Terra Magazine

14 de setembro de 2009

SP: Festival de Cultura Tradicional deve atrair um milhão de pessoas

Qualquer admirador da cultura popular gostaria de estar em São Paulo - a cidade mais urbanizada do país - nos dez dias entre 11 e 20 deste mês.Paradoxo? Não mesmo. Na última sexta-feira foi aberto na metrópole o 13º Revelando São Paulo - Festival de Cultura Tradicional Paulista, cuja maior parte das atividades acontece no Parque da Água Branca.

O Festival é uma compilação extensa da cultura popular no Estado, reunindo manifestações culturais oriundas de 200 municípios de São Paulo. Cerca de 300 grupos apresentam-se durante o evento, que conta também com 155 estandes de artesanato e 80 de culinária típica.

Dentre as numerosas atrações da programação, o público tem a oportunidade de apreciar as Folias de Reis e do Divino, Cortejo de Bonecões, Orquestras de Viola, Violeiros e Sanfoneiros, grupos de Catira, Fandangos e Cururus, Congos e Moçambiques, Serestas e as Noites dos Tambores, Cigana, de Quadrilhas e Manifestações Cosmopolitas.

Isso sem contar as Cavalgadas, Cavalhadas, Tropas de Mulas e Carros de Bois, que levam à capital paulista mais de 200 animais, entre cavalos, bois, búfalos e mulas.

Tamanha diversidade realmente não poderia passar despercebida: espera-se que o evento, gratuito, seja capaz de aglutinar um público de aproximadamente 1 milhão de pessoas durante o período do Festival.

Criado em 1997, quando atraiu 50 mil pessoas, o Revelando São Paulo passou a ser realizado ao longo do ano, em diversas cidades do Estado - obviamente, com duração e formatos distintos. Neste ano, já aconteceu no em Iguape, no Vale do Ribeira (junho) e em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (julho). E deve ocorrer ainda em Bauru (outubro), Franca (novembro) e Atibaia (dezembro).

O mais interessante a respeito do festival, entretanto, é que a sua organização tem a sagacidade - e competência - de reunir sob a marca diversos outros encontros e festivais da cultura popular paulista, muitos inclusive preexistentes.

Assim, quem vai ao Revelando São Paulo pode presenciar o II Encontro de Orquestras de Viola Caipira, o XI Encontro de Catira, a IX Noite de Tambores, o XVII Festival de Bonecos de Rua e Cabeções e assim por diante.

A programação do evento traz uma média de pelo menos dois encontros/ festivais interessantíssimos assim por dia.

É simplesmente impensável a reunião de tantas e tão diferentes manifestações populares num período tão curto de tempo. Para quem nasceu e foi criado na capital, distante de praticamente todas essas expressões da cultura brasileira tradicional, é uma oportunidade única.

Como se isso tudo não fosse suficiente, comunidades indígenas do Estado conduzem, durante todo o período do Festival, jogos e brincadeiras numa grande arena montada no local.

Pronto. Agora você pode desligar o computador e ir correndo curtir o Revelando São Paulo.

(fotos: Gina Mardones)

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13 de setembro de 2009

Capital mineira do folclore realiza 21º Festival

Jequitibá, uma cidadezinha de pouco mais de cinco mil habitantes a 120 km de Belo Horizonte, realiza neste fim de semana a 21ª edição de seu tradicional Festival do Folclore. O Festival do Folclore de Jequitibá começou na noite de ontem e vai até este domingo.

Durante os três dias de festa, a simpática cidade respira cultura popular, com uma extensa programação de Batuques, Folias, Cantadeiras, Encomendação de Almas, Dança do tear e Contra-dança, dentre muitas outras expressões tradicionais da cultura brasileira. Além delas, shows e oficinas completam as atrações do festival.

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A riqueza de Jequitibá vem de seu patrimônio imaterial. São mais de 15 grupos folclóricos que preservam e renovam mais de cem manifestações de cultura popular (como as citadas acima), algumas delas com mais de 200 anos de existência, passadas de geração em geração nas famílias da cidade. Destaque para o Batuque de Viola, único no Brasil.

Contam os antigos da cidade que ela tornou-se esse centro da cultura popular porque era ponto de encontro dos tropeiros que vinham do Nordeste, deixando pelo caminhos seus costumes e tradições. Fato é que a grande maioria dessas expressões populares reflete seja a religiosidade de nossos antepassados seja pela arte em inventar malabarismos para sobreviver ao cotidiano rural.

