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5 de novembro de 2009

“A propriedade intelectual talvez tenha sido um erro”, diz presidente da Federação Internacional pela Diversidade Cultural

Começou hoje, em Salvador, o Encontro Internacional da Diversidade Cultural. Durante o evento, que se estende até o dia 8/11, organizações culturais, estudiosos e gestores públicos de mais de 40 países debatem o futuro da diversidade cultural no mundo.

O ponto de partida de todos os participantes para a discussão é a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da UNESCO em outubro de 2005, como resposta a tentativa de algumas nações de tratar bens e serviços culturais no âmbito da Organização Mundial do Comércio, como se fossem um produto qualquer. Atualmente, a Convenção já foi ratificada por mais de 103 países.

Pouco após a solenidade de abertura do evento, o Blog das Ruas conversou com Rasmané Ouedraogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

Além de organizadora do evento, a FICDC é a única entidade civil em todo o mundo com assento na UNESCO, o que lhe dá direito a pronunciar-se em todas as reuniões da entidade, que é o braço da ONU voltado para a educação, a ciência e a cultura.

Cidadão de Burkina Faso, Ouedraogo defende a participação ativa dos países em desenvolvimento na luta pela promoção da diversidade cultural. “A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros”, afirma.

"os pa�ses em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Rasmané Ouedraogo: "os países em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Segundo o presidente da FICDC, os países adotaram uma lógica econômica que faz com que ajam contra a sua própria população. “A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados”, diz.

Rasmané Ouedraogo chega até a questionar a utilidade das legislações de respeito à propriedade intelectual:

- No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta - argumenta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

O senhor considera que a diversidade cultura hoje seja um valor compartilhado pela humanidade ou esse ainda é um esforço a ser feito?

A diversidade cultural é compartilhada pelo mundo. Mas o nosso grande esforço deve ser de preservar essa diversidade, porque essa riqueza está sendo ameaça atualmente.

Quais são os principais obstáculos à implantação, via políticas públicas nacionais, da convenção sobre a diversidade cultural?

Primeiro, é preciso que em cada país haja uma vontade política definida e assumida de promover a cultura.

Segundo, é preciso mobilizar a população em torno dessa convenção; explicá-la à população. Para que, em um certo ela mesma possa apreender e assumir a convenção pela diversidade cultural. Porque esta é a primeira convenção que vai ser implementada não pelos Estados nacionais, mas pelos agentes culturais na base.

Muitas vezes, trata-se da questão da diversidade considerando apenas as questões nacionais. O Brasil é um dos poucos países onde mais de dois terços da música consumida é produção nacional. Ainda assim, nós, brasileiros, reclamamos da falta de diversidade no consumo musical. O senhor considera que os países estão preparados para tratar do tema com este nível de complexidade?

Na realidade, o problema não é complexo. O problema é simples porque o povo vive sua própria cultura. O problema são os Estados haverem se inserido numa lógica econômica que faz com que acabem combatendo a sua própria população.

A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados. E depois, como por milagre, cada um volta a se refugiar nos seus valores culturais próprios.

Eu acho que o Brasil não deveria temer nada, mas de qualquer jeito é importante exigir que o Estado respeite as convenções que ele assinou.

Como proteger e promover expressões culturais do mundo em rede, que não tem fronteiras nacionais e questiona a forma tradicional de se conceber os direitos autorais?

Quando nos falamos de rede, imediatamente falamos de superestrutura. Ora, a cultura se vive desde a base. E na base não existem fronteiras. A realidade econômica leva a um tipo de institucionalização que provoca o problema.

Nossa federação tem esse embate com a questão da economia. No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta.

Em que medida o protagonismo político recente dos países em desenvolvimento pode contribuir para a promoção da diversidade cultural no mundo?

Os países em desenvolvimento hoje têm interesse a se engajar na luta pela promoção da diversidade cultural. Porque quando vemos o que acontece em nosso entorno, no mundo, percebemos que a riqueza cultural acaba sendo embolsada por um pequeno número de privilegiados.

