Terra Magazine

1 de novembro de 2009

MG: Frango Caipira é estrela de festival gastronômico

Quem escolhe passar o feriadão de finados no tranquilo distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, (município do Serro, a três horas de Belo Horizonte), acaba tendo que fazer uma escolha: frango com pequi ou ao molho pardo? Ou galeto ao leite?

Desde a última sexta-feira e até o dia 2 de novembro, acontece em São Gonçalo do Rio das Pedras o 4º Festival de Frango Caipira.

Mineiríssima, a iguaria é vendida em todos os restaurantes da cidade nessa período. São mais de vinte receitas, desde as mais tradicionais - como frango ensopado e ao vinho - até o frango “afro-mineiro” (gengibre e amendoim) e frango com quibabá, uma planta comestível que “existe no quintal de toda casa da cidade”, conta a idealizadora do evento, Cleide Greco.

Veterinária e dona de uma das pousadas do distrito, Cleide explica que a carne do frango caipira tem uma textura mais consistente por ser criada solta.

Além disso, não tem hormônios, pois o crescimento dos animais obedece o ritmo da natureza e eles não se alimentam de ração, apenas milho e folhas de horta.

Desde que Cleide e os outros donos de pousadas, restaurante de bares locais resolveram realizar pela primeira vez o Festival, em 2006, o turismo no vilarejo - que também possui atrações naturais, como cachoeiras e picos - só tem aumentado.

Chega a acontecer, como no ano passado, dos donos dos estabelecimentos terem que recorrer à criação doméstica de vizinhos por conta da procura.

Para resolver a questão da “superpopulação” de turistas, muito além das capacidades das poucas pousadas, muitos moradores praticam o turismo solidário, ou seja, recebem turistas em suas casas.

Ganham os visitantes, que encontram hospedagem barata, e os habitantes do vilarejo, que garantem uma renda extra para a família.

E você, conhece uma receita bacana de frango caipira? Comente.

(fotos: reprodução)

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26 de outubro de 2009

Festival indígena vira atração turística no Acre

Começou no último domingo (25/10) o Festival Yawá, um momento de celebração da cultura indígena, de resgate de brincadeiras tradições do povo Yawanawá.

O Festival é o símbolo da independência e da identidade dos Yawanawá. Vítimas de um “massacre cultural” provocado pela intervenção de peruanos, brasileiros e missionários norte-americanos, especialmente nas décadas de 70 e 80, o povo Yawanawá esqueceu sua língua nativa (lembrada apenas pelos mais velhos) e parou de realizar rituais sagrados, como usar rapé e beber o Uni (ayahuasca).

Toda a Aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, para durante o período da festa, que vai até a próxima sexta-feira (30/10). São suspensas todas as atividades cotidianas e todos dedicam-se apenas à imersão de uma semana nos costumes e brincadeiras da tribo, que poderiam desaparecer junto com os seus últimos anciões.

Hoje, graças a um trabalho de recuperação desses referenciais culturais, o povo Yawanawá voltou a sentir orgulho de sua ancestralidade. Mais que isso: aprendeu estabelecer um diálogo saudável com o mundo do homem branco sem que isso signifique abrir mão de seus valores indígenas.

Além dos rituais espirituais do uso do rapé e do Uni, que acontecem com frequência durante a festividade, centenas de índios celebram a terra e a cultura Yawanawá com cantos, pintura corporal e danças - como a pisada no pé, que gera muitos inícios de namoro - e provas de resistência, vistas como oportunidade para os jovens da aldeia exibirem-se às mulheres.

Vale mencionar a prova da espinha de peixe (foto no topo), realizada por indígenas que estejam com “desejo de vingança”. Em duplas, cada oponente dá duas investidas, à toda força, com talo de bananeira nas costas do outro - podem participar da prova, inclusive, mulheres e crianças.

Ao final, a dupla exibe orgulhosa as marcas das chibatadas e dão as mãos, sinalizando que as pendências entre eles estão resolvidas.

O Festival Yawá é uma síntese das tradições e costumes dos Yawanawá

Para os indígenas, o Festival é também uma oportunidade de agradecer aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e pelos momentos de alegria vividos durante esse período.

Etnoturismo

O Festival Yawá começou a ser realizado em 2002, como parte da reconstrução cultural dos Yawanawá.