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore de Jequitibá

O Fim de Campina, por exemplo, é uma dança que representa o mutirão formado por pequenos proprietários para capinar a roça dos que não tinham como contratar a mão-de-obra assalariada. O grupo recebia o nome de Batalhão e era liderado pelo Almirante que tinha a função de marcar qual a roça seria visitada.

Cada integrante do multirão ganhava o direito de receber futuramente a visita do “batalhão” na sua roça e, assim como cada dono de roça visitada, teria o compromisso de “pagar” com seu trabalho participando na capina das roças dos colegas de empreitada. Conta-se que no término da capina levavam o pé de milho para o dono que os recebia com comidas, bebidas e doces.

Na manhã de domingo, às 10h, acontece uma missa folclórica com a participação dos grupos da região e entrega de placas aos homenageados do ano.

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

A missa remonta às origens do Festival, quando, em 1980, o advogado Geraldo Inocêncio foi convidado para ser festeiro da celebração do padroeiro da cidade - a festa do Santíssimo Sacramento.

Propôs, então, que os grupos folclóricos participassem da comemoração. Desde então, a reunião e o reconhecimento desses grupos passou a ser o maior patrimônio da cidade.

(fotos: Daniel Iglesias/divulgação)

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10 de setembro de 2009

DF: Grito do Cerrado exige uso sustentável do 2o. maior bioma do país

Na manhã desta sexta-feira, o Dia do Cerrado (11/9), a Esplanada dos Ministérios assiste a um espetáculo que já está se tornando uma tradição: a corrida de toras realizada entre as diversas etnias de povos indígenas do Cerrado.

Mas se engana quem pensa que a competição é apenas uma exibição da biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro. Ela, na verdade, é o ritual de abertura do Grito do Cerrado, uma manifestação pacífica de povos indígenas, quilombolas, geraiszeiros, agroextrativistas, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, assentados da reforma agrária; enfim, dos diversos povos que habitam os quase dois milhões de km² onde se encontra o Cerrado brasileiro.

Logo após a corrida das toras, os manifestantes partem em direção ao congresso nacional - a organização do evento espera reunir pelo menos duas mil pessoas na passeata.

Ao longo da caminhada, o Movimento Cerrado Vivo de Brasília organiza o SOS Cerrado, uma formação composta por centenas de pessoas no gramado da Esplanada dos Ministérios.

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios tornou-se um ritual de abertura do Grito do Cerrado

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios abre o Grito do Cerrado

No Congresso, parlamentares - dentre eles o presidente da Câmara, deputado Michel Temer - recebem a Carta do Cerrado, que também será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento considera os posicionamentos políticos e as reivindicações da Rede Cerrado, composta por centenas de organizações que representam os povos do bioma. em relação às políticas públicas de proteção ao bioma e sua população.

Embora a Carta do Cerrado ainda esteja sendo redigida, o Blog das Ruas entrevistou Carlos Dayrell, integrante da equipe Rede Cerrado, que organiza a mobilização, e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, que destacou algumas questões cuja presença no documento é certa.

A primeira delas é a ênfase na situação crítica em que o Cerrado e os povos que o habitam se encontram. Grande reserva de biodiversidade (5% das espécies do planeta), cuja importância é comparável à da Amazônia, “o Cerrado encontra-se massacrado e constantemente violentado pela frente agrícola”, afirma Dayrell.

Segundo o ativista, para ter uma dimensão correta do problema, é preciso enxergar também as novas ameaças ao bioma: o avanço da demanda dos biocombustíveis (”particularmente o etanol”); o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (”está acelerando o processo de destruição do Cerrado”); e o sistema de créditos de carbono que, na visão do membro da Rede, pode “transformar o Cerrado na lixeira do mundo global, sem diversidade e com grandes monoculturas de eucalipto”.

Junto ao processo de degradação ambiental, vem a expulsão das comunidades tradicionais, que aprenderam, ao longo de muitas gerações, a conviver harmoniosamente com o bioma.
E é justamente das experiências dessas comunidades, muitas delas com integrantes na Rede cerrado, que vêm as sugestões da Carta do Cerrado para o uso sustentável do bioma.

- São tradições milenares quando falamos dos indígenas e seculares quando nos referimos aos povos quilombolas e extrativistas. Existe uma lógica de convivência com o Cerrado que é benéfica para as pessoas e para a natureza - afirma o membro da rede Cerrado.

