Terra Magazine

25 de novembro de 2009

BA: Dia da Baiana de Acarajé tem missa e samba de roda

Há 19 anos, Salvador celebra a baiana de acarajé no dia 25 de novembro. O Dia da Baiana rende homenagens àquelas que fizeram de seu trabalho diário uma embaixada da cultura baiana.

Ali, sentadas no seu tabuleiro, elas sintetizam a Bahia, em todos os cincos sentidos. Espalhadas por todas as esquinas de Salvador, perfumam a cidade com o aroma do dendê. Inconfundíveis com sua saia larga, suas anáguas, torço, bata, sandálias, adereços e contas dos Orixás, com sua fala mansa e ritmada e o riso solto, oferecem aos clientes as delícias de seu tabuleiro para o encanto do paladar.

As baianas são herdeiras do nobre ofício de preparar o alimento sagrado dos orixás - tarefa antes só permitida às filhas de Iansã ou Xangô, para quem o ato de montar um tabuleiro e ir vender na rua era um desígnio divino.

E assim, sem alarde, passaram a oferecer ao povo o alimento dos deuses.

O antigo akará veio para o Brasil através dos escravos africanos iorubás. Antes comido apenas com pimenta, o bolinho feito com feijão fradinho, cebola, sal e frito no azeite de dendê fervente ganhou no tabuleiro da baiana deliciosos recheios, como salada, vatapá, camarões e caruru. Aprenda a fazer o acarajé.

É sabido que a venda do mais “arretado” dos quitutes serviu, inclusive, para que muitas escravas negras comprassem cartas de alforria.

o Dia da Baiana de Acarajé pode tornar-se uma data nacional

o Dia da Baiana de Acarajé pode tornar-se uma data nacional

Em 2007, a jornalista baiana Agnes Mariano fez uma reportagem exemplar sobre a atividade das baianas de acarajé, no qual dizia:

- Ser baiana é uma escolha difícil. Significa assumir o compromisso de ser incansável e ter coragem o tempo todo, assim como Iansã, a dona dos acarajés. É também tornar-se capaz de dar colorido e perfume às nossas comidas, tornando o nosso cotidiano bem mais saboroso - diz.

O ofício das baianas de acarajé foi reconhecido como patrimônio cultural de Salvador e, desde 2004, como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As comemorações do Dia da Baiana começaram na última sexta-feira (Dia da Consciência Negra) e têm seu ponto alto nesta quarta-feira, o Dia da Baiana.

Exemplo perfeito do sincretismo religioso, a data começa a ser celebrada pela manhã, com uma missa em Ação de Graças na Igreja Nossa Senhora do Carmo. Após a missa, um cortejo vai da Igreja até o Memorial das Baianas, na Cruz Caída (Praça da Sé), onde um almoço, apresentações culturais e sorteio de brindes entretêm as guardiões do patrimônio cultural baiano. A programação é encerrada às 20h, com samba de roda de Cachoeira, cidade do recôncavo baiano.

Em breve, o Dia da Baiana deve tornar uma data nacional. Um projeto de lei, de autoria do deputado Mário Negromonte (PP-BA), já aprovado pela Câmara dos Deputados, aguarda apreciação do Senado. Quem sabe, dentro de poucos meses ou anos, todo o Brasil não rende as devidas homenagens a essas belas senhoras?

(fotos: Site Bahia! É Muito Mais [1]; Blog Pelo Pelô [2])

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16 de novembro de 2009

BA: Atrações culturais apresentam-se em barracão de quiabos

Imagine um barracão de quiabos numa grande feira livre. Agora imagine este mesmo local como palco para apresentações musicais, recital de poesias e palestras!

Pois é. Nesta terça-feira, 17, o comprador desavisado que for à Feira de São Joaquim, em Salvador, para comprar o ingrediente principal da sua quiabada vai se deparar com um dos eventos comemorativos da Semana da Consciência Negra na capital baiana.

Na programação do evento, que começa à 9h e vai até às 16h, a percussão da banda A Mulherada, a voz da cantora Márcia Short, a musicalidade Hip Hop de Paula Azeviche, a poesia de Josélia e a apresentação do samba de roda das mulheres carvoeiras, “As Paparutas da Ilha do Paty”.