Desde o anos passado, porém, a festividade foi aberta a turistas, o que representou uma grande abertura para a tribo e um novo marco de diálogo com a cultura do homem branco.

Essa abertura é, na verdade, um entendimento entre os Yawanawá, empresas privadas e autoridades governamentais. Afinal, como diz o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques: “Não se pode chegar à aldeia de qualquer jeito. É necessário estabelecer limites de visistantes, retonor financeiro para os índios, regras de visitação”.

Além de assistir às atividades do Festival, os turistas também alimentam-se de pratos tradicionais da cultura Yawa, cujos ingredientes predominantes são carnes de caça e peixes e iguarias à base de batata, milho, banana e mamão.

O Festival acontece na Aldeia Nova Esperança, dentro da Terra Indígena do Rio Gregório, a primeira a ser demarcada no Acre, em 1984, e um dos maiores territórios indígenas em solo acreano. No ano passado, a terra foi revista e ampliada, ocupando um perímetro de 239 quilômetros.

A Aldeia fica entre os municípios de Cruzeiro do Tarauacá. Para se chegar é preciso pegar um voo de Rio Branco até um dos dois municípios e transporte terrestre pela BR 364, até a ponte do Rio Gregório. Na ponte, pequenos barcos fazem o trajeto até a aldeia, que pode durar até 8h por conta das condições de navegabilidade.

Algumas empresas, como a Manain-Amazônia, oferecem pacotes para a festa, já bastante requisitados, especialmente por turistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também é possível fazer contato direto com administradores do povo Yawanawá, como o filho do cacique, Macilvo Yawanawá, pelo telefone (68) 9206.4261.

(fotos: Sérgio Vale/ Secom/Acre)

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7 de outubro de 2009

ES: Jongos e Caxambus comparam tambores e batidas em encontro estadual

No final de semana passado, a comunidade quilombola de Vargem Alegre, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES) foi anfitriã do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O caxambu e o jongo são manifestações culturais afrobrasileiras reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial, em 2005.

No Brasil, elas surgiram nas senzalas, no período colonial. Seus participantes dançam e cantam rimas em roda, ao som de palmas e tambores, chamados caxambus, que são feitos pelos próprios membros dos grupos. Os versos cantados remetem ao tempo da escravidão e também retratam o cotidiano. Leia mais aqui, aqui e aqui.

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Infelizmente, o Blog das Ruas “descobriu” o Encontro apenas na última segunda-feira, o que impossibilitou uma cobertura mais bacana da nossa parte.

Para não deixar que o acontecimento passe em branco neste espaço, pedi a um de seus organizadores, o diretor de artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim, Genildo Coelho Hautequestt Filho, que escrevesse um relato sobreo encontro, transcrito logo abaixo.

“Entre os dias 3 e 4 de outubro, aconteceu na comunidade quilombola de Vargem Alegre, município de Cachoeiro de Itapemirim-ES o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O evento reuniu todos os 14 grupos de jongos e caxambus em atividade no estado, transformando-se em uma grande oportunidade de congraçamento e também em um fórum que, a partir de agora, se tornará permanente.

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

No Encontro os grupos tiveram a oportunidade de contar sua história, discutir seus jongos (versos contados pelos grupos) e comparar suas batidas e tambores. Essa oportunidade causou encantamento e estranhamento pela grande diversidade entre os grupos presentes.

O mais importante acontecimento foi a criação de um fórum de discussão que pretende-se ser permanente e que terá o objetivo de discutir os problemas enfrentados pelas comunidades jongueiras do Espírito Santo buscando soluções em conjunto com as instituições públicas envilvidas.

Também estiveram representados no Encontro todas as 16 comunidades jongueiras dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro que estão ligadas ao Pontão do Jongo.

A realização do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus só foi possível em função da união de diversos parceiros: Comunidade de Vargem Alegre, Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, através da Secretaria Municipal de Arte e Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ministério da Cultura”.

Genildo Coelho Hautequestt Filho é arquiteto urbanista e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim.

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25 de setembro de 2009

PE: Olinda recebe festival de “frevo para damas”

Hoje e amanhã Olinda (PE) estará entregue ao frevo no 2º Festival de Orquestras de Pau e Corda para Blocos Líricos de Pernambuco. Mas não aquele frevo agitado, de sombrinhas na mão, que conhecemos. Nesses dois dias, a charmosa cidade histórica é envolvida na sonoridade de um frevo romântico, saudosista, feito para “boas moças”.  

