Terra Magazine

3 de novembro de 2009

Jovens voluntários de todo Brasil se reúnem para “sonhar” uma nova Santa Catarina

Já se imaginou saindo de sua cidade, arcando com os custos de sua viagem para outro estado do país, apenas para ajudar as pessoas a tornarem esse estado um lugar melhor para se viver?

Pois é exatamente isso que estava acontecendo até ontem, na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Cerca de 120 pessoas - entre jovens voluntários, pessoas de comunidades locais, dos setores público e privado e de ONGs - decidiram se reunir desde a última sexta-feira (30/10) para “sonhar” com uma Santa Catarina melhor. Veja a programação.

Gente de mais de oito estados do país compareceu ao evento, chamado de Festival Oasis. Literalmente, um festival de sonhadores.

E o que seria esse sonho? Algum plano complicado e realizável apenas no longo prazo, depois do investimento de bilhões de reais?

- Não queremos pensar em algo que não somos capazes de fazer com os nossos próprios recursos. Queremos pensar o que podemos fazer para construirmos um melhor mundo, e não apenas melhorar o que já está aí. E fazer isso com prazer, não como uma ação de sacrifício - conta o estudante carioca Caio Braz, um dos iniciadores e articuladores do movimento.

Desenhando o sonho?

Desenhando o sonho?

Tudo começou a partir da sistematização da metodologia de mobilização social Oasis, sistematizada pelo Instituto Elos. Caio foi uma das primeiras pessoas a receberem o treinamento nessa nova metodologia.

“Daí a gente resolveu colocar esse conhecimento na prática, num estado arrasado pelas enchentes, onde as relações humanas estavam destruídas”, conta Caio, que trancou por um ano o curso de engenharia mecânica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), uma das melhores faculdades do país, para dedicar-se à mobilização social.

Resultado: foi criada a Rede Oasis Santa Catarina, que conta com mais de três mil membros em todo país - e até mesmo no exterior - inscritas na plataforma ning.

Em julho, aproximadamente 500 pessoas estiveram em Blumenau para “colocar a mão na massa”. Ao lado de comunidades arrasadas pelas enchentes - e apenas usando os recursos existentes nessas comunidades, como madeira, cimento etc. - reformaram e revitalizaram espaços públicos (praças, brinquedos) que haviam sido destruídos. “Como é que a gente pode demandar alguma coisa de políticos e governantes se não somos capazes de fazer aquilo que demandamos?”, questiona Caio Braz.

E o interessante é que nada disso tem dinheiro envolvido no meio.

- Não pedimos dinheiro. Na verdade, não é nem uma troca: as pessoas e empresas oferecem o que tem de melhor porque compartilham os mesmos objetivos. A Vila Germânica abriga a Oktoberfest, mas não cobrou nada. Temos telefone celular cedido de graça, alimentação de graça. Até a casa que estamos ocupando foi cedida - conta Caio.

O estudante carioca revela ainda que o objetivo principal das ações da rede não é a recuperação em si de espaços degradados, mas a vitalidade que as comunidades ganham por tomarem as rédeas de seu destino.

- Fazemos com que eles vejam a beleza que eles mesmos têm mas muitas vezes não reconhecem. Quando elas acreditam que é possível realizar os seus desejos, passam a ver abundância no lugar de escassez - argumenta.

E a rede está crescendo. Luciano de Sálua, estudante paulista e colaborador da Revista Viração, não havia participado da ação anterior em Santa Catarina. Ainda assim, bancou sua ida ao Festival em Blumenau.

- Sou um filho novo do Oasis. Não participei da ação do meio do ano aqui em Santa Catarina, mas participei de vários desdobramentos, lá em São Paulo. Resolvi vir porque aceitei este convite para sonhar - conta.

(fotos: Eric Silva/ Revista Viração)

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28 de outubro de 2009

Brasil começa a estruturar ligas de futebol… americano

Tags:, - iurirubim às 7:00

Já se imaginou torcendo para o Rio de Janeiro Sharks? Ou para o Amazon Black Hawks? Os nomes estrangeiros não são mera coincidência. Cada vez mais cresce no Brasil a paixão pelo futebol americano - é isso mesmo, aquele da bola oval.