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Um dos maiores passos nesse direção seria a aprovação da PEC do Cerrado, que tramita há 14 anos no congresso nacional.

- Caso ela seja aprovada, não apenas os territórios das populações nativas como também seus conhecimentos vão ser reconhecidos. Poderemos estimular economias agroextrativistas, nas quais é central o aproveitamento de frutos, madeiras e mesmo plantas medicinais - conclui Carlos Dayrell.

Encontro e Feira dos Povos do Cerrado

O Grito do cerrado faz parte do VI Encontro dos Povos do Cerrado, que ocorre em Brasília, entre 9 e 13 de setembro. Durante todo o período do encontro acontecem apresentações culturais e uma feira com mais de 100 estantes expõe e comercializa os produtos advindos do bioma - frutos, flores, artesanatos, alimentos, entre outros (veja a programação).

Ainda durante o VI Encontro, acontece o Festival Gastronômico do Cerrado, no qual os presentes podem degustar pratos, receitas e alimentos típicos do bioma.

(fotos: Rede Cerrado [1,2]; reprodução [3])

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2 de setembro de 2009

Capoeira pode virar esporte olímpico

Décima quarta expressão artística do país a ser registrada como patrimônio imaterial, a capoeira pode virar em breve um esporte olímpico. Quem faz o alerta é o presidente da Federação de Capoeira Angola e Regional da Bahia (Fecarba), Jean Adriano Barros da Silva.- A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica - avisa o presidente da Fecarba.

Aos 34 anos de idade, Jean Adriano é mestre de capoeira e coordenador do grupo G.U.E.T.O. Em entrevista ao Blog das Ruas, ele fala do Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009, da V Copa Mundial de Capoeira e, claro, da possibilidade da expressão cultural tornar-se esporte olímpico.

- Estamos numa fase de consulta. O Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação - diz.

O jovem mestre de capoeira revela também suas expectativas e dúvidas a respeito deste reconhecimento.

Para ele, pode haver tanto avanços no reconhecimento e na legitimação da capoeira, que contribuem para abolir o preconceito que ainda existe (!) em relação à atividade.

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpada?

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpíada?

Por outro lado, preocupa-se que este reconhecimento acabe por “enquadrar” a capoeira em um único formato. “Pode vir a ser uma capoeira de suor e músculo, onde ganha mais malhado”, diz. E completa: “Existem uma série de valores, como a roda e o respeito aos mais velhos, que precisam ser mantidos. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar”.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

Desde o dia 31 de agosto até 13 de setembro acontecem na Bahia o Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009 e a V Copa Mundial de Capoeira. O que isso significa para o Estado?

Essas atividades acontecem nas cidades de Salvador, Nossa Senhora do Livramento, Rio de Contas e Vitória da Conquista. São, em primeiro lugar, um encontro entre capoeiristas, mas também dos capoeiristas de todo o mundo com a população de cada lugar. No congresso, temos caminhadas, visitas a escolas públicas, desfiles e outras ações de envolvimento com a comunidade.

Quantas pessoas estão envolvidas nesses eventos. E de quantos países?

Participam representantes da capoeira em nove cidades estrangeiras, de sete países. Isso sem contar o Brasil. Aqui, não dá nem para listar as cidades, há desde capitais como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Natal, até cidades menores, como Santo Amaro, Rio de Contas etc. Esperamos envolver diretamente cerca de 600 capoeiristas durante todo o período em que acontecem os eventos.

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

E o que é a V Copa Mundial da Capoeira?

A Copa do Mundo da Capoeira é uma experimentação nossa para concebermos a capoeira como esporte, algo que temos tentado refletir com muita calma. A primeira etapa da Copa acontece em Salvador; depois há etapas em [Nossa Senhora do] Livramento e Rio de Contas e a grande final acontece em [Vitória da] Conquista.

Então vocês estão testando formatos e regras? Como está desenhado o torneio?

Tentamos reproduzir ao máximo uma roda de capoeira. Uma dupla se apresenta e um júri avalia sua técnica, seu conhecimento do jogo e a nota é dada para a dupla. Não é competição de luta. Você não joga contra o outro, mas com o outro.

São duas categorias: estudante e professor, com prêmios individuais para os três primeiros lugares.

Mas não seria melhor premiar as duplas, já que ninguém se apresenta sozinho?