Gratuito, o Festival acontece na Praça do Fortim (Carmo), a partir das 19h e reúne as melhores orquestras dos principais blocos líricos de frevo de Olinda, Paulista e Recife.

Os blocos líricos de frevo são compostos por cordas (daí o nome orquestras de pau e corda): bandolins, violões, cavaquinhos e violino. Há cerca de 40 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.

Marcos Barbosa, o maestro do Bloco Flor da Lira - organização responsável pelo Festival - explica que no início do século XX não era “bem visto” que as damas participassem das festas de carnaval.

Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo os blocos líricos, com canções com cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. Por isso, a música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, romântico, bem diferente do frenético frevo-de-rua conhecido em todo país.

Na Praça do Fortim, portanto, serão executadas canções clássicas de frevo lírico como “Madeira de lei que cupim não rói”, “Evocações”, “Sabe lá o que é isso”, “Flabelo das ilusões”, “Vem Dudu”. Confira a programação.

Durante os Festival, as orquestras tocam quatro de suas principais canções e são homenageadas com medalhas. Cada comenda tem o nome de um compositor, carnavalesco ou carnavalesca que contribuiu ou contribui para o engrandecimento do frevo. São eles: os compositores Benício Neves, Luiz Wanderley, Cândido Maximiano, Teodomiro Pereira, Romero Amorim, Joel Andrade, Getúlio Cavalcante e Fred Monteiro. Também dão nome às medalhas as carnavalescas Laura Nigro e Maria da Piedade.

Dos blocos que participam do Festival o mais antigo é o Banhistas do Pina, nascido em 3 de fevereiro de 1932, hoje com 77 anos. Já o mais jovem é o Menestréis do Paulista, fundado em 13 de dezembro de 2003, com seis anos.

(fotos: Ádria de Souza/Pref.Olinda [1,3]; reprodução [2])

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14 de setembro de 2009

SP: Festival de Cultura Tradicional deve atrair um milhão de pessoas

Qualquer admirador da cultura popular gostaria de estar em São Paulo - a cidade mais urbanizada do país - nos dez dias entre 11 e 20 deste mês.Paradoxo? Não mesmo. Na última sexta-feira foi aberto na metrópole o 13º Revelando São Paulo - Festival de Cultura Tradicional Paulista, cuja maior parte das atividades acontece no Parque da Água Branca.

O Festival é uma compilação extensa da cultura popular no Estado, reunindo manifestações culturais oriundas de 200 municípios de São Paulo. Cerca de 300 grupos apresentam-se durante o evento, que conta também com 155 estandes de artesanato e 80 de culinária típica.

Dentre as numerosas atrações da programação, o público tem a oportunidade de apreciar as Folias de Reis e do Divino, Cortejo de Bonecões, Orquestras de Viola, Violeiros e Sanfoneiros, grupos de Catira, Fandangos e Cururus, Congos e Moçambiques, Serestas e as Noites dos Tambores, Cigana, de Quadrilhas e Manifestações Cosmopolitas.

Isso sem contar as Cavalgadas, Cavalhadas, Tropas de Mulas e Carros de Bois, que levam à capital paulista mais de 200 animais, entre cavalos, bois, búfalos e mulas.

Tamanha diversidade realmente não poderia passar despercebida: espera-se que o evento, gratuito, seja capaz de aglutinar um público de aproximadamente 1 milhão de pessoas durante o período do Festival.

Criado em 1997, quando atraiu 50 mil pessoas, o Revelando São Paulo passou a ser realizado ao longo do ano, em diversas cidades do Estado - obviamente, com duração e formatos distintos. Neste ano, já aconteceu no em Iguape, no Vale do Ribeira (junho) e em São José dos Campos, no Vale do Paraíba (julho). E deve ocorrer ainda em Bauru (outubro), Franca (novembro) e Atibaia (dezembro).

O mais interessante a respeito do festival, entretanto, é que a sua organização tem a sagacidade - e competência - de reunir sob a marca diversos outros encontros e festivais da cultura popular paulista, muitos inclusive preexistentes.