No sábado passado, o Cuiabá Arsenal, fundado em 2006, venceu o Tubarões do Cerrado - time de Brasília, criado em 2004 - por 30 x 0.

A vitória rendeu ao time do Mato Grosso vagas nas semifinais do torneio Touchdown, a primeira competição de times em âmbito nacional de futebol americano no Brasil.

Em abril deste ano, outra estréia: no I Torneio Brasileiro de Seleções Estaduais, ocorrido em São Paulo, foram utilizados pela primeira vez todos os equipamentos de proteção do esporte (capacetes e ombreiras, exatamente os mesmos usados na terra do Tio Sam).

A história do futebol americano no Brasil é quase toda assim: construída a partir de times, ligas e campeonatos criados neste século. Em geral, com menos de cinco anos de vida.

A própria seleção brasileira de futebol americano (sim, ela existe!) foi convocada pela primeira vez em 2007, com atletas do Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, por conta de um jogo amistoso com a seleção uruguaia. O placar? 21 a 14. Para os uruguaios.

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

Os times mais longevos em atividade no Brasil são o Botafogo Matutes (RJ, 1994) e o Botafogo Reptiles (RJ, 1999). O primeiro time foi o Rio Guardians, fundado por Robert Lee Seagal e amigos nas areias das praias cariocas em 1986. A agremiação, entretanto, encerrou suas atividades em 2001 e seus jogadores ingressaram em outros times.

Como você deve ter adivinhado no parágrafo acima, algumas equipes, como o Reptiles, o Mamutes e o America Red Lions têm acordos com os times de futebol “brasileiro”.

Número cada vez maior de torneios, unificação de regras no país, qualificação da arbitragem: tudo isso está acontecendo sem muita badalação, mas demonstra o aumento do interesse pelo futebol americano no Brasil. Outra prova desse interesse é a existência de mídias especializadas, como o Blog Sideline.

Em atividade desde 2002, existe também uma associação nacional, a AFAB, além de diversas ligas e federações estaduais (SP, SC, PR, AM, PB etc.). Como vê caro leitor, o brasileiro gosta tanto de futebol que quer aprender a jogar também com as mãos.

(fotos: Rodrigo Pons/ Felipe Rugboy, via Blog Sideline)

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26 de outubro de 2009

Festival indígena vira atração turística no Acre

Começou no último domingo (25/10) o Festival Yawá, um momento de celebração da cultura indígena, de resgate de brincadeiras tradições do povo Yawanawá.

O Festival é o símbolo da independência e da identidade dos Yawanawá. Vítimas de um “massacre cultural” provocado pela intervenção de peruanos, brasileiros e missionários norte-americanos, especialmente nas décadas de 70 e 80, o povo Yawanawá esqueceu sua língua nativa (lembrada apenas pelos mais velhos) e parou de realizar rituais sagrados, como usar rapé e beber o Uni (ayahuasca).

Toda a Aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, para durante o período da festa, que vai até a próxima sexta-feira (30/10). São suspensas todas as atividades cotidianas e todos dedicam-se apenas à imersão de uma semana nos costumes e brincadeiras da tribo, que poderiam desaparecer junto com os seus últimos anciões.

Hoje, graças a um trabalho de recuperação desses referenciais culturais, o povo Yawanawá voltou a sentir orgulho de sua ancestralidade. Mais que isso: aprendeu estabelecer um diálogo saudável com o mundo do homem branco sem que isso signifique abrir mão de seus valores indígenas.

Além dos rituais espirituais do uso do rapé e do Uni, que acontecem com frequência durante a festividade, centenas de índios celebram a terra e a cultura Yawanawá com cantos, pintura corporal e danças - como a pisada no pé, que gera muitos inícios de namoro - e provas de resistência, vistas como oportunidade para os jovens da aldeia exibirem-se às mulheres.

Vale mencionar a prova da espinha de peixe (foto no topo), realizada por indígenas que estejam com “desejo de vingança”. Em duplas, cada oponente dá duas investidas, à toda força, com talo de bananeira nas costas do outro - podem participar da prova, inclusive, mulheres e crianças.

Ao final, a dupla exibe orgulhosa as marcas das chibatadas e dão as mãos, sinalizando que as pendências entre eles estão resolvidas.

O Festival Yawá é uma síntese das tradições e costumes dos Yawanawá

Para os indígenas, o Festival é também uma oportunidade de agradecer aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e pelos momentos de alegria vividos durante esse período.

Etnoturismo

O Festival Yawá começou a ser realizado em 2002, como parte da reconstrução cultural dos Yawanawá.

Desde o anos passado, porém, a festividade foi aberta a turistas, o que representou uma grande abertura para a tribo e um novo marco de diálogo com a cultura do homem branco.

Essa abertura é, na verdade, um entendimento entre os Yawanawá, empresas privadas e autoridades governamentais. Afinal, como diz o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques: “Não se pode chegar à aldeia de qualquer jeito. É necessário estabelecer limites de visistantes, retonor financeiro para os índios, regras de visitação”.

Além de assistir às atividades do Festival, os turistas também alimentam-se de pratos tradicionais da cultura Yawa, cujos ingredientes predominantes são carnes de caça e peixes e iguarias à base de batata, milho, banana e mamão.

O Festival acontece na Aldeia Nova Esperança, dentro da Terra Indígena do Rio Gregório, a primeira a ser demarcada no Acre, em 1984, e um dos maiores territórios indígenas em solo acreano. No ano passado, a terra foi revista e ampliada, ocupando um perímetro de 239 quilômetros.

A Aldeia fica entre os municípios de Cruzeiro do Tarauacá. Para se chegar é preciso pegar um voo de Rio Branco até um dos dois municípios e transporte terrestre pela BR 364, até a ponte do Rio Gregório. Na ponte, pequenos barcos fazem o trajeto até a aldeia, que pode durar até 8h por conta das condições de navegabilidade.

Algumas empresas, como a Manain-Amazônia, oferecem pacotes para a festa, já bastante requisitados, especialmente por turistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também é possível fazer contato direto com administradores do povo Yawanawá, como o filho do cacique, Macilvo Yawanawá, pelo telefone (68) 9206.4261.

(fotos: Sérgio Vale/ Secom/Acre)

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24 de outubro de 2009

SP: Noivos vão de bicicleta para o altar

Priscila Teixeira e William Cruz vão se casar hoje. O sonho romântico deste casal, porém, é diferente da maioria dos outros: neste casamento, noivos, padrinhos, amigos e parentes vão ao cartório de bicicleta!

“Eu uso a bicicleta para praticamente tudo. Sou um ativista da causa, tenho um blog sobre o assunto; enfim, a bicicleta faz parte do meu dia-a-dia”, diz William.

Mas o noivo faz questão de dar os créditos a quem é de direito: “A ideia foi da Priscila. Teve uma hora que ela me perguntou: ‘Porque a gente não vai de bicicleta pra lá?’. Eu, claro, adorei”.

Decidida a questão, começaram a convidar os amigos e a família para a empreitada (veja texto do convite no blog do William).

- A gente não achou que fosse tanta gente! O pessoal gostou da ideia, estão divulgando, parece que vão mesmo! E olhe que não convidamos só gente da cena ciclioativista. Tem parentes, colegas de trabalho… pessoas que nunca andam de bicicleta pela cidade - conta William, ainda surpreso com a recepção da ousadia do casal.

E o casal vai pedalar trajado a rigor para o casário: ele, de terno, paletó, gravata e gel no cabelo; ela, de sandália de salto e vestido de noiva (”o vestido é um pouco mais curto, mas é vestido de oiva sim”, argumenta o futuro marido). Não só eles, mas também muitos dos amigos e parentes pedalam com trajes elegantes. “É o cyclechic”, brinca.

Para marcar definitivamente a importância das bicicletas na união, os pombinhos combinaram de encontrar os convidados na Praça do Ciclista, ponto de partida da tradicional Bicicletada paulistana.

O roteiro da Bicicletada do Casório - como a batizou, divertidamente, o noivo - é o seguinte: a partir das nove da manhã, os noivos já estão na Praça do Ciclista. Às 9h30, eles e os convidados saem em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde.

Depois do enlace todos seguem para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (previsão de chegada: 12h30), onde o casal corta o bolo e continua a celebração. “Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento”, desafia William.

Pergunto ao noivo se ele não tem receio de transformar o casamento numa manifestação política. Ele dá a entender que a principal motivação é íntima, tem a ver com a vida do casal, mas não deixa de falar com todas as letras:

- É uma manifestação no sentido de que mostrar que dá para fazer outras coisas de bicicleta além de dar uma volta no parque ou na ciclofaixa. Dá até para casar. Não precisa chegar no casamento de carro - diz.

Namorados de adolescência

“Nossa historia é bem longa, tem mais de 20 anos”, confidencia William. Ele conta que os noivos tiveram um namoro adolescente que durou três meses, quando tinha 14 anos e ela, 12 (hoje ele tem 36 e ela, 34). “Foi o nosso primeiro namoro um pouco mais sério”, afirma.

Depois de um tempo, o casal perdeu o contato, ambos casaram com outras pessoas e, depois, separaram-se. Na época em que estava se separando, William foi encontrado por Priscila no Orkut. Daí começaram a sair juntos e o romance engatou. “Na verdade, nunca havíamos esquecido um do outro”, garante, sem hesitar, o futuro marido.

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23 de outubro de 2009

SP: Trupe realiza mostra de arte dentro de um ônibus

Já imaginou pegar a condução, igualzinho a todo dia, e descobrir que está no meio de uma peça de teatro? Ou de um espetáculo de dança?

É isso que vai acontecer com os passageiros do ônibus no trajeto Terminal Sacomã - Terminal Mercado do Expresso Tiradentes, na capital paulista, entre os dias 25 e 28 de outubro. Seguindo o trajeto normal da linha, um ônibus oferece à “platéia de passagem” intervenções de teatro, dança, música e artes visuais, sempre das 10 às 13h.

Idealizada pela Trupe Sinhá Zózima, a mostra Arte Expressa deve ser vista por 6300 moradores da capital paulista. Segundo a própria Trupe, essa é a “primeira mostra de artes dentro do transporte público no município de São Paulo”. Confira a programação.

- O Público está ali para se locomover. Não sabe que naquele dia ele vai se deparar com esse tipo de arte. E não é um ônibus adaptado. A única diferença são as placas no teto de feitas pelos artistas plásticos. Daí um grupo entra e se apresenta, com passageiro, cobrador, motorista. Como um dia qualquer - explica o ator Anderson Maurício, um dos membros da Sinhá Zózima.

Para realizar a mostra, a Trupe conseguiu que uma empresa de transportes disponibilizasse um veículo a mais para a linha. “Também não obrigamos os passageiros a entrar; se quiserem, podem pegar o ônibus normal”, comenta Anderson.

- O nosso desafio é experimentar o espaço e levar a arte para outros lugares. Há Espaço ocioso e é o nosso trabalho mostrar que a arte pode se manifestar em todo lugar - completa o membro da Trupe.

O encerramento da mostra Arte Expressa fica por conta de uma exposição fotográfica no Terminal Mercado, entre 14 e 21 de novembro. As fotos registram os espetáculos e dividem os melhores momentos da mostra, além, claro de despertas a curiosidade de quem não teve a oportunidade de embarcar com o grupo.

A ousadia da iniciativa é consequência de uma pesquisa que a Trupe Sinhá Zózima vem desenvolvendo desde abril de 2007, quando os membros do grupo entraram pela primeira vez num ônibus, em Ubatuba, apresentando cenas, canções e intervenções artísticas.

Atualmente, o grupo teatral tem dois espetáculos que utilizam ônibus: “Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa no. 6″. Enquanto no primeiro a platéia realmente embarca numa viagem teatral com o ônibus em movimento, no segundo os atores apresentam-se com o veículo parado. “Isso gera uma angústia enorme do público, que fica na expectativa do ônibus andar”, conta Anderson Maurício.

