Terra Magazine

21 de março de 2009

RS: Acampamento projeta mobilização do movimento negro

Pelo nono ano seguido, acontece em São Lourenço do Sul, o Acampamento Regional de Cultura Afro. Desde ontem, centenas de pessoas de diversas regiões do Rio Grande do Sul aportam na cidade, que fica a 200 km da capital gaúcha, no estuário da Lagoa dos Patos.

A localização do acampamento é particularmente importante porque a cidade de Rio Grande, bastante próxima de São Lourenço do Sul, era a primeira parada dos primeiros negros a chegarem no Estado.

Tradicional celebração e resistência da cultura afro no sul do Brasil, o acampamento dura três dias (20, 21 e 22 de março) e deve reunir neste ano cerca de mil pessoas, sendo 400 acampados e 600 visitantes.

- Esta é uma região de muitos quilombos e cuja população é repleta de afrodescentes, que comparecem em peso ao acampamento. O que mantém o nosso povo unido, fora a luta contra a discriminação racial, é a nossa cultura - afirma José Antonio da Silva, Secretário Geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) no Rio Grande do Sul.

Música, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira e culinária negra são alguns dos atrativos do evento. Há, inclusive, a escolha da musa do acampamento e do mais belo e criativo traje afro.

Em 2009, entretanto, o encontro passa a acolher também articulações para a agenda das lutas negras no Estado. “Estamos ampliando a participação de outros setores no acampamento e abrindo espaços para temas mais políticos”, revela José Antonio da Silva.

Não é por acaso que hoje (21 de março), o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, é considerado o principal dia na programação do IX Acampamento Regional de Cultura Afro.

Dentre as atividades destaque para I Seminário Estadual de Articulação da 3ª Marcha Estadual Zumbi dos Palmares. São tratados no seminário os seguintes temas: Saúde Integral e Defesa do SUS; Estatuto da Igualdade Racial; a articulação dos Clubes Negros; o lançamento da Cartilha Contra a Discriminação Racial no Mercado de Trabalho, além de diversos outros encontros do movimento.

Também merecem atenção o Seminário Estadual das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, que articula fóruns de religiosos de matriz africana de várias regiões do Estado, e o lançamento da Campanha Estadual Contra o Extermínio Programado da Juventude Negra.

- Esta é uma nova fase do acampamento. Se os encontros anteriormente eram puramente culturais, agora também estamos tratando de todas as demandas históricas do movimento negro - afirma Rubinei Silva Machado, do Movimento Clubista Negro Nacional.

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