Quando nós falamos de indústrias culturais, falamos da conjunção entre criatividade, inventividade, novas tecnologias e o mercado. A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Afirmamos, portanto, que há uma injustiça. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros. Logo, países em desenvolvimento têm interesse em proteger a diversidade, a fim de poder partilhar as vantagens.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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1 de novembro de 2009

MG: Frango Caipira é estrela de festival gastronômico

Quem escolhe passar o feriadão de finados no tranquilo distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, (município do Serro, a três horas de Belo Horizonte), acaba tendo que fazer uma escolha: frango com pequi ou ao molho pardo? Ou galeto ao leite?

Desde a última sexta-feira e até o dia 2 de novembro, acontece em São Gonçalo do Rio das Pedras o 4º Festival de Frango Caipira.

Mineiríssima, a iguaria é vendida em todos os restaurantes da cidade nessa período. São mais de vinte receitas, desde as mais tradicionais - como frango ensopado e ao vinho - até o frango “afro-mineiro” (gengibre e amendoim) e frango com quibabá, uma planta comestível que “existe no quintal de toda casa da cidade”, conta a idealizadora do evento, Cleide Greco.

Veterinária e dona de uma das pousadas do distrito, Cleide explica que a carne do frango caipira tem uma textura mais consistente por ser criada solta.

Além disso, não tem hormônios, pois o crescimento dos animais obedece o ritmo da natureza e eles não se alimentam de ração, apenas milho e folhas de horta.

Desde que Cleide e os outros donos de pousadas, restaurante de bares locais resolveram realizar pela primeira vez o Festival, em 2006, o turismo no vilarejo - que também possui atrações naturais, como cachoeiras e picos - só tem aumentado.

Chega a acontecer, como no ano passado, dos donos dos estabelecimentos terem que recorrer à criação doméstica de vizinhos por conta da procura.

Para resolver a questão da “superpopulação” de turistas, muito além das capacidades das poucas pousadas, muitos moradores praticam o turismo solidário, ou seja, recebem turistas em suas casas.

Ganham os visitantes, que encontram hospedagem barata, e os habitantes do vilarejo, que garantem uma renda extra para a família.

E você, conhece uma receita bacana de frango caipira? Comente.

(fotos: reprodução)

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23 de outubro de 2009

SP: Trupe realiza mostra de arte dentro de um ônibus

Já imaginou pegar a condução, igualzinho a todo dia, e descobrir que está no meio de uma peça de teatro? Ou de um espetáculo de dança?

É isso que vai acontecer com os passageiros do ônibus no trajeto Terminal Sacomã - Terminal Mercado do Expresso Tiradentes, na capital paulista, entre os dias 25 e 28 de outubro. Seguindo o trajeto normal da linha, um ônibus oferece à “platéia de passagem” intervenções de teatro, dança, música e artes visuais, sempre das 10 às 13h.

Idealizada pela Trupe Sinhá Zózima, a mostra Arte Expressa deve ser vista por 6300 moradores da capital paulista. Segundo a própria Trupe, essa é a “primeira mostra de artes dentro do transporte público no município de São Paulo”. Confira a programação.

- O Público está ali para se locomover. Não sabe que naquele dia ele vai se deparar com esse tipo de arte. E não é um ônibus adaptado. A única diferença são as placas no teto de feitas pelos artistas plásticos. Daí um grupo entra e se apresenta, com passageiro, cobrador, motorista. Como um dia qualquer - explica o ator Anderson Maurício, um dos membros da Sinhá Zózima.

Para realizar a mostra, a Trupe conseguiu que uma empresa de transportes disponibilizasse um veículo a mais para a linha. “Também não obrigamos os passageiros a entrar; se quiserem, podem pegar o ônibus normal”, comenta Anderson.

- O nosso desafio é experimentar o espaço e levar a arte para outros lugares. Há Espaço ocioso e é o nosso trabalho mostrar que a arte pode se manifestar em todo lugar - completa o membro da Trupe.

O encerramento da mostra Arte Expressa fica por conta de uma exposição fotográfica no Terminal Mercado, entre 14 e 21 de novembro. As fotos registram os espetáculos e dividem os melhores momentos da mostra, além, claro de despertas a curiosidade de quem não teve a oportunidade de embarcar com o grupo.

A ousadia da iniciativa é consequência de uma pesquisa que a Trupe Sinhá Zózima vem desenvolvendo desde abril de 2007, quando os membros do grupo entraram pela primeira vez num ônibus, em Ubatuba, apresentando cenas, canções e intervenções artísticas.