Em cada montagem, o ônibus recebe um significado, e a interação com este espaço só é plena após a estréia, pois o público-passageiro é peça fundamental para ditar o ritmo e desenrolar da movimentação e interação entre o ônibus e as personagens do espetáculo. “O grau de improvisação é enorme”, diz Anderson Maurício.

Certa feita, quando a Trupe apresentava o “Cordel do Amor Sem Fim” em pleno engarrafamento de São Paulo, os atores perceberam que um grupo de crianças de rua acompanhava o espetáculo pelo lado de fora.

- Foi muito bonito. Ali a gente percebeu que espetáculo também acontecia fora do ônibus. Por mais que passe rápido, as pessoas nos pontos de ônibus notam a intervenção. No mínimo, pensam: “Pôxa, gostaria de pegar esse ônibus”. Acordamos um pouco e percebemos que o espetáculo atinge um público muito maior - argumenta Anderson Maurício.

E você, topa embarcar nesse ônibus?

(foto: Danilo Dantas/Divulgação)

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19 de outubro de 2009

SP: Mostra Cultural põe em evidência a produção da periferia

Entre 19 e 25 de outubro, a Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, o CEU Campo Limpo, o CEU Casa Blanca e o Bar do Zé Batidão, na periferia de São Paulo, são ocupados pela II Mostra Cultural da Cooperifa, a Cooperativa de Poetas da Periferia.

Chama atenção a variedade e a quantidade de produções em dança, teatro, música, artes-plásticas, literatura e cinema reunidas para comemorar a oitava festa de aniversário do Sarau da Cooperifa. Confira a programação.

Curador da Mostra, o poeta Sérgio Vaz lançou mão de todas essas linguagens para colocar a produção cultural da periferia brasileira em evidência. Dá até para se perguntar por que ou para que a periferia deve ir ao centro? Aliás, onde está o centro?

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distrtibu�das à população

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distribuídas à população

Ganham destaque na programação a feira de livros e debates sobre literatura com Marcelino Freire, Xico Sá, Ferréz, Sacolinha, Heloisa Buarque de Hollanda, Écio Salles, Chacal, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo e Nelson Maca.

Para a garotada, a espanhola Cia. Bambalina, apresenta Kraft, que usa os fantoches e mescla a linguagem teatral com outras dramaturgias para abordar o amor pelas pessoas e coisas. No teatro os interessados também podem ver Os Tronconenses, do Núcleo Teatral Filhos da Dita/Instituto Pombas Urbanas.

Este é "Para�ba", o lanterninha do Cinema na Laje

Este é "Paraíba", o lanterninha do Cinema na Laje

Já o Cinema na Laje é pura ousadia. Uma sala de cinema ao ar livre, na laje do Zé Batidão. O curador Sérgio Vaz já tinha inclusive anunciado em seu Blog que o Cinema na Laje “vai virar o cinema Paradiso da Zona Sul paulistana”.

Durante essa semana são exibidos curtas e longas nacionais a exemplo de Profissão MC (52 min), de Alessandro Buzo e Toni Nogueira e Pode me chamar de Nadí (18 min) de Déo Cardoso (CE). Esses são alguns dos títulos que vão inspirar o debate A periferia se vê no cinema de periferia?.

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Para concretizar a Mostra, a Cooperifa articula parcerias que envolvem a ONG Ação Educativa, o Centro Cultural da Espanha, o Itaú Cultural, a Global Editora e o SESC Santo Amaro.

Como movimento de incentivo à leitura e à criação poética, a Cooperifa já realizou eventos inusitados como o “Poesia no ar”, quando os poemas são soltos em balões; o “Ajoelhaço”, ocasião em que poetas e convidados ajoelham-se e pedem perdão para as mulheres e a “Chuva de livros”, quando presenteia a comunidade com livros (neste ano foram 600).

(fotos: reprodução)

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17 de outubro de 2009

AC: Começa II Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores

Que tal participar de um campeonato brasileiro de… escalada em árvores? Isso mesmo. O Campeonato não apenas existe, como começa hoje, no Parque urbano do Tucumã em Rio Branco, capital do Acre.