Mas também não é uma coreografia. Queremos reproduzir a dinâmica da roda, em que você se apresenta sempre em dupla, mas sempre com uma dupla diferente. No caso, o capoeirista apresenta-se várias vezes, e a sua dupla é sorteada a cada momento.

Existe a possibilidade da capoeira tornar-se um esporte olímpico?

Existe sim. A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica.

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

E o que falta para essa efetivação?

É um processo ainda um pouco longo, mas possível. Nesse momento, estamos numa fase de consulta, elaborando modelos para o comitê olímpico. A confederação brasileira tem até o final do ano para apresentar uma proposta ao Comitê Olímpico Brasileiro.

Depois, o Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação, presente na abertura das olimpíadas, por exemplo.

Mas esse processo que não é só técnico. É político, tem que ter lobby, movimentação financeira. Não tem muito a ver com os aspectos que gostaríamos.

E quais os benefícios da capoeira virar esporte?

Enquanto federação, devo dizer que a capoeira vai passar a ser mais reconhecida e que isso vai contribuir para acabar com os preconceitos que até hoje existem em relação à capoeira. Com certeza, teremos um avanço na promoção da capoeira, na sua divulgação e normalização.

Mas enquanto capoeirista, devo dizer também que fico preocupado com o enquadramento da capoeira esporte como única possibilidade e perdermos uma série de valores fundamentais como a roda, o respeito aos mais antigos, em troca de referenciais novos, como agilidade e força. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar.

Tem muita gente que encara a capoeira não apenas como uma ginástica, mas como filosofia de vida, quase como religião. Precisamos de um bom diálogo para não perder isso.

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Então porque se envolver?

Porque temos a certeza que isso vai adiante com ou sem a gente. Já existem grupos bem avançados nessa questão. Mas eles defendem aquela capoeira de suor e músculo, onde ganha o mais malhado. Por isso defendo que a gente esteja junto, para direcionar também esse processo. Mas é difícil porque a Bahia, a meca da capoeira, ainda não tem amadurecimento para esse diálogo.

Qual a maior dificuldade em debater a questão?

Os mestres. Perceba que eles têm pouco dinheiro e reconhecimento. Fora da capoeira, o cara é nada e na capoeira ele é mestre. Então ele só confia naquilo que aprendeu com o seu mestre, que aprendeu com o anterior… Grande parte dos mestres antigos entende modificação como uma coisa que eles não dão conta. E, sem a presença deles, essa discussão não vale nada.

E você, o que acha da capoeira virar esporte e integrar as olimpíadas?

(fotos: Grupo G.U.E.T.O.)

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14 de agosto de 2009

Artistas negros celebram 21 anos da Fundação Palmares

Criada em 22 de agosto de 1988, a Fundação Cultural Palmares (FCP) completa 21 anos de existência na próxima sexta-feira.Entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, A Fundação Palmares tem o dever de, como está escrito na lei que a institui (nº 7.668/1988), “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

Ao longo desses 21 anos de luta contra o preconceito racial e pela afirmação da negritude brasileira, a Palmares se viu no epicentro de várias polêmicas. Posso estar esquecendo alguma, mas talvez as principais delas sejam as cotas para acesso de estudantes negros às universidades e a demarcação de terras para comunidades remanescentes de quilombos.

Dá para entender, então, porque cada aniversário da entidade é celebrado como um reconhecimento da ampliação do espaço cultura negra no país.

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

Em 2009, a festa começa no dia 17 e vai até o aniversário da FCP, dia 22. As festividades acontecem em cinco espaços da capital federal, onde a Palmares é sediada: na própria sede da Fundação (auditório, platô e Espaço Cultural Palmares); no Galpão Funarte e no Teatro Nacional.

A programação é totalmente gratuita e privilegia a diversidade das expressões populares da cultura afro-brasileira, representada principalmente pelos grupos Jongo da Serrinha; Contos do Congo, Tambor de Crioula; Samba de Roda Suerdieck e Maracatu de Baque Solto.

A comemoração do aniversário da Fundação Palmares também terá a presença de estrangeiros. O coletivo de artistas Entre dos mares: ensamble musical de Colombia, Ecuador y Panamá propõe a integração da música afro-latina desses países, enquanto os quatro percussionistas Benkos Kusuto apresentam a musicalidade da comunidade do Palenque de San Basílio (costa do Pacífico Colombiano).

