.

- Meu marido não sabe. Aliás, ninguém na família nunca se interessou em aprender os sinais para falar com ela.

Embora o drama de Eunice se reproduza em muitos lares de pessoas com deficiência auditiva, o auditório da Biblioteca Monteiro Lobato também abrigava o extremo oposto: casais formados por surdos e ouvintes, em que o afeto aproxima os dois universos e faz com que os ouvintes se engajem na causa dos companheiros deficientes auditivos.

O Sarau Sinalizado deve tornar-se regular e ser realizado anualmente, sempre com intérpretes prontos para facilitar o entendimento entre surdos e ouvintes. Mediação que, espero, um dia não será mais necessária.

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21 de novembro de 2009

BA: Crianças ganham “quintal público” para brincar

As crianças da comunidade da Quixabeira, em São Gabriel (BA), pequena cidade a 480 km de Salvador, ganham, neste sábado, um quintal público para brincadeiras e contato com a natureza.

O que antes era um espaço ocioso da prefeitura de São Gabriel vira agora uma grande área para meninos e meninas brincarem de corda e pião, para a brincadeira das cinco pedrinhas, brinquedos cantados, parlendas e cantilenas, histórias, cantigas e tantas outras invenções da infância, realizadas ao ar livre.

Espirais com pedras demarcam o espaço para que as próprias crianças plantem árvores que possam gerar sombra, flores e frutos e, assim, embelezar o lugar onde elas vão brincar.

- Quando a comunidade oferece um espaço aberto para as crianças brincarem e se envolve, se empenha na construção desse espaço com as crianças, com certeza se constrói algo mais carinhoso em torno daquilo, em torno da infância - conta Gandhy Piorsky, educador social.

A expectativa é que o quintal seja adotado pelas prefeituras e vire pol�tica pública

A expectativa é que o Quintal das Crianças seja adotado pelas prefeituras e vire política pública

A criação do quintal é uma iniciativa inédita da Rede Ser-tão Brasil, uma rede de organizações da sociedade civil, cujo denominador comum é a valorização da criatividade, das culturas tradicionais locais e de formas solidárias de sobrevivência.

A proposta prevê a ocupação de espaços públicos ociosos com ações e equipamentos voltados para o público infantil. O ritual de criação do Quintal acontece durante o VI Encontro Ser-tão Brasil nos dias 21 e 22 de novembro.

A metodologia do Encontro Ser-tão Brasil prevê a realização de oficinas diversas ligadas à cultura da infância e ao meio ambiente, para preparar a comunidade anfitriã como cuidadora do Quintal.

O Encontro Ser-Tão Brasil acontece desde 2003 e transforma as pequenas cidades da Bahia

O Encontro Ser-Tão Brasil acontece desde 2003 e transforma as pequenas cidades da Bahia

O contato com a natureza é, talvez, o que marca a diferença dessa proposta em relação a outros equipamentos urbanos voltados para a criançada, como praças e parquinhos.

Todo o desenho do Quintal é baseado em técnicas de permacultura: uma reunião dos conhecimentos de sociedades tradicionais com técnicas inovadoras, com o objetivo de criar uma “cultura permanente”, sustentável, baseada na cooperação entre os homens e a natureza.

Beth Vieira, gestora da ONG CRIA e membro da coordenação geral do Encontro Ser-Tão Brasil, reforça essa perspectiva. “A natureza é a casa da criança”, afirma.

- Vamos ocupar um espaço público que estava ocioso e dar sentido a esse espaço. Criar um lugar de brincadeiras, de plantar… Um lugar para que as crianças desenvolvam seus brinquedos de forma espontânea e em ligação com a Natureza - opina Beth Vieira.

A educadora sócio-ambiental e pesquisadora associada do Instituto de Permacultura da Bahia, Dalvaci Santiago, explica a importância do Quintal como experiência que valoriza a identidade cultural e o cuidado com o ambiente.

- Em toda comunidade as brincadeiras tradicionais tem em si toda a memória, a filosofia das culturas nativas. A gente perdeu a referência do quintal como o lugar da brincadeira, de contato com terra, bicho, planta e água - argumenta Santiago.

