Terra Magazine

24 de setembro de 2009

MG: Objetos comuns viram personagens de teatro em festival

Imagine assistir a uma peça de teatro em que os personagens principais são com torneiras, regadores, peneiras ou tampinhas de refrigerante.

Absurdo? Nem tanto. E para provar que não, começa hoje e vai até o dia 27, na Serraria Souza Pinto (Belo Horizonte), o I Festival Internacional de Teatro de Objetos - FITO 2009.

Um tanto diferente e inusitado, o teatro de objetos é, ainda, um segmento quase inexistente no Brasil. Em países como França, Alemanha, Estados Unidos, Hungria, Espanha e Itália, entretanto, o teatro de objetos já é bastante difundido.

Nele, busca-se dar alma a objetos em princípio vazios de vida e expressão, tornando-os grandes personagens do espetáculo.

Segundo a curadora do Festival, a chilena Sandra Vargas, do grupo Sobrevento (São Paulo), nesse tipo de teatro, o ator é um narrador e não o artista principal da trama.

As possibilidades são tão extensas quanto inteligentes. Tudo depende da imaginação dos artistas e da sua capacidade em “convencer” o público da “vitalidade” dos objetos em cena, sejam eles um sapato ou pedaços de ferro retorcidos.

os primeiros registros do teatro de objetos como gênero distinto dos demais são do início dos anos de 1970, quando três companhias francesas se reuniram para a criação do espetáculo Pequenos Suicídios.

Todas as companhias que participam do FITO 2009 atuam especificamente com esta modalidade e não apenas com inserções de objetos.

Está é a primeira vez que o Brasil recebe um festival exclusivamente de teatro de objetos. Até agora, quando algum espetáculo desse segmento aparecia, ou estava dentro de uma programação de teatro tradicional ou de teatro de bonecos.

Gratuito, o Festival leva a Belo Horizonte 12 espetáculos e nove companhias: Trecos e Cacarecos, Truks e Teatro de La Plaza (Brasil); Fernan Cardama (Argentina), La Chana Teatro (Espanha), La Voce Delle Cose (Itália) e La Balestra (França). Confira a programação.

Os espetáculos começam a ser apresentados a partir das 16h. Na chegada, o público será recebido por uma banda de música, seguida de desfile de diversos objetos gigantes, como mouse de computador, par de tênis, isqueiro, camiseta, entre outros.

(fotos: FITO 2009/ divulgação)

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16 de agosto de 2009

MG: Festejo do Tambor Mineiro reverencia religiosidade negra

Já virou tradição: todo ano, a Associação Cultural Tambor Mineiro fecha dois quarteirões da Rua Ituiutaba (bairro Prado, na região oeste de Belo Horizonte) para reunir Guardas de Congado e outras expressões da musicalidade afro-mineira.Hoje, a partir das 10h, o espetáculo se repete.

Em sua sétima edição, o Festejo do Tambor Mineiro une artistas e grupos de Minas Gerais a dez Guardas de Congado.

Entre as atrações da programação, Sérgio Pererê, Moçambique Velho Africano, Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário, Guarda Vilão Santa Efigênia, Guarda de Caboclo São Jorge e Mauricio Tizumba.

A festa levou 10 mil pessoas às ruas em 2008. Neste ano, espera-se pelo menos o mesmo público

A festa levou 10 mil pessoas às ruas em 2008. Neste ano, espera-se pelo menos o mesmo público

- Essa manifestação da negritude congadeira normalmente fica lá no seu terreiro, na sua região. Já aqui [no Festejo], aparecem negros e não-negros. É a melhor forma de fazer as pessoas se conhecerem, se respeitarem e acreditarem uns nos outros. Esse vínculo faz as pessoas passarem a conviver melhor - afirma o artista Maurício Tizumba, idealizador da festa.

De fato, ao longo de sua existência, o Festejo do Tambor Mineiro vem apresentando as Guardas de Congado e outras manifestações da cultura negra mineira - como Moçambiques e Caboclos - que tradicionalmente ocorrem na periferia de Belo Horizonte para o público da classe média da cidade.

- O que a gente faz lá é um dia. Na periferia, a festa não para. O congado tem novena, acontece em uma semana. Esse contato desperta a curiosidade das pessoas e algumas delas passam a acompanhar as manifestações também na periferia - explica Elias Gibran, coordenador de produção do evento.