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Já o Grupo Gualajo tem uma história muito sobre o seu fundador, o maestro colombiano José Antônio Torres Gualajo, hoje com 67 anos. Tocador de marimba há mais de 50, dizem que, em seu nascimento, a parteira o colocou em cima de uma marimba para cortar o cordão umbilical.

Assim, ao ouvir a ressonância do instrumento logo ao nascer, somado à herança musical dos pais, Gualajo predestinou-se a ser um guardião da preservação de Marimba e de todos os ritmos que ela pode ressoar como: currulos, aguabajos; jugas; andareles. Além de tocar, o maestro tornou-se um mestre no ofício de construir cada um dos componentes que constituem a marimba.

Além das apresentações de música e dança, o evento conta com oficinas de Chula, de Percussão e de Ritmos Afro do Caribe e do Pacífico.

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

Durante toda a semana de celebrações, exposição fotográfica Negrice Cristal, de Januário Garcia, fica em cartaz.

A programação conta ainda com uma degustação de comida afro-brasileira, no dia 21, às 12h, no Platô da FCP.

No dia 22, a Fundação Palmares apaga suas velinhas no Teatro Nacional, com direito a shows de Luiz Melodia e Lazzo Matumbi, precedidos por um desfila de moda afro (estilista Rodinei, MG) e pela entrega do Troféu Palmares, que homenageia personalidades na luta em favor da igualdade preconceito racial.

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no dia 22

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no próximo dia 22, no Teatro Nacional (Brasília)

Nesta edição o Troféu vai para Esther Grossi, professora, escritora e ex-deputada federal, autora da lei que institui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura da África e dos afro-brasileiros (nº10.639/2003) e para Mãe Beata de Iemanjá (Beatriz Moreira Costa), religiosa de matriz africana do candomblé, iniciada há mais de 50 anos, e conhecida sacerdotisa e ativista social da cidade do Rio de Janeiro.

(fotos: David Pinheiro/ divulgação [1] e reprodução [demais])

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9 de agosto de 2009

SP: Pelo 45º ano, Olímpia realiza Festival Nacional do Folclore

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É o festival de folclore mais tradicional do Brasil. Pela sua realização, que data desde 1965, a cidade de Olímpia (SP) ganhou o apelido de “Capital do Folclore”.

Neste ano, o tema do Festival é “Fitas e Flores” - “prestando homenagem aos grupos folclóricos locais e enaltecendo o colorido do Folclore Brasileiro”, diz a organização do evento.

Além de grupos folclóricos e parafolclóricos, que têm no Festival uma oportunidade ímpar para se conhecerem e compartilharem saberes, o evento reúne também estudiosos, pesquisadores e - obviamente - amantes da cultura popular brasileira.

Fala-se, inclusive, que o Festival Nacional do Folclore contribui para que muitos desses grupos não deixem de existir, na medida em que lhes dá visibilidade e a possibilidade de serem conhecidos por muitas pessoas.

O Festival acontece entre os dias 8 e 16 de agosto. Maior do Brasil, recebe anualmente na Praça das Atividades Folclóricas “Prof. José Sant’anna” (criador do evento) a visita de mais de duzentas mil pessoas.

O acesso a todas as atividades é gratuito. Toda noite, a partir das 20h, acontece nos palcos A e B apresentações de grupos de música e dança das cinco regiões brasileiras.

Já pela manhã, entre 10 e 14 de agosto, sempre às 9h, os grupos “invadem” o horário comercial, visitando lojas órgãos públicos, agências bancárias… Enfim, abalam toda a normalidade produtiva da cidade, mandando para longe qualquer possibilidade de indiferença em relação ao evento.

Ao longo do Festival, a Comissão Paulista de Folclore e a Secretaria Municipal de Educação promovem seminários de estudos sobre folclore.

Por outro lado, o aprendizado pela prática ocorre através de diversas oficinas ministradas durante o evento. Quem quiser, por se inscrever para desenvolver suas habilidades em literatura, folguedos folclóricos, artesanato, e até mesmo “Folclorança”, a habilidade na confecção de brinquedos para as brincadeiras infantis (papagaios/pipas, bitu, pião, arco etc.) a partir de sucata e material reciclável.

A programação inclui ainda recitais; noites típicas; exposição e concurso de artes; gincana de brinquedos infantis e campeonato de malha, bocha e truco.

