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23 de novembro de 2009

BA: Surdos fazem Sarau com tradução para ouvintes

Tags:, , , , - iurirubim às 14:36

O que você faria se acordasse um dia e não conseguisse se comunicar com a sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho? Imaginou a situação? Isso é só uma amostra das dificuldades que os surdos enfrentam diariamente, apenas para realizar as tarefas mais simples de seu cotidiano.

Nós, ouvintes, temos a tendência de simplesmente ignorar a presença dos surdos no nosso país. Closed caption? Aquela pessoa num quadro pequeninho, fazendo gestos enquanto algum político fala na TV? Esse estranhamento tolerante é o mais próximo que conseguimos chegar do universo silencioso dos nossos compatriotas, que nem mesmo são poucos.

Embora pouco menos de 170 mil brasileiros se declarem surdos, segundo o IBGE 5,7 milhões de pessoas apresentam algum grau de deficiência auditiva no país. É toda uma Dinamarca de surdos. Ainda assim, são rotineiramente ignorados pelas políticas públicas e pelo restante da sociedade.

Como de costume, os melhores exemplos de tolerância e inclusão vêem de quem sofre o preconceito.

Participei, no último domingo (22/11), do I Sarau Sinalizado, uma iniciativa do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (CECLIS) para divulgar a cultura surda que aconteceu no teatro da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador.

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Intérpretes a postos, há sempre uma tradução acontecendo. Seja ela do português falado para as libras (linguagem de sinais) ou o caminho inverso.

O mais interessante é que, ainda que exista uma ou outra apresentação falada, os intérpretes estão ali para garantir que os ouvintes entendam o que está sendo dito. Naquele local, naquele breve momento, a ordem das coisas se inverte e quem precisa de ajuda são as pessoas “normais”.

Este blogueiro, por exemplo, sentiu-se completamente perdido e despreparado quando ao tentar entrevistar alguns dos surdos presentes. Ali, quem precisava de tradução era eu.

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

No Sarau não está em questão a complexidade estética das apresentações, mas a possibilidade de pessoas com deficiência auditiva subirem ao palco e contarem histórias, declamarem poesias e, o melhor de tudo, ficarem à vontade, serem entendidas do jeito que se expressam.

O auditório lotado com mais de 200 pessoas, repleto de famílias constituídas de ouvintes e surdos, vê o surdo Cléber contar, em libras, a história dos três porquinhos e a Cia de teatro Riso Cá Cá mesclar atores surdos e ouvintes em sua apresentação. Vê também o hino nacional ser sinalizado, na abertura do Sarau.

O momento mais emocionante, entretanto, é a apresentação do Coral de Mães. Vestidas de vermelho e portando luvas brancas, cerca de 10 mulheres na faixa dos quarenta anos sobem ao palco. Dentro de alguns minutos, o som do auditório vai tocar duas músicas, que serão interpretadas em linguagem de sinais por elas.

- Resolvemos usar a música para aprender a nos comunicar com nossos filhos porque isso é muito importante para a gente. Temos que saber o que eles querem fazer, o que estão com vontade de comer, entender o que querem dizer - diz uma delas.

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

Presente na apresentação, Eunice Rosa dos Santos é mãe de Ana Carolina, 21, filha única dela e do marido. Surda desde que nasceu, Ana Carolina não tem muitas dificuldades em se entender com a mãe. Entretanto, Eunice é a única da família que consegue se comunicar com a filha.

- Meu marido não sabe. Aliás, ninguém na família nunca se interessou em aprender os sinais para falar com ela.

Embora o drama de Eunice se reproduza em muitos lares de pessoas com deficiência auditiva, o auditório da Biblioteca Monteiro Lobato também abrigava o extremo oposto: casais formados por surdos e ouvintes, em que o afeto aproxima os dois universos e faz com que os ouvintes se engajem na causa dos companheiros deficientes auditivos.