A abertura oficial do Ser-Tão aconteceu nesta sexta-feira (20/11)

A abertura oficial do Ser-Tão aconteceu nesta sexta-feira (20/11)

A proposta da Rede Ser-tão Brasil é que essa experiência seja incorporada à cidade como uma política pública. “A prefeitura já se apropriou disso e está assumindo como uma proposta da cidade, com apoio da Fundação Culturarte que é o ponto de cultura local”, diz Beth Vieira.

- Temos aqui em São Gabriel artistas e educadores de 16 municípios baianos e de 12 bairros de Salvador que poderão levar para as suas localidades essa idéia e o jeito de implementá-la. Logo na entrada do Quintal, um portal cujas hastes laterais são duas amendoeiras anuncia e convida: Aqui começa o mundo novo! - destaca a coordenadora.

A Rede Ser-Tão Brasil realiza os encontros homônimos desde 2003. Foram realizados cinco Encontros até 2007, quando o evento passou a ser bianual.

Cada edição traz um lema, construído coletivamente para expressar o “jeito” de cada cidade sertaneja, suas músicas, as riquezas do local e a sabedoria dos mestres populares.

Este ano, o lema do sexto Encontro Ser-Tão Brasil é “Tecendo e Trançando Quintais”, que convoca a um olhar mais cuidadoso para as artes sertanejas.

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20 de novembro de 2009

RJ: “Trem do Funk” realiza baile sobre trilhos

Depois que foi reconhecido como patrimônio cultural do Rio de Janeiro, o funk está mesmo saidinho.

Hoje, chama o eterno herói Zumbi dos Palmares para balançar sobre os trilhos. É isso mesmo: a galera do batidão resolveu celebrar o Dia da Consciência Negra criando o “Trem do Funk”, uma iniciativa inédita para o gênero musical.

Seis vagões, com capacidade para 1800 passageiros, partem às 11h (horário de Brasília) da Central do Brasil até Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Para participar do batidão, basta pagar a passagem comum: R$ 2,50.

O trem vai seguir o trajeto em velocidade reduzida e tem paradas previstas apenas nas estações Jacarezinho, Mercadão de Madureira e Pavuna. Nelas, embarcam, além de passageiros, artistas locais que animam as três plataformas enquanto o público espera pelo trem. A jornada deve levar cerca de uma hora.

A festa, entretanto, começa bem antes da partida do trem. Às 10h, na própria Central do Brasil, o som já toca à toda, colocando todo mundo no clima do passeio.

Na chegada em Belford Roxo o baile continua com a equipe do Furacão 2000 na Praça Eliakim Araújo, a principal da cidade.

Primeira edição do Trem do Funk já tem confirmadas as presenças de Furacão 2000; Priscila Nocetti e Cia de Dança; Os Hawaianos; Leandro e as Abusadas; David Bolado e Rose Bumbum; Márcio G; Mc Créu; Max; Bruninha e Jaula das Gostozudas.

Como é inspirado no Trem do Samba - que há 13 anos passeia com bambas no dia 2 de dezembro (Dia do Samba) -, o “bonde” do funk também recebe estrelas desse e de outros gêneros musicais. Ivo Meireles; Neguinho da Beija-Flor; a Bateria da Mangueira; a Banda Afroreggae; Dida Nascimento e Afoxé Raízes Africanas “dividem os trilhos” com o pessoal do batidão.

O projeto do Trem do Funk é organizado por Rômulo Costa, secretário de Cultura de Belford Roxo e membro da Furacão 2000, que promete torná-lo parte do calendário oficial de eventos do Rio de Janeiro.

Funk solidário

Além de celebrar o Dia da Consciência Negra, o Trem do Funk tem um objetivo social. Durante o trajeto do trem, serão arrecadados donativos para ajudar as vítimas das chuvas que assolaram Belford Roxo recentemente - até o último dia 17, a cidade tinha mais de três mil desabrigados. A colaboração, claro, é voluntária.

(foto: Proderj/ Governo do Estado do Rio de Janeiro)

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17 de novembro de 2009

BA: Artistas ocupam esquinas em Salvador

Na cidade dos sonhos de artistas e amantes da cultura, as avenidas têm, a cada esquina, uma apresentação cultural.