Além das atrações culturais, acontece uma palestra sobre a Lei Maria da Penha com delegada Marli Margarete Oliveira, responsável pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher.

A programação do evento deixa claro que a mulher negra é o foco das celebrações em torno do Dia da Consciência Negra este ano, em Salvador.

A capital baiana, aliás, possui um fundo dedicado especificamente a esse público - o Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA) -, apontado por diversas pesquisas como a base da pirâmide da desigualdade de nosso país.

Durante as comemorações da semana da consciência negra, serão implantadas turmas de A programação voltada, principalmente, para a questão de gênero, inclui implantação de turma de alfabetização para as mulheres que trabalham na Feira, além de oferta de serviços de saúde, oficina de estamparia, dentre outras atividades.

A escolha da Feira de São Joaquim como local para o evento não é aleatória. Ocupada por uma grande quantidade de mulheres negras, que dali tiram o sustento diário, a Feira mais antiga da capital baiana está em vias de ser tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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13 de novembro de 2009

BA: Salvador vai ganhar primeiro museu multimídia da música negra

Uma coletiva de imprensa, realizada ontem à tarde, anunciou a criação, em Salvador, do Centro de Música Negra, o primeiro museu multimídia dedicado à música negra em todo o mundo.

O empreendimento é uma parceria entre o grupo de mídia francês Mondomix, Carlinhos Brown e a Secretaria de Cultura da Bahia e deve ser inaugurado daqui a um ano, em dezembro de 2010. O Centro será instalado no Museu du Ritmo, casa de espetáculos de Brown localizada no bairro do Comércio.

O Centro de Música Negra terá salas de exposição permanentes e temporárias, um centro de pesquisa e documentação online, café, restaurante, e espaço para shows, palestras e workshops. O seu projeto cenográfico é assinado pelo arquiteto paulista Pedro Mendes Rocha, também autor do projeto arquitetônico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Ao apresentar o desenho do novo museu, o arquiteto não se contém e afirma: “Para mim, o nazismo e a escravidão foram os maiores exemplos de loucura coletiva da humanidade”.

Responsável pela concepção e produção do projeto - bem como pela pesquisa do conteúdo artístico, realizada com a colaboração de especialistas internacionais -, a Mondomix projeta um museu sensorial e interativo, repleto de inovações tecnológicas cujo objetivo é fazer o público imergir nas sonoridades com DNA africano.

O conteúdo do novo museu é inesgotável, afinal, não param de surgir, em cada canto do mundo, novos artistas, grupos e ritmos derivados, inspirados, enfim, herdeiros da cultura negra.

Após a entrevista coletiva foi inaugurada uma exposição multimídia temporária, um pequeno aperitivo do que será o Centro de Música Negra, que poderá ser visitado de hoje até 15 de novembro, das 18h às 22h.

“Os tambores nasceram para substituir as armas”

Óculos escuros, uma espécie de turbante estilizado, um colar de contas por cima da roupa. Sentado em meio à mesa como um cacique, Carlinhos Brown faz um discurso emocionado, expressando tanto a dor ainda hoje presente na vida dos negros quanto a esperança de construir um planeta mais pacífico, harmonioso e tolerante.

- Tem sido árduo nos manter não-violentos com leis que não criamos e que não nos protegem com a dignidade que necessitamos. Nós, africanos, temos que vencer essa dor, essa miséria. Não a pobreza, porque a pobreza nós sempre estivemos preparados para enfrentar - diz o cantor.

Embora confiante na construção de um mundo que valorize a diferença, a fala de Brown também revela as cicatrizes ainda vivas de séculos de escravidão.

- Falam muito de Cristo. Eu acredito em Cristo. Mas Cristo veio em muitas formas, em muitos navios negreiros - diz.

"Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

Brown, com a cantora Mounira Mitchala (Chade): "Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

O músico defende ser preciso “reeducar o mundo” a partir de práticas e valores das culturas negras e indígenas. “Os tambores nasceram para substituir as armas”, afirma.

- Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens. A África está adormecida em todos aqueles que pensam que não somos todo africanos. Não falo apenas dos negros não - todos viemos da África. A natureza pode ter vários nomes. Um deles é África.

Para Brown, o Centro de Música Negra tem o papel de oportunizar esse retorno às origens, o contato com matrizes culturais renegadas pela cultura ocidental e o intercâmbio entre diferentes culturas.

