Terra Magazine

5 de novembro de 2009

“A propriedade intelectual talvez tenha sido um erro”, diz presidente da Federação Internacional pela Diversidade Cultural

Começou hoje, em Salvador, o Encontro Internacional da Diversidade Cultural. Durante o evento, que se estende até o dia 8/11, organizações culturais, estudiosos e gestores públicos de mais de 40 países debatem o futuro da diversidade cultural no mundo.

O ponto de partida de todos os participantes para a discussão é a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da UNESCO em outubro de 2005, como resposta a tentativa de algumas nações de tratar bens e serviços culturais no âmbito da Organização Mundial do Comércio, como se fossem um produto qualquer. Atualmente, a Convenção já foi ratificada por mais de 103 países.

Pouco após a solenidade de abertura do evento, o Blog das Ruas conversou com Rasmané Ouedraogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

Além de organizadora do evento, a FICDC é a única entidade civil em todo o mundo com assento na UNESCO, o que lhe dá direito a pronunciar-se em todas as reuniões da entidade, que é o braço da ONU voltado para a educação, a ciência e a cultura.

Cidadão de Burkina Faso, Ouedraogo defende a participação ativa dos países em desenvolvimento na luta pela promoção da diversidade cultural. “A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros”, afirma.

"os pa�ses em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Rasmané Ouedraogo: "os países em desenvolvimento têm todo interesse em defender a diversidade cultural"

Segundo o presidente da FICDC, os países adotaram uma lógica econômica que faz com que ajam contra a sua própria população. “A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados”, diz.

Rasmané Ouedraogo chega até a questionar a utilidade das legislações de respeito à propriedade intelectual:

- No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta - argumenta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

O senhor considera que a diversidade cultura hoje seja um valor compartilhado pela humanidade ou esse ainda é um esforço a ser feito?

A diversidade cultural é compartilhada pelo mundo. Mas o nosso grande esforço deve ser de preservar essa diversidade, porque essa riqueza está sendo ameaça atualmente.

Quais são os principais obstáculos à implantação, via políticas públicas nacionais, da convenção sobre a diversidade cultural?

Primeiro, é preciso que em cada país haja uma vontade política definida e assumida de promover a cultura.

Segundo, é preciso mobilizar a população em torno dessa convenção; explicá-la à população. Para que, em um certo ela mesma possa apreender e assumir a convenção pela diversidade cultural. Porque esta é a primeira convenção que vai ser implementada não pelos Estados nacionais, mas pelos agentes culturais na base.

Muitas vezes, trata-se da questão da diversidade considerando apenas as questões nacionais. O Brasil é um dos poucos países onde mais de dois terços da música consumida é produção nacional. Ainda assim, nós, brasileiros, reclamamos da falta de diversidade no consumo musical. O senhor considera que os países estão preparados para tratar do tema com este nível de complexidade?

Na realidade, o problema não é complexo. O problema é simples porque o povo vive sua própria cultura. O problema são os Estados haverem se inserido numa lógica econômica que faz com que acabem combatendo a sua própria população.

A última crise econômica no mundo nos mostrou que os Estados estão errados. E depois, como por milagre, cada um volta a se refugiar nos seus valores culturais próprios.

Eu acho que o Brasil não deveria temer nada, mas de qualquer jeito é importante exigir que o Estado respeite as convenções que ele assinou.

Como proteger e promover expressões culturais do mundo em rede, que não tem fronteiras nacionais e questiona a forma tradicional de se conceber os direitos autorais?

Quando nos falamos de rede, imediatamente falamos de superestrutura. Ora, a cultura se vive desde a base. E na base não existem fronteiras. A realidade econômica leva a um tipo de institucionalização que provoca o problema.

Nossa federação tem esse embate com a questão da economia. No seio da população não existe propriedade intelectual. Há uma partilha natural da herança comum. A noção de propriedade intelectual brotou quando se começou a falar de dinheiro. Será que este não é um erro que estamos pagando hoje? Eu mesmo me faço essa pergunta.