No final do Festival, dia 16 de agosto, um “desfile apoteótico” envolvendo todos os grupos folclóricos toma conta da cidade. Desfilam pelas avenidas de Olímpia cerca de 70 grupos totalizando aproximadamente três mil pessoas.

No dia 27 de abril deste ano, o site Brasil Cultura publicou uma excelente matéria sobre o Festival Nacional do Folclore. Recomendo.

(fotos: reprodução)

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1 de agosto de 2009

Centenário de Patativa do Assaré tem homenagem de ex-menino de rua, afilhado do poeta

Caso estivesse vivo, Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, chegaria aos 100 anos em 2009.

Nascido em 5 de março de 1909, Patativa era considerado o maior repentista do Brasil. Semiletrado e dono de uma obra alto teor social, o poeta foi estudado por diversas universidades, inclusive estrangeiras. Seus versos, cantados por grandes nomes da música brasileira, a começar por Luiz Gonzaga.

Noite passada. O centenário do mestre cearense é celebrado pelo II Vozes de Mestres - Encontro Internacional de Culturas Populares, em Ouro Branco (MG). No palco, o cantor José Fábio dedica um show inteiro ao poeta de Assaré.

Quando Patativa conheceu o cantor, ele não era José Fábio, e, sim, Zezinho, um menino de rua de seis anos de idade, que dormia pelas praças de Assaré. “O poeta sempre me tratou por Zezinho”, diz.

Antes de conhecer Patativa, a vida do então menino de rua era muito difícil. “Eu era muito explorado. Fugia de casa e cantava para recolher dinheiro nas paradas de ônibus. Muitas pessoas queriam lucrar às minhas custas”, revela o cantor.

Impressionado com aquela criança que saia de casa para ajudar no sustento da família, Patativa passou a dar conselhos e incentivos a José Fábio, que também recebeu de presente o poema “Menino de Rua”.

O encontro com aquele senhor de chapéu, óculos escuros e bengala, que gostava de poesia, foi fundamental na vida de Zezinho. “Ele foi pegando aquele carinho por mim. Tentava me ajudar de alguma forma, sempre me incentivando a estudar”, diz o crescido José Fábio. “Ele inspirou em mim essa vontade de ser alguém”, completa.

Entretanto, a ajuda Patativa não podia ser material porque o próprio repentista não dispunha de recursos.

- Tem uma coisa que ninguém fala, mas o poeta era pobre. Era rico em nome e na sua arte. Mas sempre foi pobre - revela José Fábio.

Aos 10 anos, em 1993, um produtor, José Ribamar, o Rebinha, levou Zezinho para São Paulo.

- Ele era um grande conhecedor do poeta. Começou a querer levar eu para São Paulo. Teve que ir o Prefeito de Assaré e outras autoridades lá em casa convencer minha mãe. Disseram que ele poderia me ajudar. Aí minha mãe cedeu a guarda para ele, que virou meu tutor - lembra o cantor.

Ainda em 1993, gravou o primeiro disco, com quatro composições de Patativa, “inclusive Menino de Rua, que fez para mim”.

Para gravar o disco, participou da campanha, em São Paulo, do empresário e candidato a deputado Zé de Abreu. “Ele me prometeu: ‘Se você ajudar na minha campanha, eu gravo seu CD. Se ganhar, eu gravo. Se não ganhar, gravo também’”, relata o diálogo José Fábio.

- Ah, ele se elegeu! Nós elegemos ele duas vezes! - diz o cantor.

Em 1999, já “com a voz engrossada”, o cantor gravou o CD “José Fábio canta Patativa do Assaré”, com direção musical de Téo Azevedo e participações de Dominguinhos, Alcymar Monteiro e Jackson Antunes.

Ceumar e Pererê também tocaram na noite de ontem, no Vozes de Mestres

Ceumar e Pererê também tocaram na noite de ontem, no Vozes de Mestres

Morando em Belo Horizonte, José Fábio não volta para sua terra, o Ceará, há nove anos. Soube da morte de Patativa pela televisão e, como não tinha dinheiro na época, não pode se despedir do padrinho artístico.

- Você tá doido… Soube quando falaram no Jornal Nacional. Fiquei sem chão porque era um padrinho meu. No dia que fiquei sabendo, estava sem nenhum. Não pude ir prestar minha ultima homenagem. Já tem nove anos que não vou na minha terra. Gostaria de ir lá todo dia cinco de março, quando comemoram o aniversário do poeta - explica, com certa tristeza.

