Terra Magazine

25 de novembro de 2008

CE: rezadeira cura “à distância” usando foto

iurirubim às 10:49

Todo mundo de Alto Santo, município do interior do Ceará, já bem próximo à fronteira com o Rio Grande do Norte, conhece a rezadeira Fransquinha Félix.

- Aqui em Alto Santo qual foi a mãe que nunca levou seu filho ou sua filha na casa da Dona Fransquinha Félix, para ela rezar de um quebrante, diarréia, vento caído ou qualquer que seja a doença? - pergunta Juliana Lima, moradora da cidade.

Anafabeta, aos 67anos Fransquinha Félix tornou-se cidadã ilustre não apenas na cidade, mas em todo o Ceará. Recentemente recebeu, da Secretaria Estadual de Cultura, o prêmio de Tesouro Vivo da Cultura, entregue a pessoas detentoras de saberes necessários para a produção e preservação da cultura tradicional popular.

D. Fransquinha não é cearense. Nasceu no estado vizinho, Rio Grande do Norte, no município de Umarizal, não muito distante de Alto Santo, onde reside há meio século.


D. Fransquinha agora é considerada
Tesouro Vivo da cultura cearense

Batizada de Francisca Galdino de Oliveira, ela garante que reza há mais de 60 anos: “aprendi a reza com minha madrinha Maria Catingueira, com cinco anos de idade”, diz.

- Os dono de fazenda vêm se valer de mim e eu rezo em cavalo, cachorro, gato, criação. As pessoas também vêm me buscar para rezar nos meninos. Tem dia que tem mais de 30 meninos pra eu rezar, tem dia que o alpendre fica cheio de gente, tanto adulto como criança, eu num tenho mais soma de quantas pessoa eu já rezei – afirma D. Fransquinha.

A rezadeira cura as pessoas sem cobrar nada. “A reza não é paga, a reza que Deus deixou no mundo não foi para ser paga, nem vendida”, argumenta. “Sinto prazer em rezar e ver aquela pessoa boa”.

D. Fransquinha, aliás, faz questão de sempre enfatizar a importância da fé. “Eu uso um galhinho de ramo verde e as palavras que rezo é palavras de Deus e nossa senhora”. E avisa: “Mãe que não tem fé, não venha me procurar que não tem cura!”.


Devota, a rezadeira alerta: "para curar, tem que ter fé".

Para aqueles que têm fé, entretanto, a rezadeira se garante:

- Ninguém que vem aqui na minha casa da uma viagem perdida. Houve criança e gente grande que não tinha cura no médico e veio aqui. Eu rezei e teve cura. Eu rezo em tudo, quebrante, vento caído, ferida braba… a pessoa vem “três vez”, se num ficar boa tem que vim “nove vez”. Aí fica curada, mas tem de ter muita fé – conta.

Para quem não pode ir até sua casa, no bairro Pão de Açúcar, no Centro da Cidade, Dona Fransquinha recomenda mandar uma foto ou peça de roupa. “Às vezes a pessoa fica doente mas tá longe aí manda uma foto ou uma blusa. Aí eu rezo a pessoa fica boa, mas num é eu que curo, é a fé da pessoa”, afirma.

O poder de cura de Dona Francisca é endossado pelos moradores de Alto Santo. Para Dona Maria Neta Oliveira, a reza de D. Fransquinha vem antes até do médico:

- Sempre que minha sobrinha fica doente, com vento caído ou quebrante, a primeira coisa que eu faço é correr lá para a casa da Dona Fransquinha Felix, antes mesmo de ir para o hospital procurar o médico. Aí ela reza três vez e, quando a gente menos espera, a criança já tá boa, já tá é se danando no meio da casa – diz Dona Maria, tia de Ylana.


Dona Maria leva a sobrinha Ylana para ver
D. Fransquinha antes de ir a qualquer médico

Assim como Dona Maria, muitas outras mães de Alto Santo depõe em favor da “mão santa” de Dona Fransquinha Felix.

Mas que ninguém leve o filho na casa de D. Fransquinha no meio-dia: “não rezo 12 hora do dia e nem da noite, porque ninguém num nasceu e nem morreu nessa hora. Os outro horário eu rezo, pode vir”.