Em que medida o protagonismo político recente dos países em desenvolvimento pode contribuir para a promoção da diversidade cultural no mundo?

Os países em desenvolvimento hoje têm interesse a se engajar na luta pela promoção da diversidade cultural. Porque quando vemos o que acontece em nosso entorno, no mundo, percebemos que a riqueza cultural acaba sendo embolsada por um pequeno número de privilegiados.

Quando nós falamos de indústrias culturais, falamos da conjunção entre criatividade, inventividade, novas tecnologias e o mercado. A criatividade está nos países pobres, mas o mercado não está lá. Afirmamos, portanto, que há uma injustiça. Aqueles que criam precisam também se beneficiar dos lucros. Logo, países em desenvolvimento têm interesse em proteger a diversidade, a fim de poder partilhar as vantagens.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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3 de novembro de 2009

Jovens voluntários de todo Brasil se reúnem para “sonhar” uma nova Santa Catarina

Já se imaginou saindo de sua cidade, arcando com os custos de sua viagem para outro estado do país, apenas para ajudar as pessoas a tornarem esse estado um lugar melhor para se viver?

Pois é exatamente isso que estava acontecendo até ontem, na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Cerca de 120 pessoas - entre jovens voluntários, pessoas de comunidades locais, dos setores público e privado e de ONGs - decidiram se reunir desde a última sexta-feira (30/10) para “sonhar” com uma Santa Catarina melhor. Veja a programação.

Gente de mais de oito estados do país compareceu ao evento, chamado de Festival Oasis. Literalmente, um festival de sonhadores.

E o que seria esse sonho? Algum plano complicado e realizável apenas no longo prazo, depois do investimento de bilhões de reais?

- Não queremos pensar em algo que não somos capazes de fazer com os nossos próprios recursos. Queremos pensar o que podemos fazer para construirmos um melhor mundo, e não apenas melhorar o que já está aí. E fazer isso com prazer, não como uma ação de sacrifício - conta o estudante carioca Caio Braz, um dos iniciadores e articuladores do movimento.

Desenhando o sonho?

Desenhando o sonho?

Tudo começou a partir da sistematização da metodologia de mobilização social Oasis, sistematizada pelo Instituto Elos. Caio foi uma das primeiras pessoas a receberem o treinamento nessa nova metodologia.

“Daí a gente resolveu colocar esse conhecimento na prática, num estado arrasado pelas enchentes, onde as relações humanas estavam destruídas”, conta Caio, que trancou por um ano o curso de engenharia mecânica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), uma das melhores faculdades do país, para dedicar-se à mobilização social.

Resultado: foi criada a Rede Oasis Santa Catarina, que conta com mais de três mil membros em todo país - e até mesmo no exterior - inscritas na plataforma ning.

Em julho, aproximadamente 500 pessoas estiveram em Blumenau para “colocar a mão na massa”. Ao lado de comunidades arrasadas pelas enchentes - e apenas usando os recursos existentes nessas comunidades, como madeira, cimento etc. - reformaram e revitalizaram espaços públicos (praças, brinquedos) que haviam sido destruídos. “Como é que a gente pode demandar alguma coisa de políticos e governantes se não somos capazes de fazer aquilo que demandamos?”, questiona Caio Braz.

E o interessante é que nada disso tem dinheiro envolvido no meio.

- Não pedimos dinheiro. Na verdade, não é nem uma troca: as pessoas e empresas oferecem o que tem de melhor porque compartilham os mesmos objetivos. A Vila Germânica abriga a Oktoberfest, mas não cobrou nada. Temos telefone celular cedido de graça, alimentação de graça. Até a casa que estamos ocupando foi cedida - conta Caio.

O estudante carioca revela ainda que o objetivo principal das ações da rede não é a recuperação em si de espaços degradados, mas a vitalidade que as comunidades ganham por tomarem as rédeas de seu destino.

- Fazemos com que eles vejam a beleza que eles mesmos têm mas muitas vezes não reconhecem. Quando elas acreditam que é possível realizar os seus desejos, passam a ver abundância no lugar de escassez - argumenta.