Atualmente, o grupo teatral tem dois espetáculos que utilizam ônibus: “Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa no. 6″. Enquanto no primeiro a platéia realmente embarca numa viagem teatral com o ônibus em movimento, no segundo os atores apresentam-se com o veículo parado. “Isso gera uma angústia enorme do público, que fica na expectativa do ônibus andar”, conta Anderson Maurício.

Em cada montagem, o ônibus recebe um significado, e a interação com este espaço só é plena após a estréia, pois o público-passageiro é peça fundamental para ditar o ritmo e desenrolar da movimentação e interação entre o ônibus e as personagens do espetáculo. “O grau de improvisação é enorme”, diz Anderson Maurício.

Certa feita, quando a Trupe apresentava o “Cordel do Amor Sem Fim” em pleno engarrafamento de São Paulo, os atores perceberam que um grupo de crianças de rua acompanhava o espetáculo pelo lado de fora.

- Foi muito bonito. Ali a gente percebeu que espetáculo também acontecia fora do ônibus. Por mais que passe rápido, as pessoas nos pontos de ônibus notam a intervenção. No mínimo, pensam: “Pôxa, gostaria de pegar esse ônibus”. Acordamos um pouco e percebemos que o espetáculo atinge um público muito maior - argumenta Anderson Maurício.

E você, topa embarcar nesse ônibus?

(foto: Danilo Dantas/Divulgação)

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19 de outubro de 2009

SP: Mostra Cultural põe em evidência a produção da periferia

Entre 19 e 25 de outubro, a Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, o CEU Campo Limpo, o CEU Casa Blanca e o Bar do Zé Batidão, na periferia de São Paulo, são ocupados pela II Mostra Cultural da Cooperifa, a Cooperativa de Poetas da Periferia.

Chama atenção a variedade e a quantidade de produções em dança, teatro, música, artes-plásticas, literatura e cinema reunidas para comemorar a oitava festa de aniversário do Sarau da Cooperifa. Confira a programação.

Curador da Mostra, o poeta Sérgio Vaz lançou mão de todas essas linguagens para colocar a produção cultural da periferia brasileira em evidência. Dá até para se perguntar por que ou para que a periferia deve ir ao centro? Aliás, onde está o centro?

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distrtibu�das à população

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distribuídas à população

Ganham destaque na programação a feira de livros e debates sobre literatura com Marcelino Freire, Xico Sá, Ferréz, Sacolinha, Heloisa Buarque de Hollanda, Écio Salles, Chacal, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo e Nelson Maca.

Para a garotada, a espanhola Cia. Bambalina, apresenta Kraft, que usa os fantoches e mescla a linguagem teatral com outras dramaturgias para abordar o amor pelas pessoas e coisas. No teatro os interessados também podem ver Os Tronconenses, do Núcleo Teatral Filhos da Dita/Instituto Pombas Urbanas.

Este é "Para�ba", o lanterninha do Cinema na Laje

Este é "Paraíba", o lanterninha do Cinema na Laje

Já o Cinema na Laje é pura ousadia. Uma sala de cinema ao ar livre, na laje do Zé Batidão. O curador Sérgio Vaz já tinha inclusive anunciado em seu Blog que o Cinema na Laje “vai virar o cinema Paradiso da Zona Sul paulistana”.

Durante essa semana são exibidos curtas e longas nacionais a exemplo de Profissão MC (52 min), de Alessandro Buzo e Toni Nogueira e Pode me chamar de Nadí (18 min) de Déo Cardoso (CE). Esses são alguns dos títulos que vão inspirar o debate A periferia se vê no cinema de periferia?.

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Para concretizar a Mostra, a Cooperifa articula parcerias que envolvem a ONG Ação Educativa, o Centro Cultural da Espanha, o Itaú Cultural, a Global Editora e o SESC Santo Amaro.

Como movimento de incentivo à leitura e à criação poética, a Cooperifa já realizou eventos inusitados como o “Poesia no ar”, quando os poemas são soltos em balões; o “Ajoelhaço”, ocasião em que poetas e convidados ajoelham-se e pedem perdão para as mulheres e a “Chuva de livros”, quando presenteia a comunidade com livros (neste ano foram 600).

(fotos: reprodução)

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13 de outubro de 2009

PE: “Terça Negra” tem competição de MC’s no Recife

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Em todas as terças-feiras do mês de outubro, o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, é ocupado pela cultura hip hop.

É a Jornada de MC’s, que além de muito rap, graffite ao vivo, mostra de vídeos e shows com grupos convidados, traz uma competição de rimas entre MC’s, na qual se dá bem quem for melhor no improviso.

A cada terça-feira, oito MC’s disputam entre si por uma vaga na final, que acontece no dia 10 de novembro. As batalhas exigem raciocínio rápido, criatividade e muito jogo de cintura.

Os MC’s têm duas rodadas de 45 segundos para rimar em cima da base musical do DJ. Cabe aos rimadores desafiar o adversário mostrando toda sua habilidade com o domínio do vocabulário e com o improviso.

O dono do jogo de palavras que mais cativar o público - cuja entrada é gratuita - é coroado o campeão e ganha uma vaga na final, dia 10 de novembro.

O melhor dos quatro MC’s que competem na final ganha uma vaga para representar Pernambuco na LIGA de MC’s, o maior evento de rima livre da cultura Hip-Hop no País, que acontece no Rio de Janeiro no Bairro da Lapa.

A Jornada de MC’s reúne em outubro 32 Mc’s de várias comunidades do Recife, como Santo Amaro, Coelhos, Água fria, Prazeres, Mustardinha, Salgadinho, dentre outras.

“Não temos nem limite de idade. Em 2007, foi para a final um menino de 12 anos. Se chegar aqui um de 10, a gente inscreve. O importante é fortalecer cultura da rima”, afirma DJ Big, que organiza o evento.

Hoje à noite, a Jornada de MC’s tem como atrações o grupo Rota Black e o rapper Sombra (antigo ex-SNJ).

A primeira Jornada de MC’s aconteceu em outubro de 2005 no Pátio de São Pedro, numa parceria com o Movimento Negro Unificado que se mantém até hoje. Daí o nome Terça Negra - por conta da força que a cultura negra tem no hip hop.

Rap e repente

A Jornada de MC’s também tem buscado fazer uma aproximação entre o rap e o repente, gêneros irmãos da poesia popular que pouco se falam.

- São pessoas que não são muito conhecidas do cotidiano dos garotos aqui da metrópole. Queremos mostrar, falar sobre esse tipo de poesia popular para as pessoas - opina Dj Big.

Essa aproximação é feita através de oficinas, para as quais são convidados repentistas. “Outro dia, tivemos aqui as irmãs Santinha e Mocinha Maurício”, conta.

Pergunto se não seria bacana os repentistas participarem das batalhas de MC’s.

- Seria covardia. É muito conhecimento.O repentista é o marco da rima. Embora não tenha BPM como o hip hop, a poesia é muito bem feita e criada na hora. Seria uma concorrência desleal! - argumenta.

(foto: Amauri Cunha)

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8 de outubro de 2009

SP: Diadema compara cinqüentenário aos 50 anos da revolução cubana

Tags:, , , , - iurirubim às 16:32

O município de Diadema, na Grande São Paulo, comemora neste ano o cinqüentenário de sua emancipação política, ocorrida em oito de dezembro de 1959. Em janeiro deste mesmo ano, Fidel Castro e Che Guevara expulsavam de Cuba o ditador Fulgencio Baptista, inaugurando um nova página na história do país caribenho.

Embora o ano de 2009 seja significativo tanto para Diadema quanto para Cuba, é surpreendente que uma das comemorações dos 50 anos do município paulista compare a sua emancipação com a revolução cubana.

Afinal, enquanto Diadema é um município localizado próximo ao trópico de capricórnio, num país dos maiores países do mundo em extensão e população, de regime capitalista; Cuba, uma pequena ilha, é nação comunista do hemisfério norte, já próxima ao trópico de câncer.

Marca do evento é fusão das bandeiras de Cuba e Diadema

Marca do evento é fusão das bendeiras de Cuba e Diadema

Ainda assim, em meio a tantas diferenças, esses dois lugares encontraram laços de identificação maiores que uma simples coincidência de datas.

- As políticas públicas sempre participativas, a forma de administrar o Estado sempre com muitos conselhos, fazendo tudo sempre junto com a comunidade. O orçamento participativo, todo discutido, planejado em conjunto. Nós de Diadema temos muita identificação com Cuba sim. A ponto de realizarmos, em vários anos, a semana cubana - argumenta José Tadeu Mota, diretor de eventos da prefeitura.

