Terra Magazine

13 de outubro de 2009

PE: “Terça Negra” tem competição de MC’s no Recife

Tags:, , , , - iurirubim às 16:02

Em todas as terças-feiras do mês de outubro, o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, é ocupado pela cultura hip hop.

É a Jornada de MC’s, que além de muito rap, graffite ao vivo, mostra de vídeos e shows com grupos convidados, traz uma competição de rimas entre MC’s, na qual se dá bem quem for melhor no improviso.

A cada terça-feira, oito MC’s disputam entre si por uma vaga na final, que acontece no dia 10 de novembro. As batalhas exigem raciocínio rápido, criatividade e muito jogo de cintura.

Os MC’s têm duas rodadas de 45 segundos para rimar em cima da base musical do DJ. Cabe aos rimadores desafiar o adversário mostrando toda sua habilidade com o domínio do vocabulário e com o improviso.

O dono do jogo de palavras que mais cativar o público - cuja entrada é gratuita - é coroado o campeão e ganha uma vaga na final, dia 10 de novembro.

O melhor dos quatro MC’s que competem na final ganha uma vaga para representar Pernambuco na LIGA de MC’s, o maior evento de rima livre da cultura Hip-Hop no País, que acontece no Rio de Janeiro no Bairro da Lapa.

A Jornada de MC’s reúne em outubro 32 Mc’s de várias comunidades do Recife, como Santo Amaro, Coelhos, Água fria, Prazeres, Mustardinha, Salgadinho, dentre outras.

“Não temos nem limite de idade. Em 2007, foi para a final um menino de 12 anos. Se chegar aqui um de 10, a gente inscreve. O importante é fortalecer cultura da rima”, afirma DJ Big, que organiza o evento.

Hoje à noite, a Jornada de MC’s tem como atrações o grupo Rota Black e o rapper Sombra (antigo ex-SNJ).

A primeira Jornada de MC’s aconteceu em outubro de 2005 no Pátio de São Pedro, numa parceria com o Movimento Negro Unificado que se mantém até hoje. Daí o nome Terça Negra - por conta da força que a cultura negra tem no hip hop.

Rap e repente

A Jornada de MC’s também tem buscado fazer uma aproximação entre o rap e o repente, gêneros irmãos da poesia popular que pouco se falam.

- São pessoas que não são muito conhecidas do cotidiano dos garotos aqui da metrópole. Queremos mostrar, falar sobre esse tipo de poesia popular para as pessoas - opina Dj Big.

Essa aproximação é feita através de oficinas, para as quais são convidados repentistas. “Outro dia, tivemos aqui as irmãs Santinha e Mocinha Maurício”, conta.

Pergunto se não seria bacana os repentistas participarem das batalhas de MC’s.

- Seria covardia. É muito conhecimento.O repentista é o marco da rima. Embora não tenha BPM como o hip hop, a poesia é muito bem feita e criada na hora. Seria uma concorrência desleal! - argumenta.

(foto: Amauri Cunha)

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6 de junho de 2009

RJ: Viradão Carioca homenageia maestro que estava no voo AF 447

Na noite de ontem teve início o Viradão Carioca, 48 horas seguidas de intensa programação cultural em vários locais do Rio de Janeiro como praças, ruas, teatros, cinemas, bibliotecas, lonas e centros culturais. São shows, peças, concertos, exposições, leituras, performances, filmes, literatura e circo - tudo isso de graça ou a preços populares.

No meio de tão variadas atrações, gostaria de destacar uma delas: a Batalha de MCs, que acontece neste sábado, às 17h.

Mais que uma série de duelos de improvisação dos MCs, a atividade comandada pelo MC Marechal tornou-se uma homenagem ao Maestro Sílvio Barbato, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira e do Theatro Municipal do Rio, desaparecido desde o último domingo (31/5) juntamente com os outros passageiros do voo AF 447 da Air France.

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Nasce, assim, o Troféu Maestro Sílvio Barbato, a ser conquistado pelo MC com melhor capacidade de improvisação. A Batalha de MCs acontece no Galpão Aplauso (Rua General Luis Mendes de Moraes, 50 - Santo Cristo). A entrada para a Batalha de MCs é 1kg de alimento não perecível.

Essa aproximação entre gêneros musicais tão díspares - o mundo do hip hop e o da música erudita - foi justamente um dos maiores feitos de Barbato, o primeiro regente a conduzir uma orquestra com um DJ de hip hop.

“O maestro falava com muita empolgação desta possibilidade de sincretismo cultural. Era uma pessoa simples, uma pessoa boa” diz em seu blog o DJ Saddam. Segundo o DJ, o Troféu é “uma pequenina homenagem do Hip Hop a este que o sempre defendeu como cultura. O Brasil e o mundo da música perdem um grande nome e eu perco um valoroso amigo”.

E pelo visto esse vínculo estabelecido com o hip hop não foi a única ponte que Barbato construiu com outros gêneros musicais. Em sua coluna no Yahoo!, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura que em 2008 tocou num concerto sinfônico regido pelo maestro, afirma:

- Eu comecei a admirar muito o maestro por sua postura em relação à música. Geralmente, grandes maestros não são favoráveis à junção da música erudita com outros estilos. Na verdade, existe um grande preconceito por parte deles, muitos desprezam outras maneiras de expressão musical. O Silvio não. Ele era muita aberto a novos experimentos, mantendo a classe e a técnica da música erudita, mas sempre buscando novos caminhos. Ele me deixou muito à vontade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu tocava com uma orquestra, estava muito confiante. Foi uma experiência inesquecível!

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

O tenor Thiago Aracam, que conviveu e era amigo de Silvio Barbato, também publicou uma homenagem a ele em seu perfil do orkut (de onde foram extraídas as fotos desta matéria). Ele diz: “O Brasil e o mundo inteiro perderam um grande musico, eu perdi um grande amigo. Lamento este momento de profundo dor e enorme saudades, que nunca vai desaparecer”.

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