E a rede está crescendo. Luciano de Sálua, estudante paulista e colaborador da Revista Viração, não havia participado da ação anterior em Santa Catarina. Ainda assim, bancou sua ida ao Festival em Blumenau.

- Sou um filho novo do Oasis. Não participei da ação do meio do ano aqui em Santa Catarina, mas participei de vários desdobramentos, lá em São Paulo. Resolvi vir porque aceitei este convite para sonhar - conta.

(fotos: Eric Silva/ Revista Viração)

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24 de outubro de 2009

SP: Noivos vão de bicicleta para o altar

Priscila Teixeira e William Cruz vão se casar hoje. O sonho romântico deste casal, porém, é diferente da maioria dos outros: neste casamento, noivos, padrinhos, amigos e parentes vão ao cartório de bicicleta!

“Eu uso a bicicleta para praticamente tudo. Sou um ativista da causa, tenho um blog sobre o assunto; enfim, a bicicleta faz parte do meu dia-a-dia”, diz William.

Mas o noivo faz questão de dar os créditos a quem é de direito: “A ideia foi da Priscila. Teve uma hora que ela me perguntou: ‘Porque a gente não vai de bicicleta pra lá?’. Eu, claro, adorei”.

Decidida a questão, começaram a convidar os amigos e a família para a empreitada (veja texto do convite no blog do William).

- A gente não achou que fosse tanta gente! O pessoal gostou da ideia, estão divulgando, parece que vão mesmo! E olhe que não convidamos só gente da cena ciclioativista. Tem parentes, colegas de trabalho… pessoas que nunca andam de bicicleta pela cidade - conta William, ainda surpreso com a recepção da ousadia do casal.

E o casal vai pedalar trajado a rigor para o casário: ele, de terno, paletó, gravata e gel no cabelo; ela, de sandália de salto e vestido de noiva (”o vestido é um pouco mais curto, mas é vestido de oiva sim”, argumenta o futuro marido). Não só eles, mas também muitos dos amigos e parentes pedalam com trajes elegantes. “É o cyclechic”, brinca.

Para marcar definitivamente a importância das bicicletas na união, os pombinhos combinaram de encontrar os convidados na Praça do Ciclista, ponto de partida da tradicional Bicicletada paulistana.

O roteiro da Bicicletada do Casório - como a batizou, divertidamente, o noivo - é o seguinte: a partir das nove da manhã, os noivos já estão na Praça do Ciclista. Às 9h30, eles e os convidados saem em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde.

Depois do enlace todos seguem para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (previsão de chegada: 12h30), onde o casal corta o bolo e continua a celebração. “Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento”, desafia William.

Pergunto ao noivo se ele não tem receio de transformar o casamento numa manifestação política. Ele dá a entender que a principal motivação é íntima, tem a ver com a vida do casal, mas não deixa de falar com todas as letras:

- É uma manifestação no sentido de que mostrar que dá para fazer outras coisas de bicicleta além de dar uma volta no parque ou na ciclofaixa. Dá até para casar. Não precisa chegar no casamento de carro - diz.

Namorados de adolescência

“Nossa historia é bem longa, tem mais de 20 anos”, confidencia William. Ele conta que os noivos tiveram um namoro adolescente que durou três meses, quando tinha 14 anos e ela, 12 (hoje ele tem 36 e ela, 34). “Foi o nosso primeiro namoro um pouco mais sério”, afirma.

Depois de um tempo, o casal perdeu o contato, ambos casaram com outras pessoas e, depois, separaram-se. Na época em que estava se separando, William foi encontrado por Priscila no Orkut. Daí começaram a sair juntos e o romance engatou. “Na verdade, nunca havíamos esquecido um do outro”, garante, sem hesitar, o futuro marido.

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19 de outubro de 2009

SP: Mostra Cultural põe em evidência a produção da periferia

Entre 19 e 25 de outubro, a Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, o CEU Campo Limpo, o CEU Casa Blanca e o Bar do Zé Batidão, na periferia de São Paulo, são ocupados pela II Mostra Cultural da Cooperifa, a Cooperativa de Poetas da Periferia.

