Terra Magazine

26 de agosto de 2009

Maior Festival de Teatro de SP acontece na periferia

Amanhã começa o IV Festival Nacional de Teatro do Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo. E é justamente nesse bairro fortemente dividido, onde favelas e conjuntos populares ficam lado a lado com condomínios de classe média e média alta, que acontece o maior festival de teatro do Estado de São Paulo.

“É o maior festival do Estado de São Paulo”, garante Luciano Santiago, coordenador responsável pelo Festcal, em entrevista ao site Catraca Livre.

Santiago ainda afirma que as companhias que fazem parte do festival têm uma proposta de pesquisa continuada e “estão preocupados em saber como a obra apresentada chegará para as pessoas, por isso, estudam movimentos sociais, culturais e teatrais”.

Idealizado pela Trupe Artimanha e realizado pela primeira vez em 2006, com a participação de 11 grupos, o Festival vem crescendo ano a ano. Na quarta edição, apresentam-se 39 grupos de 15 cidades e seis estados brasileiros, além do distrito federal.

Completamente gratuito, o Festcal dura 12 dias (27 de agosto a 7 de setembro). As apresentações ocorrem em seis espaços distintos: os CEUs (Centros Educacionais Unificados) Casablanca, Paraisópolis e Cantos do Amanhecer; o Centro Cultural Monte Azul; o Espaço Artemanha de Teatro e a Praça do Campo Limpo, onde acontece a mostra de teatro de rua (5, 6 e 7 de setembro).

Além das apresentações, a programação do Festcal também inclui oficinas e debates.

Em 2009, a novidade do Festival são os “Encontrões Noturnos”, um momento para conhecer trabalhos em processo de experimentação, performances e cenas curtas. Nove coletivos participam dos Encontrões, que são realizados no Espaço Artemanha de Teatro, sempre às 23h.

Nos dias de encerramento (6 e 7 de setembro), as noites terminam com a apresentação de poetas no Sarau Exepedición Dondes Miras e de dois grupos musicais da região: Velha Guarda do Helga e a Banda Preto Soul.

(foto: divulgação)

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1 de julho de 2009

SP: Mostra pretende difundir a mímica no país

Foi aberta ontem, no Espaço Cultural Pyndorama, na capital paulista, a I Mostra de Mímica Contemporânea. São debates, espetáculos, oficinas e palestras dedicadas à “arte de sem palavras” - todos gratuitos - até o dia 16 de julho.

Com poucos grupos especializados em mímica no Brasil, os artistas Victor de Seixas e Rose Prado tomaram para si a tarefa de difundir a arte no país, mostrando ao público e aos colegas de profissão a diversidade de técnicas e possibilidades que o gênero detém.

- Quando você fala de mímica, fala muitas coisas. Mímica não é só aquele cara de cara branca. Nós queremos criar referencial para o gênero. Especialmente a partir Mímica Corporal Dramática, que praticamente não é conhecida aqui - explica Victor de Seixas.

Técnica originalmente desenvolvida pelo artista francês Etienne Decroux, a Mímica Corporal Dramática se diferencia do que chamam de “mímica tradicional”, de acordo com Seixas, por valorizar os movimentos corporais, enquanto a segunda “está condicionada manipulação de objetos invisíveis”.

- Não pretendemos descrever nada. A mímica convencional é quase um jogo de adivinhação. Mais importante que a ilusão, para nós, é aprender a expressar com o corpo ideias e emoções - esclarece Victor de Seixas.

A Mostra acontece ao mesmo tempo que o II Colóquio Pyndorama. Se, por um lado, os dois eventos são repletos de workshops e palestras para artistas e amadores, por outro, poucos espetáculos - apenas três - são apresentados ao público (veja a programação).

- Este ano, não conseguimos verbas para muitos espetáculos. Em 2010, vamos fazer uma mostra maior, inclusive com artistas gringos - explica o coordenador.

Embora também sejam abertas ao público em geral, as muitas oficinas e palestras têm o papel de desmistificar o gênero para os próprios profissionais da área. “As pessoas não conhecem e às vezes têm preconceito. Muita gente usa como suporte para outra coisa, mas a mímica como produto final é pouco reconhecida”, afirma Seixas.

- É uma coisa meio na contramão. A gente é quase marginal. É uma técnica que demanda muito treino, estudos a longo prazo. E as pessoas querem resultados rápidos. É que nem balé clássico: você não pode fazer um workshop de uma semana e sair dançando balé - diz.

(fotos: divulgação)

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5 de junho de 2009

Festival Internacional de Teatro de Bonecos comemora 10 anos em BH

Pelo décimo ano consecutivo, a capital mineira recebe o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que começa hoje e vai até o dia 14 de junho, ocupando vários espaços da cidade e mobilizando cerca de 20 mil pessoas.