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11 de novembro de 2008

BA: Para rezador, derrame é “vento brabo”

iurirubim às 8:53

Ele ainda vai fazer 59 anos no dia 17 de dezembro, mas todos o chamam de Véio. “Vou fazer 60 e já achei esse nome desde pequeno”, diz, com muito bom humor, Seu Francisco Pereira da Silva, rezador da comunidade da Lagoa da Camisa, na zona rural de Feira de Santana (BA).


Seu Francisco (D) é rezador desde pequeno

Véio enxerga pouco de um olho e nada do outro. Consegue andar sozinho nos lugares que ele já conhece, mas a coisa complica com o excesso de carros e motos da cidade grande. Nada disso, entretanto, o impede de continuar rezando as pessoas.

- Minha mãe, que está muito doente agora, é grande rezadeira. Aprendi o que sei desde pequeno com ela, c’os avôs e as avós – diz Seu Francisco.

A especialidade de Véio é rezar pessoas acometidas de vento brabo. Ele mesmo explica o que é isso:

- Os médicos, a medicina diz que isso é derrame, mas tudo parte do vento do ar, de vento brabo. Abriu a porta e facilitou, passa o vento brabo e aí já pega. Tem o vento de sete, que é manso; o de nove, que já é mais ou menos e o de 14, que é brabo. E tem o de 21 que é brabão! É tão perigoso que, quando a pessoa reza o 21, se o cliente morrer nos três primeiros dias, perde as duas almas. Tem que rezar com o nome dos demônios todos.

- E a medicina diz que isso é derrame?

- É, agora dizem que é derrame - confirma.

A primeira pessoa rezada por Véio foi um colega de pescaria, quando ele tinha 15 anos.

- Ele estava pescando comigo e adoeceu. Ficou zonzo, vomitando e com as vistas escuras. Pelos sintomas, vi que era vento. Aí, eu não conversei. Peguei as folhas e mandei tirar um sono. Logo depois, ele ficou bom! – diz


Seu Francisco (D) também é cantor no grupo
Quixabeira de Lagoa da Camisa

Ele cobra as rezas, mas também atende quem não pode pagar. “A gente vive do trabalho que nós sabe, mas de tudo na vida, a gente tem que fazer uma caridade”, diz. Segundo o Véio, não se pode deixar ninguém ficar doente.

Seu Francisco associa o uso de folhas e orações nas rezas. As orações, sempre oferece a São Romão. Já as folhas, faz a combinação de acordo com os sintomas. “Para cada doença, é uma folha, mas a principal é Vence Tudo!”. Ele dá exemplos das rezas para cada doença:

- Para olhado, é vassourinha. Para dor de cabeça não é com folha, é com as mãos. Dismintidura a gente reza com as mãos, e três torrão (barro da parede). Agora os médicos estão engessando, mas antes na zona rural, a gente não engessava não. Para dismintidura, eu rezo assim:

Rezo de dismintidura e coso
Pele com pele
Carne com carne
Nervo rindido
E ossos torno
Valei senhor seu furtuoso
Cos poder de Deus
Da virgem Maria, amém

Vida de cantor

Véio divide seu tempo entre o ofício de rezar as pessoas e os palcos. Responsável por um dos vocais e pelo pandeiro do grupo Quixabeira de Lagoa da Camisa, faz show em Salvador no dia 14/11, às 20 horas, na Praça Tereza Batista, Pelourinho, com entrada franca.


No pandeiro e nos vocais, Véio se apresenta em
Salvador no dia 14 de novembro

Durante a apresentação o grupo vende o CD “Ô Pandeiro! Ô Viola!”, relançado em 2008, com preço promocional (R$15,00). Samba-de-roda, chula, samba martelo, batuque, reisado e cantiga de roda são alguns dos ritmos presentes no CD.

As apresentações eventuais desse grupo da região de Quixabeira ajudam a manter a coesão das comunidades. As rezas, batizados, aniversários e rodas de samba que acontecem durante o ano renovam e revivem essas linguagens musicais. Nessas oportunidades, os mais novos aproveitam para aprender os movimentos, ritmos e toadas, garantindo a permanência da tradição.

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23 de outubro de 2008

Benzedeira: “Quem duvida da cura quebra a cara”

iurirubim às 8:42

Quebranto? Mau-olhado? Espinhela caída? É só benzer que passa! Se estiver em Minas Gerais, mais especificamente em Belo Horizonte, você pode procurar minha avó, D. Ereni Rodrigues. A convite do Iuri, entrevistei minha avó de 83 anos, que há muito é benzedeira.