Chama atenção a variedade e a quantidade de produções em dança, teatro, música, artes-plásticas, literatura e cinema reunidas para comemorar a oitava festa de aniversário do Sarau da Cooperifa. Confira a programação.

Curador da Mostra, o poeta Sérgio Vaz lançou mão de todas essas linguagens para colocar a produção cultural da periferia brasileira em evidência. Dá até para se perguntar por que ou para que a periferia deve ir ao centro? Aliás, onde está o centro?

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distrtibu�das à população

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distribuídas à população

Ganham destaque na programação a feira de livros e debates sobre literatura com Marcelino Freire, Xico Sá, Ferréz, Sacolinha, Heloisa Buarque de Hollanda, Écio Salles, Chacal, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo e Nelson Maca.

Para a garotada, a espanhola Cia. Bambalina, apresenta Kraft, que usa os fantoches e mescla a linguagem teatral com outras dramaturgias para abordar o amor pelas pessoas e coisas. No teatro os interessados também podem ver Os Tronconenses, do Núcleo Teatral Filhos da Dita/Instituto Pombas Urbanas.

Este é "Para�ba", o lanterninha do Cinema na Laje

Este é "Paraíba", o lanterninha do Cinema na Laje

Já o Cinema na Laje é pura ousadia. Uma sala de cinema ao ar livre, na laje do Zé Batidão. O curador Sérgio Vaz já tinha inclusive anunciado em seu Blog que o Cinema na Laje “vai virar o cinema Paradiso da Zona Sul paulistana”.

Durante essa semana são exibidos curtas e longas nacionais a exemplo de Profissão MC (52 min), de Alessandro Buzo e Toni Nogueira e Pode me chamar de Nadí (18 min) de Déo Cardoso (CE). Esses são alguns dos títulos que vão inspirar o debate A periferia se vê no cinema de periferia?.

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Para concretizar a Mostra, a Cooperifa articula parcerias que envolvem a ONG Ação Educativa, o Centro Cultural da Espanha, o Itaú Cultural, a Global Editora e o SESC Santo Amaro.

Como movimento de incentivo à leitura e à criação poética, a Cooperifa já realizou eventos inusitados como o “Poesia no ar”, quando os poemas são soltos em balões; o “Ajoelhaço”, ocasião em que poetas e convidados ajoelham-se e pedem perdão para as mulheres e a “Chuva de livros”, quando presenteia a comunidade com livros (neste ano foram 600).

(fotos: reprodução)

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17 de outubro de 2009

AC: Começa II Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores

Que tal participar de um campeonato brasileiro de… escalada em árvores? Isso mesmo. O Campeonato não apenas existe, como começa hoje, no Parque urbano do Tucumã em Rio Branco, capital do Acre.

Em sua segunda edição, o Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores é organizado pelo Governo da Acre e pela Prefeitura de Rio Branco, em parceria com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) e a International Society of Arboryculture (ISA). O evento dura dois dias: 17 e 18 de outubro e antecede o 13º Congresso Brasileiro de Arborização Urbana (CBAU), que acontece em seguida.

A competição é destinada à arboristas, coletores de sementes, epífitas e bromélias e orquídeas e praticantes de rapel, bem como pesquisadores da flora e fauna do dossel e pessoas que trabalham com a escalada como técnica de acesso a árvores de grande porte. Para participar, é necessária a inscrição no site do evento e o pagamento da taxa de R$ 75,00.

Os competidores inscritos têm a oportunidade de visitar a Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, e hospedar-se na Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira, onde podem escalar imensas árvores amazônicas como a Samaúma e Castanheira, entre outras espécies, que chegam a medir até 50 metros de altura.

Você teria coragem de subir numa dessas?

Você teria coragem de subir numa dessas?