Para Tizumba, idealizador do evento, religiosidade é fundamental

Para Tizumba, idealizador do evento, religiosidade é fundamental

A festa dura cerca de 10 horas, das 10h às 20h. Pela manhã, apresentam-se as manifestações de base religiosa, como os grupos de Congado; à tarde, os artistas, a parte “profana” do espetáculo. “O interessante é que, a cada ano, as guardas de congado ficam para ver os profanos e vice-versa”, diz Gibran.

A religiosidade é sempre presente no Festejo do Tambor Mineiro, que também é uma celebração aos santos negros, em especial a Nossa Senhora do Rosário. “A Santa aceitou os negros como eles são. Com muita fé, cantamos e dançamos para cultuar e reverenciar a divindade”, conta Pedrina Lourdes dos Santos, capitã da Guarda Nossa Senhora das Mercês de Oliveira.

A religiosidade negra mistura fé católica e rituais de origem africana

A religiosidade negra mistura fé católica e rituais de origem africana

Extremamente religioso, o criador do evento também enfatiza o aspecto espiritual do evento: “Eu sempre ando com o rosário no pescoço. É maior que as pedras do caminho, mais forte que uma flecha certeira”, diz.

O acesso ao Festejo do Tambor Mineiro é feito mediante 1kg de alimentos não-perecíveis, a ser doado para as Guardas de Congado. “O alimento é para ajudar as Guardas a realizarem as festas na periferia ao longo do ano”, explica Gibran.

(fotos: Leonardo Lara/ Festejo do Tambor Mineiro)

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5 de agosto de 2009

Soundsystem celebra Dia da Jamaica em Praça de Belo Horizonte

Se o ministereopublico está levando a cultura dos soundsystems para a periferia de Salvador, o RoodBoss Soundsystem dissemina a cultura musical jamaicana pelas praças de da capital mineira.

O sistema de áudio, instalado eventualmente no espaço público de BH, também se inspira nos antigos sound systems jamaicanos e leva o balanço caribenho em alta potência a uma enorme quantidade e diversidade de pessoas.

No in�cio, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

No início, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

Enquanto o povo jamaicano celebra a independência de seu país no dia 6 de agosto, o Jamaican Day é comemorado pelo RoodBoss no sábado, dia 8, na Praça da Savassi. Essa é a quarta vez que o RoodBoss Soundsystem chega às praças.

“Trata-se de um evento de rua gratuito onde todos são bem vindos”, diz a equipe do RoodBoss.

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

A homenagem tem uma proposta interessante: tentar percorrer as vertentes da música da Jamaica com base na cronologia de seu desenvolvimento.

Dessa forma, vão tocar: Mento/Calypso às 14h, Ska/Jamaican Jazz às 15h, Rocksteady/Early Reggae às 16h, Roots Reggae/Dub às 17h, Dancehall/Ragga às 18h e a partir das 19h uma miscelânea que inclui estilos influentes e influenciados.

Será que, aos poucos, o Brasil também entra na onda dos soundsystems? Estaremos atentos.

(fotos: Roodboss Soundsystem)

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21 de junho de 2009

Festival leva circo contemporâneo da França a Belo Horizonte

Começou, na última sexta-feira, o 5º Festival Mundial de Circo. Primeiro e maior do gênero no país, o evento, desde 2001, leva à capital mineira um panorama da produção circense brasileira e mundial.

Neste ano, o Festival Mundial de Circo é dedicado ao Ano da França no Brasil (França.br). São seis grupos franceses e dez brasileiros, que ocupam juntos as ruas, praças e teatros de Belo Horizonte até 28 de junho.

Além dos espetáculos, gratuitos e pagos, os mineiros da capital têm acesso a campeonato de malabares, oficinas, debates, lançamento de livros e uma mostra de filmes - tudo isso girando em torno do universo circense.

Reconhecidamente um dos maiores centros da arte circense no mundo, o país de Napoleão é berço de muitos prodígios no ofício de abrilhantar o picadeiro - e alguns deles estão neste Festival.

Ainda é tempo de ver o espetáculo de abertura do Festival: “20º Première”, do Centre National des Arts du Cirque (CNAC), marcado para a noite de hoje.