Assim, quem vai ao Revelando São Paulo pode presenciar o II Encontro de Orquestras de Viola Caipira, o XI Encontro de Catira, a IX Noite de Tambores, o XVII Festival de Bonecos de Rua e Cabeções e assim por diante.

A programação do evento traz uma média de pelo menos dois encontros/ festivais interessantíssimos assim por dia.

É simplesmente impensável a reunião de tantas e tão diferentes manifestações populares num período tão curto de tempo. Para quem nasceu e foi criado na capital, distante de praticamente todas essas expressões da cultura brasileira tradicional, é uma oportunidade única.

Como se isso tudo não fosse suficiente, comunidades indígenas do Estado conduzem, durante todo o período do Festival, jogos e brincadeiras numa grande arena montada no local.

Pronto. Agora você pode desligar o computador e ir correndo curtir o Revelando São Paulo.

(fotos: Gina Mardones)

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13 de setembro de 2009

Capital mineira do folclore realiza 21º Festival

Jequitibá, uma cidadezinha de pouco mais de cinco mil habitantes a 120 km de Belo Horizonte, realiza neste fim de semana a 21ª edição de seu tradicional Festival do Folclore. O Festival do Folclore de Jequitibá começou na noite de ontem e vai até este domingo.

Durante os três dias de festa, a simpática cidade respira cultura popular, com uma extensa programação de Batuques, Folias, Cantadeiras, Encomendação de Almas, Dança do tear e Contra-dança, dentre muitas outras expressões tradicionais da cultura brasileira. Além delas, shows e oficinas completam as atrações do festival.

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A riqueza de Jequitibá vem de seu patrimônio imaterial. São mais de 15 grupos folclóricos que preservam e renovam mais de cem manifestações de cultura popular (como as citadas acima), algumas delas com mais de 200 anos de existência, passadas de geração em geração nas famílias da cidade. Destaque para o Batuque de Viola, único no Brasil.

Contam os antigos da cidade que ela tornou-se esse centro da cultura popular porque era ponto de encontro dos tropeiros que vinham do Nordeste, deixando pelo caminhos seus costumes e tradições. Fato é que a grande maioria dessas expressões populares reflete seja a religiosidade de nossos antepassados seja pela arte em inventar malabarismos para sobreviver ao cotidiano rural.

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore de Jequitibá

O Fim de Campina, por exemplo, é uma dança que representa o mutirão formado por pequenos proprietários para capinar a roça dos que não tinham como contratar a mão-de-obra assalariada. O grupo recebia o nome de Batalhão e era liderado pelo Almirante que tinha a função de marcar qual a roça seria visitada.

Cada integrante do multirão ganhava o direito de receber futuramente a visita do “batalhão” na sua roça e, assim como cada dono de roça visitada, teria o compromisso de “pagar” com seu trabalho participando na capina das roças dos colegas de empreitada. Conta-se que no término da capina levavam o pé de milho para o dono que os recebia com comidas, bebidas e doces.

Na manhã de domingo, às 10h, acontece uma missa folclórica com a participação dos grupos da região e entrega de placas aos homenageados do ano.

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

A missa remonta às origens do Festival, quando, em 1980, o advogado Geraldo Inocêncio foi convidado para ser festeiro da celebração do padroeiro da cidade - a festa do Santíssimo Sacramento.

Propôs, então, que os grupos folclóricos participassem da comemoração. Desde então, a reunião e o reconhecimento desses grupos passou a ser o maior patrimônio da cidade.

(fotos: Daniel Iglesias/divulgação)

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10 de setembro de 2009

DF: Grito do Cerrado exige uso sustentável do 2o. maior bioma do país

Na manhã desta sexta-feira, o Dia do Cerrado (11/9), a Esplanada dos Ministérios assiste a um espetáculo que já está se tornando uma tradição: a corrida de toras realizada entre as diversas etnias de povos indígenas do Cerrado.

Mas se engana quem pensa que a competição é apenas uma exibição da biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro. Ela, na verdade, é o ritual de abertura do Grito do Cerrado, uma manifestação pacífica de povos indígenas, quilombolas, geraiszeiros, agroextrativistas, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, assentados da reforma agrária; enfim, dos diversos povos que habitam os quase dois milhões de km² onde se encontra o Cerrado brasileiro.

Logo após a corrida das toras, os manifestantes partem em direção ao congresso nacional - a organização do evento espera reunir pelo menos duas mil pessoas na passeata.

Ao longo da caminhada, o Movimento Cerrado Vivo de Brasília organiza o SOS Cerrado, uma formação composta por centenas de pessoas no gramado da Esplanada dos Ministérios.

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios tornou-se um ritual de abertura do Grito do Cerrado

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios abre o Grito do Cerrado

No Congresso, parlamentares - dentre eles o presidente da Câmara, deputado Michel Temer - recebem a Carta do Cerrado, que também será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento considera os posicionamentos políticos e as reivindicações da Rede Cerrado, composta por centenas de organizações que representam os povos do bioma. em relação às políticas públicas de proteção ao bioma e sua população.

Embora a Carta do Cerrado ainda esteja sendo redigida, o Blog das Ruas entrevistou Carlos Dayrell, integrante da equipe Rede Cerrado, que organiza a mobilização, e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, que destacou algumas questões cuja presença no documento é certa.

A primeira delas é a ênfase na situação crítica em que o Cerrado e os povos que o habitam se encontram. Grande reserva de biodiversidade (5% das espécies do planeta), cuja importância é comparável à da Amazônia, “o Cerrado encontra-se massacrado e constantemente violentado pela frente agrícola”, afirma Dayrell.

Segundo o ativista, para ter uma dimensão correta do problema, é preciso enxergar também as novas ameaças ao bioma: o avanço da demanda dos biocombustíveis (”particularmente o etanol”); o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (”está acelerando o processo de destruição do Cerrado”); e o sistema de créditos de carbono que, na visão do membro da Rede, pode “transformar o Cerrado na lixeira do mundo global, sem diversidade e com grandes monoculturas de eucalipto”.

Junto ao processo de degradação ambiental, vem a expulsão das comunidades tradicionais, que aprenderam, ao longo de muitas gerações, a conviver harmoniosamente com o bioma.
E é justamente das experiências dessas comunidades, muitas delas com integrantes na Rede cerrado, que vêm as sugestões da Carta do Cerrado para o uso sustentável do bioma.

- São tradições milenares quando falamos dos indígenas e seculares quando nos referimos aos povos quilombolas e extrativistas. Existe uma lógica de convivência com o Cerrado que é benéfica para as pessoas e para a natureza - afirma o membro da rede Cerrado.

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Um dos maiores passos nesse direção seria a aprovação da PEC do Cerrado, que tramita há 14 anos no congresso nacional.

- Caso ela seja aprovada, não apenas os territórios das populações nativas como também seus conhecimentos vão ser reconhecidos. Poderemos estimular economias agroextrativistas, nas quais é central o aproveitamento de frutos, madeiras e mesmo plantas medicinais - conclui Carlos Dayrell.

Encontro e Feira dos Povos do Cerrado

O Grito do cerrado faz parte do VI Encontro dos Povos do Cerrado, que ocorre em Brasília, entre 9 e 13 de setembro. Durante todo o período do encontro acontecem apresentações culturais e uma feira com mais de 100 estantes expõe e comercializa os produtos advindos do bioma - frutos, flores, artesanatos, alimentos, entre outros (veja a programação).

Ainda durante o VI Encontro, acontece o Festival Gastronômico do Cerrado, no qual os presentes podem degustar pratos, receitas e alimentos típicos do bioma.

(fotos: Rede Cerrado [1,2]; reprodução [3])

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2 de setembro de 2009

Capoeira pode virar esporte olímpico

Décima quarta expressão artística do país a ser registrada como patrimônio imaterial, a capoeira pode virar em breve um esporte olímpico. Quem faz o alerta é o presidente da Federação de Capoeira Angola e Regional da Bahia (Fecarba), Jean Adriano Barros da Silva.- A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica - avisa o presidente da Fecarba.

Aos 34 anos de idade, Jean Adriano é mestre de capoeira e coordenador do grupo G.U.E.T.O. Em entrevista ao Blog das Ruas, ele fala do Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009, da V Copa Mundial de Capoeira e, claro, da possibilidade da expressão cultural tornar-se esporte olímpico.

- Estamos numa fase de consulta. O Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação - diz.

O jovem mestre de capoeira revela também suas expectativas e dúvidas a respeito deste reconhecimento.