Para o torneio, os competidores levam seus próprios equipamentos de segurança: capacete, óculos de proteção, corda de segurança, mosquetões de no mínimo duas seguranças, sistema autoblocante e cinto específico de arborista. Todo esse equipamento é devidamente inspecionado pela comissão organizadora em reuniões prévias.

O Campeonato é realizado em duas etapas (Conheça as regras). A primeira fase, seletiva, acontece hoje. Nela, os participantes executam três modalidades: o Footlock, técnica de escalada que utiliza corda e travamento de pés para a ascensão; o Resgate em Altura, que mostra a habilidade do competidor em resgatar um trabalhador de árvore ferido, utilizando todas as técnicas de segurança; e o Deslocamento em Copa, onde é feita a locomoção e caminhada pelos galhos das árvores. Para ver a programação completa, clique aqui.

Vão para a etapa final os competidores que realizarem as modalidades de acordo com as normas corretas de escalada, sem danos às árvores, no menor tempo. Na segunda fase, dia 18, os finalistas irão executar apenas o deslocamento na copa de árvore, seguindo os mesmos critérios de avaliação.

E então, esse campeonato é para você? Comente.

(fotos: Arquivo Secom/ Governo do Acre)

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15 de outubro de 2009

BA: Moraes Moreira e Margareth Menezes fazem show pelo Dia Mundial da Alimentação

Para comemorar o Dia Mundial da Alimentação (16/10), diversos artistas baianos fazem um show beneficente hoje, às 18h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.

Entre as atrações, nomes de peso como Moraes Moreira, Margareth Menezes, Luiz Caldas, Gerônimo e Paulinho Boca de Cantor, Cortejo Afro e o DJ Nazca, que se apresenta junto à percussão do Bloco da Cidadania.

Moraes Moreira participa hoje do show pelo Dia Mundial da Alimentação

Moraes Moreira participa hoje do show pelo Dia Mundial da Alimentação

Promovido pelo comitê soteropolitano da Ação da Cidadania, o show tem apresentações de várias outras linguagens artísticas além da música, como dança, teatro, circo, poesia e artes plásticas.

Para participar do evento, o público deve levar como ingresso o chamado kit solidariedade: dois quilos de alimento não-perecíveis (como feijão e arroz, por exemplo). Os alimentos serão entregues às Voluntárias Sociais da Bahia e à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), para serem distribuídos à população carente da Bahia.

Desde 2003 a Ação da Cidadania - Salvador vem realizando eventos em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação. O show é um pré-lançamento da quarta edição da campanha Carnaval sem Fome, que tem como meta para 2010 arrecadar 300 toneladas de alimento.

Outra ação mobiliza a capital baiana pelo Dia Mundial da Alimentação. Nesta sexta-feira, uma série de restaurantes da cidade doa parte do faturamento - em alguns casos, um percentual do faturamento; em outros, o faturamento obtido na venda de pratos específicos - para o apoio a projetos de organizações populares que trabalham com crianças ou adolescentes. Veja aqui a lista dos restaurantes.

Os consumidores poderão acompanhar a aplicação do recurso mobilizado durante a campanha através do site da CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço, que coordena essa ação.

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13 de outubro de 2009

PE: “Terça Negra” tem competição de MC’s no Recife

Tags:, , , , - iurirubim às 16:02

Em todas as terças-feiras do mês de outubro, o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, é ocupado pela cultura hip hop.

É a Jornada de MC’s, que além de muito rap, graffite ao vivo, mostra de vídeos e shows com grupos convidados, traz uma competição de rimas entre MC’s, na qual se dá bem quem for melhor no improviso.

A cada terça-feira, oito MC’s disputam entre si por uma vaga na final, que acontece no dia 10 de novembro. As batalhas exigem raciocínio rápido, criatividade e muito jogo de cintura.

Os MC’s têm duas rodadas de 45 segundos para rimar em cima da base musical do DJ. Cabe aos rimadores desafiar o adversário mostrando toda sua habilidade com o domínio do vocabulário e com o improviso.

O dono do jogo de palavras que mais cativar o público - cuja entrada é gratuita - é coroado o campeão e ganha uma vaga na final, dia 10 de novembro.

O melhor dos quatro MC’s que competem na final ganha uma vaga para representar Pernambuco na LIGA de MC’s, o maior evento de rima livre da cultura Hip-Hop no País, que acontece no Rio de Janeiro no Bairro da Lapa.

A Jornada de MC’s reúne em outubro 32 Mc’s de várias comunidades do Recife, como Santo Amaro, Coelhos, Água fria, Prazeres, Mustardinha, Salgadinho, dentre outras.

“Não temos nem limite de idade. Em 2007, foi para a final um menino de 12 anos. Se chegar aqui um de 10, a gente inscreve. O importante é fortalecer cultura da rima”, afirma DJ Big, que organiza o evento.

Hoje à noite, a Jornada de MC’s tem como atrações o grupo Rota Black e o rapper Sombra (antigo ex-SNJ).

A primeira Jornada de MC’s aconteceu em outubro de 2005 no Pátio de São Pedro, numa parceria com o Movimento Negro Unificado que se mantém até hoje. Daí o nome Terça Negra - por conta da força que a cultura negra tem no hip hop.

Rap e repente

A Jornada de MC’s também tem buscado fazer uma aproximação entre o rap e o repente, gêneros irmãos da poesia popular que pouco se falam.

- São pessoas que não são muito conhecidas do cotidiano dos garotos aqui da metrópole. Queremos mostrar, falar sobre esse tipo de poesia popular para as pessoas - opina Dj Big.

Essa aproximação é feita através de oficinas, para as quais são convidados repentistas. “Outro dia, tivemos aqui as irmãs Santinha e Mocinha Maurício”, conta.

Pergunto se não seria bacana os repentistas participarem das batalhas de MC’s.

- Seria covardia. É muito conhecimento.O repentista é o marco da rima. Embora não tenha BPM como o hip hop, a poesia é muito bem feita e criada na hora. Seria uma concorrência desleal! - argumenta.

(foto: Amauri Cunha)

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12 de outubro de 2009

RS: Festival premia melhor história de pescador

Que brasileiro não conhece uma divertida - e absurda - história de pescador? Peixes gigantes, pescaria abençoada, briga com tubarões, sereias… o repertório é interminável num país com tantos rios e tamanho litoral.

Mas agora, ao invés de impressionar a família e os amigos, essas histórias vão valer prêmios. É isso aí: a Casa de Cultura do Litoral Norte do Rio Grande do Sul está com inscrições abertas para o primeiro Festival de Contação de Histórias de Pescador.

- O Festival surgiu da necessidade de afirmar a identidade cultural do povo gaúcho que vive na beira da praia. O típico gaúcho é o homem montado a cavalo com a pampa aberta à sua frente. Esse não é o nosso referencial de gaúcho. Aliás, existem muitos outros tipos de gaúcho. Então nada melhor que contribuir para diversidade cultural do nosso estado e fortalecer a figura do pescador e seu entorno como referenciais culturais do nosso povo - argumenta Ivan Therra, coordenador da Casa de Cultura do Litoral Norte e membro do jornal comunitário O Marisco.

O Festival é aberto ao público e acontece nos dias 30 e 31 de outubro, no Centro Municipal de Cultura de Torres (RS), com o apoio do Sesc-RS.

Durante esse período, vinte histórias pré-selecionadas são contadas à platéia (10 por dia). Um júri analisa a qualidade das histórias e a performance dos concorrentes para escolhes os três vencedores, nas categorias “real/ humorística”; “fantástica/ imaginária” e “ecológico”.

- A gente podia fazer um festival de música, literatura, cinema, mas todos eles seriam restritos aos profissionais daquela área. Já a contação de histórias não. Todo mundo conta histórias, nossa vida é contar histórias. Principalmente as comunidades do litoral, criadas em torno da pesca. Além disso, é uma proposta nova. Eu não tenho notícia de evento similar no Brasil - afirma Therra.

De fato, é um Festival bastante aberto: qualquer brasileiro pode participar. Para isso, basta acessar o site do Festival e enviar uma história de no máximo duas páginas. As inscrições são gratuitas e vão até o dia 17 de outubro.

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

A organização do evento afirma ter recebido, até o último sábado, trinta e oito histórias. “Recebemos inscrições de todo o Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também tivemos contato com o pessoal da Amazônia, mas eles não devem vir por causa da distância”, conta Ivan Therra.

O prêmio em cada uma das três categorias é de mil reais. As histórias premiadas também serão transformadas em curtas-metragens - o orçamento para isso já está garantido.

Além disso, todas as 20 histórias pré-selecionadas para apresentação nos dias 30 e 31 de outubro serão publicadas num livro-coletânea.

E então, você tem uma história de pescador cabulosa para contar? Só não vale falar do Minhocão, um ser misterioso que vive na Lagoa do Armazém, em Tramandaí, que quebra barcos, come galinhas e ovelhas e é responsável pelo sumiço de pescadores. Esse aí ninguém nunca viu, mas todo mundo já conhece…

(fotos: divulgação)

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7 de outubro de 2009

ES: Jongos e Caxambus comparam tambores e batidas em encontro estadual

No final de semana passado, a comunidade quilombola de Vargem Alegre, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES) foi anfitriã do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O caxambu e o jongo são manifestações culturais afrobrasileiras reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial, em 2005.

No Brasil, elas surgiram nas senzalas, no período colonial. Seus participantes dançam e cantam rimas em roda, ao som de palmas e tambores, chamados caxambus, que são feitos pelos próprios membros dos grupos. Os versos cantados remetem ao tempo da escravidão e também retratam o cotidiano. Leia mais aqui, aqui e aqui.

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Infelizmente, o Blog das Ruas “descobriu” o Encontro apenas na última segunda-feira, o que impossibilitou uma cobertura mais bacana da nossa parte.

Para não deixar que o acontecimento passe em branco neste espaço, pedi a um de seus organizadores, o diretor de artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim, Genildo Coelho Hautequestt Filho, que escrevesse um relato sobreo encontro, transcrito logo abaixo.

“Entre os dias 3 e 4 de outubro, aconteceu na comunidade quilombola de Vargem Alegre, município de Cachoeiro de Itapemirim-ES o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O evento reuniu todos os 14 grupos de jongos e caxambus em atividade no estado, transformando-se em uma grande oportunidade de congraçamento e também em um fórum que, a partir de agora, se tornará permanente.

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

No Encontro os grupos tiveram a oportunidade de contar sua história, discutir seus jongos (versos contados pelos grupos) e comparar suas batidas e tambores. Essa oportunidade causou encantamento e estranhamento pela grande diversidade entre os grupos presentes.

O mais importante acontecimento foi a criação de um fórum de discussão que pretende-se ser permanente e que terá o objetivo de discutir os problemas enfrentados pelas comunidades jongueiras do Espírito Santo buscando soluções em conjunto com as instituições públicas envilvidas.

Também estiveram representados no Encontro todas as 16 comunidades jongueiras dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro que estão ligadas ao Pontão do Jongo.

A realização do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus só foi possível em função da união de diversos parceiros: Comunidade de Vargem Alegre, Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, através da Secretaria Municipal de Arte e Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ministério da Cultura”.

Genildo Coelho Hautequestt Filho é arquiteto urbanista e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim.

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4 de outubro de 2009

BA: Desenhistas fazem “virada dos quadrinhos”

Tags:, , , - iurirubim às 12:03

Já imaginou passar 24 horas desenhando uma história em quadrinhos? Cerca de 30 cartunistas soteropolitanos toparam a empreitada de produzir uma história de 24 páginas das 10h30 de ontem às 10h30 deste domingo. São as 24 horas de quadrinhos, a versão baiana para o 24 hour comics day, realizado em todo o mundo pelos amantes da arte sequencial.

O desafio de produzir a HQ em 24h foi criado em 1990 pelo norte-americano Scott McCloud, estudioso da área e autor de “Desvendando os Quadrinhos” e “Reinventando os Quadrinhos”. A ideia era que cada cartunista fosse capaz de improvisar um roteiro e desenhar as 24 páginas durante um dia.

"Cartaz" oficial do evento

"Cartaz" oficial do evento

Catorze anos depois, em 24 de abril de 2004, surgiu o primeiro 24 hour comics day, um acontecimento global que mobiliza anualmente fãs das HQs de diversos países do mundo. Todas as histórias produzidas são enviadas para o arquivo de uma biblioteca na Universidade de Ohio (EUA). Em algumas ocasiões, são publicadas.

O Blog das Ruas visitou a reunião dos cartunistas na loja especializada RV Quadrinhos na noite deste sábado, quando estavam em plena atividade.

Primeira página a ser finalizada, às 13h, por Aline "Lila" Cruz

Primeira página a ser finalizada, às 13h, por Aline "Lila" Cruz

Experiente no evento, o artista Bruno Marcelo, 31, resolveu usar algum sofisticação em sua história usando nanquim e aquarela. “São umas criaturinhas coloridas de fantasia que vão parar numa cidade cinza. Aos poucos, elas vão sendo consumidas pelo cinza”, revela.

Para o cartunista, a cenário baiano está evoluindo: “Este ano, o nível está muito bom. Vemos os quadrinhos com traços mais maduros, mais definidos”.

O conflito entre cores e cinza foi o tom da história de Bruno Marcelo

O conflito entre cores e cinza foi o tom da história de Bruno Marcelo

Já a estreante Tamires Lima, 19, estreante no 24 hour comics day, conta a história de duas meninas cujo sonho é voar. Na trama, pretendem visitar um Festival de Balões e roubar um deles para, enfim, alcançarem os céus.

Bartira Thiara e Zana Souza, ambas com 22 anos, também participam pela primeira vez do evento, fazendo uma história em conjunto. “Eu faço o roteiro e o storyboard e ela que fica com a parte pesada”, conta Zana. Elas, entretanto, não nunca tiveram a intenção de terminar a história. “É a nossa primeira vez. A gente veio conhecer como era. Ano que vem contamos a nossa história - sem falta”, completa.

Para Marcos Gross, 21, que participa do evento pela terceira vez, terminar a HQ é realmente um desafio. “Nunca consegui terminar a história”, conta, após 12 horas de trabalho e apenas três páginas prontas. Apesar da dificuldade, mostra-se confiante: “Desta vez, acabo a história”.

"Este ano eu termino a história"

Marcos: "Este ano eu termino a história"

Entre as bancadas, a maioria dos presentes é designer ou estuda para a profissão.

- Sabe aqueles testes vocacionais da escola? Eu disse para o cara: “quero fazer quadrinhos”. Ele respondeu que não havia faculdade de quadrinhos no Brasil e o que mais se aproximava era design. Daí a minha escolha - conta Rafael Souza.

Estranho no ninho, Lucas Menezes, estudante do sétimo semestre de biologia, afirma vai acabar enveredando também por uma profissão que envolva as HQs. “Desenho desde os sete anos”, diz.

Roteiro, storyboard, tudo é feito na hora

Roteiro, storyboard, tudo é feito na hora

Organizadora do evento, Larissa Martina, a dona da RV Quadrinhos argumenta que o 24 hour comics day contirbui para a consolidação de uma cena na cidade.

- É claro que é bom porque gera movimento para a loja e as pessoas consomem. Mas queremos também é mobilizar a galera que produz quadrinhos aqui e não é articulada. É uma forma que encontramos para estimular a produção local - afirma.

E as páginas são produzidas madrugada adentro...

E as páginas são produzidas madrugada adentro...

Marcos Gross, aquele que às 22h só havia conseguido produzir três páginas de sua história, concorda:

- O mais legal é estar produzindo com várias outras pessoas, que tem diferentes estilos, diferentes bagagens. A gente troca uma ideia, comenta a história do outro. Isso é que é bacana - conclui.

(fotos: Iuri Rubim e Bruno Marcelo)

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