O Sarau Sinalizado deve tornar-se regular e ser realizado anualmente, sempre com intérpretes prontos para facilitar o entendimento entre surdos e ouvintes. Mediação que, espero, um dia não será mais necessária.

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20 de novembro de 2009

RJ: “Trem do Funk” realiza baile sobre trilhos

Depois que foi reconhecido como patrimônio cultural do Rio de Janeiro, o funk está mesmo saidinho.

Hoje, chama o eterno herói Zumbi dos Palmares para balançar sobre os trilhos. É isso mesmo: a galera do batidão resolveu celebrar o Dia da Consciência Negra criando o “Trem do Funk”, uma iniciativa inédita para o gênero musical.

Seis vagões, com capacidade para 1800 passageiros, partem às 11h (horário de Brasília) da Central do Brasil até Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Para participar do batidão, basta pagar a passagem comum: R$ 2,50.

O trem vai seguir o trajeto em velocidade reduzida e tem paradas previstas apenas nas estações Jacarezinho, Mercadão de Madureira e Pavuna. Nelas, embarcam, além de passageiros, artistas locais que animam as três plataformas enquanto o público espera pelo trem. A jornada deve levar cerca de uma hora.

A festa, entretanto, começa bem antes da partida do trem. Às 10h, na própria Central do Brasil, o som já toca à toda, colocando todo mundo no clima do passeio.

Na chegada em Belford Roxo o baile continua com a equipe do Furacão 2000 na Praça Eliakim Araújo, a principal da cidade.

Primeira edição do Trem do Funk já tem confirmadas as presenças de Furacão 2000; Priscila Nocetti e Cia de Dança; Os Hawaianos; Leandro e as Abusadas; David Bolado e Rose Bumbum; Márcio G; Mc Créu; Max; Bruninha e Jaula das Gostozudas.

Como é inspirado no Trem do Samba - que há 13 anos passeia com bambas no dia 2 de dezembro (Dia do Samba) -, o “bonde” do funk também recebe estrelas desse e de outros gêneros musicais. Ivo Meireles; Neguinho da Beija-Flor; a Bateria da Mangueira; a Banda Afroreggae; Dida Nascimento e Afoxé Raízes Africanas “dividem os trilhos” com o pessoal do batidão.

O projeto do Trem do Funk é organizado por Rômulo Costa, secretário de Cultura de Belford Roxo e membro da Furacão 2000, que promete torná-lo parte do calendário oficial de eventos do Rio de Janeiro.

Funk solidário

Além de celebrar o Dia da Consciência Negra, o Trem do Funk tem um objetivo social. Durante o trajeto do trem, serão arrecadados donativos para ajudar as vítimas das chuvas que assolaram Belford Roxo recentemente - até o último dia 17, a cidade tinha mais de três mil desabrigados. A colaboração, claro, é voluntária.

(foto: Proderj/ Governo do Estado do Rio de Janeiro)

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17 de novembro de 2009

BA: Artistas ocupam esquinas em Salvador

Na cidade dos sonhos de artistas e amantes da cultura, as avenidas têm, a cada esquina, uma apresentação cultural.

Pelo menos por hoje, podemos dizer que essa cidade é Salvador e a avenida é a Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba.

Esta noite, entre as 19h e as 20h30, dez esquinas da Av. Manoel Dias da Silva, entre as ruas Bahia e Piauí, recebem performances artísticas simultâneas de circo, teatro, hip hop e, principalmente, música.

É a estréia do projeto Hoje é Dia de Esquina! Para humanizar a cidade, que pretende, a cada ano, ocupar o espaço público urbano com atrações culturais.

Mas não pense que a via, uma das mais importantes da cidade, será interditada. A produtora cultural Cássia Cardoso, idealizadora e responsável pelo projeto, procura realizar as apresentações sem mudar - aparentemente - a rotina do local, mantendo o trânsito livre e o funcionamento normal dos estabelecimentos da região.

- A nossa ideia não é sonorizar a Avenida Manoel Dias da Silva. Só a esquina. Não queremos que uma esquina incomode a outra, nem que incomode os vizinhos. Por isso, vamos ter em cada uma delas um som profissional pequeno. E também uma iluminação simples, quase que para marcar o local da atração - explica a produtora.