Pelo menos por hoje, podemos dizer que essa cidade é Salvador e a avenida é a Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba.

Esta noite, entre as 19h e as 20h30, dez esquinas da Av. Manoel Dias da Silva, entre as ruas Bahia e Piauí, recebem performances artísticas simultâneas de circo, teatro, hip hop e, principalmente, música.

É a estréia do projeto Hoje é Dia de Esquina! Para humanizar a cidade, que pretende, a cada ano, ocupar o espaço público urbano com atrações culturais.

Mas não pense que a via, uma das mais importantes da cidade, será interditada. A produtora cultural Cássia Cardoso, idealizadora e responsável pelo projeto, procura realizar as apresentações sem mudar - aparentemente - a rotina do local, mantendo o trânsito livre e o funcionamento normal dos estabelecimentos da região.

- A nossa ideia não é sonorizar a Avenida Manoel Dias da Silva. Só a esquina. Não queremos que uma esquina incomode a outra, nem que incomode os vizinhos. Por isso, vamos ter em cada uma delas um som profissional pequeno. E também uma iluminação simples, quase que para marcar o local da atração - explica a produtora.

Os artistas tocam no chão, sem palco ou cordas que os separem do público. “Não é um show de palco. É uma apresentação na rua. Eles vão ter que se reeducar”, ressalta Cássia Cardoso.

Essa proximidade entre artistas e público não é exatamente uma novidade, mas também não é algo usual na cena soteropolitana. “A gente pode não ter esse costume aqui, mas isso já é normal lá no exterior. Todo verão no Central Park (Nova Yorque) é isso que acontece”, conta a produtora.

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas de Salvador

As performances artísticas são as seguintes:

1. Aicha Marques e André Tavares - Teatro
2. Anacê - Música
3. Banda de Rock - Música
4. Barlavento - Música
5. DJ Bandido e Denissena - Hip Hop e Grafite
6. Luizinho Assis - Música
7. Malabares & Cia - Grupo de Circo
8. Retrofoguetes - Música
9. Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Música
10. Simone Mota - Música

Recuperação do espaço público

Mais do que apenas uma intervenção cultural, Hoje é Dia de Esquina! é um projeto de recuperação do espaço público a partir da arte. Tem até manifesto, distribuído por pessoas ligadas à produção durante as apresentações.

- Queremos chamar atenção da população para problemas críticos através da arte e da cultura. Com uma utilização melhor espaços públicos a gente vai ser mais feliz - opina Cássia Cardoso.

O texto do manifesto dá destaque a seis pontos que devem ser abordados para, como está escrito no título do projeto, “humanizar a cidade”: transporte público; ocupação privada de praças e calçadões da cidade; ocupação privada das areias das praias; poluição visual; poluição sonora; ocupação do espaço da cidade pelo setor imobiliário.

Segundo os organizadores do projeto, o manifesto não é uma simples demanda por ações dos poderes públicos, mas um pedido de abertura para o diálogo com a sociedade, para a busca conjunta de uma solução para os problema apontados e um melhor aproveitamento do espaço público.

(fotos: Aldren Lincoln [1]; Sora Maia [2])

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16 de novembro de 2009

BA: Atrações culturais apresentam-se em barracão de quiabos

Imagine um barracão de quiabos numa grande feira livre. Agora imagine este mesmo local como palco para apresentações musicais, recital de poesias e palestras!

Pois é. Nesta terça-feira, 17, o comprador desavisado que for à Feira de São Joaquim, em Salvador, para comprar o ingrediente principal da sua quiabada vai se deparar com um dos eventos comemorativos da Semana da Consciência Negra na capital baiana.

Na programação do evento, que começa à 9h e vai até às 16h, a percussão da banda A Mulherada, a voz da cantora Márcia Short, a musicalidade Hip Hop de Paula Azeviche, a poesia de Josélia e a apresentação do samba de roda das mulheres carvoeiras, “As Paparutas da Ilha do Paty”.

Além das atrações culturais, acontece uma palestra sobre a Lei Maria da Penha com delegada Marli Margarete Oliveira, responsável pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher.