Convidado especial da 5ª edição do Festival, o CNAC é uma das mais importantes escolas superiores de circo da Europa, localizada em Châlons-en-Champagne, interior da França. Em todo final de curso os alunos do CNAC montam um espetáculo profissional e realizam apresentações na França e em outros países.

Este ano, o espetáculo - dirigido por Georges Lavaudant e coreografado por Jean-Claude Gallotta - tenta ludribriar a gravidade, valorizando as acrobacias aéreas, seja no mastro chinês, nas básculas coreanas, sobre um arame, no mastro pendular ou no tecido.

A programação traz outro “francês voador”, o artista circense Julot, também integrante do grupo Les Cousins. Com quase 30 anos de experiência artística, Julot apresenta-se gratuitamente em parques, no topo de um mastro de nove metros de altura, brincando com a capacidade da platéia suportar a vertigem.

o mastro tem nove mestros!

Não se recomenda fazer isso em casa: o mastro tem nove metros de altura!

Também de graça, mesmo bem preso a terra, é o espetáculo “Passage Désemboîté”, da Cia Les Apostrophés. Nele, cinco engravatados brincam com objetos esquecidos nas ruas: um livro em um banco de praça, um chapéu que voa, restos de feira, baguetes de pão. Misturando humor, malabarismo, música e dança, os artistas se misturam aos passantes, à caça de pistas para o próximo improviso.

O improviso também aparece do lado brasileiro. O espetáculo “Jogando no Quintal”, montado pelo grupo homônimo, segue a estrutura de uma partida de futebol, com dois times, juiz e hino. Em disputa, a afeição da platéia, que sugere temas para que cada time improvise os seus números.

Além do já bastante conhecido Circo Zanni, também merece destaque, entre as companhias nacionais, o grupo La Mínima, que apresenta “A Noite dos Palhaços Mudos”. Espetáculo de clown escrito pelo cartunista Laerte, “A Noite” explora o humor sem palavras e a lógica do absurdo, abrindo espaço para truques de magia e números musicais.

A quinta edição do Festival Mundial de Circo traz uma novidade em relação às anteriores: a Mostra “Cenas de Circo”. A mostra é um novo formato, no qual são apresentadas duas cenas de 15 a 30 minutos, de diferentes companhias, numa mesma noite.

A interação entre os grupos circenses tem seu ápice no Espetáculo de Variedades, que reúne os melhores números circenses inscritos para participarem do evento, além de músicos e um diretor convidado. A iniciativa, que tem entrada gratuita, fomenta encontros e intercâmbios artísticos, estimulando novas produções na área de circo.

Música e circo ainda se encontram no Cabaré Circo, espetáculo inspirado no universo dos antigos cabarés que põe no mesmo “picadeiro” atrações circenses e musicais.

Este blogueiro gostaria de destacar ainda uma paixão pessoal: a mostra competitiva de malabares. Para a disputa, foram selecionados números de malabares de acordo com critérios como a excelência artística, figurinos, trilha sonora, criatividade, técnica e presença de palco. O resultado é apresentado em um espetáculo com entrega de prêmios para os três primeiros lugares.

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

Festival Mundial de Circo

Realizado em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009, o Festival Mundial de Circo e faz a cada dois anos uma síntese da produção circense nacional e internacional. Sediado em Belo Horizonte, investe também na realização de ações residuais para reforçar o processo de formação de novas platéias para o circo, incentivando o surgimento de novas gerações de artistas.

Ao longo dos anos, um público estimado de 200 mil pessoas presenciou as 201 apresentações de espetáculos, 72 apresentações de números na Mostra de Números Circenses, 14 workshops para profissionais, quatro oficinas para iniciantes, 12 debates com diversos representantes do circo nacional e internacional, sete lançamentos de livros sobre a arte circense, além de cinco festas que mesclam apresentações circenses e teatrais com shows musicais.

O Festival Mundial de Circo do Brasil acolheu em solo brasileiro artistas e grupos de países como: Argentina, Uruguai, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Quênia, Ghana, Rússia, França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Espanha e Cuba.

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5 de junho de 2009

Festival Internacional de Teatro de Bonecos comemora 10 anos em BH

Pelo décimo ano consecutivo, a capital mineira recebe o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que começa hoje e vai até o dia 14 de junho, ocupando vários espaços da cidade e mobilizando cerca de 20 mil pessoas.