Os artistas tocam no chão, sem palco ou cordas que os separem do público. “Não é um show de palco. É uma apresentação na rua. Eles vão ter que se reeducar”, ressalta Cássia Cardoso.

Essa proximidade entre artistas e público não é exatamente uma novidade, mas também não é algo usual na cena soteropolitana. “A gente pode não ter esse costume aqui, mas isso já é normal lá no exterior. Todo verão no Central Park (Nova Yorque) é isso que acontece”, conta a produtora.

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas de Salvador

As performances artísticas são as seguintes:

1. Aicha Marques e André Tavares - Teatro
2. Anacê - Música
3. Banda de Rock - Música
4. Barlavento - Música
5. DJ Bandido e Denissena - Hip Hop e Grafite
6. Luizinho Assis - Música
7. Malabares & Cia - Grupo de Circo
8. Retrofoguetes - Música
9. Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Música
10. Simone Mota - Música

Recuperação do espaço público

Mais do que apenas uma intervenção cultural, Hoje é Dia de Esquina! é um projeto de recuperação do espaço público a partir da arte. Tem até manifesto, distribuído por pessoas ligadas à produção durante as apresentações.

- Queremos chamar atenção da população para problemas críticos através da arte e da cultura. Com uma utilização melhor espaços públicos a gente vai ser mais feliz - opina Cássia Cardoso.

O texto do manifesto dá destaque a seis pontos que devem ser abordados para, como está escrito no título do projeto, “humanizar a cidade”: transporte público; ocupação privada de praças e calçadões da cidade; ocupação privada das areias das praias; poluição visual; poluição sonora; ocupação do espaço da cidade pelo setor imobiliário.

Segundo os organizadores do projeto, o manifesto não é uma simples demanda por ações dos poderes públicos, mas um pedido de abertura para o diálogo com a sociedade, para a busca conjunta de uma solução para os problema apontados e um melhor aproveitamento do espaço público.

(fotos: Aldren Lincoln [1]; Sora Maia [2])

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14 de novembro de 2009

SP: Ciclista morto é homenageado com “bicicleta fantasma”

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Hoje, no final da manhã, o ciclista Fernando Couto - atropelado por um ônibus no dia 26 de outubro, na Avenida Robert Kennedy, próximo ao Largo do Socorro, zona sul de São Paulo - recebeu uma homenagem pouco comum.

Por iniciativa da família do ciclista, foi pendurada uma “bicicleta fantasma” em um poste, no local do acidente. A ghost bike (o termo é mais habitualmente usado em inglês) é o nome que se dá às bicicletas brancas que são colocadas no local em que ciclistas foram mortos por veículos motorizados. Um memorial bastante respeitado e caro a quem faz parte da cultura da bicicleta.

Essa tradição foi criada por cicloativistas de São Francisco (Estados Unidos). No Brasil, a primeira ghost bike foi colocada em novembro de 2007, em homenagem a um ciclista morto no ano antes na Avenida Berrini, também na capital paulista. A bicicleta, porém, acabou sendo retirada pela prefeitura e não foi reposta ou mantida pelos ciclistas.

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Atualmente, a única Ghost Bike conhecida e mantida pelos cicloativistas em São Paulo atualmente é a de Márcia Regina Prado, localizada na altura do 1200 da Avenida Paulista.

Cerca de 50 ciclistas, familiares e amigos de Fernando estiveram presentes na homenagem, estendida também ao gari Antônio Ribeiro, atropelado junto com o ciclista. O acidente foi registrado por uma câmera de segurança da polícia militar de São Paulo.

Oração pelas v�timas e para que este tipo de acidente não se repita

Oração pelas vítimas e para que este tipo de acidente não se repita

No local do acidente, em torno da bicicleta fantasma, todos os presentes se uniram na roda de oração.