D. Ereni e sua neta Daniela: a família toda foi benzida

A vó Ereni me diz que aqui em Minas é muito comum essa cultura das benzedeiras, principalmente no interior, onde posto de saúde é mais difícil.

Ela explica que normalmente são pessoas mais velhas e bem católicas que, movidas pela fé, cultivam o hábito de benzer as pessoas de graça e pela graça do outro se sentir bem. Segundo ela, um dom que Deus deu.

Acredito que o fato de ser mais velha inspire confiança e sabedoria. Dificilmente alguém se benzeria com uma jovem de 20 anos (eu, Daniela, pelo menos não).

Durante o dia, há sempre alguém querendo uma reza ou uma benzeção na casa da Vó, o que ela faz com muito prazer. Moradora do bairro Sagrada Família há mais de 70 anos, é difícil encontrar alguém que não tenha se benzido com ela quando criança.

Benzer exige um ritual. Primeiro a pessoa que benze tem que estar bem de saúde, explica a Vó. "Se ela não consegue cuidar dela mesma, não pode cuidar de ninguém”. Depois, tem o trato das ervas, que têm que ser apanhadas frescas, seja manjericão, arruda, guiné ou galho de plantinhas do jardim. O terço, sempre à mão. Outra coisa importante é nunca deixar a benzeção depois que o sol se por, a fim de aproveitar a sua energia.

Mas hoje, em Belo Horizonte, essa prática já não é tão comum mais como quando eu era criança. Talvez porque as pessoas estão cada vez mais sem tempo até mesmo de ir ao médico, quanto mais buscar uma benzedeira.

De hábitos simples, é fácil de encontrar a vó em casa. E, como todo bom mineiro, tem sempre um “cafezim” antes da benção ou da prosa. É essa prosa boa que compartilho com vocês agora.

Quando e como a senhora aprendeu a usar ervas e benzer pessoas?

Minha mãe já benzia desde que eu era bem pequena, mas eu só tomei gosto pela coisa com a minha irmã há uns 30 anos atrás. Minhã irmã Taninha benzia tudo! Eu só benzo mau-olhado, quebranto e espinhela caída.

Faço muito também é simpatia para curar bronquite na semana santa, mas essa não posso contar o segredo, porque se quem já tomou souber as ervas, não cura [eu, Dany, fui vítima desse remédio, por isso ela não pode contar!].O remédio é natural e é distribuído na semana santa e quem toma com fé cura, não tem gosto de nada, é um chazinho aguado e sem açúcar.

A senhora tem uma idéia de quantas pessoas já atendeu?

Ah, minha filha, é muita gente, não sei não. Só de remédio para bronquite foram muitos.

Quais são as reclamações mais freqüentes?

Mais é criança que a mãe traz por causa de quebranto, vento virado. As pessoas mais velhas também vêm por causa de espinhela caída ou gente que torceu o pé pra coser [costurar espiritualmente o pé torcido, por meio de um paninho e rezas]. Quando chega gente com dor de cabeça, corpo doendo, é um mau olhado, aí é só benzer. A pessoa tendo fé, tudo passa.

E as mais diferentes e esquisitas?

Uma senhora uma vez me pediu para benzê-la, dizendo que estava com cobreiro ela pediu pra benzer para cobreiro, mas ela não estava com cobreiro, era algo diferente muito feio e purulento. Benzi, mas "mandei ela" direto para o médico.

Conseguiu curar esses pedidos mais esquisitos também?

Uma vez veio um moço aqui com uma ferida mal cheirosa, me pediu para coser o pé dele, fui fazendo isso durante três dias, não é que no terceiro dia o pé já estava melhor?

Qual foi a cura mais complicada?

Nossa, uma vez uma criança tava com diarréia e vômito. Pedi para benzer, mas a mãe não acreditava e já tinha dado "tudo quanto é " remédio. Aí, vendo o sofrimento da mãe, eu pedi de novo para benzer, mas como a mãe não acreditava, não adiantava. A menina foi só piorando e mãe cedeu.

Benzi durante 3 dias. No primeiro dia, a febre, que era alta, foi baixando; no segundo, a diarréia parou; e no terceiro tudo foi melhorando. Com três dias, a menina ficou boa de vez! A mãe, desse dia em diante, passou a acreditar e benzer sempre a filha.