Silvana Gomes, membro da equipe da assessoria de relações internacionais da prefeitura e também organizadora do evento vai mais longe:

- Temos muitos pontos de ligação, do ponto de vista de políticas públicas e também do ponto de vista cultural. Temos um intercâmbio intenso com Cuba, que já dura mais de 10 anos, com muitas visitas delegações de ambos os lado. Boa parte da nossa população é afrodescendente… Isso, claro, sem mencionar que, assim como Cuba fez revolução popular, Diadema também se fez cidade a partir de uma forte participação popular -afirma.

Exposição traz fotos históricas de Diadema

Exposição traz fotos históricas de Diadema

De fato, Diadema é “cidade-irmã” de Santiago de Cuba desde dezembro de 2006. “Queremos aprofundar essa relação com um convênio de cooperação em diversas áreas, especialmente educação, saúde, cultura e esportes”, diz Silvana Gomes.

Por conta dessa identificação, acontece neste mês o evento “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, no Museu de Arte Popular.

A programação é aberta pela mostra “Diálogo: Diadema - Cuba”, que começa hoje, às 19h30, e propõe um diálogo sobre as semelhanças sócio-culturais entre ambas.

Imagens de Cuba que lembram o Brasil

Imagens de Cuba que lembram o Brasil

Na exposição, a história de Diadema registrada década por década divide espaço com as imagens do cubano Aléxis Flores que retrata a cultura de Cuba e convida o público a uma viagem pelo país.

O acervo da professora Dilma de Melo Silva (Escola de Comunicação e Artes/ USP) também integra a mostra. Entre os objetos, estão esculturas, artigos religiosos, caixas artesanais de charutos, pinturas de artistas contemporâneos de Cuba e peças do cotidiano, como artesanatos e brinquedos. A exposição pode ser visitada até o dia 30 de outubro.

Além da abertura da mostra, o público pode participar hoje do lançamento do livro “A História da Maçonaria Cubana” de Eduardo Torres Cueva.

Diadema pretende intensificar intercâmbio cultural com Cuba

Diadema pretende intensificar intercâmbio cultural, dentre outras áreas, com Cuba

A obra apresenta seis ensaios sobre a maçonaria em Cuba, quatro deles apresentados em Simpósios Internacionais realizados pelo Centro de Estudos Históricos da Maçonaria Espanhola.

Além disso, o restante da programação no mês prevê palestras e debates sobre essa identidade com a presença do prefeito da cidade e do cônsul geral de Cuba; exibição de documentários; o lançamento dos livros “O Jovem Fidel” e “O Jovem Che”, de Roniwalter Jatobá; apresentaçãod e bandas tocando músicas cubanas e a realização de uma festa típica cubana no dia 25/10, com comidas e bebidas típicas, música e dança do país caribenho.

Segundo Igor Stepaneko, um dos responsáveis pelo Museu de Arte Popular de Diadema, “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, deve atrair pelo menos duas mil e quinhentas pessoas neste mês.

(imagens: Andréia Alcântara [1]; reprodução [2]; Alexis Flores [3,4])

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6 de outubro de 2009

BA: Pelourinho valoriza “prata da casa”

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A programação cultural do Pelourinho, em Salvador, tem, a partir de hoje, um diferencial bem bacana: quem sobe nos palcos são os artistas nascidos e criados no próprio centro histórico da cidade.

A invisibilidade era um traço comum a esses artistas desde a “limpeza” do Pelourinho - a grande reforma que, se por um lado restaurou o patrimônio construído do centro histórico, por outro, expulsou boa parte da população que habitava o local.

Os palcos e praças do Pelourinho passaram a ser ocupados por artistas de fora, afinal “santo de casa não faz milagre”, não é mesmo?

Há quase dois anos, porém, a situação mudou e os artistas “prata da casa” começaram a ter o merecido espaço graças ao Projeto “Comunidade em Cena”, idealizado pelo Programa Pelourinho Cultural para fomentar a cena local do Centro Histórico de Salvador.

Hoje à noite, a partir das 21h, nos largos Pedro Archanjo e Quincas Berro d’Água, apresentam-se a Banda Tomalira e o reggae de Rás Ednaldo Sá. A entrada é gratuita.