(fotos: CicloBR e Sampa Biker)

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13 de novembro de 2009

BA: Salvador vai ganhar primeiro museu multimídia da música negra

Uma coletiva de imprensa, realizada ontem à tarde, anunciou a criação, em Salvador, do Centro de Música Negra, o primeiro museu multimídia dedicado à música negra em todo o mundo.

O empreendimento é uma parceria entre o grupo de mídia francês Mondomix, Carlinhos Brown e a Secretaria de Cultura da Bahia e deve ser inaugurado daqui a um ano, em dezembro de 2010. O Centro será instalado no Museu du Ritmo, casa de espetáculos de Brown localizada no bairro do Comércio.

O Centro de Música Negra terá salas de exposição permanentes e temporárias, um centro de pesquisa e documentação online, café, restaurante, e espaço para shows, palestras e workshops. O seu projeto cenográfico é assinado pelo arquiteto paulista Pedro Mendes Rocha, também autor do projeto arquitetônico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Ao apresentar o desenho do novo museu, o arquiteto não se contém e afirma: “Para mim, o nazismo e a escravidão foram os maiores exemplos de loucura coletiva da humanidade”.

Responsável pela concepção e produção do projeto - bem como pela pesquisa do conteúdo artístico, realizada com a colaboração de especialistas internacionais -, a Mondomix projeta um museu sensorial e interativo, repleto de inovações tecnológicas cujo objetivo é fazer o público imergir nas sonoridades com DNA africano.

O conteúdo do novo museu é inesgotável, afinal, não param de surgir, em cada canto do mundo, novos artistas, grupos e ritmos derivados, inspirados, enfim, herdeiros da cultura negra.

Após a entrevista coletiva foi inaugurada uma exposição multimídia temporária, um pequeno aperitivo do que será o Centro de Música Negra, que poderá ser visitado de hoje até 15 de novembro, das 18h às 22h.

“Os tambores nasceram para substituir as armas”

Óculos escuros, uma espécie de turbante estilizado, um colar de contas por cima da roupa. Sentado em meio à mesa como um cacique, Carlinhos Brown faz um discurso emocionado, expressando tanto a dor ainda hoje presente na vida dos negros quanto a esperança de construir um planeta mais pacífico, harmonioso e tolerante.

- Tem sido árduo nos manter não-violentos com leis que não criamos e que não nos protegem com a dignidade que necessitamos. Nós, africanos, temos que vencer essa dor, essa miséria. Não a pobreza, porque a pobreza nós sempre estivemos preparados para enfrentar - diz o cantor.

Embora confiante na construção de um mundo que valorize a diferença, a fala de Brown também revela as cicatrizes ainda vivas de séculos de escravidão.

- Falam muito de Cristo. Eu acredito em Cristo. Mas Cristo veio em muitas formas, em muitos navios negreiros - diz.

"Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

Brown, com a cantora Mounira Mitchala (Chade): "Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

O músico defende ser preciso “reeducar o mundo” a partir de práticas e valores das culturas negras e indígenas. “Os tambores nasceram para substituir as armas”, afirma.

- Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens. A África está adormecida em todos aqueles que pensam que não somos todo africanos. Não falo apenas dos negros não - todos viemos da África. A natureza pode ter vários nomes. Um deles é África.

Para Brown, o Centro de Música Negra tem o papel de oportunizar esse retorno às origens, o contato com matrizes culturais renegadas pela cultura ocidental e o intercâmbio entre diferentes culturas.

- Aqui as crianças vão encontrar o que não vêem nas suas escassas horas nas salas de aula. Vamos tirar de cena o tráfico e fazer um tráfego de cultura a partir do Centro de Música Negra. O Centro amarra esse nosso desejo coletivo de unir nossas culturas e nos irmanarmos - advoga.

O momento mais emocionante da entrevista coletiva é a menção que Brown faz a Neguinho do Samba, falecido no dia 31 de outubro: “Queria muito que um dos meus heróis, um dos meus mentores, Neguinho do Samba, estivesse aqui de corpo presente”.