O Festival já foi incorporado ao calendário oficial de Belo Horizonte, considerada a cidade brasileira que melhor acolhe - e onde é mais desenvolvida - essa arte milenar.

Tradicionalmente, o Festival reúne talentos nacionais e internacionais da manipulação de objetos. Nesta edição, dez representantes da arte (seis nacionais e quatro estrangeiros) foram convidados a participar. O número de atrações é menor do que os anos anteriores. Culpa, mais uma vez, da crise financeira internacional.

- Fomos pegos de surpresa pela crise econômica mundial. O Festival quase não sai, mas não poderíamos deixar de celebrar o nosso décimo aniversário: fizemos na raça. Ficou uma edição um pouco mais enxuta, só que sem abrir mão da qualidade técnica - conta Adriana Focas, uma das organizadoras do evento.

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Ainda que as atrações não sejam tantas quanto o público de BH está acostumado e com apenas R$ 215 mil de patrocínio, o Festival oferece uma programação com bela diversidade de técnicas de manipulação, permitindo aos mineiros estar em contato com a vanguarda do teatro de bonecos.

- O teatro de bonecos tem assumido nova personalidade, incorporado outras linguagens, como sombras, projeções e dança. Estamos trazendo, por exemplo, um grupo de vanguarda da Finlândia, que mistura teatro de objetos e circo. Na verdade, “Teatro de Bonecos” é meio redutor. Deveria se chamar “teatro de animação ou de formas animadas”. Afinal, interessa qualquer objeto que você consiga dar uma alma - argumenta Adriana Focas.

As atrações incluem também o teatro de sombras (”Pépé e Estella”, Cia Gioco Vitta - Itália) e interação entre o ator e bonecos em tamanho natural (”Don Juan, O Memoria Amarga de Mí”, Cia Pelmànec - Espanha).

BH é a "capital do teatro de bonecos" no pa�s

Belo Horizonte é a "capital do teatro de bonecos" no país

Já um grupo da Alemanha, a Cia Erfreuliches Theater Erfurt, faz um espetáculo infantil (”Adieu, Benjamin”) que gira em que torno da morte de um menino, tema considerado tabu.

- Aqui eu coloquei uma recomendação para que o espetáculo fosse assistido por pessoas acima de nove anos. Na Alemanha é infantil, mas nunca vi esse tema ser tratado no Brasil - comenta a organizadora do Festival.

Essa mesma companhia faz outra apresentação (”Rainha das cores”), na qual um desenho animado é produzido ao vivo.

Teatro de bonecos não é mais considerado "coisa de criança"

Teatro de bonecos superou o preconceito e não é mais considerado "coisa de criança"

Isso tudo sem contar as montagens nacionais, também com linguagens mescladas, como Companhia PeQuod, no seu “Chegada de Lampião ao Inferno”.

Por conta da redução de custos, nesta edição acontece apenas uma montagem de rua, com entrada franca: “O Romance do Vaqueiro Benedito”, da Cia Mamulengo Presepada, que acaba de retornar de turnê em Portugal. A Presepada é uma das representantes do tradicional mamulengo no evento.

- Sabia que os mamulengos são mais valorizados lá fora do que aqui? São extremamente valorizados na Europa, muito mais do que Brasil, por incrível que pareça. Os poucos mamulengueiros que sobraram aqui não ganham bem, não têm o reconhecimento que merecem - alfineta a organizadora do Festival.

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do pa�sl

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do país

Além dos espetáculos, acontece o evento organiza a exposição Bonecos de Minas, com mais de 40 bonecos de 16 companhias do Estado. São marionetes, fantoches, tringles, títeres de manipulação direta sobre balcão, sombras, bonecos gigantes, mecanismos e estéticas variadas, todos feitos por mãos mineiras. A exposição, cuja entrada também é gratuita, teve início esta manhã e abriu oficialmente o Festival.

Formação

Um dos orgulhos do Festival é participar na formação da cena de teatro de bonecos de Belo Horizonte.

- Tentamos fazer o evento e qualificar o ambiente cultural da cidade. Desde a primeira edição, surgiram várias companhias. Acredito parte do que existe hoje seja um pouco responsabilidade nossa - comenta Adriana Focas.