A Banda Tomalira ocupa o Largo Quincas Berro D’Água com um repertório de composições próprias e sucessos de outros artistas. O grupo existe há 20 anos e tem dois discos gravados.

“Nosso repertório tem forte influência do pop e do axé. O Tomalira é também um bloco de carnaval, que sai há sete anos no trajeto entre o Corredor da Vitória e a Praça da Sé, no primeiro dia de festa”, conta o vocalista Renato Kabile.

O show conta também com a participação especial do cantor Portela, ex-integrante do Cortejo Afro, e que atualmente comanda o grupo Afro Batá.

Já no Largo Pedro Arcanjo, o reggaeman Rás Ednaldo Sá anima todos os discípulos de Bob Marley. Além das músicas próprias dos seus três CDs já gravados, o cantor também interpreta grandes sucessos de Peter Tosh, Louis Armstrong, do maior ícone do reggae.

O show de Ednaldo Sá chama-se Jardim Regado e é uma homenagem à chegada da primavera. O cantor paulista do movimento rastafári, Ras I’Pal, faz uma participação especial durante o show.

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3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

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2 de outubro de 2009

Em Sagarana (MG), Festa Guimarães Rosa alia cultura e sustentabilidade

Primeiro assentamento de reforma agrária de Minas Gerais, criado há cerca de 30 anos, o pequeno distrito de Sagarana, no município de Arinos (Noroeste de Minas Gerais), realiza neste mês a segunda edição da Festa Guimarães Rosa.

Também conhecido por Sagarana: Feito Rosa para o Sertão, o evento busca promover o desenvolvimento sustentável com base na preservação do meio ambiente e no patrimônio cultural da região.

O grande sertão exibe as suas veredas

O grande sertão exibe as suas veredas

- A nossa proposta é fortalecer a identidade cultural do Vale do Urucuia, entendida por nós como elemento potencializador do desenvolvimento sustentável do território. Um dos desafios é que as pessoas se reconheçam como sertanejos, que valorizem essa cultura e melhorem a avaliação que têm do sertão. - explica o deputado estadual Almir Paraca, idealizador da Festa.

Durante quatro dias de programação inteiramente gratuita (9 a 12/10), oficinas de linguagens artísticas (como artes cênicas, mímica e fotografia) dividem o espaço com oficinas de produção rural e meio ambiente (como moagem de cana, fabricação de calhas coletoras de água etc.).

saberes repassados por gerações

A receita da rapadura artesanal: um conhecimento repassado por gerações

Há, ainda, oficinas que exaltam o sagrado e os conhecimentos tradicionais, como contação de histórias; jogos, brinquedos e artesanato e danças circulares.

A programação da Festa Guimarães Rosa inclui também multirão de fiandeiras, apresentação de catira e folia de reis, balaio de poesias, encontro de carreiros (”motoristas” de carros de boi) e uma cavalgada.

Tudo isso integrado com uma articulação de instituições e lideranças locais pelo desenvolvimento da bacia do Rio Urucuia - que abrange 11 municípios (10 de Minas e um de Goiás). Agricultura familiar, tecnologias sociais e como integrar esses temas à cultura local são os principais pontos de pauta das rodas de conversa.

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

Sagarana: Feito Rosa para o Sertão foi concebido em 2008 como uma homenagem ao centenário do escritor, cuja obra sintetiza e fortalece a identidade cultural do território. “Guimarães Rosa ajuda a gostar do sertão, a valorizar o sertão, a cultura e esse ambiente”, opina o deputado Paraca.

Nada mais adequado para um local cuja próprio nome remete aos textos do escritor. “Com certeza foi uma referência, pois ‘Sagarana’ foi um nome inventado por Guimarães Rosa. Não tem como ser outra coisa”, afirma, categoricamente, Almir Paraca.

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

No ano passado, cerca de 600 visitantes estiveram na localidade, que fica a 700km de Belo Horizonte e 240km de Brasília. “No primeiro evento houve um certo distanciamento da comunidade, que não participou intensamente. Um pouco de mineirice”, conta o deputado.

Nesta edição, porém, o cenário é outro. Há muito mais mobilização e, como consequência, o distrito deve receber cerca de três mil pessoas (mais de sete vezes a população local).