- Aqui as crianças vão encontrar o que não vêem nas suas escassas horas nas salas de aula. Vamos tirar de cena o tráfico e fazer um tráfego de cultura a partir do Centro de Música Negra. O Centro amarra esse nosso desejo coletivo de unir nossas culturas e nos irmanarmos - advoga.

O momento mais emocionante da entrevista coletiva é a menção que Brown faz a Neguinho do Samba, falecido no dia 31 de outubro: “Queria muito que um dos meus heróis, um dos meus mentores, Neguinho do Samba, estivesse aqui de corpo presente”.

O cantor lembra do trabalho de Neguinho do Samba e diversos outros líderes negros, especialmente aqueles que atuam no centro histórico de Salvador, e faz um chamado:

- Nós vamos levantar o Pelourinho. Vamos rever o Pelourinho como um centro de liberdade do nosso povo.

(fotos: Edgar Souza/ Divulgação)

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12 de novembro de 2009

BA: Festival de Músicas Mestiças aporta em Salvador

Tambores, batidas, movimentos. Ritmos tão próximos e tão radicalmente distintos. As muitas faces da musicalidade negra aportam na capital baiana de sexta a domingo, no Festival Músicas Mestiças Salvador.

Capital da Bahia e primeira capital do Brasil, Salvador é a cidade com maior população negra fora da África. Talvez por conta disso a versão baiana do Festival Musiques Métisses - criado há 34 anos pelo produtor francês Christian Mousset - tenha dado a ênfase à diáspora negra e à produção musical africana contemporânea. Mousset já está na Bahia para conferir de perto este desdobramento da sua cria.

Carlinhos Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

O Festival acontece no Museu du Ritmo, espaço para espetáculos de Carlinhos Brown, localizado no bairro do comércio. O “dono da casa” também participa da festa, tocando ao lado dos percussionistas da Les Tambours de Brazza, do Congo, logo na noite de abertura do evento.

Durante as três noites do Festival, cantores e bandas da cena musical da África francófona e da diáspora negra dividem o palco com artistas baianos cuja sonoridade também é claramente influenciada pelos ritmos africanos.

As apresentações acontecem sempre em pares. Uma saudável inversão de papéis faz dos estrangeiros anfitriões e dos baianos, convidados. Assim, o público soteropolitano tem oportunidade tanto de conhecer o trabalho solo dos grupos de fora do país quanto de vê-los no palco ao lado das estrelas locais. Confira a programação.

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

São seis os convidados inernacionais do Festival. Os já citados percussionistas do Congo, o rapper Didier Awadi (Senegal); a cantora Mounira Mitchala (Chade), conhecida como a “pantera doce de Ndjaména”; Tiken Jah Fakoly, reggaeman da Costa do Marfim que canta em francês e no dialeto diola; e o haitiano BélO, único representante do Caribe e de fora da África entre os artistas estrangeiros, inventor do ritmo “raggaganga”, que, segundo o próprio, é uma mistura de reggae, música vodu, rara, soul, dialogando também com o jazz.

O uso da língua francesa - traço comum a todos esses artistas - foi um critério importante para sua seleção, na medida que o Festival Músicas Mestiças Salvador é encerra a programação baiana do Ano da França no Brasil.

Mas existe uma exceção nessa lista: o caboverdiano Tcheka é o único estrangeiro que não tem o francês, mas o português, como língua oficial. Cantor e compositor, Tcheka desenvolveu um estilo pessoal de tocar a guitarra baseado no batuque, um ritmo popular de Cabo Verde.

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

Do aldo de cá do Atlântico, os artistas baianos escolhidos para enriquecer essa diversidade sonora fazendo participações especiais nos shows são: Carlinhos Brown, Margareth Menezes, a percussão do Olodum, Mariene de Castro, Mariella Santiago, Lazzo Matumbi, Percussivo Mundo Novo e Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, que, com sua mistura de jazz e percussão afro-baiana, abre o encontro.

Além de shows, o Festival Músicas Mestiças Salvador oferece também oficinas musicais com Mounira Mitchala (hoje), Tcheka e Les Tambours de Brazza (sábado), na Candyall Gueto Square.

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Uma conferência sobre gestão coletiva de direitos autorais, organizada pela Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música (SACEM), da França, completa a grade de atividades do evento nesta sexta-feira.