O Festival já foi incorporado ao calendário oficial de Belo Horizonte, considerada a cidade brasileira que melhor acolhe - e onde é mais desenvolvida - essa arte milenar.

Tradicionalmente, o Festival reúne talentos nacionais e internacionais da manipulação de objetos. Nesta edição, dez representantes da arte (seis nacionais e quatro estrangeiros) foram convidados a participar. O número de atrações é menor do que os anos anteriores. Culpa, mais uma vez, da crise financeira internacional.

- Fomos pegos de surpresa pela crise econômica mundial. O Festival quase não sai, mas não poderíamos deixar de celebrar o nosso décimo aniversário: fizemos na raça. Ficou uma edição um pouco mais enxuta, só que sem abrir mão da qualidade técnica - conta Adriana Focas, uma das organizadoras do evento.

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Ainda que as atrações não sejam tantas quanto o público de BH está acostumado e com apenas R$ 215 mil de patrocínio, o Festival oferece uma programação com bela diversidade de técnicas de manipulação, permitindo aos mineiros estar em contato com a vanguarda do teatro de bonecos.

- O teatro de bonecos tem assumido nova personalidade, incorporado outras linguagens, como sombras, projeções e dança. Estamos trazendo, por exemplo, um grupo de vanguarda da Finlândia, que mistura teatro de objetos e circo. Na verdade, “Teatro de Bonecos” é meio redutor. Deveria se chamar “teatro de animação ou de formas animadas”. Afinal, interessa qualquer objeto que você consiga dar uma alma - argumenta Adriana Focas.

As atrações incluem também o teatro de sombras (”Pépé e Estella”, Cia Gioco Vitta - Itália) e interação entre o ator e bonecos em tamanho natural (”Don Juan, O Memoria Amarga de Mí”, Cia Pelmànec - Espanha).

BH é a "capital do teatro de bonecos" no pa�s

Belo Horizonte é a "capital do teatro de bonecos" no país

Já um grupo da Alemanha, a Cia Erfreuliches Theater Erfurt, faz um espetáculo infantil (”Adieu, Benjamin”) que gira em que torno da morte de um menino, tema considerado tabu.

- Aqui eu coloquei uma recomendação para que o espetáculo fosse assistido por pessoas acima de nove anos. Na Alemanha é infantil, mas nunca vi esse tema ser tratado no Brasil - comenta a organizadora do Festival.

Essa mesma companhia faz outra apresentação (”Rainha das cores”), na qual um desenho animado é produzido ao vivo.

Teatro de bonecos não é mais considerado "coisa de criança"

Teatro de bonecos superou o preconceito e não é mais considerado "coisa de criança"

Isso tudo sem contar as montagens nacionais, também com linguagens mescladas, como Companhia PeQuod, no seu “Chegada de Lampião ao Inferno”.

Por conta da redução de custos, nesta edição acontece apenas uma montagem de rua, com entrada franca: “O Romance do Vaqueiro Benedito”, da Cia Mamulengo Presepada, que acaba de retornar de turnê em Portugal. A Presepada é uma das representantes do tradicional mamulengo no evento.

- Sabia que os mamulengos são mais valorizados lá fora do que aqui? São extremamente valorizados na Europa, muito mais do que Brasil, por incrível que pareça. Os poucos mamulengueiros que sobraram aqui não ganham bem, não têm o reconhecimento que merecem - alfineta a organizadora do Festival.

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do pa�sl

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do país

Além dos espetáculos, acontece o evento organiza a exposição Bonecos de Minas, com mais de 40 bonecos de 16 companhias do Estado. São marionetes, fantoches, tringles, títeres de manipulação direta sobre balcão, sombras, bonecos gigantes, mecanismos e estéticas variadas, todos feitos por mãos mineiras. A exposição, cuja entrada também é gratuita, teve início esta manhã e abriu oficialmente o Festival.

Formação

Um dos orgulhos do Festival é participar na formação da cena de teatro de bonecos de Belo Horizonte.

- Tentamos fazer o evento e qualificar o ambiente cultural da cidade. Desde a primeira edição, surgiram várias companhias. Acredito parte do que existe hoje seja um pouco responsabilidade nossa - comenta Adriana Focas.

Festival também investe na formação dos artistas

Festival também investe na formação dos artistas

Para esse público especial, artistas que já trabalham com teatro de bonecos, o evento tem duas atividades específicas de formação. A oficina de mecanismos e articulações, com 20 vagas e ministrada por Paulo Nazareno (Cia Nazareno Bonecos) e a aula-espetáculo sobre a arte do títere na Índia, realizada pela titireteira, professora e pesquisadora Madga Modesto.

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