Para acomodar tanta gente, os moradores de Sagarana estão abrindo as portas das casas e realizando a chamada hospedagem solidária. Um camping também foi colocado à disposição dos visitantes, ansiosos, por ver, quem sabe, alguns frutos das invencionices de Guimarães.

(fotos: Lidyane Ponciano)

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28 de setembro de 2009

BA: Mãe de Santo até hoje tenta reaver prejuízos de terreiro demolido por prefeitura

Ialorixá busca ressarcimento por danos causados com demolição. Caso completa um ano e sete meses sem mostras de ser resolvido. “Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morreu”, diz a mãe de santo.

Desde a demolição parcial do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, localizado no bairro do Imbuí (Salvador), em 27 de fevereiro de 2008, a rotina de Roselice Santos do Amor Divino, a Mãe Rosa, passou a incluir audiências e visitas constantes à Prefeitura de Salvador.

Na próxima quarta-feira (30/09), comparece a uma audiência no setor de meio ambiente do Ministério Público. São tantas que a própria mãe de santo tem dificuldades para determinar com clareza os seus objetivos.

- Olhe, meu filho, é tanta audiência que a gente nem sabe mais direito para que é. Acho que é para eu ter uma garantia que não vão tentar demolir o terreiro de novo - conta a ialorixá.

Na lista de audiências, Mãe Rosa também aguarda o julgamento do recurso da ação que move contra Kátia Carmelo, ex-superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município de Salvador, que ordenou à época a demolição do terreiro.

O judiciário deu ganho de causa a Carmelo em primeira instância. “O Juiz entendeu que ela estava certa”, comenta Mãe Rosa, com algum rancor na voz. Paradoxalmente, ainda no ano passado a ex-superintendente chegou a receber uma honraria da cidade de Salvador, a Comenda Maria Quitéria.

- Eu não desejo que ela vá presa. Quero que ela seja punida, me dando de volta tudo o que ela destruiu - comenta Mãe Rosa sobre a ação contra Kátia Carmelo.

A peregrinação pelas diversas instâncias judiciais não se compara, no entanto, com a dificuldade que a Ialorixá tem para negociar o ressarcimento dos prejuízos causados ao terreiro.

O Blog das Ruas já havia feito uma matéria sobre a situação do terreiro Oyá Onipó Neto em 16 de setembro do ano passado. Na época, a mãe de santo foi diagnosticada de depressão porque a prefeitura tinha apenas reparado as paredes do local, sem recuperar nada do patrimônio destruído, como estátuas e roupas dos orixás e vários outros instrumentos utilizados nos rituais. “Só mexeram na casca”, dizia a Ialorixá.

Desde então, as negociações nada avançaram e a municipalidade não aportou mais nada, apesar dos esforços da mãe de santo.

- De promessa, se vive o santo. O prefeito prometeu: “vou ajeitar”, ele disse. Dali pra cá, vi a cara do prefeito naquele dia [cinco de março de 2008, quando o povo de santo fez uma passeata até a prefeitura]. Depois, não vi mais - fala, indignada.

Mãe Rosa conta que, inclusive, a Secretaria Municipal de Reparação, órgão com o qual negocia a reposição dos bens do terreiro, chegou a perder toda a sua documentação.

- Meus documentos sumiram na Secretaria de Reparação. Deram fim. Mas como tenho tudo no Ministério Público, fui até lá e peguei a lista novamente e levei para o novo secretário.

Apesar de ter conseguido uma audiência com o secretário municipal, não conseguiu convencê-lo a repor o patrimônio destruído.

- Ele disse que tem coisa que não poderia dar. Mas eu respondi: “Essa é a minha cultura. Se destruiu tem que recuperar desse jeito”. Não pedi nada, só o que já tinha aqui - afirma Mãe Rosa.

Do secretário Ailton dos Santos Ferreira, ouviu a promessa de uma audiência em breve com o prefeito João Henrique Carneiro. “Ele disse que entraria em contato comigo e nada. Toda vez que eu ligo, ele [o secretário] nunca está”, reclama.

Sem perspectiva de solução para o terreiro e com a questão encaminhando-se para o segundo aniversário, Mãe Rosa desaba:

- Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morre. Eu tenho que recomeçar tudo de novo.

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