O cantor lembra do trabalho de Neguinho do Samba e diversos outros líderes negros, especialmente aqueles que atuam no centro histórico de Salvador, e faz um chamado:

- Nós vamos levantar o Pelourinho. Vamos rever o Pelourinho como um centro de liberdade do nosso povo.

(fotos: Edgar Souza/ Divulgação)

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12 de novembro de 2009

BA: Festival de Músicas Mestiças aporta em Salvador

Tambores, batidas, movimentos. Ritmos tão próximos e tão radicalmente distintos. As muitas faces da musicalidade negra aportam na capital baiana de sexta a domingo, no Festival Músicas Mestiças Salvador.

Capital da Bahia e primeira capital do Brasil, Salvador é a cidade com maior população negra fora da África. Talvez por conta disso a versão baiana do Festival Musiques Métisses - criado há 34 anos pelo produtor francês Christian Mousset - tenha dado a ênfase à diáspora negra e à produção musical africana contemporânea. Mousset já está na Bahia para conferir de perto este desdobramento da sua cria.

Carlinhos Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

O Festival acontece no Museu du Ritmo, espaço para espetáculos de Carlinhos Brown, localizado no bairro do comércio. O “dono da casa” também participa da festa, tocando ao lado dos percussionistas da Les Tambours de Brazza, do Congo, logo na noite de abertura do evento.

Durante as três noites do Festival, cantores e bandas da cena musical da África francófona e da diáspora negra dividem o palco com artistas baianos cuja sonoridade também é claramente influenciada pelos ritmos africanos.

As apresentações acontecem sempre em pares. Uma saudável inversão de papéis faz dos estrangeiros anfitriões e dos baianos, convidados. Assim, o público soteropolitano tem oportunidade tanto de conhecer o trabalho solo dos grupos de fora do país quanto de vê-los no palco ao lado das estrelas locais. Confira a programação.

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

São seis os convidados inernacionais do Festival. Os já citados percussionistas do Congo, o rapper Didier Awadi (Senegal); a cantora Mounira Mitchala (Chade), conhecida como a “pantera doce de Ndjaména”; Tiken Jah Fakoly, reggaeman da Costa do Marfim que canta em francês e no dialeto diola; e o haitiano BélO, único representante do Caribe e de fora da África entre os artistas estrangeiros, inventor do ritmo “raggaganga”, que, segundo o próprio, é uma mistura de reggae, música vodu, rara, soul, dialogando também com o jazz.

O uso da língua francesa - traço comum a todos esses artistas - foi um critério importante para sua seleção, na medida que o Festival Músicas Mestiças Salvador é encerra a programação baiana do Ano da França no Brasil.

Mas existe uma exceção nessa lista: o caboverdiano Tcheka é o único estrangeiro que não tem o francês, mas o português, como língua oficial. Cantor e compositor, Tcheka desenvolveu um estilo pessoal de tocar a guitarra baseado no batuque, um ritmo popular de Cabo Verde.

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

Do aldo de cá do Atlântico, os artistas baianos escolhidos para enriquecer essa diversidade sonora fazendo participações especiais nos shows são: Carlinhos Brown, Margareth Menezes, a percussão do Olodum, Mariene de Castro, Mariella Santiago, Lazzo Matumbi, Percussivo Mundo Novo e Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, que, com sua mistura de jazz e percussão afro-baiana, abre o encontro.

Além de shows, o Festival Músicas Mestiças Salvador oferece também oficinas musicais com Mounira Mitchala (hoje), Tcheka e Les Tambours de Brazza (sábado), na Candyall Gueto Square.

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Uma conferência sobre gestão coletiva de direitos autorais, organizada pela Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música (SACEM), da França, completa a grade de atividades do evento nesta sexta-feira.

E, então, que tal conhecer um pouco da diversidade da música negra no mundo?