Festival também investe na formação dos artistas

Festival também investe na formação dos artistas

Para esse público especial, artistas que já trabalham com teatro de bonecos, o evento tem duas atividades específicas de formação. A oficina de mecanismos e articulações, com 20 vagas e ministrada por Paulo Nazareno (Cia Nazareno Bonecos) e a aula-espetáculo sobre a arte do títere na Índia, realizada pela titireteira, professora e pesquisadora Madga Modesto.

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26 de abril de 2009

BH comemora o Dia Nacional do Teatro de Bonecos

Desfile de bonecões e mini-apresentações gratuitas exploram a diversidade de técnicas do gênero.

Quem nunca riu como criança assistindo um grupo de fantoches? Ou se emocionou com os movimentos extraordinariamente humanos de bonecos que pareciam mover-se sozinhos?

Oficialmente comemorado no dia 27 de abril, data de fundação da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos, o Dia Nacional do Teatro de Bonecos será lembrado em Belo Horizonte neste domingo, com espetáculos gratuitos na Praça do Sol (Parque Municipal). A celebração vai das 10 até 13h.

Arte milenar, o teatro de bonecos mostra toda a sua versatilidade no evento, que tem desde marionetes e bonecos de luva a bonecões. Usando um caminhão-palco, os grupos e bonequeiros se revezam apresentando cenas curtas, que duram de 10 a 15 minutos.

Além das apresentações, o evento também conta com um desfile de bonecões, pernas de pau, caixas de teatro - inspiradas nos fotógrafos chamados de lambe-lambe - e mini oficinas.

A capital mineira vem se tornando ao longo dos últimos anos uma potência brasileira dos praticantes dessa arte.

Lar do grupo Giramundo, um dos mais consagrados do país, e de muitos outros grupos e bonequeiros, a cidade e o estado vêm incorporando o teatro de bonecos às suas políticas públicas de cultura e abrindo espaço para esse gênero das artes cênicas.

Cauê Salles, 42, é bonequeiro e membro da Associação de Teatro de Bonecos do Estado Gerais, que organiza o evento de hoje. Ele presenciou esta mudança de ares.

- Teve anos que a gente lamentou muito [o Dia Nacional do Teatro de Bonecos], sem vontade nem de ir para rua comemorar. Antes, a gente não conseguia apresentar espetáculos nos teatros públicos. Agora, disputamos os espaços quase de igual para igual - afirma.

Cauê conta que participou recentemente de projetos em que os bonequeiros circulavam pelas cidades mineiras não apenas apresentando espetáculos, mas fazendo oficinas e ensinando as técnicas e o lado artesanal da arte, que é a produção dos objetos de trabalho.

- Isso garante continuidade. Amplia a platéia desse tipo de teatro e deixa uma semente para o surgimento de futuros artistas - destaca o bonequeiro.

Salles chama atenção para as diversas possibilidades de uso do teatro de bonecos, que vão além das apresentações tradicionais. “Pode ser utilizado em terapias, no processo de alfabetização… o problema é que o mercado fatalmente vê a gente de uma forma muito setorial”, diz.

Outro entrave ao desenvolvimento da arte, na opinião do bonequeiro, é uma equivocada familiaridade que as pessoas têm com o teatro de bonecos. “Falam assim: ‘Ah, já mexi com teatro’, ‘eu sei fazer também’, sem compreender a complexidade da coisa”, argumenta.

Empolgado, o bonequeiro dá uma rápida aula sobre as diferentes técnicas de teatro de bonecos:

- Existem técnicas de bonecos de fios (as marionetes); luva (com dedo ou mão); manipulação direta; vara colada em baixo ou em cima do boneco; boneco habitável; gatilho (feito com mola); bonecos de sombra e boneco com corpo deslocado (mão fantasma). É possível também juntar uma técnica com outra e descobrir outros resultados - explica.

Aproveito a deixa para comentar como ele se sente sabendo que o público que assiste aos espetáculos não percebe toda essa complexidade.

- É bacana quando desperta uma curiosidade para isso, mas o público que vai ver não precisa saber que o bailarino ficou ali horas e horas… o que importa é a perfeição e o encantamento. Quando a gente vê que a coisa é boa, não precisa de legenda.

(fotos: divulgação/Atebemg)

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