A programação do evento deixa claro que a mulher negra é o foco das celebrações em torno do Dia da Consciência Negra este ano, em Salvador.

A capital baiana, aliás, possui um fundo dedicado especificamente a esse público - o Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA) -, apontado por diversas pesquisas como a base da pirâmide da desigualdade de nosso país.

Durante as comemorações da semana da consciência negra, serão implantadas turmas de A programação voltada, principalmente, para a questão de gênero, inclui implantação de turma de alfabetização para as mulheres que trabalham na Feira, além de oferta de serviços de saúde, oficina de estamparia, dentre outras atividades.

A escolha da Feira de São Joaquim como local para o evento não é aleatória. Ocupada por uma grande quantidade de mulheres negras, que dali tiram o sustento diário, a Feira mais antiga da capital baiana está em vias de ser tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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14 de novembro de 2009

SP: Ciclista morto é homenageado com “bicicleta fantasma”

Tags:, , , - iurirubim às 14:14

Hoje, no final da manhã, o ciclista Fernando Couto - atropelado por um ônibus no dia 26 de outubro, na Avenida Robert Kennedy, próximo ao Largo do Socorro, zona sul de São Paulo - recebeu uma homenagem pouco comum.

Por iniciativa da família do ciclista, foi pendurada uma “bicicleta fantasma” em um poste, no local do acidente. A ghost bike (o termo é mais habitualmente usado em inglês) é o nome que se dá às bicicletas brancas que são colocadas no local em que ciclistas foram mortos por veículos motorizados. Um memorial bastante respeitado e caro a quem faz parte da cultura da bicicleta.

Essa tradição foi criada por cicloativistas de São Francisco (Estados Unidos). No Brasil, a primeira ghost bike foi colocada em novembro de 2007, em homenagem a um ciclista morto no ano antes na Avenida Berrini, também na capital paulista. A bicicleta, porém, acabou sendo retirada pela prefeitura e não foi reposta ou mantida pelos ciclistas.

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Atualmente, a única Ghost Bike conhecida e mantida pelos cicloativistas em São Paulo atualmente é a de Márcia Regina Prado, localizada na altura do 1200 da Avenida Paulista.

Cerca de 50 ciclistas, familiares e amigos de Fernando estiveram presentes na homenagem, estendida também ao gari Antônio Ribeiro, atropelado junto com o ciclista. O acidente foi registrado por uma câmera de segurança da polícia militar de São Paulo.

Oração pelas v�timas e para que este tipo de acidente não se repita

Oração pelas vítimas e para que este tipo de acidente não se repita

No local do acidente, em torno da bicicleta fantasma, todos os presentes se uniram na roda de oração.

(fotos: CicloBR e Sampa Biker)

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13 de novembro de 2009

BA: Salvador vai ganhar primeiro museu multimídia da música negra

Uma coletiva de imprensa, realizada ontem à tarde, anunciou a criação, em Salvador, do Centro de Música Negra, o primeiro museu multimídia dedicado à música negra em todo o mundo.

O empreendimento é uma parceria entre o grupo de mídia francês Mondomix, Carlinhos Brown e a Secretaria de Cultura da Bahia e deve ser inaugurado daqui a um ano, em dezembro de 2010. O Centro será instalado no Museu du Ritmo, casa de espetáculos de Brown localizada no bairro do Comércio.

O Centro de Música Negra terá salas de exposição permanentes e temporárias, um centro de pesquisa e documentação online, café, restaurante, e espaço para shows, palestras e workshops. O seu projeto cenográfico é assinado pelo arquiteto paulista Pedro Mendes Rocha, também autor do projeto arquitetônico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Ao apresentar o desenho do novo museu, o arquiteto não se contém e afirma: “Para mim, o nazismo e a escravidão foram os maiores exemplos de loucura coletiva da humanidade”.

Responsável pela concepção e produção do projeto - bem como pela pesquisa do conteúdo artístico, realizada com a colaboração de especialistas internacionais -, a Mondomix projeta um museu sensorial e interativo, repleto de inovações tecnológicas cujo objetivo é fazer o público imergir nas sonoridades com DNA africano.