(fotos: João Meirelles [Carlinhos Brown]; Eduardo Freire [Museu du Ritmo]; Mariele Góes [Orkestra Rumpilezz]; divulgação [demais])

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11 de novembro de 2009

RJ: Baixada Fluminense recebe festival de música independente

A partir de amanhã e até o próximo domingo (12 a 15/11), a cidade de Nova Iguaçu é a Meca dos roqueiros da Baixada Fluminense.

Durante esse período, acontece o Espaço do Rock 2009, um festival de música independente que extrapola a ideia de “mostra de bandas” e incentiva tanto a reflexão sobre a arte quanto a interação entre diferentes linguagens. A entrada é gratuita, mediante distribuição de ingressos uma hora antes dos shows.

A Banda Medulla (foto) é uma das mais de 20 atrações do evento, criado em 2007 pelos amigos Antonio Felipe Vieira (Black); Marcelo Faria; Thaís Santos e Yuri Chamusca - salvo engano, todos na casa dos 20 anos. Veja a programação.

Bacana inclusive ouvir dos organizadores que o Festival é, também, uma forma de ocupação dos espaços públicos - no caso, o Espaço Cultural Sylvio Monteiro, na região central de Nova Iguaçu -, raramente destinados à prática do rock.

Três anos depois de sua concepção, o Espaço do Rock mantém-se fiel ao seu objetivo inicial: apresentar bandas novas e dar oportunidade para bandas reconhecidas da Baixada Fluminense tocarem “em casa”.

Embora seja um festival de música, o Espaço do Rock abre espaço também para o grafite; debates sobre rock e sobre a cena independente da Baixada Fluminense; exibição de filmes e apresentações de arte circense. Relaciona-se, ainda, com outros gêneros musicais, ao ceder o palco para o reggae no primeiro dia do Festival.

(Foto: Banda Medulla)

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7 de novembro de 2009

BA: Mais de 40 países discutem como preservar a diversidade cultural do mundo

Tags:, , , - iurirubim às 17:00

Desde a última quinta-feira, representantes de governos e da sociedade civil de mais de 40 países estão reunidos em Salvador, com um único objetivo: encontrar soluções para preservar e promover a diversidade cultural no mundo.

O Encontro Internacional pela Diversidade Cultural vai até domingo (8/11) e é promovido conjuntamente pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural e pela Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

>> Veja também:
Entrevista com Rasmané Oudraeogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural

A principal missão dos participantes do Encontro é encontrar mecanismos de implementar a Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO em seus respectivos países, seja através de da influência em políticas públicas, seja por iniciativas da sociedade civil.

Presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, Moraes destaca bom momento da cultura no Brasil

Moraes, da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, destaca bom momento da cultura no Brasil

- Essa reunião é importantíssima porque é a oportunidade desses países se encontrarem e saírem com diretrizes que possam ajudar a contribuir com políticas públicas junto a governos - comenta Américo Córdula, secretário da diversidade do Ministério da Cultura.

A luta pela preservação e promoção da diversidade cultural no mundo ganhou força quando governos e sociedade civil de várias regiões do planeta, por conta da globalização, começaram a temer pelo desaparecimento das suas indústrias culturais nacionais.

Entretanto, com o passar do tempo e a criação de cada vez mais coalizões nacionais pela diversidade cultural - entidades civis que promovem a diversidade cultural dentro das nações -, ganhou força a preocupação com expressões da cultura fora do mercado, e ainda mais vulneráveis a processos de desagregação social.

- Como falar em ameaças à indústria cultural do Equador, por exemplo, que é um país cujo problema é a diversidade das culturas indígenas? Como falar no Brasil em proteção da dversidade cultural, concentrando-se na indústria cultural, que está no centro-sul, quando o norte, o nordeste, o centro-oeste e mesmo regiões periféricas do centro-sul têm manifestações culturais diversificadas e riquíssimas? - questiona Geraldo Moraes, o presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural.

Moraes faz questão de destacar o momento positivo vivido pela cultura brasileira, em que o governo federal desenvolve uma política consistente de promoção da diversidade, pactuada com Estados e, em alguns casos, também com municípios.

