CE: rezadeira cura à distância usando foto

Todo mundo de Alto Santo, município do interior do Ceará, já bem próximo à fronteira com o Rio Grande do Norte, conhece a rezadeira Fransquinha Félix.
- Aqui em Alto Santo qual foi a mãe que nunca levou seu filho ou sua filha na casa da Dona Fransquinha Félix, para ela rezar de um quebrante, diarréia, vento caído ou qualquer que seja a doença? - pergunta Juliana Lima, moradora da cidade.
Anafabeta, aos 67anos Fransquinha Félix tornou-se cidadã ilustre não apenas na cidade, mas em todo o Ceará. Recentemente recebeu, da Secretaria Estadual de Cultura, o prêmio de Tesouro Vivo da Cultura, entregue a pessoas detentoras de saberes necessários para a produção e preservação da cultura tradicional popular.
D. Fransquinha não é cearense. Nasceu no estado vizinho, Rio Grande do Norte, no município de Umarizal, não muito distante de Alto Santo, onde reside há meio século.

D. Fransquinha agora é considerada
Tesouro Vivo da cultura cearense
Batizada de Francisca Galdino de Oliveira, ela garante que reza há mais de 60 anos: “aprendi a reza com minha madrinha Maria Catingueira, com cinco anos de idade”, diz.
- Os dono de fazenda vêm se valer de mim e eu rezo em cavalo, cachorro, gato, criação. As pessoas também vêm me buscar para rezar nos meninos. Tem dia que tem mais de 30 meninos pra eu rezar, tem dia que o alpendre fica cheio de gente, tanto adulto como criança, eu num tenho mais soma de quantas pessoa eu já rezei – afirma D. Fransquinha.
A rezadeira cura as pessoas sem cobrar nada. “A reza não é paga, a reza que Deus deixou no mundo não foi para ser paga, nem vendida”, argumenta. “Sinto prazer em rezar e ver aquela pessoa boa”.
D. Fransquinha, aliás, faz questão de sempre enfatizar a importância da fé. “Eu uso um galhinho de ramo verde e as palavras que rezo é palavras de Deus e nossa senhora”. E avisa: “Mãe que não tem fé, não venha me procurar que não tem cura!”.

Devota, a rezadeira alerta: "para curar, tem que ter fé".
Para aqueles que têm fé, entretanto, a rezadeira se garante:
- Ninguém que vem aqui na minha casa da uma viagem perdida. Houve criança e gente grande que não tinha cura no médico e veio aqui. Eu rezei e teve cura. Eu rezo em tudo, quebrante, vento caído, ferida braba… a pessoa vem “três vez”, se num ficar boa tem que vim “nove vez”. Aí fica curada, mas tem de ter muita fé – conta.
Para quem não pode ir até sua casa, no bairro Pão de Açúcar, no Centro da Cidade, Dona Fransquinha recomenda mandar uma foto ou peça de roupa. “Às vezes a pessoa fica doente mas tá longe aí manda uma foto ou uma blusa. Aí eu rezo a pessoa fica boa, mas num é eu que curo, é a fé da pessoa”, afirma.
O poder de cura de Dona Francisca é endossado pelos moradores de Alto Santo. Para Dona Maria Neta Oliveira, a reza de D. Fransquinha vem antes até do médico:
- Sempre que minha sobrinha fica doente, com vento caído ou quebrante, a primeira coisa que eu faço é correr lá para a casa da Dona Fransquinha Felix, antes mesmo de ir para o hospital procurar o médico. Aí ela reza três vez e, quando a gente menos espera, a criança já tá boa, já tá é se danando no meio da casa – diz Dona Maria, tia de Ylana.

Dona Maria leva a sobrinha Ylana para ver
D. Fransquinha antes de ir a qualquer médico
Assim como Dona Maria, muitas outras mães de Alto Santo depõe em favor da “mão santa” de Dona Fransquinha Felix.
Mas que ninguém leve o filho na casa de D. Fransquinha no meio-dia: “não rezo 12 hora do dia e nem da noite, porque ninguém num nasceu e nem morreu nessa hora. Os outro horário eu rezo, pode vir”.