E, então, que tal conhecer um pouco da diversidade da música negra no mundo?

(fotos: João Meirelles [Carlinhos Brown]; Eduardo Freire [Museu du Ritmo]; Mariele Góes [Orkestra Rumpilezz]; divulgação [demais])

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7 de novembro de 2009

BA: Mais de 40 países discutem como preservar a diversidade cultural do mundo

Tags:, , , - iurirubim às 17:00

Desde a última quinta-feira, representantes de governos e da sociedade civil de mais de 40 países estão reunidos em Salvador, com um único objetivo: encontrar soluções para preservar e promover a diversidade cultural no mundo.

O Encontro Internacional pela Diversidade Cultural vai até domingo (8/11) e é promovido conjuntamente pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural e pela Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).

>> Veja também:
Entrevista com Rasmané Oudraeogo, presidente da Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural

A principal missão dos participantes do Encontro é encontrar mecanismos de implementar a Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO em seus respectivos países, seja através de da influência em políticas públicas, seja por iniciativas da sociedade civil.

Presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, Moraes destaca bom momento da cultura no Brasil

Moraes, da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, destaca bom momento da cultura no Brasil

- Essa reunião é importantíssima porque é a oportunidade desses países se encontrarem e saírem com diretrizes que possam ajudar a contribuir com políticas públicas junto a governos - comenta Américo Córdula, secretário da diversidade do Ministério da Cultura.

A luta pela preservação e promoção da diversidade cultural no mundo ganhou força quando governos e sociedade civil de várias regiões do planeta, por conta da globalização, começaram a temer pelo desaparecimento das suas indústrias culturais nacionais.

Entretanto, com o passar do tempo e a criação de cada vez mais coalizões nacionais pela diversidade cultural - entidades civis que promovem a diversidade cultural dentro das nações -, ganhou força a preocupação com expressões da cultura fora do mercado, e ainda mais vulneráveis a processos de desagregação social.

- Como falar em ameaças à indústria cultural do Equador, por exemplo, que é um país cujo problema é a diversidade das culturas indígenas? Como falar no Brasil em proteção da dversidade cultural, concentrando-se na indústria cultural, que está no centro-sul, quando o norte, o nordeste, o centro-oeste e mesmo regiões periféricas do centro-sul têm manifestações culturais diversificadas e riquíssimas? - questiona Geraldo Moraes, o presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural.

Moraes faz questão de destacar o momento positivo vivido pela cultura brasileira, em que o governo federal desenvolve uma política consistente de promoção da diversidade, pactuada com Estados e, em alguns casos, também com municípios.

- A partir do trabalho especialmente feito pelo Gil no Ministério da Cultura, começou um processo de descentralização, de regionalização e principalmente um trabalho de diversificação para atender a todas as áreas, todas as regiões e todos os tipos de manifestação - afirma Geraldo Moraes.

"Trabalho começa a mostrar resultados"

Márcio Meirelles, secretário de Cultura da Bahia: "Trabalho começa a mostrar resultados"

Em complemento à assertiva de Moraes, o secretário Américo Córdula destaca que a missão do Ministério agora é consolidar uma nova visão de cultura e diversidade cultural nos municípios. “Esse é o desafio”, diz.

Córdula chama atenção para a realização de conferências municipais de cultura - mais de duas mil até agora - como ambientes propícios a essa interface com as administrações municipais.

Nas rodas de conversa do encontro,destaque para o respeito que a política cultural da Bahia parece gozar entre os presentes. Elogiado tanto pelo governo federal quanto pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, entidade civil, o secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles, explica a admiração de seus interlocutores.

- É mais que um elogio É a avaliação de um processo cujo resultado começa a aparecer. A cultura adotou imediatamente o conceito e a divisão do Estado em territórios de identidade, assumida pela Governo Estadual e originária do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Começamos a trabalhar nessa lógica e pensar em redes, sistemas. Começamos também definir qual é o papel do Estado, da sociedade, dos municípios e da união, tentando fazer com que esse pacto federativo se consolide na área da cultura - explica o secretário.

(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)

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3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

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28 de setembro de 2009

BA: Mãe de Santo até hoje tenta reaver prejuízos de terreiro demolido por prefeitura

Ialorixá busca ressarcimento por danos causados com demolição. Caso completa um ano e sete meses sem mostras de ser resolvido. “Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morreu”, diz a mãe de santo.

Desde a demolição parcial do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, localizado no bairro do Imbuí (Salvador), em 27 de fevereiro de 2008, a rotina de Roselice Santos do Amor Divino, a Mãe Rosa, passou a incluir audiências e visitas constantes à Prefeitura de Salvador.

Na próxima quarta-feira (30/09), comparece a uma audiência no setor de meio ambiente do Ministério Público. São tantas que a própria mãe de santo tem dificuldades para determinar com clareza os seus objetivos.

- Olhe, meu filho, é tanta audiência que a gente nem sabe mais direito para que é. Acho que é para eu ter uma garantia que não vão tentar demolir o terreiro de novo - conta a ialorixá.

Na lista de audiências, Mãe Rosa também aguarda o julgamento do recurso da ação que move contra Kátia Carmelo, ex-superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município de Salvador, que ordenou à época a demolição do terreiro.

O judiciário deu ganho de causa a Carmelo em primeira instância. “O Juiz entendeu que ela estava certa”, comenta Mãe Rosa, com algum rancor na voz. Paradoxalmente, ainda no ano passado a ex-superintendente chegou a receber uma honraria da cidade de Salvador, a Comenda Maria Quitéria.

- Eu não desejo que ela vá presa. Quero que ela seja punida, me dando de volta tudo o que ela destruiu - comenta Mãe Rosa sobre a ação contra Kátia Carmelo.

A peregrinação pelas diversas instâncias judiciais não se compara, no entanto, com a dificuldade que a Ialorixá tem para negociar o ressarcimento dos prejuízos causados ao terreiro.

O Blog das Ruas já havia feito uma matéria sobre a situação do terreiro Oyá Onipó Neto em 16 de setembro do ano passado. Na época, a mãe de santo foi diagnosticada de depressão porque a prefeitura tinha apenas reparado as paredes do local, sem recuperar nada do patrimônio destruído, como estátuas e roupas dos orixás e vários outros instrumentos utilizados nos rituais. “Só mexeram na casca”, dizia a Ialorixá.

Desde então, as negociações nada avançaram e a municipalidade não aportou mais nada, apesar dos esforços da mãe de santo.

- De promessa, se vive o santo. O prefeito prometeu: “vou ajeitar”, ele disse. Dali pra cá, vi a cara do prefeito naquele dia [cinco de março de 2008, quando o povo de santo fez uma passeata até a prefeitura]. Depois, não vi mais - fala, indignada.

Mãe Rosa conta que, inclusive, a Secretaria Municipal de Reparação, órgão com o qual negocia a reposição dos bens do terreiro, chegou a perder toda a sua documentação.

- Meus documentos sumiram na Secretaria de Reparação. Deram fim. Mas como tenho tudo no Ministério Público, fui até lá e peguei a lista novamente e levei para o novo secretário.

Apesar de ter conseguido uma audiência com o secretário municipal, não conseguiu convencê-lo a repor o patrimônio destruído.

- Ele disse que tem coisa que não poderia dar. Mas eu respondi: “Essa é a minha cultura. Se destruiu tem que recuperar desse jeito”. Não pedi nada, só o que já tinha aqui - afirma Mãe Rosa.

Do secretário Ailton dos Santos Ferreira, ouviu a promessa de uma audiência em breve com o prefeito João Henrique Carneiro. “Ele disse que entraria em contato comigo e nada. Toda vez que eu ligo, ele [o secretário] nunca está”, reclama.

Sem perspectiva de solução para o terreiro e com a questão encaminhando-se para o segundo aniversário, Mãe Rosa desaba:

- Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morre. Eu tenho que recomeçar tudo de novo.

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15 de setembro de 2009

BA: Festival “apresenta” o teatro a centenas de pessoas no subúrbio

“Olha eu vou fazer um chute ‘quase certo’: 80% dessas pessoas estão vindo ao teatro pela primeira vez”. A declaração acima é do ator e produtor Jorge Ravinny, responsável pela coordenação geral do I Festival de Teatro do Subúrbio.

Acontecimento cultural inédito no Subúrbio Ferroviário de Salvador, o Festival de Teatro começou no dia 11 e vai até o próximo domingo (20/9).