Uma outra vez, veio um rapaz aqui com "espinha na garganta". Tava apavorado, coitado. Eu benzi e mandei ele direto para o médico, mas no meio do caminho ele tossiu e a espinha saiu. Voltou aqui chorando de agradecimento pela benzeção que resolveu o problema dele.

Quantas ervas a senhora usa? Quais as principais e onde elas são recolhidas?

A gente benze com terço e erva. Arruda, alecrim, guiné, manjericão ou a erva que tiver. Até flor de jardim, mas eu gosto mais de terço. São sempre 3 galinhos ou 3 folhas de planta comprida. Pode usar arruda, guiné ou manjericão.


D. Ereni: fé é fundamental

Qual é a relação dessa atividade com a religião da senhora?

É uma benção divina benzer, o padre disse que quando você faz uma coisa que é de Deus, é uma benção.

Já aconteceu de alguém duvidar da capacidade de cura da senhora?

Ah, sempre tem, minha filha, mas sempre a pessoa “quebra a cara”, porque a fé move montanhas.

A procura das pessoas continua a mesma?

Hoje a procura é bem menor, né? A crença está muito devastada. E a falta de quem benze dificulta as coisas.

Como a gente pode saber quando procurar uma benzedeira e quando ir para o médico?

É assim: você deve ir ao médico sempre. Toma remédio e procura uma pessoa pra benzer. Ou uma coisa ou outra tem que melhorar.

Os dois cuidam das mesmas coisas?

Não. As benzedeiras cuidam do espírito, auxiliam no tratamento de dentro para fora.

A senhora está repassando esse conhecimento para alguém?

Hoje há dois netos que aprenderam, mas ainda não praticam, por falta de tempo mesmo. É preciso dedicar e ter tempo para atender as pessoas que buscam ajuda.

Daniela Miranda mora em Belo Horizonte, é publicitária de coração e faz parte de uma família de 10 netos e 4 bisnetos, se suas contas estiverem corretas. Isso sem contar os netos emprestados que a avó Ereni arruma com a benzeção.

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15 de outubro de 2008

“Orixás são como anjos da guarda”, diz curandeiro

iurirubim às 17:29

O senhor Edson Ribeiro, ou Dr. Raízes, como é conhecido, atende na Rua dos Artistas, número 5, bairro Garcia, em Salvador. “Nunca tive um caso negativo, de alguém vir aqui e eu não conseguir curar”, garante.

Seu ponto comercial, a Casa das Raízes, é uma overdose de informação. Plantas e folhas secas tomam conta da fachada da casa.

O teto da parte interna é repleto de objetos pendurados, na maioria sementes e raízes, mas também produtos industrializados, costumeiros da vida cotidiana.

Dois freezers de bebidas ficam na parte lateral da entrada e a extensa superfície do grande balcão à direita é base para potes repletos de balas e garrafões com cachaça. À esquerda da entrada ainda há um espaço onde travessas e pratos de barro para caruru (comida baiana que costuma ser oferecida aos orixás).

Diz que gostaria (e planeja) de separar as coisas, migrando as bebidas para um outro ponto próximo. “Recebi permissão para vender bebidas, mas eu não gosto de misturar. Acabei com 80% do bar, vendo bebidas mais como depósito”, diz.

A Casa das Raízes funciona todos os dias, das 8h30 até quase meia-noite. Muito simpático, usando várias contas de orixás, Dr. Raízes toma conta de tudo sozinho. Ele, que já chegou a receber até 400 reais por uma cura, agora faz tudo de graça, cobrando apenas o preço das ervas.

- Sou uma pessoa de bem. Podendo ajudar, ajudo. Sou muito ligado à natureza, às plantas, à vida. Meu objetivo é atender melhor as pessoas. Sempre digo nas minhas orações que quero atender as pessoas – diz, sem falsa modéstia.

Já teve um cachorro chamado deterfon, que era pequenino, mas muito brabo. A única coisa que acalma o bichano eram músicas de dor de cotovelo. “Quando eu botava para tocar aquelas músicas de corno, ele ficava quietinho e até chorava!”, conta.

Seu Edson acredita que seu ofício é presente divino: “A cura é um dom que Deus dá. Uma pessoa uma vez me disse: ‘quem cura é você, é sua força espiritual’. Sabe que concordo com ele?”.