Vozes de Mestres

O II Encontro Vozes de Mestres foi aberto no dia 23 de julho, em Belo Horizonte, e depois seguiu para Ouro Branco, onde acontece até amanhã. Ainda este ano, será levado a sete cidades brasileiras: São Luis, Belém, Florianópolis, Curitiba, Natal, Goiânia e Joinville (SC), dentro do projeto Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante.

(fotos: divulgação/ II Encontro Vozes de Mestres)

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17 de julho de 2009

Mirando os nordestinos, São Paulo homenageia Luiz Gonzaga

A partir de hoje à noite e até o domingo, o Vale do Anhagabaú, no centro de São Paulo, vira um grande arraial nordestino, na Homenagem a Luiz Gonzaga.

São 35 atrações culturais se revezam sob os olhares do público durante esses três dias. Várias delas de peso, como Elba Ramalho, Alceu Valença, Dominguinhos, Antonio Nóbrega, Caju & Castanha e Cordel do Fogo Encantado.

Além dos shows musicais, estão programadas intervenções de cultura popular, circo, teatro e dança. Conheça a programação.

Símbolo máximo do nordeste, Luiz Gonzaga projetou uma imagem da região para o Brasil ao incorporar e narrar as belezas e tragédias desse povo.

Nasceu em 1912, em Exu (PE), mas é como se fosse filho de cada município do Nordeste. Veio a falecer em 1989, no Recife, vítima de uma parada cárdio-respiratória. Virou mito: vinte anos depois, parece que não há um só lugar no Nordeste que não tenha a presença do Rei do Baião.

Um dos herdeiros de Gonzagão, Dominguinhos participa da homenagem

Um dos herdeiros de Gonzagão, Dominguinhos participa da homenagem

O público que comparecer ao evento, gratuito, poderá matar a saudade (no caso de uns) ou conhecer (no caso de outros) manifestações culturais tipicamente nordestinas, como mamulengo, maracatu de baque virado, repente, embolada, pífanos, bumba-meu-boi e, claro, samba, forró, xote e baião.

Mas a mistura também está presente no evento. Mostra disso são os concertos da Orquestra Jazz Sinfônica (sexta), da Orquestra Popular do Recife e do violonista francês Nicolas Krassik (sábado), todos eles adaptados aos ritmos nordestinos. Tem ainda os DJs Tudo e Bruno Pedrosa e o músico Zé Brown, ex-integrante do Faces do Subúrbio, que mistura rap e repente.

Para ajudar a “criar o clima” nove barracas, cada uma representando um Estado do Nordeste, vendem artesanato e comidas típicas, como o Mingau de Carimã (Bahia), Chambaril (Paraíba), Maxixada (Piauí), Vatapá, Cocada, Quindim, Abará, Acarajé, Baião de Dois, dentre muitos outros.

- (Tem) muita gente aqui em São Paulo que veio do Nordeste. Uma quantidade imensa. Milhões de pessoas. Portanto, estamos fazendo uma homenagem aos nordestinos paulistas: aqueles que vieram, seus filhos, seus netos e àquele que é o fundador do baião e de tanta música boa que tem no nosso país - diz o governador do Estado José Serra.

A banda P�fanos de Caruaru com o presidente Lula, em 2006, quando recebeu a ordem do Mérito Cultural

A banda Pífanos de Caruaru com o presidente Lula, em 2006, quando recebeu a ordem do Mérito Cultural

Como boa parte da programação entra pelas madrugadas de sábado e domingo, o governador força um pouco a barra e afirma que esta é “uma espécie de virada cultural do nordeste aqui em São Paulo”.

O ponto alto do evento deve ser a apresentação da Família Gonzaga, na noite de sábado (21h). No show, os sucessos do Mestre Lua são cantados pela irmã Chiquinha Gonzaga, de 82 anos, e pelos sobrinhos Joquinha e Sérgio Gonzaga.

Na ocasião, o Governo do Estado entrega à família a medalha da Ordem do Ipiranga Póstuma, honraria mais elevada do Estado de São Paulo, reservada aos cidadãos que prestaram serviços notórios aos paulistas.