Com mais de 750 mil habitantes, o Subúrbio Ferroviário é uma das regiões mais populosas da capital baiana. È também uma das mais pobres e menos assistidas por equipamentos e políticas culturais.

“Esse teatro que estamos usando para o Festival, o Centro Cultural de Plataforma, ficou fechado por 19 anos! Toda uma geração daqui do bairro que hoje tem 19, 20 anos nunca viu teatro”, explica Jorge Ravinny.

O Bando de Teatro Olodum foi um dos grupos convidados para o Festival

O Bando de Teatro Olodum foi um dos grupos convidados para o Festival

Para participar da programação cultural onde ela geralmente ocorre, na zona central da cidade, os habitantes do Subúrbio têm que gastar um dinheiro extra - que muitas vezes não existe - com locomoção. Além disso, têm que enfrentar a violência urbana na volta para casa, o que frequentemente desestimula essa opção de lazer.

Pronto. Está desenhado o quadro que devemos ter em mente ao encarar a declaração do coordenador geral na abertura deste post. Será possível sequer dimensionar o impacto que conhecer uma arte como o teatro pode ter na vida de tantas pessoas?

Casa cheia todos os dias - e gente esperando do lado de fora.

Casa cheia todos os dias - e gente esperando do lado de fora.

Felizmente, o Festival é um sucesso. “Na abertura tivemos gente do lado de fora, ontem tivemos gente do lado de fora, as pessoas querem participar, querem assistir. Basta que as coisas aconteçam”, argumenta Ravinny.

São 10 dias, 12 espetáculos, 12 grupos (quatro convidados e os outros do próprio Subúrbio) e mais 300 artistas envolvidos, além de 40 horas de oficinas artísticas na programação.

O esgotamento das sessões iniciais e o burburinho que o evento está causando já autorizam a organização a confirmar a expectativa de mobilizar quatro mil pessoas para assistir as montagens, espetáculos de rua, palestras e oficinas.

- É o que a gente quer: que o festival seja um marco na história da produção cultural local. Queremos que haja um “antes” e um “depois” do Festival de Teatro do Subúrbio - diz, sem muita modéstia, o coordenador do evento.

Teatro Negro

O I Festival de Teatro do Subúrbio também chama atenção pelo tema escolhido para perpassar todas as suas atividades: o teatro negro.

Menciono, durante a entrevista com Jorge Ravinny, que este poderia ser um tema polêmico. “Não é não. Por quê falar de negro é um tema polêmico?”, questiona o artista.

O tema do primeiro ano do Festival foi "Teatro Negro".

O tema do primeiro ano do Festival foi "Teatro Negro".

Para ele, “teatro negro” é o teatro que tematiza as questões do povo negro e pode, sim, ser feito também por pessoas brancas. “Desde que não fale mal do negro, porque aí vai ser um teatro racista. O negro construiu o Brasil. Trabalhou e trabalha muito por esse país”, afirma.

O Festival de Teatro, portanto, além de apresentar a arte teatral à população suburbana, faz um convite para que ela discuta a sua própria negritude, constantemente negada ou esquecida.

- Quer provocar na uma reação população que muitas vezes não se auto-identifica como negra. O evento quer falar das pessoas que moram no subúrbio e 90% delas são negros. A gente quer falar dessa população, Senão não adianta nada, não tem sentido. Sou negro, tenho mãe negra, pai negro e participo de um grupo de teatro negro. Então considero minha obrigação valorizar a cultura negra e cuidar da minha população - afirma, taxativo, Jorge Ravinny.

(fotos: divulgação [1]; Márcio Lima [2]; Camila Souza [3]; Alberto Lima [4])

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11 de setembro de 2009

Conselho de Cultura da Bahia considera “assustadora” demolição da Fonte Nova para a Copa

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia divulgou na quarta-feira passada - último dia do prazo estipulado pelo governo baiano para consultas sobre o projeto de Salvador de sediar a copa do mundo de 2014 - um documento manifestando preocupação com a forma como vêm sido conduzidos os preparativos para a realização da Copa do Mundo em Salvador.

O documento, aprovado por unanimidade entre os conselheiros, considera “assustadora” a demolição do estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova - citado no documento como “marco da história esportiva e do modernismo arquitetônico na Bahia e no Brasil”.