O conteúdo do novo museu é inesgotável, afinal, não param de surgir, em cada canto do mundo, novos artistas, grupos e ritmos derivados, inspirados, enfim, herdeiros da cultura negra.

Após a entrevista coletiva foi inaugurada uma exposição multimídia temporária, um pequeno aperitivo do que será o Centro de Música Negra, que poderá ser visitado de hoje até 15 de novembro, das 18h às 22h.

“Os tambores nasceram para substituir as armas”

Óculos escuros, uma espécie de turbante estilizado, um colar de contas por cima da roupa. Sentado em meio à mesa como um cacique, Carlinhos Brown faz um discurso emocionado, expressando tanto a dor ainda hoje presente na vida dos negros quanto a esperança de construir um planeta mais pacífico, harmonioso e tolerante.

- Tem sido árduo nos manter não-violentos com leis que não criamos e que não nos protegem com a dignidade que necessitamos. Nós, africanos, temos que vencer essa dor, essa miséria. Não a pobreza, porque a pobreza nós sempre estivemos preparados para enfrentar - diz o cantor.

Embora confiante na construção de um mundo que valorize a diferença, a fala de Brown também revela as cicatrizes ainda vivas de séculos de escravidão.

- Falam muito de Cristo. Eu acredito em Cristo. Mas Cristo veio em muitas formas, em muitos navios negreiros - diz.

"Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

Brown, com a cantora Mounira Mitchala (Chade): "Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

O músico defende ser preciso “reeducar o mundo” a partir de práticas e valores das culturas negras e indígenas. “Os tambores nasceram para substituir as armas”, afirma.

- Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens. A África está adormecida em todos aqueles que pensam que não somos todo africanos. Não falo apenas dos negros não - todos viemos da África. A natureza pode ter vários nomes. Um deles é África.

Para Brown, o Centro de Música Negra tem o papel de oportunizar esse retorno às origens, o contato com matrizes culturais renegadas pela cultura ocidental e o intercâmbio entre diferentes culturas.

- Aqui as crianças vão encontrar o que não vêem nas suas escassas horas nas salas de aula. Vamos tirar de cena o tráfico e fazer um tráfego de cultura a partir do Centro de Música Negra. O Centro amarra esse nosso desejo coletivo de unir nossas culturas e nos irmanarmos - advoga.

O momento mais emocionante da entrevista coletiva é a menção que Brown faz a Neguinho do Samba, falecido no dia 31 de outubro: “Queria muito que um dos meus heróis, um dos meus mentores, Neguinho do Samba, estivesse aqui de corpo presente”.

O cantor lembra do trabalho de Neguinho do Samba e diversos outros líderes negros, especialmente aqueles que atuam no centro histórico de Salvador, e faz um chamado:

- Nós vamos levantar o Pelourinho. Vamos rever o Pelourinho como um centro de liberdade do nosso povo.

(fotos: Edgar Souza/ Divulgação)

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12 de novembro de 2009

BA: Festival de Músicas Mestiças aporta em Salvador

Tambores, batidas, movimentos. Ritmos tão próximos e tão radicalmente distintos. As muitas faces da musicalidade negra aportam na capital baiana de sexta a domingo, no Festival Músicas Mestiças Salvador.

Capital da Bahia e primeira capital do Brasil, Salvador é a cidade com maior população negra fora da África. Talvez por conta disso a versão baiana do Festival Musiques Métisses - criado há 34 anos pelo produtor francês Christian Mousset - tenha dado a ênfase à diáspora negra e à produção musical africana contemporânea. Mousset já está na Bahia para conferir de perto este desdobramento da sua cria.

Carlinhos Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

O Festival acontece no Museu du Ritmo, espaço para espetáculos de Carlinhos Brown, localizado no bairro do comércio. O “dono da casa” também participa da festa, tocando ao lado dos percussionistas da Les Tambours de Brazza, do Congo, logo na noite de abertura do evento.

Durante as três noites do Festival, cantores e bandas da cena musical da África francófona e da diáspora negra dividem o palco com artistas baianos cuja sonoridade também é claramente influenciada pelos ritmos africanos.