Em sua segunda edição, o Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores é organizado pelo Governo da Acre e pela Prefeitura de Rio Branco, em parceria com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) e a International Society of Arboryculture (ISA). O evento dura dois dias: 17 e 18 de outubro e antecede o 13º Congresso Brasileiro de Arborização Urbana (CBAU), que acontece em seguida.

A competição é destinada à arboristas, coletores de sementes, epífitas e bromélias e orquídeas e praticantes de rapel, bem como pesquisadores da flora e fauna do dossel e pessoas que trabalham com a escalada como técnica de acesso a árvores de grande porte. Para participar, é necessária a inscrição no site do evento e o pagamento da taxa de R$ 75,00.

Os competidores inscritos têm a oportunidade de visitar a Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, e hospedar-se na Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira, onde podem escalar imensas árvores amazônicas como a Samaúma e Castanheira, entre outras espécies, que chegam a medir até 50 metros de altura.

Você teria coragem de subir numa dessas?

Você teria coragem de subir numa dessas?

Para o torneio, os competidores levam seus próprios equipamentos de segurança: capacete, óculos de proteção, corda de segurança, mosquetões de no mínimo duas seguranças, sistema autoblocante e cinto específico de arborista. Todo esse equipamento é devidamente inspecionado pela comissão organizadora em reuniões prévias.

O Campeonato é realizado em duas etapas (Conheça as regras). A primeira fase, seletiva, acontece hoje. Nela, os participantes executam três modalidades: o Footlock, técnica de escalada que utiliza corda e travamento de pés para a ascensão; o Resgate em Altura, que mostra a habilidade do competidor em resgatar um trabalhador de árvore ferido, utilizando todas as técnicas de segurança; e o Deslocamento em Copa, onde é feita a locomoção e caminhada pelos galhos das árvores. Para ver a programação completa, clique aqui.

Vão para a etapa final os competidores que realizarem as modalidades de acordo com as normas corretas de escalada, sem danos às árvores, no menor tempo. Na segunda fase, dia 18, os finalistas irão executar apenas o deslocamento na copa de árvore, seguindo os mesmos critérios de avaliação.

E então, esse campeonato é para você? Comente.

(fotos: Arquivo Secom/ Governo do Acre)

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12 de outubro de 2009

RS: Festival premia melhor história de pescador

Que brasileiro não conhece uma divertida - e absurda - história de pescador? Peixes gigantes, pescaria abençoada, briga com tubarões, sereias… o repertório é interminável num país com tantos rios e tamanho litoral.

Mas agora, ao invés de impressionar a família e os amigos, essas histórias vão valer prêmios. É isso aí: a Casa de Cultura do Litoral Norte do Rio Grande do Sul está com inscrições abertas para o primeiro Festival de Contação de Histórias de Pescador.

- O Festival surgiu da necessidade de afirmar a identidade cultural do povo gaúcho que vive na beira da praia. O típico gaúcho é o homem montado a cavalo com a pampa aberta à sua frente. Esse não é o nosso referencial de gaúcho. Aliás, existem muitos outros tipos de gaúcho. Então nada melhor que contribuir para diversidade cultural do nosso estado e fortalecer a figura do pescador e seu entorno como referenciais culturais do nosso povo - argumenta Ivan Therra, coordenador da Casa de Cultura do Litoral Norte e membro do jornal comunitário O Marisco.

O Festival é aberto ao público e acontece nos dias 30 e 31 de outubro, no Centro Municipal de Cultura de Torres (RS), com o apoio do Sesc-RS.

Durante esse período, vinte histórias pré-selecionadas são contadas à platéia (10 por dia). Um júri analisa a qualidade das histórias e a performance dos concorrentes para escolhes os três vencedores, nas categorias “real/ humorística”; “fantástica/ imaginária” e “ecológico”.

- A gente podia fazer um festival de música, literatura, cinema, mas todos eles seriam restritos aos profissionais daquela área. Já a contação de histórias não. Todo mundo conta histórias, nossa vida é contar histórias. Principalmente as comunidades do litoral, criadas em torno da pesca. Além disso, é uma proposta nova. Eu não tenho notícia de evento similar no Brasil - afirma Therra.