Dr. Raízes lembra a primeira vez que curou alguém. Muito antes de ter essa alcunha, quando ainda era um garoto, viu uma vizinha reclamar de dores. “Eu, na minha inocência, fui no jardim, colhi umas folhas e recomendei que ela usasse. Ela acreditou e sarou”, conta.

Quando começou a ter consciência de seu talento, não parou mais de combater as enfermidades alheias. Segundo ele, já curou cólica menstrual, depressão, vários tipos de dores (reumáticas, de coluna etc.), reduz pressão alta e até mesmo rugas!

- Fiz uma vez um creme para rugas no rosto que uma senhora vendeu no salão dela. E olha que fez sucesso! – afirma.

Para o curandeiro, grande parte das doenças se relaciona com o sistema circulatório.

- Todas as doenças vêm através da circulação do sangue. Pessoas com sangue bom não têm muitas doenças. Uso muito ervas para limpar o sangue e ativar a circulação e recomendo uma boa alimentação – diz.

Conta que um dos casos mais difíceis que enfrentou foi de uma diabética, que tinha uma ferida enorme na perna:

- Eu tinha até outro dia o endereço e telefone da mulher. Ela já tinha esse problema há muitos anos. Comecei a usar o cipó amarelo do amazonas, pedi para ela fazer uma dieta e usei também batata inglesa e outros antibióticos naturais. Com 30 dias ela estava curada – diz, orgulhoso.

O Dr. Raízes trabalha com mil plantas, das quais cerca de 300 estão disponíveis em sua loja.

Não dá garantia do serviço, mas tem muita confiança em seu trabalho. “A gente não dá aquela garantia, mas eu tenho feito e tenho curado”, sustenta.

Sempre tenta fornecer os dados de quem afirma ter curado e diz que seria interessante também fazer uma matéria entrevistando essas pessoas. Comprometeu-se, inclusive, a reunir algumas dessas pessoas.

Mas, de acordo com o Dr. Raízes, a experiência é o melhor remédio para a desconfiança.

- Uma vez fui curar um rapaz que tinha elefantíase há 10 anos e cortava a calça porque a perna não cabia nela. Disse que não acreditava que eu pudesse curar ele. Quando perguntou quanto era, eu disse que ele ia me pagar somente o que eu merecia. Em 15 dias, me chamou e me deu R$50,00. Com mais 15 dias, me deu outros R$50,00. Em dois meses, ele estava curado – conta, sorrindo.

Seu Edson se lembra de outro caso:

- Teve um outro rapaz, André, que morava no Flat Jardim de Alah, apto 125. Ele me perguntou quanto era e eu disse que ele me pagaria R$150,00 antes e R$ 150,00 quando ele estivesse bom. Em cinco dias, ele me ligou para eu ir pegar o cheque.

Recentemente, uma médica visitou a loja e o ouviu falando sobre como tratar sinusite. Ela bateu a mão no ombro de seu Edson e disse: “você está certo, colega”.

Nossa animada conversa é interrompida por um homem, que entra pedindo “aquele” remédio para pressão alta (essa é a única interrupção para a compra dos "remédios caseiros").

- Ah, noz moscada? – diz seu Edson.

Ele recebe o dinheiro, vai para trás do balcão e entrega um pacotinho ao rapaz. Depois, vira para mim e diz: “Estou para fazer um remédio para pressão alta com noz moscada, patchulli, girassol e umburana de cheiro. É bom, porque já fica pronto aqui para quando precisarem”.

Pergunto a ele como aprendeu a fazer uso das plantas e fazer os preparados.

- Aprendo as receitas nos sonhos e também por intuição. Recebi uma mensagem que deveria me aproximar mais das crianças. Nesse caruru, dei presentes e agora faço uma sopa toda segunda-feira.

- Quem envia essas mensagens?

- Devem ser os orixás. Esta vendo esse colar? Sonhei com um colar verde e branco. Verde é de Ogum Marinho e branco de Oxalá.

Dr. Raízes me conta que seus pais eram batistas e reclama da Igreja: “eles são muito contundentes, não dão liberdade para as pessoas analisarem as coisas”. Por sua experiência, diz que hoje não vê conflito em acreditar em Deus e nos orixás.

- Primeiramente Deus, e depois os Orixás. As pessoas têm uma idéia muito errada dos orixás. Acham que os orixás são o diabo, mas não é assim. Os orixás são como anjos da guarda para a gente. Vêm nos proteger.

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