Para ele, pode haver tanto avanços no reconhecimento e na legitimação da capoeira, que contribuem para abolir o preconceito que ainda existe (!) em relação à atividade.

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpada?

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpíada?

Por outro lado, preocupa-se que este reconhecimento acabe por “enquadrar” a capoeira em um único formato. “Pode vir a ser uma capoeira de suor e músculo, onde ganha mais malhado”, diz. E completa: “Existem uma série de valores, como a roda e o respeito aos mais velhos, que precisam ser mantidos. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar”.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

Desde o dia 31 de agosto até 13 de setembro acontecem na Bahia o Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009 e a V Copa Mundial de Capoeira. O que isso significa para o Estado?

Essas atividades acontecem nas cidades de Salvador, Nossa Senhora do Livramento, Rio de Contas e Vitória da Conquista. São, em primeiro lugar, um encontro entre capoeiristas, mas também dos capoeiristas de todo o mundo com a população de cada lugar. No congresso, temos caminhadas, visitas a escolas públicas, desfiles e outras ações de envolvimento com a comunidade.

Quantas pessoas estão envolvidas nesses eventos. E de quantos países?

Participam representantes da capoeira em nove cidades estrangeiras, de sete países. Isso sem contar o Brasil. Aqui, não dá nem para listar as cidades, há desde capitais como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Natal, até cidades menores, como Santo Amaro, Rio de Contas etc. Esperamos envolver diretamente cerca de 600 capoeiristas durante todo o período em que acontecem os eventos.

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

E o que é a V Copa Mundial da Capoeira?

A Copa do Mundo da Capoeira é uma experimentação nossa para concebermos a capoeira como esporte, algo que temos tentado refletir com muita calma. A primeira etapa da Copa acontece em Salvador; depois há etapas em [Nossa Senhora do] Livramento e Rio de Contas e a grande final acontece em [Vitória da] Conquista.

Então vocês estão testando formatos e regras? Como está desenhado o torneio?

Tentamos reproduzir ao máximo uma roda de capoeira. Uma dupla se apresenta e um júri avalia sua técnica, seu conhecimento do jogo e a nota é dada para a dupla. Não é competição de luta. Você não joga contra o outro, mas com o outro.

São duas categorias: estudante e professor, com prêmios individuais para os três primeiros lugares.

Mas não seria melhor premiar as duplas, já que ninguém se apresenta sozinho?

Mas também não é uma coreografia. Queremos reproduzir a dinâmica da roda, em que você se apresenta sempre em dupla, mas sempre com uma dupla diferente. No caso, o capoeirista apresenta-se várias vezes, e a sua dupla é sorteada a cada momento.

Existe a possibilidade da capoeira tornar-se um esporte olímpico?

Existe sim. A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica.

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

E o que falta para essa efetivação?

É um processo ainda um pouco longo, mas possível. Nesse momento, estamos numa fase de consulta, elaborando modelos para o comitê olímpico. A confederação brasileira tem até o final do ano para apresentar uma proposta ao Comitê Olímpico Brasileiro.

Depois, o Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação, presente na abertura das olimpíadas, por exemplo.

Mas esse processo que não é só técnico. É político, tem que ter lobby, movimentação financeira. Não tem muito a ver com os aspectos que gostaríamos.

E quais os benefícios da capoeira virar esporte?

Enquanto federação, devo dizer que a capoeira vai passar a ser mais reconhecida e que isso vai contribuir para acabar com os preconceitos que até hoje existem em relação à capoeira. Com certeza, teremos um avanço na promoção da capoeira, na sua divulgação e normalização.

Mas enquanto capoeirista, devo dizer também que fico preocupado com o enquadramento da capoeira esporte como única possibilidade e perdermos uma série de valores fundamentais como a roda, o respeito aos mais antigos, em troca de referenciais novos, como agilidade e força. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar.

Tem muita gente que encara a capoeira não apenas como uma ginástica, mas como filosofia de vida, quase como religião. Precisamos de um bom diálogo para não perder isso.

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Então porque se envolver?

Porque temos a certeza que isso vai adiante com ou sem a gente. Já existem grupos bem avançados nessa questão. Mas eles defendem aquela capoeira de suor e músculo, onde ganha o mais malhado. Por isso defendo que a gente esteja junto, para direcionar também esse processo. Mas é difícil porque a Bahia, a meca da capoeira, ainda não tem amadurecimento para esse diálogo.