Ainda hoje, Gonzagão é a personalidade que melhor simboliza o Nordeste

Ainda hoje, Gonzagão é quem melhor simboliza o Nordeste brasileiro

O Blog das Ruas aproveita para indicar algumas atrações menos conhecidas, mas muito bacanas: a intervenção dos Irmãos Becker (sexta, 20h30), que realizam uma performance pirofágica em cima de pernas de pau; o humor e o improviso dos emboladores Peneira e Sonhador (sábado, 15h); e a banda Pífanos de Caruaru, sexteto conhecido como “Beatles de Caruaru” que toca cirandas, baiões e rojões (domingo, 13h).

A festa é bacana e a homenagem mais que merecida, afinal o concreto e as maravilhas de São Paulo carregam muito suor nordestino.

Mas nada convence este blogueiro de que tudo isso não seja também um pouco de “simpatia julina”, espreitando outubro de 2010.

(fotos: reprodução, Ricardo Stuckert/PR [3])

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5 de julho de 2009

Repentista pode ter profissão reconhecida

Figura central da cultura popular nordestina, o repentista pode ter a sua profissão reconhecida em breve.

No dia 23 de junho, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal aprovou, em caráter conclusivo - o que significa que não precisa ser votado pelo Plenário -, o projeto de lei que regulamenta a profissão de repentista.

Pela proposta, esses artistas que há décadas ocupam o imaginário popular nordestino são autorizados a organizarem-se em associações de classe autônomas, em nível local, regional e federal. Mas não precisarão do registro nessas entidades para se exibir em espetáculos públicos, com direitos garantidos em igualdade de condições com os demais artistas.

No texto, é considerado repentista o profissional que utiliza o improviso rimado como meio de expressão artística, transmitindo a tradição e a cultura popular por intermédio do canto, da falta ou da escrita.

O projeto de lei cita como exemplos de repentista o cantador e o violeiro improvisador, o embolador e o cantador de coco, o poeta repentista, o contador e o declamador de causos, e o escritor de literatura de cordel.

O texto inicial utilizado como base foi dos projetos de lei 613/07, do deputado André de Paula (DEM-PE), e 1112/07, do deputado Wilson Braga (PMDB-PB).

A diferença entre os dois projetos é a questão do registro junto a entidades de classe como condição para o exercício profissional. O projeto de André de Paula inclui a exigência, enquanto o de Wilson Braga, que prevaleceu tanto na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público quanto na CCJC, a dispensa.

Agora, a matéria segue para análise do Senado onde, se a crise e o ânimo dos senadores permitirem, deve ser aprovada sem maiores percalços. Vamos aguardar.

(foto: Ricardo Moraleida)

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24 de maio de 2009

PE: Mestre João do Pife celebra com shows 50 anos de carreira

Ele fabrica seus próprios instrumentos e os vende na feira. Como músico, dissemina a arte de pifar pelo país. O mestre popular João do Pife, uma das maiores referências em pífanos no Brasil, completa 50 anos de carreira.

As bodas do artista popular serão comemoradas - claro - com muita música, em frente à oficina onde fabrica seus pífanos e instrumentos de percussão, no bairro do Salgado, em Caruaru (PE).

Palco armado, mestre João do Pife recebe vários amigos músicos em quatro sessões diferentes, todas com entrada franca. Ontem foi a primeira, seguida por hoje à noite (18h) e os dias 6 e 7 de junho, às 22h e 18h, respectivamente.

- Pra mim é uma felicidade muito grande receber outros artistas na minha casa para tocarmos juntos - diz o mestre João do Pife.

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Entre os convidados estão Cláudio Rabeca; Banda de Pífano Zé do Estado; Valdir Santos; João Limoeiro e a Ciranda Brasileira; Azulão; e Luiz Paixão da Rabeca.

O projeto Música no Salgado é um sonho antigo do mestre, que no ano passado, após turnê nacional, encerrou o circuito no bairro do Salgado, onde reside.

50 anos pifando

Não é comum ver um artista popular, virtuoso e de grande poder de improvisação, fazer 50 anos tocando seu pífano e vivendo da música.

No começo foi tudo muito difícil para aquele menino que acompanhava seu pai tocando nas novenas em Riacho das Almas, onde nasceu.

Com a morte de seu pai, João Alfredo Marques dos Santos, conhecido como João do Pife, tomou conta da Banda Dois Irmãos de Caruaru. Veja post no Blog das Ruas sobre a história de João do Pife.

Do interior de Pernambuco, levou a arte do pífano para o mundo. Apresentou-se nas principais cidades brasileiras, na Europa e nos Estados Unidos. Agora traz o mundo de volta para a oficina onde fabrica suas maravilhas.

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