Terra Magazine

11 de novembro de 2009

RJ: Baixada Fluminense recebe festival de música independente

A partir de amanhã e até o próximo domingo (12 a 15/11), a cidade de Nova Iguaçu é a Meca dos roqueiros da Baixada Fluminense.

Durante esse período, acontece o Espaço do Rock 2009, um festival de música independente que extrapola a ideia de “mostra de bandas” e incentiva tanto a reflexão sobre a arte quanto a interação entre diferentes linguagens. A entrada é gratuita, mediante distribuição de ingressos uma hora antes dos shows.

A Banda Medulla (foto) é uma das mais de 20 atrações do evento, criado em 2007 pelos amigos Antonio Felipe Vieira (Black); Marcelo Faria; Thaís Santos e Yuri Chamusca - salvo engano, todos na casa dos 20 anos. Veja a programação.

Bacana inclusive ouvir dos organizadores que o Festival é, também, uma forma de ocupação dos espaços públicos - no caso, o Espaço Cultural Sylvio Monteiro, na região central de Nova Iguaçu -, raramente destinados à prática do rock.

Três anos depois de sua concepção, o Espaço do Rock mantém-se fiel ao seu objetivo inicial: apresentar bandas novas e dar oportunidade para bandas reconhecidas da Baixada Fluminense tocarem “em casa”.

Embora seja um festival de música, o Espaço do Rock abre espaço também para o grafite; debates sobre rock e sobre a cena independente da Baixada Fluminense; exibição de filmes e apresentações de arte circense. Relaciona-se, ainda, com outros gêneros musicais, ao ceder o palco para o reggae no primeiro dia do Festival.

(Foto: Banda Medulla)

Blogs que citam este Post

8 de maio de 2009

RJ: Rappers contam sua vida pelos olhos das mães

Documentário Mães do Hip Hop tem pré-lançamento no sábado, véspera do Dia das Mães.

Cinco cantores de rap do Morro Agudo, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), tiveram uma ideia diferente: contar as suas vidas pelos depoimentos das mães. Assim nasceu o documentário Mães do Hip Hop.

Através delas, o filme faz uma panorâmica social da juventude na Baixada Fluminense e mostra o papel do hip hop na transformação da vida desses jovens. O pré-lançamento acontece no Espaço Enraizados, às 17h de amanhã, durante um evento em homenagem ao Dia das Mães.

O documentário também tem lançamento previsto em Nancy e Blanc Mesnil (França) e, provavelmente, em Rotterdam (Holanda), nos próximos meses.

Além das mães dos rappers, participam do filme Jana Guinond, atriz; Dedé Barbosa, um morador do bairro desde que nasceu, cujo filho foi vítima da violência; e o sociólogo Luiz Eduardo Soares.

As mães dos MCs Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo enfrentaram dificuldades financeiras, a quase total ausência de serviços públicos e problemas com a violência, dentro e fora de casa, para criarem os futuros rappers.

Três deles quase não nasceram para contar a história.

Dona Evanil, mãe do MC Átomo, conta que teve seu filho confundido com um mioma (tipo de câncer) quando estava grávida. Mesmo quando foi ter o filho, os médicos reafirmaram que ela tinha um câncer, e não um bebê.

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

O marido de Giselda, mãe de Leo da XIII, tinha problemas com bebida. O vício impediu que ele a acompanhasse para o hospital, no momento de dar a luz. Sem acesso a transporte público, ela teve que andar três quilômetros até o hospital. Quando chegou lá, os médicos disseram que não havia leitos e por pouco ela não tem o bebê no corredor.

“A saúde pública aqui é uma parada muito precária”, conta Dudu do Morro Agudo, diretor do filme. Ele mesmo quase não veio ao mundo. Sua mãe, D. Lúcia, chegou a pensar em abortar o filho.

Conseguir nascer seguramente não foi o único obstáculo enfrentado pelos cinco rappers. A ausência das mães, que passavam o dia todo longe, trabalhando pelo sustento da família, também foi muito marcante.

- Aqui no morro, as mães não participam da criação do filho. Elas têm que trabalhar pelo sustento. O filho é criado pela rua. E é normal aqui sair para comprar pão e encontrar gente porta na rua. Enquanto a mãe está trabalhando, a droga circula nas ruas - conta Dudu.

O hip hop foi um caminho alternativo ao ambiente de drogas e violência para Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo. “O hip hop nos deu a capacidade de escolher”, explica Dudu.

Giselda andou 3km para ter o bebê

Giselda andou 3km para ter o bebê

Mas ainda tinha o preconceito. Era difícil a comunidade aceitar um movimento musical feito por negros.

- Todos os MCs são negros. Tem discriminação racial mesmo aqui. A molecada tem uma auto-estima muito baixa. Tudo que é branco é bom; preto não presta - diz o diretor do documentário.

O preconceito se estendia às mães dos rappers. “Para mim, hip hop era coisa de bandido”, dizia Dona Lúcia. A opinião, entretanto, mudou quando D. Lúcia percebeu que a música promovia não a proximidade, mas o afastamento das drogas e da violência.

- Até hoje, se você perguntar para elas, as mães não sabem dizer o que hip hop. Mas apoiam. Só que elas não apoiam o hip hop pelo macro, pelas causas por que lutamos. Elas apoiam porque pensam: “o hip hop vai salvar o meu filho” - explica Dudu do Morro Agudo.

O apoio das mães aos filhos rappers gerou uma situação curiosa: a presença delas nos shows. “Eu acho super-maneiro, mas tem cara que não gosta porque tem vergonha”, admite Dudu.

