Viradão Esportivo mostra “esportes curiosos” praticados pelo Brasil
No último final de semana, o Brasil inteiro participou do Viradão Esportivo: trinta e três horas de prática esportiva promovidas pela Central Única de Favelas (CUFA), em parceria com a Rede Globo.
Estima-se que 16 milhões de pessoas estiveram diretamente envolvidas em atividades esportivas que aconteceram em dezenas de cidades de todos os Estados do país.
Na condição de sede dos jogos olímpicos de 2016, a cidade do Rio de Janeiro concentrou a maior parte dessas atividades, promovendo mais de quatro mil eventos.
Mas o Viradão Esportivo também chamou atenção pelas estranhas e nada olímpicadas modalidades esportivas praticadas Brasil afora, longe da capital fluminense (na foto do topo, “Futlama”).
Não falo aqui de nem de modalidades “quase” incorporadas à prática esportiva nacional, como o basquete de rua e a peteca. Nem de modalidades aventureiras em ambiente urbano (parkour) e natural (corridas de aventura e rapel).
No Viradão Esportivo se fazem presentes vários tipos de dança – street dance, salão, rap, capoeira, maculelê, balé e até mesmo tango (!) –; oficinas de arte circense, teatro, violino e bolinha de gude; campeonato de declamação, competições de bumerangue e pipa.
A turma do motor também participam. Durante a madrugada entre sábado e domingo, os habitantes de Pelotas (RS) puderam curtir o “Arrancadão”, uma disputa de arrancada entre os possantes da cidade.
Em Praia Grande (SP), as manobras radicais ficam são feitas sobre duas rodas, em motos. Mas nada é tão “esportivo” quantos os carangos de Goiana (PE), que participaram da Competição de Som de Automóveis.
Muitas cidades – muitas mesmo – deram destaque para os “esportes boêmios”, aqueles que a gente joga sentado, de preferência numa mesa de barzinho: xadrez, damas, dominó, truco, dentre outros.
Também sentados, só que nesse caso por necessidade, os competidores disputam o “basquete sobre rodas” com as mesmas regras do basquete tradicional, tanto em Natal, quanto em Dourados (MS). Na cidade do centro-oeste, quem ganhou a competição foi a equipe de cadeirantes Dourados sobre Rodas.
O movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) esteve bastante ativo no Viradão. Na madrugada entre sábado e domingo, exatamente à meia-noite, na Praça do Barão, em Macapá, uma multidão assiste ao Queimadão do Barão, uma disputa de queimada (também conhecida por baleado).
Criado em 2005 por um grupo de homossexuais, o Queimadão do Barão virou uma febre na cidade, concentrando platéias de até três mil pessoas e fazendo disputas divertidas, como “heteros versus homossexuais”.
Já em Natal, em plena Parada Gay, o Viradão Esportivo realizou a mais adequada competição para o momento: a corrida de salto alto! Oito “atletas” participaram da disputa, cujo objetivo era percorrer os 60 metros “altos”. Isso tudo, obviamente, sem cair do salto (o que aconteceu apenas com uma delas). Ganhou a corrida a “quenga” Ohana Savashe, que levou para casa um vale de R$ 100,00 para comprar adereços para a próxima fantasia de carnaval.
Também no Rio Grande do Norte, em São Gonçalo do Amarante, aconteceu a 16a. edição da Corrida do Jegue, um evento que já faz parte do calendário municipal. Cerca de 60 animais participaram da disputa, que premiou tanto o jegue mais rápido quanto o mais ornamentado.
Em Juiz de Fora (MG), outro animal acompanhou o homem numa atividade esportiva inovadora, a cãominhada. Doze duplas, formadas por cachorro e dono, fizeram quatro horas de treeking nas montanhas do entorno do bairro de Lourdes, na cidade mineira. “Lembrei que tinha visto uma reportagem e resolvi fazer algo parecido”, diz Carlos César Pinho, organizador do evento.
Algumas modalidades do Viradão pelo Brasil são curiosamente adaptadas daquelas mais conhecidas. Na beira do Rio Amazonas, em aconteceu o Futlama, um torneio de oito times disputado com uma bola impermeável na praia de Aturiá.
Em Natal, no Parque das Dunas, o xadrez virou “xadrez gigante”, com peças de um metro de altura. No mesmo local, uma modalidade esportiva que eu ainda não conhecia: o speddy ball, um jogo em que uma bola em forma de gota é presa por uma corda a um mastro e o objetivo de cada pessoas ou dupla é enrolar totalmente a bola no mastro.
Nos quarto cantos do país, o Viradão Esportivo exibiu novas modalidades esportivas. Em Matinhos (PR), as pessoas disputavam o boardball. Em Porto Alegre, o “Futebol de Parede” e em Sorocaba, o Trigolbol, cujo campo é triangular (!). Não perguntem a este blogueiro como funcionam porque, realmente, é muita novidade.
*A “cãominhada” da foto não é a do Viradão Esportivo, mas de outro evento também em Juiz de Fora, promovido pela LC Adestramento.
(fotos: Isaías Carlos (jegue)/ CUFA-RN (corrida de salto)/ CUFA-MS (basquete)/ LC Adestramento (cãominhada)/ divulgação)

