De fato, é um Festival bastante aberto: qualquer brasileiro pode participar. Para isso, basta acessar o site do Festival e enviar uma história de no máximo duas páginas. As inscrições são gratuitas e vão até o dia 17 de outubro.

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

A organização do evento afirma ter recebido, até o último sábado, trinta e oito histórias. “Recebemos inscrições de todo o Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também tivemos contato com o pessoal da Amazônia, mas eles não devem vir por causa da distância”, conta Ivan Therra.

O prêmio em cada uma das três categorias é de mil reais. As histórias premiadas também serão transformadas em curtas-metragens - o orçamento para isso já está garantido.

Além disso, todas as 20 histórias pré-selecionadas para apresentação nos dias 30 e 31 de outubro serão publicadas num livro-coletânea.

E então, você tem uma história de pescador cabulosa para contar? Só não vale falar do Minhocão, um ser misterioso que vive na Lagoa do Armazém, em Tramandaí, que quebra barcos, come galinhas e ovelhas e é responsável pelo sumiço de pescadores. Esse aí ninguém nunca viu, mas todo mundo já conhece…

(fotos: divulgação)

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8 de outubro de 2009

SP: Diadema compara cinqüentenário aos 50 anos da revolução cubana

Tags:, , , , - iurirubim às 16:32

O município de Diadema, na Grande São Paulo, comemora neste ano o cinqüentenário de sua emancipação política, ocorrida em oito de dezembro de 1959. Em janeiro deste mesmo ano, Fidel Castro e Che Guevara expulsavam de Cuba o ditador Fulgencio Baptista, inaugurando um nova página na história do país caribenho.

Embora o ano de 2009 seja significativo tanto para Diadema quanto para Cuba, é surpreendente que uma das comemorações dos 50 anos do município paulista compare a sua emancipação com a revolução cubana.

Afinal, enquanto Diadema é um município localizado próximo ao trópico de capricórnio, num país dos maiores países do mundo em extensão e população, de regime capitalista; Cuba, uma pequena ilha, é nação comunista do hemisfério norte, já próxima ao trópico de câncer.

Marca do evento é fusão das bandeiras de Cuba e Diadema

Marca do evento é fusão das bendeiras de Cuba e Diadema

Ainda assim, em meio a tantas diferenças, esses dois lugares encontraram laços de identificação maiores que uma simples coincidência de datas.

- As políticas públicas sempre participativas, a forma de administrar o Estado sempre com muitos conselhos, fazendo tudo sempre junto com a comunidade. O orçamento participativo, todo discutido, planejado em conjunto. Nós de Diadema temos muita identificação com Cuba sim. A ponto de realizarmos, em vários anos, a semana cubana - argumenta José Tadeu Mota, diretor de eventos da prefeitura.

Silvana Gomes, membro da equipe da assessoria de relações internacionais da prefeitura e também organizadora do evento vai mais longe:

- Temos muitos pontos de ligação, do ponto de vista de políticas públicas e também do ponto de vista cultural. Temos um intercâmbio intenso com Cuba, que já dura mais de 10 anos, com muitas visitas delegações de ambos os lado. Boa parte da nossa população é afrodescendente… Isso, claro, sem mencionar que, assim como Cuba fez revolução popular, Diadema também se fez cidade a partir de uma forte participação popular -afirma.

Exposição traz fotos históricas de Diadema

Exposição traz fotos históricas de Diadema

De fato, Diadema é “cidade-irmã” de Santiago de Cuba desde dezembro de 2006. “Queremos aprofundar essa relação com um convênio de cooperação em diversas áreas, especialmente educação, saúde, cultura e esportes”, diz Silvana Gomes.

Por conta dessa identificação, acontece neste mês o evento “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, no Museu de Arte Popular.

A programação é aberta pela mostra “Diálogo: Diadema - Cuba”, que começa hoje, às 19h30, e propõe um diálogo sobre as semelhanças sócio-culturais entre ambas.