- A partir do trabalho especialmente feito pelo Gil no Ministério da Cultura, começou um processo de descentralização, de regionalização e principalmente um trabalho de diversificação para atender a todas as áreas, todas as regiões e todos os tipos de manifestação - afirma Geraldo Moraes.

"Trabalho começa a mostrar resultados"

Márcio Meirelles, secretário de Cultura da Bahia: "Trabalho começa a mostrar resultados"

Em complemento à assertiva de Moraes, o secretário Américo Córdula destaca que a missão do Ministério agora é consolidar uma nova visão de cultura e diversidade cultural nos municípios. “Esse é o desafio”, diz.

Córdula chama atenção para a realização de conferências municipais de cultura - mais de duas mil até agora - como ambientes propícios a essa interface com as administrações municipais.

Nas rodas de conversa do encontro,destaque para o respeito que a política cultural da Bahia parece gozar entre os presentes. Elogiado tanto pelo governo federal quanto pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, entidade civil, o secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles, explica a admiração de seus interlocutores.

- É mais que um elogio É a avaliação de um processo cujo resultado começa a aparecer. A cultura adotou imediatamente o conceito e a divisão do Estado em territórios de identidade, assumida pela Governo Estadual e originária do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Começamos a trabalhar nessa lógica e pensar em redes, sistemas. Começamos também definir qual é o papel do Estado, da sociedade, dos municípios e da união, tentando fazer com que esse pacto federativo se consolide na área da cultura - explica o secretário.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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3 de novembro de 2009

Jovens voluntários de todo Brasil se reúnem para “sonhar” uma nova Santa Catarina

Já se imaginou saindo de sua cidade, arcando com os custos de sua viagem para outro estado do país, apenas para ajudar as pessoas a tornarem esse estado um lugar melhor para se viver?

Pois é exatamente isso que estava acontecendo até ontem, na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Cerca de 120 pessoas - entre jovens voluntários, pessoas de comunidades locais, dos setores público e privado e de ONGs - decidiram se reunir desde a última sexta-feira (30/10) para “sonhar” com uma Santa Catarina melhor. Veja a programação.

Gente de mais de oito estados do país compareceu ao evento, chamado de Festival Oasis. Literalmente, um festival de sonhadores.

E o que seria esse sonho? Algum plano complicado e realizável apenas no longo prazo, depois do investimento de bilhões de reais?

- Não queremos pensar em algo que não somos capazes de fazer com os nossos próprios recursos. Queremos pensar o que podemos fazer para construirmos um melhor mundo, e não apenas melhorar o que já está aí. E fazer isso com prazer, não como uma ação de sacrifício - conta o estudante carioca Caio Braz, um dos iniciadores e articuladores do movimento.

Desenhando o sonho?

Desenhando o sonho?

Tudo começou a partir da sistematização da metodologia de mobilização social Oasis, sistematizada pelo Instituto Elos. Caio foi uma das primeiras pessoas a receberem o treinamento nessa nova metodologia.

“Daí a gente resolveu colocar esse conhecimento na prática, num estado arrasado pelas enchentes, onde as relações humanas estavam destruídas”, conta Caio, que trancou por um ano o curso de engenharia mecânica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), uma das melhores faculdades do país, para dedicar-se à mobilização social.

Resultado: foi criada a Rede Oasis Santa Catarina, que conta com mais de três mil membros em todo país - e até mesmo no exterior - inscritas na plataforma ning.

Em julho, aproximadamente 500 pessoas estiveram em Blumenau para “colocar a mão na massa”. Ao lado de comunidades arrasadas pelas enchentes - e apenas usando os recursos existentes nessas comunidades, como madeira, cimento etc. - reformaram e revitalizaram espaços públicos (praças, brinquedos) que haviam sido destruídos. “Como é que a gente pode demandar alguma coisa de políticos e governantes se não somos capazes de fazer aquilo que demandamos?”, questiona Caio Braz.

E o interessante é que nada disso tem dinheiro envolvido no meio.