Qual a maior dificuldade em debater a questão?

Os mestres. Perceba que eles têm pouco dinheiro e reconhecimento. Fora da capoeira, o cara é nada e na capoeira ele é mestre. Então ele só confia naquilo que aprendeu com o seu mestre, que aprendeu com o anterior… Grande parte dos mestres antigos entende modificação como uma coisa que eles não dão conta. E, sem a presença deles, essa discussão não vale nada.

E você, o que acha da capoeira virar esporte e integrar as olimpíadas?

(fotos: Grupo G.U.E.T.O.)

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22 de agosto de 2009

Gado Pé-Duro vira patrimônio cultural do Piauí

Presente em toda a história do Estado do Piauí, desde os primeiros dias de sua colonização até hoje, o gado Pé-Duro agora é patrimônio cultural do Piauí.

No dia 20 de julho deste ano, o governador do Piauí assinou o Decreto nº 13.765, que reconhece a relevância do gado Pé-Duro para a cultura do Estado. Como consequência, o Estado do Piauí passa a desenvolver políticas públicas de preservação e valorização do animal e do universo de atividades e saberes diretamente ligados a ele.

Esta é a primeira vez - pelo menos até onde este Blog conseguiu apurar - que uma espécie animal é registrada como patrimônio cultural.

- Embora esta seja uma medida estadual, já estamos conversando com o IPHAN [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, responsável pelo registro de patrimônio imaterial no país] para que ele crie novas categorias que abarquem situações como a do Pé-Duro. Já existem categorias para o registro de ofícios, modos de expressão, lugares, mas não tem uma que trabalhe isso. É uma nova fronteira - afirma Patrícia Mendes, coordenadora de Registro e Conservação do Estado do Piauí.

O Pé-Duro é o primeiro animal a ser reconhecido como patrimônio cultural

O Pé-Duro é o primeiro animal a ser reconhecido como patrimônio cultural

Essa “novidade” também pegou de surpresa o Conselho Estadual de Cultura, instância que delibera se algo será ou não reconhecido como patrimônio cultural do Piauí.

- Foi um impasse. O Conselho ficou dividido meio a meio. Mas também é uma coisa muito nova, não estava no cotidiano dos registros de patrimônio. Mas agora virou da dúvida para a certeza. Todo mundo está querendo - relata Mendes.

Fruto do cruzamento de várias raças no começo da colonização brasileira, o Pé-Duro é considerado uma das raças mais antigas do país. Foi a raça que melhor se adaptou ao ambiente hostil e tórrido da caatinga, onde via de regra, as pastagens de baixa qualidade, imperam a seca e o calor.

Dócil, acompanhou colonos e posseiros durante toda a formação do que posteriormente viria a ser o Estado do Piauí, inclusive durante o ciclo do gado, quando o Estado era o maior produtor nacional de carne.

Porém, como a maioria das raças bovinas brasileiras naturalizadas, passou a ser substituída por outras matrizes genéticas, que prometiam maior rentabilidade.

O Pé-Duro e o vaqueiro fazem parte do universo cultural ligado à caatinga

O Pé-Duro e o vaqueiro fazem parte do universo cultural ligado à caatinga

Hoje, o gado Pé-Duro sobrevive no Estado basicamente pelo esforço do núcleo de preservação da Fazenda Experimental Octávio Domingues, pertencente à Embrapa, na região de São João do Piauí, e da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro, que reúne 32 membros com um rebanho de mais de mil cabeças.

Em processo de extinção, o gado Pé-Duro deixa gradativamente de ser uma referência cultural no Piauí. “Nas obras de vários artistas aqui do Estado não tem o gado Pé-Duro, e sim o Boi Zebu. Mas era o gado Pé-Duro que acompanhava o tempo todo os nossos vaqueiros”, conta Patrícia Mendes.

O registro como patrimônio cultural do Estado vai fazer não apenas criar mecanismos de proteção para o animal, como também estimular pesquisa na área e gerar incentivos fiscais para os criadores.