Imagens de Cuba que lembram o Brasil

Imagens de Cuba que lembram o Brasil

Na exposição, a história de Diadema registrada década por década divide espaço com as imagens do cubano Aléxis Flores que retrata a cultura de Cuba e convida o público a uma viagem pelo país.

O acervo da professora Dilma de Melo Silva (Escola de Comunicação e Artes/ USP) também integra a mostra. Entre os objetos, estão esculturas, artigos religiosos, caixas artesanais de charutos, pinturas de artistas contemporâneos de Cuba e peças do cotidiano, como artesanatos e brinquedos. A exposição pode ser visitada até o dia 30 de outubro.

Além da abertura da mostra, o público pode participar hoje do lançamento do livro “A História da Maçonaria Cubana” de Eduardo Torres Cueva.

Diadema pretende intensificar intercâmbio cultural com Cuba

Diadema pretende intensificar intercâmbio cultural, dentre outras áreas, com Cuba

A obra apresenta seis ensaios sobre a maçonaria em Cuba, quatro deles apresentados em Simpósios Internacionais realizados pelo Centro de Estudos Históricos da Maçonaria Espanhola.

Além disso, o restante da programação no mês prevê palestras e debates sobre essa identidade com a presença do prefeito da cidade e do cônsul geral de Cuba; exibição de documentários; o lançamento dos livros “O Jovem Fidel” e “O Jovem Che”, de Roniwalter Jatobá; apresentaçãod e bandas tocando músicas cubanas e a realização de uma festa típica cubana no dia 25/10, com comidas e bebidas típicas, música e dança do país caribenho.

Segundo Igor Stepaneko, um dos responsáveis pelo Museu de Arte Popular de Diadema, “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, deve atrair pelo menos duas mil e quinhentas pessoas neste mês.

(imagens: Andréia Alcântara [1]; reprodução [2]; Alexis Flores [3,4])

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7 de outubro de 2009

ES: Jongos e Caxambus comparam tambores e batidas em encontro estadual

No final de semana passado, a comunidade quilombola de Vargem Alegre, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES) foi anfitriã do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O caxambu e o jongo são manifestações culturais afrobrasileiras reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial, em 2005.

No Brasil, elas surgiram nas senzalas, no período colonial. Seus participantes dançam e cantam rimas em roda, ao som de palmas e tambores, chamados caxambus, que são feitos pelos próprios membros dos grupos. Os versos cantados remetem ao tempo da escravidão e também retratam o cotidiano. Leia mais aqui, aqui e aqui.

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Infelizmente, o Blog das Ruas “descobriu” o Encontro apenas na última segunda-feira, o que impossibilitou uma cobertura mais bacana da nossa parte.

Para não deixar que o acontecimento passe em branco neste espaço, pedi a um de seus organizadores, o diretor de artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim, Genildo Coelho Hautequestt Filho, que escrevesse um relato sobreo encontro, transcrito logo abaixo.

“Entre os dias 3 e 4 de outubro, aconteceu na comunidade quilombola de Vargem Alegre, município de Cachoeiro de Itapemirim-ES o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O evento reuniu todos os 14 grupos de jongos e caxambus em atividade no estado, transformando-se em uma grande oportunidade de congraçamento e também em um fórum que, a partir de agora, se tornará permanente.

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

No Encontro os grupos tiveram a oportunidade de contar sua história, discutir seus jongos (versos contados pelos grupos) e comparar suas batidas e tambores. Essa oportunidade causou encantamento e estranhamento pela grande diversidade entre os grupos presentes.

O mais importante acontecimento foi a criação de um fórum de discussão que pretende-se ser permanente e que terá o objetivo de discutir os problemas enfrentados pelas comunidades jongueiras do Espírito Santo buscando soluções em conjunto com as instituições públicas envilvidas.

Também estiveram representados no Encontro todas as 16 comunidades jongueiras dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro que estão ligadas ao Pontão do Jongo.

A realização do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus só foi possível em função da união de diversos parceiros: Comunidade de Vargem Alegre, Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, através da Secretaria Municipal de Arte e Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ministério da Cultura”.

Genildo Coelho Hautequestt Filho é arquiteto urbanista e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim.

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