O mesmo adjetivo é usado quando o documento refere-se à recusa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Bahia (IPAC) em instaurar processo de tombamento do monumento, solicitado em conjunto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade federal da Bahia, pelo departamento baiano do Instituto dos Arquitetos do Brasil e pela ONG Docomomo, em abril de 2008. Ao pedido, foi agregado um abaixo-assinado de mais de uma centena de esportistas e intelectuais baianos.

Segundo o texto divulgado no dia 09, a decisão sobre o tombamento ou não é, por atribuição legal, do próprio Conselho de Cultura e não caberia ao IPAC decidir se instaura ou não o processo.

Segundo o Conselho de Cultura da Bahia, há relatórios técnicos de empresas e da Universidade Federal da Bahia, que atestam a viabilidade da recuperação da estrutura do estádio atual, bem como sua adaptação às exigências da FIFA, ao custo de 20% do valor proposto para a demolição e construção de um novo estádio.

O Conselho de Cultura da Bahia também questiona a retirada do parque esportivo atualmente existente no estádio (piscinas, o ginásio “Balbininho”, pistas de atletismo) em troca de uma “arena de luxo mono-esportiva”. Como contrapartida, o Governo do Estado está propondo a construção de piscinas próximas ao estádio de pituaçu, onde a nesta semana jogou a seleção brasileira.

Ainda no documento, o Conselho de Cultura reclama a ausência de referências ao patrimônio cultural material e imaterial de Salvador no projeto do Governo do Estado, bem como da estratégia urbana e urbanística que irá guiar os investimentos públicos e privados na preparação da cidade para a copa do mundo.

“Entender a Copa do Mundo no Brasil para além de 2014 significa colocar nossa cidade e nossas culturas no cenário das nações, concebendo-a como possibilidade efetiva de transformação das condições de vida coletiva na cidade, garantindo espaço público vivo, inclusivo e cidadão”, conclui o documento.

 (foto: reprodução)

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2 de setembro de 2009

Capoeira pode virar esporte olímpico

Décima quarta expressão artística do país a ser registrada como patrimônio imaterial, a capoeira pode virar em breve um esporte olímpico. Quem faz o alerta é o presidente da Federação de Capoeira Angola e Regional da Bahia (Fecarba), Jean Adriano Barros da Silva.- A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica - avisa o presidente da Fecarba.

Aos 34 anos de idade, Jean Adriano é mestre de capoeira e coordenador do grupo G.U.E.T.O. Em entrevista ao Blog das Ruas, ele fala do Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009, da V Copa Mundial de Capoeira e, claro, da possibilidade da expressão cultural tornar-se esporte olímpico.

- Estamos numa fase de consulta. O Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação - diz.

O jovem mestre de capoeira revela também suas expectativas e dúvidas a respeito deste reconhecimento.

Para ele, pode haver tanto avanços no reconhecimento e na legitimação da capoeira, que contribuem para abolir o preconceito que ainda existe (!) em relação à atividade.

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpada?

Já imaginou uma roda de capoeira em plena olimpíada?

Por outro lado, preocupa-se que este reconhecimento acabe por “enquadrar” a capoeira em um único formato. “Pode vir a ser uma capoeira de suor e músculo, onde ganha mais malhado”, diz. E completa: “Existem uma série de valores, como a roda e o respeito aos mais velhos, que precisam ser mantidos. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar”.

Veja abaixo a íntegra da entrevista.

Desde o dia 31 de agosto até 13 de setembro acontecem na Bahia o Camará - Congresso Mundial Universitário de Cultura G.U.E.T.O./2009 e a V Copa Mundial de Capoeira. O que isso significa para o Estado?

Essas atividades acontecem nas cidades de Salvador, Nossa Senhora do Livramento, Rio de Contas e Vitória da Conquista. São, em primeiro lugar, um encontro entre capoeiristas, mas também dos capoeiristas de todo o mundo com a população de cada lugar. No congresso, temos caminhadas, visitas a escolas públicas, desfiles e outras ações de envolvimento com a comunidade.

Quantas pessoas estão envolvidas nesses eventos. E de quantos países?

Participam representantes da capoeira em nove cidades estrangeiras, de sete países. Isso sem contar o Brasil. Aqui, não dá nem para listar as cidades, há desde capitais como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Natal, até cidades menores, como Santo Amaro, Rio de Contas etc. Esperamos envolver diretamente cerca de 600 capoeiristas durante todo o período em que acontecem os eventos.