- Não pedimos dinheiro. Na verdade, não é nem uma troca: as pessoas e empresas oferecem o que tem de melhor porque compartilham os mesmos objetivos. A Vila Germânica abriga a Oktoberfest, mas não cobrou nada. Temos telefone celular cedido de graça, alimentação de graça. Até a casa que estamos ocupando foi cedida - conta Caio.

O estudante carioca revela ainda que o objetivo principal das ações da rede não é a recuperação em si de espaços degradados, mas a vitalidade que as comunidades ganham por tomarem as rédeas de seu destino.

- Fazemos com que eles vejam a beleza que eles mesmos têm mas muitas vezes não reconhecem. Quando elas acreditam que é possível realizar os seus desejos, passam a ver abundância no lugar de escassez - argumenta.

E a rede está crescendo. Luciano de Sálua, estudante paulista e colaborador da Revista Viração, não havia participado da ação anterior em Santa Catarina. Ainda assim, bancou sua ida ao Festival em Blumenau.

- Sou um filho novo do Oasis. Não participei da ação do meio do ano aqui em Santa Catarina, mas participei de vários desdobramentos, lá em São Paulo. Resolvi vir porque aceitei este convite para sonhar - conta.

(fotos: Eric Silva/ Revista Viração)

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28 de outubro de 2009

Brasil começa a estruturar ligas de futebol… americano

Tags:, - iurirubim às 7:00

Já se imaginou torcendo para o Rio de Janeiro Sharks? Ou para o Amazon Black Hawks? Os nomes estrangeiros não são mera coincidência. Cada vez mais cresce no Brasil a paixão pelo futebol americano - é isso mesmo, aquele da bola oval.

No sábado passado, o Cuiabá Arsenal, fundado em 2006, venceu o Tubarões do Cerrado - time de Brasília, criado em 2004 - por 30 x 0.

A vitória rendeu ao time do Mato Grosso vagas nas semifinais do torneio Touchdown, a primeira competição de times em âmbito nacional de futebol americano no Brasil.

Em abril deste ano, outra estréia: no I Torneio Brasileiro de Seleções Estaduais, ocorrido em São Paulo, foram utilizados pela primeira vez todos os equipamentos de proteção do esporte (capacetes e ombreiras, exatamente os mesmos usados na terra do Tio Sam).

A história do futebol americano no Brasil é quase toda assim: construída a partir de times, ligas e campeonatos criados neste século. Em geral, com menos de cinco anos de vida.

A própria seleção brasileira de futebol americano (sim, ela existe!) foi convocada pela primeira vez em 2007, com atletas do Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, por conta de um jogo amistoso com a seleção uruguaia. O placar? 21 a 14. Para os uruguaios.

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

A história do futebol americano no Brasil é muito recente

Os times mais longevos em atividade no Brasil são o Botafogo Matutes (RJ, 1994) e o Botafogo Reptiles (RJ, 1999). O primeiro time foi o Rio Guardians, fundado por Robert Lee Seagal e amigos nas areias das praias cariocas em 1986. A agremiação, entretanto, encerrou suas atividades em 2001 e seus jogadores ingressaram em outros times.

Como você deve ter adivinhado no parágrafo acima, algumas equipes, como o Reptiles, o Mamutes e o America Red Lions têm acordos com os times de futebol “brasileiro”.

Número cada vez maior de torneios, unificação de regras no país, qualificação da arbitragem: tudo isso está acontecendo sem muita badalação, mas demonstra o aumento do interesse pelo futebol americano no Brasil. Outra prova desse interesse é a existência de mídias especializadas, como o Blog Sideline.

Em atividade desde 2002, existe também uma associação nacional, a AFAB, além de diversas ligas e federações estaduais (SP, SC, PR, AM, PB etc.). Como vê caro leitor, o brasileiro gosta tanto de futebol que quer aprender a jogar também com as mãos.

(fotos: Rodrigo Pons/ Felipe Rugboy, via Blog Sideline)

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