As apresentações acontecem sempre em pares. Uma saudável inversão de papéis faz dos estrangeiros anfitriões e dos baianos, convidados. Assim, o público soteropolitano tem oportunidade tanto de conhecer o trabalho solo dos grupos de fora do país quanto de vê-los no palco ao lado das estrelas locais. Confira a programação.

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

São seis os convidados inernacionais do Festival. Os já citados percussionistas do Congo, o rapper Didier Awadi (Senegal); a cantora Mounira Mitchala (Chade), conhecida como a “pantera doce de Ndjaména”; Tiken Jah Fakoly, reggaeman da Costa do Marfim que canta em francês e no dialeto diola; e o haitiano BélO, único representante do Caribe e de fora da África entre os artistas estrangeiros, inventor do ritmo “raggaganga”, que, segundo o próprio, é uma mistura de reggae, música vodu, rara, soul, dialogando também com o jazz.

O uso da língua francesa - traço comum a todos esses artistas - foi um critério importante para sua seleção, na medida que o Festival Músicas Mestiças Salvador é encerra a programação baiana do Ano da França no Brasil.

Mas existe uma exceção nessa lista: o caboverdiano Tcheka é o único estrangeiro que não tem o francês, mas o português, como língua oficial. Cantor e compositor, Tcheka desenvolveu um estilo pessoal de tocar a guitarra baseado no batuque, um ritmo popular de Cabo Verde.

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

Do aldo de cá do Atlântico, os artistas baianos escolhidos para enriquecer essa diversidade sonora fazendo participações especiais nos shows são: Carlinhos Brown, Margareth Menezes, a percussão do Olodum, Mariene de Castro, Mariella Santiago, Lazzo Matumbi, Percussivo Mundo Novo e Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, que, com sua mistura de jazz e percussão afro-baiana, abre o encontro.

Além de shows, o Festival Músicas Mestiças Salvador oferece também oficinas musicais com Mounira Mitchala (hoje), Tcheka e Les Tambours de Brazza (sábado), na Candyall Gueto Square.

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Uma conferência sobre gestão coletiva de direitos autorais, organizada pela Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música (SACEM), da França, completa a grade de atividades do evento nesta sexta-feira.

E, então, que tal conhecer um pouco da diversidade da música negra no mundo?

(fotos: João Meirelles [Carlinhos Brown]; Eduardo Freire [Museu du Ritmo]; Mariele Góes [Orkestra Rumpilezz]; divulgação [demais])

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11 de novembro de 2009

RJ: Baixada Fluminense recebe festival de música independente

A partir de amanhã e até o próximo domingo (12 a 15/11), a cidade de Nova Iguaçu é a Meca dos roqueiros da Baixada Fluminense.

Durante esse período, acontece o Espaço do Rock 2009, um festival de música independente que extrapola a ideia de “mostra de bandas” e incentiva tanto a reflexão sobre a arte quanto a interação entre diferentes linguagens. A entrada é gratuita, mediante distribuição de ingressos uma hora antes dos shows.

A Banda Medulla (foto) é uma das mais de 20 atrações do evento, criado em 2007 pelos amigos Antonio Felipe Vieira (Black); Marcelo Faria; Thaís Santos e Yuri Chamusca - salvo engano, todos na casa dos 20 anos. Veja a programação.

Bacana inclusive ouvir dos organizadores que o Festival é, também, uma forma de ocupação dos espaços públicos - no caso, o Espaço Cultural Sylvio Monteiro, na região central de Nova Iguaçu -, raramente destinados à prática do rock.

Três anos depois de sua concepção, o Espaço do Rock mantém-se fiel ao seu objetivo inicial: apresentar bandas novas e dar oportunidade para bandas reconhecidas da Baixada Fluminense tocarem “em casa”.

Embora seja um festival de música, o Espaço do Rock abre espaço também para o grafite; debates sobre rock e sobre a cena independente da Baixada Fluminense; exibição de filmes e apresentações de arte circense. Relaciona-se, ainda, com outros gêneros musicais, ao ceder o palco para o reggae no primeiro dia do Festival.