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

Veja a prévia da Copa Mundial de Capoeira no Japão

E o que é a V Copa Mundial da Capoeira?

A Copa do Mundo da Capoeira é uma experimentação nossa para concebermos a capoeira como esporte, algo que temos tentado refletir com muita calma. A primeira etapa da Copa acontece em Salvador; depois há etapas em [Nossa Senhora do] Livramento e Rio de Contas e a grande final acontece em [Vitória da] Conquista.

Então vocês estão testando formatos e regras? Como está desenhado o torneio?

Tentamos reproduzir ao máximo uma roda de capoeira. Uma dupla se apresenta e um júri avalia sua técnica, seu conhecimento do jogo e a nota é dada para a dupla. Não é competição de luta. Você não joga contra o outro, mas com o outro.

São duas categorias: estudante e professor, com prêmios individuais para os três primeiros lugares.

Mas não seria melhor premiar as duplas, já que ninguém se apresenta sozinho?

Mas também não é uma coreografia. Queremos reproduzir a dinâmica da roda, em que você se apresenta sempre em dupla, mas sempre com uma dupla diferente. No caso, o capoeirista apresenta-se várias vezes, e a sua dupla é sorteada a cada momento.

Existe a possibilidade da capoeira tornar-se um esporte olímpico?

Existe sim. A capoeira já é um esporte de apresentação olímpica. Isso é uma etapa antes de estar nos jogos. Todos os esportes que constam das olimpíadas hoje já foram esportes de apresentação olímpica.

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

A capoeira esporte seria uma exibição, e não um confronto, uma luta

E o que falta para essa efetivação?

É um processo ainda um pouco longo, mas possível. Nesse momento, estamos numa fase de consulta, elaborando modelos para o comitê olímpico. A confederação brasileira tem até o final do ano para apresentar uma proposta ao Comitê Olímpico Brasileiro.

Depois, o Comitê Brasileiro deve emitir um parecer desportivo, que será enviado para o Comitê Olímpico Internacional. O COI então vai julgar se a capoeira vai ser incorporada nos próximos ou ser mantida como esporte de apresentação, presente na abertura das olimpíadas, por exemplo.

Mas esse processo que não é só técnico. É político, tem que ter lobby, movimentação financeira. Não tem muito a ver com os aspectos que gostaríamos.

E quais os benefícios da capoeira virar esporte?

Enquanto federação, devo dizer que a capoeira vai passar a ser mais reconhecida e que isso vai contribuir para acabar com os preconceitos que até hoje existem em relação à capoeira. Com certeza, teremos um avanço na promoção da capoeira, na sua divulgação e normalização.

Mas enquanto capoeirista, devo dizer também que fico preocupado com o enquadramento da capoeira esporte como única possibilidade e perdermos uma série de valores fundamentais como a roda, o respeito aos mais antigos, em troca de referenciais novos, como agilidade e força. A capoeira olímpica tem que representar desde João Pequeno até atleta alemão que dá um monte de piruetas no ar.

Tem muita gente que encara a capoeira não apenas como uma ginástica, mas como filosofia de vida, quase como religião. Precisamos de um bom diálogo para não perder isso.

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Há prós e contras na oficialização da capoeira também como esporte

Então porque se envolver?

Porque temos a certeza que isso vai adiante com ou sem a gente. Já existem grupos bem avançados nessa questão. Mas eles defendem aquela capoeira de suor e músculo, onde ganha o mais malhado. Por isso defendo que a gente esteja junto, para direcionar também esse processo. Mas é difícil porque a Bahia, a meca da capoeira, ainda não tem amadurecimento para esse diálogo.

Qual a maior dificuldade em debater a questão?

Os mestres. Perceba que eles têm pouco dinheiro e reconhecimento. Fora da capoeira, o cara é nada e na capoeira ele é mestre. Então ele só confia naquilo que aprendeu com o seu mestre, que aprendeu com o anterior… Grande parte dos mestres antigos entende modificação como uma coisa que eles não dão conta. E, sem a presença deles, essa discussão não vale nada.

E você, o que acha da capoeira virar esporte e integrar as olimpíadas?

(fotos: Grupo G.U.E.T.O.)

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