- É a nossa identidade cultural. A nossa população tem que se ver um pouquinho, se apropriar daquilo que é seu. E isso ainda está faltando aqui. Afinal, cultura é isso: é tudo que a gente produz ao longo do tempo. De geração para geração. O vaqueiro, a vida do produtor, as casas de fazenda, toda a relação das pessoas com o animal [Pé-Duro]. Tudo isso faz parte da nossa cultura - ensina a coordenadora de Registro e Conservação do Piauí.

(fotos: Patrícia Mendes/ Coordenação de Registro e Conservação/ FUNDAC)

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18 de agosto de 2009

Paraty, onde “nunca se fabricou cachaça”, realiza 27º Festival da Pinga

Conhecida internacionalmente pela produção de pinga de alta qualidade, Paraty promove, entre 20 e 23 deste mês, o 27º Festival da Pinga.

Criado pela Associação Comercial de Paraty, em 1983, o Festival acontece regularmente há 27 anos, sempre no terceiro fim de semana de agosto.

Curiosamente, conta-se na cidade que ninguém lá produz – nem nunca produziu – cachaça. A explicação para este aparente paradoxo é uma diferenciação pouco usual entre cachaça e pinga.

Embora se considere em geral que pinga é o nome vulgar da cachaça, produtores de Paraty batem o pé que existe – e muita – diferença.

Segundo eles, cachaça seria a aguardente destilada a partir da borra ou do melaço, isto é, das sobras da fabricação do açúcar, enquanto pinga seria aquela fabricada a partir da garapa: caldo de cana fermentado e destilado depois da fervura e da evaporação que “pinga” na bica do alambique.

Paraty recebe o 27º Festival da Pinga

Paraty recebe o 27º Festival da Pinga

Realidade ou preciosismo, o fato é que diversos especialistas consideram as pingas de Paraty – algumas já chamadas de “cachaça” – como as melhores do Brasil.

Veja também:
>> Cachaça de Ouro

É provável que a produção de pinga na cidade tenha pelo menos 400 anos de história. Muitos registros – inclusive o do navegador francês Pyrard de Layal, em 1610 – falam da produção, no Brasil, de um “vinho feito com suco de cana” comercializado bem barato e consumido por escravos e nativos da região.

Esse longo histórico de produção da bebida atingiu o auge no final do século XVII, quando havia na cidade mais de 150 engenhos em pleno funcionamento.

Tamanha foi a associação que Paraty passou a ser sinônimo de pinga (e cachaça), como mostra esse trecho de “Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto:

“Sentaram-se à mesa. Quaresma agarrou a pequena garrafa de cristal e serviu dois cálices de paraty.”

O sambista Assis Valente, cantado por Carmen Miranda, também fez menção ao saboroso líquido, em 1935:

“Vestiu uma camisa listrada
e saiu por aí.
Em vez de tomar chá com torrada,
ele bebeu parati.”

O Festival da Pinga de Paraty associa a degustação do famoso líquido com atrações gastronômicas, musicais, infantis e folclóricas.

Durantes esses quatro dias, danças folclóricas, apresentações de Jongo e Maracatu dividem as atenções com artistas consagrados, como Almir Sater e Antônio Nóbrega.

Em 2009, a festa tem a participação dos sete alambiques tradicionais da cidade, abertos à visitação pública. As pingas Coqueiro, Corisco, Maré Cheia, Maria Izabel, Paratiana, Murycana e Engenho D’Ouro são fabricadas até hoje de modo artesanal, em dornas de carvalho, com fogo à lenha e alambiques de cobre.

Nesta edição ocorre também o lançamento de um novo rótulo: a Cachaça Mulatinha, lançamento do alambique Paratiana.

Mais do que em qualquer outro, no Festival da Pinga o estômago precisa ser bem tratado. Por isso, o cardápio do evento oferece pratos típicos que podem ser harmonizados com pingas dos produtores locais, como a comida de tropeiro, frutos do mar e o camarão casadinho. É comum os visitantes ganharem como brinde garrafas em miniatura.

Na quinta e na sexta-feira, um desfile temático celebra ao Dia do Caminho do Ouro (21 de agosto). Nas ruas do Centro Histórico de Paraty são encenados os tempos de engenho, escravos e tropeiros, ao som das marchinhas da banda local Santa Cecília. Durante o desfile, melados e pedacinhos de cana de açúcar são distribuídos para os visitantes degustarem.

(fotos: reprodução)

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