(Foto: Banda Medulla)

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5 de novembro de 2009

“A propriedade intelectual talvez tenha sido um erro”, diz presidente da Federação Internacional pela Diversidade Cultural

Começou hoje, em Salvador, o Encontro Internacional da Diversidade Cultural. Durante o evento, que se estende até o dia 8/11, organizações culturais, estudiosos e gestores públicos de mais de 40 países debatem o futuro da diversidade cultural no mundo.

O ponto de partida de todos os participantes para a discussão é a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da UNESCO em outubro de 2005, como resposta a tentativa de algumas nações de tratar bens e serviços culturais no âmbito da Organização Mundial do Comércio, como se fossem um produto qualquer. Atualmente, a Convenção já foi ratificada por mais de 103 países.

Pouco após a solenidade de abertura do evento, o Blog das Ruas conversou com Rasmané Ouedraogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

Além de organizadora do evento, a FICDC é a única entidade civil em todo o mundo com assento na UNESCO, o que lhe dá direito a pronunciar-se em todas as reuniões da entidade, que é o braço da ONU voltado para a educação, a ciência e a cultura.

Cidadão de Burkina Faso, Ouedraogo defende a participação ativa dos países em desenvolvimento na luta pela promoção da diversidade cultural. “A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros”, afirma.

"os pa�ses em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Rasmané Ouedraogo: "os países em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Segundo o presidente da FICDC, os países adotaram uma lógica econômica que faz com que ajam contra a sua própria população. “A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados”, diz.

Rasmané Ouedraogo chega até a questionar a utilidade das legislações de respeito à propriedade intelectual:

- No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta - argumenta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

O senhor considera que a diversidade cultura hoje seja um valor compartilhado pela humanidade ou esse ainda é um esforço a ser feito?

A diversidade cultural é compartilhada pelo mundo. Mas o nosso grande esforço deve ser de preservar essa diversidade, porque essa riqueza está sendo ameaça atualmente.

Quais são os principais obstáculos à implantação, via políticas públicas nacionais, da convenção sobre a diversidade cultural?

Primeiro, é preciso que em cada país haja uma vontade política definida e assumida de promover a cultura.

Segundo, é preciso mobilizar a população em torno dessa convenção; explicá-la à população. Para que, em um certo ela mesma possa apreender e assumir a convenção pela diversidade cultural. Porque esta é a primeira convenção que vai ser implementada não pelos Estados nacionais, mas pelos agentes culturais na base.

Muitas vezes, trata-se da questão da diversidade considerando apenas as questões nacionais. O Brasil é um dos poucos países onde mais de dois terços da música consumida é produção nacional. Ainda assim, nós, brasileiros, reclamamos da falta de diversidade no consumo musical. O senhor considera que os países estão preparados para tratar do tema com este nível de complexidade?

Na realidade, o problema não é complexo. O problema é simples porque o povo vive sua própria cultura. O problema são os Estados haverem se inserido numa lógica econômica que faz com que acabem combatendo a sua própria população.

A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados. E depois, como por milagre, cada um volta a se refugiar nos seus valores culturais próprios.

Eu acho que o Brasil não deveria temer nada, mas de qualquer jeito é importante exigir que o Estado respeite as convenções que ele assinou.

Como proteger e promover expressões culturais do mundo em rede, que não tem fronteiras nacionais e questiona a forma tradicional de se conceber os direitos autorais?

Quando nos falamos de rede, imediatamente falamos de superestrutura. Ora, a cultura se vive desde a base. E na base não existem fronteiras. A realidade econômica leva a um tipo de institucionalização que provoca o problema.

Nossa federação tem esse embate com a questão da economia. No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta.

Em que medida o protagonismo político recente dos países em desenvolvimento pode contribuir para a promoção da diversidade cultural no mundo?

Os países em desenvolvimento hoje têm interesse a se engajar na luta pela promoção da diversidade cultural. Porque quando vemos o que acontece em nosso entorno, no mundo, percebemos que a riqueza cultural acaba sendo embolsada por um pequeno número de privilegiados.

Quando nós falamos de indústrias culturais, falamos da conjunção entre criatividade, inventividade, novas tecnologias e o mercado. A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Afirmamos, portanto, que há uma injustiça. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros. Logo, países em desenvolvimento têm interesse em proteger a diversidade, a fim de poder partilhar as vantagens.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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