Mas embora já aceitem o hip hop e reconheçam valor nele, as mães ainda não o consideram uma boa opção profissional.

- Ela diz que “queria que o filho fosse outra parada”. Minha mãe queria mesmo era que eu fosse da farda. Para elas, ter profissão é carteira assinada. Não enxergam muito futuro no hip hop - afirma.

Assumindo a responsa

Aos 20 anos, Dudu do Morro Agudo passou para o outro lado: foi pai e teve que se virar para cuidar da filha Beatriz, hoje com nove anos.

- Não sofri mais porque tive ajuda da minha mãe e da minha sogra. Mas tive que trabalhar de carteira assinada, num lugar que não me valorizava, para poder dar um futuro maneiro para minha filha.

"Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

D. Lúcia, sobre Dudu ser pai muito jovem: "Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

Rindo, conta como a mãe encarou a situação:

- Minha mãe fala no filme que eu sempre quis liberdade. Todo mundo no bairro tinha liberdade. Eu nunca tive. Daí ela diz: ‘quando dei liberdade, ele virou pai. É esperto, é malandro? Não é’.

Dudu do Morro Agudo me conta também como ele e os outros quatro MCs deixaram de ser filhos e passaram a ter um papel de liderança no morro, fundando o Movimento Enraizados.

- O Enraizados hoje está presente em 17 estados e o nosso site tem 600 mil acessos por mês. Essa galera que não ia nem nascer hoje fala para esse povo todo - brinca.

Os cinco MCs, juntamente com outras pessoas do movimento, trabalham com a juventude da comunidade, tentando mostras oportunidades e novos pontos de vista. Admitem que nem sempre é fácil.

- É uma parada sofrida. Ta todo mundo andando de nike. Aí o cara pensa: “porque eu não vou andar?”. Não dá para a galera ficar nessa de consumismo e ter roupa de marca. Mas não é fácil não - desabafa Dudu.

Blogs que citam este Post

5 de maio de 2009

RJ: Artistas pintam 2o. maior painel linear da América Latina, com 421m

por Cláudio Costa

Quem vê os desenhos pintados nos muros da Vila Olímpica de Queimados, Baixada Fluminense, fica impressionado com o tamanho da obra.

Foram 421 metros de muro pintados com diferentes desenhos em apenas 43 dias. Todo o trabalho foi feito, com rolinhos e pincéis, por dois artistas locais, Marcos Barreto e Luiz Caio.

Marcos e Luiz aceitaram o desafio de criar o maior painel linear do Rio de Janeiro e o segundo da América Latina, superado apenas pela obra em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa em São Paulo. Contudo, os 431 metros do painel em São Paulo exigiram o trabalho de nada menos que 140 artistas.

- Fazer uma obra de grande proporção sempre esteve na minha cabeça. Quando surgiu o convite para saber a viabilidade de pintar esse painel, fiquei muito feliz. Até porque todos os desenhos dizem respeito ao esporte, que é um grande agregador social e não podemos abrir mão dessas oportunidades de fazer um pouco mais pela comunidade - conta Marcos Barreto, que há seis anos pinta painéis pela cidade e fez o trabalho voluntariamente.

Marcos Barreto e Luiz Caio, autores do maior painel linear do Rio de Janeiro

Marcos Barreto e Luiz Caio, autores do maior painel linear do Rio de Janeiro

Com mais de 25 anos de profissão e autor da maioria dos desenhos, Luiz Caio considera que a pintura não é importante apenas pela dimensão, mas pelo o que significa.

- Em alguns pontos do muro a pintura chega a cinco metros de altura. Quem passa, mesmo de longe, tem a ideia de que aqui é lugar onde se deve praticar esporte e, consequentemente, ter qualidade de vida. É isso que todas as figuras querem dizer. Numa cidade onde a cultura não é prestigiada, podemos oferecer um contraponto que é o esporte. Por isso tento fazer minha parte, mesmo que não seja muito - diz o artista.

Obra para reinaugurar a Vila Olímpica

Todo o material para a pintura foi doado pela Secretaria de Esporte do município. O painel vai fazer parte da festa de reinauguração da Vila Olímpica da cidade, marcada para o dia 17 de maio.

"Vila Ol�mpica será reinaugurada no dia 17 de maio"

Secretário de esporte: "Vila Olímpica será reinaugurada no dia 17 de maio"

“Nós queremos fazer um trabalho de iniciação esportiva não apenas em futebol, mas em outras as modalidades olímpicas. Para participar, o candidato precisa estar matriculado na escola e com a presença em dia”, conta Luiz Carlos Monteiro, secretário de esporte de Queimados.

Rafael Oliveira, 14, cursa o primeiro ano do ensino médio na Escola Estadual São Cristovão e faz parte da equipe de futebol de salão, que se prepara para as Olimpíadas da Baixada, que começou semana passada com o torneio de futebol. Na competição participam alunos de várias escolas da região.

O painel foi aprovado pelos moradores do munic�pio

O painel foi aprovado pelos moradores do município

“Treinar olhando o mural é muito bom. Motivam todos a seguir em frente, principalmente quem quer tentar uma carreira no esporte”, conta Rafael.

Embora a maioria dos atletas na vila seja formada por meninos, aos poucos as moças vão conquistando seu espaço, como é o caso de Gabriela Rodrigues, 16 anos, atleta de futebol de salão e estudante do segundo ano em técnica de gestão, no Colégio Betel.

Cláudio Costa, autor do texto e das fotos deste post, é repórter do Portal Viva Favela

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol